U. Tomar – Centenário (XXI)

UT - Centenario - 21

(“O Templário”, 20.02.2014)

A 22 de Setembro de 1968, à terceira jornada (depois dos empates averbados com o Atlético e Belenenses), a cidade de Tomar recebia a primeira visita de um dos grandes do futebol português, o Sporting. E, de forma surpreendente, o União obteria o seu primeiro triunfo na I Divisão!

«Em Tomar aconteceu sensação. Verdadeiro dia de futebol, em que o novo primo-divisionário recebia um dos mais sérios candidatos ao título final, o Sporting, que 4 dias antes, em autêntica noite de gala para o futebol português, havia vencido rotundamente um dos melhores conjuntos espanhóis, o Valência. Este facto, aliado ao excelente comportamento do União nas 2 primeiras jornadas, levou ao Estádio Municipal a maior enchente de sempre.»(1)

«A cidade de Tomar teve ontem o seu primeiro dia grande de futebol com a visita do Sporting, um grande e um «leader» do Campeonato Nacional, um nome portanto mais do que consagrado e mais do que suficiente para justificar o extraordinário movimento da bela cidade nabantina e do entusiasmo e do ambiente que envolveram o Estádio Municipal, excelentemente situado no parque e todo ele de belas  e amplas perspectivas. E nem algumas reticências que entendemos fazer, noutro local, nesta primeira visita ao Estádio Municipal, em dia grande, […] pode minimizar o excelente espectáculo oferecido ontem por toda uma cidade atrás do seu clube e toda uma multidão atrás do seu «leader»»(2)

Contudo, o União de Tomar começaria por se ver em situação de desvantagem no marcador desde cedo, com um golo de Chico, logo aos 6 minutos. Reagiria, não obstante, da melhor forma, com um golo algo controverso de Leitão, aos 34 minutos, acabando por garantir esta histórica vitória, por intermédio de Cláudio, estabelecendo o 2-1 final aos 55 minutos.

«O Sporting, recheado de jogadores de reconhecida capacidade, não esteve, afinal, nos seus melhores dias, cedeu mais do que seria legítimo esperar e a sua defesa, considerada a melhor que existe no País, foi permeável à acção acutilante dos avançados do União de Tomar.»(3)

Em conclusão, sublinhando a justiça da vitória unionista:

«O União de Tomar alcançou um excelente triunfo, nas condições já descritas, num desafio em que foi, inegavelmente, a melhor equipa no terreno a que mais jogou e que mais dominou e a que mais rematou […]. A equipa fecha bem o caminho da baliza mete jogadores no meio do terreno e ataca com perigo, rematando, sempre que a oportunidade se lhe depara.»(4)

«E o final chegou com a vitória inesperada do União. Talvez por inesperada, não deixa de constituir um belo feito para os tomarenses, mais um momento inesquecível para o seu brilhante historial.»(5)

____________

(1) Cf. “Cidade de Tomar”, 28 de Setembro de 1968 – Crónica de N.
(2) Cf. “A Bola”, 23 de Setembro de 1968 – Crónica de Aurélio Márcio
(3) Cf. “O Templário”, 28 de Setembro de 1968 – Crónica de Silva Monteiro
(4) Cf. “A Bola”, 23 de Setembro de 1968 – Crónica de Aurélio Márcio
(5) Cf. “Cidade de Tomar”, 28 de Setembro de 1968 – Crónica de N.

23 Fevereiro, 2014 at 12:00 pm Deixe um comentário

O pulsar do campeonato – 16ª jornada

Pulsar - 16

(“O Templário”, 20.02.2014)

No futebol também há dias assim, em que impera a lógica, em que seria menos difícil “acertar no totobola” (sendo que é sempre muito mais fácil – como dizia um antigo famoso jogador – fazer prognósticos “no fim do jogo”).

Neste campeonato, nunca, como nesta 16.ª jornada, os desfechos das várias partidas que a compunham foram tão previsíveis; nunca os seis primeiros classificados tinham ganho em simultâneo, todos eles. E só não venceram todos os sete clubes da primeira metade da tabela, porque dois deles se defrontaram entre si (Coruchense e Mação), pelo que o sétimo vencedor da ronda foi o… 8.º classificado.

Isto dito, naturalmente, teve duas consequências óbvias: por um lado, mantiveram-se inalteradas as distâncias pontuais, assim como as correspondentes posições relativas, entre os seis primeiros… tal como entre os seis últimos; tendo, por outro lado, sido ampliado o fosso que separa esse sexteto da frente do sexteto da retaguarda, agora já estabelecido em dez pontos, quando faltam disputar dez jornadas.

Passemos então ao concreto: os dois clubes que partilham a liderança, At. Ouriense e Coruchense receberam e venceram, respectivamente, os Empregados do Comércio (3-0) e o Mação (1-0); a avaliar pelos números, tendo enfrentado graus de dificuldade distintos, reflectindo afinal, também, a posição na tabela de cada um destes dois opositores.

O par que se segue, de imediato, um escasso ponto abaixo, Torres Novas e Fazendense ganharam igualmente: no caso dos torrejanos, em Abrantes, frente à U. Abrantina (2-0), no segundo de um ciclo de três jogos consecutivos em terreno alheio (depois do triunfo em Assentiz, e antes de se deslocar a Mação); a turma de Fazendas de Almeirim, por tangencial margem (2-1) na recepção ao Cartaxo.

O terceiro dueto, formado por União de Tomar e Amiense (equipas que se cruzam na próxima jornada), foi também vencedor: 3-1 no caso dos unionistas, repetindo o desfecho, precisamente pela mesma marca, do desafio disputado há duas semanas, no mesmo local, e perante o mesmo oponente; 2-0 em Amiais de Baixo, tendo recebido a visita do U. Chamusca. Por fim, no único encontro entre duas equipas da segunda metade da pauta classificativa, o Pontével derrotou o Assentis por 4-2.

Abre-se aqui um breve parêntesis para tratar um pouco mais em detalhe o confronto que opôs Benavente e União de Tomar. E, muito curiosamente – ainda mais, porque o resultado foi exactamente coincidente com o de há duas semanas, então em partida a contar para a Taça do Ribatejo –, um cabal exemplo de que “não há dois jogos iguais”.

De facto, tendo inaugurado o marcador desde cedo (na conversão de uma grande penalidade), e, ainda na meia hora inicial, ampliado a vantagem para (tão “confortável” como arriscado) 2-0 – já depois de o árbitro ter indultado um segundo castigo máximo aos visitados –, a turma unionista passaria depois por um largo período de sofrimento, decorrente de a formação da casa ter reduzido o marcador para 1-2 ainda antes do intervalo (também na sequência de uma grande penalidade).

No segundo tempo, a equipa benaventense acreditou que podia chegar ao empate, pressionando e instalando-se no meio-campo contrário, aproveitando também alguma fase de nervosismo e intranquilidade dos tomarenses. Acabaria por ser de alguma forma feliz o União, ao conseguir, num momento crucial, marcar o seu terceiro golo, que, de forma definitiva, sentenciava o desfecho do desafio.

Com o campeonato a manter-se “ao rubro”, numa altura em que começa a aproximar-se a “hora das decisões”, a próxima jornada será certamente de bem mais complexa previsão, atentando nas dificuldades que esperam os primeiros classificados; senão, vejamos: o At. Ouriense desloca-se ao Cartaxo; o Coruchense a Santarém, para defrontar os Empregados do Comércio; o Fazendense à Chamusca (onde será favorito); o Torres Novas, tal como já referido, visita Mação; e o União de Tomar recebe o Amiense, num encontro em que estará em jogo o 5.º lugar.

Na II Divisão Distrital, destaque para o empate cedido pelo Ferreira do Zêzere em Pernes, permitindo ao líder Atalaiense dilatar para três pontos a sua vantagem; e, a Sul, para o inesperado desaire caseiro do guia, Barrosense, na recepção ao U. Santarém, encurtando o seu avanço, agora também para três pontos, sobre o par formado pelos escalabitanos e pelo Rio Maior, sendo que a equipa da Barrosa mantém um jogo em atraso, com o U. Almeirim.

Iniciou-se entretanto a segunda fase do Campeonato Nacional de Seniores, com a realização da 1.ª jornada (de um total de 14 rondas suplementares), disputando as três equipas do Distrito a série de manutenção. Enquanto o Alcanenense venceu por 1-0 na recepção ao Fátima, o Riachense prossegue na senda dos desaires, tendo perdido em casa ante o Torreense, por 1-3.

Se o resultado da formação de Alcanena lhe pode proporcionar maior tranquilidade (lidera a série, dispondo agora de nove pontos de vantagem sobre o antepenúltimo classificado); o inverso pode suceder com o Fátima, que, em função da partição a metade dos pontos obtidos na primeira fase, e desta derrota, baixou ao 5.º lugar – o último que garante automaticamente a manutenção – apenas com cinco pontos a mais que o Carregado, primeira equipa na zona de maior risco na classificação. Por fim, a equipa de Riachos, subsiste na indesejável posição de “lanterna vermelha”, curiosamente também a distância de cinco pontos do Carregado.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 20 de Fevereiro de 2014)

23 Fevereiro, 2014 at 10:00 am Deixe um comentário

Liga Europa – 1/16 Final (1ª mão) – PAOK – Benfica

PAOKPAOK – Panagiotis Glykos, Stelios Kitsiou, Kostas Katsouranis, Juan Insaurralde, Lino, Ergys Kaçe, Hedwiges Maduro, Sotiris Ninis (63m – Lucas Martínez), Costin Lazăr (82m – Dimitris Salpingidis), Sekou Oliseh (76m – Miroslav Stoch) e Stefanos Athanasiadis

BenficaBenfica – Artur Moraes, Maxi Pereira, Luisão, Jardel, Sílvio, Rúben Amorim, Filip Đjuričić, André Gomes (66m – Lazar Marković), Enzo Pérez (63m – Ljubomir Fejsa), Miralem Sulejmani (76m – Eduardo Salvio) e Lima

0-1 – Lima – 59m

Cartões amarelos – Ergys Kaçe (5m), Costin Lazăr (27m); Hedwiges Maduro (54m) e Miroslav Stoch (85m); André Gomes (45m)

Árbitro – Wolfgang Stark (Alemanha)

Colocando em marcha um plano de “rotatividade” nos antípodas do que praticara em anos anteriores, o treinador benfiquista, Jorge Jesus, terá pensado sobretudo em preservar a segurança defensiva, visando trazer a definição do desfecho da eliminatória para a 2.ª mão, no Estádio da Luz.

Embora sem que a equipa tivesse assumido, de forma decidida, uma toada ofensiva, o Benfica evidenciaria a sua superioridade, acabando por vencer mesmo em Salónica, vantagem importante para a definição do apuramento, mas que não é de modo a permitir quebras de concentração. A jogar em casa, a equipa portuguesa terá de enfrentar a partida da 2.ª mão com o fito de obter nova vitória, forma mais segura de garantir o precioso avanço alcançado na Grécia.

20 Fevereiro, 2014 at 10:33 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 1/16 Final (1ª mão)

Dnipro – Tottenham – 1-0
Betis – Rubin Kazan – 1-1
Swansea – Napoli – 0-0
Juventus – Trabzonspor – 2-0
Maribor – Sevilla – 2-2
Viktoria Plzen – Shakhtar Donetsk – 1-1
Chernomorets Odessa – Lyon – 0-0
Lazio – Ludogorets – 0-1
Esbjerg – Fiorentina – 1-3
Ajax – Salzburg – 0-3
Maccabi Tel-Aviv – Basel – 0-0
FC Porto – E. Frankfurt – 2-2
Anzhi – Genk – 0-0
D. Kyiv – Valencia – 0-2
PAOK – Benfica – 0-1
Slovan Liberec – AZ – 0-1

20 Fevereiro, 2014 at 9:05 pm Deixe um comentário

União de Tomar – Livro do Centenário

UT- Centenario - Capa
Brevemente…

20 Fevereiro, 2014 at 11:16 am Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 1/8 Final (1ª mão)

18.02.2013 – Manchester City – Barcelona – 0-2
25.02.2013 – Olympiakos – Manchester United
19.02.2013 – AC Milan – At. Madrid – 0-1
18.02.2013 – Bayer Leverkusen – Paris St.-Germain – 0-4
26.02.2013 – Galatasaray – Chelsea
26.02.2013 – Schalke 04 – Real Madrid
25.02.2013 – Zenit – Borussia Dortmund
19.02.2013 – Arsenal – Bayern München – 0-2

Na primeira metade desta 1.ª mão dos 1/8 Final da Liga dos Campeões, a curiosidade de todas as equipas visitadas terem sido derrotadas, portanto com os visitantes com “meio caminho” andado nesta eliminatória, etapa inicial no percurso até Lisboa.

19 Fevereiro, 2014 at 9:48 pm Deixe um comentário

U. Tomar – Centenário (XX)

Centenario - 20

(“O Templário”, 13.02.2014)

Por caprichos do sorteio, o adversário de estreia na I Divisão, a 8 de Setembro de 1968, viria a ser precisamente o Atlético, clube com o qual o União de Tomar disputara a Final do Campeonato Nacional da II Divisão da época precedente: «Dia, excessivamente quente para a prática de Futebol e o Estádio Municipal de Tomar já com o seu ar «grandioso» com umas bancadas que poderão vir a ser excelentes quando tenham a indispensável «cobertura» […].»(1)

Apresentando-se em campo com seis dos novos recrutas como titulares (Kiki, Caló, Dui, Barnabé, Ferreira Pinto e Leitão), necessariamente ainda não entrosados, não demoraria porém o golo inaugural do União na I Divisão: logo aos nove minutos, «Ferreira Pinto caminhou com a bola uns metros desde o meio-campo adversário e à entrada da área, arrancou um pontapé forte e rasteiro. No caminho da baliza, o esférico encontrou o pé de João Carlos, desviou-se, tomou altura e anichou-se nas redes.»(2)

Um lance com a involuntária participação do defesa central do Atlético, o açoriano João Carlos (que, curiosamente, viria também – a partir da temporada seguinte –, a marcar uma era ao serviço do clube de Tomar), entrava assim para a história do União – não sendo pacífica a atribuição da autoria do tento, obtido “a meias” (Ferreira Pinto ou João Carlos, consoante as fontes consultadas).

O resultado deste jogo inicial do União na I Divisão seria fixado à passagem da meia hora de jogo, com Simões a empatar a partida. Uma igualdade que, pelas circunstâncias em que foi obtida, teria um sabor agridoce:

«Realmente, a equipa do Nabão não podia apresentar-se mesmo na forma possível para a época devido a condicionalismos que, necessariamente, sofreu e continuará a sofrer a sua preparação. Lembramos que mais de metade dos seus jogadores vieram de outros clubes e o trabalho de sincronização tem de correr juntamente com o de estruturação do conjunto e não se sabe qual deles será o mais urgente, mas admite-se que não haverá uma estrutura absolutamente firme sem que os jogadores se identifiquem com os processos de jogar uns dos outros.

Fazer uma equipa é um trabalho duro, especialmente se ela tem de ser cerzida, tem de sair de retalhos. E os desafios que a equipa disputou, antes do jogo inaugural do Campeonato, não lhe puderam proporcionar nem a tal sincronização, nem o «andamento» de I Divisão, que é ponto primordial a atingir.»(3)

Sobre a atitude e exibição da equipa tomarense, respiga-se ainda da crónica do jogo:

«O União queria, ansiosamente, dominar e ganhar. Nem uma coisa nem outra se consegue só com o querer. Mas a equipa deu tudo quanto de momento tem dentro de si, com uma vontade e um interesse notáveis.»(4)

____________

(1) Cf. “O Templário”, 14 de Setembro de 1968 – Crónica de Silva Monteiro
(2) Cf. “A Bola”, 9 de Setembro de 1968 – Crónica de Homero Serpa
(3) Cf. Idem, Ibidem
(4) Cf. Idem, Ibidem

16 Fevereiro, 2014 at 12:00 pm Deixe um comentário

O pulsar do campeonato – 15ª jornada

Pulsar - 15

(“O Templário”, 13.02.2014)

Num campeonato, qual “caixinha de surpresas”, à medida que vai avançando, cada vez parece ser maior o equilíbrio nos lugares da frente, não sendo possível, nesta altura, apontar inequivocamente uma equipa como favorita à conquista do título e consequente promoção ao Campeonato Nacional de Seniores.

De facto, o líder, Coruchense, não só viu interrompida uma magnífica série de sete vitórias consecutivas, como, pior ainda, foi derrotado em casa pelo anterior 2.º classificado, At. Ouriense, por 1-2, numa partida em que a turma do Sorraia desperdiçou duas grandes penalidades!

Conjugando este desfecho com os difíceis, mas importantes triunfos, alcançados pelo Torres Novas e pelo Fazendense, respectivamente em Assentiz (2-1) e em Santarém, ante a formação dos Empregados do Comércio (1-0), temos agora um quarteto no topo da classificação, concentrado no intervalo de um único ponto: At. Ouriense e Coruchense partilham o comando, com 31 pontos, seguidos de imediato pelo outro par referido, com 30 pontos.

Aparentemente afastados desta disputa, mas, por outro lado, a caminhar a passos largos para a tranquilidade, prosseguem U. Tomar e Amiense, que se posicionam ambos agora a sete pontos do duo da liderança, mas dispondo já de oito pontos de vantagem sobre a zona perigosa da classificação. Somando cada um 23 pontos, quando faltam disputar onze jornadas – e podendo projectar-se como margem de segurança, para garantia da permanência no principal escalão do futebol distrital, o atingir dos 30 pontos –, parte substancial da “caminhada” está já cumprida.

Nesta ronda uma e outra equipa empataram a um golo: o União, em casa, frente ao Pontével – que, curiosamente, depois de não ter empatado nas onze jornadas iniciais, soma agora já três igualdades nos últimos quatro desafios na prova –, interrompendo também um ciclo de cinco triunfos (pleno de vitórias no ano de 2014, até esta jornada), mas, paralelamente, ampliando para sete o número de encontros em que preserva a invencibilidade; o Amiense, no Cartaxo, frente ao “campeão” dos empates (regista já nove, em quinze jornadas realizadas).

Curiosamente, no caso do União de Tomar, não tendo aspirações ao título, ganhou já ao Coruchense (no que constituía, até esta altura, o único desaire do líder), assim como foi triunfar a Torres Novas, tendo desperdiçado (com a tal grande penalidade desaproveitada, em tempo de descontos), a possibilidade de vitória no terreno do outro guia, At. Ouriense, para além de ter empatado ante o Fazendense. O que demonstra cabalmente a capacidade da equipa, bastante personalizada, para se bater frente a qualquer adversário deste campeonato, e em qualquer terreno.

Nos restantes encontros, o Mação – que segue em posição intermédia na tabela (7.º lugar), certamente “olhando um pouco mais para cima”, mas sem poder descurar os perseguidores – deparou-se com inesperadas dificuldades para derrotar o cada vez mais “lanterna vermelha” U. Abrantina (que muito dificilmente escapará já à despromoção), tendo tido de operar uma reviravolta no marcador, acabando por ganhar por 2-1; por fim, num prélio em que se antecipava já poder ser bastante equilibrado, tal confirmou-se plenamente, com o empate do Benavente na Chamusca, também a uma bola.

Daí, para baixo – e à excepção da U. Abrantina – temos outra grande amálgama, com um grupo de seis equipas enquadradas num intervalo de quatro pontos, “lideradas” pelo Pontével, que parece querer reagir a uma fase menos positiva. Com a margem de risco inerente a este tipo de projecções, a grande luta pela manutenção deverá disputar-se entre Benavente, Cartaxo, U. Chamusca, Empregados do Comércio e Assentis, actualmente separados por apenas dois pontos.

Com o Campeonato Nacional de Seniores ainda em pausa, antes de ser retomado, com o arranque da segunda fase, neste fim-de-semana, é ainda difícil antecipar quantos serão os clubes a despromover do Distrital, mas, por prudência, considerando a difícil situação do Riachense, será mais apropriado ir lidando com um cenário eventual de três despromoções.

Na II Divisão Distrital temos também novidades: com a sanção aplicada ao Mindense, na partida em que recebera o Ferreira do Zêzere (tendo a equipa da casa sido punida com derrota), conjugada com o triunfo dos ferreirenses, curiosamente, nesta segunda volta, na recepção, precisamente, à turma de Minde, o grupo do Zêzere deu um grande pulo na tabela, estando agora no 2.º lugar, somente a um ponto do guia, Atalaiense (que, apenas já no “cair do pano”, conseguiu superiorizar-se ao Tramagal); surgindo o Pego logo de imediato, apenas um ponto abaixo. A Sul, o comandante, Barrosense, viu o seu desafio em Almeirim, frente ao União local, ser adiado, devido às más condições do terreno, pelo que tem agora o par formado por Rio Maior e U. Santarém a seis pontos (e o U. Almeirim, também com o tal jogo em atraso, a oito pontos), isto quando faltam realizar só quatro jornadas.

Neste fim-de-semana, os quatro da frente da I Divisão Distrital apresentam-se como favoritos… mas as surpresas podem estar “à espreita” onde menos se espere: At. Ouriense, recebendo os Empregados do Comércio; Coruchense sendo visitado pelo Mação (num desafio que não deverá ser fácil); o Torres Novas, de novo em terreno alheio, deslocando-se a Abrantes; e o Fazendense a jogar em casa com o Cartaxo, também num prélio de forte rivalidade. Amiense e Pontével têm também a tendência a seu favor, respectivamente, frente a U. Chamusca e Assentis. Por fim, o União de Tomar regressa, apenas duas semanas depois da partida para a Taça do Ribatejo, a Benavente; se conseguir repetir a exibição, poderá certamente obter novo resultado positivo.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 13 de Fevereiro de 2014)

16 Fevereiro, 2014 at 10:00 am Deixe um comentário

U. Tomar – Centenário (XIX)

Centenario - 19

(“O Templário”, 06.02.2014)

Na sequência do seu brilhante triunfo na Zona Norte, o União de Tomar disputaria, no Estádio do Restelo – a 13 de Junho de 1968 (um mês após o termo do campeonato…) –, com o vencedor da Zona Sul, o Atlético, o título de Campeão Nacional da II Divisão.

Jogando em campo relvado, a que não se encontrava ainda completamente adaptada, tendo começado mesmo por se colocar em vantagem (golo de Djunga), numa partida muito disputada, e após ter conseguido ainda restabelecer a igualdade a dois golos (por Lecas), a turma unionista acabaria por vir a ser derrotada no derradeiro minuto – quando se aguardava já o prolongamento, em que os tomarenses poderiam porventura levar vantagem por denotarem melhor condição física…

«Atlético e U. Tomar foram dignos um do outro, lutando como dignos finalistas de um Campeonato longo, duro e esgotante como o da II Divisão ao qual cada uma destas equipas demonstrou capacidade física e valia técnica para se imporem aos restantes componentes das duas zonas.

No despique emocionante e renhido que travaram entre si no Restelo, perante um público interessado e galvanizado pelas peripécias da luta, o Atlético foi indiscutivelmente o mais feliz, conquistando um título que teria assentado também com toda a justiça à turma de Tomar.

No balanço geral da partida foram os tomarenses, inegavelmente, que apresentaram melhor estrutura, praticando um futebol mais racional e por isso mesmo mais intencional e incisivo e de índice técnico-táctico mais elevado. Não puderam, no entanto, ser indiferentes ao clima decisivo do jogo e daí terem evidenciado no capítulo de concretização a mesma falta de objectividade que patentearam os alcantarenses.

As circunstâncias anormais em que o grupo de Tomar sofreu o último golo – e que ficou como o momento culminante do desafio deram ao desfecho da pugna um acre sabor de injustiça. Foi um momento de infortúnio mesmo no declinar do tempo regulamentar, mas a sorte também faz parte do jogo e o insólito desse golo, aliás muito bem executado pelo marcador, de modo algum pode ensombrar o título que ficou em poder do Atlético. De resto, a turma alcantarense, tanto pelo seu empenho, como pelo seu manifesto propósito de tornear as dificuldades criadas pelo adversário tarefa de que acabou por se sair airosamente com mais ou menos acerto – foi um digno campeão, igualando em mérito outras virtudes patenteadas pelos tomarenses.»(1)

De forma honrosa, o União de Tomar, oferecendo digna réplica ao seu valoroso adversário, acabaria por perder por 2-3. Alinharam nesta Final – a segunda que o clube disputava a nível nacional, depois da que vencera três anos antes, em 1964-65 – os seguintes onze: Conhé; Cabrita, Faustino, Alexandre e Santos; Bilreiro e Cláudio; Djunga, Lecas, Alberto e Totói.

Seria necessário aguardar ainda alguns anos, para que, disputando nova Final, o clube tivesse a possibilidade de se sagrar uma vez mais Campeão Nacional…

____________

(1) Cf. “Record”, 15 de Junho de 1968 – Crónica de Guita Júnior

9 Fevereiro, 2014 at 12:00 pm Deixe um comentário

O pulsar do campeonato – Taça do Ribatejo – 1/8 Final

Pulsar - Taca Ribatejo - 1-8

(“O Templário”, 06.02.2014)

Em mais uma pausa nos campeonatos distritais, disputou-se no passado fim-de-semana a eliminatória correspondente aos 1/8 Final da Taça do Ribatejo. Contando com a participação de treze equipas da I Divisão – curiosamente, apenas o líder do campeonato, Coruchense, ficara afastado da competição ainda na sua fase de grupos – e somente três da II Divisão Distrital, proporcionou-se a existência de dois “tomba-gigantes”.

Efectivamente, um primeiro destaque poderá ser atribuído às vitórias do U. Almeirim, frente ao Pontével (1-0), e do Glória do Ribatejo, ante o Mação (no desempate da marca de grande penalidade, após o nulo registado no final do tempo regulamentar), com aquelas duas equipas a resistirem na prova, avançando já para os 1/4 de Final. No outro confronto entre clubes de escalão diferente, o Assentis superiorizou-se com naturalidade ao Vale da Pedra, vencendo, em terreno alheio, por 3-0.

Passando aos desafios entre equipas da I Divisão Distrital, realce para a eliminação do Torres Novas, perdendo no seu terreno perante o Fazendense (0-1), assim agravando ainda mais a sua situação de crise de resultados. O desfecho mais desnivelado registou-se em Amiais de Baixo, com o actual detentor do troféu, Amiense, a vencer por 4-0 frente aos Empregados do Comércio.

Nas restantes partidas, vitórias também das equipas forasteiras, com o Cartaxo a vencer na Chamusca, frente ao União local, por 3-2 (curiosamente, estas mesmas equipas já se haviam defrontado na fase de grupos, então no Cartaxo, com os cartaxenses a golear então por 5-0); e o At. Ouriense – não tendo conseguido desfazer o nulo em Abrantes, face à U. Abrantina – a ser mais feliz no desempate da marca de grande penalidade. Por fim, o União de Tomar, prosseguindo a sua senda vitoriosa, ganhando em Benavente por 3-1, somando o quinto triunfo em outros tantos jogos disputados neste festivo ano do centenário.

Começando por ter a felicidade de ver o seu opositor desperdiçar uma grande penalidade – numa altura em que, aliás, praticamente desde o início do encontro, os unionistas haviam já assumido o controlo do jogo – a formação “rubro-negra” começaria por inaugurar o marcador, vindo a permitir aos visitados o empate próximo do termo da primeira parte, numa fase em que os benaventenses tinham, gradualmente, vindo a equilibrar a tendência da partida, então com domínio mais repartido, embora, paradoxalmente, na sequência imediata de um lance em que o União desfrutara de soberana ocasião para ampliar a marca.

No segundo tempo, os tomarenses, assentando o seu futebol, impor-se-iam com categoria, tendo voltado a colocar-se em vantagem, e, quer antes, quer depois do terceiro tento apontado, desperdiçando pelo menos outras tantas oportunidades flagrantes de golo, com jogadores a surgirem isolados frente ao guardião adversário, mas, por uma razão ou outra, a não serem eficazes na finalização. Sem exagero, foi mais um desafio em que, caso o União de Tomar tivesse marcado seis ou sete golos, não seriam excessivos face ao caudal atacante patenteado, em particular com Wemerson e Fábio Marques (este a aparecer no “sítio certo”, muito oportuno e eficaz, a marcar dois golos) a “dar nas vistas”.

Em função dos clubes apurados para os 1/4 Final da prova, a tarefa unionista, nesta sua ambição de procurar chegar o mais longe possível na competição – de que cresce a esperança –, continua a revelar-se de elevado grau de exigência, atentando a que se mantêm em prova duas equipas do quarteto da frente do campeonato (o actual 2.º classificado, At. Ouriense; o 4.º, Fazendense), assim como o detentor do troféu, que partilha com os tomarenses o 5.º lugar, Amiense; para além destes, temos ainda o Cartaxo e Assentis, assim como os dois sobreviventes da II Divisão, U. Almeirim e Glória do Ribatejo, que, naturalmente, não oferecerão também facilidades caso venham a ser emparelhados com o União no sorteio da próxima eliminatória.

Neste fim-de-semana regressam os campeonatos, disputando-se a 15.ª ronda na I Divisão Distrital, com grande destaque para o confronto Coruchense – At. Ouriense, um empolgante duelo entre os dois primeiros da pauta classificativa; mas haverá outras partidas a suscitar grande interesse, como o derby local entre Assentis e Torres Novas (com os torrejanos a começar a ficar sem “margem de erro”), um interessante Empregados do Comércio – Fazendense, em mais um teste às aspirações dos visitantes, sem esquecer o que mais directamente nos interessará, o União de Tomar – Pontével, com os unionistas a procurar alargar o seu brilhante ciclo de vitórias.

A propósito, nesta altura de retoma da competição, iniciada que foi a segunda metade da prova, ocasião para recordar algumas tendências, a confirmar ou a infirmar: o líder Coruchense, que se terá vindo a reforçar, apontando decididamente ao título e à promoção, mantém em curso uma série de sete triunfos consecutivos, enquanto o At. Ouriense venceu quatro dos últimos cinco jogos, registando o União de Tomar três vitórias sucessivas (para além das duas na Taça).

Ao invés, um agora aparentemente menos seguro Fazendense registou dois desaires nas três últimas rondas (o que terá porventura ultrapassado com a vitória em Torres Novas, para a Taça); por seu lado, os torrejanos apenas venceram por duas vezes nos sete desafios mais recentes (tendo sofrido dois desaires seguidos em casa, incluindo o tal jogo da Taça); o Pontével não vence há sete jornadas; também o Empregados do Comércio vai num jejum de quatro jogos; enquanto Assentis e Cartaxo não vencem há três (no caso dos cartaxenses, tendo registado três empates sucessivos); por fim, a U. Abrantina, depois de oito jogos com derrota, conseguiu quebrar essa série terrível, com a igualdade averbada na derradeira jornada.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 6 de Fevereiro de 2014)

9 Fevereiro, 2014 at 10:00 am Deixe um comentário

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Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no topo desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.

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