O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Final

Pulsar-TRibatejo-Final

(“O Templário”, 17.05.2018 – Clicar na imagem para ver o artigo completo)

Ao triunfar por 2-1, frente ao recentemente sagrado Campeão Distrital (Mação), na Final da Taça do Ribatejo, o União de Tomar sagrou-se vencedor, pela primeira vez no seu historial (na sua 19.ª participação na prova – que apenas passou a disputar de forma assídua desde a temporada 2002-03, após a estreia na época de 1985-86), do troféu em disputa, voltando assim, vinte anos depois, à conquista de um título no escalão de seniores (após ter averbado, há cinco anos, idêntico galardão, mas, então, no escalão de juniores)!

Destaque – No grande dia da “festa da Taça”, reencontravam-se, no Complexo Desportivo do Bonito, no Entroncamento, num Estádio repleto de público entusiasta, as duas equipas que dominaram esta temporada no futebol distrital, o Campeão e Vice-campeão, disputando também a supremacia, agora, igualmente, na final da Taça do Ribatejo, após os dois empates registados nos encontros a contar para o campeonato.

O Mação, que defendia o troféu obtido no ano anterior (bisando o sucesso alcançado dez anos antes), apresentava-se com maior experiência neste tipo de desafios decisivos (tendo, logo no início da época vencido também a “Supertaça Dr. Alves Vieira”), face a uma equipa do U. Tomar que se estreava na final da competição.

Não obstante, desde o pontapé de saída, seriam os unionistas a assumir a iniciativa do jogo, não obstante viessem a passar por um primeiro grande susto, apenas com um minuto decorrido de jogo, quando, na sequência de um livre, e beneficiando do vento que se fazia sentir, os maçaenses enviaram uma bola, que, com uma trajectória caprichosa, viria a embater no poste da baliza tomarense.

Não acusando o toque, os rubro-negros inaugurariam o marcador apenas com sete minutos jogados, na sequência de um lançamento de linha lateral para o interior da área, onde, muito oportuno, Luís Pedro Alves, com um toque subtil, mas pleno de convicção, colocou o União em posição de vantagem.

Todavia, à medida que o tempo ia avançando, até final da primeira parte, o Mação conseguiria obter algum predomínio a meio-campo, com maior controlo de jogo, e apresentando maior insistência nos lances ofensivos.

Na segunda metade, agora jogando a favor do vento, os unionistas pareciam entrar mais afoitos, dispostos a ampliar a sua vantagem, quando num atraso para o guardião, num lance fortuito de infelicidade, ao procurar dominar a bola com o pé, ela escapou-se-lhe ligeiramente, surgindo de pronto um avançado maçaense, tornando-se inevitável o contacto (pé contra pé), que o árbitro sancionaria com grande penalidade. Também à passagem do sétimo minuto, na conversão do castigo, o Mação restabelecia a igualdade.

Curiosamente, a partir daí, e após ter conseguido assentar o seu jogo, seria sempre o União a assumir o risco, indo em busca do segundo tento, enquanto o Mação parecia mais na expectativa, aguardando pelo erro adversário para procurar o contra-golpe.

Até que – também a cerca de sete minutos do final do tempo regulamentar –, em mais uma das diversas arrancadas de Wemerson Silva, a desmarcar-se em velocidade, na sequência de um lançamento em profundidade, para as costas da defesa contrária, e a surgir isolado frente ao guardião maçaense, o melhor marcador do Campeonato e da Taça, remataria inapelavelmente, forte e colocado, “fuzilando” a baliza, sem hipótese de defesa, recolocando os nabantinos em vantagem no marcador.

Um golo de belo efeito, a surgir no momento ideal, culminando uma magnífica temporada – na qual o avançado unionista somou 29 tentos (7 na taça e 22 no campeonato) –, fazendo a diferença, e não apenas pelos golos apontados, tendo o U. Tomar alcançado um total de 81 golos, confirmando a proeza, de cariz inédito para o clube, a este nível, de marcar em todos os 34 jogos disputados nesta época!

Haveria ainda tempo, já em período de compensação, para outra fantástica arrancada de Wemerson, correndo quase meio-campo, surgindo novamente isolado, a procurar contornar o guarda-redes, o qual, em “desespero de causa”, o derrubou com os pés, originando outra grande penalidade, desta feita a favor dos tomarenses. Na conversão do lance, o brasileiro, com a mira “demasiado afinada”, acertaria com estrondo no poste, assim se gorando a possibilidade do terceiro golo unionista.

Com inteira justiça, num merecido prémio ao labor de todo o grupo de trabalho no decurso da temporada, o União de Tomar confirmava a conquista do troféu, numa partida em que há a enaltecer a forma digna como ambas as equipas actuaram, e o “fair-play” demonstrado pelos maçaenses dentro e fora de campo, assim como o comportamento dos adeptos de ambas as partes, num encontro de verdadeira festa.

Em fecho de ciclo, o técnico Lino Freitas alcançou enfim, no seu último desafio ao “leme”, o título pelo qual tanto porfiou ao longo de vários anos (igualando o registo de seis épocas consecutivas como treinador, antes atingido por Eduardo Fortes, numa muito significativa demonstração de estabilidade do clube), após quatro lugares consecutivos no pódio no campeonato, duas vezes vice-campeão e duas vezes no 3.º lugar – galardão que junta ao título de Campeão de Juniores, conquistado em 2009-10.

Com seis vitórias, um empate e uma derrota, e um “score” global de 17-5, o U. Tomar torna-se no 24.º clube a conquistar a Taça do Ribatejo, na sua 41.ª edição. Um título que, pessoalmente, com grande gratidão – para além do obrigado a todo o grupo –, aqui gostaria de associar à memória de Faustino Chora, símbolo maior da mística unionista.

II Divisão Distrital – Com o quarto triunfo (2-0 em Rio Maior) em outros tantos jogos, o U. Santarém parece lançado para garantir a promoção ao escalão principal, com a disputa pelas outras duas vagas muito repartida, com vantagem da Glória do Ribatejo (1-0 em Marinhais).

Campeonato de Portugal – As duas equipas que representam a série em que militaram os clubes do Distrito protagonizaram a surpresa da 2.ª mão do “play-off”, garantindo a qualificação para a eliminatória decisiva: o Mafra foi vencer por 4-2 ao terreno do Vilaverdense, enquanto o Vilafranquense ganhou por 2-0 em Vizela. Defrontarão agora, respectivamente, o U. Leiria e o Farense, para decidir os dois apurados para a final e inerente promoção à II Liga.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 17 de Maio de 2018)

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20 Maio, 2018 at 11:00 am Deixe um comentário

Comemorações do Centenário da Mendes Godinho fecham com chave de ouro

Mendes Godinho - Apresentação livro

(“O Templário”, 17.05.2018 – Clicar na imagem para ver as páginas completas)

18 Maio, 2018 at 10:14 am Deixe um comentário

Convocados para o Mundial 2018

Guarda-redes – Rui Patrício (Sporting), Anthony Lopes (Lyon) e Beto (Göztepe)

Defesas – Cédric Soares (Southampton), Ricardo Pereira (FC Porto), Pepe (Beşiktaş), José Fonte (Dalian Yifang), Bruno Alves (Glasgow Rangers), Rúben Dias (Benfica), Raphaël Guerreiro (Borussia Dortmund) e Mário Rui (Napoli)

Médios – William Carvalho (Sporting), João Moutinho (Mónaco), João Mário (West Ham), Manuel Fernandes (Lokomotiv Moscovo), Adrien Silva (Leicester City) e Bruno Fernandes (Sporting)

Avançados – Bernardo Silva (Manchester City), Gonçalo Guedes (Valencia), Gelson Martins (Sporting), Ricardo Quaresma (Beşiktaş), Cristiano Ronaldo (Real Madrid) e André Silva (AC Milan)

O seleccionador nacional, Fernando Santos, anunciou esta noite o nome dos 23 jogadores convocados para a Fase Final do Campeonato do Mundo de Futebol, a disputar na Rússia, a partir do próximo dia 14 de Junho.

Em relação à anterior competição (Europeu 2016, no qual Portugal se sagrou Campeão), verifica-se uma importante remodelação, com a entrada de dez jogadores: Beto, Ricardo Pereira, Rúben Dias, Mário Rui, Manuel Fernandes, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes, Gelson Martins e André Silva.

Ao invés, deixaram de integrar os seleccionados: Eduardo, Vieirinha, Ricardo Carvalho, Eliseu, Danilo Pereira, Renato Sanches, André Gomes, Rafa Silva, Nani e Éder.

Comparando com o Mundial de há quatro anos, no Brasil, mantêm-se apenas os seguintes sete: os guardiões Rui Patrício e Beto, Bruno Alves, Pepe, João Moutinho, William Carvalho e Cristiano Ronaldo.

Na convocatória hoje anunciada, o Sporting conta com quatro jogadores, enquanto FC Porto e Benfica têm somente um cada. Há, portanto, um contingente de 17 elementos a actuar em clubes estrangeiros (quatro do campeonato de Inglaterra, três na Turquia, dois em Espanha, França e Itália, um da Alemanha, China, Escócia e Rússia) – face a um total de 15 na convocatória anterior -, com destaque para o Beşiktaş (com dois representantes).

17 Maio, 2018 at 9:19 pm Deixe um comentário

Liga Europa – Final – At. Madrid – Marseille

At. MadridNa final da Liga Europa, hoje disputada em Lyon, o At. Madrid conquistou o troféu, ao vencer o Olympique de Marseille por 3-0, com dois golos do francês Antoine Griezmann e um do espanhol Gabi.

No Palmarés da prova, após as nove edições já disputadas sob o formato de “Liga Europa”, são os seguintes os vencedores: At. Madrid (2010, 2012 e 2018), Sevilla (2014, 2015 e 2016), Manchester United (2017), Chelsea (2013) e FC Porto (2011).

Nas 51 edições anteriores, com a designação de Taça Cidade das Feiras (até 1971) e de Taça UEFA (de 1972 a 2009), foram vencedores: Valencia (1962, 1963 e 2004), Liverpool (1973, 1976 e 2001), Inter (1991, 1994 e 1998), Juventus (1977, 1990 e 1993) e Barcelona (1958, 1960 e 1966), com três títulos cada; Sevilla (2006 e 2007), Feyenoord (1974 e 2002), Parma (1995 e 1999), Goteborg (1982 e 1987), Real Madrid (1985 e 1986), Tottenham (1972 e 1984), Borussia Mönchengladbach (1975 e 1979) e Leeds (1968 e 1971), cada um com dois troféus; Shakthar Donetsk (2009), Zenit St. Petersburg (2008), CSKA Moscovo (2005), FC Porto (2003), Galatasaray (2000), Schalke 04 (1997), Bayern München (1996), Ajax (1992), Napoli (1989), Bayer Leverkusen (1988), Anderlecht (1983), Ipswich Town (1981), E. Frankfurt (1980), PSV Eindhoven (1978), Arsenal (1970), Newcastle (1969), D. Zagreb (1967), Ferencvaros (1965), Zaragoza (1964) e Roma (1961).

16 Maio, 2018 at 9:36 pm Deixe um comentário

I Liga / I Divisão – Historial de lugares de honra

 Época    Campeão           2º           3º           4º 
2017-18   FC Porto     Benfica      Sporting     Sp. Braga
2016-17   Benfica      FC Porto     Sporting     V. Guimarães
2015-16   Benfica      Sporting     FC Porto     Sp. Braga  
2014-15   Benfica      FC Porto     Sporting     Sp. Braga 
2013-14   Benfica      Sporting     FC Porto     Estoril      
2012-13   FC Porto     Benfica      P. Ferreira  Sp. Braga
2011-12   FC Porto     Benfica      Sp. Braga    Sporting
2010-11   FC Porto     Benfica      Sporting     Sp. Braga
2009-10   Benfica      Sp. Braga    FC Porto     Sporting
2008-09   FC Porto     Sporting     Benfica      Nacional
2007-08   FC Porto     Sporting     V. Guimarães Benfica
2006-07   FC Porto     Sporting     Benfica      Sp. Braga
2005-06   FC Porto     Sporting     Benfica      Sp. Braga
2004-05   Benfica      FC Porto     Sporting     Sp. Braga
2003-04   FC Porto     Benfica      Sporting     Nacional
2002-03   FC Porto     Benfica      Sporting     V. Guimarães
2001-02   Sporting     Boavista     FC Porto     Benfica
2000-01   Boavista     FC Porto     Sporting     Sp. Braga
1999-00   Sporting     FC Porto     Benfica      Boavista
1998-99   FC Porto     Boavista     Benfica      Sporting
1997-98   FC Porto     Benfica      V. Guimarães Sporting
1996-97   FC Porto     Sporting     Benfica      Sp. Braga
1995-96   FC Porto     Benfica      Sporting     Boavista
1994-95   FC Porto     Sporting     Benfica      V. Guimarães
1993-94   Benfica      FC Porto     Sporting     Boavista
1992-93   FC Porto     Benfica      Sporting     Boavista
1991-92   FC Porto     Benfica      Boavista     Sporting
1990-91   Benfica      FC Porto     Sporting     Boavista
1989-90   FC Porto     Benfica      Sporting     V. Guimarães
1988-89   Benfica      FC Porto     Boavista     Sporting
1987-88   FC Porto     Benfica      Belenenses   Sporting
1986-87   Benfica      FC Porto     V. Guimarães Sporting
1985-86   FC Porto     Benfica      Sporting     V. Guimarães
1984-85   FC Porto     Sporting     Benfica      Boavista
1983-84   Benfica      FC Porto     Sporting     Sp. Braga
1982-83   Benfica      FC Porto     Sporting     V. Guimarães
1981-82   Sporting     Benfica      FC Porto     V. Guimarães
1980-81   Benfica      FC Porto     Sporting     Boavista
1979-80   Sporting     FC Porto     Benfica      Boavista
1978-79   FC Porto     Benfica      Sporting     Sp. Braga
1977-78   FC Porto     Benfica      Sporting     Sp. Braga
1976-77   Benfica      Sporting     FC Porto     Boavista
1975-76   Benfica      Boavista     Belenenses   FC Porto
1974-75   Benfica      FC Porto     Sporting     Boavista
1973-74   Sporting     Benfica      V. Setúbal   FC Porto
1972-73   Benfica      Belenenses   V. Setúbal   FC Porto
1971-72   Benfica      V. Setúbal   Sporting     CUF
1970-71   Benfica      Sporting     FC Porto     V. Setúbal
1969-70   Sporting     Benfica      V. Setúbal   Barreirense
1968-69   Benfica      FC Porto     V. Guimarães V. Setúbal
1967-68   Benfica      Sporting     FC Porto     Académica
1966-67   Benfica      Académica    FC Porto     Sporting
1965-66   Sporting     Benfica      FC Porto     V. Guimarães
1964-65   Benfica      FC Porto     CUF          Académica
1963-64   Benfica      FC Porto     Sporting     V. Guimarães
1962-63   Benfica      FC Porto     Sporting     Belenenses
1961-62   Sporting     FC Porto     Benfica      CUF
1960-61   Benfica      Sporting     FC Porto     V. Guimarães
1959-60   Benfica      Sporting     Belenenses   FC Porto
1958-59   FC Porto     Benfica      Belenenses   Sporting
1957-58   Sporting     FC Porto     Benfica      Belenenses
1956-57   Benfica      FC Porto     Belenenses   Sporting
1955-56   FC Porto     Benfica      Belenenses   Sporting
1954-55   Benfica      Belenenses   Sporting     FC Porto
1953-54   Sporting     FC Porto     Benfica      Belenenses
1952-53   Sporting     Benfica      Belenenses   FC Porto
1951-52   Sporting     Benfica      FC Porto     Belenenses
1950-51   Sporting     FC Porto     Benfica      Atlético
1949-50   Benfica      Sporting     Atlético     Belenenses
1948-49   Sporting     Benfica      Belenenses   FC Porto
1947-48   Sporting     Benfica      Belenenses   Estoril
1946-47   Sporting     Benfica      Belenenses   FC Porto     
1945-46   Belenenses   Benfica      Sporting     Olhanense
1944-45   Benfica      Sporting     Belenenses   FC Porto
1943-44   Sporting     Benfica      Atlético     FC Porto
1942-43   Benfica      Sporting     Belenenses   Unidos Lisboa
1941-42   Benfica      Sporting     Belenenses   FC Porto
1940-41   Sporting     FC Porto     Belenenses   Benfica
1939-40   FC Porto     Sporting     Belenenses   Benfica
1938-39   FC Porto     Sporting     Benfica      Belenenses
1937-38   Benfica      FC Porto     Sporting     Carcavelinhos
1936-37   Benfica      Belenenses   Sporting     FC Porto
1935-36   Benfica      FC Porto     Sporting     Belenenses
1934-35   FC Porto     Sporting     Benfica      Belenenses

Resumo:

Benfica – 36 vezes Campeão / 28 vezes 2º / 15 vezes 3º / 4 vezes 4º classificado
FC Porto – 28 vezes Campeão / 26 vezes 2º / 12 vezes 3º / 12 vezes 4º classif.
Sporting – 18 vezes Campeão / 21 vezes 2º / 28 vezes 3º / 12 vezes 4º classif.
Belenenses – 1 vez Campeão / 3 vezes 2º / 15 vezes 3º / 8 vezes 4º classificado
Boavista – 1 vez Campeão / 3 vezes 2º / 2 vezes 3º / 10 vezes 4º classificado
V. Setúbal – 1 vez 2º / 3 vezes 3º / 2 vezes 4º classificado
Sp. Braga – 1 vez 2º / 1 vez 3º / 13 vezes 4º classificado
Académica – 1 vez 2º / 2 vezes 4º classificado
V. Guimarães – 4 vezes 3º / 10 vezes 4º classificado
Atlético – 2 vezes 3º / 1 vez 4º classificado
CUF – 1 vez 3º / 2 vezes 4º classificado
Paços Ferreira – 1 vez 3º classificado
Nacional – 2 vezes 4º classificado
Estoril – 2 vezes 4º classificado
Barreirense – 1 vez 4º classificado
Olhanense – 1 vez 4º classificado
Unidos Lisboa – 1 vez 4º classificado
Carcavelinhos – 1 vez 4º classificado

13 Maio, 2018 at 11:06 pm Deixe um comentário

I Liga – 2017-18 – Classificação final

    Equipa            J     V     E     D    GM   GS     P
 1º FC Porto         34    28     4     2    82 - 18    88
 2º Benfica          34    25     6     3    80 - 22    81
 3º Sporting         34    24     6     4    63 - 24    78
 4º Sp. Braga        34    24     3     7    74 - 29    75
 5º Rio Ave          34    15     6    13    40 - 42    51
 6º Chaves           34    13     8    13    47 - 55    47
 7º Marítimo         34    13     8    13    36 - 49    47
 8º Boavista         34    13     6    15    35 - 44    45
 9º V. Guimarães     34    13     4    17    45 - 56    43
10º Portimonense     34    10     8    16    52 - 60    38
11º Tondela          34    10     8    16    41 - 50    38
12º Belenenses       34     9    10    15    33 - 46    37
13º D. Aves          34     9     7    18    36 - 51    34
14º V. Setúbal       34     7    11    16    39 - 62    32
15º Moreirense       34     8     8    18    29 - 50    32
16º Feirense         34     9     4    21    32 - 48    31
17º Paços Ferreira   34     7     9    18    33 - 59    30
18º Estoril          34     8     6    20    29 - 61    30
Campeão – FC Porto – Entrada directa na Fase Grupos da Liga dos Campeões
2º classificado – Benfica – 3ª eliminatória acesso à Fase Grupos Liga Campeões
3º classificado – Sporting – 3ª eliminatória acesso à Fase Grupos Liga Europa
4º classificado – Sp. Braga – 2ª eliminatória acesso à Fase Grupos Liga Europa

Vencedor da Taça – Sporting/D. Aves – Entrada directa na Fase Grupos da Liga Europa

Despromovidos – Paços Ferreira e Estoril
Promovidos – Nacional e Santa Clara

Melhores marcadores:
1. Jonas – Benfica – 34
2. Bas Dost – Sporting – 27
3. Moussa Marega – FC Porto – 22

Palmarés – Campeões:

Benfica (36) – 1935-36; 1936-37; 1937-38; 1941-42; 1942-43; 1944-45; 1949-50; 1954-55; 1956-57; 1959-60; 1960-61; 1962-63; 1963-64; 1964-65; 1966-67; 1967-68; 1968-69; 1970-71; 1971-72; 1972-73; 1974-75; 1975-76; 1976-77; 1980-81; 1982-83; 1983-84; 1986-87; 1988-89; 1990-91; 1993-94; 2004-05; 2009-10; 2013-14; 2014-15; 2015-16; 2016-17

FC Porto (28) – 1934-35; 1938-39; 1939-40; 1955-56; 1958-59; 1977-78; 1978-79; 1984-85; 1985-86; 1987-88; 1989-90; 1991-92; 1992-93; 1994-95; 1995-96; 1996-97; 1997-98; 1998-99; 2002-03; 2003-04; 2005-06; 2006-07; 2007-08; 2008-09; 2010-11; 2011-12; 2012-13; 2017-18

Sporting (18) – 1940-41; 1943-44; 1946-47; 1947-48; 1948-49; 1950-51; 1951-52; 1952-53; 1953-54; 1957-58; 1961-62; 1965-66; 1969-70; 1973-74; 1979-80; 1981-82; 1999-00; 2001-02

Belenenses (1) – 1945-46

Boavista (1) – 2000-01

13 Maio, 2018 at 11:02 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 26ª Jornada

Pulsar-26

(“O Templário”, 10.05.2018)

Com um categórico triunfo na derradeira ronda, o U. Tomar confirmou a sua quarta presença consecutiva no pódio na I Divisão Distrital: depois de ter sido vice-campeão em 2015, e de dois 3.º lugares, em 2016 e em 2017, repete agora a condição de vice-campeão, posição que alcança pela terceira vez nos últimos dez anos, período no qual regista nada menos de seis lugares de honra, entre os quatro primeiros classificados do principal campeonato da A. F. de Santarém.

Por seu lado, a vaga que restava atribuir para participação na Taça de Portugal foi garantida pelo Torres Novas, que, não obstante a sensacional vitória do Ferreira do Zêzere no reduto do novo Campeão, manteve o 3.º lugar, também mercê de uma goleada infligida ao Fazendense.

Destaques – Pese embora acabasse por não ter repercussões a nível do posicionamento final na tabela classificativa, o grande realce desta última jornada vai para o êxito da formação de Ferreira do Zêzere em Mação, impondo-se por 3-2, fechando com “chave de ouro” a sua brilhante prestação neste campeonato, em que obteve a melhor classificação de sempre da história do clube, com um excelente 4.º lugar, com o “extra” de ter sido a equipa com melhor desempenho na segunda volta. Está de parabéns Eduardo Fortes e todo o grupo que liderou!

Também o Torres Novas, com um ciclo final de quatro vitórias sucessivas, goleando (4-0) o já “conformado” Fazendense, completa uma bastante boa temporada, conseguindo, com o 3.º lugar obtido, o seu melhor registo desde há cinco anos, com o prémio da qualificação para a Taça de Portugal, num ressurgimento de um dos principais clubes históricos do Distrito. Ao invés, tendo perdido quatro dos cinco últimos jogos (enfrentando, nas três derradeiras jornadas, os três primeiros classificados), a turma das Fazendas acabaria por baixar à 6.ª posição (repetindo a classificação do ano anterior), por troca precisamente com o seu rival, U. Almeirim.

Uma nota final de realce para outra goleada, por 5-1, do Amiense frente ao At. Ouriense, traduzindo-se no quarto triunfo do conjunto de Amiais de Baixo nas cinco rondas finais, fixando-se no 9.º posto (igualado em pontos com o Cartaxo, que, no último dia, ascendeu ao 8.º lugar), afinal, ambos nove pontos acima do primeiro dos despromovidos (U. Abrantina). Por curiosidade, a equipa de Ourém classifica-se, pelo terceiro ano sucessivo, no 10.º lugar.

Confirmações – Dependendo apenas de si para garantir o 2.º posto, o U. Tomar teve uma tarde – de muito calor – bastante tranquila, marcando cedo e prontamente “arrumando” a questão, frente a um já muito desfalcado Riachense. A contagem foi-se elevando paulatinamente, até ao 3-0 que se registava no final do primeiro tempo, para, na metade complementar, e apesar de o ritmo de jogo ter decaído, os unionistas chegarem ainda ao 4-0, ficando a dever a si próprios outros tantos golos, no que poderia ter sido uma goleada de contornos verdadeiramente históricos, face a um dos clubes de maior cartel no futebol distrital nas décadas mais recentes.

Com os dois tentos apontados por Wemerson, o brasileiro confirmou também a posição de melhor marcador da prova, com um total de 22 golos, à frente de um igualmente notável Tiago Vieira (Ferreira do Zêzere), com 20, e de Hélio Ocante (U. Abrantina), com 15. Outro registo excepcional é a série de 33 jogos (todos os disputados nesta época) sempre a marcar, do União!

Assim, a confirmar o estatuto de equipas dominadoras do futebol distrital, para além de ocuparem os dois lugares cimeiros da prova (separados por seis pontos na pauta classificativa), Mação e U. Tomar terão ainda outro embate adicional, para disputa da supremacia, na final da Taça, depois dos dois empates verificados nos encontros entre ambos para o campeonato.

De sublinhar que os maçaenses conseguiram, enfim – culminando 15 anos (!) de desempenho extremamente regular, quase sempre na primeira metade da tabela (após três 4.º lugares, um 5.º, dois 6.º, seis 7.º e dois 8.º, posição que registaram na última temporada) –, alcançar o inédito título de Campeão Distrital e consequente promoção ao Nacional, em que se farão a sua estreia.

Os restantes clubes que, à partida para esta época, se anunciavam como potenciais candidatos, concluíram também a prova a vencer, quedando-se, contudo, em posições bastante aquém das expectativas: em 5.º, 7.º e 8.º, respectivamente o U. Almeirim, o Samora Correia e o Cartaxo.

Os almeirinenses passaram ainda por um susto, na recepção à U. Abrantina, mas acabariam por ganhar por tangencial 2-1. A mesma marca, aliás, com que os samorenses bateram o “lanterna vermelha”, Empregados do Comércio, na Ribeira de Santarém, assim quebrando uma série de quatro desaires consecutivos, que haviam sofrido nas rondas precedentes.

Por seu lado, o Cartaxo não foi também além de um solitário golo na recepção ao Moçarriense, num campeonato em que denotou flagrantes dificuldades em se impor no seu reduto, finalizando, curiosamente, com desempenho exactamente igual nos jogos em casa e fora: cinco vitórias, três empates e cinco derrotas, em qualquer das condições.

II Divisão Distrital – O U. Santarém prossegue a sua caminhada triunfal, tendo batido o Glória do Ribatejo, por 2-0, somando, assim, nove pontos em três jornadas, seguido por um quarteto, já a cinco pontos de distância: com os triunfos obtidos pelo Tramagal (ante o Rio Maior) e Marinhais (frente à U. Atalaiense), ambos pela margem mínima de 1-0, igualaram pontualmente o Rio Maior e Glória do Ribatejo (4 pontos), com a U. Atalaiense, na cauda, só com derrotas.

Campeonato de Portugal – Na 1.ª mão do “play-off” de apuramento de campeão e de promoção à II Liga, realce para os triunfos em terreno alheio, de Farense, em Felgueiras (3-2) e Vizela, em Vila Franca de Xira (1-0); o U. Leiria (3-1, na recepção ao Lusitano Vildemoinhos) parece também bem “encaminhado”; tendo o Mafra vencido (2-1), em casa, o Vilaverdense.

Antevisão – Conforme referido, no Domingo, 13 de Maio, no Entroncamento, teremos a final da Taça do Ribatejo, entre Campeão e Vice-Campeão, num jogo, pelo seu cariz, de “tripla”.

Na II Divisão, com os desafios agendados para Sábado, o Rio Maior terá a visita do U. Santarém – num encontro entre os dois principais favoritos –, destacando-se ainda o “derby” do município de Salvaterra, entre Marinhais e Glória; por seu lado, a U. Atalaiense, recebendo o Tramagal, necessitará vencer, para poder manter ainda aspirações à subida ao escalão principal.

No Campeonato de Portugal, disputa-se a 2.ª mão do “play-off”, de que parecem, por ora, favoritos a avançar para a eliminatória seguinte (na qual se decidirá quais os dois clubes finalistas da competição, premiados com a promoção à II Liga), Farense, Vizela e U. Leiria.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 10 de Maio de 2018)

13 Maio, 2018 at 11:00 am Deixe um comentário

«História do empreendimento familiar “Mendes Godinho” retratada em livro»

CT - 11-05-2018

(“Cidade de Tomar”, 11.05.2018 – Clicar na imagem para ver a página completa)

10 Maio, 2018 at 9:55 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 25ª Jornada

Pulsar-25

(“O Templário”, 03.05.2018)

Após a realização da 25.ª ronda do Campeonato Distrital da I Divisão, ficou já definido o lote completo de clubes a despromover ao escalão secundário, para a próxima época: U. Abrantina, Riachense, Moçarriense e Empregados do Comércio. Com o título de Campeão também já virtualmente conquistado pelo Mação, subsiste como pólo de atracção, para a derradeira jornada, a disputa pelo 2.º lugar, posição pela qual se mantém em compita um terceto, formado por U. Tomar, Torres Novas e Ferreira do Zêzere (este, um ponto abaixo dos dois anteriores).

Destaques – O principal destaque vai, novamente, para o triunfo (2-1) averbado pelo U. Tomar, repetindo a vitória que registara na temporada passada nas Fazendas de Almeirim, no que constitui apenas o segundo desaire caseiro do Fazendense no presente campeonato, desfecho que determinou, desde já, que o grupo almeirinense não possa almejar melhor que o 5.º posto.

Cientes da importância deste desafio, perante um dos mais credenciados opositores da competição, voltando a ter uma entrada em campo bastante afirmativa, os unionistas cedo inauguraram o marcador, controlando o jogo durante toda a sua metade inicial. Na etapa complementar, os donos da casa surgiram mais afoitos, vindo a igualar a contenda. Mas, tal como sucedera há uma semana, os tomarenses responderam de pronto, praticamente no minuto imediato, repondo a vantagem, que conservariam até final, chegando assim ao último jogo em situação privilegiada para, pelo quarto ano consecutivo, marcarem presença no pódio final.

Em Abrantes, num confronto que se perfilava como determinante na luta pela manutenção, a U. Abrantina não conseguiu chegar ao único resultado que lhe poderia ter proporcionado manter a incerteza até ao último dia, e, nesse caso, continuar a “sonhar”. Ao invés, seria o Cartaxo a marcar primeiro, comprometendo deveras tais aspirações. O grupo de Abrantes mais não conseguiria que o tento do empate, alcançado já na fase terminal do encontro, vendo assim confirmada a sua despromoção à II Divisão, acabando por ser – em função da qualidade de futebol que apresentou ao longo da prova – a principal “vítima” do sofrível desempenho dos clubes do Distrito no Nacional.

A realizar uma excelente recta final – somando a sua sexta vitória nos últimos sete jogos no campeonato –, o Torres Novas, ganhando em Samora Correia, mercê de um solitário tento, confirma o brilhante desempenho no campeonato, notoriamente acima das expectativas iniciais, superando clubes que, à partida, se perfilavam como candidatos ao título (como eram os casos do próprio Samora Correia, U. Almeirim ou Cartaxo). Pelo contrário, os samorenses, com uma época atípica, acabam por pagar a sua grande irregularidade (a uma série inicial de quatro triunfos, entre a 2.ª e 5.ª rondas, seguiu-se um terrível ciclo de sete derrotas em oito jornadas, cinco delas sucessivas, complementado, já na segunda volta, com seis vitórias consecutivas, para fechar, por agora, com mais uma série de quatro desaires), ocupando um modesto 7.º posto.

A última nota de realce vai para o triunfo do U. Almeirim em Ourém, ante o At. Ouriense, também por tangencial 1-0, posicionando-se no 6.º lugar, mas, ainda, com a possibilidade de chegar ao 5.º, caso consiga igualar pontualmente o seu grande rival das Fazendas de Almeirim.

Confirmações – A equipa do Ferreira do Zêzere, recebendo e batendo o Amiense, por 1-0 (interrompendo um ciclo de três vitórias sucessivas do grupo de Amiais de Baixo) continua a cotar-se como a de melhor desempenho na segunda volta da competição, tendo garantido já a melhor classificação de sempre da sua história – pelo menos, um absolutamente notável 4.º lugar –, aspirando ainda a uma posição no pódio, pese embora enfrente a derradeira jornada em desvantagem pontual e com uma difícil visita ao terreno do Campeão.

Precisamente, o Mação, agora já em descompressão, talvez começando a pensar na final da Taça, foi vencer a Riachos, por ilusória margem de 2-0, na perspectiva de que o Riachense manteve o nulo no marcador praticamente até ao derradeiro minuto do tempo regulamentar…

Por fim, no “derby” escalabitano, entre os dois últimos classificados, o Moçarriense conseguiu, enfim, quebrar a “malapata”, ganhando pela primeira vez em toda a segunda volta (antes, somava dez derrotas e um único empate!), impondo-se também por tangencial 2-1 aos Empregados do Comércio, que, assim, não evitarão a posição final de “lanterna vermelha”.

II Divisão Distrital – Teve já início a fase final, de apuramento de Campeão e dos três clubes a promover ao principal escalão, com uma “jornada dupla”, no feriado, de 25 de Abril, e no passado Domingo. Destaca-se já, isolado na liderança, o U. Santarém, com duas vitórias por “chapa 4”: 4-2 no Tramagal, a que se seguiu nova goleada, por 4-0, na recepção ao Marinhais (que, na semana anterior, tinha sido já derrotado por ainda mais esmagadora marca de 6-0). Por seu lado, Rio Maior (4-1 ao Atalaiense, depois de um nulo em Marinhais) e Glória do Ribatejo (2-1 na Atalaia, a que se seguiu um empate a zero na recepção ao Tramagal), parecem pretender posicionar-se também como outros principais candidatos à subida.

Antevisão – Na I Divisão Distrital, para a jornada derradeira, as atenções estarão focadas no U. Tomar-Riachense (com os unionistas a necessitar confirmar o favoritismo, para “carimbar” o 2.º lugar, que ocuparam durante a maior parte da temporada), Torres Novas-Fazendense (um confronto com tendência histórica claramente favorável aos torrejanos, que poderão ainda beneficiar do facto de o adversário não poder já aspirar a melhorar a sua classificação) e Mação-Ferreira do Zêzere (com os ferreirenses apostados em potenciar ainda mais o “efeito-surpresa”).

Na II Divisão, o U. Santarém recebe o Glória do Ribatejo, podendo, em caso de vitória, garantir posição muito confortável no que à subida diz respeito, enquanto Tramagal e Rio Maior terão um confronto que poderá ter implicações relevantes em tal disputa. O outro jogo coloca frente a frente Marinhais e U. Atalaiense, equipas que vêm de goleadas sofridas nas rondas iniciais.

No Campeonato de Portugal, disputa-se a 1.ª mão do “play-off” de apuramento para subida à II Liga (apenas duas vagas de promoção), numa eliminatória com o seguinte alinhamento: Mafra-Vilaverdense, Vilafranquense-Vizela, U. Leiria-Lusitano Vildemoinhos e Felgueiras-Farense.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 3 de Maio de 2018)

6 Maio, 2018 at 11:00 am Deixe um comentário

Mendes Godinho – Apresentação do livro

Mendes Godinho
MG - Marcador livro

MENDES GODINHO – Uma História de Empreendimento Empresarial Familiar

Quando, no final de 2016, a “Associação MG – Memorial Mendes Godinho” me dirigiu o convite para escrever um livro sobre a história da “Mendes Godinho”, sabia que estava a ser colocado perante o que fora um vasto “império empresarial”, com um leque muito diversificado de actividades, de enorme amplitude e abrangência.

Antevia – a traços largos e de contornos naturalmente algo indefinidos –, a dimensão do desafio que me era proposto, um projecto de tal modo aliciante que, rapidamente, isso se sobrepôs à natural dúvida sobre a capacidade de enfrentar, em tempo útil, a magnitude da empreitada que me aguardava. Na verdade, em qualquer circunstância, este era um repto irrecusável.

Mas estava, ainda assim, bem longe de poder abarcar toda a importância de que o “Grupo” se revestiu, ao longo de várias décadas, não só no panorama local e regional, mas, sobretudo, no plano nacional: nos anos 80, a então maior empresa privada de Portugal, em termos de volume de negócios – a TAGOL – era parte integrante do “Grupo Mendes Godinho”!

De imediato, foi desmedido o entusiasmo com que comecei a receber, estudar, compilar, resumir e tratar o manancial de informação e documentação que, quase semanalmente, o Sr. Carlos Mendes Godinho e o Dr. Manuel Mourão me faziam chegar, sempre com novas “descobertas” (e não apenas para mim…), vindas do fundo dos seus “arquivos pessoais”.

A intensa aventura em que tinha embarcado começaria, pouco a pouco, a ganhar forma, numa espécie de trabalho de filigrana, como se tratasse de juntar as peças de um enorme “puzzle”, “pluridimensional”, com a gratificante satisfação de ir, gradualmente, completando cada um dos vários quadros, que resultariam como que na imagem final de um polígono de vários vértices.

Ao longo dos meses seguintes, passei a “conviver” diariamente com figuras de irresistível fascínio, como as do patriarca, Manuel Mendes Godinho, ou do seu neto, grande responsável pela dinamização e desenvolvimento do “Grupo”, Dr. João Mendes Godinho Júnior. Mas, também, paralelamente, com negócios muito variados, como moagens, fornecimento de electricidade, cerâmicas, fábricas de rações, ou de fibras de madeira (“platex”), até à casa bancária.

Via desfilar os vários momentos, desde as origens, à criação, crescimento e apogeu de tal império empresarial, sublimado na visionária iniciativa que resultaria na implantação da TAGOL, em paralelo com a idealização de outro grandioso projecto, o qual, contudo, acabaria por não saír do papel, o da navegabilidade do Tejo.

Ia viajando pelas várias geografias a que se estendia este magno empreendimento: desde os “Lagares d’El Rei” – onde hoje nos encontramos – ao imóvel “Os Cubos”, passando por outros sugestivos nomes como os Vale Florido, Valbom, Nazaré ou Palença, na margem sul do Tejo, junto a Lisboa.

Assim como, por outro lado, “assistia” aos primeiros sintomas de crise, ao início do declínio, que culminaria no desmembramento e fim do “Grupo”.

Indelevelmente associado a esse final “pouco feliz” que se ia anunciando – num processo que se arrastaria ao longo de intermináveis anos –, um brusco momento da nossa história colectiva, com o processo de nacionalizações, em 1975, que me fez então tomar contacto e, de facto, embrenhar-me, minuciosa e detalhadamente, numa imensa panóplia de documentação jurídica, numa quase interminável sucessão de diplomas legais (Leis, Decretos-Leis e Despachos), acórdãos e sentenças judiciais, pareceres e petições de recurso.

Ao mesmo tempo, ficavam bem vincados os esforços que, durante décadas, vários membros da família iam desenvolvendo, em prol dos seus legítimos direitos, numa titânica e desigual luta. Entre a data da estatização da “Casa Bancária Manuel Mendes Godinho & Filhos” e a atribuição da compensação por tal expropriação haveriam de passar mais de trinta anos!

***

Este livro encontra-se estruturado em cinco partes, tratando as seguintes grandes áreas temáticas, também, paralelamente, organizadas em termos cronológicos:

  1. Manuel Mendes Godinho & Filhos;
  2. Casa Bancária Manuel Mendes Godinho & Filhos;
  3. Fábricas Mendes Godinho, S.A.R.L;
  4. TAGOL, Companhia de Oleaginosas do Tejo, S.A.R.L.; e
  5. Nacionalização.

A primeira parte começa por traçar um breve perfil biográfico do fundador, Manuel Mendes Godinho, assim como das origens da sua actividade empresarial, até à constituição da sociedade matriz – a Manuel Mendes Godinho & Filhos –, finalizando com um esboço de “retrato” do principal dinamizador da criação e expansão do “Grupo”, Dr. João Mendes Godinho Júnior.

Na segunda parte, é apresentada a evolução histórica da “Casa Bancária”, sob duas perspectivas: uma de índole académica; outra, de cariz oral, conforme depoimento do Dr. Luís Graça. É também abordada a reestruturação societária, a partir de 1960, na sequência de constrangimentos legais, assim como o projecto de instituição, já em 1974, do “Banco Mendes Godinho”. É ainda complementada com excertos dos Relatórios e contas da sociedade, dando conta da sua evolução, passo a passo, ao longo dos anos.

A parte três é dedicada à empresa Fábricas Mendes Godinho, SARL, criada em 1960, tendo assumido os negócios da área industrial, transferidos da sociedade-mãe. Nela são analisadas as várias indústrias que desenvolveu, desde a fábrica de rações “Sol”, às fábricas de fibras de madeira (duas unidades fabris de “Platex”, a que sucederiam a I.F.M. e Valbopan), assim como a Norema Portuguesa. Compreende ainda um alargado capítulo relativo à indefinição sobre a titularidade de 75% do seu Capital social, na sequência da nacionalização da “Casa Bancária”. Integra igualmente extractos dos Relatórios e contas.

Na parte quatro é detalhadamente abordada a que seria a última e grande “jóia da coroa”, a TAGOL – Companhia de Oleaginosas do Tejo, SARL, desde os estudos prévios, à “descoberta” do local da sua implantação, seus produtos e aspectos técnicos, empresas associadas e tentativa de alienação. Para além de fragmentos dos respectivos Relatórios e contas, aborda-se ainda, brevemente, a “segunda vida” da TAGOL, após a sua integração no perímetro da Sovena.

Por fim, na parte cinco, é apresentado, de forma detalhada, todo o complexo imbróglio associado ao contencioso com o Estado português e com o Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, na sequência da nacionalização da “Casa Bancária Manuel Mendes Godinho & Filhos”. Por razões meramente de índole cronológica, esta última parte, e, consequentemente, o livro, encerra com breves referências à Associação Cultural e Desportiva Mendes Godinho e à Associação MG – Memorial Mendes Godinho.

***

A concluir esta apresentação, não poderia deixar de aproveitar a oportunidade para expressar o meu agradecimento a todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para que este livro se tornasse uma realidade.

Em primeiro lugar, necessariamente, e desde logo, à Associação MG – Memorial Mendes Godinho, promotora desta iniciativa, pelo amável convite para o elaborar, que muito me honra; e também a Carlos Mendes Godinho e ao Dr. Manuel Maria Azevedo Mendes Mourão, como principais responsáveis pela recolha da vasta documentação consultada, assim como pela aturada revisão do texto; a António Gomes, António Jesus Baptista, António Lourenço, Eng.º João António Sousa Pereira, Dr. José Augusto Oliveira Baptista, Dr. Luís Graça e Eng.º Luís Maria Godinho Gonçalves, pelos testemunhos prestados; e, ainda, ao Dr. Luís Marques, por gentilmente ter acedido ao convite para redigir o Prefácio, que sobremaneira valoriza e prestigia este trabalho.

(Fotos de João Mendes Mourão)

6 Maio, 2018 at 10:15 am Deixe um comentário

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