Liga dos Campeões – “Play-off” intercalar (2.ª mão)
2ª mão 1ª mão Total Paris St.-Germain - AS Monaco 2-2 3-2 5-4 Juventus - Galatasaray 3-0 (3-2ap) 2-5 5-7 Real Madrid - Benfica 2-1 1-0 3-1 Atalanta - Borussia Dortmund 4-1 0-2 4-3 Newcastle United - Qarabağ 3-2 6-1 9-3 Atlético de Madrid - Club Brugge 4-1 3-3 7-4 Internazionale - Bodø/Glimt 1-2 1-3 2-5 Bayer Leverkusen - Olympiacos 0-0 2-0 2-0
Liga dos Campeões – “Play-off” intercalar – Real Madrid – Benfica
Real Madrid – Thibaut Courtois, Trent Alexander-Arnold, Antonio Rüdiger, Raúl Asencio (77m – Franco Mastantuono), Álvaro Carreras (90m – Francisco “Fran” García), Federico Valverde, Aurélien Tchouaméni, Eduardo Camavinga (77m – David Alaba), Arda Güler (84m – César Palacios), Gonzalo García (84m – Thiago Pitarch) e Vinícius Júnior
Benfica – Anatoliy Trubin, Amar Dedić, Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Samuel Dahl, Richard Ríos, Leandro Barreiro (90m – Sidny Lopes Cabral), Fredrik Aursnes (85m – Enzo Barrenechea), Rafael “Rafa” Silva, Andreas Schjelderup (85m – Franjo Ivanović) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis
0-1 – Rafael “Rafa” Silva – 14m
1-1 – Aurélien Tchouaméni – 16m
2-1 – Vinícius Júnior – 80m
Cartões amarelos – Raúl Asencio (57m) e César Palacios (90m); Richard Ríos (35m) e Nicolás Otamendi (51m)
Árbitro – Slavko Vinčić (Eslovénia)
Teria sido possível? Talvez.
Mas subsistirá a dúvida sobre se o Real Madrid não jogou mais (e melhor) porque não teve capacidade (arte e engenho) para tal, ou, também, porque disso não teve necessidade… Do Benfica ressalta, uma vez mais, a falta de eficácia, em flagrante contraponto com o adversário, denotando grande dificuldade em materializar em golo as oportunidades criadas.
Um pouco à semelhança do que se verificara no desafio da última ronda da “Fase de Liga”, no Estádio da Luz, o Benfica voltou a surpreender o Real Madrid, explorando as suas fragilidades defensivas. Foi a equipa portuguesa a assumir a iniciativa, desde início, bastante incentivada pelos seus adeptos (cerca de 4 milhares, que, praticamente ao longo dos noventa minutos, abafaram os espectadores locais), com a rapidez das alas benfiquistas a baralhar a estrutura organizacional contrária.
Como corolário dessa boa entrada em campo, estavam completados apenas os primeiros treze minutos quando Richard Ríos, a partir da zona central, solicitou a desmarcação de Pavlídis, em corrida no flanco direito, que – visando fazer a assistência para Rafa, que surgia no coração da área – fez um cruzamento tenso, tendo Asencio procurado interceptar a bola, mas de tal forma, que resultou como que num “remate à queima-roupa”, a obrigar Courtois a uma defesa in extremis, para evitar o auto-golo; o esférico ressaltou para Rafa, que, não sem dificuldade, a dois tempos, depois de procurar dominar de primeira, só à segunda tentativa conseguiu empurrar a bola para o fundo das redes.
Algo inesperadamente o Benfica colocava-se em vantagem, igualando a eliminatória. Poderá também especular-se sobre qual o rumo que o jogo teria tido não tivesse sucedido o que veio a ocorrer logo de seguida: volvidos apenas dois minutos, um centro atrasado de Valverde apanhou Tchouaméni completamente liberto (Ríos não foi suficientemente lesto), que, de primeira, rematou rasteiro, muito colocado, sem hipótese para Trubin. Foi o golo de estreia do francês nesta temporada, ao fim de 35 jogos pelo Real Madrid…
Com o empate restabelecido, o jogo como que desaceleraria, com o Benfica a acusar o toque, do golo sofrido, a quebrar o ânimo que, de modo tão efémero, ganhara. Não obstante, recuperando desse embate, logrando reagir positivamente, teria nova ocasião para marcar, já próximo do intervalo, num bom remate de Richard Ríos, a que o guardião dos merengues respondeu com uma excelente intervenção, a negar o que poderia ter sido o segundo tento da formação portuguesa. Ainda assim, e tal como sucedera na Luz, os últimos minutos da primeira parte foram de alguma aflição para a defesa benfiquista.
O ritmo e intensidade foram bastante mais moderados no segundo tempo, outra vez com as duas equipas a parecer mais apostadas em jogar pelo seguro, o que, a partir de certa altura, se começou também a conjugar com a menor frescura física do meio-campo e sector ofensivo da turma encarnada. Parecia como que um “jogo do gato e do rato”, a procurar abrir espaços nas costas das defesas, tentando explorar a velocidade de Vinícius, por um lado, e de Schjelderup, por outro – a colocar, ora Dedić, ora Trent Alexander-Arnold, em apuros.
O tempo ia correndo a favor do Real Madrid, mesmo que o resultado fosse bastante perigoso. Sinal claro disso mesmo seria o remate de trivela de Rafa, que só não resultou num bis, porque, tendo a bola desviado ainda num defesa contrário, embateria com estrondo na trave, num lance que Courtois não teve possibilidade de deter. Foi como que o “canto do cisne” da parte do Benfica.
Álvaro Arbeloa, adoptando uma estratégia de risco mínimo, reforçou a defesa (com a entrada de Alaba). E, paradoxalmente ou não, acabaria premiado: outra vez Valverde, com notável assistência, a lançar Vinícius, isolado pelo lado esquerdo, internando-se, até rematar cruzado, sem oposição, e sem que Trubin pudesse evitar a inapelável trajectória da bola para a baliza.
As substituições operadas por João Tralhão (com Mourinho a ver o jogo no autocarro do Benfica, tendo abdicado de assistir in loco, no camarote que lhe fora destinado pela Direcção do Real Madrid) foram efectuadas demasiado tarde, numa fase em que o desfecho da eliminatória tinha sido já definitivamente sentenciado. Arbeloa refrescara também, entretanto, o seu ataque, mas o expediente estava já encerrado.
As “vitórias morais” há muito ficaram para trás, mas é inegável que o Benfica “caiu de pé”, oferecendo forte réplica – fazendo o Real sofrer mais do que esperaria –, tendo mantido a incerteza sobre o desfecho da eliminatória até aos 170 minutos, do total de 180 das duas mãos.
Fraca consolação, para uma campanha sofrível, com um apuramento miraculoso na “Fase de Liga”, mas que – pese embora o ímpar estatuto do adversário que lhe calhou em sorte neste play-off – não deixa de “saber a pouco”.
O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/4 de final

(“O Templário”, 19.02.2026)
Com o calendário das competições distritais perturbado pelos efeitos das intempéries – tendo as jornadas dos campeonatos da I e II Divisão Distrital previstas para dia 8 de Fevereiro (respectivamente, 18.ª e 14.ª) sido adiadas para 8 de Março, o que, em paralelo, forçará a recalendarização da primeira mão das meias-finais da Taça do Ribatejo (subsistindo, por outro lado, ainda por definir a data de alguns prélios, em atraso, que estavam agendados para 1 de Fevereiro, entre eles o U. Tomar-Fazendense) – o último domingo deu lugar à disputa dos quartos-de-final da Taça, assim como à recuperação de um dos jogos da 17.ª jornada do escalão principal.
Esteve em evidência, em especial, o Moçarriense, “tomba-gigantes”, que afastou o Torres Novas, mesmo que apenas no desempate da marca de grande penalidade. Em função do sorteio previamente realizado, e do alinhamento determinado para as meias-finais da prova, ficámos já a saber, antecipadamente, que a Final da Taça do Ribatejo desta temporada será disputada entre um emblema da divisão principal (e, mais que isso, entre um dos principais candidatos ao título, Mação ou Fazendense) e um clube da II Divisão Distrital (não sendo decerto mera coincidência que se trate de um dos actuais líderes de cada uma das séries, Moçarriense ou Vasco da Gama).
Destaques – Já se perspectivaria que o Torres Novas (que, nesta época, tem marcado presença sistemática nos lugares do topo da tabela da I Divisão, actual 4.º classificado) não teria tarefa fácil na deslocação à Moçarria, para defrontar um dos comandantes da Série A da II Divisão (a par do Ouriquense), ainda invicto ao fim de 16 jogos (incluindo três na Taça). E o risco que os torrejanos corriam veio a confirmar-se na plenitude, com o Moçarriense a mostrar as suas credenciais, colocando-se em vantagem logo na fase inicial da contenda, tendo mantido o 1-0 praticamente até ao final do tempo regulamentar, altura em que o Torres Novas viria a restabelecer a igualdade.
Seria, porém, um golo inglório, uma vez que, no desempate da marca de “penalty”, que de imediato se seguiu, os homens da casa levaram a melhor, vencendo por 4-2. Fez-se história na Taça, com o inédito apuramento do Moçarriense para as meias-finais, depois de seis afastamentos nos oitavos-de-final entre 2017 e 2024, sendo que o melhor que o grupo da zona de Santarém tinha alcançado até à data haviam sido três presenças nos quartos-de-final, em 2006, 2010 e 2016.
A outra formação da divisão secundária apurada para as meias-finais foi o Vasco da Gama, guia incontestado da Série B (em que mantém o pleno de triunfos, em doze encontros já realizados), que, recebendo o vice-líder, Pego, se impôs por inapelável 4-0, depois de ter chegado ao intervalo já com vantagem de dois tentos. Tal como o Moçarriense (14 vitórias e 3 empates), a turma da freguesia de Fátima passou a somar um total de 17 jogos sem perder (15 triunfos e 2 igualdades)!
A agremiação do Vasco da Gama (que, na ronda anterior, eliminara o Amiense) conta já com uma Taça do Ribatejo no seu palmarés, conquistada em 1989, tendo superado a barreira dos quartos-de-final pela primeira vez nos últimos trinta anos (1995), sendo que, desde então, atingira os oitavos-de-final apenas em cinco ocasiões (2001, 2014, e de 2022 a 2024).
Surpresa – Acabou por ser, de facto, apenas “meia-surpresa”, uma vez que o actual líder (pese embora à condição) da divisão principal, Mação, assegurou a presença nas meias-finais, de que se encontrava arredado desde que fora finalista vencido (pelo U. Tomar) em 2018 – após seis eliminações sucessivas nos oitavos-de-final, entre 2020 e 2025.
Mas, os maçaenses, não tendo conseguido melhor que o empate a uma bola na recepção ao Pontével (7.º classificado no campeonato), arriscaram bastante, até porque tiveram de passar por uma longa série no desempate da marca de grande penalidade, que se estendeu até aos 9-8…
O Mação, que estava sem competir desde 25 de Janeiro, até começou por marcar bem cedo, logo aos oito minutos, mas consentiria o tento da igualdade (aliás, apontado na própria baliza) apenas quatro minutos volvidos, com o “placard” a subsistir inalterado até final dos noventa minutos.
Confirmação – O Fazendense – que, tendo um desafio em atraso, persegue de perto o comandante, somente com um ponto a menos – teria, em teoria, a tarefa mais “facilitada” de entre o alinhamento dos confrontos dos quartos-de-final, uma vez que lhe cabia receber o At. Pernes (4.º classificado da Série B da II Divisão). E, no cômputo final, acabou por deixar bem expressa a sua superioridade, goleando por 5-0… mas apenas no segundo tempo tendo logrado desbloquear o jogo, quebrando a resistência do adversário, depois do nulo ter subsistido até ao intervalo.
Na etapa complementar tudo seria diferente, com os golos a suceder-se em “catadupa”, tendo o grupo das Fazendas marcado os dois primeiros tentos praticamente seguidos, tendo os restantes três sido obtidos num intervalo de menos de quinze minutos. O Fazendense, recorde-se, é o “Rei” da Taça, com cinco troféus conquistados (o último deles em 2022), tendo sido também semi-finalista em 2024, quedando-se pelos quartos-de-final em 2025 (afastado pelo U. Tomar).
É o seguinte o alinhamento das meias-finais, a disputar a duas mãos (agora previstas para 18 de Março e 3 de Abril), já previamente sorteado: Mação-Fazendense e Moçarriense-Vasco da Gama.
Entretanto, em partida em atraso da 17.ª jornada da I Divisão Distrital, o Coruchense obteve importante triunfo ante o At. Ouriense, tendo ido vencer por 2-1, operando reviravolta no marcador: o conjunto de Ourém chegou ao golo próximo da meia hora, indo para o descanso em vantagem; a formação do Sorraia empatou a meio da segunda parte, assegurando a vitória já ao findar da contenda, tendo, em função deste desfecho, igualado o Pontével na 7.ª posição.
Liga 3 – Tendo sido adiado o encontro da ronda inaugural da fase final, em que o U. Santarém deveria receber o Mafra, a turma escalabitana fez a sua estreia, no passado sábado, com mais um notável resultado, tendo ido vencer por 2-1 à Trofa (frente a uma equipa do Trofense que vinha de um empate no Restelo, com o Belenenses). Após a segunda jornada, o U. Santarém é, inesperadamente, o líder da competição (atendendo ao número de golos marcados), posição que reparte com o Mafra, Académica e Varzim, todos com três pontos – com a particularidade de os três primeiros terem, todos eles, um desafio em atraso, tendo disputado um único jogo, cada um.
Campeonato de Portugal – Os emblemas do Distrito tiveram um domingo positivo, com o Samora Correia em maior evidência, batendo o Lajense por 2-0, no que constitui apenas o terceiro triunfo dos samorenses na prova, passando a somar 13 pontos, tendo igualado o Eléctrico de Ponte de Sôr e o Lusitânia, reduzindo ligeiramente, para oito pontos, o atraso face à “zona de salvação”.
Quanto ao Fátima, conseguiu averbar um empate (1-1) na deslocação a Peniche, “minimizando os danos”: pese embora se mantenha em zona de despromoção (10.º), passa a contar 20 pontos, só um ponto abaixo do rival que defrontou e, também, por curiosidade, do último adversário do Samora – que, nesta altura, são, precisamente, os dois últimos clubes acima da “linha de água”.
Antevisão – Avançando já para a 19.ª ronda da I Divisão Distrital, destaca-se o prélio entre At. Ouriense e Fazendense, enquanto o Mação terá a visita do Entroncamento AC. Por seu turno, o U. Tomar retomará a competição, após uma pausa de praticamente um mês (desde 25 de Janeiro), recebendo o At. Riachense, actual penúltimo classificado, mas que vem encetando recuperação.
No escalão secundário (15.ª jornada) realce para as seguintes partidas: Benavente-Moçarriense; QT-SC Rio Maior-Marinhais; At. Pernes-U. Atalaiense; e Pego-Espinheirense.
Na Liga 3, já na 3.ª ronda da fase final, de apuramento de Campeão e promoção à II Liga, o U. Santarém terá a visita da equipa “B” do V. Guimarães.
Por seu lado, no Campeonato de Portugal (19.ª jornada), regista-se a curiosidade do embate entre os dois representantes do Distrito, com o Fátima a receber o Samora Correia.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 19 de Fevereiro de 2026)
Nota – Foi a equipa do Moçarriense que, de facto, eliminou o Amiense nos 1/8 de final, devendo-se, pois, a lapso de escrita, a referência apresentada no texto a que fora o Vasco da Gama a eliminar a turma dos Amiais de Baixo (sendo que, em tal eliminatória, o Vasco da Gama afastara, efectivamente, o Espinheirense).
Liga Conferência – “Play-off” intercalar (1.ª mão)
19.02.2026 - KuPS Kuopio – Lech Poznań 0-2 19.02.2026 - Noah – AZ Alkmaar 1-0 19.02.2026 - Zrinjski Mostar – Crystal Palace 1-1 19.02.2026 - Jagiellonia Białystok – Fiorentina 0-3 19.02.2026 - Shkëndija – Samsunspor 0-1 19.02.2026 - Drita – Celje 2-3 19.02.2026 - Sigma Olomouc – Lausanne 1-1 19.02.2026 - Omonoia – Rijeka 0-1
Liga Europa – “Play-off” intercalar (1.ª mão)
19.02.2026 - Ludogorets – Ferencvárosi 2-1 19.02.2026 - Panathinaikos – Viktoria Plzeň 2-2 19.02.2026 - Dinamo Zagreb – Genk 1-3 19.02.2026 - P.A.O.K. – Celta de Vigo 1-2 19.02.2026 - Celtic – VfB Stuttgart 1-4 19.02.2026 - Fenerbahçe – Nottingham Forest 0-3 19.02.2026 - Brann – Bologna 0-1 19.02.2026 - Lille – Crvena zvezda 0-1
Liga dos Campeões – “Play-off” intercalar (1.ª mão)
17.02.2026 - AS Monaco - Paris Saint-Germain 2-3 17.02.2026 - Galatasaray - Juventus 5-2 17.02.2026 - Benfica - Real Madrid 0-1 17.02.2026 - Borussia Dortmund - Atalanta 2-0 18.02.2026 - Qarabağ - Newcastle United 1-6 18.02.2026 - Club Brugge - Atlético de Madrid 3-3 18.02.2026 - Bodø/Glimt - Internazionale 3-1 18.02.2026 - Olympiacos - Bayer Leverkusen 0-2
Liga dos Campeões – “Play-off” intercalar – Benfica – Real Madrid
Benfica – Anatoliy Trubin, Amar Dedić, Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Fredrik Aursnes (80m – Sidny Lopes Cabral), Gianluca Prestianni (81m – Dodi Lukébakio), Rafael “Rafa” Silva (74m – Richard Ríos), Andreas Schjelderup (74m – Heorhiy Sudakov) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis
Real Madrid – Thibaut Courtois, Trent Alexander-Arnold, Antonio Rüdiger, Dean Huijsen, Álvaro Carreras (90+9m – Daniel “Dani” Carvajal), Federico Valverde, Arda Güler (86m – Brahim Díaz), Aurélien Tchouaméni, Eduardo Camavinga (90+4m – Thiago Pitarch), Kylian Mbappé e Vinícius Júnior
0-1 – Vinícius Júnior – 50m
Cartões amarelos – Gianluca Prestianni (78m), José Mourinho (85m – Treinador) e Heorhiy Sudakov (90+2m); Vinícius Júnior (51m) e Kylian Mbappé (87m)
Cartão vermelho – José Mourinho (85m – Treinador)
Árbitro – François Letexier (França)
É bem mais difícil escrever sobre este jogo do que sobre o de há três semanas. E não por causa da derrota. Mas, fundamentalmente, pela forma como o que deveria ser um dia de festa foi estragado, transformando-se numa triste noite, não só para o futebol e o desporto, mas em termos da sociedade em geral.
Procurando arrumar, desde já, o que acabou por se tornar numa mancha que se deixou alastrar, provocando – por via do inaceitável comportamento de um seu jogador, e de uma gestão de comunicação de crise absolutamente desastrosa, lesiva da imagem e da história do clube – gravíssimos danos reputacionais ao Benfica, no preciso momento em que está sob os holofotes globais, atendendo também à projecção do adversário em causa, apenas o clube mais emblemático a nível mundial: o que o Benfica (a sua Direcção) deveria ter feito, de imediato, era simples e básico: repudiar veementemente (passe o pleonasmo) qualquer forma de racismo; e proceder à abertura de processo interno de inquérito.
Sabemos, todos, que o problema – seja de racismo, seja de homofobia – está incrustado na sociedade, mesmo que possa parecer dormente. O que, naturalmente, não obsta a que sejam de evitar generalizações (“Os benfiquistas são racistas”) ou unanimismos (“Prestianni devia ser irradiado”) perigosos, sem respeito, sequer, pelo básico princípio da presunção de inocência.
Mas a mensagem tem de ser clara: não pode haver contemplações. Na sociedade, no Mundo, e no tempo em que vivemos, não é mais admissível qualquer tipo de menorização, ou sequer, discriminação social, em função de características físicas de um qualquer indivíduo.
Sobre o jogo: evidentemente, não há dois jogos iguais. O contexto era diferente, o foco dos jogadores era distinto. O rumo que os acontecimentos levaram acabou por escapar ao controlo (ao que poderia ser expectável) de todos.
Esta partida acabou por incorporar três partes bem diferenciadas: uma, nos primeiros vinte cinco a trinta minutos, com toada repartida; outra, até aos 50 minutos, em que o Real Madrid, colocando grande aceleração, encostou o Benfica “às cordas”; e uma, final, após a interrupção que se seguiu ao golo da equipa espanhola, em que ninguém parecia estar já “com cabeça” para prosseguir o jogo.
O facto de se tratar de uma fase a eliminar, a duas mãos, gera, instintivamente, um sentido de auto-preservação, de contenção do risco, dando prioridade à segurança do sector defensivo, com escassas oportunidades de golo. Na meia hora inicial, regista-se um lance de maior perigo para cada lado: primeiro, por Vinícius, a rematar ao lado; de seguida, Aursnes, com um pontapé de meia-distância, a solicitar boa intervenção de Courtois.
O Real Madrid colocaria então, grande intensidade, em pressão alta, não deixando o adversário respirar; à beira do intervalo adivinhou-se o golo, por mais de uma ocasião: primeiro numa rápida investida de Alexander-Arnold, a assistir Mbappé, que, porém, não chegou à bola; pouco depois, de novo o francês, com um potente remate; Trubin, chamado a trabalho de elevado grau de dificuldade, foi, então, crucial, para manter as suas redes a zeros.
As coisas não se alterariam substancialmente no recomeço, com o Real praticamente a entrar a ganhar, num “golo de bandeira” de Vinícius, a desferir um tiro, em arco, indefensável, a colocar a bola no vértice da baliza.
O jogo acabou nesse momento. O avançado brasileiro, de forma necessariamente admissível, foi celebrar o golo com uma dança, bamboleando-se junto à bandeirola de canto, o que – num ambiente efervescente – provocou exacerbada reacção adversa na bancada, com inaceitáveis arremesso de objectos e insultos de cariz racista. Também menos razoável se tornaria, então, a repetição da provocação (depois de se ter afastado, voltaria a essa zona), já depois de alerta do árbitro, o que levou mesmo a que Vinícius fosse admoestado com cartão amarelo. O argentino Prestianni seria, logo nesse momento, o primeiro a insurgir-se – também de forma excessiva – com a atitude do jogador contrário, tendo-se instalado a confusão entre os vários intervenientes, de um lado e de outro, em pleno relvado.
Os ânimos pareciam ter, de alguma forma serenado, dentro de campo, quando – no instante em que se preparava o pontapé de recomeço, no círculo central – Vinícius terá dirigido impropérios (“cagón de mierda”, terá dito) a Prestianni, o qual, tapando a boca com a camisola, o interpelou novamente. Acto súbito, o brasileiro desatou a correr desenfreadamente para a linha lateral, queixando-se que o argentino lhe teria dirigido insultos racistas, e manifestando a sua intenção de abandonar o campo (tendo, por seu lado, Prestianni alegado que não lhe terá chamado “mono”/”macaco”, mas “maricón”). O árbitro, de imediato, suspendeu o jogo, que assim se manteve interrompido durante mais de dez minutos, numa fase, de novo, de mau comportamento de parte dos adeptos.
No entretanto, Mourinho, falando com Vinícius, procurou convencê-lo a retomar a partida, também com Mbappé a mostrar-se muito activo, na defesa do seu colega de equipa. O jogo acabaria mesmo por ser reatado, mas estava indelevelmente contaminado pelo que sucedera, como que relegado para plano secundário.
Até final, cada vez que Vinícius – algo comprometido, como que a jogar a medo – tocava na bola, era sonoramente apupado. Perante o sucedido, o Benfica terá pouca moral para reclamar, mas parece claro que, tal como sucedera no desafio anterior, o Real Madrid deveria ter terminado reduzido a nove elementos: Valverde (mesmo que inadvertidamente) deu um soco na cara de Dahl e o próprio Vinícius deveria ter visto segundo cartão amarelo, por falta mais intensa.
Para acabar em maré negativa, seria, ao invés, Mourinho a ser expulso (o que o afasta do Bernabéu), por ter reclamado do facto de o árbitro ter também poupado cartões amarelos a Carreras e a Tchouaméni – que, caso lhes tivessem sido exibidos, teriam ficado fora do encontro da 2.ª mão, em Madrid.
Em suma, desde os 50 minutos, futebol houve muito pouco. Prejudicados foram todos, mas, principalmente (por responsabilidades próprias, de jogadores, treinador, adeptos e Direcção), a instituição Benfica.
O Pulsar do Campeonato – 17ª Jornada

(“O Templário”, 05.02.2026)
Na sequência da calamidade que atingiu a zona centro do País na madrugada de 28 de Janeiro (“Depressão Kristin”, um “ciclone-bomba” com rajadas de vento a rondar os 200 km/hora, provocando inúmeros danos, em especial em coberturas de instalações e estruturas metálicas, a par da interrupção do fornecimento de energia eléctrica e de água, bem como do acesso a telecomunicações), tal provocou o adiamento de dezenas de jogos das diversas competições promovidas pela Associação de Futebol de Santarém, nomeadamente dois encontros da I Divisão Distrital (aquele em que o U. Tomar deveria receber o líder, Fazendense, assim como o desafio entre o At. Ouriense e o Coruchense), para além de três a contar para o escalão secundário.
Os municípios de Ferreira do Zêzere, Ourém e Tomar estão entre os mais fustigados pela tempestade, que deixou ainda marca mais vincada na região de Leiria, aqui expressando uma nota de solidariedade para com as populações que se viram confrontadas com esta severa provação.
A nível desportivo, propriamente dito, a 17.ª jornada do Distrital da I Divisão ficou ainda marcada – para além dos referidos dois adiamentos – pelo facto de não ter sido também realizada uma terceira partida, entre Mação e Cartaxo, devido ao facto de a equipa forasteira não ter comparecido em campo, situação gravosa, que – sem que qualquer justificação tenha sido publicamente transmitida – se poderá conjecturar decorrer de sérias dificuldades no seio da “SAD” do emblema cartaxeiro, sendo de anotar que não comparecera já no jogo da Taça, nas Fazendas de Almeirim.
Do futebol jogado dentro de campo, o realce maior vai para a subida da AREPA ao pódio – desta feita, sem ser à condição, dado o Torres Novas ter recuperado já, entretanto, o jogo que tivera em atraso –, mercê da conjugação do triunfo averbado pela turma do Porto Alto na recepção ao Abrantes e Benfica, com o desaire sofrido pelos torrejanos no reduto do Pontével.
Destaques – Tendo-se reduzido a cinco o número de encontros realizados no passado Domingo, a contar para a divisão principal, começa, pois, por destacar-se a vitória do Porto Alto, por tangencial 1-0, ante o Abrantes e Benfica, mercê de um tento apontado no “último suspiro”, quebrando enfim a resistência abrantina, o suficiente para que a formação da casa somasse o seu décimo triunfo (a que acrescem sete empates), ascendendo assim à 3.ª posição, agora somente a três pontos do novo guia, Mação (ressalvando-se que o vice-líder, Fazendense, a um ponto dos maçaenses, tem um jogo a menos, o que deverá disputar em Tomar).
Terá sido uma “meia-surpresa” a derrota imposta pelo Pontével ao Torres Novas (que não perdia há quatro jornadas), por 2-1, até porque os torrejanos começaram por inaugurar o marcador, a meio da primeira parte, preservando a vantagem até ao descanso. Porém, logo no recomeço, os donos da casa restabeleceram a igualdade, vindo a consumar a reviravolta à passagem dos 70 minutos. Um resultado que, no imediato, relega a formação de Torres Novas para o 4.º posto, enquanto proporciona ao Pontével posicionar-se na primeira metade da tabela (7.º lugar), e, mais importante, voltar a dispor de uma importante margem de segurança face à linha de água.
Nesse âmbito, foi ainda relevante o desfecho do embate entre Amiense e At. Riachense, colocando frente-a-frente dois rivais em disputa directa pela permanência, com o grupo dos Amiais a levar a melhor, ganhando igualmente pela margem mínima, tendo chegado ao golo também já na etapa final do desafio. Com quatro vitórias nas seis últimas rondas (mais um empate) – tendo, pois, averbado 13 dos 18 pontos que regista na pauta classificativa – conseguiu, por fim, libertar-se da zona perigosa, em detrimento do Cartaxo, subindo ao 12.º lugar. Por seu lado, o conjunto dos Riachos, que vinha de dois triunfos, “marca passo” nos onze pontos, a seis da “salvação”.
Surpresa – Para além do triunfo do Pontével, a surpresa da jornada foi protagonizada pelo Entroncamento AC, que logrou recuperar de desvantagem de 0-2 ao intervalo, impondo uma igualdade a duas bolas face ao Alcanenense, pese embora o facto de este se encontrar a jogar em “casa emprestada”, no Espinheiro. Este foi já o quinto empate da turma da cidade ferroviária nas seis jornadas mais recentes (tendo, no jogo restante, triunfado, na semana precedente, ante o Pontével), conseguindo, assim, manter-se “à tona”. Por seu turno, o Alcanenense, ainda 6.º classificado, viu distanciar-se o Águias, agora a quatro pontos.
Confirmação – De facto, recebendo o “lanterna vermelha”, Tramagal, a formação alpiarcense obteve lógico triunfo, por 3-1, depois de cedo ter definido o rumo da partida, com dois tentos dentro dos primeiros quinze minutos. Os forasteiros ainda terão assustado, reduzindo para 2-1 antes de finda a primeira parte, vindo, não obstante, o Águias de Alpiarça a confirmar a vitória, com o terceiro golo, obtido já no quarto de hora final. Esta foi já a décima derrota consecutiva dos tramagalenses – que acumulam um total de 16 desaires em 17 jogos, ainda sem se ter conseguido estreado a ganhar neste regresso ao escalão principal, após quase duas décadas.
II Divisão Distrital – Temos novo (co-)líder na Série A: o Ouriquense não foi além do empate (1-1) na deslocação ao Forense, do que beneficiou o Moçarriense (goleando o Rebocho, em Coruche, por 6-0) para ascender ao 1.º lugar, mesmo que em igualdade pontual. Realce ainda para a vitória do Marinhais em Benavente, por 2-0, agora só a um ponto do Salvaterrense (este com um jogo a menos) e a dois do 3.º lugar (Forense).
Na Série B, o jogo do comandante (Vasco da Gama), previsto realizar em Pernes, foi adiado, sendo que o vice-líder, Pego, não conseguiu também melhor que a igualdade (1-1) no Sardoal, tendo nove pontos menos que o guia. Ainda imprevista foi a derrota caseira (1-3) da U. Atalaiense ante a Ortiga, mantendo a agremiação da Atalaia o 3.º posto, dado o At. Pernes não ter jogado.
Liga 3 / Campeonato de Portugal – Estas duas provas estiveram em pausa no passado fim-de-semana, apenas tendo sido realizados alguns jogos que se encontravam em atraso, relativos ao quarto escalão de âmbito nacional. Procedeu-se, entrementes, ao sorteio da fase final da Liga 3, ditando a seguinte sequência de jogos para o U. Santarém, na primeira volta: Mafra (casa), Trofense (fora), V. Guimarães “B” (c), Académica (f), Belenenses (c), Amarante (c) e Varzim (f).
Antevisão – As atenções estarão concentradas, na próxima jornada da I Divisão Distrital, no confronto entre o 2.º e o 3.º classificados, com o Fazendense a receber a visita da equipa do Porto Alto; cabendo ao Mação, de novo na liderança (pese embora à condição), deslocar-se aos Riachos. De interesse se afigura também o desafio entre Torres Novas e Alcanenense.
Subsistirá, por outro lado, alguma expectativa e incerteza quanto à efectiva realização do encontro entre o Cartaxo e o U. Tomar, sendo de sublinhar que o Regulamento Disciplinar da Associação de Futebol de Santarém prevê a aplicação de pena de desclassificação e automática baixa de divisão em caso de falta de comparência injustificada a dois jogos oficiais consecutivos ou a três interpolados, em prova disputada por pontos. Nesse cenário hipotético, o clube desclassificado constaria na classificação no último lugar, com zero pontos, não sendo considerados, para efeito de classificação dos restantes clubes – tendo-se cumprido já, na íntegra, a primeira volta do campeonato –, apenas os resultados do(s) jogo(s) disputado(s) por aquele clube na segunda volta.
Na divisão secundária, teremos mais um “derby” (Marinhais-Salvaterrense, actuais 5.º e 4.º classificados), a par de outros prélios de grande importância em termos da disputa pelo acesso à fase final, designadamente o Forense-QT-SC Rio Maior (respectivamente, 3.º e 6.º), Ortiga-At.Pernes (também 5.º e 4.º classificados na sua série) e o Caxarias-Pego (6.º e 2.º).
A Liga 3 tem a sua ronda de abertura da fase de apuramento de Campeão e de promoção à II Liga, tendo o U. Santarém a difícil missão de enfrentar o Mafra (2.º classificado na fase inicial).
No Campeonato de Portugal, cabe ao Fátima ser visitado pelo Oliveira do Hospital (3.º classificado, a um ponto da Naval 1893), ao passo que o Samora Correia recebe o Peniche (8.º).
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 5 de Fevereiro de 2026)





