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O Pulsar do Campeonato – 6ª Jornada

(“O Templário”, 24.10.2024)

É verdade que estamos ainda numa fase inicial do campeonato (decorridos 20%), mas não será usual o significativo diferencial de pontuação entre os clubes da parte cimeira e os da segunda metade da tabela: abriu-se um fosso, já de oito pontos (à 6.ª ronda), entre o 5.º e o 9.º classificado!

Tal decorre do conjugar de duas tendências antagónicas: por um lado, para além do trio da frente (Ferreira do Zêzere, Fazendense e Mação) subsistir invicto, mantendo, aliás, os ferreirenses o pleno de triunfos (tendo os mais directos rivais cedido um e dois empates, respectivamente), também Torres Novas e Samora Correia têm tido bom desempenho; em contraposição com o arranque titubeante, sobretudo do Abrantes e Benfica (que reparte a tal 9.ª posição com Amiense, U. Tomar e Glória do Ribatejo), todos, agora, já a quatro pontos do 8.º classificado, Coruchense.

Destaques – O principal realce da jornada vai, precisamente, para a categórica derrota infligida ao Abrantes e Benfica pelo Samora Correia, com os samorenses a marcar três golos sem resposta: abrindo o activo ainda no quarto de hora inicial; aumentando a contagem à beira do intervalo; e fixando o 3-0 final também com quinze minutos decorridos no segundo tempo, não tendo os abrantinos revelado capacidade de reagir à adversidade, pelo menos em termos de efectividade. Este foi o terceiro desaire do Abrantes e Benfica, que conta uma única vitória, logo na estreia.

Também em evidência esteve o Mação, que continua a registar trajectória de solidez, tendo recebido e batido o Cartaxo, que, por seu lado, vem denotando alguma instabilidade, mesmo que o desfecho tenha sido um tangencial 2-1, e com o tento da vitória a ser apontado já em período de compensação. Também os cartaxeiros se voltaram a atrasar, partilhando o 7.º posto com o Coruchense, já a distantes nove pontos do comandante. Não será uma desvantagem insuperável, mas começa a ser de recuperação problemática.

Justamente, o Coruchense, que tivera má entrada na prova, com dois desaires caseiros nas duas primeiras partidas (frente ao Mação e ao Ferreira do Zêzere), tendo, de seguida, vencido o Samora Correia, ainda em casa, por 4-1, somou agora segundo triunfo sucessivo, depois de, na semana anterior, ter derrotado o At. Ouriense. Só que, desta feita, tal vitória foi obtida em terreno alheio, em Tomar, ante o União, que volta a dar um “passo atrás”.

Os unionistas até tiveram um bom início de desafio, assumindo a iniciativa, mas demasiadas falhas deitaram tudo a perder: à passagem dos quinze minutos, a turma do Sorraia vencia já por 2-0. Os tomarenses ainda reduziram, pouco depois da meia hora, mas, noutro erro, originando a sanção com segunda grande penalidade, viram-se novamente com desvantagem de dois golos (1-3), mesmo a findar a primeira parte. O 2-3, alcançado logo aos cinco minutos do segundo tempo, fez ressurgir a esperança, perante as fragilidades defensivas que o Coruchense ia denotando. Mas, na parte final, a equipa nabantina, parecendo apresentar alguma quebra em termos físicos, não conseguiria evitar a derrota, perante um adversário que parecia poder estar ao seu alcance.

Confirmações – Numa ronda sem grandes surpresas a assinalar, os outros cinco desfechos enquadram-se na lógica, mesmo que haja a assinalar a expressão da goleada (7-0) aplicada pelo At. Ouriense ao Entroncamento AC: depois de 2-0 ao intervalo, no segundo tempo os golos sucederam-se a uma cadência inapelável, aos 48, 60, 70, 73 e 87 minutos.

O Alcanenense, em deslocação à Glória do Ribatejo, terá sentido algumas dificuldades para levar de vencida o adversário, mas, para tal, acabaria por bastar o solitário golo marcado logo aos dez minutos. A formação de Alcanena, que soma dez pontos, é agora 6.ª classificada, subsistindo o emblema da Glória a par de abrantinos, tomarenses e amienses.

O Torres Novas impôs-se por 3-2 ao Amiense, tendo-se colocado em vantagem por três vezes: o grupo dos Amiais ainda empatou em duas ocasiões, mas acabaria por sair derrotado devido ao terceiro golo sofrido, já dentro dos cinco minutos finais.

O vice-líder, Fazendense, teve uma tarde relativamente tranquila, pese embora o sobressalto sofrido com o tento do Águias de Alpiarça, a abrir o marcador; mas os homens das Fazendas restabeleceriam a igualdade no minuto imediato, livrando-se de maiores sustos. Pouco depois (mais sete minutos volvidos), consumavam a reviravolta, estabelecendo o 3-1 final à meia hora.

Os últimos são, neste caso, também os primeiros: o líder, Ferreira do Zêzere goleou também, com alguma naturalidade, o Salvaterrense (um dos “lanternas vermelhas”, a par do Entroncamento AC) por inequívoca marca de 4-0: ao fim do minuto inicial já os ferreirenses assumiam a condição de vencedor, que confirmaram com outros dois golos a fechar o primeiro tempo, chegando ao 4-0 à passagem da hora de jogo.

II Divisão Distrital – Não ficou aquém das expectativas o embate entre os dois recém-despromovidos, e supostos candidatos a retornar ao escalão principal, com o Forense a ganhar ao Moçarriense por renhido 4-3, isto depois de os forasteiros terem ensaiado o que, a concretizar-se, teria sido uma sensacional recuperação, a partir da desvantagem de 1-4.

Benavente e Marinhais (com goleadas de 5-1 em Rio Maior e de 4-0 face à equipa “B” do U. Santarém) integram, a par de Porto Alto e Forense, um quarteto de líderes, na Série A, com vitórias nas duas jornadas iniciais. Na Série B, só o Vasco da Gama conseguiu tal registo, sendo guia isolado, à frente do Alferrarede (empate a uma bola com o Riachense), que conta quatro pontos.

Assinala-se ainda o triunfo do Vilarense no reduto do Espinheirense, por 5-3, depois de ter chegado a estar a perder por 1-3!

Taça de Portugal – Como seria expectável, já não subsiste qualquer representante do Distrito na “prova rainha”. O U. Santarém, último resistente, foi batido pelo Moreirense (que milita na I Liga), por tangencial 1-2, na 3.ª eliminatória (1/32 avos de final) da competição.

Antevisão – Na 7.ª ronda do escalão principal, as atenções estarão focadas, sobretudo, no confronto entre Cartaxo e Ferreira do Zêzere, com a liderança a ser colocada à prova. Outro ponto de especial interesse será o Coruchense-Fazendense, enfrentando o perseguidor do guia também uma difícil saída. Anota-se ainda o encontro entre Abrantes e Benfica e Torres Novas. Quanto ao U. Tomar, com uma curta deslocação ao Entroncamento, terá boa oportunidade de poder voltar a somar pontos, mas, para tal, será necessário maior rigor.

Na divisão secundária do Distrital, destacam-se as partidas U. Almeirim-Marinhais, Benavente-Pontével, Tramagal-Espinheirense e Vasco da Gama-Alferrarede.

Na retoma da Liga 3, para disputa da 9.ª jornada (já a encerrar a primeira volta), o U. Santarém recebe o Sp. Covilhã, que oferecerá certamente mais dificuldades do que a sua posição na pauta classificativa (8.º e antepenúltimo) poderia deixar adivinhar.

O Campeonato de Portugal é igualmente reatado, com a 7.ª ronda, na qual o Fátima se desloca à Sertã, para defrontar uma equipa do Sertanense, também a passar por dificuldades, actualmente a fechar a classificação da série (a par do Mortágua), mas, afinal, apenas dois pontos abaixo dos fatimenses, pelo que se tratará de um embate que se antevê repartido.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Outubro de 2024)

27 Outubro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 5ª Jornada

(“O Templário”, 17.10.2024)

Cinco jogos, cinco vitórias, com a particularidade de quatro (!) delas terem sido obtidas em terreno alheio, guia isolado do campeonato, melhor ataque (13 golos marcados) e melhor defesa (3 golos sofridos) – números que, por coincidência partilha com o vice-líder Fazendense –, o Ferreira do Zêzere promete uma época que poderá vir a ser memorável para as suas cores.

Por seu lado, o U. Tomar reencontrou-se, enfim, com as vitórias, de que estivera arredado durante sete jogos, desde há… sete meses; um triunfo determinante para que possa serenar.

Destaques – Depois de ter vencido já em Coruche, o Ferreira do Zêzere volta a estar em destaque, tendo ido ganhar, desta feita, no reduto de um dos clubes de maior potencial da competição, o Abrantes e Benfica, por 2-1. Foi uma vitória difícil, suada, “arrancada a ferros”, depois de os abrantinos se terem colocado em vantagem pouco depois da meia hora de jogo. Os ferreirenses restabeleceram a igualdade logo a abrir a segunda parte, mas o tento decisivo só chegaria aos 90+3 minutos. Em qualquer caso, o mais importante foi conseguido.

Não desarmando na perseguição ao comandante, o Fazendense obteve também um bom triunfo, igualmente por 2-1, na deslocação a Alcanena, numa partida com contornos diferenciados: os visitantes marcaram logo aos seis minutos, tendo ampliado a contagem já nos derradeiros dez minutos; o Alcanenense não conseguiria ir além do “ponto de honra”, também já em período de compensação. A turma das Fazendas – que conta já três vitórias fora de casa, frente a adversários renomados como são os casos de U. Tomar, Torres Novas e Alcanenense – apenas cedeu pontos no empate caseiro ante o Samora Correia.

Precisamente, os samorenses estiveram também em evidência, ao ir ganhar a Amiais de Baixo, por renhido 3-2, o que lhes proporciona continuar a partilhar o 4.º posto com o Torres Novas, agora apenas um ponto abaixo do Mação, a três do Fazendense, e a cinco do líder.

Anota-se que foi, aliás, a turma do Amiense a marcar primeiro, logo aos quatro minutos, tendo, inclusivamente, ampliado a contagem para 2-0, apenas cinco minutos volvidos. Porém, não conseguiria segurar essa vantagem, com o Samora Correia rapidamente a reduzir para 1-2, à passagem do quarto de hora; e, num período frenético, a empatar a meio da primeira parte! Na etapa complementar, consumar-se-ia a inversão no marcador, pouco depois da hora de jogo.

Numa ronda com cinco vitórias extra-muros, o Torres Novas obteve a marca mais dilatada, goleando uma fragilizada equipa do Entroncamento AC por 5-0, números bastante pesados, a denotar um “baixar de braços” na parte final do desafio por parte dos visitados.

O último triunfo fora de casa, que se realça, foi averbado pelo U. Tomar, tendo ido ganhar a Alpiarça, batendo o Águias por 2-1, obtendo um sucesso fora de portas, o que os unionistas não alcançavam há quinze jogos, desde Maio de 2023 (em Salvaterra, na penúltima ronda da época 2022-23, na “antecâmara” da conquista do título de Campeão Distrital).

Não tendo tido boa entrada em jogo, concedendo a iniciativa ao adversário, os tomarenses viram os alpiarcenses adiantar-se no marcador à meia hora, saindo para o descanso em desvantagem. Não obstante, no segundo tempo, num intervalo de apenas quatro minutos, entre os 51 e os 55, o União operou a reviravolta, com dois tentos, que lhe proporcionaram tão importante triunfo, não sem que a equipa tivesse ainda de sofrer, para preservar a vantagem até final.

Surpresa – Em função do desempenho evidenciado até esta jornada, não se esperaria que o Salvaterrense lograsse pontuar ante um dos, até então, 2.º classificados, Mação. Os maçaenses até começaram por marcar cedo, por volta dos doze minutos, e, quando esperariam ter os três pontos “garantidos”, acabariam por vir a sofrer o tento do empate (1-1) aos 90+6 minutos, no que constitui o primeiro ponto somado pelos homens da Salvaterra de Magos neste campeonato.

Confirmações – Ao invés, eram expectáveis as vitórias: do Coruchense, pese embora por magro 1-0, mercê de um golo alcançado já no último quarto de hora; assim como do Cartaxo, que se esmerou, obtendo o seu melhor resultado desta época, goleando o Glória do Ribatejo por 5-1.

Na sequência dos desfechos do passado Domingo, temos agora um trio na cauda da tabela, somente com um ponto somado (cada), integrando At. Ouriense (ainda com um jogo em atraso), Salvaterrense e Entroncamento AC; imediatamente acima, posiciona-se o Águias de Alpiarça (três pontos); tendo-se formado um quarteto, entre o 9.º e o 12.º lugar, igualado a cinco pontos, do qual fazem parte ilustres nomes como os de U. Tomar, Abrantes e Benfica e Amiense, para além da formação da Glória do Ribatejo. O Coruchense é 8.º classificado, com mais um ponto (seis).

II Divisão Distrital – No arranque do campeonato do escalão secundário – este ano englobando 25 concorrentes, repartidos em duas séries, sendo que, ao contrário do que vinha sendo habitual, não haverá fase final, de apuramento de Campeão, mas sim, directamente, a Final entre o vencedor de cada série, disputando os dois 2.º classificados a terceira vaga de promoção – esteve em grande evidência o Moçarriense, ao golear, por 7-1, o Rebocho.

Ainda na Série A, o Forense obteve também um bom triunfo (por tangencial 1-0) em Pontével. Já na Série B, foi impróprio para cardíacos o Vilarense-Tramagal, tendo os forasteiros acabado por se impor, por disputado 4-3. Por seu lado, o Caxarias bateu a U. Atalaiense por 4-1. O outro recém-despromovido da I Divisão, Vasco da Gama, foi mais comedido, ganhando por 2-1 ao Pego.

Liga 3 – Em jogo de acerto de calendário, o U. Santarém voltou a averbar importante vitória na condição de visitante, desta feita em Tábua, frente ao Oliveira do Hospital, por 2-1, em encontro da 1.ª jornada, que tinha sido adiado. Os escalabitanos ascenderam assim a um notável 3.º lugar, somente a dois pontos do Atlético, e a seis do comandante, Belenenses.

Antevisão – A 6.ª jornada da I Divisão Distrital integra alguns aliciantes embates, nomeadamente o U. Tomar-Coruchense (dois recentes Campeões Distritais, esta temporada distantes dos lugares cimeiros), o Samora Correia-Abrantes e Benfica, o Mação-Cartaxo (envolvendo quatro clubes com aspirações), ou o Torres Novas-Amiense, entre emblemas com largo historial na prova.

Na II Divisão Distrital, que avança para a sua 2.ª ronda, destacam-se as partidas: Forense-Moçarriense (um embate entre candidatos à subida, depois de terem disputado, na época anterior, o escalão principal); Porto Alto-U. Almeirim; Espinheirense-Vilarense; e Pego-Caxarias.

A Liga 3, assim como o Campeonato de Portugal, continuam em pausa, para disputa da 3.ª eliminatória (1/32 de avos de final da Taça de Portugal), fase da competição em que o Distrito conta um único representante, o U. Santarém – que, depois de ter afastado dois adversários dos Distritais (Sacavenense e Monção) enfrenta agora (no seu terreno) o Moreirense, da I Liga.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 17 de Outubro de 2024)

20 Outubro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 4ª Jornada

(“O Templário”, 10.10.2024)

Depois de dois empates, duas derrotas, em Alcanena, e em casa, ante o Fazendense. Por curiosidade – e embora as temporadas não sejam comparáveis, dado o U. Tomar não ser, esta época, mais do que candidato a fazer um campeonato tranquilo – também em 2022-23, quando se sagraram Campeões, os unionistas haviam perdido em Alcanena e, em Tomar, com o Fazendense.

Destaques – Porém, mesmo que estes desaires não sejam comprometedores em termos pontuais, urge, em termos anímicos, começar a somar pontos. Até porque a derrota do passado Domingo poderá, de alguma forma, deixar marca, dados os seus expressivos números (1-4) – tendo, aliás, a turma das Fazendas chegado mesmo ao 4-0 –, em qualquer caso, margem que terá sido demasiado dilatada face ao que as duas equipas exibiram dentro de campo.

Os forasteiros colocaram-se em vantagem próximo da meia hora de jogo, tendo ampliado a contagem ainda antes dos dez minutos da segunda metade; para, com outros dois tentos de rajada, aos 70 e 72 minutos, selarem o desfecho da partida – destaca-se o segundo jogo seguido de Carlos Bacalhau a bisar, somando já cinco tentos, liderando a tabela de goleadores. O União, não se entregando, viria a obter o seu ponto de honra já no derradeiro quarto de hora.

Ao invés, o Ferreira do Zêzere prossegue a sua senda triunfal, tendo goleado, pela mesma marca (4-1) o até então ainda invicto Amiense. E até foram os homens dos Amiais a provocar um susto, marcando primeiro; valeu, em primeira instância, um auto-golo, em cima do intervalo, a restabelecer a igualdade. Na etapa complementar os ferreirenses impuseram os seus argumentos, com mais três golos apontados, mantendo a liderança isolada, com dois pontos de avanço.

Em destaque esteve também o Mação – o outro vice-líder, a par do Fazendense – que, num embate entre aspirantes aos lugares de topo, acabou por ter alguma felicidade, derrotando o Abrantes e Benfica por 2-0, com os dois tentos apontados já em período de compensação (aos 91m, também mercê de um tento na própria baliza, confirmando a vitória aos 90+8 minutos). Foi o primeiro desaire dos abrantinos, mas que, tendo cedido outros dois empates, baixaram ao 8.º lugar.

O Torres Novas obteve um bom triunfo ante o Coruchense, por tangencial 2-1, com a singularidade de todos os três golos terem sido concentrados num intervalo de apenas quatro minutos: os torrejanos abriram o activo à meia hora; o grupo do Sorraia ainda empatou, apenas três minutos volvidos; para, logo no minuto imediato, os visitados chegarem ao golo da vitória.

No Cartaxo, os locais continuam a ceder pontos (terceiro empate em quatro rondas disputadas), tendo, aliás, evitado a derrota, outra vez, praticamente ao cair do pano, empatando a duas bolas na recepção ao Alcanenense, que mantém o bom desempenho que vem registando, partilhando a 4.ª posição com o Samora Correia e o Torres Novas, mas contando um jogo em atraso.

Os comandados de José Torcato entraram “a todo o gás”, marcando logo no primeiro minuto, e dilatando a vantagem para 2-0 aos nove minutos. Terá sido muito importante o facto de os cartaxeiros terem logrado reduzir no minuto seguinte; porém, só conseguiriam restabelecer a igualdade já dentro dos cinco minutos finais.

Surpresa – Não seria porventura expectável que o Águias de Alpiarça, que vinha de três desaires sofridos em outros tantos desafios disputados, pudesse sair vitorioso da deslocação a Ourém. Pois, foi o que sucedeu, tendo o At. Ouriense (goleado na semana anterior nas Fazendas) perdido por 1-2: os alpiarcenses chegaram mesmo ao 2-0, aos nove e 58 minutos; tendo os donos da casa reduzido para a diferença mínima apenas com seis minutos decorridos no tempo de compensação.

Com este triunfo o Águias deu um salto, para o 12.º posto, relegando o U. Tomar para o 13.º lugar, enquanto o At. Ourém (menos um jogo) partilha a penúltima posição com o Entroncamento AC.

Confirmações – Nos restantes dois jogos assinalam-se triunfos caseiros, mais previsível o do Samora Correia ante o Entroncamento AC (por 3-1, anotando-se que os visitantes ainda chegaram ao intervalo empatados a um), mas também dentro do expectável, no “derby” do município de Salvaterra de Magos, com a turma da Glória do Ribatejo a bater o Salvaterrense por 2-1, depois, de, também nesta partida, as duas formações terem ido para o descanso igualadas a uma bola.

O conjunto da Glória, com um arranque positivo, emparceira na tabela com equipas cotadas como são as do Abrantes e Benfica ou do Amiense, igualados a cinco pontos, à frente do Coruchense (11.º classificado), que soma apenas três, fruto de uma vitória, tendo sofrido já três desaires. Já o Salvaterrense mantém a posição de “lanterna vermelha”, só com derrotas (quatro).

Taça do Ribatejo – Chegou ao fim a fase prévia desta prova (três jornadas), na qual participaram os clubes da II Divisão Distrital, tendo garantido o apuramento os seis vencedores de série (Forense, Vilarense, Tramagal, Porto Alto, Riachense e Rebocho), assim como os quatro melhores de entre os 2.º classificados, a determinar de acordo com regras de alguma complexidade.

Liga 3 – O U. Santarém, em viagem aos Açores, obteve um bom triunfo em Angra do Heroísmo, ante o Lusitânia (seu rival na disputa pela subida na época passada), por 2-1, tendo o tento decisivo sido apontado já em período de “descontos”, isto depois de, logo aos vinte minutos, os escalabitanos terem começado por se colocar em vantagem.

Ainda com um jogo em atraso, o U. Santarém subiu ao 5.º posto, somente a dois pontos do trio que reparte a vice-liderança – Atlético, Sporting “B” e Caldas, estes já seis pontos abaixo do comandante destacado, Belenenses.

Campeonato de Portugal – O Fátima deu a melhor resposta às inquietações que poderiam começar a pairar, tendo, por fim, à 6.ª jornada, averbado a primeira vitória, por 1-0, ante o União 1919. Somando aos três empates registados, os fatimenses totalizam agora seis pontos, o suficiente para, pela primeira vez, transpor a “linha de água” (ocupam agora o 9.º lugar, a par com o Benfica e Castelo Branco), tendo, pois, deixado a zona de despromoção… o que, no final da temporada, será igualmente relevante para as contas do Distrital (caso o Fátima venha a conseguir assegurar a manutenção, serão apenas dois os clubes a despromover à II Divisão Distrital).

Antevisão – Na 5.ª ronda do escalão principal do Distrital destaca-se o confronto entre Abrantes e Benfica e Ferreira do Zêzere, um sério desafio à campanha triunfal do guia, mesmo que os ferreirenses entrem em campo bastante mais moralizados. Outro embate que se projecta de alta intensidade será o Alcanenense-Fazendense.

Por seu lado, o U. Tomar desloca-se a Alpiarça, onde encontrará uma equipa do Águias muito mais confiante, depois da vitória arrancada em Ourém.

Arranca neste Domingo o campeonato do escalão secundário, realçando-se os encontros: Pontével-Forense (Série A), Vilarense-Tramagal (Série B)

Na Liga 3 estará em pausa a sequência regular do campeonato, aproveitando-se para colocar em dia jogos em atraso, como é o caso do Oliveira do Hospital-U. Santarém, da 1.ª jornada. Também o Campeonato de Portugal sofre um interregno, com a 6.ª ronda agendada apenas para dia 27.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 10 de Outubro de 2024)

13 Outubro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

“Jácome Ratton” – 140 anos de vivências, da Escola e da Cidade


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11 Outubro, 2024 at 7:30 pm Deixe um comentário

“Jácome Ratton” – 140 anos de vivências, da Escola e da Cidade


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10 Outubro, 2024 at 7:30 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 3ª Jornada

(“O Templário”, 03.10.2024)

Tendo vencido, na quarta-feira da passada semana, em Coruche (1-0), e, no Domingo, no Entroncamento (3-0), o Ferreira do Zêzere segue com o pleno de três triunfos, com a particularidade de terem sido obtidos, todos eles, em terreno alheio (depois da vitória em Alpiarça, no arranque do campeonato). Comanda, agora, o campeonato, de forma destacada, apenas o Alcanenense podendo (em caso de ganhar o jogo que tem em atraso) igualar tal registo.

Destaques – Começa, portanto, por realçar-se a forma categórica como o Ferreira do Zêzere se impôs no Entroncamento, ganhando com aparente tranquilidade, confirmando cabalmente o favoritismo que lhe era atribuído: os ferreirenses inauguraram o marcador aos 25 minutos, vindo a fechar a contagem com outros dois tentos, apontados já nos últimos dez minutos da partida.

No que poderia ser considerado como jogo de maior cartaz da 3.ª ronda, o Coruchense, realizando o terceiro jogo sucessivo no seu reduto, recebia o Samora Correia, procurando rectificar os resultados negativos averbados nos dois primeiros desafios, em que fora derrotado pelo Mação e pelo Ferreira do Zêzere. Pois, as coisas voltaram a começar mal para a formação do Sorraia, que se viu em desvantagem ainda antes da meia hora. Não obstante, com excelente reacção, o Coruchense operou a reviravolta ainda antes do intervalo. No segundo tempo, mais dois golos selaram uma moralizadora goleada, por 4-1.

Outra goleada, esta por 4-0, foi o desfecho do embate entre Fazendense e At. Ouriense, impressionando a facilidade com que o grupo das Fazendas se desenvencilhou da turma de Ourém, que vinha de uma notável recuperação (de 0-2 para 2-2), ante o U. Tomar. Com este triunfo, o Fazendense – que começara com um ligeiro “passo em falso”, ao ceder um empate caseiro, precisamente ante o Samora Correia – alcandorou-se já à vice-liderança, (re)afirmando a sua candidatura aos lugares de topo.

A destacar também – mesmo que pudesse ser, de certo modo, um resultado expectável – a vitória alcançada pelo Torres Novas na deslocação a Alpiarça, ante o Águias, mercê de um solitário golo, apontado a findar a primeira metade do encontro, proporcionando aos torrejanos posicionar-se a meio da tabela. Por seu lado, os alpiarcences, com um início de campeonato de elevado grau de dificuldade (tinham defrontado, antes, o líder, Ferreira do Zêzere, e o Samora), situam-se na cauda da tabela, a par do Salvaterrense, tendo somado três desaires em outras tantas jornadas.

Surpresa – O desfecho mais inesperado registou-se no Abrantes e Benfica-Glória do Ribatejo, não tendo o até então 3.º classificado conseguido ganhar ao 11.º, saldando-se este confronto por uma igualdade a um golo. Foram, aliás, os visitantes a marcar primeiro, na parte final do primeiro tempo, não tendo os abrantinos logrado melhor do que restabelecer o empate, com cerca de vinte minutos decorridos na segunda parte. O Abrantes está agora no 5.º lugar, enquanto a turma da Glória passou a repartir a 11.ª posição com o U. Tomar.

Confirmações – Os resultados dos três restantes jogos enquadram-se no que seriam as projecções, mesmo que tenham tido incidências diferenciadas.

Começando pelo Amiense-Mação, os comandados de Marco Marques continuam a dar boa conta de si, tendo feito um dos anteriores guias, Mação, perder pontos, face ao resultado de 1-1. Também neste caso, e à semelhança do que se verificara no primeiro dia, ante o Cartaxo, o grupo dos Amiais esteve a ganhar praticamente até ao fim, tendo deixado escapar a vitória a cinco minutos do termo do prélio. O Amiense integra um trio, com Abrantes e Benfica e Cartaxo, no 5.º posto.

Justamente, o Cartaxo, que, ainda antes do arranque da temporada, se perfilou como candidato, obteve a sua primeira vitória, outra vez com um golo “in extremis”, na visita a Salvaterra de Magos: os cartaxeiros marcaram o tento decisivo (único da partida) ao minuto 90+7… numa altura em que, paradoxalmente, se encontravam reduzidos a nove elementos, após terem sofrido duas expulsões, aos 80 e 90+5 minutos! Esta foi a terceira derrota do Salvaterrense, depois das goleadas sofridas ante o Abrantes e Benfica e o Alcanenense.

Deixamos para o fim, precisamente, o desafio que colocou frente-a-frente as equipas de Alcanena – a única que, a par do comandante, conta por vitórias os jogos disputados (neste caso, apenas dois), posicionando-se, mesmo com um jogo a menos, no 4.º lugar da tabela – e de Tomar.

O Alcanenense, ainda sob o comando técnico de José Torcato, patenteou superioridade exibicional durante quase todo o tempo, acabando por ser natural o desfecho de 2-0 a seu favor, no que constitui a primeira derrota do U. Tomar, ainda sem ter conseguido estrear-se a ganhar. Em qualquer caso não será este desaire de molde a causar maior “alarme”, se recordarmos que, também no último embate entre os dois emblemas, há duas épocas – quando o União se sagrou Campeão – fora o conjunto de Alcanena a levar a melhor, ali tendo vencido, então, por 3-2.

Liga 3 – O U. Santarém tinha um tão aliciante quão difícil compromisso, recebendo o líder, o histórico Belenenses. Os azuis do Restelo cedo adquiriram vantagem, à passagem do quarto de hora, mas os escalabitanos ripostariam, empatando por volta dos trinta minutos. Na segunda parte, depois de o Belenenses se ter recolocado na posição de vencedor, o U. Santarém não teria já argumentos para contrariar a superioridade adversária, traduzida no 1-2 final.

O Belenenses segue destacadíssimo no comando, após a disputa da 7.ª jornada, com cinco pontos a mais que o 2.º classificado, Caldas – e já com “margem” de oito pontos face à linha que traça os quatro clubes que se apurarão para a fase final, mesmo que haja alguns concorrentes com um jogo em atraso, caso do U. Santarém, actual 6.º classificado, com sete pontos (a dois do 4.º lugar).

Campeonato de Portugal – Começam a ser de alguma forma inquietantes os sinais que o Fátima vem transmitindo, na esteira do que tem sido o desempenho geral dos emblemas do Distrito nesta competição: após cinco rondas, os fatimenses não conseguiram ainda vencer, não tendo ido além de três empates, partilhando a última posição da série com o Mortágua.

Deslocando-se à Marinha Grande, o Fátima chegou a dispor de dois tentos de vantagem, mas isto numa fase em que o seu guardião defendera já duas grandes penalidades! Depois, com o Marinhense em inferioridade numérica durante toda a segunda parte, tal não obstou a que a equipa da casa conseguisse chegar ainda à igualdade (2-2) com dois golos entre os 60 e os 80 minutos.

Antevisão – A 4.ª jornada do Distrital integra um lote de bem interessantes confrontos, desde logo o U. Tomar-Fazendense, mais um teste de elevado grau de dificuldade para os unionistas; mas, também, o Mação-Abrantes e Benfica, o Cartaxo-Alcanenense ou o Torres Novas-Coruchense.

O Ferreira do Zêzere é favorito, não obstante tenha a visita do ainda invicto Amiense. Uma nota ainda para o sempre aliciante “derby” municipal, entre Glória do Ribatejo e Salvaterrense.

Na 8.ª ronda da Liga 3, o U. Santarém viaja até aos Açores, a Angra do Heroísmo, para defrontar o Lusitânia (9.º), reeditando os embates da época passada, em que foram estes os dois emblemas promovidos na Zona Sul do Campeonato de Portugal. Nesta outra prova, na sua 6.ª jornada, o Fátima procura alcançar o primeiro triunfo, recebendo o União 1919 (actual 5.º classificado).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 3 de Outubro de 2024)

6 Outubro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

“Jácome Ratton” – 140 anos de vivências, da Escola e da Cidade

De que se constrói a história de uma escola? Que ingredientes entram na confecção deste prato?

De tão intuitivas que são as respostas, não perdemos tempo, sequer, a reflectir sobre elas.

Uma escola é feita, em primeira instância, dos seus espaços (de vivências, aprendizagem e convívio), e, igualmente, dos seus tempos ou eras. De agentes vivos, professores, alunos, directores e restante pessoal não docente. Mas, também, claro, dos seus cursos, disciplinas, programas, matérias, exames, prémios, assim como de excursões, visitas de estudo e actividades extra-curriculares, de cariz lúdico-cultural. Outrossim, dos livros, manuais escolares e bibliotecas. Ainda, de orçamentos, contas de receitas e despesas, tal qual, necessariamente, das leis que enquadram e regem o seu funcionamento.

Eis, de uma forma bem singela, do que trata este livro.

Uma publicação desta natureza, narrando a história de uma instituição, não se submete a poder ser escrita à vontade do autor, a seu livre arbítrio e imaginação, maleável como se de uma obra de ficção se tratasse; é necessário cingir-nos aos factos. E, isto, numa óptica inevitavelmente parcelar, limitada à factualidade disponível, de que foi possível identificar e apurar as correspondentes bases.

Um trabalho que pressupõe pesquisar, coligir, sistematizar e sintetizar um vastíssimo conjunto de fontes, impressas (livros, teses de Doutoramento e Mestrado, artigos publicados em revistas de perfil académico e científico, relatórios técnicos, jornais, bem como a consulta de uma também ciclópica colectânea de legislação) e manuscritas (numerosos livros de actas, de diferentes órgãos colegiais da Escola) – para além do infindável manancial de informação que, ao dia de hoje, a Internet propicia (sem a qual, aliás, não teria sido possível, nos moldes em que é apresentado, a feitura deste livro) –, com inelutáveis descontinuidades e omissões, num quadro de investigação eminentemente individual, sem prazo ilimitado.

De Escola de Desenho a Escola Secundária, durante curto período com a inédita denominação de Escola de Carpintaria e Serralharia de Carruagens, acima de meio século Escola Industrial e Comercial, a (mais do que) centenária história  deste estabelecimento de ensino – cuja existência se estende, aliás, já por três centúrias – abarca, como camadas camaleónicas, histórias de algumas diferenciadas escolas, numa lógica de complementaridade, em vários estágios, em que estão bem presentes as suas idiossincrasias, que lhe conferem uma individualidade e identidade próprias, tendo por missão prioritária uma formação vocacionada para a plena inserção dos seus alunos na sociedade.

Uma escola multifacetada, resiliente, sempre com a capacidade de se reinventar, constituindo-se num pólo de referência a nível regional. Sendo, inicialmente, uma escola técnica, de índole industrial, continua a ter hoje – 140 anos volvidos –, como seu bastião, os cursos técnico-profissionais que faculta.

Esta é uma história em que se optou por uma sequencialidade de tipo diarístico, abordando, tanto quanto possível, ano lectivo após ano lectivo.

Para tal começa este estudo por ser tributário dos circunstanciados “Relatórios anuais da Inspecção”, de Fonseca Benevides, na fase de arranque do ensino industrial em Portugal, de 1884 a 1891, integrando minuciosas descrições, quais pérolas imperdíveis que importa recuperar.

Recorre-se, também, em larga fase, a uma ampla selecção de trechos das actas do “Conselho Escolar” e do “Conselho Administrativo”, como de livros de registo de correspondência, por via dos quais é possível sentir com maior acuidade o pulsar do dia-a-dia da vida da escola, visando fixar e perenizar a sua memória.

Alicerçando-se esta história, simultaneamente, no precioso repositório facultado pela imprensa, numa pesquisa que se espraia por mais de um século de edições de diversos jornais locais.

***

O registo das vivências da escola – nas várias acomodações que foi ocupando, desde a inauguração das actividades lectivas, à luz de candeeiros a petróleo, na noite de 9 de Dezembro de 1884, num imóvel com peculiar ligação às invasões francesas, à breve passagem pela Rua Dr. Sousa (por curiosa coincidência um seu antigo professor) e, já no final dos anos 20, à transferência para a Rua da Graça, até à festiva inauguração das actuais instalações, a 27 de Abril de 1958 – é, em paralelo, acompanhado por pinceladas sobre as vivências da cidade, a par da necessária contextualização, em cada época, no devir da história do País.

Assim, para além do inventário das principais actividades comerciais e industriais à data do arranque da escola, no final do século XIX, podemos, revisitando Fernando Araújo (“Nini”) Ferreira, visualizar, qual tela animada, o bulício da Tomar da década de vinte da centúria passada. Assistimos, ainda, à apoteótica chegada do comboio inaugural à cidade, tal como à edificação de estruturantes obras públicas: balizas de cariz indelével, como a Barragem de Castelo do Bode, ou, noutra escala, o novo mercado, o então designado “Bairro Salazar”, o parque do Mouchão e o campo de jogos; a inauguração do Cine-Teatro e da piscina municipal “Vasco Jacob”, da nova ponte sobre o Nabão, do Palácio da Justiça, bem como dos Hospitais e das Bibliotecas municipais. Ou, no que respeita à iniciativa privada, do Hotel dos Templários.

Como “pano de fundo”, detemo-nos, necessariamente, em momentos marcantes da história contemporânea de Portugal, como o final da Monarquia, a vasta teia de implantação do regime do “Estado Novo”, as eleições para a Assembleia Nacional do final dos anos 30 e da década de 60, sinalizando períodos de profunda interpenetração entre a vida da escola e a política, a guerra colonial, e o 25 de Abril.

Noutra vertente, relativa ao sistema de educação e instrução, procura ainda recuperar-se, de forma inevitavelmente abreviada, a memória das origens e do percurso de outros estabelecimentos de ensino de Tomar, desde os emblemáticos Colégios Nun’Álvares ao frustrado Pólo Universitário de Tomar, passando pela Escola Primária Superior, Liceu Nacional de Tomar, Instituto Politécnico, ou Escola Profissional de Tomar, também com espaço para “pontos de situação” sobre o panorama do ensino no Município.

Enquanto grandes linhas delimitadoras, enquadrando e regendo o funcionamento da escola, ensaia-se, neste livro, uma súmula do vastíssimo conjunto de iniciativas legislativas respeitantes à área do ensino – distribuídas ao longo de todo o período, de cerca de século e meio, nele abarcado. Neste plano, por aqui se vão sucedendo: a profusa produção de diplomas da fase final da Monarquia e início da República; o delinear do sistema de educação do “Estado Novo”; a Reforma do Ensino Técnico, de 1947/1948; as tentativas modernizadoras do ministro Leite Pinto; a “Reforma Veiga Simão”; do mesmo modo que a introdução de inovações como o Ciclo Preparatório, a Telescola, o Ensino Unificado, o Serviço Cívico Estudantil e o regime de numerus clausus, o Ano Propedêutico e o 12.º ano de escolaridade, e, mais recentemente, a “Iniciativa Novas Oportunidades”, ou o Processo de Bolonha.

Regressando ao cenário mais específico da escola, para além de breves notas biográficas respeitantes ao seu patrono e a alguns dos directores com papel mais vincado, faz-se ainda menção ao respectivo património museológico, à Biblioteca Escolar Guilherme d’Oliveira Martins e ao “Bibliotecando em Tomar”, como também à inserção no Agrupamento de Escolas Templários.

Por fim, dá-se ainda voz a antigos alunos, por via da compilação de breves testemunhos, com base em excertos de entrevistas publicadas num dos periódicos tomarenses.

***

Este livro encontra-se sistematizado em cinco partes, coincidindo com cada uma das designações que a escola teve desde a sua criação: (I) Escola de Desenho Industrial / Escola Industrial (1884-1919); (II) Escola de Artes e Ofícios – Escola de Carpintaria e Serralharia de Carruagens (1919-1924); (III) Escola Industrial e Comercial de Jácome Ratton (1924-1948); (IV) Escola Industrial e Comercial de Tomar (1948-1979); e (V) Escola Secundária de Jácome Ratton (desde 1979).

Com efeito, a actualmente denominada Escola Secundária de Jácome Ratton começou por ser, na sua génese, na parte final do século XIX, uma escola de desenho, a Escola de Desenho Industrial Jácome Ratton, logo integrando, nessa fase, a vanguarda do ensino técnico-profissional em Portugal, anotando-se que mediou menos de um ano entre a promulgação do acto jurídico instituidor de novo regime do ensino industrial em Portugal (em Janeiro de 1884) e a inauguração da sua actividade lectiva – a 9 de Dezembro desse mesmo ano –, após ter sido legalmente criada no mês de Maio.

Principiou por funcionar na Rua Direita da Várzea Pequena (actual Rua Silva Magalhães), em propriedade que corresponderia à então também designada “Casa Nova da Rua da Capela”, numa área em que se preserva, ainda hoje, um avarandado com grades feitas de canos de espingarda, com que os tomarenses se dispunham a resistir às invasões francesas, tendo, nessa ocasião, valido a providencial intervenção de Ângela Tamagnini.

Os primeiros alunos, em número de 38, estavam repartidos por duas classes: de Desenho Elementar, diurna, para crianças de seis a doze anos (com apenas dois discípulos, no ano de arranque); e de Desenho Industrial (abrangendo os ramos ornamental, arquitectural e mecânico), nocturna, destinada a adultos, tendo profissões diversas como carpinteiros, serralheiros ou pedreiros. Começariam por aprender os rudimentos do desenho, utilizando como material pequenos quadros de lousa, giz, papel estigmográfico, papel almaço, carvões e lápis.

Nos primórdios, entre os anos de 1884 e 1919, o seu estatuto vagueou entre “Escola de Desenho Industrial” e “Escola Industrial” – alargando-se a esfera do ensino, então na denominada Escola Industrial Jácome Ratton, às disciplinas de: Aritmética e geometria elementar; Princípios de física e elementos de mecânica; e Língua francesa; para além do Desenho industrial (sendo que, de facto, por vicissitudes externas, tal acabaria por vigorar apenas num muito efémero período, de 1889 a 1891).

Em paralelo, a escola disporia, a partir de 1887, de uma oficina de trabalhos em madeira/carpintaria, a qual começou por funcionar no “Palácio dos Valles”, na Rua Larga (actual Rua Marquês de Pombal), tendo sido criada outra oficina, de trabalhos em metal/serralharia, no ano lectivo de 1890-1891.

Em função de nova orgânica legal entretanto estabelecida, viria a passar, entre 1919 e 1924, a “Escola de artes e ofícios”, com a designação de Escola de Carpintaria e Serralharia de Carruagens de Jácome Ratton, noutro curto ciclo, no qual, verdadeiramente, nunca chegou a materializar a que seria a sua vocação.

Quatro décadas após a instituição e entrada em funcionamento, a escola de Tomar registaria então, por Decreto de 21 de Novembro de 1924 – acerca-se agora, precisamente, o respectivo centenário –, assinalável evolução, com a extensão do seu âmbito, consubstanciando um primacial ponto de viragem na sua história, numa importante promoção no contexto do panorama dos estabelecimentos de ensino técnico em Portugal, decorrendo da elevação à categoria de escola industrial e comercial, com a denominação Escola Industrial e Comercial de Jácome Ratton.

Deste modo, na sua secção industrial, ministrar-se-ia, a partir do ano de 1925, o ensino da serralharia mecânica e civil, sejaria e trabalhos femininos; e, na nova secção comercial, o ensino das escolas comerciais (nesta primeira fase, o Curso Elementar do Comércio). Nessa oportunidade as aulas teóricas do curso Comercial foram transferidas para outras instalações, sitas na Rua Dr. Sousa, no designado “Palácio Alvim”.

Entretanto, em 1929, a escola – cujos cursos industriais teriam vindo a funcionar, desde o final de 1917, em imóvel sito na Rua Marquês de Pombal – passara a operar na Rua da Graça (actual Avenida Dr. Cândido Madureira), num prédio pertencente à firma Manuel Mendes Godinho & Filhos, mandado edificar com esse fim.

Já no decurso da década de 30 do século XX a escola dispunha então dos cursos de: Serralheiro mecânico; Carpinteiro-segeiro (depois comutado em curso de Marceneiro); Costura e bordados; e Comércio.

Em 1948 a sua designação converter-se-ia em Escola Industrial e Comercial de Tomar, passando, na esfera da Reforma do Ensino Técnico, a prover os seguintes cursos: Ciclo Preparatório; Curso complementar de Aprendizagem de Electricista (mais tarde, o Curso de Montador Electricista); e os Cursos de Formação de: (i) Serralheiro; (ii) Carpinteiro-marceneiro; e (iii) Formação Feminina; assim como o Curso Geral de Comércio (posteriormente, também o Curso complementar de Aprendizagem de Comércio); para além do Curso de mestrança de Encarregado de obras.

Só dez anos mais tarde, a 27 de Abril de 1958, seria inaugurada a nova edificação da escola, implantando-se no local em que subsiste até à actualidade, em imóvel especificamente construído (com base no modelo de projectos-tipo de escolas de ensino profissional então implementado), sito na Av. D. Maria II. Estas instalações foram, entre 2009 e 2011, sujeitas a amplos trabalhos de remodelação, compreendendo ainda a construção de raiz de dois novos edifícios.

Já no transcurso para os anos 60, foi introduzido na escola, numa inovação de âmbito nacional, o curso de Técnico Papeleiro. No início dessa mesma década passava-se a proporcionar também, aos estudantes, secções preparatórias para acesso aos Institutos Industriais e Comerciais.

Beneficiando, por um lado, da localização central no plano geográfico do País, e, por outro, da sua antiga fundação, a área de influência da escola estendia-se, tradicionalmente, a localidades mais ou menos distantes: até meio caminho de Coimbra (Figueiró dos Vinhos), a Norte; até próximo de Santarém, a Sul; a Ourém, a Oeste; ao triângulo formado por Sertã, Oleiros e Proença-a-Nova, a Nascente. Procurando uma maior proximidade, alargar-se-ia, também por essa época, tendo sido criadas Secções no Entroncamento (1964) e em Ourém (na viragem do decénio) – as quais viriam, anos depois, a autonomizar-se, respectivamente na Escola Industrial do Entroncamento (Dezembro de 1968) e na Escola Técnica de Vila Nova de Ourém (Outubro de 1971).

No ano lectivo de 1972-1973 a escola estaria na antecâmara do ensino politécnico em Tomar, ensaiando o lançamento do curso de “Habilitação Complementar para os Institutos”, orientado para as seguintes especialidades: Contabilidade e Administração; Electricidade e Máquinas; e Celulose e Papel, cuja aprovação constituiria habilitação de acesso a subsequentes estudos universitários.

Anunciando-se na imprensa, na abertura do ano imediato, no contexto da designada “Reforma Veiga Simão”, a introdução de cursos complementares do ensino técnico secundário – visando também o acesso ao ensino superior, assim como a formação profissional –, nos sectores Industrial (cursos de Mecanotecnia, Electrotecnia e Construção Civil), de Serviços (cursos de Contabilidade e Administração e de Secretariado e Relações Públicas) e das Artes Visuais (curso de Artes dos Tecidos).

Entrementes, na sequência do 25 de Abril, logo a partir do ano de 1975 (num processo que perpassaria até 1977), começara a ser instituído o “Ensino Secundário Unificado” (7.º ao 9.º anos de escolaridade), por meio da fusão, num tronco comum de estudos, das vias liceal e técnica – caracterizado por um perfil curricular predominantemente liceal, o que, em termos práticos, viria a resultar na abolição do ensino técnico tradicional, tal como fora praticado na escola de Tomar por largas décadas.

No ano lectivo de 1978-1979 seria igualmente unificado o “Ciclo Complementar do Ensino Secundário” (com a introdução dos 10.º e 11.º anos de escolaridade). Já antes (1977-1978) fora ainda criado o chamado “Ano Propedêutico”, de preparação para o ingresso no ensino superior – o qual acabaria por converter-se, a partir de Julho de 1980, no 12.º ano de escolaridade.

Por diploma legal de Abril de 1978 a própria denominação das escolas foi também uniformizada, passando a ter a designação genérica de “Escolas Secundárias”; para, no ano imediato, pela Portaria n.º 608/79, de 22 de Novembro, ser, então, atribuída à escola a denominação oficial que subsiste actualmente: Escola Secundária de Jácome Ratton.

Em 1987-1988 a escola de Tomar foi uma das pioneiras na implementação de novo sistema de ensino, designado por “3.º Ciclo do Ensino Básico por Unidades Capitalizáveis” (abarcando áreas como as de Administração, Serviços e Comércio; e de Comunicação e Animação Social). Em 1993-1994 começaria também a funcionar na escola o “Ensino Secundário por Unidades Capitalizáveis” (com cursos de cariz geral, orientados para o prosseguimento de estudos, e, por outro lado, cursos de índole profissionalizante). Já em 2001-2002 arrancava também, a título experimental, o “3.º Ciclo do Ensino Básico por Blocos Capitalizáveis” (área técnica de Tecnologias da Informação e Comunicação).

O ensino profissional era, a partir do ano de 2005, com o lançamento do programa “Iniciativa Novas Oportunidades” – incorporando dois eixos distintos, um relativo a vias profissionalizantes de qualificação para jovens; e um outro, orientado para a população adulta que não concluíra o ensino secundário, conferindo-lhe a possibilidade de terem as suas competências reconhecidas –, alargado às escolas secundárias.

A escola começaria por acolher os denominados “Cursos EFA – Cursos de Educação e Formação de Adultos”, destinados a pessoas com idade a partir de 18 anos, sem a qualificação adequada para efeitos de inserção ou progressão no mercado de trabalho e, prioritariamente, sem a conclusão do ensino básico ou do ensino secundário.

Já em 2021 foi firmado, em Tomar, inovador protocolo de cooperação, relativo à criação da designada “Escola de Segunda Oportunidade” – programa de intervenção direccionado para jovens (entre os 15 e os 25 anos) que tivessem abandonado o sistema educativo, e que se pudessem encontrar em risco de exclusão social –, com a participação do Agrupamento de Escolas Templários, de que a escola é sede.

No decurso de uma larga trajectória, a caminho de século e meio, vincaram actuação especialmente notável alguns dos seus directores, entre outros: Cipriano Martins (primeiro professor da escola, de 1884 a 1888), Manuel Henrique Pinto (1889-1911), José Maria Tamagnini (1925-1927 / 1941-1951), Samuel de Oliveira (1929-1939), Fernando Gonçalves da Silva (1939-1941), Júlio Dias das Neves (1956-1974) ou, em anos mais recentes, José António Rodrigues Possante (1985-1989 / 1991-1996 / 2009-2013).

Presentemente a oferta formativa da escola abrange, para além de várias turmas do 7.º ao 12.º ano de escolaridade (Cursos Científico-Humanísticos, como as Artes Visuais, Ciências e Tecnologias, Ciências Sócio-Económicas e Línguas e Humanidades, e Cursos Profissionais), também outras turmas, dos cursos EFA – Educação e Formação de Adultos, CEF – Cursos de Educação e Formação, assim como de Português para estrangeiros, com um total na ordem das oito centenas de estudantes (alargando-se a cerca de 2.200 alunos no conjunto do Agrupamento).

5 Outubro, 2024 at 9:30 pm Deixe um comentário

“Jácome Ratton” – 140 anos de vivências, da Escola e da Cidade





5 Outubro, 2024 at 9:00 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 2ª Jornada

(“O Templário”, 26.09.2024)

Será, por ora, líder à condição (dado Alcanenense e Ferreira do Zêzere terem tido, ambos, um jogo adiado), mas o Mação, único clube a somar duas vitórias nas duas jornadas iniciais, surge destacado no comando do campeonato.

Destaques – O principal destaque da 2.ª ronda vai para o triunfo do Fazendense em Torres Novas, por 2-0, com a turma das Fazendas, de alguma forma, a rectificar a perda de pontos (empate caseiro cedido) da estreia. Os visitantes cedo se colocaram em vantagem, à passagem do quarto de hora, vindo a fixar o resultado ainda antes do intervalo, não tendo permitido veleidades aos torrejanos até final da partida.

Em evidência esteve também o Alcanenense, que teve um bom arranque de prova, indo ganhar por números categóricos (3-0) a Salvaterra de Magos. Depois da goleada sofrida em Abrantes, o Salvaterrense não podia ter entrado pior em jogo, sofrendo um golo logo no primeiro minuto. Os forasteiros ampliaram a contagem aos 25 minutos, estabelecendo o resultado final a três minutos do termo do tempo regulamentar. Ainda sem ter conseguido marcar qualquer golo, e somando já sete tentos sofridos, este é um muito mau início de temporada do grupo de Salvaterra.

Depois de um jogo bem conseguido na semana anterior, frente ao Cartaxo, o Amiense voltou a dar boa conta de si, tendo ido vencer ao terreno do Glória do Ribatejo, mercê de um solitário golo, apontado por Diogo Ismail, já dentro do último quarto de hora. O conjunto dos Amiais integra o quarteto de vice-líderes, a par de Abrantes e Benfica, Fazendense e Samora Correia, emblemas que se perfilam como sérios candidatos aos lugares cimeiros.

O U. Tomar tinha uma difícil deslocação a Ourém, para defrontar o At. Ouriense, e tudo parecia muito bem encaminhado, quando, depois de ter inaugurado o marcador logo aos seis minutos, Wemerson Silva bisou, logo no primeiro minuto da segunda metade, proporcionando aos unionistas uma importante vantagem de dois golos.

Todavia, algo inesperadamente, ao contrário do que sucedera na semana anterior, os tomarenses pareceram claudicar em termos físicos na última meia hora de jogo, permitindo aos locais exercer forte pressão, mesmo que baseada em sucessivos cruzamentos para a área, mas que viria a frutificar: primeiro, reduzindo para 1-2, por volta dos 70 minutos; depois, acabando por chegar à igualdade (2-2) já com três (de sete) minutos de tempo de compensação decorridos.

Até final, o União teve de sofrer ainda bastante, tendo estado à mercê de um possível terceiro golo do adversário, que, com alguma fortuna para as suas cores, acabou por não suceder.

Confirmações – No embate que, à partida, se antevia como sendo o principal desta jornada, o Cartaxo voltou a não ir além do empate, na recepção ao Abrantes e Benfica, equipa igualmente com forte ambição, tendo o nulo no marcador subsistido até final. Os cartaxeiros repartem uma posição, precisamente a meio da tabela, com o U. Tomar, contando ambos por empates os jogos até agora disputados.

O líder, Mação, tendo voltado a triunfar, fê-lo, outra vez, por margem tangencial, desta feita em casa, e perante um adversário em teoria menos apetrechado, o recém-promovido Entroncamento AC. Os maçaenses marcaram perto da meia hora de jogo (por intermédio de Chrystian Pedroso), não tendo, durante todo o tempo restante, conseguido ampliar a contagem, de forma a assegurar absoluta tranquilidade quanto ao desfecho da partida.

O Samora Correia, recebendo outro dos novos primodivisionários, Águias de Alpiarça, venceu com naturalidade, por 2-0, com golos quase a abrir (12 minutos)… e quase a fechar (80 minutos).

O encontro sobrante desta 2.ª ronda, colocando frente-a-frente o Ferreira do Zêzere e o Coruchense, foi agendado para esta quarta-feira, dia 25 de Setembro, devido ao facto de os ferreirenses terem disputado, no Domingo, a 2.ª eliminatória da Taça de Portugal. Para além da alteração de data, foi também invertida a ordem dos jogos, deslocando-se a turma do Zêzere à vila do Sorraia.

Após a realização das duas primeiras jornadas (ainda sem contar com os dois jogos adiados), para além de Wemerson Silva (U. Tomar), também Chrystian Pedroso (At. Ouriense), Leonardo Lista (Alcanenense) e Torres Gomez (Fazendense) marcaram já dois golos, cada um deles.

Taça de Portugal – Os três clubes representantes do Distrito que subsistiam ainda em prova não deslustraram, mas a verdade é que apenas o U. Santarém avança para a 3.ª eliminatória (1/32 avos de final) da Taça de Portugal, na qual entrarão em liça os emblemas da I Liga.

Os escalabitanos beneficiaram do facto de terem defrontado um adversário dos Distritais, Monção (A. F. Viana do Castelo), tendo vencido, pese embora por tangencial 2-1 (tendo o golo dos visitantes sido apontado já no minuto noventa).

Os outros dois encontros, tendo tido desfecho análogo, tiveram algumas vicissitudes específicas.

No caso do Fátima, recebendo a Sanjoanense (equipa que milita na Liga 3), manteve o empate a zero, não só até final do tempo regulamentar, como também do prolongamento, decidindo-se a eliminatória, a favor da formação de São João da Madeira, apenas no desempate da marca de grande penalidade.

Já o Ferreira do Zêzere, tal como os outros dois emblemas do Distrito, actuando também na condição de visitante, mas, neste caso, em partida realizada em Alvaiázere, defrontando Os Sandinenses (do Campeonato de Portugal), praticamente entrou a ganhar (marcando ao quarto minuto). Porém, ainda antes do intervalo, ficou reduzido a dez elementos, tendo jogado até final do tempo regulamentar em inferioridade numérica.

Ainda assim, os visitantes só viriam a chegar ao tento do empate a escassos dois minutos do fim da partida. No prolongamento, apesar de Os Sandinenses terem tido também um jogador expulso logo no minuto inicial, alcançariam o golo que lhes conferiu o triunfo (2-1), a fechar a primeira metade desse tempo extra.

Antevisão – A 3.ª ronda do Distrital, agendada para este Domingo, terá como jogo de maior cartaz o Coruchense-Samora Correia (com o conjunto do Sorraia a realizar o terceiro jogo sucessivo no seu reduto). O líder, Mação, tem uma sempre difícil visita ao Campo da Azenha, nos Amiais; deslocando-se o Ferreira do Zêzere ao Entroncamento. Outros jogos de interesse serão o Alcanenense-U. Tomar e o Fazendense-At. Ouriense.

Na Liga 3, já na 7.ª jornada, o U. Santarém enfrenta um aliciante desafio, recebendo o histórico Belenenses, comandante destacado da respectiva série. Por seu lado, no Campeonato de Portugal (5.ª ronda), cabe ao Fátima visitar a Marinha Grande, para defrontar o Marinhense (actual 5.º classificado), que segue nesta altura, com um registo de um único triunfo e três empates.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 26 de Setembro de 2024)

29 Setembro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 1ª Jornada

(“O Templário”, 19.09.2024)

A dois meses de se completar o centenário da Associação de Futebol de Santarém, teve início no passado Domingo a 101.ª edição do seu principal campeonato, cuja ronda inaugural fica assinalada pelos quatro empates averbados, no total de sete jogos disputados. Apenas o Abrantes e Benfica, o Ferreira do Zêzere e o Mação conseguiram vencer, partilhando, pois, a liderança.

Destaques – A equipa de Mação esteve em particular evidência, tendo vencido, em terreno alheio, o Coruchense, equipa que tinha finalizado a época anterior em bom momento de forma. Num desafio que opunha o 5.º e 6.º classificados do precedente campeonato, visando ambos os clubes os lugares cimeiros da tabela, os maçaenses cedo se colocaram em vantagem, estavam decorridos apenas dez minutos. À passagem dos dez minutos, mas do segundo tempo, a turma do Sorraia restabeleceu a igualdade, mas o grupo de Mação reporia a vantagem, ainda a cerca de vinte minutos do final, não se tendo alterado o 1-2 até ao termo do desafio.

Também vencedor fora de casa foi o Ferreira do Zêzere, vice-campeão distrital e recente vencedor da Taça do Ribatejo, renovando a sua forte ambição para esta temporada, que se impôs por convincente marca de 3-1 em Alpiarça, ante o último Campeão Distrital da II Divisão, Águias. Os ferreirenses chegaram à vantagem de dois golos pouco depois da meia hora de jogo, não tendo os alpiarcenses conseguido melhor que reduzir à beira do intervalo. Seria já em período de compensação, após os noventa minutos, que os visitantes fixariam o marcador.

O 3.º classificado do campeonato anterior, Abrantes e Benfica, teve também uma entrada fulgurante, goleando, por 4-0, o Salvaterrense, com a particularidade de o resultado ao intervalo (2-0) ter sido alcançado por via de dois golos apontados na própria baliza pelos homens de Salvaterra. Na etapa complementar, a contagem foi ampliada até aos quatro tentos, quando restavam ainda mais de vinte minutos por jogar. Um triunfo categórico e tranquilo, ficando por aquilatar, mais adiante, o peso relativo do binómio fortaleza abrantina / fragilidade salvaterrense.

Mas o jogo histórico nesta ronda inicial disputou-se em Tomar, no “clássico dos clássicos”, colocando frente-a-frente, pela 100.ª vez em encontros oficiais, desde o prélio de estreia em 1945 – a contar para Campeonatos Nacionais (II e III Divisão) e Distritais, Taça de Portugal, Taça do Ribatejo e Supertaça Dr. Alves Vieira – o União de Tomar e o Torres Novas. Após este embate, o balanço geral dessas 100 partidas salda-se por ligeira vantagem dos unionistas, com um total de 42 vitórias, face a 38 dos torrejanos, tendo-se registado o 20.º empate entre os dois emblemas.

Foi também bem repartido este 100.º desafio, no retorno dos unionistas ao Distrital após breve passagem pelo Campeonato de Portugal. Apresentando-se com uma equipa renovada, num plantel ainda em reconstrução, enfrentando um adversário bastante rotinado, os tomarenses começaram por conceder a iniciativa aos forasteiros. Tendo serenado, seriam até os unionistas a chegar primeiro ao golo, logo aos 24 minutos, vantagem que lograram manter durante largo tempo, depois de terem também conseguido controlar o jogo.

Na segunda metade, naturalmente, os torrejanos surgiram mais afoitos, empurrando o adversário para o seu meio-campo, porfiando, até restabelecerem a igualdade, a vinte minutos do final. Refrescando o onze, com a entrada em campo de alguns jovens elementos, o União viria a superiorizar-se em termos físicos, tendo criado mais perigo até final, sem que, contudo, o desfecho se alterasse. Um resultado justo, que traduz apropriadamente os diversos cambiantes do encontro.

Surpresas – Não terão sido enormes surpresas, mas não seriam porventura os resultados mais expectáveis, outros dois empates (igualmente a uma bola): em Amiais de Baixo, entre o Amiense e o Cartaxo; e nas Fazendas de Almeirim, entre Fazendense e Samora Correia.

O Fazendense, que, tradicionalmente, se perfila como um dos principais candidatos, recebendo um bom conjunto, de Samora, viu-se inclusivamente a perder, a sete minutos do termo da partida, apenas tendo alcançado o tento do empate mercê de uma penalidade já em tempo de compensação.

Nos Amiais, a turma local esteve em vantagem durante mais de uma hora, frente ao Cartaxo, assumido candidato ao título – pese embora tenha sofrido, ainda antes do arranque da competição, um revés, com a renúncia de Jorge Peralta às funções de responsável técnico –, que não fez melhor do que empatar, também com um golo “fora de horas”, ao minuto 97.

Confirmação – Entroncamento AC e Glória do Ribatejo, os outros dois recém-promovidos (a par do Águias de Alpiarça) – por curiosidade, como que reeditando, neste arranque de temporada, o último jogo oficial que tinham realizado, na derradeira jornada da fase final do Distrital da II Divisão da época precedente, também entre ambos –, neutralizaram-se, não tendo desfeito o nulo.

Ficou pendente, tendo sido adiado, previsto para 31 de Outubro, o último jogo desta ronda, no qual o Alcanenense deverá receber o At. Ouriense.

Liga 3 – Após seis jornadas – mas contando um jogo em atraso – o U. Santarém posiciona-se, por ora, num bom 5.º posto (somando duas vitórias, um empate e duas derrotas), somente a um ponto dos lugares de acesso à disputa da fase final. Os escalabitanos averbaram, no passado fim-de-semana, um resultado positivo, empatando a um golo em terreno alheio, face ao 1.º Dezembro.

Campeonato de Portugal – Esta outra prova, também de âmbito nacional, atingiu já a sua 4.ª ronda, sendo o único representante do Distrito, o Fátima, actual penúltimo classificado da sua série, não tendo ido além de dois empates, tendo visto escapar mais um ponto, no Domingo, na recepção ao Peniche, tendo sofrido o único golo do desafio já “ao cair do pano”.

Antevisão – Na 2.ª jornada do Distrital o União de Tomar desloca-se a Ourém, para defrontar o At. Ouriense, clube que, na passada época, lutou pela permanência até ao último jogo. Destacam-se também os seguintes desafios: Cartaxo-Abrantes e Benfica; Torres Novas-Fazendense; e Coruchense-Ferreira do Zêzere (este, agendado para quarta-feira, dia 25, em Coruche, devido a inversão da condição de visitante e visitado, em função do compromisso dos ferreirenses na Taça).

De facto, realizam-se, neste fim-de-semana, as partidas da 2.ª eliminatória da Taça de Portugal, em função do que a Liga 3 e o Campeonato de Portugal estarão em pausa.

Dos quatro representantes que o Distrito de Santarém contava à partida na prova, apenas o Abrantes e Benfica foi afastado na eliminatória inicial (no fim-de-semana de 8 de Setembro), tendo perdido (0-2), no seu reduto, ante o Operário de Lagoa (Açores); por seu lado, U. Santarém e Ferreira do Zêzere (que registou a sua estreia absoluta em competições de índole nacional) foram bem-sucedidos, tendo vencido, ambos, por 2-0, frente a opositores do Distrital, respectivamente o Sacavenense e o Ac. Fundão. O Fátima ficara isento dessa ronda inicial, por sorteio.

Os três clubes do Distrito actuarão, de novo, na condição de visitados: cabe agora ao Fátima receber a Sanjoanense (da Liga 3); enquanto o U. Santarém terá a visita do Monção (Distrital de Viana do Castelo); por seu lado, o Ferreira do Zêzere será anfitrião d’Os Sandinenses (município de Guimarães – Campeonato de Portugal), mas em encontro previsto realizar em Alvaiázere.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 19 de Setembro de 2024)

22 Setembro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

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