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TOMAR – INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (X)
Janela de cunhal quinhentista
“Janela de cunhal, com sacada decorada com grelha em cantaria, coluna jónica de fuste estriado, no vértice, a servir de mainel, frontão triangular ornado com dentículos.
Cronologia: Séc. 16, 1º terço – a janela pertencia às casas que o Dom Prior do convento tinha na vila; c. 1920 – salva da demolição pela União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo, é integrada no Edifício do Turismo.”
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)
TOMAR – INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (IX)
Igreja de São João Baptista / Igreja Matriz de Tomar
“Planta longitudinal, composta por corpo da igreja rectangular e cabeceira tripla com ábside e absidíolos rectangulares, escalonados e comunicantes, Secretaria (antiga Sacristia), Baptistério, Sacristia e anexos (Sala de Reuniões e vestiário dos padres) rectangulares e pátio interior em L. Massa de volumes articulados, horizontal, com torre sineira verticalista; coberturas diferenciadas de telhado a 2 e 1 água sobre a igreja e coruchéu piramidal sobre a torre sineira.
Fachada principal: orientada, com 3 corpos escalonados, sem divisores; pano central com 2 registos, tendo no 1º portal inscrito em alfiz, flanqueado por pilastras prismáticas com nichos, rematadas por pináculos vegetalistas, unidos superiormente por friso com cimalha flordelizada; as arquivoltas são em arco contracurvado com decoração vegetalista, abrigando tímpano com grilhagem de cantaria e baldaquino rendilhado, sobre arco deprimido da porta; nas enjuntas emblemática de D. Manuel; no 2º registo óculo; remate em empena recta encimada por platibanda rendilhada com flores-de-liz ladeada por pináculos e tendo ao centro nicho com estátua de vulto vestida de armadura rematado por pináculo. Panos laterais cegos. À esq. torre de 2 registos: o 1º de secção quadrangular, vazado por frestas profundas em arco pleno e pequenas janelas rectangulares e quadrangulares, a alturas diferenciadas, tendo sob a cornija de remate 3 tabelas rectangulares contendo emblemática manuelina dispostas em “roquete”; o 2º registo é um corpo octogonal com um relógio a O. e rodeado por ventanas em arco quebrado; remate em cornija com gárgulas cantonais sobre cachorrada encimada por varandim.
Fachada S.: pano da nave lateral tendo no 1º registo portal em arco quebrado de 3 arquivoltas sobre colunelos, os interiores com capitéis vegetalistas, e no 2º 3 frestas emolduradas em arco pleno; remate em cornija; corpo da Secretaria com portal em arco quebrado na face O., a S. 2 vãos altos de moldura quadrangular, 4 janelas de avental com molduras recortadas encimadas por cornijas borromínicas e 1 portal de moldura semelhante às janelas, de acesso a pátio interior onde é visível o absidíolo com fresta e o pano da ábside com contraforte oblíquo e grande fresta em arco quebrado; na face E. 2 janelas de avental; remate em beiral; 2º registo: pano da nave central rasgado por 3 janelas em arco pleno.
Fachada E.: corpo da Sala de Reuniões e ábside, alinhados, com 2 janelas quadradas e 1 óculo, gradeados; remate em empena angular.
Fachada N.: irregular, com pano da nave lateral a que se adossam 2 corpos salientes unidos por portão de ferro e delimitados por cunhais de cantaria: o da esq. com janelas rectangulares gradeadas, rematado em cornija, e o da dir. com porta rectangular aberta no cunhal dir. e janela de moldura recortada em arco rebaixado; remate em cornija sobre consola à dir.; pano da nave, reentrante, com portal de arco trilobado, enquadrado por alfiz e flanqueado por colunelos torsos encimados por nichos, com decoração vegetalista, zoomórfica e heráldica de D. Manuel e de D. Maria; superiormente, à dir., fresta em arco pleno, semi-oculta pelo corpo lateral; no 2º registo pano da nave central com 3 frestas em arco pleno; remate em cornija.
INTERIOR: 3 naves de 5 tramos, com nave central de 2 registos (arcada e clerestório); os arcos formeiros são levemente apontados apoiados nos extremos em meias-colunas e em pilares cruciformes, com 4 colunas embebidas, sendo as transversais de menor secção, com capitéis zoomórficos e fitomórficos, sendo o 1º do lado do Evangelho esculpido no intercolúnio com torsal e na base com cordões, nastros, folhas, esferas, conchas e máscaras; defronte pia de água-benta oitavada decorada com a esfera armilar, o sol e a lua; no último pilar do Evangelho púlpito poligonal com escada de caracol, decorado com heráldica manuelina sob entrançados vegetalistas; a O. guarda-vento sobre o qual se apoia coro em madeira iluminado por óculo, com órgão e porta em arco abatido a que se acede por escada que também conduz à torre.
Parede N.: Baptistério aberto por arco rebaixado de vão largo, gradeado, iluminado por 2 frestas e contendo pia baptismal de linhas simples e um tríptico da Vida de Cristo, e tendo no pavimento lápide sepulcral brasonada e epigrafada de Henrique Correia da Silva e sua mulher Joana de Sousa; porta em arco pleno para corredor e escada da torre; porta da Sacristia de moldura recortada sob cornija em arco rebaixado; porta lateral de arco rebaixado; porta de moldura recortada do vestiário dos padres; capela do Santíssimo Sacramento emoldurada em arco pleno perifericamente com 4 nichos de baldaquinos de concha com pequenas imagens e outro superior ladeado de volutas e fogaréus; o interior é forrado de talha branca e dourada, com Sacrário e Cristo Crucificado, ladeada por 2 portas e 2 janelas de verga recta e coberta por abóbada de berço pintada com 4 medalhões hagiográficos entre grinaldas de flores.
Parede S.: porta lateral em arco rebaixado; porta em arco recto da Secretaria e sala de reuniões; capela de Nossa Senhora de Fátima de enquadramento semelhante à que lhe fica defronte, pouco profunda, com retábulo de talha branca e dourada emoldurando tela das Almas. Cobertura em tecto de madeira, de 3 abas na nave central e uma nas laterais. A E. 3 arcos quebrados com capitéis vegetalistas e antropomórficos, antecedem a capela-mor e os absidíolos, todos cobertos por abóbadas de nervuras com bocetes heráldicos, apoiadas em mísulas; sobre o arco triunfal pequeno óculo; revestimento parietal da capela-mor com azulejos enxaquetados em azul, branco e amarelo e superiormente com painéis e molduras de talha branca e dourada; na parede de fundo retábulo de talha branca e dourada, a envolver altar com embrechados; nas paredes laterais 2 grandes frestas em arco quebrado, no pavimento carneiro de Martim Correia da Silva, capitão-mor de Ceuta e Mazagão. No absidíolo N. altar com retábulo de talha e branca e dourada com imagem do Sagrado Coração de Jesus, revestimento parietal de azulejos de padrão de camélias, à esq. lápide epigrafada alusiva ao instituidor; à dir. pia de água-benta em concha e passagem para a capela-mor em arco redondo com sanefa de talha branca e dourada a cortar superiormente o vão; no absidíolo S. retábulo de talha branca e dourada com imagem de Nossa Senhora do Carmo e revestimento parietal de azulejos de ponta de diamante; à dir. fresta rectangular e porta de acesso à Secretaria e pátio; à entrada campa brasonada de D. Maria Justa da Cunha e Vasconcelos.
Cronologia: 1178 – 1ª referência documental à “Rua de São Joannes”, atestando a existência de um templo com a mesma invocação do actual; 1430 – a primitiva igreja de São João, gótica, remonta tradicionalmente ao Infante D. Henrique (sendo ainda hoje conhecida como a “antiga capela do Infante”) e fechava o lado E. da pç., na largura das boticas, entre a R. de São João e a Corredoura; por várias vezes surgem referências documentais a reuniões dos homens-bons do Concelho sob o seu alpendre, devendo a igreja ser mais estreita, de uma só nave, segundo vestígios patentes na caixa-murária sob o reboco; séc.16, início – reconstrução da igreja, com reaproveitamento dos portais góticos, colocados na fachada S.; 1510 – no livro de Forais Novos da Extremadura é referido que estavam a terminar as obras de ampliação da Igreja de São João Baptista; 1511 – conclusão da torre sineira, tendo nesse ano começado a ser pagos os ordenados ao vigário; conhecimento de Lopo Diz, almoxarife de Tomar, em como recebeu de Lourenço Godinho uns “ferros dobradeiros pera hóstias” que o rei mandou dar à igreja de São João Baptista; 1512 – data da edícula sepulcral de D. Jorge de Almeida; 1513 – O púlpito é lavrado; 1520 – D. Manuel fez da igreja capela real e elevou-a a Colegiada; 1523 – o relógio, oriundo da Porta do Sol do castelo dos Templários, é colocado na torre sineira, por ordem de D. João III; 1530 – por alvará régio todos os bens da capela de Santa Maria do Castelo passam para a Igreja de São João Baptista; séc.17, inícios – colocação dos altares laterais em cantaria; revestimento da cabeceira com azulejos; séc.18, 1º quartel – demolição do topo facetado da ábside e prolongamento desta em forma rectangular; colocação do retábulo da capela-mor tendo os azulejos sido levantados no local onde foi assente a talha (permanecendo aí alguns vestígios daqueles); séc.18, 2ª metade – construção da capela da Irmandade do Santíssimo pelo desembargador Bernardim Gonçalves de Moura, cavaleiro da Ordem de Cristo; colocação do retábulo nesta capela e na capela colateral do lado da Epístola; 1875 – executam-se obras na igreja, abrindo-se 2 janelas a ladear o pórtico, posteriormente tapadas por se considerarem inestéticas; 1880 – colocação do órgão construído por Gray & Davidson, que substituiu o do séc. 18; 1933/1934 – o pórtico está muito degradado e são necessários vidros nas janelas; 1959 – estado de degradação da torre; 1962 – as cantarias de pedra do portal estão partidas; 1970 – a torre continua degradada, com rebocos caídos, assim como a fachada principal; 1975 – é necessário executar novas cantarias no pórtico; 1977 – os rendilhados do pórtico continuam deteriorados e a esboroarem-se.”
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)
INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (VIII)
Igreja de Santa Maria do Olival
“Planimetria longitudinal, composta por 3 naves, cabeceira tripartida escalonada, com absidíolos quadrangulares e ábside de 5 faces, no alinhamento das naves. Volumes articulados das naves, a central mais alta. Fachada principal rasgada por grande rosácea sobre o pórtico, de arquivoltas quebradas assentes em colunelos reentrantes, munido de gablete com pequeno óculo no tímpano. Fachada E. rasgada, ao nível das naves, por janelas trabalhadas e maineladas e, ao nível do clerestório, por frestas em arco de volta perfeita. Na cabeceira ábside facetada de 5 lumes em lanceta, redforçada por esbarros escalonados; absidíolos de um lume semelhantes às janelas da fachada E..
INTERIOR: 3 naves de 5 tramos cada; pilares cruciformes facetados desprovidos de capitéis, suportando as arcadas quebradas; arcos quebrados na entrada para as capelas da cabeceira precedida por tramo rectangular. Cobertura de madeira nas naves e absidíolos, em abóbada polinervada na ábside. Janelas rasgadas no eixo dos arcos internos e óculo sobre o arco triunfal. Escultura em pedra de Nossa Senhora da Anunciação e púlpito.
Cronologia: 1160 – terá sido reconstruída por Gualdim Pais, Mestre da Ordem do templo; 1195 – Gualdim Pais é sepultado; Séc. 16 – a Igreja terá sofrido profundas alterações; datam desta época o púlpito, a porta de acesso à sacristia, o coro-alto, a alpendrada e respectivas capelas, o jazigo de D. Diogo Pinheiro; 1525 – janela e abóbada da sacristia; Séc. 17 – revestimento de azulejos das capelas do lado S.; Séc. 19 – realizam-se obras de restauro tendo sido destruídas três capelas.”
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)
TOMAR – INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (VII)
Ermida de Nossa Senhora da Conceição
“Planta composta, irregular, longitudinal. Corpo rectangular com transepto ligeiramente saliente e capela-mor prismática. Naves cobertas por telhado de 2 águas, de telha verde, transepto rematado ao centro por cúpula, capela-mor por eirado, em cujo ângulo uma guarita cilíndrica coroa a escada de acesso; uma varanda rasgada por aberturas rectangulares envolve a cúpula, outra o eirado.
A fachada principal, rematada nos cunhais por pilastras jónicas, tem frontão triangular; o transepto é assinalado por frontões triangulares nos alçados N. e S.; no alçado S. rasga-se uma porta encimada por uma das janelas da nave. Todas as janelas têm vãos rectangulares, algumas com enxalço perspectivado. São rematadas por frontões triangulares com denticulado verticular; frontões e prapeitos assentam em mísulas em forma de volutas.
INTERIOR: 3 naves separadas por 2 renques de 3 colunas coríntias, encimadas por entablamento, sobre a qual assentam as abóbadas de berço, pilastras de ordem igual adossadas à caixa murária; 3 tramos separados por arcos torais; transepto inscrito, assinalado pelo entablamento e berços transversais, coroado na zona do cruzeiro por abóbada em barrete de clérigo; capela-mor com ábside em nicho semi-cilíndrico, rematado por concha em quarto de esfera, antecedida por um tramo abobadado, para a qual abrem 2 pequenas capelas.
Cronologia – 1535, c. de – início da construção durante o priorado de Frei António de Lisboa; 1573, c. de – conclusão da obra durante o priorado de Frei Basílio.”
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)
TOMAR – INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (VI)
Edifício dos Paços do Concelho
“Edifício de planta rectangular; volume simples com cobertura em telhado de 4 águas. 3 pisos delimitados por molduras; no alçado E. e O., 3 panos separados por pilastras; o pano central, de maiores dimensões é rasgado por 3 grandes arcadas, no 1º e 2º pisos da fachada principal, por 7 arcos a meio ponto em cada um dos 3 registos da fachada contrária; no último andar da fachada principal rasgam-se janelas de sacada, rematadas por frontão liso saliente, nos 3 corpos da fachada principal, janelas de peitoril nos alçados laterais. As 3 grandes arcadas da fachada principal dão acesso a um átrio, coberto por abóbada de cruzaria de ogivas, alternando com abóbadas a berço, de onde sai a escadaria, que depois de um primeiro patamar se subdivide em 2 lanços divergentes, conduzindo ao andar nobre. Neste destaca-se o grande salão nobre com tecto em masseira, abrindo-se por janelas de sacada para a praça.
Cronologia: Séc. 16, inícios – No reinado de D. Manuel são construídas “as Casas da Câmara e da Audiência, das Sisas e dos Contos”, os actuais Paços do Concelho; na descrição feita no séc. 17 (ROSA, 1982) o edifício apresentava a mesma estrutura de alçados: 3 blocos, correspondentes às 3 casas, em 3 pisos; 1740 – nesta data a divisão funcional das casas divergia: são referidas a Casa da Audiência, a Casa do Senado com o Cartório, a Casa do Açougue; nas obras realizadas uniformiza-se o alçado principal e o acesso às várias casas, rasgam-se as janelas do 3º registo, constroem-se águas-furtadas; 1955 – proposta de alteração da estrutura do telhado de 4 para 12 águas, segundo a primitiva traça, da escadaria e das janelas do r/c. não chega a realizar-se; 1958 – até esta data funcionaram no edifício o Tribunal Judicial e a cadeia; 1971 – proposta para reparar a cobertura; construção de uma cinta de betão armado para travamento das paredes, a nível da cimalha; tectos em masseira na casa da escada e secretaria, idênticos aos já existentes; fornecimento de guarnições e aros em madeira.”
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)
CONCELHO DE TOMAR – FREGUESIAS
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FREGUESIAS
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| Nome | Endereço | Habitantes | Área(ha) |
| Alviobeira | Rua da Escola Nº 6 Alviobeira – 2305-061 ALVIOBEIRA | 635 | 857 |
| Asseiceira | Santa Cita – 2300 ASSEICEIRA TMR | 3 201 | 2 899 |
| Beselga | – 2300 BESELGA TMR | 880 | 1 373 |
| Carregueiros | – 2300 CARREGUEIROS | 1 255 | 1 235 |
| Casais | – 2300 CASAIS TMR | 2 471 | 2 744 |
| Junceira | Serra – 2300 JUNCEIRA | 833 | 1 302 |
| Madalena | – 2300 MADALENA TMR | 3 466 | 3 056 |
| Olalhas | Montes – 2300 OLALHAS | 1 581 | 3 459 |
| Paialvo | – 2300 PAIALVO | 2 850 | 2 226 |
| Pedreira | – 2300 PEDREIRA TMR | 563 | 1 201 |
| Tomar (Sta.Mª dos Olivais) | Voluntário República 121 – 2300 TOMAR | 12 801 | 1 723 |
| Tomar (São João Baptista) | R de S João 86 – 2300 TOMAR | 6 103 | 1 305 |
| São Pedro de Tomar | – 2300 SAO PEDRO DE TOMAR | 3 069 | 3 649 |
| Sabacheira | – 2300 SABACHEIRA | 1 115 | 3 435 |
| Serra | SERRA – 2300 SERRA | 1 299 | 3 352 |
| Além da Ribeira | – 2300 ALEM DA RIBEIRA | 885 | 1 232 |
(Quadro extraído da página da ANMP – Associação Nacional de Municípios Portugueses)
Ver também caracterização das freguesias, pelo Governo Civil de Santarém.
TOMAR – INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (V)
Convento de Cristo / Mosteiro de Cristo
“Complexo monacal de planta composta, irregular. Volumes articulados, horizontalista e Charola de massa verticalista. Coberturas exteriores diferenciadas em telhados, terraços e coruchéus.
A Charola, poligonal, é o centro do conjunto de edificações, dominando-as visualmente. A N. e E. Sacristia, Claustros do Cemitério e da Lavagem, ruínas dos Paços, Enfermarias, rematando na Sala dos Cavaleiros e na Botica. A O. Igreja, Claustros e dependências conventuais, acompanhando a planta cruciforme dos braços N.-S. e E.-O. dos Dormitórios, no prolongamento da Igreja e do Claustro de Santa Bárbara. A NE. Claustro da Hospedaria, a NO. o da Micha, a SE. o de D. João III, a SO. o dos Corvos. Fachada E.: Botica, no seguimento da muralha, e Sala dos Cavaleiros, no ângulo NE., com fachada dupla sobre embasamento em talude, rasgada por janelas de sacada e encimada por frontões contracurvados. A N. Portaria Real, entre o corpo das Enfermarias e o da Hospedaria, a que se segue a fachada dos Dormitórios, rematada por frontão triangular, e o corpo da Micha, rasgado pela antiga Portaria.
A O. é cercado por muro alto, por trás do qual avulta a cobertura tripartida do Noviciado e a massa prismática das Necessárias. Fachada S. realçada pela arcaria do aqueduto dos Pegões, apoiada em plataforma rusticada, corresponde ao corpo do Claustro dos Corvos, Dormitórios e Claustro de D. João III, este encostado à Casa do Capítulo, assente em embasamento em talude.
IGREJA: Planta composta por 2 corpos diferentes: Charola, actual cabeceia, poligonal, de 16 faces com contrafortes nos ângulos, frestas em panos alternados, cachorrada sob murete rematado por merlões e torre sineira a SE.; e, adossado a O., corpo da nave (coro) rectangular, adaptando-se ao desnível do terreno para O., onde possui 3 registos assentes num forte embasamento e marcados por frisos decorativos envolventes; contrafortes salientes e moldurados, mais robustos nos cunhais das fachadas NO. e SO., revestidos por pujante decoração naturalista e emblemática manuelina, também presente nas molduras das janelas que rasgam a caixa murária, por vezes em associação com elementos platerescos. Portal a S. preenchido com decoração naturalista, grutescos, emblemática manuelina e estatuária de vulto.
INTERIOR: Charola centrada por corpo octogonal vazado de 8 arcos peraltados sobre pilares, com meias colunas adossadas às faces laterais, que recebem a descarga da abóbada anular que cobre o deambulatório; na espessura dos muros rasgam-se capelas; preenchem-na esculturas, painéis e pinturas murais; abre para a nave por grande arco quebrado, sendo esta coberta por abóbada polinervada de combados, com 3 tramos, apoiada em mísulas vegetalistas, emblemáticas e antropomórficas; abarcando 2 tramos o coro-alto, com balaustrada em pedraria sobre parede com porta de acesso a um sub-coro de pé-direito reduzido, (actual Sala do Capítulo), coberta com abóbada abatida, artesoada.
CLAUSTRO DA LAVAGEM: quadrangular, de 2 pisos, o inferior com 5 tramos por ala com arcos quebrados assentes em grossos pilares chanfrados sobre murete: o superior com 6 tramos de arcos quebrados sobre colunas grupadas transversalmente, com capitéis de dupla fiada de colchetes de folhagem; cobertura em tecto de madeira.
CLAUSTRO DO CEMITÉRIO: quadrangular, 1 piso com 5 tramos por ala, de arcadas e suportes idênticos aos do Claustro da Lavagem, mas com colunas duplas com bases e capitéis distintos; pavimento revestido com tampas sepulcrais lisas, numeradas; abóbadas de berço nas 4 alas e de aresta nos cantos. Arcossólios com arcas tumulares a S. e O.. Abrem para este claustro as capelas de S. Jorge, a S. e dos Portocarreiros, a O.
CLAUSTRO DA MICHA: quadrangular, 4 alas com arcos plenos geminados e em asa de cesto nos topos N. das alas E. e O., separados por fortes contrafortes; abóbada polinervada sobre colunas lisas com capitéis de volutas e em mísulas cónicas. A N. Antiga Portaria, de vão rectangular entre colunas coríntias assentes em altos pedestais. Sobre a galeria edifícios de 2 pisos.
CLAUSTRO DOS CORVOS: quadrangular, 2 galerias de dupla arcada separadas por contrafortes, que sobem até ao 3º registo a S. e O.; coberturas e suportes idênticos aos do Claustro da Micha. Rodeiam a quadra 4 corpos de 3 pisos.
REFEITÓRIO: rectangular, com abóbada de berço com nervuras formando caixotões quadrados; 2 janelas maineladas rematadas por 2 vãos rectangulares rasgam a parede S. e 4 janelões rectangulares a E.
DORMITÓRIO: em cruz, com 2 grandes corredores para os quais se abrem as pequenas celas, cobertos por falsa abóbada de berço forrada a madeira apainelada; 3 janelas maineladas, encimadas por meia luneta, rematam os topos N., S. e O.; na intersecção dos corredores um cruzeiro sob cúpula abrindo para uma capela quadrangular, com abóbada de berço com pequenos caixotões com motivos emblemáticos, vegetalistas e figurativos em relevo.
CLAUSTRO DA HOSPEDARIA: quadrado, 4 alas com arcadas duplas, separadas por contrafortes e galerias cobertas por abóbada semelhante à do Claustro da Micha, no 2º registo varandas com colunas sustentando uma arquitrave corrida, à excepção da ala S., destruída; a O., uma 3ª varanda com colunas jónicas e arquitrave, galerias cobertas com tecto de madeira.
CLAUSTRO DE SANTA BÁRBARA: quadrado, com 4 arcos rebaixados por ala, sobre colunas de fuste liso; cobertura de abóbada rebaixada com nervuras e lintéis no lugar dos arcos torais; 2º piso sem cobertura, possuindo, no entanto, colunas e mísulas.
CASA DO CAPÍTULO: composta por vestíbulo quandrangular e nave de 2 registos, rectangular, com ábside poligonal; forte embasamento do lado S. e meio soterrada do lado E., sem pavimento divisor dos 2 pisos primitivos (Capítulo dos Freires, em baixo, e dos Cavaleiros, em cima) e sem cobertura; abóbada de nervuras sobre o vestíbulo, que comunica com a nave por arco geminado.
CLAUSTRO DE D. JOÃO III: quadrado com chanfros nos ângulos, 2 pisos, cobertura em terraço com balaustrada; as 4 alas, com galerias cobertas de abóbadas de nervuras e caixotões, abrem para a quadra alternadamente por arcos de volta inteira e por vãos rectangulares encimados por janela (1º reg.) ou por óculo (2º reg.) entre colunas de ordem dórica (1º reg.) e jónica (2º reg.) de fuste liso que sustentam entablamentos; os 4 ângulos possuem chanfras rectas no 1º piso e convexas no 2º, rematadas por 4 torreões, com escadas helicoidais a NE. e SO. Do primitivo claustro subsistem várias “engras”, vãos rectangulares, nos cantos, com abóbada polinervada descarregando em pilastras. Ao centro da quadra fonte sobre plataforma octogonal.
Cronologia:
1118 – Fundação da Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo;
Séc. 12, final – Construção do primitivo oratório templário, num dos ângulos da muralha;
Séc. 13, 2º quartel – Tomar é doada à Ordem do Templo, tornando-se a sua sede militar nacional;
1357 – Torna-se sede da Ordem de Cristo;
Séc. 15, 1ª met. – Obras henriquinas: adaptação do oratório templário, adossando-se um coro com 6,40m X 5,40m; construção de claustros, capela de São Jorge e Paço;
1492 – D. Manuel, Grão-Mestre da Ordem de Cristo desde 1484, reuniu o Capítulo Geral onde decidiu mandar ampliar o Convento;
1499 – São gastos 3.500 reais em obras: melhoramentos na Casa do Capítulo, retábulo do altar-mor, grades de ferro para os arcos da Charola e pintura da mesma, arranjos no coruchéu e no Coro (henriquino), início da construção de nova Casa do Capítulo;
1503 – Nova reunião do Capítulo tendente à Reforma da Ordem, ordenando o Rei expropriar a antiga Vila de Dentro, intra-muros, e encerrar as portas do Sol e de Almedina;
1510 – Início da construção do novo Coro (nave) por Diogo Arruda, a mando de D. Manuel, no local que hoje ocupa, contudo, as medidas apontadas pelo Rei não coincidem com as actuais;
1519 – Primeiras referências documentais da presença de João de Castilho no Convento, respeitantes à construção dos lagares e dos estaleiros onde se lavrava a pedraria para as obras;
1529 – Reforma da Ordem acometida por D. João III a Frei António de Lisboa, que expulsa antigos freires, impõe a clausura e elabora novos estatutos baseados na Regra de S. Bernardo;
1530 – A Reforma espiritual é acompanhada de uma reforma material, tendo início nova campanha obras de João de Castilho: construção do Claustro de D. João III e dos outros a Oeste da Charola;
1533 – Carta de quitação de D. João III que refere as obras feitas por João de Castilho: Coro, Casa para o Capítulo, arco grande da Igreja, portal principal, casas do Aposento da Rainha e obras miúdas;
1548 – João de Castilho constrói os Estudos dos Colegiais, a Cela do D. Prior, o corredor do eirado sobre a Livraria e a escada do Coro e faz os esboços dos espelhos do Noviciado;
1551 – O mesmo mestre de obras constrói a Cozinha, o eirado do andar dos Dormitórios, a varanda da Enfermaria e a Cisterna;
1557 – Início do derrube do Claustro de D. João III e construção de outro, por Torralva, obra interrompida em 1565;
1591 – Conclusão da construção do Claustro principal e obras de remodelação da Charola, por Filipe Terzi;
1618 – Início da construção da Portaria Real, Casa da Escada e Sala dos Reis, por Diogo Marques Lucas;
1686 / 1690 – Remate da fachada das enfermarias e da frontaria da Sala dos Cavaleiros (João Antunes é o mestre das obras das Ordens Militares);
1789 – Abolida a Reforma de Fr. António de Lisboa;
1811 – As tropas francesas ocupam o convento; destruição do Cadeiral de Olivier de Gand;
1834 – Abandono após extinção da Ordem de Cristo;
1837 – Costa Cabral compra parte do convento;
1852 – D. Fernando manda derrubar o piso superior do Claustro de Santa Bárbara e do Claustro da Hospedaria (ala S.) e corredor dos confessionários que lhe passava por cima, para permitir a melhor visualização da fachada O. da nave;
1934 – O Estado compra o Convento aos herdeiros do conde de Tomar;
1969 – Danos na Sala dos Cavaleiros causados por sismo.”
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)
TOMAR – INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (IV)
Castelo de Tomar
“Planta irregular. Cortina de muralhas ameadas sobre forte talude, com seteiras crucíferas nos merlões, circundada por adarve; irregularmente angulosa, é guarnecida de cubelos semicilíndricos e semiquadrangulares, rematada no ângulo SE. por torre de planta rectangular (Torre da Raínha) e no ângulo SO. por torre circular (Torre da Condessa); a Charola reforçava a cortina O.. Uma porta rasga-se do lado S., numa reentrância do pano, entre cubelos rectangulares, a Porta do Sangue, a outra, a porta do Sol, abre para o terreiro, comunicando com uma porta exterior, a porta de Santiago, por calçada que circunda a Alcáçova. Esta, de planta escudiforme, é reforçada a S. por torreão de planta quadrangular, a E. por pesado contraforte triangular; no canto NO. ergue-se a Torre de Menagem, de planta rectangular, em 3 andares. No pano murário da Alcáçova rasgam-se janelas de sacada; o mesmo sucede na cortina que se estende para N., até à fachada do convento. Na Torre da Raínha rasgam-se janelas maineladas, nas 2 faces viradas para a vila.”
“Cronologia – 1160, 1 de Março – Início construção do castelo, segundo inscrição na Torre de Menagem; 1499 – abandono da população que vivia intramuros, por ordem de D. Manuel; 1533, c. de – os” Paços da Raínha” prolongam-se até à muralha e alcáçova (VITERBO, 1899); adaptações feitas no interior da Torre da Raínha, até então conhecida como “torre do relógio”; 1618 – para se construir a portaria filipina é destruída a torre do ângulo NO. da cortina (JANA, 1991)”
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)
TOMAR – INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (III)
Capela de São Gregório
“Planta centralizada composta pelo octógono da nave e pelo rectângulo da capela-mor, a que se adossa, a E., a sacristia inscrita num quadrado. A nave é encimada por varandim, com remates nos vértices do octógono; a cobertura em cúpula é revestida a cimento, rematado por catavento com cruz; a sacristia é rematada por telhado prismático quadrangular. À fachada S. e E. adossa-se uma galilé, de telhado facetado, assente em arquitrave apoiada em colunas toscanas de fuste liso. A porta da capela de verga e jambas com decoração manuelina rasga-se em frente ao altar-mor. Este abre-se para a nave por arco a meio ponto assente em pilastras. Nave e sacrist ia são cobertas por abóbadas em cúpula; a capela-mor é rematada por abóbada de barrete de clérigo. 3 nichos encimam o altar, um deles com a imagem de São Gregório Nanzianzeno. Azulejos enxaquetados e brancos com cercadura a azul, na capela-mor; na nave, dos 2 lados, painéis setecentistas, a azul e branco, representando um a missa de São Gregório, outro uma cena conciliar.”
“Cronologia – Séc. 16, 1º quartel – construção da capela, feita, segundo a tradição, à custa do povo; 1535 – gastos 600 reais no madeiramento (Anais, 1971).”
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)
TOMAR – INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (II)
Aqueduto do Convento de Cristo (Troço dos Pegões)
“C. 7 km. de canalização em pedra, coberta a laje, correndo em grande parte ao nível do terreno, c. 400 m. assentes em arcaria, de dimensão e altura variável. Sobre o vale da Felpinheira a cortina compõe-se de 12 arcos de volta redonda, com c. 15 m. na parte mais alta; sobre o vale dos Pegões 58 arcos de volta inteira, que, na zona de maior declive, assentam em 16 arcos quebrados, apoiados em pilares, com a altura máxima de c. de 220 m.; a montante e a jusante 2 mães d’água rematadas por cúpulas e abobadadas no interior resguardam bacias de depuração da água; seguem-se 34 arcos de volta perfeita, que atravessam um vale pouco profundo, e correndo paralelas ao muro da cerca 2 arcaturas com 18 e 13 arcos; finalmente a cortina de 21 arcos também de volta perfeita, rematados pela cruz de Cristo, os últimos adossados à fachada S. do Convento de Cristo.”
“Cronologia – 1595 – Escritura de compra das fontes e do pinhal; início da construção; 1614 – o aqueduto chega à cerca, terminando num tanque de rega; 1617 – prolongamento até ao convento; lavabo dos dormitórios; 1619 – conclusão da obra; construção da fonte do claustro principal; 1752 – exploração de novas nascentes a montante e ligação ao aqueduto construído.”
(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)



