Posts filed under ‘Tomar’
PROGRAMA DA FESTA DOS TABULEIROS 2007
É já conhecido o programa preliminar da Festa dos Tabuleiros de 2007, a principal festividade da cidade de Tomar, o qual prevê as seguintes actividades:
– 01.07.07 (Domingo) – Cortejo dos Rapazes
– 06.07.07 (Sexta) – Cortejo do Mordomo e ruas populares ornamentadas
– 07.07.07 (Sábado) – Cortejos parciais dos Tabuleiros
– 08.07.07 (Domingo) – Cortejo dos Tabuleiros
– 09.07.07 (Segunda) – Distribuição da Pêza
FESTA DOS TABULEIROS (VII)
“Por isso, mais do que atribuir, de forma determinada, a origem da Festa Grande de Tomar à transposição de festas romanas, ou árabes, ou godas, para a região paradisíaca do Vale do Nabão, será mais conforme com a realidade da História na subsistência da tradição popular, assentar a origem dos tabuleiros nos tempos imemoriais dos primeiros habitantes deste lugar privilegiado que, deslumbrados pela abundância e fartura da terra na prodigalidade da Mãe Natureza, lhe ofereciam as primícias das colheitas em preito de homenagem, em mostra de gratidão, em penhor de continuidade, que as gentes das tribos primitivas transmitiram aos posteriores ocupantes celtas, lusitanos, romanos, árabes, godos e portugalenses, em práticas e ritos sucessivamente adaptados, mas cujas raízes se mantiveram, intactas, na intervenção pagã e festiva, temperada tardiamente pelo culto cristão da Idade do Paráclito.
[…]
Sabe-se que os tabuleiros, de início, não se conformavam com o seu aspecto actual.
Seriam simples cestos, de alguma forma ornamentados, que as raparigas transportariam à cabeça e neles, as ofertas votivas.
Como ainda hoje se vê por tantas partes do nosso país.
De modo singular o tabuleiro tomarense evoluiu, naturalmente, no sentido de um constante refinamento de armação e de magnificência; com o tempo foi ganhando altura, com a altura formosura e com a formosura, beleza.”
“Como começaram as Festas dos Tabuleiros”, J. A. Godinho Granada, “O Templário”, 16.06.05
FESTA DOS TABULEIROS (VI)
“Tomar tem a originalidade de ter feito convergir a sua festa para o culto do Espírito Santo na concepção de Pentecostes, sem abdicar da herança naturalista milenar e pagã das origens.
Por isso, ante os nossos olhos felizes e comovidos e os olhos surpreendidos e extasiados de quem nos visita, assistimos hoje ao passar do longo e garrido cortejo onde as centenas de altos tabuleiros à cabeça das raparigas são um hino de cor e de alegria, entre espigas e flores, encimados por coroas que levam no topo a pomba do Espírito Santo ou a Cruz de Cristo, precedidas das coroas do Império e dos estandartes das irmandades por entre a vozearia do povo e a alacridade das músicas.
Tomar soube conservar e manter a tradição festiva herdada do paganismo celta e lusitano-romano e conciliá-la com o culto cristão do Espírito Santo.
Em moldes completamente diferentes se fixaram as festas do Espírito Santo iniciadas em Alenquer pelos reis Isabel e Dinis, estendidas pelo país fora e transportadas para as ilhas e ultramar, tal como ainda hoje se praticam em Sintra e nos Açores.”
“Como começaram as Festas dos Tabuleiros”, J. A. Godinho Granada, “O Templário”, 02.06.05
FESTA DOS TABULEIROS (V)
“Mas é a rainha Isabel de Aragão, Santa de Portugal e sobrinha neta da outra rainha e santa do mesmo nome, da Hungria, que há-de influenciar, profundamente, os hábitos de vida e de culto em Portugal.
[…]
Por outro lado, a influência decisiva dos monges de Cister e dos Cavaleiros da Ordem do Templo, unidos por regra comum e pelo culto do Joanismo evangélico, que os Franciscanos acompanhavam, assim como a tradição cultural que passou intacta da Ordem Templária para a de Cristo que em Portugal lhe sucedeu e para a qual transitaram aqui muitos ou todos os antigos cavaleiros do Templo, estabelecem e consolidam em sólidos fundamentos as mentalidades da corte dos reis de Portugal, D. Dinis e Rainha Santa Isabel.
[…]
Sob a herança espiritual de São Bernardo, doutrinador e guia das Ordens de Cister e do Templo, a primeira com casa mãe em Alcobaça e a segunda com sede em Tomar, com o correr dos anos, se foi implantando o culto do Espírito Santo que a seu tempo iria influenciar decisivamente a festa tomarense das colheitas, da fartura e da abundância que uma longa e continuada tradição popular tinha mantido, praticamente intacta, nas terras nabantinas.
[…]
A abertura espiritual e a tolerância templária de frades cavaleiros que muito tinham corrido e conhecido de mundos e de gentes – e depois dos seus sucessores, os frades cavaleiros de Cristo – permitiu assistir-se em Tomar, à persistência dos rituais primitivos, numa festa que evoluiu para o culto da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, em simbiose única que se manteve intacta ao longo dos séculos.”
“Como começaram as Festas dos Tabuleiros”, J. A. Godinho Granada, “O Templário”, 26.05.05
FESTA DOS TABULEIROS (IV)
“A festa profana terá assim raízes no culto da fertilidade e das colheitas com o pão, a carne, o vinho, apresentados pelos vizinhos e partilhados por toda a comunidade, as ofertas sob miríades de flores na alacridade estrondosa das músicas dos instrumentos de cada época, festa de prazer e abundância com lugar sob a canícula estival em explosões de alegria e de cor, tradição secularmente renovada de cultos a deuses que foram celtas, lusitanos e romanos e que em tempos de godos vinham já sendo preteridos em favor do Deus único e cristão.
E por isso, sob a influência do novo credo chegado de Jerusalém a Roma pela obra dos primeiros apóstolos, aquela Roma onde a nova igreja assentou a sede da sua hierarquia após a queda do império e de onde, sob a direcção dos pontífices, passou a irradiar a sua evangelização, estas festividades locais e milenares, mantendo muitas delas a forma, evoluíram no seu fundo espiritual sobrepondo-se na intenção cultural o novo credo, ao das antigas divindades.”
“Como começaram as Festas dos Tabuleiros”, J. A. Godinho Granada, “O Templário”, 19.05.05
FESTA DOS TABULEIROS (III)
“Sellium ou Nabância ou Tâmara, foram, neste contexto, além de notáveis aglomerados populacionais romanos, godos e árabes fixados em terras de grande fertilidade do Vale do Nabão, pontos de passagem e locais de cruzamento de vias e de gentes com contactos frequentes de ideias e de crenças em que, na sobreposição de domínios e de ocupações, não obstante, se manteve como constante presente e permanente, a herança vetusta do culto da Natureza centrado na terra, nas águas e na fertilidade, ausentes que estavam do Vale do Nabão as montanhas e as florestas para as quais pudesse derivar o culto dos indígenas.
Na esperança das sementeiras e na alegria das fartas colheitas, na realização da fecundidade reprodutiva e na fartura das águas a espraiarem-se pelos campos ubérrimos, no halo fresco da terra, na alacridade das flores, na sombra dos verdes arvoredos, no viço da erva tenra e orvalhada, se reviam e louvavam as famílias primitivas dos vizinhos, herdeiras dos celtas e dos lusitanos, descendentes de todos os encontros e cruzamentos com fenícios, gregos e cartagineses e assim os encontrou a nova fé cristã recém chegada a uma Sellium ou Nabância, já dominada pelos romanos.
A chegada das legiões de Roma, longe de fazer ruir as crenças primitivas baseadas na Natureza e nas suas manifestações, limitou-se a acrescentar-lhe deuses que, se por um lado patrocinavam a guerra como Marte, também por outro protegiam as colheitas como Ceres, fomentavam as artes como Apolo, consagravam o prazer como Baco, ou o amor como Vénus.”
“Como começaram as Festas dos Tabuleiros”, J. A. Godinho Granada, “O Templário”, 12.05.05
FESTA DOS TABULEIROS (II)
“Falamos da vertente claramente inspirada no culto do Espírito Santo e nas festas dos Impérios, de cariz religioso evidente nas saídas das Coroas, nos pendões do Espírito Santo, na instituição do Mordomo, na ligação ao Pentecostes, nas pombas brancas que encimam as coroas de alguns tabuleiros, nos bois do sacrifício, no bodo, na partilha do pão, do vinho e da carne entre os vizinhos.
E falamos da vertente claramente inspirada na festa profana, senão pagã, traduzida pelos tabuleiros que se incorporam no magnífico cortejo, nas cruzes de Cristo que fecham outras das suas coroas, nas flores que os ornamentam prodigamente, nas espigas, nos cachos de uvas, nas folhas de parra, nas papoilas, nos malmequeres, no colorido, na alacridade, na alegria e no esplêndido hino de louvor à Mãe Natureza.”
“Como começaram as Festas dos Tabuleiros”, J. A. Godinho Granada, “O Templário”, 05.05.05
FESTA DOS TABULEIROS (I)
“O Padre José Guilherme Godinho em O Nabão de 1 de Agosto de 1968, aduz novas interrogações: Não se perde no tempo o seu aparecimento? Terá nascido das festas romanas das colheitas a Ceres? Terá nascido do paganismo dos visigodos, naturalistas e essencialmente agrícolas, ou de resquícios pagãos dos árabes gratos pela abundância da Tâmara?
[…]
Frei Manuel da Esperança na sua História Seráfica da Ordem dos Frades Menores de São Francisco na Província de Portugal publicada em Lisboa em 1666, relata como a Rainha Santa Isabel promoveu no reino de Portugal a singular devoção ao Espírito Santo.
[…]
Segundo Jaime Cortesão em Os Descobrimentos Portugueses, as Festas do Espírito Santo ter-se-iam iniciado a partir de 1321 contando-se até fins de quinhentos, 75 cidades, vilas e aldeias cuja igreja matriz tinha o Espírito Santo por orago, cerca de 80 hospitais e albergarias com suas capelas e à volta de 1 milhar de conventos, capelas de igreja e muito principalmente ermidas, daquela invocação. Nesses espaços, outras tantas irmandades do Espírito Santo celebravam festas, procissões e romarias alusivas ao Império e à Coroação do Imperador.
[…]
Temos, pois, a Festa Grande de Tomar tal como sobreviveu e a conhecemos hoje, repartida em duas vertentes fulcrais que se entrelaçam profundamente, sem contudo se confundirem: uma de origem profana, imemorial, outra de origem cristã, mergulhando raízes no culto do Espírito Santo.”
“Como começaram as Festas dos Tabuleiros”, J. A. Godinho Granada, “O Templário”, 28.04.05
FESTA DOS TABULEIROS
A história da Festa dos Tabuleiros, a grande festa tomarense foi escrita essencialmente pelo Dr. Fernando de Araújo Ferreira (“Nini”).
Nos próximos dias (a partir de Quarta-feira), por aqui apresentarei excertos de artigos publicados no jornal “O Templário”, de 28 de Abril a 16 de Junho de 2005, da autoria de J. A. Godinho Granada (presidente da mesa da Assembleia Geral da Casa do Concelho de Tomar em Lisboa), abordando as origens da Festa.
“TOMAR", DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (X)
“De moagem deveríamos falar também, mostrando o farmacêutico e político regenerador Torres Pinheiro diversificar a sua iniciativa na fábrica Nabantina, que herdara, em labor já em 1883, e concorrido depois por outro capitão da indústria tomarense que foi, partindo do nada e até falecer em 1924, Mendes Godinho, fundador de vasta empresa familiar, criando a fábrica Portugalia em 1912 (que hoje é estudada em termos valiosos de arqueologia industrial), explorando a central eléctrica em 14 e instalando fábricas de alimentos para gado, cerâmicas, extracção de óleos e placas de madeira prensada, e abrindo banca – e também ou já tomando conta de uma fundição que, nos Lagares d’El Rei, Torres Pinheiro fundara e depois outras e actuais mãos conheceu.
Esta a história industriosa da cidade, animada pela energia hidráulica do seu rio, em rápidos e açudes agenciados. Foi ela a terceira do país, fora Lisboa e Porto, e após Elvas e Vila Real, a ter electrificação, em 1901; falou ao telefone em Abril de 1928 ano que também teria caminho-de-ferro inaugurado.
[…]
Entretanto, cerca de 1840, a edilidade tomarense começara a preocupar-se com o estado e a higiene das ruas e, em 53, e de novo em 69, com o Engenheiro Everard (que lhe daria nome) definiu-se o caminho quinhentista da Levada; em 57, tratou-se da ilha do Mouchão e em 83 saneou-se a Várzea Grande e, sobretudo, estabeleceu-se a ligação da estrada de Tomar a Leiria com a de Lisboa a Coimbra – malograda que fora, em fins do século XVIII, a passagem por Tomar da «Estrada Nova» do Norte, que preferiu cortar para Leiria, abandonando à sua sorte o percurso antigo de Santarém a Coimbra; nessa prejudicial decisão se insistiu ainda em meados de Oitocentos.”
Tomar – «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 22, 23, 25



