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O Pulsar do Campeonato – 11ª Jornada

(“O Templário”, 12.12.2024)

Após um ciclo de doze vitórias consecutivas (das quais dez em outras tantas jornadas do Distrital), o líder, Ferreira do Zêzere, soçobrou no embate em que recebia o seu mais directo perseguidor, Samora Correia, que infligiu aos ferreirenses a primeira derrota, estreitando-se, assim, para apenas dois pontos, a diferença entre ambos na pauta classificativa. Tendo triunfado nos respectivos compromissos, também Fazendense, Torres Novas e Alcanenense se reaproximaram do comandante, agora, respectivamente, a quatro, cinco e sete pontos. Temos campeonato!

Destaques – Bastou um tento, apontado bem cedo, logo aos dez minutos, para o Samora Correia colocar travão na notável campanha, até então 100% vitoriosa, do Ferreira do Zêzere. Os ferreirenses já por várias ocasiões tinham começado por estar em desvantagem (tal sucedera nas partidas ante o Amiense, Abrantes e Benfica, Glória do Ribatejo e Alcanenense, e, ainda, em jogo da Taça, com o Moçarriense), mas sempre tinham conseguido reagir e operar a reviravolta no marcador, o que, desta vez, perante um forte opositor, não lograram alcançar.

Em especial evidência esteve também, uma vez mais, o Torres Novas, que foi ganhar (quarto triunfo consecutivo, oitavo nas últimas nove rondas do campeonato) ao terreno do Mação, por 3-2, consolidando, pois, a sua posição entre os cinco concorrentes do topo da tabela, enquanto os maçaenses (que, ao invés, somaram quarto desaire sucessivo) prosseguem a sua trajectória descendente, tendo baixado já ao 8.º posto, a distantes treze pontos do guia.

Defrontando um rival em posição difícil – Glória do Ribatejo, um escasso ponto acima da “linha de água” (soma cinco pontos, fruto de um único triunfo averbado, a que junta dois empates) –, o At. Ouriense não desperdiçou a oportunidade de, vencendo, se afastar da parte baixa da classificação, totalizando agora 14 pontos, o que, aliás, lhe proporcionou ascender ao 9.º lugar.

O U. Tomar deslocou-se ao Cartaxo, onde, defrontando um adversário que tem atravessado fase de alguma “turbulência”, vindo de uma série muito negativa, de seis desaires sucessivos (pese embora quatro deles ante adversários que ocupam, nesta altura, os quatro primeiros lugares), obteve um ponto, preservando a sua baliza inviolada, mas sem criar grandes oportunidades.

Numa partida que, de modo geral, não foi bem jogada (o estado do relvado, natural, mas apresentando sinais de degradação, não permitiria que o jogo tivesse boa fluidez – registando-se em paralelo forte ventania), os tomarenses equilibraram a contenda durante largo período do primeiro tempo, mas, à medida que o tempo decorria, os cartaxeiros, sobretudo em lances rápidos, iam ameaçando, colocando, em diversas situações, vários elementos na área contrária.

Valeu a actuação do guarda-redes unionista, Luís Sousa, sobretudo com duas intervenções já perto do final do desafio, uma mais espectacular, em voo, a desviar a bola, com a ponta dos dedos, para canto, e outra, em que lhe surgia adversário isolado pela frente, fazendo a mancha, uma vez mais a negar o golo. Do lado do União, Wemerson Silva não conseguiu ser expedito o suficiente, para, numa ocasião de maior perigo, rematar com êxito à baliza do Cartaxo.

Surpresa – Para além dos algo imprevistos desfechos dos encontros de Ferreira do Zêzere e de Mação, a grande surpresa da 11.ª jornada sucedeu nos Amiais de Baixo, onde o Amiense, impondo-se ante o Coruchense por 2-0, obteve aquela que é apenas a sua segunda vitória no campeonato (um sucesso de que estava arredado desde a 2.ª ronda, quando fora ganhar ao reduto da Glória do Ribatejo). Tal proporcionou aos comandados de Marco Marques igualar o Cartaxo no 11.º posto, mas, sobretudo, ampliar para seis pontos o diferencial face à zona de despromoção.

Confirmações – Nos restantes três encontros confirmaram-se, mais golo, menos golo, os desfechos que seriam previsíveis. com Fazendense, Alcanenense e Abrantes e Benfica a derrotarem, respectivamente, as formações do Salvaterrense, Entroncamento AC e Águias de Alpiarça, que continuam, pois, a ocupar os três lugares da cauda da tabela.

A marca mais dilatada (4-1) foi, aliás, obtida pela equipa que actuou em terreno alheio, tendo o Fazendense goleado o “lanterna vermelha”, Salvaterrense, que acumulou o décimo desaire em onze jornadas, não tendo ainda conseguido estrear-se a vencer nesta edição do campeonato.

Nos outros dois desafios registou-se resultado idêntico (3-1), com a particularidade de, em ambos os casos, terem sido os forasteiros a abrir o activo, por volta dos vinte minutos, para, depois, os conjuntos de Alcanena e de Abrantes apontarem três tentos cada: o Alcanenense chegou ao intervalo já em posição de vantagem, selando o desfecho ainda antes do quarto de hora da segunda parte; os abrantinos apenas na etapa complementar chegariam aos golos, operando a reviravolta aos 47 e 53 minutos, fixando o “placard” em tempo de compensação.

II Divisão Distrital – O Porto Alto, que tão boa impressão deixara em Tomar na semana anterior, em jogo da Taça, alcandorou-se à liderança da Série A, goleando por 6-0 no terreno do Rebocho; e beneficiando do inesperado desaire caseiro sofrido pelo anterior comandante, Forense, batido por 1-2 pelo QT-SC Rio Maior, que, continuando a ocupar discreto 7.º lugar, volta a surpreender pela positiva, depois de, há cerca de um mês, ter ido também vencer ao reduto do Marinhais.

Na frente da classificação temos, agora, Porto Alto (16 pontos), seguido de muito perto por Forense e Pontével (15) e Marinhais (13). Mas o Moçarriense, Benavente e Rio Maior (todos, nesta altura, só com nove pontos), não poderão ser ainda, liminarmente, afastados da corrida.

Mais a Norte, o Tramagal segue de vento em popa, tendo somado a sexta vitória em outros tantos jogos disputados, batendo, por categórico 3-0, o Alferrarede, no reeditar de um velho “clássico”. Tem, não obstante, a mesma pontuação (18 pontos) que o Vilarense (este com um jogo a mais), turma que goleou a equipa “B” do Abrantes e Benfica por 6-1. O Vasco da Gama, que folgou, viu-se igualado, a 13 pontos, pelo Caxarias (que não foi além de um empate, 2-2, com o Riachense).

Liga 3 – O U. Santarém voltou a perder, desta vez em casa, ante a Académica, por algo pesada marca de 0-3, mantendo a 7.ª posição, mas, nesta altura, já a seis pontos do 4.º classificado, e somente com um ponto à maior face a Sp. Covilhã e Oliveira do Hospital.

Nota de realce para mudança no comando: a atravessar um ciclo muito negativo, sem conseguir ganhar há seis jogos (nos quais averbou apenas quatro pontos), o Belenenses cedeu a liderança ao Atlético e Académica (ambos com 22 pontos), tendo, inclusivamente, caído, numa só ronda, até ao 4.º lugar (igualado a 21 pontos com o 1.º Dezembro – e, ambos, só um ponto acima do Caldas).

Campeonato de Portugal – Foi uma ronda (11.ª) que se caracterizou pelo insólito de doze dos 14 clubes concorrentes da Série C terem empatado! Só o Mortágua conseguiu sair vencedor, em Alverca (2-1). Quanto ao Fátima, não desfez o nulo na recepção ao guia, O Elvas, mantendo a 4.ª posição, mas, agora, somente com margem de quatro pontos sobre a “linha de água”.

Antevisão – Na 12.ª jornada do Distrital da I Divisão prosseguem os embates a suscitar grande interesse, desde logo o Torres Novas (4.º) – Ferreira do Zêzere (1.º), assim como o Samora Correia (2.º) – Alcanenense (5.º), ou o Coruchense (6.º) – Abrantes e Benfica (7.º). Por seu lado, o Fazendense volta a receber, apenas quinze dias volvidos, o Cartaxo, enquanto o U. Tomar terá a visita do Glória do Ribatejo, buscando um triunfo que poderá ser crucial.

Na divisão secundária as atenções estarão centradas, a Sul, no embate entre Porto Alto e Forense. Na série B, destaca-se o Vasco da Gama-Caxarias, sendo Tramagal e Vilarense favoritos nas deslocações, respectivamente, a Abrantes e Ortiga.

Na Liga 3, o U. Santarém viaja até às Caldas da Rainha, para defrontar o actual 5.º classificado, que aspira também a integrar o quarteto de apurados para a fase final. No Campeonato de Portugal, o Fátima visita Arronches, onde encontrará um dos vice-líderes.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 12 de Dezembro de 2024)

15 Dezembro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/8 de final

(“O Templário”, 05.12.2024)

Após a disputa dos 1/8 de final da Taça do Ribatejo não subsiste já qualquer clube do escalão secundário em prova, tendo prevalecido a lógica, com os primodivisionários (que beneficiaram ainda da vantagem de actuar no respectivo reduto) a vencer os quatro desafios que disputaram ante equipas da II Divisão Distrital.

Não terá havido também surpresa no desfecho das quatro partidas entre emblemas da I Divisão; depois da eliminação, na ronda prévia, do Coruchense, At. Ouriense, Amiense e Salvaterrense, também Torres Novas, Mação, Cartaxo e Glória do Ribatejo ficaram já afastados da competição.

Assim, é o seguinte o alinhamento dos jogos dos quartos-de-final, previamente sorteado: Entroncamento AC (14.º) – Ferreira do Zêzere (1.º); Águias de Alpiarça (15.º) – Samora Correia (2.º); U. Tomar (9.º) – Fazendense (3.º); e Abrantes e Benfica (8.º) – Alcanenense (5.º).

Destaques – O actual detentor do troféu, Ferreira do Zêzere, continua a estender a sua série triunfal: às dez vitórias no campeonato soma mais duas na Taça do Ribatejo, totalizando, agora, doze êxitos consecutivos. Repetiu, desta feita por tangencial 1-0, o triunfo que havia averbado quinze dias antes em Mação, tendo bastado, para tal, um tento obtido no início da segunda parte.

Em evidência esteve também o Fazendense, que recebeu e goleou o Cartaxo, por 4-0: dois golos apontados a fechar o primeiro tempo decidiram a contenda, o que foi confirmado com outros dois tentos, entre os 67 e os 75 minutos, sem que os cartaxeiros conseguissem esboçar reacção.

Em Abrantes o conjunto local superiorizou-se ao Torres Novas, mercê de um golo alcançado ainda no quarto de hora inicial, tendo o Abrantes e Benfica beneficiado, por outro lado, do facto de os torrejanos terem actuado em inferioridade numérica a partir dos 40 minutos.

No outro encontro entre clubes da I Divisão, o Samora Correia venceu o Glória do Ribatejo, por 2-1, resultado mais “apertado” do que seria expectável, mas, efectivamente, nunca o triunfo dos homens da casa terá estado em causa, uma vez que chegaram rapidamente a vantagem de dois golos, marcados aos 5 e 24 minutos. Os visitantes apenas obteriam o “ponto de honra” ao sexto minuto do período de compensação, demasiado tarde para poder ainda assustar.

Confirmações – Nas outras quatro partidas, em que emblemas do principal escalão foram anfitriões de oponentes da divisão secundária, confirmou-se o favoritismo dos visitados.

Não houve, pois, surpresa, mas ela até esteve perto de poder suceder, em Tomar, com o União a experimentar grandes dificuldades para suplantar a bem orientada turma do Porto Alto. Os unionistas começaram, aliás, por ser surpreendidos pela forma assertiva como o grupo do Sul do Distrito entrou em campo, com grande dinâmica e assumindo a iniciativa, tendo aberto o activo decorridos os dez minutos iniciais, na conversão de uma grande penalidade.

Durante vinte minutos os tomarenses não conseguiam acertar com as marcações, e o Porto Alto criou ainda um ou outro lance de perigo, antes de os visitados conseguirem rectificar o posicionamento. No cômputo geral, as coisas acabariam por correr bastante de feição ao U. Tomar, sobretudo a partir da expulsão, logo no primeiro minuto da segunda metade, de um adversário.

Igualmente de “penalty”, os nabantinos empataram (80.º golo de Wemerson Silva ao serviço do União), acabando por chegar ao triunfo, por sofrido 2-1, já no último minuto, mercê de um auto-golo. Ficou, não obstante, patente a qualidade de jogo do conjunto da II Divisão.

Também o Entroncamento AC se desembaraçou, aparentemente sem dificuldades de maior, do U. Almeirim, ganhando por 2-0, marcando o primeiro tento a abrir a segunda parte e confirmando a vitória com outro golo, já à entrada dos dez minutos finais.

Em Alpiarça, onde, porventura, poderia ser mais susceptível uma eventual surpresa (depois de o Vilarense ter, na ronda anterior, afastado o Amiense), o Águias obteve convincente vitória ante a formação de Vilar dos Prazeres, por 3-0, chegando ao intervalo já com dois tentos de vantagem.

Assinala-se ainda uma outra goleada, esta bem mais robusta, por 8-0, no Alcanenense-U. Atalaiense, um jogo sem outra história que não a da sequência dos golos: após ter chegado ao intervalo com (magra) vantagem de 2-0, a formação de Alcanena marcou mais cinco tentos num curto espaço de quinze minutos (entre os 46 e os 61), portanto, logo a abrir a segunda etapa da partida, numa fase de grande desnorte do adversário, sem argumentos para contrariar o significativo diferencial entre as duas equipas. O oitavo golo surgiria já no derradeiro minuto.

Liga 3 – Num encontro repleto de cambiantes, o U. Santarém acabou por empatar (3-3) em Alcochete, ante a equipa “B” do Sporting: os escalabitanos inauguraram o marcador ainda antes dos dez minutos, mas permitiram a reviravolta, com dois tentos dos sportinguistas, entre os 30 e os 38 minutos. Na segunda parte, a turma de Santarém recolocar-se-ia em vantagem (3-2), tendo marcado aos 65 e 77 minutos, vindo a conceder o golo que fixou o “placard” final aos 90+4…

Após a realização da 12.ª jornada (de um total de 18, nesta primeira fase), a classificação da Série B traduz uma invulgar situação de equilíbrio, apenas com sete pontos a separar o 1.º e o penúltimo (o mesmo diferencial que se regista entre este e o 10.º e último classificado, Lusitânia dos Açores).

O U. Santarém (15 pontos) mantém o 7.º posto, somente três pontos abaixo do último lugar (4.º) de apuramento para a fase de promoção. Ao líder Belenenses (21) – que não vence há cinco jogos! –, seguem-se: Atlético e Académica (19), 1.º Dezembro (18), Sporting “B” e Caldas (17).

Campeonato de Portugal – A interrupção do campeonato não terá sido favorável ao Fátima, que viu também interrompido um excelente ciclo de quatro vitórias consecutivas, não tendo conseguido desfazer o nulo na recepção ao Sp. Pombal, na retoma da competição (10.ª ronda).

Os fatimenses (16 pontos) mantêm também a posição (4.ª), igualmente a três pontos dos lugares de acesso à fase final – numa série comandada por dois emblemas alentejanos: O Elvas (25 pontos) e Arronches e Benfica (19) – subsistindo a margem de cinco pontos face à “linha de água”.

Antevisão – Na retoma da I Divisão Distrital, para disputa da 11.ª jornada, as atenções estarão concentradas no embate entre os dois primeiros classificados, com o Ferreira do Zêzere a receber o Samora Correia, num desafio que poderá ser definidor para o futuro do campeonato.

De interesse será também o Mação-Torres Novas, enquanto o Fazendense procurará confirmar o favoritismo na visita a Salvaterra de Magos. O U. Tomar desloca-se ao Cartaxo, para defrontar um adversário que acumula seis derrotas consecutivas, sendo de notar, não obstante, que quatro delas foram averbadas perante os clubes que ocupam, nesta altura, os quatro primeiros lugares.

Na divisão secundária, destacam-se os seguintes encontros: Marinhais-Benavente e Caxarias-Riachense. Os líderes são claramente favoritos, recebendo, respectivamente, o QT-SC Rio Maior (Forense) e o Alferrarede (Tramagal), no reviver de um clássico do futebol distrital.

Na Liga 3, o U. Santarém terá um jogo de elevado grau de dificuldade, recebendo a histórica Académica (um dos vice-líderes), que vinha também de quatro triunfos sucessivos, antes da paragem, tendo cedido um empate caseiro ante o Oliveira do Hospital no passado fim-de-semana.

Por seu lado, o Fátima, no Campeonato de Portugal, enfrentará também um compromisso da maior exigência competitiva, recebendo precisamente o guia destacado, O Elvas.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 5 de Dezembro de 2024)

8 Dezembro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 10ª Jornada

(“O Templário”, 28.11.2024)

Três vitórias e um empate nos últimos cinco jogos disputados (incluindo o da Taça), subida à 9.ª posição, com média superior a um ponto por jogo (doze em dez rondas), agora com margem de oito pontos (12-4) face à “linha de água”; mesmo que tenha defrontado rivais da parte baixa da tabela e sem ter apresentado grandes primores exibicionais, o União vai fazendo a sua caminhada, acercando-se decididamente de uma marca histórica. O reforço da confiança, e à medida que puder dispor de todo o plantel, deverão proporcionar uma progressiva melhoria de desempenho.

Na frente, a novidade foi a perda de pontos do Fazendense, que não conseguiu melhor do que o empate, na recepção ao Abrantes e Benfica, do que resultou que o Samora Correia passasse a ficar isolado na perseguição ao triunfal líder, Ferreira do Zêzere, que soma trinta pontos em dez jogos.

Destaques – A décima vitória dos ferreirenses foi, todavia, arrancada “in extremis”: recebendo a bem organizada equipa do Alcanenense, a turma da casa foi surpreendida, vendo-se em desvantagem de dois golos ainda antes de meio da primeira parte, depois de os visitantes terem entrado praticamente a ganhar, inaugurando o marcador logo aos quatro minutos.

Os anfitriões reduziram para 1-2 antes do intervalo, mas a desvantagem subsistiria até aos derradeiros minutos, tendo o golo do empate chegado apenas aos 83 minutos. Visando contrariar a intensa pressão dos ferreirenses, José Torcato faria ainda quatro substituições de uma assentada, no penúltimo minuto do tempo regulamentar, mas que acabaram por se revelar infrutíferas, dado que o grupo de Ferreira do Zêzere consumaria a reviravolta, estabelecendo o “placard” final de 3-2 a seu favor, em tempo de compensação, já passados cinco minutos dos noventa.

Em evidência esteve também o vice-líder, Samora Correia, a demonstrar consistência, somando sétimo triunfo consecutivo (só empatou, na ronda inaugural, com o Fazendense, tendo perdido um único encontro, na 3.ª jornada, em Coruche), ganhando por 2-0 ao Mação, que, ao invés, sofreu terceiro desaire seguido, depois das derrotas com o Alcanenense e Ferreira do Zêzere.

Num embate entre dois dos conjuntos de maior potencial, Fazendense e Abrantes e Benfica neutralizaram-se, empatando a uma bola: marcaram primeiro os donos da casa, logo aos seis minutos; tendo os abrantinos restabelecido a igualdade aos… seis minutos do segundo tempo. Este deslize provocou o ampliar do atraso do grupo das Fazendas, face ao comandante, para sete pontos, enquanto o Abrantes e Benfica mantém a 8.ª posição, agora já a quinze pontos do guia, dois pontos abaixo do Mação (que desceu a 7.º) e, afinal, somente três pontos acima do U. Tomar.

Em destaque, mas pela negativa, continua o Cartaxo, que acumulou quinta derrota sucessiva (após ter sido também batido pelo Mação, Ferreira do Zêzere, Samora Correia e Torres Novas), tendo, desta feita, perdido em Ourém, ante o Atlético local, mercê de um tento apontado pelos oureenses cinco minutos para além do tempo regulamentar. Muito distantes dos ambiciosos objectivos inicialmente declarados, os cartaxeiros ganharam apenas duas vezes, tendo baixado ao 11.º lugar!

Confirmações – Quase sem se dar por ela, “pé ante pé”, a equipa do Torres Novas vai somando triunfos (terceiro seguido, num total de sete vitórias nas últimas oito rondas), que lhe têm possibilitado ir, gradualmente, subindo na pauta classificativa, até um notável 4.º posto, um único ponto atrás do Fazendense. Recebendo a formação da Glória do Ribatejo, os torrejanos não tiveram dificuldades em resolver a contenda a seu favor, ganhando por categórica marca de 3-0.

Também expectável era a vitória do Coruchense ante o Entroncamento AC, selada com concludente goleada de 5-0: quebrada a resistência dos forasteiros apenas à beira do intervalo, na segunda metade a turma do Sorraia beneficiou de maiores facilidades, tendo marcado mais quatro tentos na última meia hora do desafio.

Águias de Alpiarça e Amiense, dois emblemas a sentir as agruras da tentativa de escapar aos indesejados lugares de despromoção, disputaram intenso confronto, que finalizaria com a repartição de pontos, confirmando um desfecho que se poderia projectar. Os alpiarcenses estiveram em vantagem por duas vezes, tendo marcado o 2-1 ao minuto noventa; porém, o autor dos dois tentos da equipa da casa, João Atela, seria de imediato expulso, por acumulação de amarelos, o que o conjunto dos Amiais aproveitaria para restabelecer o empate, aos 90+6 minutos.

Um desfecho mais penalizador para o Águias, que subsiste em zona de descida (15.º e penúltimo classificado, à frente do Salvaterrense), mantendo o Amiense o 12.º posto, três pontos acima.

A concluir esta resenha da jornada, recuperemos então a vitória do U. Tomar, precisamente na recepção ao Salvaterrense, repetindo o triunfo averbado três semanas antes, em partida a contar para a Taça do Ribatejo, mas, desta vez, mercê de um solitário golo, marcado aos 66 minutos, resultado deveras escasso atendendo às oportunidades de que dispôs, principalmente após ter chegado à vantagem. Depois de uma primeira parte “morna”, os unionistas mostraram sempre maior iniciativa na etapa complementar, em relação a um opositor muito necessitado de pontuar.

II Divisão Distrital – Na Série A, o Forense isolou-se no comando, após cinco jornadas, mantendo o pleno de vitórias, com uma retumbante goleada de 5-0, aplicada no terreno do U. Almeirim. Beneficiou, para tal, do empate (1-1) entre Porto Alto e Marinhais, respectivamente 2.º e 4.º classificados, assinalando-se que a equipa do Porto Alto sofreu o seu primeiro golo na prova.

A notar, igualmente, o desfecho do embate entre Benavente e Moçarriense (1-0 para os visitados), com a turma da Moçarria a atrasar-se significativamente, já a nove pontos do líder.

Mais a Norte, na Série B, já na sexta ronda, o Tramagal saltou para o 1.º lugar, tendo ido golear a Pernes por 4-0, somando também cinco vitórias nos cinco jogos já realizados. Os tramagalenses aproveitaram o desaire sofrido pelo anterior guia, Vasco da Gama, batido por 3-1 nos Riachos.

O Vilarense soma, tal como o Tramagal, 15 pontos, depois de ter ido vencer por 3-0 a Alferrarede, mas contando já com seis encontros disputados (tendo concedido uma única derrota, logo na jornada de abertura, precisamente na recepção ao agora novo líder, num empolgante 3-4).

Por seu turno, o Caxarias, que se encontrava em igualdade pontual com o Tramagal e Vilarense, sofreu muito inesperada derrota, perdendo com o conjunto da Ortiga (até então último classificado, tendo perdido todas as cinco partidas anteriores), por 2-1.

Antevisão – Os campeonatos distritais estarão em pausa neste fim-de-semana, para disputa dos 1/8 de final da Taça do Ribatejo, em que avultam os seguintes embates: Abrantes e Benfica-Torres Novas, Fazendense-Cartaxo e, sobretudo, o Mação-Ferreira do Zêzere. Em jogos de cariz sempre especial, a eliminar, a surpresa poderá estar à espreita em qualquer campo.

Também o U. Tomar, que recebe o Porto Alto, 2.º classificado na Série A do escalão secundário, deverá ter presente a campanha que o adversário vem realizando, muito sólido a nível defensivo.

Na retoma da Liga 3, o U. Santarém desloca-se a Alcochete, para defrontar a equipa “B” do Sporting, no 5.º posto, dois degraus (e dois pontos) acima da posição dos escalabitanos. Por seu lado, no Campeonato de Portugal, o Fátima recebe o Sp. Pombal (9.º classificado), procurando dar sequência à fase muito positiva que vinha atravessando antes da interrupção da prova, em que averbou quatro vitórias consecutivas, que o catapultaram para um bem meritório 4.º lugar.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 28 de Novembro de 2024)

1 Dezembro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

Centenário da Associação de Futebol de Santarém (1924-2024)

3. Palmarés Distrital

No terceiro e último artigo desta pequena série, a pretexto dos 100 anos da Associação de Futebol de Santarém (“AFS”), aniversário celebrado a 19 de Novembro, o mote é o palmarés distrital.

Desde a criação do Campeonato de futebol por parte da “AFS”, no ano de 1925, em cem edições disputadas, são trinta os clubes que se sagraram vencedores da sua principal competição:

  • 9 vezes – Torres Novas (incluindo-se nesta contagem o título conquistado pelo então denominado Torres Novas F.C., em 1928-29);
  • 8 – U. Operária de Santarém;
  • 7 – Tramagal;
  • 6 – Ac. Santarém; e U. Tomar;
  • 5 – “Os Leões” de Santarém; e Ferroviários;
  • 4 – Cartaxo; Alcanenense; At. Riachense; U. Almeirim; e Coruchense;
  • 3 – Alferrarede; Marinhais; Benavente; Samora Correia, U. Rio Maior; e Fátima;
  • 2 – Rossiense; Matrena; Amiense; e Fazendense;
  • 1 – Águias de Alpiarça; Abrantes FC; Monsanto; Ouriquense; At. Ouriense; Mação; U. Santarém; e Rio Maior SC.

Começou por vincar superioridade a equipa de “Os Leões” de Santarém, que ganhou os três primeiros torneios (1925 a 1927 – tendo vencido também em 1930), a que se seguiu a supremacia da U. Operária de Santarém (com seis títulos conquistados, logo entre 1928 e 1935, os cinco últimos consecutivos). O predomínio dos grupos da capital do Distrito prosseguiria, depois, com o triunfo, noutras cinco edições (entre 1936 e 1941), por parte da Académica de Santarém.

Até 1946, ano em que se registou a unificação do campeonato (até então, geralmente repartido em diferentes zonas), apenas o mencionado Torres Novas F.C., Matrena (1938) e U. Tomar (1942 e 1943) se tinham intrometido na dominância dos clubes escalabitanos, que, nessa altura, somavam já 18 títulos (U. Operária, com oito; Académica, com seis; e “Os Leões”, com quatro)!

Surgiria então, como novo vencedor, o Ferroviários, com três campeonatos conquistados até 1952. Já depois do primeiro título ganho (1950) pelo ressurgido C. D. Torres Novas – e do último de “Os Leões” (1953) – assinalam-se outros dois ciclos de cinco títulos sucessivos, primeiro por parte do emblema torrejano (de 1955 a 1959), e, de imediato, do Tramagal (de 1960 a 1964).

Num período em que o Campeão Distrital não dispunha da prerrogativa de disputar exclusivamente os Nacionais, os tramagalenses somariam ainda mais dois títulos (1966 e 1967).

De facto, até ao ano de 1968, apuravam-se os primeiros classificados (geralmente quatro) do Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Santarém para participar, nessa mesma época, na III Divisão Nacional – tendo o U. Tomar sido o único clube a conseguir, em 1964-65, sagrar-se, numa única temporada, Campeão Distrital e Campeão Nacional da III Divisão (sendo, então, promovido à II Divisão); por curiosidade, também o Coruchense (1953-54) e “Os Leões” (1962-63) haviam sido Campeões da III Divisão, em épocas em que, no Distrital, não tinham ido além do 4.º e do 2.º lugar, respectivamente. O Tramagal viria a ser vice-campeão da III Divisão na temporada de 1966-67, garantindo também, por fim, a subida à II Divisão Nacional.

Só a partir da época de 1968-69 se iniciou novo modelo, com a promoção do Campeão Distrital (em alguns anos, também do vice-campeão, como ocorreu em 1976, 1987, 1990, 1995, 1997, 2004, 2005 e 2012) aos Nacionais (III Divisão; actualmente, ao “Campeonato de Portugal”), deixando, pois, de integrar o lote de concorrentes ao Distrital na temporada subsequente.

A partir daí, a conquista do título de Campeão como que se “democratizou”, apenas o At. Riachense tendo tido oportunidade de – para além dos triunfos de 2001 e 2013 – bisar o 1.º lugar (2009 e 2010), e isto, somente pelo facto de ter abdicado da promoção, na primeira destas épocas.

Não obstante, vários outros clubes se evidenciaram, vencendo também o campeonato por mais de uma vez em relativamente curtos intervalos de tempo, em especial nos seguintes casos: Alferrarede (1970, 1973 e 1980); Marinhais (1982, 1987 e 1990); Samora Correia (1983, 1994 e 1997); Coruchense (2015, 2017 e 2021); Alcanenense (1969 e 1974); Amiense (1971 e 1977); U. Tomar (1988 e 1998); U. Rio Maior (1992 e 2002); U. Almeirim (1993 e 2000); Fazendense (1996 e 2007); Cartaxo (2006 e 2011); e, por último, o Fátima, actual detentor do título (2016 e 2024).

Não se encontrarão disponíveis estatísticas fiáveis sobre a integralidade dos campeonatos promovidos pela “AFS”, destacando-se, com base nas pesquisas realizadas, os seguintes “rankings”, de entre cerca de uma centena de equipas que disputaram o principal escalão de futebol do Distrito:

  • No que respeita a participações, o extinto Ferroviários, do Entroncamento, é líder, com, pelo menos, 60 presenças, seguindo-se os também históricos Benavente (pelo menos 56), Tramagal (51), Amiense (50), Coruchense e Alcanenense (46 cada), D. Torres Novas e U. Tomar (43 cada), Cartaxo (41) e At. Riachense (40).
  • Em relação a vitórias (e, inerentemente, pontuação total), o Amiense é o comandante destacado, a rondar as sete centenas de vitórias (num pouco mais de 1.400 jogos realizados, o que constituirá também “record”), seguido por Ferroviários e Benavente (próximos de seis centenas de triunfos cada), Coruchense, Torres Novas, Riachense, Tramagal e Cartaxo (cerca de cinco centenas); U. Tomar (442) e Alcanenense (cerca de 430).
  • No que concerne a golos marcados, só Amiense (mais de 2.200), Benavente (com um total acumulado de ordem similar) e Ferroviários superaram já a marca dos dois mil golos obtidos, de que Coruchense e Torres Novas se aproximarão. Por seu turno, o Benavente é o grupo com mais golos sofridos (cerca de dois mil), seguindo-se o Ferroviários (cerca de 1.800).

Virando agulha para a Taça do Ribatejo, competição introduzida pela “AFS” na temporada de 1976-77, tem em curso a disputa da 48.ª edição, constando do seu palmarés, todavia, apenas 46 troféus atribuídos, dado ter sido suspensa, nas meias-finais, a prova de 2020, devido à pandemia.

O “rei” incontestável da designada “prova rainha” é o Fazendense, com cinco Taças ganhas (2006, 2012, 2014, 2016 e 2022). Seguem-se-lhe, com três troféus conquistados, o Tramagal, At. Riachense, Amiense e Coruchense. Por seu lado, Águias de Alpiarça, Alferrarede, Samora Correia, Cartaxo, U. Rio Maior, Mação, U. Santarém, Torres Novas e Ferreira do Zêzere (actual detentor da Taça) venceram a competição por duas vezes cada. Por fim, com um título, temos: Lagartos do Sardoal, Pego, Vasco da Gama, Benavente, Ferroviários, Azinhaga, Abrantes FC, Monsanto, Ouriquense, U. Tomar e Glória do Ribatejo – num total de 25 emblemas laureados.

Foram também, entretanto, já disputadas, desde a época de 1992-93, trinta edições da “Supertaça Dr. Alves Vieira”, com o seguinte palmarés: At. Riachense, Coruchense, Fazendense e Torres Novas (3 troféus cada); Samora Correia, Ferroviários, U. Rio Maior, Alcanenense, Mação e Fátima (2 cada); Alferrarede, Abrantes FC, Monsanto, Amiense, Cartaxo e At. Ouriense (1 cada).

Num exercício teórico de “consolidação” das três competições, são os seguintes (de um total de 36 titulares) os clubes mais galardoados a nível Distrital, no seio da Associação de Futebol de Santarém:

  • 14 Troféus – Torres Novas (9 Campeonatos + 2 Taças + 3 Supertaças);
  • 10Tramagal (7+3+0), Riachense (4+3+3), Coruchense (4+3+3) e Fazendense (2+5+3);
  • 8 Operária de Santarém (8+0+0) e Ferroviários (5+1+2);
  • 7 Tomar (6+1+0), Cartaxo (4+2+1), Samora Correia (3+2+2) e U. Rio Maior (3+2+2);
  • 6 Santarém (6+0+0), Alcanenense (4+0+2), Alferrarede (3+2+1) e Amiense (2+3+1);
  • 5“Os Leões” de Santarém (5+0+0), Fátima (3+0+2) e Mação (1+2+2).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 21 de Novembro de 2024)

24 Novembro, 2024 at 12:30 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 9ª Jornada

(“O Templário”, 21.11.2024)

O líder destacado, Ferreira do Zêzere, superou com distinção mais uma prova que se colocava na sua caminhada, tendo ido vencer, com alguma naturalidade, a Mação, no que constitui já o sexto triunfo dos ferreirenses extra-muros, tendo disputado, até agora, apenas três encontros em casa.

A consistência que vem patenteando, semana após semana, é um forte indício da probabilidade de sucesso no cumprimento do objectivo para esta temporada, mesmo que estejamos ainda em fase relativamente prematura do campeonato.

Destaques – O Ferreira do Zêzere, com um golo praticamente a abrir (logo aos dez minutos) e outro quase a fechar (a cinco minutos do final), não deu possibilidade ao Mação – que vinha de uma goleada (0-4) sofrida em casa, ante o Alcanenense – de rectificar tal desaire com um desfecho positivo, tendo os visitantes, até agora com desempenho muito afirmativo nesta temporada, triunfado por 2-0, relegando o seu adversário para desvantagem já substancial, de dez pontos.

A este afastar de um competidor pelos lugares cimeiros, aliou-se o nulo registado no embate entre Alcanenense e Coruchense, duas formações que vêm dando muito boa conta de si nas últimas semanas (ambos tinham vencido os respectivos quatro últimos jogos), mas, que, desta feita, se neutralizaram, ampliando-se a diferença da turma de Alcanena face ao comandante para sete pontos; por seu turno, o grupo do Sorraia, penalizado pelo mau arranque, dista já onze pontos.

Pelo que, nesta altura, Fazendense e Samora Correia se perfilam como os mais directos concorrentes do guia, não obstante se posicionem cinco pontos atrás do conjunto ferreirense.

A formação das Fazendas deslocou-se ao reduto do Amiense, onde triunfou inapelavelmente, por convincente 3-0, tendo marcado no termo da primeira parte e a findar o tempo regulamentar, isto já depois de ter confirmado a vantagem, chegando aos 2-0 à entrada do último quarto de hora. O Fazendense apenas cedeu pontos no empate caseiro, precisamente ante os samorenses, e pela derrota sofrida em Coruche, somando, pois, sete triunfos nas nove rondas disputadas.

Por seu lado, o Samora Correia somou sexta vitória consecutiva, num ciclo muito positivo, ao ganhar, também em terreno alheio, na Glória do Ribatejo, por 2-1, mas com a particularidade de o tento decisivo ter sido alcançado cinco minutos para além dos noventa, em período de compensação, no que, em paralelo, constitui o quinto desaire sucessivo dos visitantes. Com desempenho muito similar ao do Fazendense, e para além da igualdade na partida entre ambos, o conjunto samorense apenas perdeu um jogo, por coincidência, também com o Coruchense.

A última nota de realce vai para a primeira vitória do Entroncamento AC no presente campeonato, na recepção ao Águias de Alpiarça (tal como a equipa da Glória, com uma série de cinco desaires), igualmente por 2-1, o que proporcionou à turma da cidade ferroviária sair da zona de despromoção, em que ficara imersa desde a 3.ª ronda, precisamente por troca com o adversário.

Surpresa – Hesitei quanto à categorização a atribuir ao desfecho da partida entre Cartaxo e Torres Novas, mas que, em qualquer caso, não deixará de constituir surpresa, mesmo que a confirmar, quer a tendência histórica do confronto entre ambos os emblemas, como a evolução recente do respectivo desempenho: os torrejanos ganharam, por tangencial 1-0, resolvendo bem cedo (estavam decorridos dez minutos) a contenda a seu favor, tal como sucedera na semana anterior.

Sucede que, por um lado, numa estatística verdadeiramente incrível, esta foi a 11.ª vez consecutiva, desde o ano de 2014, em que o Cartaxo não conseguiu, no seu reduto, ganhar ao Torres Novas, tendo-se registado quatro empates, e, agora, a 7.ª vitória dos torrejanos! Acresce, por outro, que os cartaxeiros, com trajectória irreconhecível nesta época, acumularam a quarta derrota sucessiva no presente campeonato, ao passo que os forasteiros somaram seis triunfos nas sete rondas mais recentes, o que lhes proporcionou ascender a um notável 5.º lugar na tabela.

Confirmações – Os outros dois resultados enquadram-se no que seriam as expectativas, com a vitória do Abrantes e Benfica (terceira sucessiva no campeonato) frente ao U. Tomar, e o triunfo do At. Ouriense no terreno do “lanterna vermelha”, Salvaterrense (quarto desaire sucessivo).

Em Abrantes, o União terá tido a melhor entrada em campo, desde o início da temporada, com a equipa, de forma personalizada, a assumir a iniciativa, surpreendendo o adversário. Porém, não se tendo tal materializado em golos, o tento abrantino, apontado aos 17 minutos, logo numa das suas primeiras investidas, não terá deixado de abalar a confiança dos tomarenses.

A partir daí, os anfitriões, mais seguros, como que “pegaram no jogo”, acabando por não surpreender o ampliar da contagem, à passagem dos 40 minutos, na sequência de um pontapé de canto, a aproveitar com eficácia mais uma falha de concentração dos opositores. Na segunda parte, o Abrantes optou por gerir o resultado, concedendo posse de bola aos unionistas, que, contudo, revelaram limitada objectividade.

Em Salvaterra de Magos, o At. Ouriense chegou, até com bastante maior facilidade do que seria previsível, a uma categórica vantagem de 3-0, com tentos averbados aos 20, 27 e 55 minutos. A meritória, e digna de nota, reacção dos donos da casa, com dois golos de “rajada”, pouco depois da hora de jogo, ficou aquém das necessidades do Salvaterrense, que não evitou mais uma derrota, outra vez pela diferença mínima, de 2-3, como sucedera em Torres Novas (0-1), e, pelo mesmo “placard” de 2-3, também quinze dias antes, na recepção ao Samora Correia.

II Divisão Distrital – Jogou-se apenas na Série B (Norte), com destaque para a goleada (4-0) do Tramagal na recepção ao Pego, prosseguindo os tramagalenses um percurso totalmente vitorioso nos quatro jogos já realizados. Não obstante, o guia continua a ser o Vasco da Gama (já com cinco partidas disputadas), tendo vencido o Ortiga por 4-1, dispondo de um ponto de vantagem.

Também o Caxarias e Vilarense registam – tal como o Tramagal – doze pontos (mas, à semelhança do Vasco da Gama, tendo jogado nas cinco jornadas já decorridas), depois de terem batido, respectivamente, a equipa “B” do Abrantes (3-1) e o At. Pernes (3-0).

Antevisão – No Distrital da I Divisão, que atinge a 10.ª jornada, destacam-se, principalmente, os seguintes três desafios: Ferreira do Zêzere-Alcanenense, Samora Correia-Mação e Fazendense-Abrantes e Benfica, envolvendo seis das equipas com maior potencial, nos quais, sendo os anfitriões favoritos, se projecta que os visitantes possam oferecer forte réplica.

Quanto ao U. Tomar, reencontra, três semanas depois, o Salvaterrense, procurando repetir o triunfo, que, a ocorrer, poderá revelar-se de crucial importância para o desenrolar da época.

Tendo a Série A da divisão secundária tido um breve interregno no passado fim-de-semana, o realce vai, na retoma da prova, com a 5.ª jornada, para a partida entre Porto Alto e Marinhais. Na Série B (que avança para a 6.ª ronda) as atenções estarão centradas no Riachense-Vasco da Gama.

A Liga 3 e o Campeonato de Portugal continuam em pausa, dado disputar-se a eliminatória relativa aos 1/16 avos de final da Taça de Portugal, já sem qualquer representante do Distrito.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 21 de Novembro de 2024)

24 Novembro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

Centenário da Associação de Futebol de Santarém (1924-2024)

2. Participação dos clubes filiados na Taça de Portugal

Neste segundo artigo evocando o Centenário da Associação de Futebol de Santarém (“AFS”) apresenta-se uma súmula das participações dos seus representantes na Taça de Portugal.

Nas 85 edições da “prova rainha”, desde a estreia na época de 1938-39, participaram na competição cerca de 750 clubes, de Norte a Sul, estendendo-se às ilhas, e, até 1974, alargando-se inclusivamente às então designadas “províncias ultramarinas”. Desse número, 40 correspondem a emblemas com filiação na “AFS”, tendo somado um total de 439 participações, ao longo de 69 temporadas, desde a presença inaugural, do Operário Vilafranquense, em 1940-41.

Tal como sucede a nível de presenças nos campeonatos nacionais, também o Torres Novas é o clube com maior número (42) de participações na Taça de Portugal, sendo, neste caso, seguido de perto pelo U. Tomar (39), Fátima e U. Santarém (38 cada). U. Almeirim (30), Alcanenense (28), Cartaxo (25) e U. Rio Maior (22) registam também mais de vinte presenças.

Tendo começado por dispor de um único representante nas primeiras nove edições em que participaram formações do Distrito (até ao ano de 1965), o “record” é de 14 equipas (na época de 1990-91), tendo-se reduzido, desde 2012, a um lote de quatro ou cinco participantes – depois de, entre 1977 e 2002 ter oscilado, na quase totalidade das temporadas, entre nove e onze.

Nas 439 participações, em 170 delas os clubes filiados não lograram superar a 1.ª eliminatória, sendo que, noutras 97, se quedaram pela 2.ª ronda. Registam-se, pela positiva, 89 participações em estágios mais adiantados do torneio, a partir dos 1/32 avos de final (num total de 55 vezes nesta fase – incluídas duas presenças na 4.ª eliminatória, na época de 1970-71).

Se restringirmos a análise a partir do patamar dos 1/16 avos de final, a amostra reduz-se, pois, a 34 presenças, sendo que a última delas ocorreu já há dez anos, por via do At. Riachense.

Dessas 34 rondas em fase mais avançada, destaca-se o U. Tomar, com cinco participações nos 1/4 de final (1969, 1970, 1973, 1974 e 1975), uma nos 1/8 de final (1976) e uma nos 1/16 avos de final (1972). Só “Os Leões” de Santarém (em 1956) conseguiram alcançar igualmente os 1/4 de final, contando ainda com outras três ocasiões (1948, 1949 e 1969) em disputa de ronda equivalente aos 1/16 avos de final. Nas cinco oportunidades dos tomarenses de poder aceder às meias-finais, viram-se arredados pelo Sporting (duas vezes), Leixões, CUF e Olhanense; tendo “Os Leões” de Santarém (depois de superarem V. Setúbal e Atlético) sido afastados pelo FC Porto.

Marcaram ainda presença nos 1/8 de final: (i) o Torres Novas, por duas vezes (1973 e 1976) – tendo os torrejanos disputado igualmente os 1/16 avos de final noutras duas ocasiões (1992 e 1995); (ii) o Fátima (1993), sendo que os fatimenses chegaram aos 1/16 avos de final noutras três vezes (2006, 2009 e 2010); para além (iii) do Operário Vilafranquense, na estreia, em 1941.

A eliminatória correspondente aos 1/16 avos de final foi também atingida por: U. Almeirim (1971, 1975 e 1986); Benavente (1977 e 1978); Cartaxo (1980 e 1987); Samora Correia (1985 e 1987); At. Riachense (1989 e 2015); Abrantes FC (2006 e 2008); e G. D. Coruchense (1955).

Nos 870 desafios realizados envolvendo equipas da “AFS” ficaram memoráveis, especialmente, as vitórias obtidas frente a adversários a militar na I Divisão: os mencionados triunfos de “Os Leões” de Santarém (1955-56) ante V. Setúbal (4-1) e Atlético (3-2); 1-0 no Marinhais-Salgueiros (1982-83); 1-0 no U. Santarém-Belenenses (1976-77); 2-1 no Cartaxo-Sp. Braga (1986-87); tendo o U. Tomar vencido o Leixões (4-2 em 1967-68; e 2-1 em 1975-76) e a CUF (1-0 em 1969-70).

O Cartaxo foi ainda o único a empatar (também em 1986-87) com o Benfica (que venceu os outros sete encontros com emblemas do Distrito). Em seis jogos frente ao Sporting, regista-se um único empate (do U. Tomar, em 1974-75). O FC Porto venceu todos os cinco desafios disputados.

Ao invés, não foi possível evitar alguns pesados desaires: 14-1 no Benfica-At. Riachense; 9-0 no V. Setúbal-U. Rio Maior, Paços de Ferreira-At. Riachense e Benfica e Castelo Branco-Amiense; 8-0 no Benfica-U. Almeirim, Sp. Espinho-Amiense, Olhanense-Fátima e Estarreja-U. Rio Maior; para além de dez derrotas por 0-7 (duas do Cartaxo, Torres Novas e do U. Tomar; uma do Amiense, Azinhaga, Matrena e “Os Leões” de Santarém).

Por outro lado, o U. Santarém regista a maior goleada a favor, tendo vencido, fora de casa, o Tabuense, por 10-0. O U. Tomar bateu o Condestável por 9-1; enquanto o Torres Novas ganhou ao Eléctrico de Ponte de Sôr por 8-0, a mesma marca obtida pelo Monsanto ante o Mirandense.

Fátima (em 93 jogos) e U. Tomar (97 jogos) são os que somam mais vitórias na prova (43 cada), seguidos por Torres Novas (35), U. Santarém (31), U. Almeirim (30) e Alcanenense (25).

No quadro em anexo apresenta-se síntese de todas as 439 participações dos clubes filiados na Associação na Taça de Portugal, indicando-se, para cada equipa, a fase atingida, época a época.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 14 de Novembro de 2024)

(clicar na imagem para ampliar)

17 Novembro, 2024 at 12:30 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 8ª Jornada

(“O Templário”, 14.11.2024)

O facto de ter registado um jogo em atraso, logo da ronda inaugural, tem feito com que o Alcanenense se posicionasse na tabela um pouco abaixo do que potencialmente poderia alcançar, em caso de triunfo em tal partida, agendada para esta quarta-feira, ante o At. Ouriense. É que, em tal cenário, a turma de Alcanena partilharia a vice-liderança com Fazendense e Samora Correia.

Isto não invalida, em qualquer caso, algum espanto pela categórica goleada (4-0) aplicada pelos pupilos de José Torcato em Mação, precisamente frente ao anterior 2.º classificado, que, num só desafio, sofreu tantos golos quantos concedera nas sete jornadas anteriores.

De resto, na frente, nada de novo, com o Ferreira do Zêzere a somar o oitavo triunfo em outros tantos desafios realizados no campeonato, ampliando para cinco pontos a vantagem sobre os seus mais directos perseguidores. Mas não foi “linear” essa vitória, como adiante se verá…

Destaques – A grande nota de realce foi, efectivamente, a goleada do Alcanenense em Mação, proporcionada por uma entrada “a todo o gás”: aos seis minutos, com dois golos de rajada, a formação de Alcanena tinha já (mais de) meio caminho andado para a vitória, tendo chegado a 3-0 ainda antes do intervalo. Perante a impossibilidade de reacção por parte dos maçaenses, a contagem viria a ser fixada pelos visitantes… aos seis minutos do segundo tempo.

Noutro embate que constituía um dos pontos de interesse do passado Domingo, o Samora Correia impôs-se ao Cartaxo, ganhando por 2-0, com golos aos 28 e 45 minutos, firmando a sua candidatura aos lugares de topo (somando quinto êxito consecutivo), enquanto, em paralelo, os cartaxeiros (terceiro desaire sucessivo) não deverão já poder esperar “milagres” deste campeonato, a longínquos quinze pontos do comandante, partilhando o 9.º lugar com o U. Tomar.

Justamente, os unionistas, noutro encontro de maior aliciante da última ronda, mercê do facto de receberem a equipa orientada pelo seu anterior responsável técnico, Marco Marques, voltaram a ganhar – depois da vitória alcançada em Alpiarça, e do triunfo do fim-de-semana precedente, para a Taça, ante o Salvaterrense –, desta feita por tangencial 1-0.

Após onze jogos sucessivos sem conseguir manter a sua baliza inviolada, desde o mês de Março, os tomarenses, num jogo sem grandes primores exibicionais, mostraram-se sempre mais inconformados com o nulo que perduraria até ao quinto minuto do tempo de compensação, altura em que, na sequência de um livre, conseguiram desfeitear o guardião contrário, desfazendo a expectativa de pontuar por parte dos homens dos Amiais, acabando por justificar o resultado.

Um desfecho favorável que possibilitou aos nabantinos distanciar-se da zona perigosa da tabela, agora já com uma margem de sete pontos (9-2) face à “linha de água” (penúltimo classificado).

O último destaque vai para o triunfo (2-1) do Abrantes e Benfica em Ourém, perante o At. Ouriense, tendo os abrantinos chegado, aliás, a dispor de dois tentos de vantagem, apontados em escassos três minutos, entre os 35 e os 38. A turma de Abrantes subiu ao 8.º posto, já afastada da parte inferior da classificação, pese embora diste quatro pontos do lugar imediatamente acima.

Confirmações – Numa jornada sem imprevistos de maior – à parte, claro, a expressão da vitória do Alcanenense em Mação – o Glória do Ribatejo não deixou, contudo, de começar por surpreender, no terreno do guia, em Ferreira do Zêzere.

De facto, os forasteiros colocaram-se em vantagem, não uma, mas por duas vezes: o grupo da Glória inaugurou o marcador aos nove minutos; os ferreirenses empataram aos quinze; tendo os visitantes marcado o 1-2 aos 33. Valeu aos anfitriões terem restabelecido de novo a igualdade apenas outros quatro minutos volvidos, tendo atingido o intervalo já em posição de vencedores, por 3-2. Na segunda metade, com maior normalidade, o Ferreira do Zêzere chegou aos 5-2.

Também dentro da lógica se pode enquadrar a vitória (quarta sucessiva) do Coruchense (só a quatro pontos do 2.º lugar), em Alpiarça, frente ao Águias (somando, por seu lado, quarta derrota consecutiva), por 3-0, mas num confronto que, necessariamente, ficou deveras condicionado pelo facto de os alpiarcenses se terem visto reduzidos a nove elementos, por via de duas expulsões, aos 25 e 35 minutos; só depois disso o conjunto do Sorraia chegaria aos (três) golos.

O Fazendense bateu, com aparente tranquilidade, o penúltimo classificado, Entroncamento AC, por 4-1, mas deverá atentar-se que as equipas saíram empatadas a um golo para o intervalo, apenas na etapa complementar se tendo desnivelado o marcador. Uma inaudita curiosidade se assinala: os vinte golos até agora marcados pelo grupo das Fazendas no campeonato foram apontados, todos eles, por apenas três jogadores (Carlos Bacalhau e Torres Gomez, sete cada, e Pedro Costa, que fez um “hat-trick, com seis tentos – perseguidores do ferreirense Rodrigo Antunes, com oito)!

Por fim, o Torres Novas bateu o “lanterna vermelha”, Salvaterrense, pela margem mínima, mercê de um golo obtido logo aos quinze minutos, não se tendo alterado o “placard” até final.

Outra curiosidade ainda: em função dos desfechos da 8.ª ronda, marcaram-se exactamente 200 golos, à média de 25 por jornada, equivalente, portanto, a uma média geral de 3,125/jogo.

II Divisão Distrital – Houve surpresa grande na Série A, com a derrota caseira (0-1) de um dos guias, Marinhais, ante o anterior “lanterna vermelha”,  QT-SC Rio Maior. Forense e Porto Alto repartem agora o comando, mantendo, ambos, o pleno de quatro vitórias. Assinala-se também a vitória do Pontével (igualando o Marinhais no 3.º lugar) na recepção ao Moçarriense, por 2-1.

Na Série B, o Vasco da Gama, goleando (8-0) a equipa “B” do Abrantes e Benfica (com os três últimos golos apontados aos 86, 87 e 88 minutos…) mantém a liderança isolada, com dez pontos, um a mais que o Tramagal (vencedor por 3-1 na Atalaia), mas com a particularidade de os tramagalenses – que contam um jogo a menos – terem vencido os três encontros já disputados.

Vilarense (ganhando por 2-0 no Pego) e Caxarias (triunfo por 4-1 em Alferrarede) estiveram também em evidência, partilhando o 3.º posto, com o mesmo número de pontos do Tramagal.

Liga 3 – O U. Santarém, não tendo conseguido evitar novo desaire, perdendo, outra vez pela margem mínima (0-1), na Tapadinha, frente ao histórico Atlético, baixou à 6.ª posição, que, aliás, reparte com o 1.º Dezembro, a três pontos do lugar (4.º) de acesso à fase final; por seu turno, os alcantarenses partilham a vice-liderança com a Académica, só a dois pontos do Belenenses.

Campeonato de Portugal – O Fátima, em excelente fase, somou quarta vitória sucessiva, ganhando em Pêro Pinheiro por 1-0, ascendendo ao 4.º posto, apenas a dois pontos do par que ocupa a 2.ª posição (Arronches e Benfica e Peniche), numa série com o comando destacado de O Elvas. Os fatimenses (15 pontos) dispõem já de margem de cinco pontos face à “linha de água”.

Antevisão – Na I Divisão Distrital temos dois “jogos grandes” em perspectiva na 9.ª jornada: Mação-Ferreira do Zêzere, e Alcanenense-Coruchense. De especial interesse serão também o Abrantes e Benfica-U. Tomar, Amiense-Fazendense e Glória do Ribatejo-Samora Correia.

No escalão secundário destacam-se os embates: entre Porto Alto e Marinhais; e Tramagal e Pego.

Quer a Liga 3, como o Campeonato de Portugal, terão um interregno de duas semanas, apenas sendo retomadas as respectivas provas na viragem do mês de Novembro para Dezembro.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 14 de Novembro de 2024)

17 Novembro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

Centenário da Associação de Futebol de Santarém (1924-2024)

1. Participação dos clubes filiados em Campeonatos Nacionais

A Associação de Futebol de Santarém (“AFS”) completa, no próximo dia 19 de Novembro, 100 anos de existência. Evocando esta efeméride, “O Templário” publicará um conjunto de três artigos: o primeiro com uma resenha das participações dos clubes da Associação em Campeonatos Nacionais (I, II e III Divisão, Liga 3 e Campeonato de Portugal); outro com uma súmula das participações dos representantes do Distrito na Taça de Portugal; e um último, com breve síntese do palmarés de cem temporadas de provas distritais já disputadas, desde o ano de 1924.

Em nove décadas de Campeonatos Nacionais (desde o seu arranque, sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol, na temporada de 1934-35) regista-se um total de sete centenas de clubes que disputaram tais competições, dos quais 39 filiados na Associação de Futebol de Santarém (com a particularidade de se incluírem os casos do Alhandra e do Alverca, até ao ano de 1947).

Desde os pioneiros U. Entroncamento, Sport Coruchense e U. Operária de Santarém, que participaram na edição inaugural da II Liga (abrangendo um total de 34 clubes), na referida época de 1934-35, até ao U. Santarém (Liga 3) e Fátima (Campeonato de Portugal), únicos representantes do Distrito nos Nacionais presentemente em curso, ascende a um total de 544 o número de presenças de filiados da “AFS” em campeonatos de cariz nacional.

Encabeça a lista de participações o Torres Novas, com um total de 52 campeonatos nacionais disputados, sendo o rival mais próximo o U. Tomar, com 42; logo abaixo na tabela surgem, precisamente, o U. Santarém (38) e o Fátima (37). Alcanenense e “Os Leões” de Santarém (32 cada), e U. Almeirim (31) completam o leque de emblemas com mais de três dezenas de presenças – anotando-se a sucessão (por fusão) operada, em 1969, a nível do clube escalabitano.

No que respeita, estritamente, ao número de clubes a disputar tais campeonatos, o “apogeu” do Distrito (também fruto da orgânica de competições então vigente, alargando a mais de duas centenas o total de participantes – o que compara com os actuais 112) registou-se na década de 90, com um máximo de dez clubes do Distrito nas épocas de 1990-91, 1995-96, 1997-98, 1998-99, 1999-00 (e 2000-01) – integrando, fundamentalmente, a então III Divisão Nacional.

Neste âmbito, terá de assinalar-se o significativo declínio verificado a partir da temporada de 2008-09, com uma queda abrupta, de cinco clubes, para apenas dois na época imediata, sendo que, no último decénio, a representação do Distrito tem sido, sistematicamente, limitada a dois ou três emblemas. Lastima-se, pois, a dificuldade de permanência em tal grau de competitividade por parte da generalidade dos recentes Campeões Distritais – casos do Riachense (2013), At. Ouriense (2014), Coruchense (2015, 2017 e 2021), Mação (2018), U. Almeirim (2020), Rio Maior SC (2022) e, por último, do U. Tomar (2023).

Em termos qualitativos, mais profícua se revelou a década de 70 (oscilando geralmente entre os sete e os nove representantes do Distrito), tendo chegado a ter um clube na I Divisão e outros três na II Divisão (na temporada de 1969-70); um no escalão principal e dois no secundário (1971-72, 1972-73 e 1975-76); ou três na II Divisão Nacional (1970-71, 1973-74, 1976-77 e 1977-78). Na época de 1991-92 (já noutro esquema competitivo) foram quatro os clubes na “II Divisão B”.

A nível individual, o U. Tomar justifica posição de singular destaque, dado ter sido o único clube do Distrito a militar (por seis vezes, em três ciclos de duas temporadas) na I Divisão Nacional, no seu auge, entre os anos de 1968 e 1976 – com um sublinhado especial para as vitórias averbadas ante FC Porto e Sporting –, fase coroada com a glória maior do título de Campeão Nacional da II Divisão (1973-74), a que junta ainda a disputa da Final dessa prova em 1967-68 (num total de 16 participações neste escalão); para além de se ter sagrado igualmente Campeão Nacional da III Divisão de 1964-65 (tendo sido ainda vencedor de Série nas épocas de 1982-83 e 1989-90).

Por seu turno, os clubes que mais próximo estiveram de poder aspirar a chegar ao escalão máximo do futebol português foram: (i) Torres Novas (total de 24 presenças na II Divisão), justamente na temporada de 1967-68 (2.º classificado da Zona Norte, imediatamente após o U. Tomar); (ii) “Os Leões” de Santarém (25 participações no escalão secundário), vencedor da Série B em 1953-54 (tendo sido 4.º na fase final) e 3.º classificado da Zona Norte em 1954-55 (5.º na fase final); (iii) G. D. Coruchense (5 presenças na II Divisão), 2.º classificado da Zona Sul em 1955-56 (5.º na fase final) e 3.º da Zona Sul em 1956-57 (6.º na fase final); e, mais recentemente, (iv) Fátima, único a disputar (por três vezes) a actual Liga 2 (registando mais 14 presenças na II Divisão “B”), tendo sido 8.º classificado em 2009-10, ainda assim algo distante dos dois lugares de promoção.

Relativamente a conquistas, a nível nacional – e para além do já citado caso do U. Tomar –, detalha-se da seguinte forma o palmarés dos emblemas do Distrito:

  • Fátima – Campeão Nacional da II Divisão “B” (2008-09); Vencedor da Série C e vice-campeão Nacional da II Divisão “B” (2006-07); Vencedor da Zona Sul da II Divisão “B” (2011-12); Vencedor da Série D da III Divisão (1990-91 e 1999-00);
  • U. Santarém – Campeão Nacional da III Divisão (1974-75 e 1984-85); Vencedor da Série C do Campeonato de Portugal (2023-24); Vencedor da Série D da III Divisão (1993-94);
  • “Os Leões” de Santarém – Campeão Nacional da III Divisão (1962-63); Vencedor da Série C da III Divisão (1967-68);
  • G. D. Coruchense – Campeão Nacional da III Divisão (1953-54);
  • Tramagal – Vencedor da Série C e vice-campeão Nacional da III Divisão (1966-67);
  • Cartaxo – Vencedor da Série D da III Divisão (1976-77 e 1979-80):
  • Torres Novas – Vencedor da Série C da III Divisão (1965-66);
  • U. Rio Maior – Vencedor da Série D da III Divisão (1980-81);
  • Samora Correia – Vencedor da Série E da III Divisão (1988-89);
  • Alcanenense – Vencedor da Série D da III Divisão (1995-96);
  • Abrantes FC – Vencedor da Série D da III Divisão (2003-04);
  • Monsanto – Vencedor da Série D da III Divisão (2007-08 e 2010-11).

Num prisma histórico – e para além de “Os Leões” – começaram por notabilizar-se a U. Operária de Santarém, Académica de Santarém, Matrena, Águia Vilafranquense, Operário Vilafranquense, Ferroviários e Alhandra, com várias presenças na II Divisão Nacional, na década de 40.

Precisamente, tendo em consideração a sucessão de “Os Leões” por parte do U. Santarém, a agremiação escalabitana regista a mais extensa série de participações em campeonatos nacionais, num total de 63 épocas consecutivas, entre 1938-39 e 2000-01. Após um interregno de 18 temporadas, o U. Santarém é actualmente o clube preponderante do Distrito, militando na Liga 3.

Nos anos 60 predominaram, ainda “Os Leões”, bem como Torres Novas, Tramagal, Matrena e U. Tomar; para, na década de 70, e para além de tomarenses, escalabitanos (então já por via do U. Santarém) e torrejanos, despontarem igualmente o Alferrarede, U. Almeirim, Amiense, Cartaxo e Alcanenense; vindo a evidenciar-se, no decénio de 80, U. Rio Maior, Samora Correia e Fátima.

Só a partir dos anos 90 se tornam mais assíduos nos Nacionais o Benavente, G. D. Coruchense, At. Riachense e Fazendense, surgindo já na década de 2000 epifenómenos como o Abrantes FC e Monsanto. Mais recentemente, o Alcanenense teve também um novo ciclo, entre 2012 e 2018.

No quadro em anexo apresenta-se síntese de todas as 544 participações dos emblemas filiados na “AFS” em campeonatos de índole nacional, nos seus vários escalões, indicando-se a pontuação obtida por cada clube, época a época, no respectivo escalão – as pontuações indicadas a cor verde traduzem casos de promoção; as apresentadas a cor vermelha correspondem a descidas de divisão.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 7 de Novembro de 2024)

(clicar na imagem para ampliar)

10 Novembro, 2024 at 12:30 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Pré-eliminatória

(“O Templário”, 07.11.2024)

Dos nove clubes da II Divisão Distrital que disputaram a pré-eliminatória da Taça do Ribatejo apuraram-se três para os 1/8 de final; não obstante, apenas um deles, o Vilarense, logrou impor-se a um adversário de escalão superior, o Amiense. Para além da formação de Vilar dos Prazeres, avançam também na prova o Porto Alto e o U. Almeirim (que afastaram equipas do seu campeonato), juntando-se assim à U. Atalaiense, emblema que, por sorteio, ficara isento.

Ao invés, quedaram-se por esta ronda prévia quatro clubes da I Divisão: para além do Amiense, também o Coruchense, At. Ouriense e Salvaterrense, eliminados por primodivisionários.

Nos 1/8 de final teremos, pois, quatro embates entre clubes do escalão principal (Mação-Ferreira do Zêzere, Fazendense-Cartaxo, Samora Correia-Glória do Ribatejo e Abrantes e Benfica-Torres Novas), e outros quatro entre formações de divisão diferente (U. Tomar-Porto Alto, Alcanenense-U. Atalaiense, Entroncamento AC-U. Almeirim e Águias de Alpiarça-Vilarense).

Destaques – A principal nota de realce do passado Domingo foi a imprevista vitória do Vilarense, na recepção ao Amiense, por renhido 3-2; o grupo dos Amiais esteve em vantagem por duas ocasiões, tendo os homens da casa restabelecido a igualdade outras tantas vezes, chegando ao 2-2 aos 45 minutos. Quando se antecipava que a decisão fosse adiada para a marca de grande penalidade, a turma de Vilar apontaria o tento da vitória, em cima do minuto noventa.

O “jogo grande” desta eliminatória inicial, colocando frente-a-frente dois dos clubes com melhor palmarés na prova (o “recordista” Fazendense, com cinco troféus conquistados, e o Coruchense, com três taças ganhas) saldou-se por um nulo, com as duas formações a neutralizar-se, o que, todavia, mais não seria que o adiar da “desforra” do conjunto das Fazendas, mais eficaz no termo de uma longa série de tentativas da marca de grande penalidade, vencendo por 8-7.

Nos outros dois desafios entre emblemas da I Divisão, o Mação superou, com aparente tranquilidade, o At. Ouriense, ganhando por 2-0, tendo o desfecho sido definido em curto intervalo de cinco minutos, entre os 17 e os 22; já o U. Tomar experimentou maiores dificuldades do que se poderia supor, para levar de vencida (3-1) o “lanterna vermelha” do campeonato, Salvaterrense.

Os tomarenses começaram por voltar a ser surpreendidos, vendo-se em desvantagem pouco depois da meia hora de jogo. Tal como sucedera no Entroncamento, outra vez com reacção positiva, bastaram cinco minutos para repor a igualdade, para, no início do segundo tempo, com mais dois golos apontados, confirmarem o triunfo, fixando o “placard” final por volta da hora de jogo. Daí até final, os unionistas optaram por gerir o resultado, não permitindo outras veleidades.

As maiores emoções estavam, ainda assim, reservadas para os confrontos entre clubes de escalão diferente. Começando pelo desafio em que o actual detentor do troféu, Ferreira do Zêzere (líder destacado do campeonato, com o pleno de sete vitórias), recebendo o Moçarriense, correu sérios riscos de, sensacionalmente, poder ser afastado da prova, vendo-se em desvantagem durante largo período, apenas na fase final conseguindo operar a recuperação, acabando por triunfar por 2-1.

Situação análoga se registou nos Riachos, onde a turma local, Riachense, esteve também a ganhar por 1-0 até próximo do final do encontro, por curiosidade, ante o finalista vencido da última edição da prova, o Alcanenense, mas tendo os visitantes revertido tal desvantagem, vencendo igualmente por 2-1.

Merece ainda nota de saliência a goleada aplicada pelo Porto Alto (próximo adversário do U. Tomar) na receção ao Rebocho, ganhando por categórica marca de 6-0. A formação da “AREPA” segue com quatro vitórias na presente edição da Taça (incluindo os três jogos da fase de Grupos, entre clubes da II Divisão), somando já quinze golos marcados, face a apenas dois tentos sofridos.

Surpresa – Para além da proeza do Vilarense, eliminando o Amiense, o desfecho mais imprevisto terá sido o verificado no U. Almeirim-Tramagal, em que os almeirinenses (que ocupam, por agora, modesto 7.º lugar na sua série da II Divisão) golearam por 5-2, e isto depois de os tramagalenses terem, com aparente facilidade, chegado a dispor de vantagem de dois golos, até perto do intervalo, com os anfitriões a reduzir aos 42 minutos. Na segunda metade, dois tentos entre os 73 e 76 minutos, e outros dois apontados já em período de compensação estabeleceram o resultado.

Confirmações – O Águias de Alpiarça, vencendo no terreno do Pontével por 2-0, assim como o Abrantes e Benfica, superando, em casa, o Forense, por igual marca, confirmaram o favoritismo que lhes era atribuído, perante rivais de escalão inferior.

Liga 3 – Depois de, há pouco mais de quinze dias, ter ido ganhar a Oliveira do Hospital (em encontro que se encontrava em atraso da 1.ª ronda), o U. Santarém não conseguiu melhor que empatar a duas bolas, na recepção a este mesmo adversário, na abertura da segunda volta do campeonato (10.ª jornada), e mercê de um tento apontado somente ao minuto 90+7, depois de, por duas vezes, os escalabitanos terem estado a perder.

Este foi já o quarto jogo sucessivo em que o U. Santarém não logrou ganhar em casa, depois dos desaires sofridos ante o Caldas, Belenenses e Sp. Covilhã. Em função deste resultado, baixou ao 6.º lugar (a par do Caldas), não obstante apenas a um ponto do 3.º e 4.º (Atlético e Académica).

Campeonato de Portugal – A atravessar fase muito positiva, o Fátima somou terceiro triunfo sucessivo (após ter batido o União 1919 e o Sertanense), batendo o vice-líder, Alverca “B”, por inesperada marca de 3-0, o que proporcionou aos fatimenses – somando agora 12 pontos em oito jogos – escalar até à 5.ª posição, já com alguma margem de segurança (quatro pontos) em relação à “linha de água”, mesmo que estejamos ainda no primeiro terço da prova, isto tendo por objectivo a realização de uma época o mais tranquila possível, afastando-se da zona perigosa da tabela.

Antevisão – Na retoma da I Divisão Distrital, para disputa da 8.ª ronda, o maior ponto de interesse para os tomarenses será o desafio U. Tomar-Amiense, que marcará o retorno de Marco Marques a uma casa onde obteve grandes sucessos, ao serviço do emblema unionista, quer enquanto jogador, tal como treinador (“bisando” a conquista do título de Campeão Distrital pelo União).

As atenções estarão também centradas no embate entre o vice-líder, Mação, e o Alcanenense, assim como no Samora Correia-Cartaxo. Por seu lado, o comandante, Ferreira do Zêzere, dispõe de amplo favoritismo na recepção à equipa da Glória do Ribatejo, como sucede também no Fazendense-Entroncamento AC, partidas em que não se antecipam eventuais surpresas.

No escalão secundário destacam-se, na 4.ª jornada, os seguintes desafios: Pontével-Moçarriense e Porto Alto-Benavente (Série A); Alferrarede-Caxarias e Pego-Vilarense (Série B).

Na Liga 3, o U. Santarém viaja até Lisboa, para defrontar o Atlético, actual 3.º classificado. Por seu turno, o Fátima, no Campeonato de Portugal, desloca-se ao terreno do Pêro Pinheiro, que, algo inesperadamente, ocupa, por agora, o penúltimo lugar (igualado com o 11.º classificado).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 7 de Novembro de 2024)

10 Novembro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 7ª Jornada

(“O Templário”, 31.10.2024)

Qual “rolo compressor”, parecendo perseguir a senda triunfal registada pelo U. Almeirim há cinco anos – que, então, vencera todos os quinze jogos da primeira volta do campeonato – o Ferreira do Zêzere, não só somou sétimo triunfo consecutivo (nas sete rondas realizadas), como o fez no terreno de um dos adversários teoricamente mais fortes, no que constitui já a quinta vitória extra-muros por parte dos ferreirenses, que, até à data, contam só duas partidas disputadas no seu reduto.

Em paralelo, os rivais não denotam ter capacidade para acompanhar o ritmo imposto pelo líder, vindo, gradualmente, a ceder pontos, registando já o 2.º classificado (agora, o Mação) um atraso de quatro pontos, enquanto Fazendense e Samora Correia distam cinco pontos do comandante. Mais atrasados, ainda: o Cartaxo ficou a longínquos doze pontos; o Abrantes e Benfica está a 13!

Destaques – O primeiro destaque vai, pois, para a vitória averbada pelo Ferreira do Zêzere no Cartaxo, por 2-0, com tentos na parte final de cada uma das partes, em mais uma grande demonstração de força por parte dos ferreirenses, que não dão mostras de poder vacilar.

Com impacto relevante no posicionamento dos primeiros classificados realça-se também o (algo imprevisto) desfecho registado no Coruchense-Fazendense, com a turma do Sorraia a impor a primeira derrota ao grupo das Fazendas, e logo por números bem convincentes (3-0)! Em apenas cerca de quinze minutos a equipa de Coruche arredou o adversário de qualquer veleidade de pontuar: tendo inaugurado o marcador aos quarenta minutos, bastaram dez minutos da segunda parte para fixar o “placard”, sem que os visitantes tivessem conseguido esboçar reacção.

Em evidência pela positiva – parecendo sair da crise de resultados – esteve, enfim, o Abrantes e Benfica, a bater o Torres Novas por renhido 3-2: os torrejanos cedo se colocaram em vantagem, estavam apenas completados os cinco minutos iniciais do desafio, mas os abrantinos tiveram boa reacção, empatando outros escassos cinco minutos volvidos, e concretizando a reviravolta no marcador pouco depois da meia hora de jogo. Numa altura em que estava já reduzido a dez elementos, o Torres Novas ainda conseguiria restabelecer a igualdade (2-2), mesmo em cima do intervalo. A equipa da casa viria a obter o tento da vitória… a cinco minutos do termo do encontro.

As equipas do Mação – agora, a par do comandante, a única também ainda invicta – e do Samora Correia confirmaram o favoritismo de que eram creditadas, frente a opositores da parte baixa da tabela, mas com números e contornos bem distintos.

Os maçaenses, goleando, com aparente facilidade (4-0, não obstante com dois golos obtidos nos cinco minutos finais), um grupo da Glória do Ribatejo, que vem denotando algumas fragilidades, tendo somado já o terceiro desaire caseiro (em quatro jogos realizados no seu terreno).

O conjunto de Salvaterra, batido pelos samorenses por tangencial 2-3, oferecendo boa réplica, começando por abrir o activo, e, já depois de os visitantes terem operado a reviravolta no marcador, tendo ainda reposto o empate (a dois golos), para, de imediato, sofrer o tento decisivo.

Surpresa – Não poderá deixar de considerar-se de algum modo surpreendente o desfecho registado no encontro entre Entroncamento AC e U. Tomar, que se saldou por uma igualdade a duas bolas, sendo que a surpresa esteve mesmo à beira de ser ainda maior.

Até então “lanterna vermelha”, com o pior ataque (apenas um golo marcado) e a defesa mais batida da prova (19 golos sofridos), contando um único ponto, averbado logo na estreia, mercê de um nulo caseiro ante o Glória do Ribatejo, registando, pois, uma série de cinco derrotas sucessivas (a última delas, em Ourém, por impactante marca de 7-0), não se projectaria que o Entroncamento AC pudesse sair vencedor deste embate, mesmo que se saiba que “não há dois jogos iguais”.

Pois, foi o que esteve prestes a suceder: apesar de o União ter entrado melhor na partida, a verdade é que seriam os visitados a marcar, logo à passagem dos dez minutos, tendo, no decurso do tempo, desaproveitado outras ocasiões, mas vindo a aumentar, ainda assim, a vantagem para 2-0, aos 65 minutos. Com o jogo aparentemente perdido, já dentro do último quarto de hora, valeria aos tomarenses uma reacção bem positiva, reduzindo para 1-2, tendo, na sequência do intensificar da pressão, Wemerson Silva bisado, estabelecendo o marcador final, na conversão de uma grande penalidade, no derradeiro lance, já com os seis minutos de tempo de compensação cumpridos.

Confirmações – Nas outras duas partidas, o Alcanenense confirmou o favoritismo, derrotando o Águias de Alpiarça por convincente 4-1, mesmo depois de ter começado por sofrer um pequeno susto, tendo os forasteiros marcado o primeiro golo da contenda, chegando-se ao intervalo em situação de igualdade; por seu lado, Amiense e At. Ouriense dividiram os pontos, numa animada disputa, concluída com o “placard” em 3-3, depois de a turma da casa ter chegado a dispor, por duas vezes, de dois golos de vantagem (2-0 ao intervalo; 3-1 aos 75 minutos) – tendo os visitantes marcado o golo da igualdade no nono minuto do tempo de compensação!

Na metade inferior da pauta classificativa – e tendo o Abrantes e Benfica dado um pequeno “pulo”, até aos oito pontos, pese embora mantenha o 9.º posto –, temos, agora, Amiense e U. Tomar emparelhados na 10.ª posição, ambos com seis pontos, um a mais que o duo formado por At. Ouriense (este com um jogo ainda em atraso) e Glória do Ribatejo; nos três últimos lugares, encontram-se o Águias de Alpiarça (três pontos), Entroncamento AC (dois) e Salvaterrense (um).

II Divisão Distrital – Na série mais a Sul continuam a ser três os clubes com o pleno de pontos (nove), após a disputa das três primeiras jornadas: Porto Alto (que foi golear a Rio Maior, por 4-0), Forense (também com goleada, por 5-0, no Paço dos Negros) e Marinhais (2-1 em Almeirim). Mas o resultado mais em destaque terá sido o 0-4 registado no Benavente-Pontével, agora com estas duas formações imediatamente abaixo do trio da liderança, a par do Moçarriense.

A Norte o guia, Vasco da Gama, cedeu um empate caseiro (3-3) ante o Alferrarede, tendo visto Caxarias, Vilarense e Tramagal (todos vencedores nesta ronda) aproximar-se, só a um ponto. O Riachense goleou a jovem equipa “B” do Abrantes e Benfica por inapelável 9-1!

Liga 3 – O U. Santarém foi surpreendido, tendo sido derrotado, em casa, pelo Sp. Covilhã, por tangencial 1-0, partilhando, no final da primeira volta da prova, o 3.º posto com Caldas e Sporting “B”, a dois pontos do vice-líder, Atlético, e a cinco do comandante, Belenenses (que sofreu o seu primeiro desaire, num reencontro de históricos, em Coimbra, frente à Académica).

Campeonato de Portugal – Foram boas as notícias chegadas da Sertã, onde o Fátima conseguiu arrancar três preciosos pontos, mercê, igualmente, de um solitário golo, que lhe permitem subir à 7.ª posição, pese embora apenas dois pontos acima da “linha de água”.

Antevisão – Os Distritais sofrem a primeira interrupção, para disputa da pré-eliminatória da Taça do Ribatejo, em que se realçam os seguintes confrontos (únicos três – do total de dez jogos – entre emblemas primodivisionários): um aliciante Fazendense-Coruchense (numa espécie de “desforra” do encontro do passado Domingo), Mação-At. Ouriense e U. Tomar-Salvaterrense.

Na Liga 3, na abertura da segunda volta (10.ª ronda), o U. Santarém volta a actuar no seu terreno, tendo a visita do Oliveira do Hospital, actual penúltimo classificado (9.º), apresentando-se como favorito. Na 8.ª jornada do Campeonato de Portugal o Fátima recebe o vice-líder, Alverca “B”, ainda invicto na competição, em jogo que, portanto, se antevê de elevado grau de dificuldade.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 31 de Outubro de 2024)

3 Novembro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

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