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O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Final

(“O Templário”, 05.06.2025)
Numa época repleta de êxitos, o Ferreira do Zêzere junta, ao título de Campeão Distrital, a Taça do Ribatejo, fazendo a tão ambicionada “dobradinha”, bisando a conquista deste troféu, que tinha vencido já na temporada precedente. Esta foi a 13.ª vez em que o Campeão se sagrou também vencedor da Taça, no mesmo ano, repetindo os feitos de: Amiense (1977); Samora Correia (1983 e 1994); Águias de Alpiarça (1985); Benavente (1991); U. Rio Maior (2002); Abrantes FC (2003); Monsanto (2004); At. Riachense (2009 e 2010); Coruchense (2015); e U. Santarém (2019).
Tendo alcançado o seu primeiro troféu no ano de 1990, e após a vitória na edição transacta, o emblema do Zêzere passou, pois, a integrar um selecto lote, agora constituído por cinco clubes (Tramagal, Riachense, Amiense, Coruchense e Ferreira do Zêzere), cada um com três Taças ganhas, marca só superada pelos cinco troféus que constam do palmarés do Fazendense.
A formação ferreirense registou o pleno de seis vitórias na prova de 2024-25, tendo superado, sucessivamente, Moçarriense, Mação, Entroncamento AC, Abrantes e Benfica (meias-finais a duas mãos) e Samora Correia. Isto, depois, de, na prova anterior, ter obtido quatro triunfos e um empate (na 2.ª mão da meia-final, tendo já “carimbado”, logo na 1.ª mão, o apuramento para a final, igualmente ante os abrantinos, tal como sucedeu este ano). O último desaire do Ferreira do Zêzere na Taça remonta a Janeiro de 2023, desfeiteado, no seu reduto, pelo Alcanenense (1-3).
Taça do Ribatejo – Na final do passado Sábado, disputada em Santarém, no “Campo Chã das Padeiras”, colocando frente-a-frente os dois primeiros classificados do campeonato, o Samora Correia entrou “a todo o gás” – tendo começado por introduzir a bola na baliza contrária logo no minuto inicial (“golo” que, contudo, não valeu) – para vir a chegar mesmo ao golo, na sequência de um pontapé de canto, não estavam ainda cumpridos dois minutos!
Tendo cedido os únicos pontos no Distrital desta temporada ante este rival (frente ao qual, aliás, dado ter perdido em casa por 0-1, e empatado a zero em Samora, não lograra ainda, em 180 minutos, chegar ao golo), o grupo ferreirense não vacilou; após um período inicial de predomínio contrário, à passagem dos vinte minutos, não só tinha equilibrado a contenda, como, inclusivamente, materializara já tal equilíbrio no tento do empate.
Na segunda parte o jogo continuou bastante disputado, com o Ferreira a colocar-se em vantagem a meio desse período, estabelecendo o que seria o desfecho da partida (2-1). Até ao termo do embate, os samorenses, não se resignando, ainda remataram aos ferros da baliza, tendo o desafio terminado com os vencedores sob intensa pressão, perante a ameaça da eventual reposição da igualdade. Não obstante, os Campeões voltariam a levar a melhor, arrebatando mais um troféu.
União de Tomar – Numa nota com algum cariz pessoal, seja-me permitida a referência à eleição, em Assembleia Geral realizada no passado dia 30 de Maio, de novos órgãos sociais do União Futebol Comércio e Indústria de Tomar, para o biénio 2025-2027: Manuel Graça foi eleito Presidente da Direcção, voltando a assumir o cargo que desempenhara já entre 2001 e 2007; para exercer as funções de Presidente da Mesa da Assembleia Geral foi eleito o também antigo Presidente da Direcção (1988-1989), Pedro Marques, que tivera igualmente tal cargo entre 1997 e 2003; Hugo Costa será o novo Presidente do Conselho Fiscal do clube.
Em nome próprio, tendo entendido dar por concluída uma missão que assumi nos últimos dez anos – expressando, nesta ocasião, os votos dos maiores sucessos aos novos órgãos sociais, e, por inerência, ao União de Tomar, e reiterando também o meu agradecimento ao anterior Presidente da Direcção, Abel Bento, pela confiança depositada –, foi com grande orgulho que pude desempenhar funções ao serviço do meu clube (do nosso clube!), renovando o mote de que o União será o que os seus sócios quiserem, e que o clube precisará de todos, a cada novo dia!
Ressalvando, evidentemente, que o Presidente da Mesa da Assembleia Geral não tem qualquer intervenção a nível da gestão da vida do clube, nem, claro, no que respeita às suas actividades de âmbito desportivo, tive a felicidade de – nesse período de dez anos em que dispus do privilégio de estar ao serviço do União de Tomar – ter acompanhado uma fase recheada de notáveis desempenhos, mesmo se se restringir o campo de observação apenas ao futebol sénior: destacando-se, necessariamente, o título de Campeão Distrital em 2022-23 e a conquista da Taça do Ribatejo em 2017-18, há que sublinhar ainda as três vezes em que o clube foi vice-campeão (2014-15, 2017-18 e 2021-22), dois 3.º lugares (2015-16 e 2016-17) e um 5.º (2019-20); para além de três outras presenças nas meias-finais da Taça do Ribatejo (2019-20, 2020-21 e 2024-25).
O meu obrigado a todos, desde directores, treinadores, jogadores, restante “staff”, sócios e adeptos do U. Tomar – sem esquecer nunca a amizade dos “Veteranos” do União. Foi uma grande honra!
I Divisão Distrital – Só cinco dias após a conclusão do campeonato ficámos a conhecer o segundo clube despromovido ao escalão secundário: na sequência da deliberação adoptada pelo Conselho de Disciplina da Associação de Futebol de Santarém, o Águias de Alpiarça foi punido (com fundamento em “comportamento discriminatório” e em distúrbios que levaram o árbitro a interromper a partida) com derrota por 0-3 no jogo da 28.ª jornada, com o Cartaxo, sendo, pois, atribuídos a este clube os três pontos desse jogo – o que acabou por ditar a despromoção do Glória do Ribatejo (ultrapassada pelo Cartaxo), acompanhando o último classificado, Salvaterrense. Um caso que deverá ainda, continuar a “fazer correr muita tinta”, perante o inconformismo do Glória.
II Divisão Distrital – Realizaram-se, no passado Domingo, os desafios da 1.ª mão da final, para apuramento do Campeão Distrital da II Divisão, e, por outro lado, do “playoff” de disputa da terceira vaga de subida à divisão principal, tendo ambos os clubes da zona norte levado a melhor.
No primeiro encontro da final, no Porto Alto, a equipa local foi batida, por tangencial 0-1, pelo Tramagal, um resultado que, colocando os tramagalenses em posição favorável, não poderá ainda ser considerado definitivo, subsistindo a decisão em aberto para a partida da 2.ª mão. Por seu lado, no confronto entre os dois 2.º classificados, o Riachense ganhou, em casa, ao Pontével, por 2-1.
Liga 3 – Também em jogo de “play-off”, entre o antepenúltimo classificado da II Liga (Paços de Ferreira) e o 3.º da Liga 3 (Belenenses), e depois do 2-1 a favor dos azuis do Restelo, na 1.ª mão, os pacenses saíram agora vencedores por 2-0 (após prolongamento), mantendo assim a posição no segundo escalão do futebol profissional; subsistindo o Belenenses, por seu turno, na Liga 3.
Campeonato de Portugal – O Fátima esteve “tão perto” do que seria uma proeza notável, a de conseguir segunda promoção consecutiva, após o título Distrital de há um ano. Necessitando ganhar ao Amora, na derradeira ronda, os fatimenses começaram por se ver em desvantagem, tendo ainda logrado empatar a uma bola; porém, e numa fase em que estariam já a arriscar tudo, viriam a sofrer novo tento, a escassos três minutos do final, acabando por sofrer quinta derrota, nos seis jogos disputados neste torneio de apuramento, quedando-se, pois, pelo 4.º posto.
De qualquer forma, uma campanha muito positiva do Fátima, sob a orientação de Gonçalo Carvalho, a mostrar que as equipas do Distrito podem ter uma palavra de relevo a este nível.
Garantiram a subida à Liga 3 as equipas do Lusitano de Évora (com o pleno de seis vitórias) e V. Guimarães “B” – que disputarão, a 14 de Junho, no Estádio do Jamor, a final da competição –, acompanhadas pelos clubes que terminaram no 2.º lugar de cada série, Paredes e Amora.
Antevisão – A época de 2024-25 do futebol distrital tem o seu epílogo este fim-de-semana: no Sábado, em Torres Novas, voltam a defrontar-se Ferreira do Zêzere e Samora Correia, para disputa da Supertaça Dr. Alves Vieira; no Domingo, teremos a 2.ª mão da final da II Divisão, com o Tramagal a receber a visita do Porto Alto; enquanto a turma do Riachense se desloca a Pontével, para a decisão sobre o último clube a promover à I Divisão Distrital para a próxima temporada.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 5 de Junho de 2025)
O Pulsar do Campeonato – 30ª Jornada

(“O Templário”, 29.05.2025)
Esta é a questão que, concluída a derradeira ronda do campeonato distrital da I Divisão da Associação de Futebol de Santarém, subsiste pendente, por esclarecer. Tendo sido interrompida, a escassos minutos do final, a partida da antepenúltima ronda, disputada a 11 de Maio, entre Águias de Alpiarça e Cartaxo (numa altura em que os visitantes tinham vantagem de 1-0 no marcador), é dificilmente compreensível que – mesmo atendendo às condicionantes de prazos – não tivesse havido, em tempo útil, a necessária deliberação do órgão responsável da “A.F.S.”.
Agora – e não tendo já o clube de Alpiarça interesse relevante no desfecho desse desafio –, para além do Cartaxo, tal terá implicações determinantes para a equipa da Glória do Ribatejo: caso os três pontos daquele jogo venham a ser creditados aos cartaxeiros, tal ditará a despromoção da equipa da Glória à divisão secundária; qualquer outra decisão implicaria a descida do Cartaxo.
Dentro de campo, o Ferreira do Zêzere culminou um brilhante campeonato, fixando novo “record” de pontuação em toda a história do Distrital da I Divisão, somando 28 vitórias, 1 empate e 1 derrota, totalizando 85 pontos – um desempenho que apenas tem paralelo (a nível de rendimento percentual) nas 27 vitórias e 3 empates do Samora Correia, na época de 1982-83; e nas 24 vitórias e 2 empates do Fátima (em 26 jogos), na temporada de 2015-16, mas que, em termos absolutos, confere aos ferreirenses a liderança no total de pontos averbados numa só edição da prova.
As coisas são o que são: em contraponto, o U. Tomar, acabando por cair, na derradeira jornada – devido a uma desfavorável conjugação de resultados –, para a 13.ª posição, registou a sua pior classificação de sempre (sendo que, em 2004-05, tendo terminado também no 13.º posto, pese embora com mais dois pontos do que agora, se vira, então, relegado para a II Divisão Distrital).
Em 43 presenças no principal escalão do futebol distrital, e para além de seis títulos de Campeão, o União foi ainda seis vezes vice-campeão; tendo terminado quatro vezes em 3.º; duas vezes em 4.º; três vezes em 5.º; quatro vezes em 6.º; uma vez em 7.º; seis vezes em 8.º; uma vez em 10.º; duas vezes em 12.º; e, agora, duas vezes no 13.º lugar – a que acrescem seis outras épocas em que o campeonato foi disputado em mais do que uma série: uma vez vencedor de série (“ex-aequo”); uma vez 3.º; duas vezes 4.º; uma vez 5.º; e uma vez 6.º classificado da sua série.
É indisfarçável, pois, o sentimento de frustração, de que comungo. Mas, como diz o ditado, só «Quem está no convento é que sabe o que lhe vai dentro». E esta foi uma época, mais do que repleta de dificuldades, com inúmeras contrariedades e adversidades (inclusivamente, e de forma trágica, de cariz pessoal – aqui deixo, publicamente, um abraço solidário ao Paulo Moura). Em hora de passagem de testemunho, expresso também o meu agradecimento a todos os que, tantas vezes com sacrifício pessoal, dedicaram o seu tempo e empenho ao U. Tomar, o que personalizo no Presidente da Direcção, responsável pela gestão do clube há quase duas décadas, Abel Bento.
Na essência, o objectivo fundamental desta temporada (manutenção) foi alcançado – e de forma relativamente tranquila –, mercê de uma grande eficácia nos jogos ante os sete últimos classificados, face aos quais o União fez o pleno de vitórias em casa (ganhando, pois, todos os seis jogos disputados ante tais adversários), para além de ter ido vencer também a Alpiarça.
Realçando-se, ainda, por outro lado, uma bastante meritória participação do clube na Taça do Ribatejo, na qual atingiu – apenas pela 5.ª vez no seu historial (das quais, quatro nos últimos oito anos) – as meias-finais, tendo “batido o pé” a dois dos emblemas que ocuparam o pódio do campeonato, eliminando mesmo o Fazendense, e oferecendo forte resistência ao Samora Correia.
Destaques – Feito este longo intróito (também a título de balanço), da 30.ª jornada começa por realçar-se, uma vez mais, a vitória do Entroncamento AC (à entrada para este jogo ainda sem a manutenção confirmada), batendo o Cartaxo por categórico 3-0, completando um extraordinário ciclo de seis vitórias consecutivas, nas seis últimas jornadas (a somar a duas no resto da prova).
O novo Campeão, Ferreira do Zêzere, fez questão de não deixar os seus créditos por mãos alheias, e foi ganhar ao reduto do 3.º classificado (que jogava ainda pela possibilidade de chegar à vice-liderança), Fazendense, mercê de um solitário tento, apontado a meio da primeira parte.
Não pretendendo ficar dependente do resultado desse jogo, o Samora Correia cumpriu também a sua missão, indo ganhar a Tomar, por disputado 3-2: os unionistas marcaram primeiro, ainda dentro dos primeiros dez minutos (89.º golo de Wemerson Silva, que se queda somente a um golo do 2.º melhor goleador da história do clube, Bolota, numa peleja liderada, de forma destacada, por Ferreira, único a atingir a marca centenária ao serviço do União, tendo apontado um total de 104 golos, entre Nacionais da II e da III Divisão, Taça de Portugal e Distrital), mas os samorenses operaram a reviravolta apenas em nove minutos.
Não baixando os braços, os nabantinos ainda conseguiriam restabelecer a igualdade (2-2) antes do intervalo, mas, na etapa complementar, não evitariam que os forasteiros, com superiores argumentos, chegassem ao triunfo, confirmando-se como a segunda melhor equipa do campeonato, que marcará igualmente presença na Final da Taça do Ribatejo e na Supertaça.
Para além do Entroncamento AC, também o Águias de Alpiarça obteve resultado “desvantajoso” para as contas do U. Tomar, batendo, de forma algo inesperada, o Mação, por 3-2, mesmo após ter chegado a estar em desvantagem de dois golos, logo ao quarto de hora do desafio.
Surpresa – A (meia-)surpresa da última ronda veio dos Amiais, onde o “lanterna vermelha”, Salvaterrense esteve a ganhar por 2-0 até ao minuto 89, vindo a consentir o empate (2-2) por parte do Amiense nos dois últimos minutos da partida.
Confirmações – Coruchense (ganhando “in extremis”, ainda por 3-2, à Glória do Ribatejo: depois de ter consentido o empate aos 90+2 minutos, chegaria à vitória aos 90+5 minutos – sendo que mesmo a igualdade não serviria às aspirações da Glória) e Torres Novas (vitorioso, por 2-1, em Ourém, mercê de tentos apontados aos 85 e 87 minutos, com Miguel Miguel, com um total de 27 golos, a sagrar-se de novo melhor marcador, repetindo o feito de 2021-22, e depois de, em 2023-24, apenas ter sido suplantado por Cristiano Aniceto “Ganso”) confirmaram, respectivamente, o 4.º e o 5.º lugar na tabela, numa contenda que subsistiu em aberto até ao derradeiro suspiro.
O Alcanenense, recuperando de uma fase negativa, encerrou o campeonato com um triunfo ante o Abrantes e Benfica, por tangencial 1-0, tendo os abrantinos beneficiado do desaire do Mação em Alpiarça para preservar a 6.ª posição, numa temporada caracterizada por certa irregularidade.
II Divisão Distrital – Com os dois primeiros lugares a Sul já definidos (Porto Alto e Pontével), destaca-se a goleada (8-3) aplicada pelo Forense (4.º classificado) no terreno do Benfica do Ribatejo. A Norte, o Riachense confirmou a 2.ª posição e consequente apuramento para o “playoff” de subida, ganhando por seguro 3-0 ao Pego, sendo que o rival, Vasco da Gama, foi inclusivamente derrotado, em casa, pela U. Atalaiense, por 2-1.
Campeonato de Portugal – O Fátima perdeu em Elvas (2-1), com o tento decisivo a ser marcado ao cair do pano, já com oito minutos para lá dos noventa. Mantém ainda, não obstante, a esperança de poder ascender à Liga 3, em caso de conjunção favorável de resultados no último dia.
Antevisão – Este Sábado é dia de festa da Taça, com a Final, entre Ferreira do Zêzere e Samora Correia, em Santarém (14 horas, no “Canal 11”). No Domingo, Porto Alto e Tramagal disputam a 1.ª mão da Final da II Divisão; enquanto Riachense e Pontével jogam pela subida. O Fátima, recebendo o Amora, necessitará triunfar e esperar que O Elvas não ganhe em Évora, ao Lusitano (que venceu todos os cinco jogos desta fase final), para alcançar uma notável promoção à Liga 3.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 29 de Maio de 2025)
O Pulsar do Campeonato – 29ª Jornada

(“O Templário”, 22.05.2025)
À entrada para a 30.ª e derradeira jornada da I Divisão Distrital serão três as equipas ainda sob ameaça de poderem vir a descer ao escalão secundário: Entroncamento AC, Cartaxo e Glória do Ribatejo. Isto, no pressuposto de que venha a ser homologado o resultado do desafio entre Águias de Alpiarça e Cartaxo, no qual os cartaxeiros estavam a vencer (1-0) quando o jogo foi interrompido, a escassos minutos do final, uma situação de que urge a clarificação associativa.
É que, em tal cenário, teremos, nessa última ronda, um embate entre Entroncamento AC e Cartaxo que poderá ser determinante, entre dois dos clubes ainda em risco; ao invés, caso o Cartaxo viesse a perder aqueles três pontos, nessa hipótese, a formação da cidade ferroviária estaria já a salvo de qualquer imprevisto, resumindo-se então a disputa pela permanência à Glória e ao Cartaxo.
E isto, porque, contra todas as probabilidades, o Entroncamento AC encarrilou, nesta fase decisiva da época, incrível ciclo de nada menos de cinco vitórias consecutivas (num flagrante contraponto a apenas dois triunfos que havia averbado até à 24.ª jornada). E, fê-lo, no passado Sábado, mais uma vez de forma bem concludente, goleando em Salvaterra de Magos por exuberantes 6-3!
Destaques – Na despedida da I Divisão, no seu reduto, o Salvaterrense ainda conseguiu manter o equilíbrio no marcador até ao 2-2, mas, depois, revelou-se impotente para suster as investidas do Entroncamento AC, que chegou à vantagem de 5-2, vindo a fechar a contagem nos 6-3, resultado que, no pior cenário, lhe permite encarar a última partida da época dependendo só de si, bastando-lhe o empate para confirmar a manutenção, o que, até há um mês, parecia bem difícil.
Destaque, neste prélio, para o “poker” apontado pelo nigeriano Elijah Alao, autor de dez golos nos últimos quatro desafios, tendo passado a totalizar quinze no campeonato.
Por seu lado, a equipa da Glória do Ribatejo, nesta altura, supostamente, a mais ameaçada pela possibilidade de descida, tendo também em consideração que terá ainda de se deslocar a Coruche, continua a fazer pela vida, tendo recebido e batido o Águias de Alpiarça por 2-0, num encontro em que os forasteiros puderam jogar com a posição muito vantajosa de que beneficiavam (seis pontos a mais e o facto de terem goleado o adversário, na primeira volta, por 5-1).
Os alpiarcenses viram reduzir-se, para apenas três pontos, o diferencial de que dispõem face à Glória do Ribatejo, tendo o Entroncamento somente a um ponto e, o Cartaxo, em teoria, a dois; mas, atendendo a que estes dois emblemas se enfrentam no último dia, têm já garantida a continuidade na divisão principal – uma vez que, pelo menos um (ou até os dois) irá perder pontos.
Quanto ao Cartaxo, tendo voltado às derrotas – batido, no seu próprio terreno, pelo Coruchense, mercê de um solitário golo (sofrido ainda no quarto de hora inicial) –, poderá vir a ter um desfecho de temporada de todo inesperado à partida, para um clube que se anunciava como candidato ao título: na hipótese de a decisão da Associação de Futebol de Santarém sobre o “caso” do jogo em Alpiarça lhe vir a ser desfavorável, e não ganhando no Entroncamento, cairia na II Divisão!
Alheia aos problemas contrários, a turma do Sorraia não desperdiçou a oportunidade de recuperar o 4.º posto da tabela classificativa, aproveitando também novo deslize do Torres Novas. De facto, os torrejanos, com um difícil fecho de campeonato, tendo vencido apenas num dos seus cinco últimos compromissos, não conseguiram fazer melhor do que uma algo imprevista igualdade, a duas bolas, na recepção ao Alcanenense, que já não pode melhorar a sua classificação (8.º).
Houve ainda uma outra troca de posições, na disputa pela vice-liderança, devido à perda de pontos do Fazendense na visita a Mação, onde, por duas vezes, esteve em desvantagem, não tendo ido além do empate, igualmente a dois golos. Um jogo com a particularidade de todos os quatro tentos terem sido apontados num intervalo de pouco mais de dez minutos, entre os 42 e os 53 minutos, um para cada lado a fechar a primeira parte, e outros tantos no início da etapa complementar.
Confirmações – Começando pelo novo Campeão, Ferreira do Zêzere, teve a sua festa de consagração, recebendo o vizinho e rival U. Tomar, que, honrando o momento, fez, antes do início da partida, merecida “guarda de honra” aos vencedores. E, perante uma equipa ferreirense naturalmente já algo em descompressão, os nabantinos complicaram bastante, tendo o Ferreira do Zêzere acabado por averbar, “in extremis”, um dos seus mais difíceis triunfos neste campeonato.
Após o nulo que subsistia ao intervalo, os tomarenses surpreenderiam, inaugurando o marcador e colocando-se em vantagem no reduto dos Campeões, outra vez por intermédio de Wemerson Silva. Espevitados por esse tento, os ferreirenses de pronto restabeleceram o empate. Mas, até final, teriam de impor grande intensidade e exercer forte pressão para conseguir, já no expirar do tempo de compensação, chegar enfim ao golo da vitória, fixando o “placard” em 2-1.
Uma festa que poderá ter ficado, de alguma forma, obnubilada, pela incerteza suscitada sobre a participação do clube no Campeonato de Portugal da próxima temporada, dependente da aceitação federativa (de cariz temporário) da utilização do campo ferreirense, na sua actual configuração, ou, alternativamente, da realização de trabalhos urgentes, para conformidade com o regulamento.
Como anteriormente aludido, o Samora Correia retomou o 2.º lugar, batendo com naturalidade, por ampla margem de 4-0, o At. Ouriense, tirando partido do empate do Fazendense em Mação. Os samorenses abriram o activo apenas com cinco minutos decorridos, vindo a confirmar o triunfo com mais três tentos, os dois últimos já no ocaso da partida. Samora Correia e Fazendense partem para a jornada final separados por dois pontos, sendo que, em caso de igualdade pontual, o conjunto das Fazendas terá vantagem no desempate, em função da superior diferença de golos.
Por fim, o Abrantes e Benfica isolou-se no 6.º posto, tendo recebido e vencido o Amiense, por 3-1, em encontro (tal como o Torres Novas-Alcanenense) antecipado para sexta-feira, dia 16 de Maio. Os abrantinos chegaram ao intervalo a ganhar por 1-0, consentiram ainda o empate, antes de, nos últimos dez minutos, marcarem mais dois tentos.
II Divisão Distrital – Houve “drama” no embate entre o líder, Porto Alto, e o Moçarriense, com os visitados a precisar de ganhar para confirmar, desde logo, matematicamente, o 1.º lugar. Tendo começado por sofrer um golo, só em período de “descontos”, os anfitriões chegariam ao 2-1, dando azo a esfusiantes festejos da subida à divisão principal do futebol distrital. Por seu turno, o Pontével, com assinalável vitória (1-0) em Marinhais, garantiu a disputa do “playoff” de subida.
Na série mais a Norte, o Riachense foi ganhar à Atalaia por 2-1, e parte para a ronda decisiva com mais um ponto que o Vasco da Gama (com excelente triunfo, no Espinheiro, por 5-2), disputando os dois clubes a 2.ª posição, para apuramento do adversário do Pontével em tal “playoff”.
Liga 3 – Chegou ao seu termo esta competição, tendo já o Lusitânia de Lourosa conquistado antecipadamente o título de Campeão, sendo acompanhado na promoção à II Liga pela equipa “B” do Sporting (vice-campeã). O Belenenses (3.º classificado) terá de disputar com o Paços de Ferreira (que finalizou no 16.º lugar em tal escalão) o “playoff” de manutenção/promoção.
Campeonato de Portugal – O Fátima voltou a perder (0-1) ante o líder, Lusitano de Évora, que, com o pleno de quatro vitórias, garantiu já a subida à Liga 3. Não obstante, beneficiando do empate (1-1) entre Amora e O Elvas, os fatimenses, só a dois pontos do emblema da margem Sul, continuam a poder “sonhar”. A Norte, o Vitória de Guimarães “B” assegurou também a subida.
Antevisão – Na última jornada do Distrital joga-se ainda pela definição da 2.ª posição (que, hipoteticamente, poderá vir a ser bem mais relevante ainda do que seria expectável), no U. Tomar-Samora Correia e no Fazendense-Ferreira do Zêzere. Na luta pela manutenção as atenções focam-se no Coruchense-Glória do Ribatejo e no Entroncamento AC-Cartaxo. Na II Divisão realce para as partidas: Riachense-Pego e Vasco da Gama-U. Atalaiense. No Campeonato de Portugal o Fátima desloca-se a Elvas, visando levar a decisão para o último dia.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 22 de Maio de 2025)
O Pulsar do Campeonato – 28ª Jornada

(“O Templário”, 15.05.2025)
Vitória frente ao Coruchense (5.º), vitória sobre o Alcanenense (8.º), vitória ante o Amiense (10.º) e vitória face ao Abrantes e Benfica (7.º), eis o incrível registo do Entroncamento AC nas últimas quatro jornadas – isto depois de ter superado uma deveras negativa série de oito derrotas consecutivas (entre a 17.ª e a 24.ª ronda) –, somando, só nesses quatro desafios, doze pontos (a acrescer aos dez que obtivera… nos outros 24 jogos), no que, conceda-se-me a ligeireza, se afigura como que um “fenómeno do Entroncamento”, proporcionando ao ainda recente clube da cidade ferroviária saltar acima da “linha de água”, em que se vira submergido há dois meses.
Faltando disputar apenas duas jornadas, são ainda quatro os clubes sob ameaça de poder vir a cair no penúltimo lugar, o que se traduzirá na descida ao segundo escalão, acompanhando o já matematicamente despromovido Salvaterrense: em rigor, no que respeita ao Águias de Alpiarça, só uma “calamidade” poderia ainda sentenciar-lhe tal desdita, atendendo a que dispõe de margem de seis pontos de vantagem sobre a Glória do Ribatejo, e tendo goleado esse rival, na primeira volta, por 5-1; menos tranquilos estarão o Cartaxo (pese embora tenha dado passo crucial) e o próprio Entroncamento AC, respectivamente quatro e dois pontos acima do emblema da Glória.
Destaques – O principal realce em relação aos desafios da 28.ª (antepenúltima) ronda vai, pois, para o notável desempenho do Entroncamento AC, recebendo e batendo (2-1) o grupo do Abrantes e Benfica. Mais, os visitados tiveram a força anímica para inverter o rumo de um jogo em que, praticamente, entraram a perder, sofrendo o golo logo aos três minutos; empatariam por volta da meia hora, consumando a reviravolta no minuto inicial do segundo tempo. Este foi, em paralelo, o terceiro desaire dos abrantinos nos últimos quatro encontros, tendo baixado à 7.ª posição, ainda que em igualdade pontual com o Mação, mas já a intransponíveis seis pontos do Coruchense.
Em evidência – pela positiva, enfim – esteve também o Cartaxo, que, em confronto com um rival directo, e na condição de visitante, foi a Alpiarça ganhar por tangencial 1-0, colocando termo a uma sucessão de sete derrotas, num desfecho que poderá ser determinante para as suas pretensões. Ressalvando-se que todos os considerandos anteriores partem do pressuposto que, de facto, a vitória venha a ser creditada aos cartaxeiros, uma vez que, lamentavelmente, esta partida não chegou ao termo, devido a distúrbios envolvendo espectadores e elementos do banco forasteiro.
O Amiense é que, por mérito próprio, dos comandados de Marco Marques, deixou de fazer parte destas contas da luta pela permanência, uma vez que ganhou (terceiro triunfo, em quatro jornadas), por categórico 3-0, ao Alcanenense, confirmando e reforçando um raro ascendente em confronto directo, perante este rival, no seu reduto: tratou-se da quinta vitória seguida do conjunto dos Amiais, em todos os embates ali disputados entre os dois clubes desde 2018, sem que a formação de Alcanena tivesse, sequer, marcado um golo (agregado de 11-0 a favor do Amiense)!
Os anfitriões, passando a somar 28 pontos (com vantagem de oito pontos sobre a zona de descida), ascenderam inclusivamente ao 10.º posto, acima do U. Tomar. Ao invés, um irreconhecível Alcanenense sofreu sexta derrota em sete jogos, ou, pior, o oitavo desaire nas últimas dez rondas.
O Samora Correia, tendo de aceitar a abdicação da disputa pelo título, mostrou-se, ainda assim, empenhado na contenda pela vice-liderança, tendo ido vencer a Torres Novas por 2-0 – afinal, num confronto entre o 4.º e o 3.º classificado, porém, agora separados por um fosso de quinze pontos –, com golos apontados, sensivelmente, a meio de cada parte, subsistindo igualado em pontos com o Fazendense. Por seu turno, esta foi a terceira derrota dos torrejanos nos quatro últimos compromissos, possibilitando ao Coruchense “encostar” novamente, agora só a um ponto.
Confirmações – Num fim-de-semana em que o resultado mais surpreendente terá sido – a ser homologado – o que se registou em Alpiarça, com a tal derrota dos locais ante o Cartaxo, os restantes quatro encontros tiveram resultados que confirmaram o favoritismo dos ganhadores.
Desde logo, o novo Campeão, Ferreira do Zêzere, a atestar que não irá repousar sobre os louros, indo vencer a Ourém, face ao At. Ouriense, por 3-1, tendo chegado ao intervalo já em vantagem de 2-0, num desafio sem maiores implicações a nível da pauta classificativa final.
O 2.º classificado, Fazendense, também não dá mostras de abrandar, tendo goleado o Glória do Ribatejo por inapelável 5-0, inaugurando o marcador logo no minuto inicial, tendo ampliado a contagem à passagem do quarto de hora, e, definido o prélio, com mais dois tentos, aos 30 e 38 minutos; na etapa complementar, registo para apenas mais um golo dos visitados. Este foi o sexto triunfo consecutivo dos homens das Fazendas, que seguem num impressionante registo de dez vitórias nos últimos onze jogos, numa cadência apenas acompanhada pelo comandante.
O Coruchense venceu igualmente por margem folgada (3-0), na recepção ao “lanterna vermelha”, Salvaterrense, quebrando um mini-ciclo de três derrotas, o que, como referido, lhe proporcionou colar-se ao Torres Novas, fixando, em paralelo, em seis pontos o avanço sobre os mais directos perseguidores (Mação e Abrantes e Benfica), quando restam em disputa… seis pontos.
O U. Tomar, recebendo o Mação, voltou a revelar-se impotente para contrariar os argumentos contrários, num jogo, outra vez, com contratempos de vária ordem: tendo começado por beneficiar das melhores oportunidades de golo, os tomarenses não tiveram a eficácia necessária, cedo se vendo em desvantagem (ainda antes do primeiro quarto de hora), devido a um “penalty” não isento de controvérsia; não baixando os braços, os unionistas tiveram ainda ocasiões para empatar, contudo não concretizadas; a situação pioraria substancialmente, quando, à beira do intervalo, ficaram reduzidos a dez elementos, eventualmente devido ao que teria sido uma inapropriada interpretação (falta de conhecimento do contexto, por parte do árbitro) de um “diálogo” entre os antigos colegas (ambos brasileiros) Henrique Matos e José Charles Mendes.
Na segunda metade, perante tantas adversidades, a equipa nabantina viria ainda a sofrer o segundo golo, num indefensável remate de fora da área. Continuando a porfiar, os anfitriões chegariam mesmo ao golo (87.º de Wemerson Silva ao serviço do clube, registo só superado pelos 104 golos de Ferreira e pelos 90 de Bolota), reduzindo para 1-2. Apesar da inferioridade numérica, animados por esse tento, tentariam, até final, restabelecer a igualdade, vindo, ao invés, a sofrer o 1-3, numa rápida transição, aproveitando o balanceamento atacante, cinco minutos para lá dos noventa.
Finalizando a prova com partidas frente às duas equipas que dominaram durante quase todo este campeonato, também apuradas para a Final da Taça (deslocando-se a Ferreira do Zêzere e, por último, tendo a visita do Samora Correia), o União corre o risco de poder vir ainda a baixar na tabela, uma vez que é escassa a margem de que dispõe face ao 12.º (somente um ponto, em relação ao Águias de Alpiarça) e ao 13.º classificado (três pontos a mais que o Cartaxo).
II Divisão Distrital – No frente-a-frente entre os dois primeiros, o Pontével levou a melhor sobre o Porto Alto, ganhando por 2-0, quebrando, à 20.ª jornada, a invencibilidade do líder, reduzindo o diferencial entre ambos para quatro pontos – o que, inevitavelmente, fará despertar a incerteza, mesmo que o Porto Alto, recebendo o Moçarriense e visitando o Paço dos Negros, continue a “ter a faca e o queijo na mão” para garantir a promoção. Ainda assim, no pior dos cenários para o Pontével, este assegurou já, no mínimo, o 2.º lugar, e consequente disputa do “playoff” de subida.
Mais a Norte, o já promovido Tramagal foi batido (2-0) pelo Vasco da Gama, que mantém intensa pressão sobre o 2.º classificado, Riachense (vencedor, por 3-1, ante o Espinheirense), somente a um ponto. O Vilarense, empatando a zero (Caxarias), ficou fora das contas da luta pela 2.ª posição.
Campeonato de Portugal – O Fátima perdeu, na Amora, por 2-0, um desfecho que poderá vir a revelar-se comprometedor, para maiores aspirações, terminando a primeira volta no 3.º lugar, a um ponto precisamente deste rival, com o Lusitano de Évora destacado, com o pleno de pontos.
Antevisão – A penúltima ronda do Distrital tem como principais pontos de interesse – para além de um sempre aliciante Ferreira do Zêzere-U. Tomar –, em especial, os embates em que estará em jogo a permanência: Glória do Ribatejo-Águias de Alpiarça e Salvaterrense-Entroncamento AC.
Na II Divisão destacam-se os desafios: Porto Alto-Moçarriense e Marinhais-Pontével, a Sul; e, a Norte, U. Atalaiense-Riachense e Espinheirense-Vasco da Gama. No Campeonato de Portugal o Fátima terá a visita do guia, Lusitano, que soma por vitórias os três jogos até agora realizados.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 15 de Maio de 2025)
O Pulsar do Campeonato – 27ª Jornada

(“O Templário”, 08.05.2025)
Prestes a comemorar o 90.º aniversário, o Sport Clube Ferreira do Zêzere atingiu o ponto mais alto do seu historial a nível do futebol, tendo-se sagrado, pela primeira vez, Campeão Distrital da I Divisão, assegurando, pois, uma inédita promoção aos campeonatos nacionais.
Na sua 16.ª participação no principal escalão do futebol distrital (tendo registado cinco despromoções, nas oito primeiras presenças, entre 1992-93 e 2008-09), e depois de ter estabilizado na I Divisão (oitava temporada consecutiva, desde 2017-18), após o 4.º lugar alcançado, precisamente em 2018, e da 2.ª posição da época passada – já sob o comando técnico de Mário Nelson –, os ferreirenses conseguiram, enfim, chegar ao degrau mais alto.
E fizeram-no em “grande estilo”, não deixando margem para qualquer dúvida, num título desde há muito anunciado: com 25 vitórias em 27 jogos (totalizando já 76 pontos, quando faltam ainda disputar três jornadas), tendo aberto um fosso de doze pontos face ao par que partilha agora a vice-liderança, com o ataque mais concretizador (81 golos, à média exacta de 3 golos/jogo, com mais vinte que o Fazendense) e a defesa menos batida (apenas doze golos, cerca de metade dos 23 sofridos pelo agora 2.º classificado), o desempenho do Ferreira do Zêzere apenas encontra paralelo no registo do Samora Correia em 1982-83 (27 vitórias e três empates); só sendo superado, em termos de rendimento percentual, pelo do Fátima em 2015-16 (24 vitórias e dois empates).
Destaques – Bastando-lhe obter, na 27.ª ronda, o mesmo desfecho que o Samora Correia alcançasse, os ferreirenses fizeram questão, naturalmente, de resolver a contenda por si próprios, e, mesmo defrontando um adversário valoroso (4.º classificado) – e após superarem alguma compreensível ansiedade –, não deram hipóteses ao Torres Novas, goleando por inequívoco 5-0.
O primeiro golo demorou meia hora a chegar, mas, com o 2-0, ainda antes de completado o 10.º minuto da segunda parte, estava dado o pontapé de saída para a grande festa. Até final, ainda mais três golos, elevaram a contagem para números bem eloquentes da superioridade do Ferreira.
Por seu lado, o Samora Correia, já conformado, procurando fundamentalmente preservar o 2.º lugar, não faria melhor que o empate (1-1) em Alcanena, onde, inclusivamente, começou por estar em desvantagem, tendo igualado logo no minuto inicial do segundo tempo, mas não tendo conseguido consumar a reviravolta, acabando por registar um algo imprevisto desfecho, com o Alcanenense a interromper uma série muito negativa, de cinco desaires sucessivos.
Muito mais difícil do que seria expectável foi, também, o triunfo do Fazendense, batendo o Cartaxo por sofrido 3-2, depois de ter sido deveras surpreendido, tendo visto os anfitriões chegar a vantagem de dois golos, ainda na meia hora inicial de jogo. Com forte reacção, o grupo das Fazendas de imediato restabeleceria a igualdade, num curto intervalo de apenas oito minutos; porém, o tento da vitória só viria a surgir nos derradeiros dez minutos, e numa fase em que os forasteiros se encontravam reduzidos a dez elementos, já desde os 67 minutos.
Em qualquer caso, uma conjugação de resultados que permitiu ao Fazendense, não só igualar o Samora Correia no 2.º posto (tendo, aliás, melhor diferença de golos), como definiu, desde logo, os clubes (para além de U. Santarém e Fátima) que representarão o Distrito na próxima edição da Taça de Portugal: o Campeão, Ferreira do Zêzere; o Samora Correia, enquanto 2.º classificado ou vencedor/finalista da Taça do Ribatejo; e o Fazendense, quer termine na 2.ª ou na 3.ª posição.
Se se tratou da quinta vitória consecutiva do Fazendense (nona nos dez últimos desafios, em que apenas cedeu um empate, ante o Coruchense), teve correspondência, em paralelo, na sétima derrota consecutiva do Cartaxo (que conta apenas oito pontos na segunda volta, só o Salvaterrense tendo feito pior), que vai caindo em situação cada vez ameaçadora: 13.º lugar, agora só dois pontos acima da “linha de água”, portanto, em sério risco de eventual descida à divisão secundária.
Surpresas – E isto porque, contrariando as expectativas, quer a equipa do Entroncamento AC como a da Glória do Ribatejo continuam a somar pontos, tendo, aliás, voltado a ganhar ambas.
Nos Amiais, defrontavam-se duas formações que vinham de vitórias nas duas rondas anteriores, tendo o Entroncamento AC surpreendido uma vez mais, alcançando terceiro triunfo sucessivo, isto depois de ter superado um ciclo terrível, de oito desaires consecutivos. O Amiense até começara por inaugurar o marcador, mas os visitantes empataram de pronto, tendo, na segunda parte, marcado mais dois golos, fixando o resultado em 1-3, a seu favor.
O grupo da Glória, recebendo o U. Tomar, impôs-se por categórico 3-0, numa partida em que os unionistas – em dia de (111.º) aniversário do clube – voltaram a desiludir. Tendo tido, até, melhor entrada em jogo, assumindo a iniciativa e controlo, e criando diversos lances de perigo, não conseguiriam, todavia, concretizar qualquer golo. Com o nulo a subsistir ao intervalo, na segunda metade a configuração do jogo alterar-se-ia substancialmente, com a entrada em campo de Emiliano Nambantche, a “revolucionar” a dinâmica do grupo da Glória, que os tomarenses revelaram incapacidade para travar, acabando por, sucessivamente, ver o “placard” dilatar-se.
Ainda assim, em função dos resultados do dia (em particular, da derrota do Cartaxo), o U. Tomar garantiu já, matematicamente, a manutenção: dispondo, agora, de margem de oito pontos sobre a “linha de água”, não poderá ser já ultrapassado, em simultâneo, pelo Cartaxo e Entroncamento AC, dado que estes se defrontarão na derradeira ronda. Mesmo num (improvável) cenário de igualdade a 27 pontos entre vários clubes, o União teria vantagem face a todos eles!
Confirmações – Nos restantes três encontros os desfechos poderão enquadrar-se na lógica, pese embora as vitórias expressivas do Mação ante o At. Ouriense (4-0) e do Águias de Alpiarça, em Salvaterra de Magos (5-2), o que ditou, inapelavelmente, o consumar da descida do Salvaterrense. O Abrantes e Benfica, batendo por tangencial 3-2 o Coruchense, dista só três pontos do 5.º lugar.
II Divisão Distrital – Tendo-se jogado apenas da Série B, o Tramagal garantiu já – ainda com três encontros por disputar – a promoção ao escalão principal, a que regressará, após 18 anos!
Para tal, bastou ao guia o empate (2-2), averbado no seu terreno, na recepção ao vice-líder, Riachense – subsistindo o diferencial de onze pontos entre ambos os emblemas; tendo, por seu lado, a turma dos Riachos beneficiado do desfecho (3-0) do Vilarense-Vasco da Gama para manter a sua posição, todavia, agora só com um ponto de vantagem sobre esse duo perseguidor; sendo que também o Espinheirense (4-0 à Ortiga), quatro pontos abaixo, ainda sonhará com o 2.º lugar.
Liga 3 – Chegou ao seu termo a disputa da fase de manutenção desta prova, sendo de sublinhar a magnífica goleada imposta pelo U. Santarém em Coimbra, frente à Académica, tendo os escalabitanos vencido por concludente 4-0, ultrapassando o adversário e concluindo o torneio no 1.º lugar. Foram despromovidas ao Campeonato de Portugal as equipas do Anadia, Vilaverdense, Oliveira do Hospital e Lusitânia (Açores). Na fase de apuramento de Campeão, ainda com duas jornadas por disputar, o Lusitânia de Lourosa garantiu já a promoção à II Liga.
Campeonato de Portugal – O Fátima reagiu da melhor forma à “entrada em falso” na fase de subida, obtendo notável vitória ante O Elvas (3-1), posicionando-se, após a realização das duas primeiras rondas, no 2.º lugar, a três pontos do Lusitano de Évora, que somou segundo triunfo.
Antevisão – Na antepenúltima jornada do Distrital da I Divisão – e sendo já conhecidos os três clubes que ocuparão os lugares do pódio – as atenções focam-se, agora, sobretudo, na luta pela permanência, com realce para os seguintes desafios: Águias de Alpiarça-Cartaxo; Fazendense-Glória do Ribatejo; Entroncamento AC-Abrantes e Benfica; e, ainda, o Amiense-Alcanenense.
No escalão secundário destaca-se, em especial, o Pontével-Porto Alto, embate que colocará frente-a-frente os dois primeiros classificados, bastando o empate aos visitantes para confirmarem o regresso à I Divisão Distrital; em caso de triunfo dos anfitriões, reduziriam o atraso face ao líder para quatro pontos ((restando disputar duas jornadas), mas, talvez mais determinante, garantiriam matematicamente o 2.º posto, e consequente participação no “playoff” de subida.
Na Série B, já com o vencedor definido, serão, ainda assim, de interesse, na disputa pelo 2.º lugar, as seguintes partidas: Vasco da Gama-Tramagal, Riachense-Espinheirense e Caxarias-Vilarense.
A fechar a primeira volta da fase final do Campeonato de Portugal, o Fátima viaja até à margem Sul do Tejo, para defrontar o Amora, que partilha o 3.º lugar com O Elvas, somente com um ponto.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 8 de Maio de 2025)
O Pulsar do Campeonato – 26ª Jornada

(“O Templário”, 01.05.2025)
O Ferreira do Zêzere não conseguiu materializar o primeiro “match-point” de que dispunha para confirmar o título de Campeão, não tendo, outra vez, logrado levar de vencida o seu mais directo rival na presente temporada, Samora Correia, responsável pela “subtracção” de todos os cinco pontos até agora cedidos no campeonato pelo líder. Restando doze pontos em disputa, subsistindo o diferencial de dez pontos entre os dois primeiros classificados, os ferreirenses necessitarão apenas, de novo, de vencer o seu próximo jogo, para poderem, enfim, libertar a grande festa.
A 26.ª ronda ficou, novamente, marcada por curiosas conjugações de resultados, bem sintomáticos desta fase de final de temporada: todos os quatro clubes posicionados entre o 5.º e o 8.º lugar (Coruchense, Abrantes e Benfica, Alcanenense e Mação) foram, pela segunda semana seguida, derrotados; dos oito primeiros da tabela, apenas dois venceram (Fazendense e Torres Novas); das restantes oito equipas só duas perderam (Cartaxo e Salvaterrense).
Destaques – O “jogo grande” da jornada, o primeiro de uma série de três embates entre Samora Correia e Ferreira do Zêzere, saldou-se por um nulo, que, em boa verdade, não pode ter agradado por completo a nenhum dos conjuntos, como, em paralelo, também não lhes terá desagradado de todo. Os anfitriões, não tendo reduzido o atraso, salvaguardaram, como mínimo, o adiamento da decisão do campeonato, por, pelo menos, mais uma semana; os forasteiros, não puderam ainda festejar, mas têm a perfeita noção de que tal estará para muito breve, cada vez mais próximo.
Quanto ao jogo, propriamente dito, teve, como é comum no jargão do futebol, duas partes distintas: uma primeira, com os ferreirenses mais assertivos, com maior iniciativa, não tendo, todavia, concretizado; na segunda, os samorenses com maior tempo de posse de bola, mas sem criarem soberanas ocasiões de golo. No final, ambos os treinadores lamentaram a falta de eficácia.
Na luta pela manutenção, o Águias de Alpiarça, que tinha sido um dos principais derrotados na jornada anterior, “desforrou-se”, recebendo e goleando, por números imprevistos (4-0), o Abrantes e Benfica, outra vez a claudicar de forma inesperada (depois da expressiva derrota sofrida em Torres Novas), em flagrante contraponto com as goleadas que impusera ao At. Ouriense e ao U. Tomar. Os alpiarcenses passaram, assim, a dispor de importante margem, de sete pontos, em relação à zona de despromoção, quase a garantir o objectivo primordial.
Surpresas – Para além dos números do triunfo do Águias, a grande surpresa chegou-nos de Coruche, onde o Amiense foi ganhar por 2-1, somando segundo triunfo sucessivo, depois de uma “seca” de sete jornadas sem vencer, praticamente garantindo a tranquilidade, agora já nove pontos acima da “linha de água”. O Coruchense viu afastar-se o Torres Novas, na disputa pelo 4.º lugar, atendendo a que os torrejanos haviam já derrotado, em jogo antecipado, o Mação, por 2-1.
Também a outra surpresa se registara já na semana anterior, com o triunfo do Entroncamento AC face ao Alcanenense, por 3-1, igualmente o segundo sucessivo da turma da cidade ferroviária, a qual, não obstante, se mantém em zona de descida, a um ponto da Glória do Ribatejo.
Precisamente, o desfecho do desafio em que interveio o grupo da Glória do Ribatejo – empate a zero em Ourém, ante o At. Ouriense – terá sido também uma “meia-surpresa”, dado o posicionamento dos dois clubes na pauta classificativa, sendo que os donos da casa tinham, à partida para tal encontro, o dobro dos pontos do adversário (32 vs. 16)! A verdade é que a equipa de Ourém está já absolutamente tranquila, sem especiais objectivos, enquanto que, para a formação da Glória, cada ponto adicional pode fazer a diferença.
Confirmações – Cabalmente dentro das expectativas se poderá enquadrar a vitória averbada pelo Fazendense, na recepção ao “lanterna vermelha”, Salvaterrense, goleando por 4-0. O conjunto das Fazendas continuará ainda a “sonhar” com a 2.ª posição (encurtou, apenas para dois pontos, a desvantagem em relação ao Samora Correia), que conferirá o apuramento para a Taça de Portugal; ao invés, a turma de Salvaterra de Magos vê esfumarem-se as esperanças de permanência na divisão principal, tendo passado a distar já (demasiados) oito pontos do antepenúltimo lugar.
Por fim, o U. Tomar conseguiu algum ânimo para a recta final desta época, tendo “arrancado a ferros” um suado triunfo, por 3-1, ante o Cartaxo. Tendo, uma vez mais, entrado em campo a perder, sofrendo o golo contrário ainda antes dos cinco minutos, com uma primeira parte apática, em que poderia inclusivamente ter visto ampliada a desvantagem, viria a beneficiar do facto de o oponente ter ficado reduzido a dez elementos, ainda com cerca de uma hora para jogar, e, sobretudo, da forte quebra em termos físicos revelada pela jovem equipa cartaxeira.
Só nos derradeiros dez minutos o União chegaria ao(s) golo(s), numa fase em que, tal como sucedera na semana anterior, os centrais Henrique Matos e Siaka Bamba se posicionavam já no eixo do ataque, tendo sido, aliás, o experiente capitão a bisar, operando a reviravolta no marcador. Não tendo sido uma boa exibição dos tomarenses, o resultado obtido permite-lhes alcançar, de forma definitiva, a tranquilidade (faltando apenas a confirmação da manutenção em termos matemáticos), tendo ampliado para onze pontos a vantagem em relação ao Entroncamento AC.
Ao contrário, o Cartaxo poderá ainda vir a cair em zona muito perigosa da tabela, uma vez que a pontuação até agora somada (21 pontos, apenas cinco a mais que o Entroncamento AC) poderá vir a revelar-se não ser suficiente para garantir a manutenção.
II Divisão Distrital – Também na II Divisão Distrital o “Campeão” (no caso, os dois vencedores de série) ficou adiado, uma vez que, contrariamente ao que seria esperado, nem Porto Alto, nem Tramagal lograram somar os três pontos.
Grande foi a surpresa do nulo cedido pelo Porto Alto, na recepção ao Benfica do Ribatejo (adversário que, na primeira volta, goleara, fora de casa, por 7-1); o líder da Série A continua, não obstante, a dispor de muito confortável vantagem face ao mais imediato perseguidor, Pontével.
Na Série B, o Tramagal teve também de adiar os festejos do regresso à divisão maior do futebol distrital, não tendo conseguido melhor do que o empate (2-2) no terreno da Ortiga.
Liga 3 – O U. Santarém, recebendo o Lusitânia, somou mais três pontos (2-0), na penúltima jornada da prova, mantendo o 2.º posto, apenas atrás da Académica.
Campeonato de Portugal – O Fátima não foi feliz no arranque da fase final desta competição, de apuramento dos quatro clubes a promover à Liga 3, tendo sido claramente derrotado, em Évora, pelo Lusitano, por 3-0, num registo, a nível de golos sofridos, a que os fatimenses não estavam de todo habituados, ao longo de toda esta época.
Antevisão – Na 27.ª jornada do Distrital da I Divisão destaca-se o confronto entre o 1.º e o 4.º classificados, com o Ferreira do Zêzere a ter a visita do Torres Novas, com a esperança de, enfim, poder selar a inédita conquista do título de Campeão.
Destaca-se, ainda, noutro âmbito, a importância (para os visitados) dos jogos entre Glória do Ribatejo e U. Tomar, por um lado, e entre Cartaxo e Fazendense, por outro. Os encontros Amiense-Entroncamento AC, e, em especial, o Salvaterrense-Águias de Alpiarça poderão ser também definidores para o desfecho do campeonato, no que respeita à(s) descida(s).
Na II Divisão Distrital (apenas na Série B), realce para os embates envolvendo os quatro primeiros: Tramagal-Riachense e Vilarense-Vasco da Gama.
Na derradeira ronda da fase de manutenção da Liga 3, o U. Santarém desloca-se a Coimbra, para defrontar a Académica. Por seu lado, na 2.ª jornada da fase final do Campeonato de Portugal, o Fátima, actuando no seu terreno, terá por adversário O Elvas.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 1 de Maio de 2025)
O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/2 finais (2.ª mão)

(“O Templário”, 24.04.2025)
Faltando pouco mais de um mês para o termo da temporada, perfilam-se ainda, nesse curto horizonte temporal, nada menos de três aliciantes embates entre Ferreira do Zêzere e Samora Correia, as duas equipas que vêm dominando o futebol distrital nesta época: o primeiro deles, já neste domingo, em Samora, poderá até vir a ditar, desde logo, o novo Campeão Distrital; mais adiante, a Final da Taça do Ribatejo; e, por fim, quase de certeza, a Supertaça Dr. Alves Vieira.
Isto, porque, confirmando o favoritismo de que eram creditados, os emblemas de Ferreira e de Samora garantiram, na passada sexta-feira, o apuramento para a final da Taça: no caso dos ferreirenses, bisando a presença no desafio decisivo, que disputaram igualmente (tendo, aliás, saído vencedores) no ano anterior, no que será a terceira final da história do clube do Zêzere, e em busca da conquista do terceiro troféu na prova; já os samorenses chegam à final pela quinta vez (fase de que se encontravam arredados há 28 anos!), também à procura da sua terceira Taça.
Destaques – Tendo vencido, na 1.ª mão, em Abrantes, por categórica marca de 3-0 (por coincidência, repetindo, precisamente pelos mesmos números, o triunfo ali averbado há um ano, em idêntica fase do torneio), a qualificação do Ferreira do Zêzere para mais uma final mais não seria do que o cumprir de uma “formalidade”. Mesmo que o Abrantes e Benfica cedo (logo aos sete minutos) se tenha colocado em vantagem na partida da 2.ª mão, tal não terá chegado para que pudesse acalentar ainda alguma esperança, tendo os donos da casa empatado meia hora depois.
Na etapa complementar, o bis de Ivan Alves, apontado a meio do segundo tempo, proporcionou aos ferreirenses obter nova vitória, desta feita por tangencial 2-1, mas resultando num desnivelado agregado de 5-1, no conjunto das duas mãos (ainda mais convincente que o 3-0 de 2023-24).
Em Samora, e, contra o que seriam as expectativas, com a eliminatória ainda em aberto (na sequência da igualdade a uma bola registada em Tomar), a turma local, algo paradoxalmente – atendendo ao desempenho de ambas as formações no campeonato – nunca pareceu sentir-se verdadeiramente confortável, mesmo que tenha marcado ainda no quarto de hora inicial.
Desta vez com boa entrada em jogo, coube inclusivamente aos unionistas a primeira grande oportunidade de golo, todavia desaproveitada, dado não terem sido expeditos na concretização do lance. Surpreendentemente, o União conseguira instalar-se no meio-campo contrário, com os samorenses, algo amorfos, a denotar dificuldades em construir jogadas fluidas.
Porém, como tantas vezes tem sucedido, bastaria uma desconcentração defensiva, não perdoada pelos anfitriões, para, na primeira descida à área dos tomarenses, logo chegarem ao golo. Que acabaria por ser o único do desafio, tendo o 1-0 perdurado até final. Ao longo do (muito) tempo que faltava ainda jogar, os visitantes, com grande empenho, mas com escassas alternativas, não teriam ocasião tão propícia para marcar, como a que tinham desperdiçado de início.
Naturalmente, dispondo de outros recursos, e procurando tirar partido do adiantamento contrário (a equipa nabantina acabaria o jogo com os defesas centrais instalados na zona de ataque, na expectativa de algum ressalto), o Samora Correia teria ainda, já na parte final do encontro, um par de outras oportunidades, que também não seriam concretizadas, devido a algum atabalhoamento.
O grupo tomarense, dando boa conta de si, dignificando as cores do clube, teve a virtude de manter incerto até final o desfecho do jogo (e, portanto, da própria eliminatória), tendo ainda, num ou noutro lance de bola parada, procurado assustar o adversário, mas o “placard” não se alteraria.
Fica, em retrospectiva, o registo de uma campanha bem positiva do U. Tomar, que alcançou as meias-finais apenas pela 5.ª vez no seu historial (2003, 2018, 2020, 2021 e 2025 – só na época de 2017-18 tendo logrado chegar à Final, que venceria, conquistando o seu único troféu na prova), tendo sucessivamente afastado as equipas do Salvaterrense, Porto Alto e Fazendense.
I Divisão Distrital – Torres Novas, Mação, Entroncamento AC e Alcanenense aproveitaram o feriado de sexta-feira de Páscoa para realizar, antecipadamente, os encontros da 26.ª jornada da I Divisão Distrital, tendo os donos da casa levado a melhor sobre os respectivos oponentes.
Depois do passo em falso na ronda anterior, com um algo imprevisto desaire sofrido na Glória do Ribatejo, o Torres Novas voltou às vitórias, batendo por 2-1 o Mação, que somou quarta derrota nos últimos cinco jogos. Os torrejanos consolidam, assim, a 4.ª posição, agora com mais quatro pontos que o Coruchense, equipa que, não obstante, conta um jogo a menos realizado.
Em fase ainda pior que a dos maçaenses está a formação de Alcanena, “estacionada” nos 40 pontos há seis jornadas, acumulando, pois, uma série de seis derrotas consecutivas. O Alcanenense perdeu no Entroncamento por 3-1 (destacando-se o “hat-trick” apontado por Elijah Alao),
Com esta segunda vitória sucessiva (superando um ciclo muito negativo de oito derrotas), o Entroncamento AC conseguiu a recolagem pontual (16 pontos) à equipa da Glória do Ribatejo – em paralelo, praticamente sentenciando o destino do “lanterna vermelha” Salvaterrense (sete pontos mais abaixo) –, podendo porventura vir a causar ainda alguma intranquilidade às formações do Águias de Alpiarça (13.º, 20 pontos), Cartaxo (21) e, no limite, até ao Amiense (22).
Liga 3 – Os clubes que participam nas duas séries de disputa de manutenção (tendo já o U. Santarém a permanência garantida) tiveram breve pausa na competição, apenas tendo prosseguido (já com dez jornadas realizadas, do total de 14) a fase final, de apuramento de Campeão, em que o Lusitânia de Lourosa (22 pontos) surge muito bem encaminhado para a promoção, com oito pontos de avanço face ao 3.º (Varzim) e 4.º classificados (Belenenses). Em posição de subida directa está, igualmente, nesta altura, a equipa “B” do Sporting (2.º lugar), que soma 16 pontos.
Campeonato de Portugal – Também esta prova teve um interregno, na transição da fase regular para a fase final, para disputa das quatro vagas de promoção, tendo sido, entretanto, realizado o seu sorteio, que ditou o seguinte alinhamento de jogos para o Fátima (Série B – Sul): deslocação ao terreno do Lusitano de Évora, recepção a O Elvas e visita ao Amora, com a correspondente reciprocidade na segunda volta, que se estenderá até dia 1 de Junho. Todas as equipas partem a “zeros”. Na Série A – Norte participam: Leça, Marco 09, Paredes e V. Guimarães “B”.
Antevisão – Na retoma da I Divisão Distrital – para realização dos seis desafios restantes, da 26.ª jornada –, todas as atenções estarão focadas no empolgante confronto entre Samora Correia e Ferreira do Zêzere, respectivamente vice-líder e comandante, separados por dez pontos. Ficando a faltar apenas doze pontos em compita, até final do campeonato, os ferreirenses farão a grande festa, da conquista do título de Campeão Distrital, caso consigam somar 15.º triunfo consecutivo.
Ao invés, os samorenses, únicos a conseguir retirar pontos ao rival, em todo o campeonato (!), tendo, inclusivamente, ido vencer a Ferreira, procurarão adiar um pouco mais o desfecho do campeonato: caso ganhem, reduzirão o atraso para sete pontos, o que implicaria que o líder necessitasse ainda de obter duas vitórias; num cenário de empate, os ferreirenses poderiam, ainda assim, confirmar o título na semana seguinte, ganhando na recepção ao Torres Novas.
O U. Tomar, que recebe o Cartaxo (noutro ciclo negativo, de cinco derrotas), procurará materializar em pontos os bons indícios que deixou transparecer na partida em Samora Correia.
Na divisão secundária destacam-se as partidas: Marinhais-Forense e Riachense-Vilarense.
Na Liga 3, o U. Santarém tinha agendada, para o feriado de 25 de Abril, a recepção ao Lusitânia, que se reveste de cariz crucial para os açorianos, ainda com esperanças na manutenção. No arranque da fase final do Campeonato de Portugal, o Fátima visita a “cidade-museu”, Évora.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Abril de 2025)
O Pulsar do Campeonato – 25ª Jornada

(“O Templário”, 17.04.2025)
Foi preciso esperar pela 25.ª jornada (de um total de trinta de que se compõe este campeonato) para, numa raríssima conjugação de resultados, todos os clubes que ocupavam as quatro últimas posições da tabela (Amiense, Glória do Ribatejo, Entroncamento AC e Salvaterrense) averbarem vitórias, numa acesa disputa pela manutenção – sendo que não haviam conseguido, até esta fase já final da prova, somar mais do que dois triunfos numa mesma ronda; anotando-se, aliás, que, em 14 das (24) jornadas precedentes, nenhuma dessas quatro equipas tinha saído vencedora!
Tão inusitada quanto essa combinação vitoriosa foi a coincidência de todos os cinco emblemas classificados entre o 4.º e o 8.º posto terem sido derrotados, o que nunca sucedera (apenas na 19.ª ronda se tinha registado o facto de nenhum deles ter vencido, mas tendo somado quatro empates).
O Ferreira do Zêzere prossegue a sua senda triunfal (ampliando para 14 a fantástica série de vitórias consecutivas), cada vez mais próximo do grande objectivo; se, antes, precisaria de ganhar (no máximo) três jogos para confirmar matematicamente a conquista do título, faltar-lhe-ão, agora, apenas seis pontos – sendo que, por sortilégio do calendário, se desloca, na próxima ronda, ao terreno do vice-líder, Samora Correia, onde, caso venha a ganhar, fará desde logo a festa!
Destaques – Começando, então, uma apreciação mais particularizada sobre os triunfos das equipas da cauda da tabela, as maiores proezas, e, também, as que, potencialmente, se revestirão de principal relevância, terão sido as obtidas pela Glória do Ribatejo e pelo Entroncamento AC – de alguma forma a minorar o impacto da vitória do “lanterna vermelha”, Salvaterrense, que, restando disputar cinco jogos, subsiste a considerável distância, de sete pontos, da “linha de água”.
Na Glória, a turma local teve “alma” para, defrontando o 4.º classificado, Torres Novas (que tinha em curso uma notável série de sete triunfos e dois empates, nos nove desafios disputados na 2.ª volta, e que marcara, nas três rondas anteriores, um impressionante total de 17 golos!) –, e já depois de se ter visto igualada a uma bola no marcador, com um “penalty” sofrido a cinco minutos do termo do tempo regulamentar (10.º jogo consecutivo de Miguel Miguel a marcar) –, ir ainda em busca de uma vitória que poderá ser crucial, fixando o 2-1 final já em período de “descontos”.
Também o Entroncamento AC, naturalmente não querendo dar tréguas, fazendo “prova de vida” (interrompendo uma série muito negativa, de oito derrotas sucessivas, e de nove jogos sem ganhar), conseguiu, ante o 5.º classificado, Coruchense, vencer por 2-1, no que foi, pois, o seu primeiro triunfo nesta segunda parte do campeonato. Cedo tendo inaugurado o marcador (ainda no quarto de hora inicial), permitiria ao grupo do Sorraia empatar poucos minutos volvidos, vindo a chegar ao tento da vitória igualmente já para lá dos noventa minutos.
Perante estes dois desfechos, poderá ter sido algo inconsequente a vitória averbada pelo Salvaterrense ante o U. Tomar, por tangencial 1-0, mercê de um golo apontado a meio da segunda parte. A formação de Salvaterra de Magos contava, até então, um único êxito, na 14.ª jornada (disputada há três meses), no Entroncamento; porém, restando menos um jogo por realizar, viu manter-se um importante atraso em relação à Glória, primeira equipa acima da zona de descida.
Foi, para o U. Tomar (bastante desfalcado), mais um resultado muito negativo (perante um opositor que, nas duas semanas anteriores, sofrera pesadas goleadas, por 3-8, em casa, ante o Torres Novas; e por 5-0, em Ourém), falho de capacidade ofensiva, e, adicionalmente, a revelar também dificuldades para suster as iniciativas do adversário. A melhor oportunidade de golo para os tomarenses só apareceu em tempo de compensação, com um remate de Siaka Bamba à trave…
A última das quatro vitórias dos clubes da parte baixa da pauta classificativa seria, em teoria, mais expectável, atendendo a que o Amiense (então 13.º classificado, tendo subido, entretanto, à 11.ª posição) recebia o Águias de Alpiarça (que, consequentemente, baixou do 12.º ao 13.º lugar), com o conjunto dos Amiais a ganhar por 2-0, quebrando assim um jejum de sete jogos.
Confirmações – Vistas que foram as (imprevistas) derrotas do 4.º e 5.º classificados (Torres Novas e Coruchense, respectivamente), os desaires sofridos por Abrantes e Benfica, Alcanenense e Mação serão mais enquadráveis dentro da lógica, dado terem ocorrido frente aos três clubes do pódio, confirmando, pois, o seu favoritismo – aproveitando, em paralelo, para consolidar, talvez de forma definitiva, as posições que ocupam na tabela, de modo ininterrupto, e, aliás, sem qualquer alteração, há cinco meses, desde a já longínqua 10.ª jornada.
O embate que se antevia mais renhido colocava frente-a-frente o Abrantes e Benfica (6.º) e o Fazendense (3.º); pois, a turma das Fazendas superou este teste com distinção, ganhando, não obstante por via de um solitário golo, marcado à beira do intervalo, numa altura em que jogava – já desde os 30 minutos – em inferioridade numérica, o que teve de aguentar durante uma hora.
Em Mação, a turma local recebia o Samora Correia, acabando por ser derrotada por tangencial 3-4, mas após os samorenses terem chegado ao intervalo em vantagem por 4-1, pelo que nunca a vitória forasteira terá chegado a estar verdadeiramente em causa, isto depois de terem sido também os visitantes a inaugurar o marcador. Esta foi a terceira derrota dos maçaenses nas quatro jornadas mais recentes (apenas tendo vencido em Alcanena).
O comandante, Ferreira do Zêzere, cumpriu o seu papel, precisamente em Alcanena, impondo ao grupo local quarta derrota sucessiva, com os ferreirenses, outra vez, a ganhar por 2-0, desbloqueando o jogo, que não se revelava fácil, apenas na segunda metade do desafio.
Resta abordar o oitavo encontro da jornada, entre o Cartaxo (que desceu ainda uma posição, para o 12.º posto, tendo sido ultrapassado pelo Amiense) e o At. Ouriense (9.º na tabela, completamente isolado, a sete pontos do Mação; e com oito de vantagem em relação ao U. Tomar). Os visitados marcaram primeiro, mas, uma vez mais, mostraram-se impotentes para evitar o que foi a sua quinta derrota consecutiva, tendo chegado ao intervalo já em desvantagem (1-2), com a formação de Ourém a ampliar para 3-1, antes de os cartaxeiros estabelecerem o “placard” final de 2-3.
II Divisão Distrital – Também no escalão secundário se aproxima a hora das decisões, com Porto Alto (nove pontos de avanço, a quatro jornadas do fim) e Tramagal (vantagem de 13 pontos, quanto faltam disputar seis jogos ao seu rival mais próximo, Vasco da Gama) cada vez mais perto de verem confirmado o ansiado regresso à divisão principal do futebol distrital.
O Porto Alto obteve suada vitória, no terreno do Forense (3.º classificado) por 3-2, depois de ter chegado a dispor de vantagem de 2-0, mas tendo permitido ao adversário restabelecer o empate. Já o Tramagal teve uma tarde tranquila (triunfo por 3-1) ante a equipa “B” do Abrantes e Benfica.
Na disputa pelo 2.º lugar das duas séries (que dará acesso ao “play-off” para apuramento do terceiro clube a promover), o Pontével (batendo o U. Almeirim por categórico 3-0), dilatou, para seis pontos, a diferença em relação ao Forense, tirando partido do insucesso deste. O Vasco da Gama não foi além do nulo no reduto do Caxarias, enquanto o Vilarense (igualado em pontos, mas com dois jogos a mais) cedeu comprometedor empate (1-1) caseiro, ante a equipa da Ortiga.
Liga 3 – O U. Santarém voltou a ganhar, por 1-0, na visita às Caldas, reforçando o 2.º lugar, a dois pontos do guia, Académica, quando restam disputar as duas últimas rondas.
Campeonato de Portugal – O Fátima, pese embora tenha sido derrotado (2-0) em Mortágua, beneficiou do desaire do Arronches e Benfica (0-1) na recepção ao vencedor da Série C (O Elvas), para confirmar o 2.º lugar final, garantindo o acesso à fase de promoção à Liga 3, onde enfrentará, para além do emblema raiano, o Lusitano de Évora e o Amora (apurados da Série D).
Antevisão – Realizam-se, no feriado desta sexta-feira de Páscoa, os jogos da 2.ª mão das meias-finais da Taça do Ribatejo, com o Ferreira do Zêzere a receber o Abrantes e Benfica (com os ferreirenses já com “pé e meio” na final, dado terem vencido em Abrantes por 3-0), enquanto o U. Tomar se desloca a Samora Correia, ainda a poder “sonhar”, depois do 1-1 em Tomar.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 17 de Abril de 2025)
O Pulsar do Campeonato – 24ª Jornada

(“O Templário”, 10.04.2025)
A 24.ª jornada do Distrital da I Divisão foi, outra vez, bem recheada de golos, com um total de 34 (afinal, não assim tão longe dos 38 tentos da ronda precedente), mercê de mais algumas goleadas, impostas pelo Abrantes e Benfica (6-0), At. Ouriense (5-0) e Torres Novas (4-0), tendo havido também cinco golos nas partidas disputadas em Samora Correia (4-1) e nas Fazendas (3-2).
No topo da tabela, o Ferreira do Zêzere, pese embora de forma mais sóbria (2-0), somou a sua 13.ª vitória consecutiva no campeonato, estabelecendo novo “record” na presente temporada, superando o primeiro objectivo tão propalado pelo seu treinador, Mário Nelson, o de obter mais pontos (69 – ainda com seis jogos por disputar!) do que os averbados na época anterior (68).
Mas os números são por demais elucidativos da superioridade dos ferreirenses: 74 golos marcados (média acima de três golos por jogo) e somente 12 sofridos (meio golo em média), que lhe conferem também a liderança destacada como melhor ataque e melhor defesa, numa prova quase perfeita, não fosse um grãozinho na engrenagem, que impediu o que seria o pleno de (24) vitórias.
Dos oito clubes da primeira metade da tabela apenas o Alcanenense (de novo) e o Mação não ganharam; enquanto que, das restantes equipas, só At. Ouriense e Águias de Alpiarça venceram.
Destaques – Justamente, o desafio com desfecho mais relevante foi o que colocou frente-a-frente o Águias de Alpiarça e o Entroncamento AC, fulcral na disputa pela permanência, tendo os alpiarcenses triunfado por 3-1 – tendo, aliás, chegado mesmo a dispor de vantagem de três golos, antes de os forasteiros alcançarem o “ponto de honra”, já em período de compensação.
Em função da vitória, o Águias, tendo ampliado, para dez pontos, o diferencial face a este opositor, terá praticamente garantido também a continuidade no escalão principal, cumprindo assim o objectivo da época, deixando a definição dos dois emblemas a despromover a cargo do triunvirato formado por Glória do Ribatejo (13 pontos), Entroncamento AC (10) e Salvaterrense (6).
Deste encontro fica ainda a curiosa nota de um desafortunado jogador do Entroncamento AC ter marcado o que é já o terceiro golo na sua própria baliza (depois do sucedido frente ao Cartaxo e Ferreira do Zêzere, na 15.ª e 18.ª rondas), com a ressalva de que, em qualquer dos três casos, tais lances infelizes acabaram por não ter influência determinante para os desfechos verificados.
Em evidência esteve também o At. Ouriense, que goleou o “lanterna vermelha”, Salvaterrense, por 5-0, não tendo os visitantes conseguido melhor do que suster as ofensivas contrárias quase até ao intervalo, altura em que o grupo oureense desbloqueou o jogo, com um golo a fechar a primeira parte e outro logo a abrir o segundo tempo, quebrando assim a resistência adversária.
Melhor ainda fez o Abrantes e Benfica, em Tomar, chegando à “meia dúzia”, num embate em que, uma vez mais, tal como em Mação e em Torres Novas, o União não só entrou a perder (sofrendo dois golos, logo aos quatro e doze minutos), como, de facto, tinha já o jogo perdido à meia hora.
Numa partida com contornos algo atípicos, os nabantinos foram sancionados com duas grandes penalidades (2.º e 3.º golos) e jogaram em inferioridade numérica durante mais de uma hora, acabando por ver, com alguma naturalidade, o “placard” ampliar-se (depois do 0-3 ao intervalo, o quarto tento dos abrantinos surgiu imediatamente no recomeço…) até um pesado 0-6 final.
Em maré de estatísticas (neste caso negativas), esta foi a 500.ª derrota da história do U. Tomar, em que ficou “em branco”; sendo que a última vez que tinha perdido por 0-6 tinha sido frente ao… Abrantes FC, em Março de 2003, numa época em que concluiu o Distrital na 12.ª posição.
A última nota de destaque vai, outra vez, para o Torres Novas, numa senda imparável de goleadas, tendo, desta feita, aplicado 4-0 ao Cartaxo, mantendo um notável 4.º posto na pauta classificativa. Mais impressionante ainda é a cadência de Miguel Miguel: depois de, na semana passada, ter apontado uma “manita” (cinco golos, e não quatro, como inicialmente constara dos registos associativos), foi agora autor de um “hat-trick”, totalizando 24 golos (que lhe conferem o comando destacado dos “melhores marcadores”), dos quais 17 (!) nas nove jornadas da segunda volta, sendo que o torrejano marcou em todos esses jogos. Formidável!
Confirmações – À parte o volumoso desfecho do desafio em Tomar, não houve outras surpresas, mas até poderia ter havido, em Coruche, onde a formação do Sorraia só no quinto minuto para lá dos noventa conseguiu chegar à vitória (2-1), ante o Alcanenense, depois de ambas as equipas terem marcado no quarto de hora inicial; sendo que o tento do triunfo foi alcançado perante um oponente já reduzido a nove elementos, o que vigorou ao longo dos últimos vinte minutos.
Esta foi a quinta derrota do conjunto de Alcanena nas seis últimas rondas, tendo baixado ao 7.º lugar, ultrapassado pelo Abrantes e Benfica, e somente um ponto à frente do Mação.
Quanto aos maçaenses, com um plantel que, à partida, permitiria aspirar a mais do que o 8.º posto que ocupam, foram batidos no reduto do guia, por 2-0, com o Ferreira do Zêzere, porventura a começar a ter de enfrentar alguma natural fadiga psicológica, a chegar ao primeiro golo já próximo da hora de jogo, só nos derradeiros minutos vindo a surgir o tento da confirmação.
Os ferreirenses repetiram a marca do anterior jogo em casa (ante o Cartaxo), prosseguindo firmes na sua trajectória, cada vez mais próximos do objectivo final, com o ansiado título de Campeão agora somente a três vitórias de distância, quando subsistem ainda seis encontros por disputar.
O Samora Correia, recebendo a equipa da Glória do Ribatejo, até começou por ver-se inesperadamente em desvantagem (com um auto-golo), mas, sem se descompor, os samorenses chegaram ao intervalo já em superioridade, por claro 3-1 (três golos apontados em dez minutos), antes de fixar o resultado em 4-1, à entrada dos últimos dez minutos.
Também o Fazendense chegou, com aparente tranquilidade, a vantagem de 3-0, na recepção ao Amiense, logo no início do segundo tempo; tendo, depois, consentido dois golos na parte final, que, todavia, mais não permitiram aos visitantes que atenuar a derrota, para tangencial 3-2.
II Divisão Distrital – Os líderes mantêm-se seguros, tendo, aliás, o Porto Alto goleado, por 7-0, a frágil equipa do Rebocho (última), mantendo o avanço de nove pontos face ao Pontével (que goleou também, por 5-1, ante a equipa “B” do U. Santarém); já o Tramagal experimentou maiores dificuldades, num reencontro com história, ganhando em Alferrarede pela margem mínima (2-1), beneficiando da folga do Vasco da Gama, para ampliar para onze pontos a sua vantagem.
O destaque maior vai, ainda assim, para o Riachense, que, em fase muito aziaga, chorando, em pouco mais de uma semana, o falecimento do seu jogador Rúben Lopes “Marati” e, logo depois, do presidente do clube, Miguel Cunha, lhes rendeu homenagem, goleando o Caxarias por 9-0!
Liga 3 – Obtendo crucial triunfo, por 2-0, em Oliveira do Hospital, o U. Santarém garantiu já, ainda com três rondas por disputar, a manutenção neste escalão, dado ter ampliado para dez pontos a vantagem em relação, precisamente, a esse opositor, primeiro abaixo da “linha de água”.
Campeonato de Portugal – Também em evidência esteve o Fátima, vencendo (1-0) o rival, Arronches e Benfica, recuperando, à entrada para a derradeira ronda, o 2.º posto (mais um ponto).
Antevisão – Destacam-se, na I Divisão Distrital, os seguintes jogos: Alcanenense-Ferreira do Zêzere, Mação-Samora Correia, Abrantes e Benfica-Fazendense e Salvaterrense-U. Tomar. Na II Divisão as atenções centram-se no Forense-Porto Alto e no Caxarias-Vasco da Gama.
Na Liga 3, o U. Santarém visita o Caldas; necessitando o Fátima de ir vencer a Mortágua (já a salvo da descida) para confirmar o apuramento para a fase final do Campeonato de Portugal, sem depender do desfecho do prélio entre alentejanos: Arronches e Benfica (3.º) – O Elvas (1.º).
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 10 de Abril de 2025)
O Pulsar do Campeonato – 23ª Jornada

(“O Templário”, 03.04.2025)
Onze golos em Salvaterra de Magos, nove em Abrantes e sete na Glória do Ribatejo deram o mote para a jornada com mais tentos – total de 38, à excepcional média de 4,75/jogo – das últimas três temporadas (em 15 de Maio de 2022, na 28.ª ronda, haviam sido apontados 39 golos, então com destaque para os 10-0 da goleada imposta pelo U. Tomar ao Cartaxo), como que numa antecipação de um futebol de “fim de estação”, numa prova já com as posições praticamente definidas.
Em contraste face ao sucedido na semana anterior, desta feita, dos oito clubes da primeira metade da tabela, somente o Alcanenense não ganhou; dos restantes oito, não só nenhum conseguiu vencer, como, aliás, apenas Amiense e U. Tomar (empatando entre si) lograram pontuar.
Destaques – Opto, quanto à nota inicial de destaque, pela imponente goleada (8-3) aplicada pelo Torres Novas no reduto do “lanterna vermelha”, Salvaterrense, por três motivos: em primeiro, a veia goleadora dos torrejanos, embalados pelos 5-0 com que tinham derrotado o Abrantes e Benfica no domingo precedente; também, necessariamente, pelo “poker” apontado por Miguel Miguel, alargando para oito a sua magnífica série de jogos consecutivos a marcar (todos os da segunda volta do campeonato), passando a totalizar vinte golos, consolidando a liderança da lista de melhores goleadores; por fim, pela marcha do marcador, sendo que, depois de os forasteiros terem chegado a 3-0 e a 5-1, os anfitriões ainda ripostaram, até ao 3-5, antes da “débacle” final.
Precisamente, o Abrantes e Benfica, que, em Torres Novas, fizera talvez, nas palavras do seu próprio treinador, a pior exibição do seu consulado à frente da equipa, deu uma resposta contundente, com o At. Ouriense (que vinha de dois triunfos) a “pagar a factura”, tendo os abrantinos goleado por também bastante invulgar marca de 7-2.
O desfecho do desafio – saldando-se na 12.ª vitória consecutiva do líder, Ferreira do Zêzere, no terreno do antepenúltimo classificado, Glória do Ribatejo – não seria, só por si, de molde a justificar especial evidência. Não obstante, não só a turma da Glória vinha de um notável êxito em Mação, ao que acresce a expressão do resultado, com os ferreirenses, outra vez em modo “rolo compressor”, a golear por inequívoco 6-1, mesmo que os visitados tivessem ainda conseguido levar o empate (1-1) quase até ao intervalo, altura em que, com dois golos, se definiu o vencedor.
Tal como no caso do Abrantes e Benfica, também o Mação deu boa resposta ao desaire (caseiro) que sofrera na semana anterior, tendo ido vencer – em jogo antecipado, disputado na passada quinta-feira – a Alcanena, por tangencial 1-0, a confirmar a fase negativa que o Alcanenense vem atravessando, acumulando quatro desaires nas cinco últimas rondas (face às três derrotas que averbara até à 18.ª jornada), vendo, não só o Torres Novas e Coruchense afastar-se, como, em paralelo, também o Abrantes e Benfica e Mação a “colar-se”, agora apenas um ponto atrás.
Confirmações – Numa jornada sem surpresas (se tal não for considerado quanto à amplitude do “placard” das três partidas já referenciadas), os restantes quatro encontros pautaram-se pela normalidade, com os favoritos a vencer, mesmo que, em dois casos, por margem tangencial, no Coruchense-Águias de Alpiarça (2-1), tal como no Entroncamento AC-Fazendense (1-2), com as equipas da parte inferior da pauta classificativa a ver cada vez mais complicada a sua missão.
Também o vice-líder, Samora Correia, obteve um triunfo, no Cartaxo, neste caso por 2-0 (resultado que se registava já ao intervalo, tendo os golos sido apontados no quarto de hora final), o que lhe proporciona manter importante margem de quatro pontos em relação ao Fazendense.
Nos Amiais de Baixo, antecipava-se um encontro repartido, com as duas equipas com aspirações a ganhar, mas sem pretender correr demasiados riscos. O Amiense marcou primeiro, tendo o U. Tomar prontamente restabelecido o empate, fixando o que viria a ser o resultado final, de 1-1.
Se os unionistas haviam sido já antes penalizados, deixando escapar preciosos pontos, na recepção ao At. Ouriense (empate) e ao Alcanena (derrota, neste caso, devido a equívoco de arbitragem), na 17.ª e 18.ª rondas, o desperdício ficou ainda bem mais patente neste embate com o Amiense, atendendo ao desempenho das duas equipas no decorrer do segundo tempo: se é verdade que os donos da casa tiveram alguma supremacia na meia hora inicial, na etapa complementar como que se eclipsaram do jogo, concedendo a iniciativa aos tomarenses, que dominaram por completo, não tendo, contudo, concretizado nenhum dos diversos lances de ataque que procuraram desenvolver.
Em qualquer caso, passando a somar 24 pontos, e dispondo agora de 14 pontos de vantagem face à “linha de água”, poderá já dizer-se, doravante, que o União assegurou o objectivo fulcral desta temporada, dado afigurar-se de todo inviável que Entroncamento AC e/ou Salvaterrense (que, em oito jogos na segunda volta, obtiveram, cada qual, um único ponto – seguindo, aliás, com séries de sete e cinco desaires sucessivos, respectivamente) pudessem averbar, nas sete jornadas que restam, média pontual de, pelo menos, dois pontos por jogo.
Também o Amiense – embora ainda não matematicamente descansado – deverá estar a salvo de qualquer desastre, parecendo centrar-se a disputa pela manutenção entre as equipas da Glória do Ribatejo (14.ª posição, com 13 pontos) e Entroncamento AC (10 pontos); a formação do Águias de Alpiarça (17 pontos) estará também já muito próxima da tranquilidade, enquanto, ao invés, o Salvaterrense (último, somente com seis pontos) só pode esperar por uma espécie de “milagre”…
II Divisão Distrital – Também no segundo escalão tudo parece ir-se alinhando no sentido de tendências que não deverão ser já reversíveis, culminando provavelmente no regresso do Porto Alto e do Tramagal à divisão principal. A turma da AREPA obteve categórico triunfo por 3-0 em Marinhais, enquanto os tramagalenses venceram, por concludente 4-1, o At. Pernes.
Beneficiaram ainda, respectivamente, do muito imprevisto desaire do Forense, goleado em casa, por 5-1, pelo U. Almeirim, e – pelo menos de modo temporário – do adiamento do Vasco da Gama-Riachense; dispondo de avanço de nove pontos (Porto Alto) e oito pontos (Tramagal) sobre os seus mais directos perseguidores, quando faltam disputar seis (Série A) e sete rondas (Série B).
Igualmente num fim-de-semana de muitos golos, realce ainda para outras goleadas retumbantes: 8-0 no Vilarense-Alferrarede; 6-0 no Moçarriense-Benavente; e 5-0 no Pontével-Paço dos Negros.
Liga 3 – O U. Santarém sofreu algo comprometedor desaire caseiro (1-2) ante o Sp. Covilhã, isto após ter chegado ao intervalo em vantagem. Valeram, ainda assim, as derrotas do Lusitânia (2-4 em Coimbra, ante a Académica) e, principalmente, do Oliveira do Hospital (1-2 nas Caldas da Rainha), para que os escalabitanos possam manter margem de alguma tranquilidade, de sete pontos face à zona de despromoção, a quatro jornadas do final deste torneio.
Campeonato de Portugal – O Fátima viu travada uma longa série de onze jogos de invencibilidade, concedendo, pois, a primeira derrota da segunda volta, no reduto do comandante, O Elvas, devido a um solitário golo sofrido, depois de, logo aos 25 minutos, se ter visto em inferioridade numérica, por expulsão do seu guarda-redes. Deste resultado decorreu, por agora, a perda do 2.º lugar, em favor dos também alentejanos do Arronches e Benfica (agora com dois pontos a mais), mas subsistindo tal posição ainda por decidir nas duas rondas finais.
Antevisão – Na I Divisão Distrital destacam-se, na 24.ª jornada, o Ferreira do Zêzere-Mação, Coruchense-Alcanenense, U. Tomar-Abrantes e Benfica, mas, sobretudo, o Águias de Alpiarça-Entroncamento, de crucial importância na disputa pela manutenção. Na II Divisão anota-se a reedição de um “derby”, entre dois clássicos do futebol distrital, Alferrarede e Tramagal.
Na Liga 3 o U. Santarém desloca-se a Oliveira do Hospital, num confronto determinante, em que, caso pontue, praticamente confirmará a permanência. No Campeonato de Portugal, o Fátima enfrenta um primeiro “tira-teimas”, em confronto directo, recebendo o Arronches e Benfica.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 3 de Abril de 2025)



