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O pulsar do campeonato – 24ª jornada
(“O Templário”, 01.05.2014)
Tal como na passada semana, inicio este comentário com novo realce para o União de Tomar, que, obtendo novo triunfo, desta feita ante o Mação, por 2-0, não só garantiu matematicamente, a duas jornadas do final, o 6.º lugar, como continua a “sonhar” com a possibilidade de poder vir ainda a melhorar a sua posição na tabela classificativa.
De facto, dada a sequência final reservada pelo calendário ao Amiense – defrontando, nas três últimas rondas, os três primeiros classificados, tendo começado por perder (2-3) no terreno do Fazendense (3.º), recebendo na próxima jornada o líder, At. Ouriense, e finalizando a prova em Coruche (2.º) –, tendo-se entretanto reduzido a diferença face ao União a quatro pontos, caso a turma unionista consiga vencer os dois jogos que restam (curiosamente, contra os dois últimos classificados), poderá ainda ficar à espreita de um eventual deslize da formação de Amiais (que, para garantir a posição que actualmente ocupa necessitaria, nesse caso, de uma vitória, ou de empatar os seus dois últimos desafios).
Foi portanto uma jornada muito positiva para os tomarenses, a do passado fim-de-semana, beneficiando também das goleadas sofridas pelo Pontével (0-4, em Coruche) e pelos Empregados do Comércio (1-7, em Santarém, frente ao Torres Novas), para assegurar, como mínimo, o lugar em que se posiciona nesta altura – uma vez que ampliou para nove pontos a vantagem de que dispõe face ao trio agora formado por Cartaxo (vencedor caseiro, ante a U. Abrantina, por 4-3, de acordo com o site da A. F. Santarém, ou por 4-1, tendo por base outras fontes – somando uma boa série de três triunfos consecutivos, tantos quantos os obtidos em todo o restante campeonato…), Mação e Pontével.
Mas nem tudo foram más notícias para Mação, Pontével e Empregados do Comércio: na sequência dos resultados registados no passado fim-de-semana no Campeonato Nacional de Seniores, Alcanenense e Fátima garantiram já a manutenção, o que significa que, no pior dos cenários – caso o Riachense não consiga evitar a despromoção – terão de descer à II Divisão Distrital três equipas (12.º ao 14.º classificados).
Ora, o 12.º posto é actualmente ocupado pelo Benavente (também goleado, por 1-5, em Ourém, pelo comandante, que mantém um extraordinário registo, 100% vitorioso, nas 11 jornadas disputadas na segunda volta), que dista já seis pontos de Cartaxo, Mação e Pontével, cinco dos Empregados do Comércio, e quatro do U. Chamusca (vencedor, em casa, ante o Assentis, por 3-1), pelo que – se considerarmos ainda que o Benavente terá uma difícil recepção ao Coruchense, num derradeiro esforço de se manter ainda na luta pelo título – as probabilidades de uma destas cinco equipas poder vir ainda a cair nessa indesejada posição são relativamente remotas (em alguns casos, eventualmente já afastadas, dependendo da conjugação dos resultados dos diversos envolvidos).
O que, paralelamente, significa que o Benavente – tal como sucedeu na época ao União de Tomar, então em suspenso da classificação final do Alcanenense – deverá ficar dependente da manutenção ou não no Campeonato Nacional de Seniores por parte do Riachense. E isto também, porque, para além do já há muito matematicamente despromovido grupo da U. Abrantina (somou a décima derrota sucessiva), também o Assentis (perdendo na Chamusca conforme referido, assim ampliando para sete o ciclo negativo de desaires) está à beira de cair igualmente na II Divisão Distrital, dado que regista um atraso de cinco pontos face aos benaventenses.
Na II Divisão Distrital, o líder Rio Maior – que, até agora, beneficiava do facto de, na primeira volta, ter disputado quatro das cinco jornadas em casa –, impôs-se desta feita em Ferreira do Zêzere por categórico 5-3, tendo o Barrosense ido também vencer, à Atalaia (3-0), enquanto o Pego recebeu e bateu o U. Santarém, por 2-0. Deste modo, o clube de Rio Maior mantém o comando, com 13 pontos, mais um que o grupo da Barrosa, com o Pego a quatro pontos, dispondo agora já de uma margem de cinco pontos em relação à primeira equipa fora dos lugares de promoção, U. Santarém.
No Campeonato Nacional de Seniores, o Fátima perdeu na Lourinhã (0-1), enquanto Riachense e Alcanenense repartiram os pontos entre si, em Riachos, não desfazendo o nulo inicial. Os conjuntos de Alcanena (3.º) e Fátima (4.º), respectivamente com onze e dez pontos a mais que o 6.º classificado (Riachense), garantiram já, tal como indicado anteriormente – faltando ainda três jornadas para o final da prova –, a manutenção. O grupo de Riachos disputará com o Carregado (com quem partilha actualmente a posição, com o mesmo número de pontos) quem jogará o play-off de despromoção.
Na próxima jornada do Distrital, penúltima da competição, as atenções estarão focadas na disputa do título de Campeão, com dois sérios testes aos candidatos: em teoria, mais difícil o do guia, At. Ouriense, numa sempre complicada deslocação a Amiais de Baixo, enquanto o Coruchense visita Benavente, cuja (delicada) posição aparenta estar já definida. O grupo de Ourém tem a significativa vantagem de depender apenas de si, podendo sagrar-se desde já Campeão, se vencer; ou, mesmo no caso de empate ou derrota, desde que o Coruchense não ganhe o seu jogo. Caso contrário, tudo ficaria adiado para a derradeira ronda.
Para além destes dois empolgantes desafios, há um outro que, necessariamente, é merecedor de particular relevo: em dia de Centenário – 4 de Maio de 2014 –, o União de Tomar desloca-se até Assentiz, na expectativa de poder comemorar da melhor forma esse notável marco da sua gloriosa história, ao completar 100 anos de vida, e esperando que cheguem também notícias favoráveis desde Amiais de Baixo…
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 1 de Maio de 2014)
Lançamento do livro “União de Tomar – 100 Anos de História [1914-2014]“
U. Tomar – Centenário (XXX)
(“O Templário”, 24.04.2014)
Prosseguimos hoje com a recuperação de mais algumas memórias da brilhante conquista do título de Campeão Nacional da II Divisão, da época de 1973-74, na empolgante Final disputada em Coimbra, a 23 de Junho, com o triunfo do União de Tomar sobre o Sporting de Espinho, por 4-3.
«Com grande entusiasmo e da melhor maneira para os tomarenses, principiou esta final, pois na jogada inaugural, conseguiram adiantar-se no marcador, por intermédio de Bolota, depois dum centro primoroso de Pavão. Os espinhenses sem acusarem o infortúnio, organizaram o seu jogo e volvidos apenas 7 minutos, conseguiram igualar a partida, dando-se assim novamente, com as equipas à procura do vencedor desta final.
Adoptaram as duas turmas sistemas diferentes: o Sporting de Espinho tentando, com passes curtos e envolventes, enlear a defesa tomarense, o União de Tomar, com passes longos para os extremos a aproveitar a velocidade destes, preferindo o contra ataque rápido. Deu mais resultado o sistema adoptado pelos tomarenses, pois conseguiram ainda durante os primeiros 45 minutos, a obtenção de mais dois golos. O segundo, na transformação de uma grande penalidade, por João Carlos e o terceiro novamente por Bolota.
Com o resultado em 3-1, favorável aos tomarenses, estes abrandaram o andamento, aproveitaram os espinhenses, ao ponto de, por duas vezes, estarem à beira de marcar. […]
Os espinhenses lançaram-se ao ataque na ânsia de reduzirem a diferença e, deste momento de inspiração espinhense beneficiou a turma tomarense, pois apenas com três minutos decorridos, aumentou a sua vantagem para 4-1. Mais um golo da autoria de Bolota, em tarde bastante inspirada. Com uma diferença de três golos a seu favor, os tomarenses procuraram então a retenção de bola tentando não se deixar surpreender pela organização espinhense. Telé, aos 83 minutos, reduz a diferença, conseguindo ainda este jogador, aos 86 minutos, marcar mais um golo, dando assim, à partida, até final, um verdadeiro clima de emoção e de grande expectativa.
Findo o encontro, foram os vencedores vibrantemente aclamados pela sua falange de apoio que durante o encontro não deixou de os incitar a aplaudir.»(1)
«Com razoável assistência, em que dominava o entusiasmo das falanges de apoio, defrontaram-se duas turmas com futebol de diferente concepção. O União de Tomar, mais maduro, apoiado e objectivo; o Espinho, mais rápido e com base no valor individual das suas unidades, menos prático, por isso, a exigir uma capacidade física que não é possível encontrar ao cabo de tão longo campeonato. […]
A velocidade dos primeiros 45 minutos havia-se perdido, entretanto. Tomar, descansado com a vantagem obtida, limitou-se a segurar as surtidas do adversário, congelando o esférico. […]
Apesar de uma ou duas incursões à área nabantina, não se alterou, porém, o resultado. O União de Tomar acabou por se sagrar campeão. Nele se distinguiram João Carlos, Pavão, Raul Águas, Bolota e Camolas e, no Espinho, Simplício, Meireles, Ferreira da Costa, Augusto, Telé e Malagueta.»(2)
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O pulsar do campeonato – 23ª jornada
(“O Templário”, 24.04.2014)
O principal destaque da 23.ª jornada do Campeonato Distrital da I Divisão, disputada na passada Sexta-feira Santa, vai para o claro triunfo do União de Tomar sobre o U. Chamusca, por 3-0, que lhe possibilitou garantir matematicamente, desde já – e ainda com três rondas por disputar –, o objectivo crucial para a época, o da manutenção no principal escalão, culminando uma temporada absolutamente tranquila, sem as aflições e o sofrimento dos dois anos anteriores.
De facto, desde a jornada do fim-de-semana anterior do Campeonato Nacional de Seniores, ficou também matematicamente garantido que – e isto no pior dos cenários –, poderão ser despromovidas ao Distrital de Santarém, no máximo, apenas duas equipas do Distrito (dado que Alcanenense e Fátima não poderão ser já alcançados pelo “lanterna vermelha” da respectiva série dessa competição, o Portomosense). O que, consequentemente, significa que, no limite, poderiam ter de vir a ser despromovidos quatro clubes da I à II Divisão Distrital (isto apenas no tal pior cenário, altamente improvável, de descerem do Nacional duas equipas do Distrito – nesta altura Alcanenense e Fátima têm a manutenção praticamente garantida, necessitando de somar apenas dois pontos, quando faltam disputar ainda quatro jornadas; e até o próprio Riachense, com uma sensacional recuperação, tem ainda em aberto todas as possibilidades de poder evitar tal descida, caso em que seriam apenas duas as equipas a despromover no Distrital).
Resumindo, e voltando ao início, o União de Tomar, somando 34 pontos em 23 jornadas, dispõe agora de uma vantagem de 11 pontos sobre o 11.º classificado (precisamente o seu adversário nesta jornada, U. Chamusca), pelo que não poderá já baixar do 10.º posto na classificação final (poderá aliás, no pior dos casos, vir a necessitar de um único ponto para garantir uma posição nos nove primeiros).
Por outro lado – colocada que foi de parte a possibilidade de poder vir a chegar ainda à 5.ª posição –, esta ronda foi bastante positiva para os unionistas, também pela conjugação de resultados de outras partidas, com os desaires caseiros de Pontével (0-1, perante o líder, At. Ouriense, que somou a 10.ª vitória consecutiva!) e Mação (0-2, ante o Amiense), que lhe possibilitam maior margem de segurança em ordem à preservação do 6.º lugar, dado que dispõem agora de uma vantagem de seis pontos face a estes dois concorrentes, com os Empregados do Comércio a sete pontos.
Na frente da tabela, para além do triunfo do At. Ouriense, realce para a vitória do Coruchense em Torres Novas (2-1), que permite à turma do Sorraia manter a distância de quatro pontos, subsistindo assim ainda alguma esperança em eventuais deslizes do guia (com a já referida difícil saída até Amiais de Baixo, e a recepção, na derradeira ronda, ao Fazendense).
A formação de Fazendas de Almeirim aproveitou aliás o desaire dos torrejanos para, vencendo em Benavente (3-2), trocar de posição, ascendendo ao 3.º lugar, embora sem poder acalentar maiores aspirações, focando provavelmente as suas atenções na Final da Taça do Ribatejo, a disputar no próximo dia 1 de Maio, no Entroncamento, curiosamente, contra o… At. Ouriense.
Um resultado que deixa a turma de Benavente em situação ainda mais delicada na pauta classificativa, no antepenúltimo lugar (não obstante a apenas um ponto do U. Chamusca, e a três do Cartaxo), uma posição indesejável, que – de forma análoga ao que sucedeu com o União de Tomar na época passada – poderá significar ter de ficar dependente da manutenção das três equipas do Distrito no Campeonato Nacional de Seniores para alcançar a permanência na I Divisão Distrital.
Por seu lado, Assentis e U. Abrantina – ambos goleados em casa, respectivamente por 0-3 ante o Cartaxo, e 1-5 frente aos Empregados do Comércio, em partida que tinha sido antecipada – afundam-se cada vez mais na cauda da classificação, começando a desenhar-se como cenário de mais forte probabilidade o de o grupo de Assentiz (com um atraso já de cinco pontos em relação ao Benavente) acompanhar o da U. Abrantina na descida à II Divisão Distrital.
Nesse escalão, com os empates entre Rio Maior e U. Santarém (2-2) e Atalaiense e Ferreira do Zêzere (1-1) e o triunfo do Pego ante o Barrosense (3-0), tudo ficou – concluída que está a primeira volta (cinco jornadas) desta fase de apuramento de Campeão –, mais “embrulhado”, sem prejuízo de o Rio Maior se ter isolado na liderança, mas com um único ponto de vantagem sobre o Barrosense, dois em relação ao U. Santarém, quatro sobre o Pego, cinco face ao Atalaiense, com o Ferreira do Zêzere, na última posição, com um atraso de seis pontos.
Voltando ao Campeonato Nacional de Seniores, depois de três rondas em que as equipas do Distrito tinham registado empates em todos os jogos disputados, conseguiram desta feita a proeza de saírem as três vitoriosas, com destaque para o sensacional triunfo do Riachense nas Caldas (anterior líder), por 1-0, tendo o Alcanenense (vencendo o Carregado por 2-1) e o Fátima (ganhando ao Portomosense por 2-0) dado também uma ajuda à turma de Riachos, que, pela primeira vez, sobe acima dos lugares de despromoção automática, ascendendo ao antepenúltimo lugar, posição que, a manter-se, se traduzirá na disputa de um “play-off” de manutenção.
Na próxima jornada do Distrital, antepenúltima do calendário da prova, os dois primeiros parecem ter compromissos “acessíveis”, recebendo, respectivamente, o Benavente (At. Ouriense) e o Pontével (Coruchense); mas haverá outros embates de interesse, como o Fazendense-Amiense, União de Tomar-Mação (no qual estará em disputa directa o 6.º lugar), e o U. Chamusca-Assentis, que poderá vir a ser determinante na definição do destino de ambos.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Abril de 2014)
U. Tomar – Centenário (XXIX)
(“O Templário”, 17.04.2014)
Regressado à II Divisão na época de 1973-74, o União de Tomar voltaria a viver uma grande festa – na penúltima de 38 jornadas, em jogo disputado a 13 de Junho de 1974, em Odivelas –, onde, vencendo por 3-2, garantia matematicamente (ainda a faltar disputar a derradeira ronda) a conquista do 1.º lugar da Zona Sul, e, desta forma, pela terceira vez sucessiva (depois dos feitos alcançados nas épocas de 1967-68 e 1970-71), a promoção à I Divisão Nacional!
Com dois golos de Camolas e um de Raul Águas, os unionistas haviam chegado mesmo aos 3-0, vindo depois a permitir aos odivelenses – que necessitavam de pontuar para evitar cair nos lugares que conduziam ao “Torneio de Competência” – reduzir para a diferença mínima já no derradeiro minuto, numa altura em que imperava já um completo ambiente festivo.
«Acabou por prevalecer a maior maturidade técnica dos tomarenses num desafio muito importante para as pretensões das duas equipas com a turma local a empreender (mesmo com a ajuda do árbitro!) um curioso «forcing» que lhe permitiu passar de 0-3 para 2-3, com Quim Pereira a executar a escassos segundos do fim a defesa da tarde e a evitar o empate..»(1)
Logo de seguida a este pequeno/grande susto, dar-se-ia a intensa explosão de alegria tomarense.
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Depois da épica caminhada da época de 1964-65 – com a memorável passagem por Vendas Novas (em que o clube garantira a tão ansiada promoção à II Divisão), e que culminara no velho Calhabé, em Coimbra, com a conquista do título de Campeão Nacional da III Divisão –, apenas nove anos decorridos (e já após duas promoções à I Divisão Nacional e quatro épocas no convívio dos “grandes” do futebol português), o União de Tomar voltaria a conquistar a glória no Estádio Municipal de Coimbra, verdadeiro “estádio-talismã” para os unionistas, local onde escreveria a mais brilhante página do seu centenário historial, sagrando-se Campeão Nacional da II Divisão.
O coroar desta epopeia, qual zénite de uma longa “maratona”, ocorreria a 23 de Junho de 1974, em desafio que opôs à turma de Tomar o grupo do Sporting de Espinho, vencedor da Zona Norte da II Divisão. Numa empolgante partida, em que resplandeceu a grande altura Bolota, autor de três tentos, a formação tomarense cedo começou por se colocar em vantagem, marcando logo no minuto inaugural; tendo a turma espinhense prontamente restabelecido a igualdade, os “rubro-negros” voltariam a superiorizar-se de forma notória, praticamente definindo o desfecho da Final ao terceiro minuto do segundo tempo, altura em que colocaram o marcador em 4-1 a seu favor. Já na fase derradeira do encontro, dois golos de Telé acabariam por fixar o marcador num tangencial 4-3, que, não obstante, não ofuscou o mérito do triunfo e da grande conquista nabantina
«O União de Tomar venceu o encontro com toda a justiça, sem qualquer margem para dúvidas no que se refere ao valor das equipas, mas acabou por não ganhar com o brilho que se chegou a desenhar, um tanto por culpa dos jogadores, outro tanto, pelas substituições feitas na equipa.
A ganharem por 4-1 e com a equipa do Espinho a cair nitidamente no aspecto físico, foi com grande surpresa que de um momento para o outro o União se deixou então dominar completamente, permitindo que o Espinho marcasse dois golos num minuto e terminasse os últimos momentos da partida em situação aflitiva com o jogo todo sobre a sua área. […](2)
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O pulsar do campeonato – 22ª jornada
(“O Templário”, 17.04.2014)
O Campeonato Distrital da I Divisão parece ter-se tornado, à medida que se aproxima a sua fase derradeira, como que uma “prova a eliminar”, em que os candidatos ao título se vão “eliminando” uns aos outros: na semana anterior, fora o Torres Novas a afastar o Fazendense das aspirações ao título que pudesse ainda manter; no passado fim-de-semana, o próprio líder At. Ouriense – fazendo o seu trabalho, somando uma fantástica série de nove triunfos consecutivos, impondo-se por categórica margem de 3-0 – se encarregou de distanciar os torrejanos… os quais, curiosamente, poderão vir ainda a ter influência determinante na decisão do título, dado receberem, já na próxima ronda, o Coruchense.
De facto, nesta altura, a quatro jornadas do termo da competição, a turma de Coruche – que goleou a U. Abrantina por 5-0 – parece ser a única ainda com possibilidades de impedir a formação de Ourém de conquistar pela primeira vez no seu historial o título de Campeão Distrital, dado que se mantém a quatro pontos do líder (que, não obstante a aparentemente confortável margem de segurança de que dispõe, terá ainda, nomeadamente, de defrontar o Amiense, numa tradicionalmente difícil deslocação a Amiais de Baixo, e o Fazendense, equipa que recebe na última ronda).
Ao Torres Novas e ao Fazendense (no último fim-de-semana, com uma difícil vitória, por margem tangencial de 2-1, sobre o Pontével), registando agora atrasos face ao guia, respectivamente, de sete e nove pontos, pouco mais estará reservado que exercerem papel de “árbitros”, na disputa que oureenses e coruchenses continuam a dirimir.
Um papel que também o Amiense, embora bastante mais à distância, poderá igualmente assumir, dado deslocar-se, precisamente na derradeira jornada, a Coruche. O conjunto de Amiais de Baixo, recebendo o Benavente, obteve também um triunfo pela esclarecedora marca de 3-0, que acentua a crise de resultados do seu opositor (somou o quinto desaire nos últimos sete encontros), tendo caído em plena zona de alto risco da pauta classificativa.
A este nível, quem parece caminhar a passos largos para a tranquilidade é o grupo dos Empregados do Comércio, que, ganhando ao Assentis por 2-0, ampliou já para absolutamente seguros dez pontos a sua vantagem sobre esse adversário (que ocupa a penúltima posição, precisamente a que, no final, marcará a certeza da despromoção), pese embora registar um jogo a mais; e, porventura mais importante, dispõe agora de cinco pontos de avanço sobre Cartaxo e Benavente. Por seu lado, a equipa do U. Chamusca, recebendo o Mação, averbou um nulo, que, pelo menos no imediato, lhe permitiu também ultrapassar os benaventenses.
Resta-nos falar do jogo do União de Tomar, no Cartaxo, que, no final, deixou um forte “amargo de boca” aos unionistas. Depois de, com felicidade, terem começado por inaugurar o marcador, com um golo obtido através de um “chapéu de aba (muito) larga” (um remate da zona do meio-campo, a aproveitar o adiantamento do guardião contrário), e de, após terem sofrido o tento do empate, terem reposto quase de imediato a posição de vantagem (mantendo o 2-1 até ao quarto de hora final), viriam, já nos minutos finais, a consentir dois golos, que constituem um prémio para o esforço e empenhamento dos cartaxenses – tão carenciados de pontos –, que nunca deixaram de acreditar e de trabalhar, ao mesmo tempo que traduzem uma penalização porventura excessiva das falhas dos tomarenses, que dispuseram de ocasião soberana para alcançar o 2-0 (forte remate de Wemerson, isolado perante o guarda-redes, a embater com estrondo na trave), que poderia ter ditado uma história completamente diferente para este jogo.
Em função deste resultado, para o União – que aumentou para cinco o número de jogos sem vitória –, a possibilidade do 5.º lugar mais não é agora que uma quimera, tendo, inclusivamente, de procurar defender a 6.ª posição, face às ameaças consubstanciadas por Mação e Pontével, ambos a três pontos dos unionistas. De qualquer forma, em relação ao objectivo fundamental, mantém-se a situação de grande tranquilidade, dada a vantagem de oito pontos que subsiste em relação ao 10.º classificado, U. Chamusca.
No Campeonato Nacional de Seniores, as três equipas do Distrito registaram a terceira ronda consecutiva a empatar: Riachense e Fátima ficaram igualados a uma bola, em Riachos; o mesmo desfecho averbado pelo Alcanenense, na recepção ao líder, Caldas. Deste modo, as formações de Alcanena e de Fátima baixaram uma posição, tendo sido ultrapassadas pelo Torreense, partilhando agora o 3.º posto, mas mantendo uma “almofada” de oito pontos sobre o antepenúltimo (Carregado), quando restam disputar cinco jornadas. O Riachense continua a três pontos dessa posição, que lhe permitiria disputar ainda o “play-off” de manutenção.
Na II Divisão Distrital, triunfos caseiros, com destaque para os 3-0 aplicados pelo Barrosense ao U. Santarém, enquanto o Rio Maior (frente ao Atalaiense) e Ferreira do Zêzere (recebendo o Pego) triunfaram por 2-0. Na classificação, com quatro das dez jornadas desta fase de apuramento de Campeão já disputadas, Rio Maior e Barrosense repartem agora o comando, com o U. Santarém a dois pontos, e o Atalaiense já a cinco; Ferreira do Zêzere e Pego posicionam-se ainda um ponto mais abaixo.
Na próxima jornada, a realizar na Sexta-Feira Santa (tendo o U. Abrantina – Empregados do Comércio sido antecipado, com triunfo dos escalabitanos por 5-1), para além do já mencionado confronto que oporá Torres Novas e Coruchense, o líder At. Ouriense poderá ter um importante teste, na visita ao (acanhado) reduto do Pontével, com o Benavente a receber o Fazendense. O União de Tomar disputa o primeiro de três desafios em casa, nas quatro jornadas que restam, recebendo o U. Chamusca, esperando-se que possa enfim quebrar o “jejum” de vitórias.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 17 de Abril de 2014)
U. Tomar – Centenário (XXVIII)
(“O Templário”, 10.04.2014)
À entrada para a última jornada da época de 1972-73, o União de Tomar tinha já matematicamente sentenciada a sua (segunda) despromoção à II Divisão. Restava-lhe apenas procurar encerrar, de forma honrosa, esta equívoca temporada, recebendo a equipa do Beira-Mar. Mais de seis meses decorridos após o último triunfo para o campeonato, o União conseguiria enfim, a 10 de Junho de 1973, saborear nova vitória… E que vitória!
Agora já liberto de preocupações pontuais, consumada que estava a descida – «fazendo alarde de todos os seus recursos»(1) –, viria a obter uma impressionante goleada, a maior da sua história na I Divisão, vencendo por 8-1, com golos de Raul Águas (a fazer um “hat-trick”), Pavão e Fernando (ambos a bisarem) e Bolota – tendo sido seis dos tentos unionistas obtidos já no segundo tempo.
«De princípio ainda o sistema funcionou bem, com o Beira Mar a atacar e a carregar sobre a baliza de Nascimento. Mas esse funcionar bem não resistiu mais do que uns escassos minutos. Porque logo o União descia em rápido contra-ataque e obtinha o seu primeiro golo, facilitado, aliás, pela defesa adversária e mesmo pelos homens do meio do campo, que não procuravam marcar os avançados de Tomar. […]
Aos 21 minutos veio o segundo golo – que, enfim, bem poderia ter chegado um bocado mais cedo. E a partir daí, sim, as coisas complicaram-se decisivamente para os de Aveiro, que nunca mais conseguiram atinar com o futebol que já se lhes tem visto jogar. […]
Depois do intervalo as coisas precipitaram-se com o terceiro golo dos tomarenses, obtido logo no minuto terceiro, aqui também com responsabilidades para a defesa de Aveiro. E foi o estado de sítio que mais e mais se acentuava à medida que o jogo caminhava para o fim.
Ali já ninguém mais pensava em virar o resultado. Ou melhor: terão pensado nisso quando Alemão fez 1-3. Mas foi sol de pouca dura porque ao 3-1 sucedeu o 4-1 e depois o 5-1 e o 6-1… até ao 8-1. Enfim, não apareceu nem o 9.º nem o 10.º golo porque o jogo tinha só 90 minutos. Porque se metesse prolongamento por certo que a contagem não ficaria por ali…
De tudo isto, de todo este rosário de golos (houve-os para todos os gostos) uma coisa (inesperadamente) ressaltou: a capacidade da equipa de Tomar.
É evidente que exibições como a de agora e como a da Luz vai para algumas semanas não podem acontecer sempre durante um campeonato. Mas mesmo encarando-a pelo prisma da excepção, mesmo tomando em linha de conta que foi também excepcionalmente negativa a exibição da equipa de Aveiro, sem qualquer espécie de dúvidas capaz de produzir mais e melhor, ainda assim há que valorizar devidamente o triunfo dos homens do Nabão, aplaudir sem regateio este último brilharete na I Divisão e enfim, admitir que se não fossem certas circunstâncias que em determinados momentos bastante pesaram no rendimento da equipa havia ali madeira não já (é evidente) para garantir os tais lugares do topo que o meirinesco Medeiros reivindicava mas pelo menos para tornar possível a presença entre os grandes.»(2)
Era tarde demais para voltar atrás no tempo e corrigir algumas situações. Infelizmente, os “peixes do Nabão não se tinham querido curvar”… Mas, por vezes, “há males que vêm por bem”…
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