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O Pulsar do Campeonato – 26ª Jornada (Distrital)

(“O Templário”, 18.04.2024)

Numa semana de transição entre a fase regular e a fase final do Campeonato de Portugal, a competição sofreu um pequeno hiato, portanto sem a realização de qualquer jogo. Não obstante, foi uma semana com várias notícias e focos de atenção.

Começando pelo princípio: num fecho de temporada fértil em decisões de índole administrativa, o clube de Rabo de Peixe foi também sancionado com derrota por 0-3 – a que acresceu a dedução de dois pontos –, devido a utilização irregular de jogador, no desafio da 25.ª jornada, ante o Alverca “B”, o qual terminara, dentro de campo, com uma igualdade a uma bola.

Em função de mais este ajustamento, foi actualizada a pauta classificativa final da prova – sem incidência a nível dos dois clubes apurados para a segunda fase, assim como em termos das cinco equipas despromovidas –, que ficou assim ordenada: 1.º U. Santarém (55 pontos); 2.º Lusitânia (51); 3.º Marinhense (50); 4.º Alverca “B” (39); 5.º União 1919 (38); 6.º Benfica e Castelo Branco (37); 7.º Peniche (37); 8.º Sertanense (37); 9.º Mortágua (37); 10.º Fontinhas (32); 11.º Rabo de Peixe (28); 12.º V. Sernache (25); 13.º Gouveia (21); 14.º U. Tomar (17).

Procedeu-se, por outro lado, ao sorteio da fase de promoção e de apuramento dos finalistas da competição, a disputar em seis jornadas, agendadas para os dias 21 e 28 de Abril, 5, 19 e 26 de Maio e 2 de Junho, com o seguinte alinhamento na ronda inaugural: Limianos-S. João de Ver e Pevidém-Amarante (Série 1 – Zona Norte); V. Setúbal-U. Santarém e Lusitânia-Moncarapachense (Série 2 – Zona Sul). Os escalabitanos deslocar-se-ão, de seguida, aos Açores, para defrontar o Lusitânia, terminando a primeira volta com a recepção ao Moncarapachense.

No que respeita ao U. Tomar, tenho de fazer uma correcção, à referência de que Nuno Rodrigues fora “totalista” na presente temporada: disputou, de facto, um total de 26 jogos, mas incluindo a partida a contar para a Taça de Portugal; no campeonato “falhou” apenas o desafio da 19.ª jornada, ante o Peniche, devido a suspensão por ter completado uma série de cinco cartões amarelos.

Outra “despedida” ocorreu também, com o termo de um ciclo como treinador do U. Tomar por parte de Marco Marques, que ostenta um palmarés singular ao serviço do clube, único a sagrar-se Campeão Distrital enquanto jogador (1997-98) e treinador (2022-23), troféus a que junta ainda a única Taça do Ribatejo que o União conquistou no escalão de Juniores (2012-13). Para além do título de Campeão averbado na época precedente, finalizara já a temporada de 2021-22 no 2.º lugar (tendo, nessa circunstância, assumido a direcção técnica da equipa unionista à 26.ª jornada).

Por coincidência, Marco Marques assumiu, entretanto, novo compromisso, como responsável técnico da turma do Amiense (que terminara o campeonato de 2022-23 em igualdade pontual com o então Campeão, U. Tomar), precisamente a partir da 26.ª ronda da época ainda em curso.

I Divisão Distrital – Fazendo, assim, a transição para o Distrital – tendo Marco Marques tido estreia muito positiva, como adiante se verá –, após mais uma jornada disputada, tudo se mantém em suspenso no que respeita à luta pelo título. Restam disputar quatro rondas, e o quarteto do topo não “desarma”, não parecendo disposto a abdicar das suas (legítimas) aspirações.

O líder, Fátima, era o único a actuar em terreno alheio, tendo-se “desembaraçado”, com distinção, da deslocação ao Cartaxo: entrando, de novo – tal como sucedera na semana anterior, nos Amiais – a “todo o gás”, os fatimenses resolveram a contenda em vinte minutos, altura em que chegaram a 3-0, depois de terem marcado logo aos quatro e seis minutos; ampliariam ainda para 4-0 antes do intervalo, para, na segunda metade, consentirem a redução do marcador até 4-2. Em particular evidência esteve, uma vez mais, Cristiano Aniceto, com um “hat-trick” (segundo, nesta edição), ampliando a vantagem na liderança dos melhores marcadores da prova, totalizando já 20 golos.

O co-líder, Abrantes e Benfica, deu também significativa prova de força, goleando o At. Ouriense por 6-0, depois de ter chegado aos 3-0 em cerca de meia hora, e a 4-0, também no primeiro tempo.

Ferreira do Zêzere (3.º, somente um ponto abaixo do par de comandantes) e Fazendense (que ocupa o 4.º posto, a três pontos dos guias) venceram de forma segura, em ambos os casos por 2-0, respectivamente ante o Mação e o Salvaterrense, actuais 9.º e 11.º classificados.

Mas, com efeito, todos os seis primeiros saíram vitoriosos da 26.ª jornada, tendo Coruchense e Samora Correia triunfado também. Entrando na acesa luta pela permanência – e para além do desaire sofrido pelo At. Ouriense – Moçarriense e Forense viram complicar-se a sua situação.

A turma da Moçarria, numa “seca” de vitórias que se prolonga já há nove jogos (nos quais somou apenas quatro pontos), foi impotente para travar o Samora Correia, que, à semelhança do Fátima e do Abrantes e Benfica, chegou também a 3-0 na primeira parte. O Moçarriense mais não conseguiu que alcançar o ponto de honra, fixando o resultado em 3-1, um desfecho que provocou a queda para o último lugar acima da “linha de água”, somente um ponto acima do At. Ouriense.

Mais inesperado foi o desnível no marcador registado no Forense-Coruchense, com o grupo do Sorraia a golear por 4-0, interrompendo um notável ciclo de quatro vitórias e um empate do Forense, nas cinco partidas anteriores, que lhe proporcionaram importante recuperação pontual.

Retomemos então a vitoriosa estreia do novo técnico do Amiense, que se impôs em Boleiros, por convincente 4-1, ante um Vasco da Gama que, porém, acumulou incrível 21.ª derrota consecutiva, atingindo a marca da centena de golos sofridos, no que se arrisca a ser um dos piores desempenhos de sempre em campeonatos do principal escalão da A. F. Santarém. Um triunfo que, no imediato, possibilitou ao grupo dos Amiais – único dos oito clubes da segunda metade da tabela a vencer, tendo todos os outros perdido – voltar a transpor a “linha de água”, subindo à 12.ª posição.

Para além do já despromovido Vasco da Gama, temos, nesta altura, seis concorrentes na disputa por quatro vagas de manutenção: Cartaxo (29 pontos) e Salvaterrense (28) parecem ter boa margem de segurança (sem, contudo, poder “adormecer”), face a um quarteto intervalado, em escada, por apenas um ponto: Amiense (25); Moçarriense (24); At. Ouriense (23); Forense (22).

No único embate entre clubes já absolutamente tranquilos, Alcanenense e Torres Novas repartiram os pontos, empatando a dois golos: os visitados marcaram primeiro; os torrejanos igualaram a abrir a segunda metade, operando a reviravolta a cinco minutos do final, acabando a formação de Alcanena por restabelecer o empate em tempo de compensação.

II Divisão Distrital – Entroncamento AC e Águias de Alpiarça prosseguem a sua caminhada, mesmo que, desta feita, se tenham neutralizado, empatando a zero. Tal permitiu ao Glória do Ribatejo, que, também no período de compensação, chegou ao golo que lhe conferiu a vitória (1-0) ante o Tramagal, a formação de um trio na liderança, todos com sete pontos, à 3.ª jornada.

O Marinhais teve mais dificuldades do que seria expectável para levar de vencida, também por tangencial 1-0, o Pego, mas, aumentando o seu pecúlio para quatro pontos, está bem dentro da luta. O Tramagal é, por ora, a principal decepção, contando por derrotas os três jogos disputados.

Antevisão – Para além da já referida agenda da ronda de arranque da fase final do Campeonato de Portugal, destacam-se, na I Divisão Distrital, os embates: Salvaterrense-Ferreira do Zêzere, Moçarriense-Abrantes e Benfica, At. Ouriense-Fazendense e Fátima-Alcanenense. Na II Divisão, realce para o Águias Alpiarça-Glória do Ribatejo, e para o “decisivo” Tramagal-Marinhais.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 18 de Abril de 2024)

21 Abril, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 26ª Jornada

(“O Templário”, 11.04.2024)

Caiu o pano sobre a fase regular do Campeonato de Portugal. No caso do U. Tomar, em época de estreia neste escalão, esta foi uma despedida amarga, em que, pese embora tudo estar já definido, também com o seu rival da última jornada matematicamente despromovido, ficou bem patenteado o diferencial de argumentos de que uma e outra equipa podem, presentemente, dispor.

Avançam para a 2.ª fase, de apuramento dos quatro clubes a promover à “Liga 3”, os seguintes oito emblemas, repartidos em duas zonas: Limianos, Pevidém, Amarante e São João de Ver (Zona Norte); U. Santarém, Lusitânia, V. Setúbal e Moncarapachense (Zona Sul). Serão promovidos os dois primeiros classificados de cada série, apurando-se para a Final os dois vencedores de zona.

É mais numeroso o lote de despromovidos aos campeonatos regionais, num total de vinte clubes: Montalegre, Vilar de Perdizes, Portosantense, Mirandela, Ribeirão, Florgrade, Oliveira do Douro, Valadares Gaia, Lamelas, Vila Meã, Fontinhas, Rabo de Peixe, V. Sernache, Gouveia, U. Tomar, Juventude de Évora, Vasco da Gama Vidigueira, Oriental, Real e Imortal.

Destaques – Na Série C, com a questão da descida de divisão resolvida no fim-de-semana anterior, as atenções estavam focadas na disputa pelo 2.º lugar, entre Lusitânia e Marinhense.

A turma açoriana, que partia para a derradeira ronda com vantagem de três pontos (e de quatro tentos, na diferença global de golos), viajando até Alverca, cumpriu a sua missão, sem ter necessidade de correr grandes riscos, “trancando” a sua baliza, garantindo o nulo que selou o apuramento… mesmo que este tenha sido o único ponto averbado nas três jornadas finais.

Foi, pois, infrutífera e inglória a goleada aplicada pelo Marinhense, na recepção ao Gouveia, com o “placard” final de 6-3, depois de o grupo da Marinha ter chegado à marca de 4-0 (de que, em teoria, necessitaria), ainda antes dos dez minutos do segundo tempo; tendo vindo ainda a ampliar a contagem até aos 6-1, para nos últimos cinco minutos, consentir dois tentos aos serranos. Ficou a faltar-lhe, para alcançar a almejada qualificação, um golo… do Alverca “B”.

Em evidência esteve, uma vez mais, o União 1919, vencedor, em Mortágua (que vinha de um imprevisto triunfo em Angra do Heroísmo, precisamente ante o Lusitânia), mercê de um solitário golo, somando terceira vitória sucessiva, alcandorando-se, na pauta classificativa final, a um muito bom 4.º lugar, ultrapassando, sobre a “linha de meta”, nada menos de quatro concorrentes.

De facto, posicionou-se – um único ponto abaixo dos conimbricenses – um lote de cinco equipas, todas igualadas a 37 pontos, classificadas, pois, entre o 5.º e o 9.º posto (último acima da “linha de água”), respectivamente: Benfica e Castelo Branco, Alverca “B”, Sertanense, Mortágua e Peniche – posições na tabela não considerando outras eventuais decisões administrativas.

Em jogo de “fim de estação”, o U. Tomar, já “desligado” da competição – tendo acumulado nove desaires nas dez últimas rondas do campeonato – foi goleado, pelo Rabo de Peixe, por 0-4.

Frente a um adversário com “outro andamento”, os tomarenses entraram praticamente a perder, sofrendo um golo logo no primeiro minuto, tendo os açorianos aumentado a vantagem pouco depois da meia hora. Logo no minuto inicial da segunda parte ficariam reduzidos a dez elementos, mostrando-se, até final, impotentes para travar o desnivelar do marcador: os forasteiros marcaram o terceiro tento aos 65 minutos, fixando o resultado já em período de compensação.

Em dia de despedidas, terminou a sua carreira o “capitão” Nuno Rodrigues, com mais de três centenas de jogos oficiais ao serviço do União (em número que se aproximará a um total de 330, marco da maior relevância, entre os jogadores que mais vezes envergaram a camisola unionista) – único totalista (26 jogos) nesta época –, ao longo de doze temporadas, desde 2006-07.

Como se despedira também da actividade profissional, José Nunes, motorista do clube há cerca de quatro décadas. Como deverá ser também a altura de renovação da Direcção do U. Tomar, tendo o seu Presidente anunciado que não se recandidatará às eleições a agendar oportunamente.

Num balanço da época – da qual, necessariamente, tirão de extrair-se ilações – o União termina no último lugar, só com 17 pontos, muito distante do que seria o objectivo. A conjugação de uma série equilibrada (a meio da tabela) com o facto de os três últimos classificados (V. Sernache, Gouveia e U. Tomar) terem obtido relativamente poucos pontos fez com que o último clube a assegurar a manutenção tenha somado um total de 37 pontos (tantos como o 5.º classificado)!

Confirmações – Nos outros três desafios não houve grandes surpresas, com o líder, U. Santarém, a confirmar, com naturalidade, a sua posição, batendo o V. Sernache por 3-0 (dois tentos entre os 18 e 20 minutos; tendo o terceiro sido apontado só no final da partida).

Sertanense e Fontinhas, já sem objectivos concretos, não desfizeram o nulo. Por fim, o Peniche ganhou por 2-0 ao Benfica e Castelo Branco, o que, algo paradoxalmente, não lhe trouxe qualquer benefício na classificação, tendo, todavia, custado a perda da 4.ª posição aos albicastrenses.

I Divisão Distrital – A jornada prometia, com o quarteto da frente com deslocações de algum risco, mas das quais se saíram, todos, a contento; aliás, três deles, com triunfos expressivos.

Em maior evidência esteve o Fazendense – como que a querer sacudir uma fase menos boa – goleando em Mação por implacáveis 5-0: entrando a ganhar no primeiro minuto, chegou aos 3-0 a meio da segunda parte, marcando ainda mais dois tentos nos minutos derradeiros do encontro.

O Ferreira do Zêzere goleou também, no reduto do “lanterna vermelha”, Vasco da Gama, por 4-0. Por seu lado, o Fátima foi ganhar a Amiais de Baixo por 3-0, empurrando o Amiense para uma impensável posição de descida ao escalão secundário, a cinco jornadas do final do campeonato. Mais difícil, por tangencial 1-0, foi a vitória arrancada pelo Abrantes e Benfica em Salvaterra.

O Forense deu continuidade à sua excelente fase, com quatro vitórias e um empate, recuperando de dez pontos de atraso face à “linha de água”, para apenas um! Foi vencer à Moçarria, por 3-1, arrastando o Moçarriense para essa disputa pela permanência, só dois pontos acima do Amiense.

E isto, também, porque o At. Ouriense prossegue igualmente o seu trabalho, tendo recebido e derrotado o Samora Correia, por igual marca (3-1), posicionando-se, pela primeira vez, na segunda volta, ao fim de dez rondas, em zona de manutenção.

A meio da tabela, o Coruchense impôs-se por tangencial 1-0 face ao Alcanenense, enquanto o Torres Novas ganhou, não sem dificuldade, por 3-2, na recepção ao Cartaxo.

II Divisão Distrital – Águias de Alpiarça (vencendo por apertado 3-2 no Tramagal) e Entroncamento AC (impondo-se por categórico 3-0 em Marinhais) são os únicos com o pleno de seis pontos, após a disputa das duas primeiras rondas da fase final. A turma da Glória do Ribatejo, goleando por 6-0 no Pego, veio colocar ainda mais em evidência a fragilidade dos pegachos.

Antevisão – Na I Divisão Distrital, realce, na próxima (26.ª) ronda para as partidas: Cartaxo-Fátima; Ferreira Zêzere-Mação; Fazendense-Salvaterrense; e Abrantes e Benfica-At. Ouriense. Na divisão secundária temos um embate entre os comandantes, Entroncamento AC-Águias Alpiarça; e um confronto de relevância para as contas finais, entre Glória do Ribatejo e Tramagal.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 11 de Abril de 2024)

14 Abril, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – Acerto de calendário

(“O Templário”, 04.04.2024)

Ainda antes da derradeira ronda do Campeonato de Portugal, e em função dos resultados dos jogos de “acerto de calendário” disputados no final da passada semana – assim como, por outro lado, da sanção aplicada ao União 1919, punido com derrota administrativa (0-3) no desafio que realizara (e vencera, por 2-1) frente ao Lusitânia, da 18.ª jornada – são já conhecidos todos os (cinco) clubes despromovidos às competições de índole regional; assim como, em paralelo, aquele emblema açoriano ficou em posição privilegiada para alcançar o apuramento para a fase final.

Também a nível Distrital, após a disputa da 1.ª mão das meias-finais da Taça do Ribatejo, parecem antever-se, desde já, os clubes que poderão vir a garantir a qualificação para a Final.

Destaques – Começando pelo “princípio”, em termos cronológicos: com a atribuição de derrota ao União 1919, na partida ante o Lusitânia, e mercê desses três pontos ganhos “na secretaria”, o grupo de Angra do Heroísmo (2.º classificado, só dois pontos abaixo do líder, U. Santarém) dispõe, à entrada para a última jornada, de três pontos de vantagem face ao Marinhense. Tendo-se registado, no confronto directo entre os pretendentes à última vaga de apuramento, duas vitórias caseiras, pela mesma marca (2-0), a formação da Marinha Grande necessitará, não só de recuperar o atraso pontual, como de uma diferença desfavorável de quatro tentos, a nível geral de golos.

E isto porque, no passado Sábado, em desafio da 8.ª ronda, que se encontrava ainda pendente (desde 1 de Novembro, portanto, há cinco meses!), o Marinhense, recebeu e bateu o Fontinhas, por 3-1. O que teve por consequência imediata a despromoção deste outro clube dos Açores ao respectivo campeonato regional, acompanhando também, na descida de escalão, o Rabo de Peixe.

O conjunto da Praia da Vitória começara ainda por se colocar em vantagem no marcador, aos 59 minutos, a qual, porém, seria de muito efémera duração, tendo a turma da Marinha Grande restabelecido a igualdade logo no minuto seguinte. Num embate de cariz dramático – com uns, a lutar pelo acesso à fase final, “obrigados” a ganhar, e outros, em desespero para tentar evitar a despromoção, “proibidos” de perder – o empate subsistiria até ao 95.º minuto…

Reduzido a dez elementos desde o minuto 61, o Fontinhas não resistiria, todavia, ao tempo de compensação, vindo a sofrer dois tentos, aos 90+5 e 90+7 minutos, que sentenciaram a sua queda. Com três pontos a menos que o Peniche, e desvantagem no confronto directo com esse rival, os açorianos vêem consumar-se a segunda descida de divisão sucessiva, depois de, na época anterior, terem disputado a “Liga 3”. Respiraram de alívio, enfim, Alverca “B”, Sertanense, União 1919 (que, inesperadamente, se vira também colocado em risco, devido à tal derrota administrativa), para além, claro, do próprio Peniche, último (9.º classificado) acima da “linha de água”.

Em síntese, descem aos Regionais os seguintes cinco clubes: Fontinhas e Rabo de Peixe (Açores), V. Sernache (A. F. Castelo Branco), Gouveia (A. F. Guarda) e U. Tomar (A. F. Santarém).

Já antes, no feriado de Sexta-feira Santa, o Alverca “B” dera passo decisivo para garantir a permanência. Forçados a repetir o jogo (da 14.ª jornada) que tinham realizado em Coimbra, ante o União 1919 – devido ao facto de, na altura, terem recorrido a quatro pausas para substituições, excedendo o limite regulamentar – os ribatejanos conseguiram, por coincidência, repetir o preciso desfecho que haviam averbado a 7 de Janeiro, voltando a vencer por 2-1 (tendo chegado a 2-0).

Depois de uma série, extremamente negativa, de sete desaires consecutivos, o Alverca “B” conseguiu, com um empate e esta vitória, estancar os danos, assegurando a manutenção. Tal como os conimbricenses, teriam ainda de sofrer, durante mais um dia, até conhecerem o desfecho do Marinhense-Fontinhas, para confirmarem, ambos, o atingir do objectivo para esta temporada.

Uma última nota para assinalar, a título de curiosidade, que é, agora – por fim, com o calendário em dia (e após as decisões administrativas determinadas pela Federação Portuguesa de Futebol) – possível fazer uma espécie de “flashback” sobre a evolução “ajustada” da classificação da Série: confirma-se que o Alverca “B” liderou até à 12.ª ronda (à excepção da 9.ª, em que o União 1919 ascendera a tal posição); Marinhense e Lusitânia partilhavam o comando no final da primeira volta; sendo que o Lusitânia passou a ser o clube com maior pontuação acumulada, entre a 14.ª e a 23.ª jornada; emergindo, assim, o U. Santarém como guia apenas nas duas rondas mais recentes.

Taça do Ribatejo – Os embates da 1.ª mão das meias-finais da Taça do Ribatejo – envolvendo três dos quatro primeiros classificados do campeonato – tiveram resultados porventura imprevistos, com os forasteiros a saírem vencedores, sem que os anfitriões conseguissem marcar.

Em Abrantes, com desempenho muito aquém do que tem mostrado no campeonato, o Abrantes e Benfica foi claramente batido, por 0-3, pelo Ferreira do Zêzere.

Nas Fazendas de Almeirim, o emblema mais titulado da competição, Fazendense, foi surpreendido pelo Alcanenense (actual 7.º classificado no campeonato), perdendo por 0-2.

Salvo muito inesperadas reviravoltas – nos desafios da 2.ª mão, agendados para 28 de Abril –, ferreirenses (vencedores da Taça em 1990) e alcanenenses (finalistas na última temporada, ainda em busca do seu primeiro troféu) perfilam-se como favoritos a disputar a Final da prova.

Antevisão – Com tudo já decidido a nível dos clubes despromovidos, a 26.ª e última jornada do Campeonato de Portugal terá como maior foco de interesse o confronto entre Alverca “B” e Lusitânia, em que bastará aos açorianos pontuar para confirmarem a qualificação para a fase final, de apuramento de Campeão e de promoção à Liga 3 – única vaga que subsiste, para se conhecer quem acompanhará U. Santarém, V. Setúbal e Moncarapachense, na Zona Sul dessa fase decisiva.

O Lusitânia poderá, inclusivamente, vir a terminar a fase regular da prova no 1.º lugar, caso vença e o U. Santarém não conseguisse ganhar ao V. Sernache, o que, contudo, não se afigura provável.

Mas, na eventualidade de o Lusitânia vir a sofrer um desaire em Alverca, o Marinhense poderia ainda chegar ao apuramento para a fase final, necessitando, para tal, de ganhar ao Gouveia, revertendo o diferencial de quatro golos face aos açorianos – sendo que, num cenário em que o Lusitânia perdesse por 0-1 e o Marinhense ganhasse por 3-0, estes dois emblemas ficariam rigorosamente empatados: 50 pontos, 40 golos marcados, 23 sofridos, e com igualdade também no confronto directo (2-0 no desafio disputado nos Açores; 2-0 na partida realizada na Marinha)!

O U. Tomar despede-se desta sua época de estreia no Campeonato de Portugal, recebendo a equipa açoriana do Rabo de Peixe, como referido antes, igualmente despromovida.

Na retoma da I Divisão Distrital, com a realização da 25.ª jornada (de um total de 30), o duo que reparte a liderança joga fora: o Fátima, em Amiais de Baixo, perante um inesperadamente “aflito” Amiense; o Abrantes e Benfica, frente ao aparentemente tranquilo Salvaterrense. Como fora de casa actuarão também o 3.º e 4.º classificados: o Ferreira do Zêzere é claro favorito na visita ao Vasco da Gama; por seu lado, o Fazendense terá a saída que se antevê mais problemática, viajando até Mação. Uma ronda que promete…

No escalão secundário, na 2.ª jornada da fase final, destaque para o Tramagal-Águias de Alpiarça e para o Marinhais-Entroncamento AC; cabendo ao Pego receber a turma da Glória do Ribatejo.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 4 de Abril de 2024)

7 Abril, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 25ª Jornada

Últimas decisões só… na última jornada

(“O Templário”, 28.03.2024)

Chegados à penúltima ronda (25.ª) do Campeonato de Portugal – no caso da Série C, ainda com dois jogos em atraso, agendados para este final de semana – o U. Santarém confirmou já o 1.º lugar, estando também quase tudo decidido a nível das despromoções (o Rabo de Peixe juntou-se na desdita a V. Sernache, Gouveia e U. Tomar). Resta apurar o 2.º classificado (Lusitânia ou Marinhense), que garantirá também a qualificação para a fase final, assim como o quinto clube a despromover, que sairá do lote formado por Sertanense, Peniche, Alverca “B” e Fontinhas.

Numa jornada atípica, os dois primeiros da tabela foram derrotados, do que tirou maior benefício a turma da Marinha Grande, que, em caso de vitória no desafio que tem em atraso, em que receberá o Fontinhas, igualará pontualmente o Lusitânia, face ao qual procurará, por outro lado, recuperar também uma desvantagem de dois tentos, a nível da diferença global de golos.

Destaques – Foi um desfecho que seria, em boa medida, expectável, mas a maior nota de destaque vai, justamente, para o Marinhense, que se deslocou a Cernache do Bonjardim, ali somando um importante triunfo, por 2-0, perante uma equipa do V. Sernache já conformada: praticamente entrando a ganhar, tendo inaugurado o marcador logo aos sete minutos, teria pela frente uma longa espera, só marcando o ponto da confirmação e da tranquilidade já em período de compensação.

Também crucial, pese embora noutro plano, o da luta pela manutenção, poderá ter sido a vitória alcançada pelo Peniche em Gouveia (tal como o V. Sernache, também já matematicamente despromovido à entrada para esta ronda), onde se impôs por 3-1, somando o seu sexto sucesso em terreno alheio, completando a prova, na condição de visitante, com um notável registo de seis vitórias, um empate e seis derrotas (apenas o U. Santarém conseguiu melhor desempenho)!

Os serranos ainda começaram por chegar à vantagem, que preservaram até ao intervalo; porém, na segunda metade, os penichenses não deram hipóteses, marcando aos 52, 72 e 75 minutos.

Outra nota de realce vai para o União 1919, que recebeu o líder, U. Santarém, ganhando por tangencial 1-0, assim colocando termo a um excelente ciclo de invencibilidade dos escalabitanos, que perdurava há 13 jogos, assim como quebrou a respectiva série de sete triunfos sucessivos. Tal proporcionou aos conimbricenses, com uma prova muito regular, ascender a brilhante 4.º lugar.

Surpresa – A grande surpresa da jornada chegou de Angra do Heroísmo, onde, inesperadamente, o Mortágua foi ganhar, ao terreno do vice-líder, Lusitânia, por 3-2, no que constitui o único desaire caseiro sofrido pelos açorianos, depois de uma campanha quase “perfeita”, com dez vitórias e somente dois empates cedidos. Pois, na “Hora H”, o Lusitânia vacilou, e, no imediato, terá deixado de depender de si próprio, uma vez que tem agora “a palavra” o Marinhense.

Os ilhéus marcaram primeiro, pouco depois do quarto de hora, mas foram surpreendidos pelos dois tentos apontados pelo Mortágua, aos 32 e 40 minutos. Logo no recomeço, o Lusitânia restabeleceu a igualdade (2-2), podendo supor-se que partiria para a vitória; porém, seriam os forasteiros a fixar o marcador, a seu favor, a dez minutos do final, garantindo o seu objectivo.

Confirmações – Nos restantes três encontros, havia dois de grande importância na disputa pela permanência, e um outro, sobretudo com a particularidade de se tratar de um clássico regional. Os desfechos enquadram-se na lógica: vitória (2-0) do Fontinhas sobre o U. Tomar, e igualdades a uma bola nas outras duas partidas.

A formação da Praia da Vitória jogava cartada decisiva, sendo “obrigatório” ganhar, para poder continuar a alimentar a esperança de evitar o que seria uma segunda descida de divisão sucessiva. Na primeira metade, pese embora a maior iniciativa adoptada pelos visitados, o nulo não se desfez, com o U. Tomar bem posicionado. Porém, tudo se alteraria nos minutos iniciais do segundo tempo, com os açorianos a marcarem por duas vezes, de “rajada”, aos 53 e 55 minutos.

Até final, registaram-se algumas peripécias, com expulsões de dois jogadores unionistas (aos 65 e 76 minutos), tendo o Fontinhas ficado também reduzido a dez elementos a partir dos 67 minutos, mas o resultado subsistiria inalterado. O U. Tomar completou as suas deslocações nesta época com o magro pecúlio de apenas dois empates alcançados, em Peniche e Cernache do Bonjardim.

Rabo de Peixe e Alverca “B” tinham um embate de “vida ou morte” (em termos classificativos, neste campeonato, entenda-se), com os açorianos a necessitar também, indispensavelmente, de vencer. Marcaram cedo, logo aos sete minutos, mas não lograram preservar a vantagem, consentindo o tento da igualdade a cerca de vinte minutos do final, com os ribatejanos a conseguir, enfim, estancar a sangria de sete derrotas consecutivas.

Um desfecho que ditou automaticamente a despromoção do conjunto de Rabo de Peixe, mas que deixa ainda a jovem equipa do Alverca “B” longe da tranquilidade, tendo caído do 1.º lugar isolado (e com um jogo a menos) à 18.ª ronda, para o último acima da “linha de água” (9.º), com escassos dois pontos de vantagem face ao Fontinhas – tendo, ambos, dois jogos por disputar.

Num clássico regional, entre Benfica e Castelo Branco e Sertanense – curiosamente os únicos dois totalistas, que participaram, nas onze últimas temporadas, em todas as edições do “Campeonato Nacional de Seniores” / “Campeonato de Portugal”, desde a extinção, em 2012-13, da antiga III Divisão – o empate (1-1) garantiu matematicamente a continuidade dos albicastrenses nos Nacionais, deixando também o grupo da Sertã muito próximo desse objectivo.

I Divisão Distrital – A 24.ª jornada foi a ronda dos “3-1”… desfecho que se registou em cinco dos oito desafios, em todos eles com triunfo dos anfitriões: no Fátima-Torres Novas; Abrantes e Benfica-Mação; Ferreira Zêzere-Amiense; Alcanenense-Moçarriense; e no Forense-At. Ouriense.

Vitória por resultado diferente (4-1) apenas a averbada pelo Fazendense, na recepção ao agora já matematicamente despromovido Vasco da Gama. Nos restantes dois prélios, outros tantos empates: a zero, no Samora Correia-Salvaterrense; a um, no Cartaxo-Coruchense.

O realce vai para o difícil triunfo dos abrantinos, que se viram forçados a operar reviravolta, depois de os maçaenses terem chegado ao intervalo a ganhar, apontando os três golos na 2.ª parte.

Fátima e Ferreira do Zêzere tiveram a situação mais controlada, tendo chegado, ambos, a vantagem de 2-0, antes de confirmarem o desfecho, marcando o 3-1, no caso dos ferreirenses também com os seus três tentos obtidos na etapa complementar (entre os 65 e 85 minutos).

De destacar ainda a fantástica recuperação que o Forense vem empreendendo, tendo somado dez pontos (três triunfos e um empate) nas últimas quatro rondas, mais do que nas vinte anteriores!

II Divisão Distrital – Duas situações de maior notoriedade se salientam no arranque da fase final, de apuramento de Campeão e de promoção ao escalão principal: a estrondosa goleada (8-1!) aplicada pelo Águias de Alpiarça ao Pego; e o primeiro desaire do Tramagal na prova, derrotado no Entroncamento por 4-2. No “derby”, Glória do Ribatejo e Marinhais empataram (1-1).

Antevisão – O curso regular dos campeonatos é interrompido no fim-de-semana. No Campeonato de Portugal será ocasião de acerto de calendário, com a disputa do Marinhense-Fontinhas (8.ª jornada) e a repetição do União 1919-Alverca (14.ª ronda). A nível distrital, estão agendados para o feriado os embates da 1.ª mão das meias-finais da Taça do Ribatejo, envolvendo três dos quatro primeiros classificados: Abrantes e Benfica-Ferreira Zêzere; e Fazendense-Alcanenense.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 28 de Março de 2024)

30 Março, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 24ª Jornada

(“O Templário”, 21.03.2024)

Uma conjugação de resultados bem favorável – ganhando o seu desafio e beneficiando do inesperado desaire caseiro do Marinhense – proporcionou ao U. Santarém garantir desde já (ainda com duas rondas por disputar) o apuramento para a fase final, de apuramento de Campeão e de promoção à Liga 3. São, aliás, já conhecidos os nomes de metade dos clubes que disputarão tal fase: U. Santarém e V. Setúbal (na Zona Sul); Amarante e S. João de Ver (Zona Norte).

Ao invés, têm também o seu destino antecipadamente traçado – baixa aos campeonatos distritais – onze dos vinte clubes a despromover nesta temporada: Portosantense, Mirandela, Ribeirão, Lamelas, Valadares Gaia, Vila Meã, V. Sernache, Gouveia, U. Tomar, Real e Imortal.

Destaques – No jogo grande da 24.ª jornada enfrentavam-se o 1.º e o 2.º classificados, respectivamente U. Santarém e Lusitânia. E a partida não terá defraudado as expectativas, intensamente disputada, e apenas decidida mesmo ao “cair do pano”.

Os açorianos cedo se colocaram em vantagem, marcando logo ao minuto cinco; mas os escalabitanos, muito confiantes, não se deixaram abalar, restabelecendo a igualdade apenas dez minutos volvidos. À passagem dos quarenta minutos o Lusitânia ficou reduzido a dez elementos, o que, necessariamente condicionou todo o decurso da segunda metade. Ainda assim, só ao minuto 94 o U. Santarém chegaria ao tento que lhe proporcionou um tão precioso quão árduo triunfo, por sofrido 2-1. O bastante para “carimbar” o primeiro objectivo da época.

Também o Sertanense deverá ter – pese embora ainda disso não possa ter a certeza matemática – somado os pontos (35) suficientes para a manutenção nos Nacionais, ao ganhar, em Tomar, por 2-0, partilhando, aliás, nesta altura, o 5.º posto da pauta classificativa com o União 1919.

Ao contrário do sucedido na semana anterior, o U. Tomar não conseguiu, desta feita, o necessário rigor defensivo, para impedir que o adversário pudesse chegar ao golo. A turma da Sertã, sempre com mais iniciativa, inaugurou o marcador por volta dos 35 minutos. No segundo tempo, os unionistas, repartindo mais o jogo, tudo tentaram para chegar ao empate, mas mostraram-se ineficazes a nível da criação de reais oportunidades de golo. Acabaria, inclusivamente, por ser o Sertanense a fixar o 2-0 final, no minuto noventa, na conversão de uma grande penalidade.

Está a pontos de se tornar um caso de estudo a desastrosa fase que o Alverca “B” atravessa, em que tudo parece correr de mal a pior: líderes isolados até à 18.ª jornada (mesmo tendo, então, um jogo a menos), os ribatejanos começaram por ter uma terrível sequência, defrontando e perdendo com os (actuais) três primeiros classificados no espaço de uma semana (entre 11 e 18 de Fevereiro, foram derrotados pelo Marinhense, Lusitânia e U. Santarém) – ao mesmo tempo que viam anulado o jogo que tinham vencido em Coimbra, devido a excesso de interrupções para substituições.

A partir daí, seguiram-se outros desaires, a princípio completamente imprevisíveis (em casa, com o Mortágua e o Sertanense), tal como a derrota em Tomar, e, de novo em Alverca, no passado Domingo, batidos ainda pelo Fontinhas, por 0-1. Ou seja, sete derrotas consecutivas, “estacionando” nos 32 pontos (que tinham chegado a ser 35, antes da anulação do jogo de Coimbra), marca que poderá não chegar para a permanência. A queda livre chegou já ao 8.º lugar!

Surpresa – Imediatamente após ter constituído a surpresa pela negativa (derrota caseira ante o Peniche), o União 1919 protagonizou a surpresa pela positiva, indo ganhar ao terreno de um candidato à subida, que mantém a 3.ª posição, o Marinhense, por 1-0, mercê de um tento apontado à passagem da meia hora de jogo, também de grande penalidade. Um deslize que só não terá sido, no imediato, mais gravoso para a turma da Marinha, dado que o Lusitânia perdeu também.

Confirmações – Na intensa luta pela manutenção, confirmou-se o favoritismo dos visitados nos restantes três encontros da jornada: Benfica e Castelo Branco, Mortágua e Peniche somaram importantes triunfos, tendo, em paralelo, ficado já sentenciado o desfecho da temporada para V. Sernache e Gouveia, enquanto o Rabo de Peixe se vê colocado em posição bastante aflitiva.

Os albicastrenses, que não ganhavam há cinco rondas, viram-se e desejaram-se para se impor por “apertada” marca de 3-2, na recepção ao Gouveia. Os serranos, que jogavam uma última cartada, ainda conseguiram operar reviravolta no marcador, de 1-0 para 1-2, aos 50 minutos. Porém, o Benfica e Castelo Branco empatou apenas dois minutos depois, acabando por vir a consumar a vitória, o que deixa o Gouveia com um intransponível atraso de dez pontos face à “linha de água”.

O Mortágua recebeu e bateu o Rabo de Peixe por 2-1, depois de ter chegado a 2-0, com o ponto de honra dos açorianos a ser obtido em período de compensação.

Por seu lado, o Peniche – praticamente entrando a ganhar, ao marcar logo ao terceiro minuto, e mesmo ficando em inferioridade aos 40 minutos – ganhou por 2-0 ao V. Sernache (que terminaria reduzido a nove unidades, com duas expulsões já “nos descontos”), clube que, agora a seis pontos do 9.º classificado, precisamente aquele rival, não poderá já superiorizar-se num eventual desempate envolvendo os penichenses, pelo que está também virtualmente despromovido.

As duas “vagas” ainda em aberto em termos de descida parecem, por agora, mais próximas dos emblemas açorianos (Rabo de Peixe, a quatro pontos do 9.º lugar; Fontinhas, a três pontos, mas com um jogo em atraso) – pelo que a situação do Peniche não é ainda, de todo, confortável, num sobressalto que se estenderá, pelo menos, ao Alverca “B”, quatro pontos acima do Fontinhas. Mortágua (34 pontos), Sertanense e União 1919 (35) deverão estar, provavelmente, já a salvo.

I Divisão Distrital – Sucedem-se, a cada jornada, as reviravoltas no topo da tabela. Após a 23.ª ronda, temos como novo “líder”, o Fátima, posição que reparte com o Abrantes e Benfica, ambos com 50 pontos, só um a mais que o Ferreira do Zêzere… tendo o Fazendense caído para 4.º.

O Fátima superou uma saída de muito elevado grau de dificuldade, ganhando em Coruche por 2-1 (bis do melhor marcador, Cristiano Aniceto), tendo chegado ao tento da vitória ao minuto 97!

Por seu lado, os ferreirenses deixaram para trás o desaire sofrido em Abrantes, impondo-se por categórica marca de 3-0 frente a um dos anteriores guias, o Fazendense (todos os golos no segundo tempo, o último já no tempo de compensação), com a turma das Fazendas, aparentemente, a oscilar, tendo somado só um ponto nos dois últimos jogos, depois de uma série de seis triunfos.

Já os abrantinos, garantiram a “óbvia” vitória no terreno do “lanterna vermelha”, Vasco da Gama (que acumula 22 derrotas em 23 jogos, 18 consecutivas), goleando, com tranquilidade, por 5-0.

Menos expectável seria outra goleada, aplicada pelo Mação ao Samora Correia, por 6-1, no que constitui a quarta derrota dos samorenses nas últimas cinco jornadas.

Do 8.º ao 15.º classificados, todos empataram (sete desses oito clubes repetiram, aliás, o desfecho de há duas semanas), tudo subsistindo inalterado a nível da disputa pela manutenção: 0-0 no “derby” Salvaterrense-Forense; 1-1 no Alcanenense-At. Ouriense; e 2-2 no Moçarriense-Cartaxo e no Amiense-Torres Novas (tendo o grupo dos Amiais recuperado de desvantagem de dois golos).

Antevisão – Na penúltima jornada do Campeonato de Portugal destacam-se os encontros: V. Sernache-Marinhense; Rabo de Peixe-Alverca “B”; Gouveia-Peniche; e Fontinhas-U. Tomar.

Na I Divisão Distrital, o quarteto da frente joga em casa, realçando-se o Fátima-Torres Novas e o Abrantes e Benfica-Mação. Arranca também, neste Domingo, a fase final do escalão secundário.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 21 de Março de 2024)

24 Março, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 23ª Jornada

(“O Templário”, 14.03.2024)

Agora já liberto da pressão da “obrigatoriedade” de somar pontos, beneficiando também da situação de quebra de confiança por parte do adversário – que, até há pouco mais de um mês (à 18.ª jornada), liderava o campeonato –, o U. Tomar voltou a ganhar, o que não conseguia quase há dois meses, desde a 15.ª ronda, somando o seu 5.º triunfo na prova (em onze jogos em casa).

No topo, U. Santarém e Lusitânia deram passos importantes na sua caminhada para a fase final. Na parte baixa da tabela, o Gouveia está quase “condenado”, sendo que não se poderá ainda matematicamente garantir que o outrora líder, Alverca “B”, esteja já a salvo do risco de descida, ainda com dez (!) clubes envolvidos na luta pela manutenção, quando restam disputar três jogos.

Destaques – O destaque maior da 23.ª ronda vai, necessariamente, para o triunfo do Lusitânia, na recepção ao Marinhense (2-0, com golos apontados logo na fase inicial de cada uma das partes), num embate entre o 2.º e 3.º classificados, agora separados por seis pontos, mas com o grupo da Marinha (já a oito pontos do líder, U. Santarém) a continuar a dispor de um jogo em atraso.

Justamente, os escalabitanos desenvencilharam-se a contento do difícil compromisso que tinham, na deslocação aos Açores, ganhando ao Rabo de Peixe, mercê de um solitário tento, alcançado ao findar da metade inicial da partida. O U. Santarém está a cinco pontos de garantir a qualificação, mas, no melhor dos cenários, poderia até alcançar tal objectivo já no próximo Domingo.

A outra nota de realce é o triunfo do U. Tomar, ante o Alverca “B”, por 1-0, golo averbado pelo novo “reforço” unionista, o colombiano Juan Mosquera (que se estreara na semana anterior), agravando ainda mais a crise de resultados do rival ribatejano, com uma incrível série de seis desaires sucessivos… por coincidência, o ciclo, de igual extensão, que os unionistas superaram.

Os forasteiros, dispondo de outros argumentos, procuraram, naturalmente, impor o seu poderio, mas uma equipa tomarense a mostrar-se muito solidária, com forte entreajuda, foi procurando repartir o jogo, resistindo a fases de maior intensidade ofensiva contrária, acabando por – ao contrário do que sucedera noutras ocasiões – ser bafejada com a eficácia de ter marcado um golo, talvez em duas oportunidades soberanas de que dispôs neste encontro. Uma saída digna.

Surpresa – A maior surpresa foi a derrota (0-1) caseira sofrida pelo União 1919, na recepção a um aflito Peniche (golo obtido a meio do segundo tempo), logrando, por via deste desfecho, voltar a transpor a “linha de água”, pese embora um único ponto acima do emblema de Rabo de Peixe.

Confirmações – A acesa luta pela manutenção passava também por outros dois confrontos directos, entre Sertanense e Gouveia e Fontinhas e Mortágua, com os resultados, de alguma forma, enquadrados no que seriam as expectativas.

O conjunto da Sertã somou terceira vitória (2-1) nos últimos quatro desafios disputados, igualando o Alverca “B” e o União 1919 no 5.º lugar. Para os serranos foi o terceiro desaire seguido (quarto nos últimos cinco jogos), distando já sete pontos da zona de salvação, cada vez mais uma quimera.

O Fontinhas registou o terceiro empate nas últimas quatro partidas, continuando a denotar enormes dificuldades em libertar-se da zona de despromoção. Bem melhor está o Mortágua, que voltou a pontuar, depois de ter somado três vitórias nas rondas anteriores, dispondo, nesta recta final, de uma margem de quatro pontos em relação a tal sector de maior risco.

No prélio restante, de rivalidade regional, V. Sernache e B. C. Branco repartiram também os pontos (1-1), num confronto com “história”: os donos da casa colocaram-se em vantagem a vinte minutos do final, quando estavam (já desde a metade inicial) em inferioridade numérica, vindo a sofrer o tento do empate ao minuto 97, então já reduzidos somente a nove elementos em campo. Um golo que terá garantido a tranquilidade aos albicastrenses, enquanto os homens de Cernache – tal como o Fontinhas, com três igualdades nas quatro partidas mais recentes – repartem, precisamente com essa turma açoriana, preocupante 11.ª posição, a três pontos do Peniche.

No total, nos sete desafios, registou-se o magro pecúlio de apenas dez golos, marca apenas superada (pela negativa) pelos nove tentos da 17.ª jornada.

I Divisão Distrital – O Distrital está ao rubro, com um trio (Fazendense, Fátima e Abrantes e Benfica) igualado na liderança, e o 4.º classificado (Ferreira do Zêzere) somente um ponto abaixo!

No “jogo grande” da 22.ª jornada, o Abrantes e Benfica recebeu e bateu o Ferreira do Zêzere por 2-1, originando esta incomum aglomeração no topo da tabela. Os abrantinos chegaram a vantagem de dois golos, marcando à passagem do quarto de hora e aos 75 minutos, não tendo os ferreirenses conseguido melhor que reduzir para a diferença mínima ao “cair do pano”.

Por seu lado, o Fazendense, recebendo o Amiense – os dois clubes que, na época passada, disputaram o título com o U. Tomar até à derradeira ronda –, não conseguiu desfazer o nulo, vendo, assim, interrompida uma série triunfal de seis jornadas, desde o início da segunda volta.

Para o conjunto dos Amiais foi um ponto que poderá ser importante na procura de escapar a uma inesperada despromoção ao escalão secundário, mesmo que, no imediato, tenha ficado ainda mais “apertado” pelo At. Ouriense, que obteve uma imprevista vitória, na deslocação ao Cartaxo, por empolgante 4-3, depois de ter estado a perder por 0-2, e de virar o “placard” até ao 4-2.

Numa ronda repleta de golos, esse não foi o único 4-3: o mesmo desfecho se registou também no Samora Correia-Vasco da Gama, sendo que os forasteiros por duas vezes estiveram em vantagem (a 1-0 e a 3-2), vindo a consentir a reviravolta nos últimos cinco minutos do desafio.

Surpreendente foi igualmente o triunfo (por categórico 3-0) do Forense, ante o Mação. O Alcanenense goleou (4-0) o Salvaterrense, tendo apontado os quatro golos, “de rajada”, entre os 53 e os 66 minutos. O Coruchense impôs-se em Torres Novas por 2-0. Por fim, o Fátima teve mais dificuldades do que poderia esperar, para bater o Moçarriense, por tangencial 3-2.

II Divisão Distrital – Terminou a fase regular deste campeonato, tendo garantido o apuramento para a fase final, de apuramento de Campeão e de promoção à I Divisão Distrital, as equipas do Glória do Ribatejo, Marinhais, Águias Alpiarça, Entroncamento AC, Tramagal e Pego.

Os pegachos cederam um incrível empate (1-1) caseiro ante o “lanterna vermelha”, Abrantes e Benfica “B” (que, até então, acumulara 13 derrotas, em todos os jogos, desde a primeira até chegar à derradeira ronda). Beneficiaram, não obstante, do desaire sofrido pelo Caxarias, batido, no último minuto (2-3), no seu reduto, pelo Tramagal, após ter estado em vantagem a 1-0 e 2-1.

Antevisão – No Campeonato de Portugal teremos um embate crucial, entre os dois primeiros classificados, com o U. Santarém a receber o Lusitânia; enquanto o U. Tomar recebe o Sertanense.

Na I Divisão Distrital, o Ferreira do Zêzere volta a ter compromisso do mais alto grau de dificuldade, com a visita do guia, Fazendense. O Fátima terá também saída muito complicada, a Coruche. O Abrantes e Benfica é óbvio favorito na deslocação ao terreno do Vasco da Gama, último classificado (contando só 1 ponto), com série muito negativa, de 17 desaires sucessivos.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 14 de Março de 2024)

17 Março, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 22ª Jornada

(“O Templário”, 07.03.2024)

Restando apenas quatro rondas por disputar, tendo averbado nova derrota, o U. Tomar viu ampliar-se para 13 pontos a distância face ao 9.º classificado, consumando-se assim, em termos matemáticos, a despromoção ao Distrital – o que sucedeu, igualmente, ao Real e ao Imortal.

Ao invés, o Amarante confirma-se como o primeiro dos oito apurados para a fase final da prova, enquanto ao V. Setúbal bastará ganhar um dos últimos quatro jogos para se qualificar também.

Na senda do que tem vindo a ser o desempenho dos clubes do Distrito, o U. Tomar sofreu dissabor idêntico ao registado pela quase totalidade dos emblemas promovidos do Distrital de Santarém.

Desde a extinção da antiga III Divisão e introdução, na época de 2013-14, do inicialmente designado “Campeonato Nacional de Seniores” (renomeado, dois anos depois, para “Campeonato de Portugal”), vieram a ser, sucessivamente, despromovidos os seguintes Campeões / Vencedores do Distrital: Riachense (2013), At. Ouriense (2014), Coruchense (2015, 2017 e 2021), Fátima (2016), Mação (2018), U. Almeirim (2020), Rio Maior SC (2022) e, agora, o U. Tomar (2023).

De facto, só os projectos profissionais do U. Santarém e do Fátima conseguiram resistir mais do que duas épocas contínuas nos Nacionais (conhecendo-se, no entanto, qual o infausto fim de tal “SAD” fatimense), sendo o emblema escalabitano (Campeão em 2019) o único que neles subsiste.

Fica bem patente que o nível de recursos requeridos para enfrentar uma competição deste grau de exigência não é compatível com a realidade dos clubes do Distrito. O União teve de recorrer à “prata da casa”, com um alargado lote de jogadores com muito reduzida experiência deste escalão.

No início, a equipa pareceu dar indícios de que poderia vir a ser competitiva – nas sete primeiras jornadas conseguiu manter o equilíbrio entre vitórias e derrotas (três – tendo, inclusivamente, vencido rivais bem cotados, como os do Marinhense e do Benfica e Castelo Branco), partilhando então o 4.º posto; mas, com o avançar da temporada, também com alguns “azares” (de súbito muito desfalcada e crescentemente fragilizada) viria, depois, a sofrer comprometedores desaires caseiros: Mortágua (9.ª), Fontinhas (12.ª), Gouveia (17.ª), e a “fatal” derrota com o Peniche (19.ª).

Independentemente de mais aprofundadas análises que se possam vir a fazer às causas do insucesso, o que parece claro é que tal desfecho não deveria, em qualquer caso, constituir motivo de “satisfação” para nenhum tomarense. Será, agora, altura de reflectir… e de meter “mãos à obra”, começando a planear a – também exigente, mesmo que noutro patamar – próxima época.

Destaques – Da 22.ª jornada começa por salientar-se a afirmativa vitória do Lusitânia em Peniche, por 4-1, com a turma açoriana a confirmar as credenciais que fazem dela séria candidata, enquanto, ao contrário, o Peniche vê agravada a já sua difícil situação, em zona de descida.

Nessa matéria, o V. Sernache arrancou, na deslocação a Gouveia, crucial triunfo, por 2-1, depois de operar reviravolta no marcador, resultado que praticamente sentencia o destino dos serranos, agora já a “distantes” seis pontos da “linha de água”, e restando-lhe um único jogo em casa.

Surpresas – Nesta fase, tratar-se-ão já, efectivamente, de “meias supresas”: por um lado, o quinto desaire consecutivo do Alverca “B”, batido pelo Sertanense, mercê de um tento apontado a cinco minutos do final, o que proporcionou ao grupo da Sertã voltar a “respirar” acima de tal linha; por outro, o nulo registado no embate entre Benfica e Castelo Branco e União 1919. Por curiosidade, estas duas formações repartem com o Alverca a 4.ª à 6.ª posição, todos com 32 pontos, ainda não matematicamente a salvo, mas, quase de certeza, já com os pontos necessários à manutenção.

Confirmações – O líder, U. Santarém, somou a quinta vitória sucessiva, estabelecendo assim, nas últimas onze rondas, duas séries de igual êxito, intercaladas por um único empate cedido, tendo batido o “aflito” Fontinhas com maiores dificuldades do que suporia, também por apertado 2-1.

Ainda pela diferença mínima, neste caso, graças a um solitário tento, o Marinhense saiu vencedor na recepção ao Rabo de Peixe. No topo da tabela, tudo se mantém, pois, inalterado, com o U. Santarém com dois pontos de vantagem sobre o Lusitânia, e o Marinhense a cinco pontos do comandante, mas contando ainda com um jogo a menos.

O Mortágua ganhou, igualmente por 1-0 (golo apontado na conversão de uma grande penalidade, à passagem da meia hora de jogo), frente ao U. Tomar, que, sem nada a perder, voltou a exibir-se a nível razoável, dificultando bastante a acção do adversário, mantendo o resultado em aberto até final, mas, de novo, sem, de facto, ter conseguido representar real ameaça à baliza contrária.

Em função destes resultados, o Mortágua deu passo relevante para a consecução do seu objectivo, saltando para os 30 pontos, ocupando o 7.º lugar, agora com uma margem de cinco pontos face à “linha de água”. Com o U. Tomar já despromovido, e o Gouveia muito perto disso, temos quatro clubes (do 9.º ao 12.º classificados – Rabo de Peixe, Peniche, V. Sernache e Fontinhas) concentrados num intervalo de três pontos (entre os 27 e os 24), sendo que apenas um deles se deverá “salvar”… excepto se também o Sertanense (actual 8.º, com 29 pontos, vier a baquear).

Taça do Ribatejo – “Não houve” Taça… Os favoritos ditaram a sua lei e garantiram o apuramento para as meias-finais, a disputar a duas mãos, com o seguinte alinhamento: Fazendense-Alcanenense e Abrantes e Benfica-Ferreira do Zêzere – ou seja, envolvendo também três (dos quatro) candidatos ao título de Campeão Distrital (apenas o Fátima tinha ficado, já anteriormente, afastado; sendo, portanto, o Alcanenense, actual 9.º no campeonato, o único “intruso”).

Regista-se, sobretudo, a impressiva goleada aplicada pelo Ferreira do Zêzere em Ourém, face ao At. Ouriense, por implacável 6-1. O Fazendense foi algo mais “modesto”, na visita a Vilar dos Prazeres, ganhando, não obstante, também de forma categórica, por 4-1.

O Alcanenense impôs-se por 2-0 na deslocação a Marinhais (clube já apurado para a fase final da II Divisão Distrital). Podia ter acontecido surpresa no Porto Alto, onde o Abrantes e Benfica não conseguiu desfazer o nulo, mas acabando por ser mais eficaz no desempate da marca de grande penalidade, pelo que a competição ficou sem qualquer representante do escalão secundário.

Esta é a terceira época sucessiva em que os abrantinos atingem as meias-finais da Taça (finalistas vencidos em 2022), repetindo o Alcanena a presença em tal fase, registada na última temporada (em que viria também a perder na final). Por seu turno, o Fazendense (vencedor em 2022; afastado em eliminatória prévia aos 1/8 de final no ano passado) está de regresso à sua “prova talismã”. Quanto aos ferreirenses, voltam às meias-finais 23 anos depois, após terem alcançado tal fase pela última vez – e por três vezes seguidas – nas épocas de 1998-99 a 2000-01.

Antevisão – No Campeonato de Portugal perfila-se, na 23.ª jornada, um embate “decisivo”, entre Lusitânia e Marinhense, dois (dos três) candidatos ao apuramento para a fase final. Mas o U. Santarém também não esperará facilidades na viagem a Rabo de Peixe. Na luta pela manutenção, as atenções estarão focadas no Fontinhas-Mortágua e no Sertanense-Gouveia. Temos ainda um confronto de interessante rivalidade regional, entre V. Sernache e Benfica e Castelo Branco. O U. Tomar, a pensar no futuro, recebe uma formação do Alverca “B” em manifesta crise de resultados.

Na I Divisão Distrital teremos também um aliciante confronto entre os candidatos Abrantes e Benfica e Ferreira do Zêzere (numa “antecipação” das meias-finais da Taça), sendo, em teoria, Fazendense e Fátima favoritos, na recepção, respectivamente, ao Amiense e ao Moçarriense.

Na derradeira ronda da fase regular da II Divisão, o Pego, anfitrião do “lanterna vermelha”, Abrantes e Benfica “B”, parece dispor de todas as vantagens para se apurar para a fase final, de disputa do título e promoção; até porque o outro aspirante, Caxarias, receberá o guia, Tramagal.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 7 de Março de 2024)

9 Março, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 21ª Jornada

(“O Templário”, 29.02.2024)

Os desaires sofridos por Alverca “B” (quarta derrota consecutiva (!), a dar a sensação de que a equipa terá “desligado” da competição) e Benfica e Castelo Branco (terceiro jogo perdido sucessivo) reduziram o lote de candidatos ao apuramento para a fase final do Campeonato de Portugal, na Série C, a apenas três: U. Santarém, Lusitânia e Marinhense – por ora separados por cinco pontos, mas dispondo a turma da Marinha Grande de um jogo em atraso.

A cinco rondas da conclusão da fase regular da prova (agendada para daqui a pouco mais de um mês) não há ainda nenhum clube que tenha garantido tal apuramento (o Amarante está muito perto, com 14 pontos de vantagem sobre o 3.º classificado, tendo o S. João de Ver nove pontos à maior, e, o V. Setúbal, oito); não havendo também ainda qualquer equipa matematicamente despromovida (o Imortal dista 14 pontos da “linha de água”, o Real, doze, e, o U. Tomar, onze).

A este nível, da luta pela permanência, o União 1919 (agora igualado com o Benfica e Castelo Branco) poderá ter já somado os pontos indispensáveis; ao invés, parece confirmar-se a situação precária de Gouveia e V. Sernache (agora, ambos, a quatro pontos do 9.º lugar), tendo o Mortágua dado um importante passo no rumo da manutenção, ao protagonizar a surpresa da 21.ª jornada.

Destaques – A primeira nota de realce vai para o triunfo do Lusitânia ante o Benfica e Castelo Branco, por 3-1, tendo sido, até, os albicastrenses a inaugurar o marcador, à passagem do quarto de hora, todavia sem que os açorianos acusassem o toque, tendo empatado ainda na primeira metade, para, logo no arranque do segundo tempo, consumar a reviravolta no marcador. O grupo de Angra do Heroísmo mantém a perseguição ao líder, U. Santarém, somente a dois pontos.

Igualmente nos Açores, o Marinhense cedeu um empate, no terreno do Fontinhas: depois de se ter colocado em vantagem, também por volta do quarto de hora, viria a permitir ao conjunto da Praia da Vitória restabelecer a igualdade, fixando o resultado (1-1), mesmo em cima do intervalo. Em função deste desfecho, os homens da Marinha atrasaram-se em relação ao duo da frente, agora a cinco pontos do comandante, e a três do Lusitânia, atraso que poderão ainda vir a minorar.

Seria já expectável, mas, ainda assim, merece destaque o triunfo do União 1919 sobre o Gouveia, por tangencial 1-0, em partida disputada na passada sexta-feira, o que proporcionou aos conimbricenses ascender a um notável 5.º posto na pauta classificativa, a par, conforme aludido, do Benfica e Castelo Branco… e, afinal, a um único ponto do Alverca “B”.

Surpresa – Precisamente, a surpresa aconteceu, outra vez, em Alverca, onde o Mortágua garantiu três preciosos pontos, vencendo por 2-1, com dois tentos na meia hora inicial, tendo, aliás, mantido a vantagem de dois golos até ao quinto minuto do tempo de compensação. Como referido, a jovem equipa ribatejana, entretanto já sem objectivos concretos, parece ter-se desconectado.

Confirmações – O comandante, U. Santarém, foi ganhar a Tomar, por 2-0, tendo apontado o primeiro golo logo na fase inaugural da partida, confirmando o triunfo no minuto 45. Na segunda parte, os escalabitanos optaram, sobretudo, por ir gerindo o tempo, perante uma formação do U. Tomar, digna e abnegada, mas que não conseguiu criar efectivo perigo para o adversário, com outro arcaboiço, tendo somado a sua nona vitória (quarta sucessiva) nos últimos dez jogos.

Os outros dois encontros – entre Sertanense e V. Sernache (no Sábado) e Rabo de Peixe e Peniche – saldaram-se por outros tantos nulos, desfechos que não terão agradado por completo a nenhum dos intervenientes: os visitados, porque poderão talvez sentir que deixaram escapar oportunidade para dar importante salto na pontuação; no caso dos forasteiros, porque o ponto somado se afigurará porventura curto face às necessidades, pese embora, para já, os penichenses subsistam acima da “linha de água” – porém só um ponto acima do Fontinhas, que conta dois jogos a menos!

I Divisão Distrital – Numa ronda de (cinco) empates, o Fazendense esteve em especial evidência, derrotando o anterior guia, Abrantes e Benfica, por 2-0, e, poderá dizer-se, com alguma “estrelinha de Campeão”, uma vez que viu os abrantinos desperdiçarem duas grandes penalidades!

Foi o sexto triunfo consecutivo da turma das Fazendas, que mantém o pleno (18 pontos) na segunda volta, tendo, neste período, recuperado sete pontos ao Fátima (também ao Torres Novas e ao Mação, 7.º e 8.º classificados) e oito ao Abrantes e Benfica e ao Ferreira do Zêzere – com o qual partilha agora a liderança, depois de ter terminado a primeira volta num “distante” 4.º lugar.

Os ferreirenses cumpriram a sua missão, batendo o Samora Correia (terceiro desaire sucessivo), igualmente por 2-0, pese embora o tento da tranquilidade só tenha surgido no derradeiro minuto.

E, entre os 14 primeiros da classificação, é tudo, em termos de vitórias nesta 21.ª jornada, isto é, só os agora co-líderes (Fazendense e Ferreira do Zêzere) ganharam!

O outro caso em que houve uma equipa vitoriosa sucedeu no embate entre os dois últimos classificados, no Vasco da Gama-Forense, com os forasteiros a impor-se por 2-1, interrompendo uma série de oito derrotas consecutivas, ao mesmo tempo que ampliaram para 16 (!) o terrível ciclo negativo dos visitados, mesmo tendo sido estes os primeiros a marcar neste encontro.

De resto, subsistiu o nulo no Mação-Alcanenense; tendo-se registado três igualdades a uma bola: no Amiense-Coruchense (golos apontados num intervalo de três minutos, entre os 74 e os 77), no Moçarriense-Torres Novas (tendo os torrejanos conseguido salvar um ponto, no “último suspiro” do desafio), e no Salvaterrense-Cartaxo. De maior significado terá sido o 2-2 registado no “derby” entre At. Ouriense e o Fátima, com os donos da casa por duas vezes na frente no marcador, e os fatimenses também a resgatar um ponto em período de compensação, o que não evitou o atraso na tabela, partilhando agora o 3.º posto com o Abrantes e Benfica, a dois pontos dos comandantes.

II Divisão Distrital – Da penúltima jornada da fase regular destacam-se as vitórias obtidas (ambas por 2-0), em terreno alheio, pelo Pego (em Vilar dos Prazeres) e pelo Caxarias (na Ortiga), agora os dois únicos emblemas ainda com hipótese de apuramento para a fase final, mas tendo os pegachos “a faca e o queijo na mão”, recebendo, na derradeira ronda, o “lanterna vermelha”, a equipa “B” do Abrantes e Benfica, que conta por derrotas todos os 13 jogos disputados.

Águias de Alpiarça (5-0 em Minde) e Entroncamento AC (4-1 na Atalaia) estão em boa “rodagem” para a fase final. Ao contrário, os também já apurados Marinhais e Glória do Ribatejo foram surpreendidos, perdendo, respectivamente, com o Pontével (1-2) e com o Porto Alto (2-0).

Antevisão – No Campeonato de Portugal destacam-se os seguintes desafios, envolvendo o trio da frente: U. Santarém-Fontinhas, Peniche-Lusitânia e Marinhense-Rabo de Peixe. Por seu lado, Gouveia e V. Sernache disputam uma partida em que será “obrigatório” ganhar, sob pena de a manutenção passar a ser uma miragem. O U. Tomar, em estreia absoluta em Mortágua, poderá procurar beneficiar da maior pressão que, nesta altura, impenderá sobre os anfitriões.

Os Distritais estarão em pausa, para disputa dos 1/4 de final da Taça do Ribatejo, com a particularidade de subsistirem em prova três emblemas do escalão secundário: Marinhais, Porto Alto e Vilarense recebem, respectivamente, Alcanenense, Abrantes e Benfica e Fazendense. No único embate entre primodivisionários, o At. Ouriense terá a visita do Ferreira do Zêzere.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 29 de Fevereiro de 2024)

3 Março, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 20ª Jornada

(“O Templário”, 22.02.2024)

Tendo imposto nova derrota ao Alverca “B”, e beneficiando ainda do empate do Lusitânia e do desaire do Benfica e Castelo e Branco, o U. Santarém não só se isolou no comando, como terá colocado a distância de segurança dois competidores na disputa pelo apuramento para a fase final (agora com o Alverca já a oito pontos e os albicastrenses a nove) – pelo que, nesta altura, só Lusitânia e Marinhense parecem poder constituir ainda ameaça a tal objectivo dos escalabitanos.

Na tenaz luta pela manutenção, houve dois principais vencedores (Rabo de Peixe e Mortágua), enquanto, ao invés, o Sertanense – que, praticamente, se mantivera durante todo o campeonato na metade superior da tabela, se “afundou”, caindo pela primeira vez abaixo da “linha de água”, fruto de uma segunda volta bastante negativa, apenas com quatro pontos somados em sete jornadas, tendo, aliás, em curso um ciclo de três derrotas sucessivas.

Por seu lado, V. Sernache e Gouveia – não obstante tenham amealhado mais um ponto cada – começam a ficar em situação periclitante, respectivamente a quatro e a três pontos do 9.º lugar.

Destaques – A partida de maior cartaz da 20.ª jornada colocava frente-a-frente o 1.º e o 4.º classificados, com o U. Santarém, a receber o Alverca “B”, que até entrou melhor no jogo, colocando-se em vantagem ainda antes de completados dez minutos. Denotando personalidade, os santarenos rapidamente repuseram a igualdade, à passagem do quarto de hora. Com um bis de Gilberto Seidi, operando a reviravolta no marcador, a fechar a primeira parte, e ampliando para 3-1, no minuto inicial do segundo tempo, estava consumado o triunfo dos visitados.

Numa excelente série de oito vitórias nas últimas nove rondas (tendo cedido um único empate, ante o Marinhense), o U. Santarém parece embalado para a fase final. Ao contrário, a jovem equipa “B” do Alverca evidencia clara perda de fulgor, tendo acumulado três desaires sucessivos no espaço de uma semana (em casa, com o Marinhense, ante o Lusitânia, e em Santarém)!

Como antes aludido, a disputa pelo acesso à fase final poderá ter ficado resumida a U. Santarém (líder, com 40 pontos), Lusitânia (2.º, com 38) e Marinhense (3.º, com 37, mas um jogo em atraso).

Para tal contribuiu também a inesperada derrota caseira do Benfica e Castelo Branco, ante o Rabo de Peixe, por 1-2, tendo os açorianos chegado mesmo a dispor de vantagem de dois tentos.

A última nota de realce vai para o triunfo, que poderá revelar-se crucial, do Mortágua, na recepção ao Sertanense, também por 2-1. Os donos da casa abriram o activo aos onze minutos, tendo ainda consentido a igualdade, à passagem da hora de jogo, para retomarem a vantagem dez minutos volvidos. O Mortágua partilha o 8.º posto com o Peniche (últimos em zona de permanência), mas com muito escassa margem, só de um ponto, face ao Fontinhas, e com o Sertanense a dois pontos.

Confirmações – O Marinhense – nesta altura, a par do líder, U. Santarém, a turma com menos pontos perdidos (cederam, cada uma delas, quatro empates e outras tantas derrotas) – recebeu e bateu, com naturalidade, uma bastante fragilizada formação do U. Tomar, tendo chegado mesmo à goleada, por 5-1, com os nabantinos a repetirem a marca do desaire sofrido em Alverca.

Dois tentos, apontados entre os 25 e os 29 minutos, praticamente selaram o desfecho da partida; tendo a turma da Marinha Grande ampliado para 4-0, aos 58 e 70 minutos. Os unionistas, não virando a cara à luta, marcaram o ponto de honra a cinco minutos do final, tendo vindo, já em tempo de compensação, a sofrer ainda mais um golo. Fustigado por inúmeras lesões e outras baixas, o grupo tomarense pouca resistência pode oferecer perante adversários com superiores argumentos, como foi o caso desta ronda, e como será o da próxima, em que receberá o guia.

Os restantes três desafios saldaram-se por outras tantas igualdades: 1-1 no V. Sernache-União 1919 e no Peniche-Fontinhas; e 2-2 no Gouveia-Lusitânia.

Em dois confrontos em que estava em jogo a permanência, o empate terá favorecido mais as aspirações dos forasteiros: o União 1919, que subiu à 5.ª posição, com 28 pontos, necessitará, possivelmente, de apenas mais uma vitória; por seu lado, o Fontinhas conta ainda com o facto de manter dois jogos em atraso, em que receberá o Sertanense, tendo de deslocar-se à Marinha.

Aliás, o V. Sernache apenas evitou a derrota ante os conimbricenses, na conversão de uma grande penalidade, já cinco minutos para lá dos noventa. Já o Peniche – cuja posição actual não é, de todo, de molde a poder “relaxar” – tendo entrado a ganhar, marcando logo aos quatro minutos, prontamente veria os açorianos restabelecerem a igualdade, menos de um quarto de hora depois.

O Gouveia, marcando também cedo, igualmente aos quatro minutos, e tendo ampliado para 2-0 antes da meia hora, consentiria, nos derradeiros dez minutos do encontro, a recuperação do Lusitânia, iniciada ao minuto 82 e consumada já em período de compensação. Um desfecho que não terá agradado a nenhuma das partes, apesar de bastante mais penalizador para os serranos.

I Divisão Distrital – Só não ficou tudo igual, principalmente, porque passou a faltar menos uma jornada (agora, dez, para o termo desta “maratona”): dos oito primeiros classificados, só o Samora Correia (derrotado, no seu reduto, pelo Fazendense) não venceu; dos oito clubes da segunda metade da tabela, só o Alcanenense (recebendo e goleando, por 4-2, o “lanterna vermelha”, Vasco da Gama, isto depois de ter chegado a 4-0, logo a abrir a segunda parte) não perdeu.

Claro está que o desaire dos samorenses os afasta definitivamente de eventuais pretensões ao título, agora uma empolgante disputa a quatro, com o Abrantes e Benfica (vitória por 2-1 ante o Amiense) a manter um ponto de vantagem sobre o trio perseguidor, formado por: Fazendense (que prolonga o pleno, já de cinco triunfos, na segunda volta); Fátima (com uma difícil e tangencial vitória, na recepção ao Salvaterrense, só nos dez minutos finais tendo conseguido quebrar a resistência contrária); e Ferreira do Zêzere (goleando, com facilidade, por 4-0, no terreno do Forense, que disputou o jogo, praticamente na sua íntegra, em inferioridade numérica).

Nas outras três partidas, os favoritos impuseram-se com relativa facilidade, pese embora o At. Ouriense por duas vezes tenha estado em vantagem em Torres Novas, mas com os torrejanos, mais fortes, a acabar por golear por 5-2. O Coruchense, recebendo o Moçarriense, chegou a 3-0 no início do segundo tempo, permitindo o ponto de honra do adversário no minuto 90. O Mação, com dois golos, apontados no dealbar do encontro, aos seis e dez minutos, venceu no Cartaxo.

II Divisão Distrital – Marinhais (empatando a zero, fora de casa, com o Paço dos Negros) e Glória do Ribatejo (goleando, por 5-0, o Rebocho) confirmaram também, ainda com duas rondas por disputar, a qualificação para a fase final, em que defrontarão Entroncamento AC, Águias de Alpiarça e Tramagal – restando por apurar o 2.º classificado da Série C.

Para além das pesadas goleadas sofridas pelas equipas “B” de Ferreira do Zêzere (8-1, na Ortiga) e Abrantes e Benfica (6-0, em Caxarias), a grande novidade foi o empate cedido (0-0) pelo Tramagal, na deslocação ao reduto do vice-líder, Vilarense, assim vendo quebrada uma notável série triunfal, que registara ao longo de todas as onze jornadas até então realizadas.

Antevisão – As atenções estarão focadas, em especial, nos seguintes encontros: o clássico U. Tomar-U. Santarém; Lusitânia-Benfica e Castelo Branco; e Fontinhas-Marinhense (Campeonato de Portugal); o aliciante embate Fazendense-Abrantes e Benfica; o “derby” At. Ouriense-Fátima; e Ferreira do Zêzere-Samora Correia (I Divisão Distrital); e Vilarense-Pego, que partilham o 2.º lugar da Série C; e Ortiga-Caxarias, que repartem o 4.º posto da mesma Série da II Divisão.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 22 de Fevereiro de 2024)

25 Fevereiro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 19ª Jornada

(“O Templário”, 15.02.2024)

Dignificar o nome e a história do U. Tomar é o que resta, para as sete rondas finais do campeonato, agora que a possibilidade de manutenção mais não é do que uma miragem, já a oito pontos (que, efectivamente, são nove, com o acerto de calendário no Sertanense-Fontinhas) da “linha de água”. De forma realista – sendo que seria necessário ganhar seis desses sete jogos (e tendo de defrontar o trio da frente: Marinhense, U. Santarém e Alverca “B”) – não é possível prolongar tal ilusão.

O União não conseguirá, pois, escapar ao “fado” que – desde o lançamento desta competição, na época de 2015-16 –, tem sido o “destino-padrão” dos clubes do Distrito, o do retorno ao Distrital: Coruchense (2015-16, 2017-18 e 2022-23); Alcanenense (2017-18); Mação (2018-19); U. Almeirim e Fátima (2020-21); e Rio Maior SC (2022-23). Só o Fátima e o U. Santarém (cinco temporadas nos Nacionais) conseguiram resistir durante mais de duas edições seguidas da prova.

Sucede isto porque, uma vez mais, tudo correu mal, na 19.ª ronda: não só o U. Tomar somou mais uma derrota, como viu alguns dos seus oponentes na luta pela manutenção saírem vencedores: para além do próprio rival directo, Peniche, também o duo açoriano, Rabo de Peixe e Fontinhas.

Destaques – No jogo grande da jornada, entre o até então líder e um dos 3.º classificados, o Alverca “B” poderá ter comprometido as suas aspirações, ao ser derrotado, em casa, pelo Marinhense, mercê de um solitário tento, apontado pelos homens da Marinha cerca da hora de jogo. E, porque um mal nunca vem só, foi também anulado o resultado (vitória) que obtivera em Coimbra na 14.ª jornada, por ter tido quatro momentos de substituições, infringindo as regras, pelo que esse desafio, ante o União 1919, terá de ser repetido. Os ribatejanos caíram, assim, do 1.º para o 4.º lugar, a cinco pontos do U. Santarém, mesmo que tenham dois jogos em atraso…

Em evidência estiveram, justamente, os escalabitanos, a golear, na deslocação a Mortágua, por categórica marca de 4-0 (com três golos na meia hora inicial), arrebatando a posição de comando.

Ao invés, quem se vê também subitamente envolvido em “maus lençóis” é o Sertanense, derrotado (0-1) em casa pelo União 1919, tendo caído para o último lugar acima da “linha de água”, em igualdade pontual com o Fontinhas, que, aliás, tem ainda outro jogo em atraso (para além daquele perante o grupo da Sertã, da 13.ª ronda, que estava agendado para esta quarta-feira).

De facto, a formação da Praia da Vitória, recebendo o Benfica e Castelo Branco, fez muito boa operação: o (algo imprevisto) triunfo por 2-1 (depois de ter chegado a dispor, aliás, até ao minuto 95, de vantagem de dois golos) permitiu-lhe subir do penúltimo (13.º) para o 10.º posto.

O U. Tomar, recebendo o Peniche, tinha a que seria a sua última oportunidade, que não conseguiu aproveitar. À semelhança do que sucedera no embate com o Gouveia, os unionistas entraram mal na partida, concedendo a iniciativa aos forasteiros, que, com alguma naturalidade, chegaram ao golo ainda antes da meia hora, tendo vindo a ampliar a contagem logo no início da segunda parte.

Pensava-se que o resultado estava feito, mas o União, mostrando a tal dignidade, conseguiria ainda restabelecer o empate, com dois golos do regressado Diogo Ismail, aos 57 e 74 minutos. Porém, a esperança rapidamente seria apagada, com outros dois bruscos “baldes de água fria”, aos 80 e 82 minutos, com a sensação de o jovem Pedro Costa – que ainda não se tinha estreado a marcar neste campeonato – ter feito um “poker”, autor de todos os quatro golos dos visitantes!

Confirmações – Se as vitórias do Fontinhas e do Peniche poderiam ser, de alguma forma, não expectáveis, ou, pelo menos, não “seguras”, os triunfos de Lusitânia e Rabo de Peixe confirmaram o favoritismo que poderia ser concedido às equipas a jogar em casa, ambas das “Ilhas de Bruma”.

Mas foram desfechos obtidos com grande dificuldade: o Lusitânia, porventura ainda a “lamber as feridas” de um inesperado desaire em Coimbra, não foi além de um magro golo, na recepção ao V. Sernache, obtido aos cinco minutos da segunda parte; já a (crucial) vitória (2-1) do Rabo de Peixe foi “arrancada a ferros”: o Gouveia esteve em vantagem entre os 60 e os 90 minutos, tendo os açorianos operado, sensacionalmente, a reviravolta, marcando apenas aos 91 e 94 minutos.

Um resultado que proporcionou ao Rabo de Peixe um importante salto na pauta classificativa, do 10.º para o 7.º lugar. Com o União 1919 (6.º, já com 27 pontos) praticamente a salvo, temos agora sete clubes numa acesa disputa por apenas três vagas de manutenção: Rabo de Peixe e Peniche (23), Sertanense e Fontinhas (22), Mortágua (21), Gouveia (20) e V. Sernache (19 pontos).

I Divisão Distrital – O Abrantes e Benfica, superiorizando-se por claro 3-1 (após o 2-0 se ter mantido até ao minuto noventa) ao Samora Correia, foi o grande triunfador da 19.ª jornada, tendo ascendido à liderança da prova, agora com um ponto a mais que um terceto perseguidor, formado por Fazendense, Fátima e Ferreira do Zêzere, decididamente os quatro candidatos ao título.

Beneficiou, para tal, do surpreendente desaire caseiro dos ferreirenses, anteriores guias, derrotados por 1-2 pelo Alcanenense (que, aliás, chegara ao 2-0, de rajada, aos nove e onze minutos). O grupo de Alcanena, capaz do melhor e do pior, fora goleado, em casa, três semanas antes, pelo Samora Correia, por incríveis 7-0, para, na ronda imediata, ter ido empatar (1-1)… a Abrantes. Vinha, entretanto, de nova derrota caseira, ante o Fazendense, esta por tangencial 1-2.

Precisamente, o Fazendense, que segue com o pleno de quatro vitórias na segunda volta (período em que recuperou oito pontos de atraso face ao Ferreira do Zêzere!), não vacilou, recebendo e goleando o Forense por 6-0. Bem sucedido foi também o Fátima, na difícil saída a Mação, ganhando “in extremis”, por 2-1, com o tento da vitória alcançado no derradeiro minuto.

O Cartaxo voltou aos triunfos, goleando no terreno do “lanterna vermelha”, Vasco da Gama, por 4-1. Por seu lado, o Salvaterrense averbou também importante vitória, por 2-1, ante o Torres Novas, um conjunto que não perdia há quatro jornadas.

No “derby” Amiense-Moçarriense (2-2), tal como no At. Ouriense-Coruchense (1-1), registou-se a repartição de pontos, subsistindo inalteradas as posições relativas na luta pela manutenção, agora talvez restrita (em função das vitórias de Cartaxo, Salvaterrense e Alcanenense, todos já, com pelo menos, dez pontos face à “linha de água”) a três clubes: o Moçarriense (12.º) mantém uma margem de segurança de sete pontos face ao At. Ouriense (14.º classificado – que será compelido à descida, confirmando-se a despromoção do U. Tomar), com o Amiense em situação intermédia, a três pontos da turma da Moçarria, e com quatro a mais que o conjunto de Ourém.

II Divisão Distrital – Jogou-se apenas na Série B (15.ª jornada), com Águias de Alpiarça (vitória por 3-1 na Atalaia) e Entroncamento AC (1-0, em casa, frente ao Rio Maior) a confirmar também – ainda com três rondas por jogar – o apuramento para a fase final, a par do Tramagal (Série C).

Marinhais e Glória do Ribatejo deverão juntar-se-lhes, como dois primeiros da Série A, caso em que ficará por decidir a sexta e última vaga (a atribuir ao 2.º posicionado da Série C), ainda em disputa entre cinco equipas: Vilarense, Pego, Caxarias, Ortiga e Alferrarede.

Antevisão – Neste fim-de-semana destacam-se os encontros: U. Santarém-Alverca “B”, de cariz decisivo, e Gouveia-Lusitânia; sendo o Marinhense (vice-líder) natural favorito na recepção ao U. Tomar. A permanência estará ainda em jogo no Peniche-Fontinhas e Mortágua-Sertanense. No Distrital as atenções estarão focadas no Samora Correia-Fazendense, sendo os outros candidatos favoritos (Ferreira do Zêzere nos Foros, Abrantes recebendo o Amiense, e Fátima a ter a visita do Salvaterrense); no escalão secundário, no Paço dos Negros-Marinhais e Vilarense-Tramagal.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 15 de Fevereiro de 2024)

18 Fevereiro, 2024 at 11:00 am Deixe um comentário

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