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«A culpa não é só de Merkel»
A possibilidade de a Zona Euro não se estilhaçar nas próximas cinco semanas dependerá daquilo que a chanceler Angela Merkel, decidir, face à pressão europeia e internacional a favor de uma resposta integrada à conjugação dos três problemas vitais que ameaçam letalmente o futuro da Europa: Grécia, bancos e juros da dívida pública. […]
[…] a escolha é entre uma Europa fragmentada, empobrecida, casulo de muitos e incertos conflitos, ou uma estratégia que combina as obrigações europeias, um Fundo europeu de garantia bancária, a manutenção integral da Zona Euro (incluindo Atenas), o alargamento temporal das metas de equilíbrio das finanças públicas, e um caminho que aponte para uma constituição federal europeia, no prazo de 3 a 5 anos, votada por todos os cidadãos europeus.
(Viriato Soromenho-Marques, Diário de Notícias – ler artigo completo).
Una cuestión de confianza
En fin, aprendí que una de las pocas cosas buenas que tienen las crisis es que demuestran de qué madera está hecha la gente.
Hoy, me entristece ver en España a tantas personas quejándose y lamentándose todo el día: en los medios, en la red y en la calle. Ya está bien. Dejemos de llorar.
No podremos salir de la crisis mientras sigamos siendo una sociedad quejumbrosa, ni mientras sigamos pensando que siempre la culpa de todo es de los demás.
Hay que ponerse a trabajar para cambiar nuestra suerte y abandonar de una vez el coro de los lamentos.
Los políticos, como dice un colega, hacen mal algo que nadie hace mejor que ellos. Hay que dejar que lo hagan, hay que controlarlos desde la oposición y desde los medios, y hay que cambiarlos en las elecciones, pero no podemos cifrar en ellos nuestro futuro, ni como sociedad, ni como personas.
He aprendido que la confianza (no el resentimiento, la envidia, la sospecha, ni la venganza) es lo que nos hace avanzar, lo que nos impulsa a crear, a cambiar y a innovar. La confianza es el aceite de nuestras relaciones (personales, sociales y profesionales), y es también el lubricante de los mercados.
Tenemos que recuperar la confianza y no dejarla escapar. Y tenemos que hacerlo antes de tocar fondo, ya que entonces será demasiado tarde y estará minada.
O ‘joker’ europeu
[…] Esse ponto é que dois anos e meio de impasses constituem a prova cabal que a crise do euro e da União Europeia decorre, mais do que do descontrolo financeiro grego, da impotência da própria governação europeia. […]
Realizaram-se 24 cimeiras desde o começo da crise, o que dá um bom filme da contumaz impotência europeia: todas elas foram, ou de conversa inconclusiva, ou de anúncio de decisões que, na maior parte dos casos, nunca passaram à prática. Como se todos soubessem o que há a fazer, mas ninguém soubesse como.
Lux in Arcana
100 documentos originais dos Arquivos Secretos do Vaticano – a visitar, em Roma, nos “Museus Capitolinos”, até 9 de Setembro.
Gilles Villeneuve

Passam hoje 30 anos (!) do desaparecimento de Gilles Villeneuve. Numa cerimónia evocativa, o filho, Jacques Villeneuve, Campeão do Mundo de Fórmula 1 em 1997, conduziu hoje o Ferrari 312 T4, com que o pai se sagrara vice-campeão do Mundo no ano de 1979.
(foto AP Photo/Ercole Colombo – via)
Eleições na Grécia e em França
No mesmo dia (ontem) em que o Presidente cessante, Nicolas Sarkozy (48,6 %), foi derrotado por François Hollande (51,4 %) nas Eleições Presidenciais em França, da Grécia chegavam-nos notícias muito preocupantes, com os resultados eleitorais a ditarem um impasse, tendo o líder do partido vencedor (Antonis Samaras) reconhecido já a sua impotência para formar Governo, passando agora esse encargo para a segunda força mais votada, da extrema-esquerda (Syriza).

Os partidos que, tradicionalmente, vinham alternando na liderança do Governo (Nova Democracia e PASOK) – que integravam o Governo de coligação, o qual constituía o principal suporte ao plano de resgate com a Troika internacional do FMI / Comissão Europeia / BCE – perderam, respectivamente 14,6 % e 30,7 % (!), passando de um domínio hegemónico (no seu conjunto), de 77 %, para apenas 32 % dos votos – ficando aquém do número mínimo de deputados par obter a maioria no Parlamento (somam apenas 149, sendo a maioria alcançada com 151 – não obstante o partido vencedor ser premiado, pelo sistema eleitoral grego, com um bónus de 50 mandatos).
Tingindo ainda de tons mais sombrios esta votação, a força de extrema-direita, de inspiração “neo-nazi”, “Golden Dawn” praticamente atinge os 7 % dos votos, a que correspondem 21 deputados no Parlamento.
Para além do Syriza, quer os “Independentes” (de direita), quer o “Dimar” (“Esquerda Democrática”), assim como o KKE (Partido Comunista), são abertamente contrários ao acordo com a Troika e às medidas de austeridade a que a Grécia se encontra submetida.
Não se vislumbrando a possibilidade de formação de um Governo na sequência destes resultados, a única via de a Grécia escapar a uma catastrófica situação de ingovernabilidade deverá ser a de… realizar novas eleições a muito curto prazo!
Razão e Liberdade – O pensamento político de James Madison
Numa época em que a Europa denota carecer imperiosamente de referências, revelando-se imprescindível superar preconceitos e buscar fonte de inspiração nos “founding fathers” dos EUA, o livro de José Gomes André, “Razão e Liberdade – O pensamento político de James Madison”, proporciona, para além da preservação, a divulgação de forma mais alargada – numa excelente obra em português -, do legado de Madison [1751-1836].
Um legado sintetizado por Viriato Soromenho-Marques, na apresentação do livro, no seguinte “Decálogo”, como que uma lista de 10 regras ou princípios fundamentais de serviço público:
1º Primado da Política – os problemas financeiros e económicos são, sempre, um problema de mau desenho das políticas respectivas;
2º Importância do realismo – a política faz-se com pessoas reais, concretas, e não com pessoais ideais; as boas leis implicam um conhecimento profundo da condição humana;
3º Ousadia intelectual e moral – muitas das soluções da engenharia política propostas por Madison, nomeadamente na defesa do federalismo, são completamente novas, inovadoras;
4º Racionalidade na política – a força dos argumentos racionais é estratégica, permitindo combinar o respeito pelos adversários com uma impiedosa capacidade argumentativa;
5º O federalismo é a forma superior de republicanismo – a forma superior de democracia representativa, garantindo a dupla cidadania e a dupla defesa dos direitos fundamentais;
6º O perigo da usurpação não vem da letra da lei, mas sim da força das coisas – a Constituição federal americana adquiriu um nível de visibilidade constitucional notável, servindo ainda hoje de paradigma;
7º A essência da política é o interesse comum (“salvação pública”) – defesa da propriedade, da segurança física, direito ao trabalho e ao futuro, sendo a política um mero instrumento;
8º A essência do federalismo consiste na prevenção de conflitos inúteis – acordos com quem vive ao nosso lado (por vezes, inimigos de ontem) e não, necessariamente, com quem gostamos, convertendo-os em “amigos funcionais”;
9º O federalismo proporciona que até os pequenos (Estados da União) podem atingir alguma grandeza – dando oportunidades a quem provém de áreas mais periféricas;
10º Combinação entre a paixão pela política e a paixão pelo conhecimento – o amor pela cultura, pelos livros (o regresso ao silêncio e “recolhimento” da leitura), associado a um conhecimento da herança mundial.
A que adiciono breves excertos de citações, expressando o pensamento e conceito federalista advogado por Madison, apresentadas por José Gomes André, neste indispensável livro:
«Os poderes delegados ao governo federal pela Constituição proposta são poucos e definidos. Os que irão permanecer nos governos estaduais são numerosos e indefinidos. Os primeiros serão exercidos principalmente sobre matérias externas, como a guerra, a paz, a negociação [de Tratados] e o comércio externo; […] Os poderes reservados aos vários Estados estender-se-ão a todas as questões que, no curso normal das coisas, dizem respeito à vida, liberdade e propriedade das pessoas, e à ordem interna, desenvolvimento e prosperidade do Estado.»
«Os elementos de um processo federal incluem um sentido de parceria [partnership] entre os membros de um pacto federal, manifesto através de uma cooperação negociada nos vários assuntos, […] e baseado num compromisso para uma negociação aberta [open bargaining] entre todas as partes em relação a qualquer tema, lutando de modo a se obter um consenso ou, caso isso não suceda, uma solução ajustada [accommodation] que proteja a integridade fundamental de todos os parceiros.»
«Se os homens fossem anjos nenhuma espécie de governo seria necessária. Se fossem os anjos a governarem os homens, não seriam necessários controlos externos nem internos sobre o governo. Ao construir um governo em que a administração será feita por homens sobre outros homens, a maior dificuldade reside nisto: primeiro é preciso habilitar o governo a controlar os governados; e, seguidamente, obrigar o governo a controlar-se a si próprio. A dependência do povo é, sem dúvida, o controlo primário sobre o governo; mas a experiência ensinou à humanidade a necessidade de precauções auxiliares.»
«Devemos referir-nos à seguinte reflexão admonitória: que nenhum governo criado e administrado por seres humanos poderá ser perfeito; que o governo menos imperfeito será por conseguinte o melhor governo; que os abusos verificados em todos os outros tipos de governo levou à preferência do governo republicano como sendo o melhor de todos eles, uma vez que é o menos imperfeito […].»
José Gomes André, “Razão e Liberdade – O pensamento político de James Madison”, pp. 93-94, 99, 109 e 122
Câmara de Nova Iorque disponibiliza fotos históricas online

A Câmara de Nova Iorque disponibiliza, para consulta online, cerca de 870 000 fotos históricas de arquivo, atravessando cerca de 160 anos de história da cidade (via)




