Posts filed under ‘Sociedade’

No Janela para o rio

No Janela para o rio, desafia-nos o Nuno P. a comentar a sua “entrada” com o título “Reflexões”, em que questiona nomeadamente:

a) Porque não pode um comunista ser católico praticante? A igualdade entre todos é incompatível com a fé em Deus?

b) Como é que as estatísticas demonstram que mais de 75% da população é católica, mas pelo menos metade da população vota à esquerda? Quer isto dizer que a abstenção é quase toda crente?

c) E as outras religiões, alguém que é budista, judeu, muçulmano, protestante ou outra religião qualquer, também é tendencialmente de direita?”

Na minha opinião, em muitos casos, e um pouco à semelhança da “escolha” do clube a que pertencemos – e tal como diz o Nuno – a escolha religiosa é de facto, numa primeira análise, determinada pela opção familiar. Não concordarei porventura na totalidade com a sua asserção de que a escolha política seja uma decisão do foro racional.

Não obstante haver “n” exemplos que irão contrariar a minha ideia (por exemplo, os irmãos Portas – Miguel, Paulo e Catarina – que, salvo erro, eram, ou são, afectos a três partidos diferentes; embora, também neste caso, a maior convivência com o pai – “de esquerda” – ou com a mãe – “de direita” – não tenha, inevitavelmente, deixado de fazer sentir as “suas marcas”), penso igualmente que a escolha “primária” (muitas vezes na adolescência) de um partido / área política não será tão consciente quanto isso, dependendo também, em larga medida, da inserção social e, mais uma vez, da influência familiar.

Talvez seja mais “fácil”, isso sim (e temos também muitos exemplos disso, desde logo o primeiro-ministro Durão Barroso…) uma evolução nas orientações políticas, ao longo da vida, a qual não será possivelmente tão marcada (e portanto muitas vezes não acompanhada) a nível religioso.

Isto, claro, sem prejuízo, de logo à partida, qualquer “família” poder ser “de esquerda” e manter convicções católicas (por exemplo, António Guterres), uma vez que – concluindo – não me parece que seja necessária ou implícita tal correlação de “ideais”.

P.S. Podem ver este “manual” de como “fazer um bom weblog“.

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8 Setembro, 2003 at 7:33 pm 4 comentários

AS RELIGIÕES NO MUNDO (II)

4. .Crentes.:
– Judaísmo . 14 milhões (concentram-se sobretudo em Israel e nos EUA, mas também na Europa e na Rússia).
– Hinduísmo . 733 milhões (concentram-se no subcontinente indiano).
– Budismo . 320 milhões (concentram-se na Ásia oriental, mas em franco crescimento na Europa e nos EUA).
– Cristianismo . 1 800 milhões (55 % católicos; 35 % protestantes; 10 % ortodoxos), espalhados por todos os continentes.
– Islamismo . 980 milhões (83 % sunitas e 17 % xiitas), repartem-se pela África, Ásia e, crescentemente, pela Europa.

5. .Princípios.:

– Judaísmo . Deus é único, eterno e abstracto; o Seu povo é o povo judeu e, no final dos tempos, o Messias libertá-lo-á da opressão; existe vida para além da morte, com uma recompensa para os justos e um castigo para os pecadores.

– Hinduísmo . Existem muitos deuses, como Brahma, Vishnu e Shiva, mas uma só realidade subjacente; as pessoas que levem vida justa reencarnarão numa forma de vida superior; os maus reencarnarão numa forma de vida inferior.

– Budismo . A vida é uma sequência de nascimento, morte e reencarnação [“Renascimento“, segundo o comentário de um leitor atento]; a plenitude atinge-se com bons pensamentos e boas acções; o sábio deve libertar-se dos desejos e das paixões, que só produzem sofrimento.

– Cristianismo . Deus é único, eterno e abstracto; Jesus Cristo é o Seu filho, e fez-se homem para redimir a humanidade; existe uma vida para além da morte e, depois do juízo final, justos e pecadores, serão separados para a eternidade.

– Islamismo . Só há um Deus e Maomé é o seu único profeta; é necessário rezar na direcção de Meca, praticar a caridade, jejuar no mês do Ramadão e peregrinar uma vez na vida à cidade santa de Meca.

Fonte: “Notícias do Milénio”

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7 Setembro, 2003 at 9:17 am 2 comentários

AS RELIGIÕES NO MUNDO (I)

Na sequência dos excertos editados ao longo da semana, deixo por fim um muito rápido relance, com as seguintes notas sobre as principais religiões:

1..Fundador.:
– Judaísmo . Abraão, no ano 2000 a.C., e Moisés, no ano 1200 a.C.
– Hinduísmo . tem vários fundadores.
– Budismo . Siddharta Gautama, dito o Buda (563 a.C.).
– Cristianismo . Jesus Cristo, nascido em Belém no ano 4 antes da era cristã.
– Islamismo . Maomé, nascido em Meca; o seu chamamento deu-se no ano 622, momento do início do calendário islâmico.

2..Texto sagrado.:
– Judaísmo . a Tora (os cinco primeiros livros da Bíblia), escritos por volta de 900 a.C.
– Hinduísmo . o Rigveda, no ano 1400 a.C.
– Budismo . o cânone de Pali, de 100 a.C., e os sutras, escritos em 20 d.C.
– Cristianismo . a Bíblia dos Judeus (Antigo Testamento), os quatro Evangelhos, as Epístolas e outros livros (Novo Testamento, escrito entre 40 e 100 d.C.).
– Islamismo . o Corão, ditado por Deus a Maomé, através do anjo Gabriel, no ano 622.

3..Cidade sagrada.:
– Judaísmo . Jerusalém, cidade do templo de Salomão.
– Hinduísmo . Benarés (Índia), onde desagua o rio Ganges.
– Budismo . o grande pagode de Skwue Dagon, em Rangoon (Birmânia).
– Cristianismo . Jerusalém e, para os católicos, Roma (Vaticano).
– Islamismo . Meca, Medina e Jerusalém.

Fonte: “Notícias do Milénio”

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6 Setembro, 2003 at 8:34 pm

CARLOS FINO NO IRAQUE

Carlos Fino não precisará de .advogado., nem eu seria a pessoa indicada para desempenhar tal papel.

Vejo, na .blogosfera., algumas referências e comentários ao seu estilo, forma de abordagem e mesmo à sua suposta .falta de objectividade. (em particular, no Abrupto).

Acho que talvez valha a pena recordar o seguinte: Carlos Fino é um profissional de vasta experiência, com provas dadas, correspondente durante muitos anos na ex-URSS, depois nos EUA, também na Europa e, nos últimos tempos, sempre disponível para estas .missões de risco. (na sequência das suas reportagens durante a guerra do Iraque, foi até objecto de reconhecimento internacional, em especial no Brasil, que lhe prestou homenagem pelo seu trabalho).

E é aqui (nas .missões de risco.) que .bate o ponto.: é verdade que Carlos Fino, presente no .teatro das operações., tem a responsabilidade de ser os .nossos olhos. e de narrar o mais fielmente possível os acontecimentos. Mas é também importante sublinhar isto mesmo: é talvez fácil, e seguramente mais cómodo, para nós, confortavelmente instalados nas nossas casas, frente à televisão, criticar a abordagem, as .tendências., os .excessos. do repórter; mas, a quem .vive. os acontecimentos .por dentro., no preciso instante em que eles ocorrem (.no calor do momento.), não será talvez exigir demasiado que o repórter seja absolutamente isento, .frio., racional e .sem emoções.?

Quanto à falta de objectividade, esta será uma matéria que, porventura, será apreciada também em função da perspectiva em que se coloca o espectador; ser objectivo será talvez . no contexto em causa . algo próximo de uma abstracção; o que se pede (.exige.) é que o repórter seja .verdadeiro..

P.S. – Já agora, uma outra “visão” do Iraque, por Mario Vargas Llosa, através de um conjunto de artigos publicados no “El Pais” e “Le Monde”: “La liberté sauvage“; “Les croyants“; “Des pillards et des livres“; “Les haricots blancs“; “Othello à l’envers“; e “Chez les Kurdes“.

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25 Agosto, 2003 at 10:05 am

BIOMETRIA

A Galp Energia foi a primeira companhia de combustíveis do mundo a aplicar a tecnologia biométrica nas suas estações de serviço, permitindo o registo dos clientes e a atribuição de prémios (no caso concreto, sendo a identificação assegurada por via da impressão digital) . devendo o sistema ser gradualmente instalado nos 1200 postos de combustíveis da empresa, em Portugal e Espanha. A biometria deverá possibilitar, num futuro próximo (evolução dependente de legislação comunitária), efectuar pagamentos através do reconhecimento das características físicas dos indivíduos.

Depois do sistema da .Via Verde., Portugal volta a dar um exemplo de .liderança tecnológica. a nível mundial.

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23 Agosto, 2003 at 7:42 pm 15 comentários

“CONTEÚDOS DE CIDADANIA NA INTERNET”

A propósito do tema já aqui abordado do .arquivo da Internet., a Fundação Mário Soares vem desenvolvendo processo de digitalização integral do .Diário de Lisboa. (publicado entre 1921 e 1990), visando possibilitar a consulta pública em suporte electrónico, iniciativa inserida no projecto .Conteúdos de Cidadania na Internet. (que permitiu já colocar .online. colecções de fotografias de Amílcar Cabral e dissertações académicas sobre História Contemporânea); nesta primeira fase, deverão ficar acessíveis à consulta os números desde a fundação do jornal até à II Guerra Mundial.

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18 Agosto, 2003 at 5:52 pm

CALAMIDADE

Este é um assunto sério.

A calamidade parece não ter um fim à vista.

“O país está a arder”.

É aterrador.

Os bombeiros estão esgotados e não têm meios.

Será que ninguém pode fazer nada para evitar que isto continue?

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3 Agosto, 2003 at 8:18 pm 1 comentário

DANTE (?)

São sensações estranhas estas…

Nunca vividas antes, pelo menos com esta intensidade.

Lisboa teve ontem o dia mais quente de sempre (desde que há registos, desde há 130 anos), a atingir os 42º C.

Não é, de todo, uma coisa normal. Não é, de todo, normal, atingir os 47º C (na Amareleja).

Hoje, o dia teve o aspecto mais estranho que alguma vez me lembro, com o céu de várias cores (não se tratava de um arco-íris…), mas em tons ora cinzentos, ora alaranjados.

Não é uma brincadeira.

Agora, aqui onde escrevo, no interior, por trás das serras, vêem-se nuvens de fumo e o céu continua, a esta hora, com uma cor alaranjada.

Não estamos muito longe da visão de Dante.

É triste. É grave. É preocupante. É pena.

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2 Agosto, 2003 at 11:04 pm 1 comentário

“O DOSSIER DA VIDA”

A propósito de “Diário de Notícias”, em (mais uma) brilhante entrevista de Anabela Mota Ribeiro, hoje publicada no “DNa”, o Ministro do Trabalho e da Segurança Social, António Bagão Félix diz nomeadamente, entre outras ideias de grande beleza, que a vida do homem deve ter por objectivo responder ao “porquê?” e ao “para quê?”, mais do que ao “como?” e, mais adiante: “A felicidade não se faz querendo ter mais, faz-se querendo ter menos. Faz-se pela renúncia, não pelo excesso. Somos muito mais felizes quando temos de escolher.”

Não resisto a transcrever um extracto da entrevista, em que Bagão Félix fala do “dossier da sua vida”: 

“A quem é que tem vontade de mostrar isto? À sua neta, que tem meses? 

– Tenho muita vontade. Também para lhe ensinar geografia, política… Tenho aqui o ranking das cidades, distâncias percorridas. Já dei o equivalente, pelo ar, a 22 voltas à Terra pelo Equador, ou fiz 2,3 viagens à lua.” 

O mais extraordinário é que tenha tempo para esta contabilidade. 

– É aquilo que lhe disse: quanto mais se trabalha mais tempo livre se tem. Que a pessoa não está num estado entediante. 

Sabe estar sem fazer nada? 

– Não. É preciso um esforço brutal para não fazer nada. 

Deixe-me voltar ao momento em que de repente se sente invadido pela presença de Deus. Pode acontecer quando está entretido a fazer um destes gráficos? 

– Sim, absolutamente. Vou-lhe contar uma coisa. Tenho duas semaninhas de férias, vou para o Alentejo; uma das coisas que estou a antever como mais “gozoso”?: actualizar isto, que já não actualizo há um ano e meio. Tenho aqui os nomes dos 123 aeroportos onde estive; roteiro de regiões, províncias, estados, territórios, ilhas e ilhéus; onde é que andei de comboio, de embarcação, de carro, de autocarro, de helicóptero, de trenó, de camelo. 

A partir daí pode reconstituir-se a sua vida toda. 

– Toda. Tenho tudo escrito. 

Não tem segredos? 

– Não, não gosto de ter. Gosto de partilhar conhecimento. Gosto de redistribuir tudo.” 

Um retrato humano de um político, que “cultiva o espírito, a inteligência, a cultura, o saber”. Que interessante seria se decidisse ter um “blogue”…

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2 Agosto, 2003 at 5:31 pm

"HONESTIDADE A TODA A PROVA"

Em artigo publicado na revista “Selecções do Reader’s Digest” do presente mês de Julho, são apresentados os resultados de um “Inquérito Europeu de Honestidade”, abrangendo cerca de 8 000 pessoas, em 19 países da Europa. 

Vejamos então como foi “colocada à prova” a honestidade dos europeus: 

“1. Ao sair do supermercado, verifica que a caixa lhe deu 10 euros a mais de troco. Volta atrás e devolve o dinheiro? 

2. Bebeu demais numa festa e suspeita que estará muito acima do limite de alcoolemia para conduzir. Mesmo assim, tenta guiar até casa? 

3. Tem uma oportunidade de pagar menos impostos este ano se ocultar parte dos rendimentos que auferiu. Decide fazer isso mesmo? 

4. O parque do estacionamento do centro comercial está lotado, excepto os lugares para deficientes. Só precisa de fazer uma compra e isso não demorará mais que 10 minutos. Estaciona num lugar para deficiente? 

5. Está atrasado para o trabalho, não teve tempo para comprar o bilhete do comboio e o próximo só parte daqui a 20 minutos, Tem boas hipóteses de não ser apanhado. Vale a pena arriscar? 

6. Precisa de uns envelopes e canetas para uso da sua família. Leva alguns da empresa em que trabalha? 

7. Encontra na rua uma carteira com 50 euros, mas sem qualquer identificação ou morada. Entrega-a na esquadra da Polícia? 

8. O seu maior amigo/amiga é casado/a e um dia você vê na rua a mulher/o marido de mão dado com um estranho. Sente obrigação de contar ao seu amigo ou amiga? 

9. As toalhas de banho do hotel em que ficou são muito bonitas. É capaz de meter uma na mala quando se for embora? 

10. Há uma fila enorme na paragem do autocarro e está a chover a potes. O autocarro chega e você constata que não vai ter lugar, a menos que salte a fila. Fá-lo? 

11. São 9 da noite, regressa a casa no seu carro e a auto-estrada está praticamente vazia. Conduz a 20 km/h acima do limite legal para chegar mais depressa? 

12. Um amigo oferece-lhe uma cópia-pirata de um programa para computador muito caro. Aceita a oferta e instala o programa no seu computador?” 

Como se refere no artigo “E você, passa o teste da toalha?”, “Os resultados não são um barómetro científico da virtude europeia, mas apenas um exercício desconcertante de auto-avaliação”. E, mais adiante: “Em geral, nós todos, Europeus, saímo-nos razoavelmente bem”. 

E, sem quebrar a “confidencialidade” sobre os resultados do “estudo”, é de assinalar o “grau de honestidade” dos portugueses, particularmente nos seguintes “parâmetros”: (a) nº 1 (devolução do troco recebido em excesso), 3º lugar a nível europeu; (b) nº 5 (não fazer a viagem de comboio sem bilhete), 1º lugar (!); (c) nº 8 (“contar ao amigo …”), também 1º lugar; e (d) nº 10 (não “saltar a fila do autocarro”), 2º lugar. 

Onde “ficamos um pouco mal na fotografia” é nas matérias: (a) nº 9 (ocupamos a 2ª posição europeia a “levar toalhas dos hotéis”) e (b) nº 12 (somos mesmo os “campeões” das cópias-pirata de programas de computador…). 

É claro que não vou revelar os países cujos habitantes revelaram tendências comportamentais “menos honestas”! 

P. S. É com grande satisfação que agradeço ao Francisco José Viegas, pela inclusão de referência a esta página na sua prestigiada relação de links (queria dizer que, quando comecei a minha aventura neste “novo mundo”, foi essa a minha lista de referência, a partir da qual iniciei o caminho de descoberta de belíssimos textos que nos são oferecidos nas mais diversas páginas).

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31 Julho, 2003 at 6:26 pm

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