Posts filed under ‘Sociedade’

ELEIÇÕES ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA – 2002

O empate que resultara das eleições de 1999 (PS, 115 deputados; partidos da oposição, 115 deputados) – com os deputados da oposição a votarem em bloco –, colocara o Governo numa situação de grande instabilidade. Ao recorrer, para aprovação do Orçamento, ao voto de um deputado do CDS-PP, associado a defesa dos interesses da região produtora do “Queijo Limiano”, o Governo socialista – assumindo a sua posição de fraqueza e dependência – começava a ditar o seu próprio fim.

Em Dezembro de 2001, as eleições autárquicas – sempre com características particulares, associadas aos “microclimas regionais”, mas também, tradicionalmente, funcionando de alguma forma como “voto de protesto” (oportunidade para os eleitores mostrarem um “cartão amarelo” às políticas governamentais) – acabariam por se tornar num imprevisto “terramoto”…

O PS perdia para o PSD as principais cidades do país, algumas delas de forma absolutamente imprevisível, como o Porto ou Sintra, por exemplo. Mas “a gota de água” seria o resultado em Lisboa: João Soares, líder da coligação de esquerda perdia (pese embora por uma muito reduzida margem de votos) era derrotado por Pedro Santana Lopes (concorrendo isoladamente pelo PSD – não obstante a dispersão de votos à direita, provocada pela candidatura de Paulo Portas pelo CDS-PP.

Depois de tantas surpresas, a maior estava ainda para vir, já a noite eleitoral ia avançada: António Guterres, assumindo uma inesperada e estrondosa derrota socialista, pedia a demissão, para evitar que o país caísse no “pântano”.

O PS via-se, de um dia para o outro, fora do Governo, sem líder e com pouco tempo (menos de 3 meses) para preparar o acto eleitoral. Ferro Rodrigues seria o escolhido para uma verdadeira missão impossível; viria a ter a “mais honrosa das derrotas” socialistas.

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14 Fevereiro, 2005 at 8:28 am 1 comentário

HUMBERTO DELGADO – 40 ANOS

“Convencido que se ia reunir com “oficiais portugueses” interessados em derrubar o regime, Delgado foi de facto ao encontro da morte. Uma brigada da PIDE chefiada pelo inspector Rosa Casaco atravessou a fronteira utilizando passaportes falsos, a fim de montar a cilada que vitimaria o General e a sua secretária brasileira, Arajaryr Moreira de Campos.

13 de Fevereiro de 1965 é a data do encontro fatídico, marcado para os Correios de Badajoz, donde aliás enviou quatro postais para quatro amigos em quatro países diferentes e assinados com o nome de sua irmã – Deolinda. O objectivo do envio destes postais correspondia a um código, previamente combinado, que significava: “estou vivo e não estou preso”. Foi o último sinal de vida e por isso aquela data é considerada a data do seu assassinato que se pressupõe ter ocorrido perto de Olivença.”

(via Fundação Humberto Delgado)

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13 Fevereiro, 2005 at 11:15 am 2 comentários

ELEIÇÕES ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA – 1999

PS – 2.385.922 (44,06%) – 115 deputados
PPD/PSD – 1.750.158 (32,32%) – 81 deputados
PCP-PEV – 487.058 (8,99%) – 17 deputados
CDS-PP – 451.643 (8,34%) – 15 deputados
B.E. – 132.333 (2,44%) – 2 deputados
PCTP/MRPP – 40.006 (0,74%)
MPT – 19.938 (0,37%)
PPM – 16.522 (0,31%)
PSN – 11.488 (0,21%)
P.H. – 7.346 (0,14%)
POUS – 4.104 (0,08%)
PDA – 438 (0,01%)

Inscritos – 8.864.604
Votantes – 5.415.102 – 61,09%
Abstenções – 3.449.502 – 38,91%

Fonte: CNE

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11 Fevereiro, 2005 at 1:55 pm

ELEIÇÕES ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA – 1999

Após quatro anos de “tranquila” governação, sem grandes rasgos, que teve como pontos altos a organização da EXPO’98 e a construção e inauguração da Ponte Vasco da Gama (a maior da Europa), as eleições de 10 de Outubro de 1999 não trariam grandes novidades, mas antes uma quase perfeita “evolução na continuidade”…

O mais inesperado viria a ser a “irónica” (e inédita) situação de empate parlamentar, com o PS a não conseguir alcançar a maioria absoluta, somando exactamente o mesmo número de deputados que o conjunto de todos os partidos da oposição.

O PS acrescia muito ligeiramente o seu peso eleitoral, conquistando o seu melhor resultado de sempre: passava de 43,8 % para 44,1 % dos votos; subindo de 112 para 115 deputados, a 1 da ambicionada maioria absoluta!

Em contraponto, o PSD baixava, também ligeiramente, a sua percentagem, de 34,1 % para 32,3 %, reduzindo a sua representação parlamentar de 88 para 81 deputados.

A CDU (PCP-PEV) conseguia colocar um “travão” na sua tendência decrescente, subindo… também muito ligeiramente, de 8,6 % para praticamente 9 %, aumentando o seu grupo parlamentar de 15 para 17 deputados.

Na lógica dos “vasos comunicantes” (ainda que por via indirecta), o CDS-PP baixava, igualmente de forma muito ligeira, de 9 % para 8,3 %, conseguindo porém conservar os seus 15 deputados.

O único dado verdadeiramente novo seria a promoção do Bloco de Esquerda à categoria de força parlamentar, e logo com 2 deputados, eleitos em Lisboa, ascendendo a sua votação nacional a 2,4 %.

[2051]

10 Fevereiro, 2005 at 8:24 am

ELEIÇÕES ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA – 1995

PS – 2.583.755 (43,76%) – 112 deputados
PPD/PSD – 2.014.589 (34,12%) – 88 deputados
CDS/PP – 534.470 (9,05%) – 15 deputados
PCP/PEV – 506.157 (8,57%) – 15 deputados
PCTP/MRPP – 41.137 (0,70%)
PSR – 37.638 (0,64%)
UDP – 33.876 (0,57%)
PSN – 12.613 (0,21%)
PG – 8.279 (0,14%)
MPT – 8.235 (0,14%)
PPM-MPT – 5.932 (0,10%)
MUT – 2.544 (0,04%)
PDA – 2.536 (0,04%)

Inscritos – 8.906.608
Votantes – 5.904.854 – 66,30%
Abstenções – 3.001.754 – 33,70%

Fonte: CNE

[2049]

9 Fevereiro, 2005 at 12:33 pm

MAIORIA ABSOLUTA OU RELATIVA?

Paulo Portas já o referiu de forma expressa e, necessariamente, José Sócrates também estará disso consciente: a obtenção ou não de uma maioria absoluta pelo Partido Socialista dependerá essencialmente – não tanto do alinhamento dos votos do próprio PS e do PSD – do maior ou menor crescimento do CDS.

De facto, colocando praticamente todas as sondagens o PS no limiar da maioria absoluta (com votações estimadas rondando entre os 43 % e os 46 %), há um conjunto relativamente reduzido de círculos eleitorais em que se “joga” essa maioria absoluta e, curiosamente, passando pela votação do CDS e pelo facto de este conseguir ou não crescimentos que lhe permitam assegurar lugares de deputados, que seriam, na generalidade, conquistados ao PS.

Tal poderá acontecer particularmente nos seguintes círculos eleitorais:
– Braga – a possível eleição de um 2º deputado do CDS poderá ser feita à custa do 10º candidato socialista;
– Coimbra – a eventual eleição de Luís Nobre Guedes deverá afastar o 6º candidato socialista;
– Faro – onde Narana Coissoró deverá disputar o lugar de deputado com o 5º candidato socialista;
– Lisboa – onde o CDS deverá lutar por um 5º eleito;
– Porto – onde o CDS procura eleger o seu 4º candidato;
– Santarém – em que o CDS poderá eleger Nuno Fernandes Thomaz, em detrimento do 6º candidato socialista.

A não ser que haja surpresas significativas no dia 20 de Fevereiro, o PS deverá eleger entre 112 a 119 deputados; terá portanto a maioria absoluta dependente de 4 deputados; para além de Lisboa e Porto, os círculos de Coimbra, Faro e Santarém poderão ser decisivos.

Virá a campanha “pela positiva” que Paulo Portas diariamente vai “proclamando” a ter resultados?

[2048]

9 Fevereiro, 2005 at 8:19 am

ACORDO DE PAZ ISRAEL – PALESTINA

Mahmud Abbas (presidente da Autoridade Nacional Palestiniana) e Ariel Sharon (primeiro-ministro de Israel) firmaram hoje em Charm El-Cheikh (Egipto) um acordo de cessar-fogo, que deverá constituir um primeiro mas decisivo passo para o alcance da paz na região.

Podemos ter esperança?

[2047]

8 Fevereiro, 2005 at 9:07 pm 1 comentário

ELEIÇÕES ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA – 1995

Ausente do governo desde 1985, foram necessários 10 anos de “travessia do deserto” na oposição, para que, nas eleições de 1 de Outubro de 1995, o PS voltasse a assumir o papel de maior partido nacional, conquistando uma “nova maioria” (relativa…), com a sua mais expressiva votação de sempre, superando o fundador Mário Soares.

O PS registaria (algo inesperadamente) um crescimento “estrondoso” (praticamente mais um milhão de votos), de 29 % para cerca de 44 %, que se pensava poderia ser suficiente para lhe proporcionar a ambicionada maioria absoluta, o que contudo não se verificou, aumentando o seu número de deputados, de 72 para 112 (a 4 do objectivo), no que foi então interpretado como a vontade dos portugueses de evitar “abusos de poder” associados à governação da anterior maioria.

O PPD/PSD, “órfão” de Cavaco Silva, sob a (efémera) liderança de Fernando Nogueira (que, na sequência dos resultados eleitorais, logo apresentaria a sua demissão), caía de 50,6 % para 34 %, reduzindo a sua representação parlamentar, de 135 para apenas 88 deputados.

Beneficiando da queda do PPD/PSD, o “novo” CDS-PP, liderado por Manuel Monteiro (tendo Paulo Portas como “inspirador”, com uma política assumidamente de direita) conseguia, invertendo a tendência dos últimos anos, voltar a “recolocar-se no mapa”, somando 9 % dos votos (contra os 4,4 % das duas anteriores eleições legislativas), crescendo de 5 para 15 deputados.

A coligação PCP-PEV continuava a sua luta na tentativa de resistência ao declínio, baixando ligeiramente, de 8,8 % para 8,6 %, o que se traduzia numa diminuição de eleitos, de 17 para 15 deputados.

O “voto útil” no PS retirara aos pequenos partidos de esquerda qualquer possibilidade de representação parlamentar. Na sequência de repetidos insucessos (desde as eleições de 1980), a histórica UDP e o mais recente PSR acabariam por compreender a necessidade de unir esforços, o que viria a levar à formação do Bloco de Esquerda.

[2045]

8 Fevereiro, 2005 at 9:35 am

ELEIÇÕES ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA – 1995

Depois de alguns episódios aparentemente anódinos, mas que deixariam marcas profundas, como a ideia de retirar o feriado de Carnaval e, mais sério, o “bloqueio da Ponte 25 de Abril”, surgira então o tabu de Cavaco, que, “cansado” do partido e do governo, se preparava para um retiro prévio à candidatura presidencial.

Cavaco decidira não se recandidatar à liderança do PSD; depois de uma luta “fratricida” entre Fernando Nogueira e Durão Barroso, seria o primeiro a “carregar o pesado fardo” de ir a votos, num contexto adverso.

Era o final de um ciclo, em que os números, estatísticas e índices haviam sido privilegiados, nem sempre com contrapartida nas preocupações sociais dos portugueses, com os dois últimos anos de governação a serem já bastante penosos.

O PS, mais uma vez, fora obrigado a mudar de liderança; depois da surpreendente candidatura de Jorge Sampaio à Câmara Municipal de Lisboa, servindo como “trampolim” para a candidatura à Presidência da República, António Guterres passara a ser o novo responsável máximo do partido, lançando a célebre iniciativa dos “Estados gerais”.

Era, finalmente, chegada a hora da “nova maioria”…

E, num inequívoco sinal de maturidade política – depois de 20 anos de governos “transitórios” e maiorias personalizadas numa figura “providencial” como a de Cavaco Silva –, uma consciente opção pela alternância democrática, sem receio de que tal pudesse colocar em causa a estabilidade política no país, “temperada” pela simbólica recusa da outorga de uma maioria absoluta.

António Guterres (o político da “razão e coração”, com algumas “paixões”) iniciaria então a sua política de moderação, diálogo e busca de consensos, que, nesse contexto, não lhe permitiriam contudo prosseguir as reformas estruturais de que o país carecia.

[2043]

7 Fevereiro, 2005 at 8:20 am

10 ANOS A PEDALAR

Um casal iniciará no próximo Sábado em Vitoria – Gasteiz (Espanha / País Basco) uma volta ao mundo em bicicleta (tandem de 2 lugares), com uma extensão prevista de 120 000 km, percorrendo 80 países, ao longo de 10 anos!

O itinerário prevê passagem em locais como: Madrid, Lisboa (de onde voarão para Ushuaia, na Argentina, a cidade mais a sul do mundo), Terra Nova, Santiago do Chile, ilha de Páscoa, N. Zelândia, Austrália, Indonésia, Malásia, Tailândia, Cambodja, Vietname, Filipinas, Taiwan, China, Japão, Coreia, Mongólia, Tibete, Myanmar, Bangladesh, Índia, Nepal, Paquistão, Irão, Turquia, Itália, Egipto e Marrocos.

Esta aventura de Eneko Etxebarrieta e Miyuki Okabe pode ser acompanhada em www.acercandoelmundo.com

[2040]

5 Fevereiro, 2005 at 9:35 am

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