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"PROGROM" DE LISBOA – 1506
No “progrom” de Lisboa de 19 de Abril de 1506, durante o reinado do Rei Manuel I de Portugal, um “cristão-novo” (judeu obrigado a converter-se ao catolicismo sob pena de morte) expressa as suas dúvidas sobre as visões milagrosas na Igreja de S. Domingos em Lisboa. Como consequência, cerca de 4000 judeus, homens, mulheres e crianças, foram massacrados pela população católica, incitados por frades dominicanos. Os judeus foram acusados entre outros “males”, de deicídio e de serem a causa da profunda seca que assolava o país. A matança durou três dias.
No seguimento deste massacre, do clima de crescente Anti-Semitismo em Portugal e do estabelecimento da Inquisição (o tribunal da Inquisição entrou em funcionamento em 1540 e perdurou até 1821), muitas famílias judaicas fugiram do país.
Para além das “polémicas“, é fundamental ler as entradas no “Rua da Judiaria” (“O Massacre de Lisboa – I“, II, III, IV, V, VI e VII).
"ESTRATÉGIA DE LISBOA"
A 23 de Março de 2000, eram lançadas, na “Cimeira de Lisboa” da União Europeia, as bases da estratégia de desenvolvimento, conhecidas por “Estratégia de Lisboa”, visando tornar a União Europeia, até 2010, na economia baseada no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social.
Tais bases estratégicas passavam pela dinamização do mercado interno, pela sociedade da informação, investigação, educação, reformas estruturais da economia, uma moeda estável e uma combinação de políticas macroeconómicas em prol do crescimento e de finanças públicas sustentáveis.
Seis anos passados, sendo as ideias pertinentes (em cuja estruturação Portugal teve então uma acção importante), os objectivos estão ainda longe de ser atingidos, parecendo actualmente a possibilidade de a União Europeia assumir um papel de liderança da economia mundial até 2010 uma “miragem”.
TRIUNFOS E ADEUS
Como se poderá depreender, o tempo tem escasseado para “blogar”, numa época em que as obrigações profissionais “falam mais alto”.
Ainda assim, não queria deixar de assinalar (não obstante algum atraso), as proezas de duas grandes campeãs, a par de dois “Adeus”.
Os Parabéns a Naide Gomes – 3ª classificada no Campeonato do Mundo de Pista Coberta em Atletismo, no salto em comprimento (com novo record nacional, 6,76 metros), confirmando a sua classe mundial – e a “Ticha” Penicheiro, a basquetebolista portuguesa que, depois de conquistar o título de Campeã nos Estados Unidos (WNBA – pela equipa Sacramento Monarchs), acaba de se sagrar também Campeã Europeia de clubes, na equipa russa do Spartak de Moscovo.
Os dois “Adeus”, a figuras que, em áreas bastante distintas, se notabilizaram: o filósofo Fernando Gil, um dos grandes pensadores portugueses; o locutor de rádio e televisão José Ramos, com a sua voz única, um dos mais conhecidos comunicadores em Portugal (em particular como “voz da SIC”).
NEVE EM PORTUGAL

Um pouco por todo o país (inclusivamente nas regiões mais a Sul), Portugal assistiu ontem à queda de neve, um evento excepcional que não ocorria em Lisboa há mais de 50 anos (última queda de neve em 1954); com imagens espectaculares, de que é exemplo a do Templo de Diana em Évora. Ainda mais abaixo dos zero graus verificados em Lisboa, nas Penhas Douradas a temperatura mínima atingiu os 8 graus negativos.
UMA VITÓRIA ANUNCIADA
Cavaco Silva obteve mais de 50 % dos votos, garantindo a eleição para o cargo de Presidente da República, ocupado, pela primeira vez em 31 anos, por um representante do centro-direita do espectro político português.
Todas as sondagens pré-eleitorais o indicavam; todas as projecções realizadas ontem o apontavam. Era uma vitória anunciada… mas, como agora se conclui, não “inevitável”.
Não é agora altura para procurar minorar a “tangencial” vitória de Cavaco Silva – para já (números ainda provisórios), com uma vantagem de cerca de 64 000 votos sobre o somatório dos restantes candidatos (ou seja, cerca de 32 000 votos acima do número mínimo para ser eleito); a legitimidade do vencedor é inquestionável. Tal como ontem afirmou, a maioria presidencial “dissolve-se” no próprio dia da eleição… tal como as “minorias presidenciais”.
Os portugueses decidiram em consciência; Cavaco Silva será o Presidente de todos os portugueses. Independentemente das diferenças de opinião, é mais que altura de todos “puxarmos” para o mesmo lado!
Tal como o indicavam as tendências das sondagens realizadas no decurso da campanha eleitoral (com uma clara erosão das percentagens que lhe eram atribuídas) a vitória de Cavaco foi difícil, acabando por aproximar-se bastante do que seria a sua votação mínima expectável (com um patamar mínimo que se intuia poder situar-se na ordem dos 49 %); alcançou 50,6 %, o suficiente para derrotar a “esquerda”.
Não entendo a “desunião” da esquerda (com 5 candidatos, dispersando votos entre si) como factor responsável pela derrota. Julgo que o facto do espectro de candidatos ser alargado terá contribuído, ainda assim, para que a abstenção não fosse ainda mais elevada.
O principal responsável pela derrota é, inequivocamente, o Partido Socialista (tal como nas eleições autárquicas com uma opção errada em termos de candidato). “A posteriori” é bem mais fácil perceber a dimensão do erro cometido; a derrota de Mário Soares (recolhendo apenas 14 % dos votos) é esmagadora! Não seria contudo difícil avaliar, logo à partida, que a opção Soares (ainda mais, depois do episódio com Manuel Alegre) não seria bem compreendida nem aceite pelos portugueses.
Ainda assim, uma palavra de apreço para o voluntarismo de Mário Soares, traído por um sonho anacrónico de “regresso ao passado”. Apesar da expressão da derrota, não merece ver diminuído o seu papel de estadista. O “fair-play” com que aceitou o desfecho é também digno de menção.
Votei em Manuel Alegre, porque entendia que – dos candidatos a estas eleições – era o que reunia condições que faziam dele o candidato com perfil mais adequado às funções de Presidente da República. Alegre, tendo uma expressiva votação (mais de 20 %), tem uma “vitória de Pirro”, uma vez que ficou a décimas (as décimas “a mais” conquistadas por Cavaco) do grande objectivo.
Deverá não obstante compreender o siginificado desta votação; começou por ser um voto de protesto contra a opção socialista, adquiriu alguma dinâmica de “esperança” que levou a que os indecisos “caíssem” preferencialmente para “o seu lado”. Mas, e assim o entendo pessoalmente, foi uma votação com especificidades próprias; esta “minoria” esgotou-se ontem; que Alegre não seja tentado a extrapolações indevidas dos resultados que obteve.
Jerónimo de Sousa sustém o peso relativo do eleitorado comunista (excendendo mesmo, com os seus 8,6 %, a votação da CDU nas legislativas), beneficiando do seu “perfil simpático”, e também da relativamente “boa imprensa” de que dispõe.
Francisco Louçã é – depois de Soares – o grande derrotado da noite eleitoral, “quedando-se” pelos 5,3 % (a determinada altura, pareceu chegar a estar no limiar da votação mínima para receber a comparticipação estatal, atribuída aos candidatos com mais de 5 % dos votos… o que terá sido um “grande susto”). O seu discurso repetitivo, com alguma “arrogância”, começa a cansar o eleitorado; esta sua campanha acaba por ser, de alguma forma, um “espelho” do que foi a campanha de Paulo Portas nas últimas legislativas.
Garcia Pereira teve uma votação residual (0,4 %), sem expressão, muito abaixo das percentagens do PCTP/MRPP.
Uma palavra final para o comportamento de José Sócrates ao longo de todo este processo. Não posso avaliar, em consciência, se Sócrates realmente “desejaria” este desfecho. Mas, o que parece claro é que é o responsável por uma estratégia errada, sendo portanto da sua responsabilidade, em primeira análise, a derrota da esquerda. O Partido Socialista pareceu “desistir cedo demais” de lutar pela vitória, parecendo “menorizar” a importância destas eleições. Não conseguindo mobilizar António Guterres primeiro, nem, de seguida, António Vitorino, deixou-se enredar na teia da candidatura de Manuel Alegre, o que levou os portugueses a não perdoarem a sua opção de última hora por Mário Soares.
O seu discurso de ontem foi “politicamente correcto”; o que é importante a partir de hoje é trabalhar pelo futuro de Portugal, num quadro de perfeita normalização institucional, com um Presidente que deverá exercer um papel de “árbitro imparcial”. Em democracia, o povo tem sempre razão; é essa a sua lógica subjacente inatacável. Sócrates esteve bem dizendo que a opção de Manuel Alegre foi legítima e que o Partido Socialista é plural. Ficou muito mal que a sua intervenção se tivesse sobreposto à de Manuel Alegre (mal estiveram também as televisões, privilegiando as palavras do Primeiro-Ministro, em detrimento das do candidato…); é difícil crer que tal tenha acontecido por casualidade.
CAVACO SILVA, PRESIDENTE
Aníbal António Cavaco e Silva foi hoje eleito como 18º Presidente da República Portuguesa, com cerca de 50,6 % dos votos (resultados provisórios, quando faltam apurar apenas 2 das 4 260 freguesias):
CAVACO SILVA - 2.745.491 - 50,59 % MANUEL ALEGRE - 1.124.662 - 20,72 % MÁRIO SOARES - 778.389 - 14,34 % JERÓNIMO SOUSA - 466.428 - 8,59 % FRANCISCO LOUÇÃ - 288.224 - 5,31 % GARCIA PEREIRA - 23.650 - 0,44 %
Inscritos – 8.812.305
Votantes – 5.516.885 – 62,60 %
Brancos – 58.701 – 1,06 %
Nulos – 43.329 – 0,79%
Avei Beja Brag Bgça C.Br Coim Évor Faro Guar Leir Cavaco Silva 59,7 27,3 57,0 67,3 49,7 49,3 31,5 48,7 60,3 62,3 Manuel Alegre 17,8 26,7 16,5 15,9 23,1 27,3 27,2 23,2 19,6 17,4 Mário Soares 13,5 13,4 15,7 10,7 15,9 13,1 14,4 13,1 11,9 10,3 Jerónimo Sousa 4,2 27,5 5,7 2,7 6,0 5,7 22,2 7,6 4,1 5,1 Francisco Louçã 4,4 4,6 4,9 3,0 4,9 4,3 4,5 6,9 3,7 4,6 Garcia Pereira 0,3 0,4 0,3 0,3 0,4 0,4 0,3 0,6 0,5 0,4
Lisb Ptg. Port Sant Setú V.Ca V.Re Vise Açor Made Cavaco Silva 44,6 37,8 51,3 47,8 32,1 60,5 64,7 65,7 55,6 58,5 Manuel Alegre 23,9 26,5 17,8 23,5 27,2 16,1 14,5 16,3 16,6 15,7 Mário Soares 14,5 16,3 17,7 13,0 12,3 13,7 14,1 11,1 19,7 11,9 Jerónimo Sousa 10,7 14,4 6,9 9,7 21,2 4,8 3,3 3,2 2,8 5,2 Francisco Louçã 5,8 4,6 5,9 5,6 6,7 4,5 3,1 3,4 5,0 7,8 Garcia Pereira 0,6 0,4 0,3 0,5 0,5 0,4 0,3 0,3 0,4 1,0
(Resultados via STAPE)
PRESIDENCIAIS – PROJECÇÕES DE RESULTADOS
RTP SIC TVI Cavaco Silva 49,0 - 54,0 50,4 - 54,6 50,0 - 54,8 Manuel Alegre 20,0 - 23,0 17,7 - 21,5 18,4 - 22,4 Mário Soares 11,0 - 14,0 12,5 - 16,3 11,0 - 15,0 Jerónimo Sousa 8,0 - 10,0 6,4 - 8,6 7,0 - 10,0 Francisco Louçã 4,0 - 6,0 4,1 - 6,3 3,4 - 6,4 Garcia Pereira 0,0 - 1,0 0,5 - 1,1 0,3 - 1,5
Cavaco Silva deverá ser portanto – tudo o indica – eleito Presidente da República, logo à primeira volta.
RESULTADOS DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
A consultar aqui… a partir das 20 horas.







