Posts filed under ‘Sociedade’

PRÉMIOS NOBEL 2006

Na sequência do anúncio, há momentos, da atribuição do Nobel da Paz, são já conhecidos os laureados com os Prémios Nobel 2006, nas áreas da:

– Medicina – Andrew Z. Fire e Craig C. Mello (ambos estado-unidenses) – pelas suas descobertas sobre o RNAi (“descoberta do mecanismo fundamental para o controlo dos fluxos de informações genéticas”)

– Física – John C. Mather e George F. Smoot, ambos astrónomos estado-unidenses – pelos seus trabalhos sobre a teoria da origem do universo e do “Big Bang”

– Química – Roger D. Kornberg (EUA) – pelos seus estudos moleculares (o primeiro a criar a fotografia actual de como funciona a transcrição a nível molecular no importante grupo dos organismos chamados eucariotas)

– Economia – Edmund Phelps (EUA), pelo seu contributo para a análise de “tradeoffs” intertemporais na política macro-económica

– Literatura – Orhan Pamuk (Turquia), o qual “em busca da alma melancólica da sua cidade natal descobriu novos símbolos para o choque e cruzamento de culturas”. Encontram-se traduzidos em português os seus livros “A Cidadela Branca” e “Os Jardins da Memória”, ambos na Editorial Presença.

– Paz – Muhammad Yunus (Bangladesh) e Grameen Bank (banco de apoio às mais pobres populações rurais do Bangladesh) – pelos seus esforços de desenvolvimento económico e social, por via da criação de oportunidades, através do financiamento pelo sistema de “micro-créditos”.

13 Outubro, 2006 at 11:07 am Deixe um comentário

PINTO MONTEIRO – NOVO PROCURADOR

Que Fernando Pinto Monteiro tenha a capacidade de estar à altura das expectativas agora criadas no cargo de enorme responsabilidade que é o de Procurador Geral da República; o termo de comparação para apreciação do seu desempenho não poderá (não deveria…) ser nunca o do seu “infeliz” predecessor (a propósito, o caso do “envelope 9” alguma vez será devidamente esclarecido?).

O trabalho a desenvolver na procura de credibilizar a justiça em Portugal afigura-se uma tarefa hercúlea.

A forma como foi aceite a sua nomeação parece ser um bom sinal.

20 Setembro, 2006 at 1:58 pm 1 comentário

“APITO DOURADO"

Apenas 2 questões:

1ª O segredo de justiça foi já oficialmente abolido em Portugal?

2ª Quando irá a justiça actuar relativamente a, entre outros, Pinto da Costa, Luís Filipe Vieira, José Veiga, João Loureiro e, principalmente, Valentim Loureiro?

12 Setembro, 2006 at 8:43 am Deixe um comentário

O FLAGELO DO DOPING (X)

Em conclusão, não será porventura descabida a ideia de que – pelo menos em determinadas modalidades (em particular, no ciclismo, halterofilismo e atletismo) –, para além da ingestão de “suplementos vitamínicos”, o recurso a outras substâncias sintetizadas será generalizado a nível dos principais praticantes.

Todas as equipas de ciclismo de topo dispõem de equipas médicas que prescrevem aos seus atletas dietas, regimes alimentares e suplementos cientificamente estudados; a imagem que parece transparecer é que os ciclistas de alta competição “testam” diariamente os seus limites, não só os físicos ou fisiológicos, mas também os da validade (em termos de quantidade) da ingestão de substâncias cujo consumo excessivo é considerado ilegal; parece uma espécie de jogo do “gato e do rato”, em que se procura maximizar a utilização dessas substâncias, visando melhorar as capacidades físicas, até à fronteira determinada pelos índices estabelecidos pela legislação desportiva.

Já na década de 80, esta prática massiva fora “cientificamente” aplicada em particular às atletas e nadadoras da ex-RDA; a velocista Marita Koch, que estabelecera, ao longo da sua carreira, entre 1977 e 1987, diversos recordes mundiais e obtivera diversos títulos e medalhas olímpicas, admitiu ter sido dopada, numa prática sistemática nos atletas do seu país; outras atletas (de estafetas) requereram mesmo que o seu nome fosse retirado da lista de recordistas mundiais).

Com a queda do muro de Berlim, e consequentes alterações políticas a leste, nomeadamente com a absorção da RDA na Alemanha, assistiu-se, na década de 90, a uma transferência dessas práticas dopantes para atletas chinesas.

Num contexto de agressiva competitividade – inserido numa sociedade em que a meritocracia individual parece ser um valor cada vez mais relevante e em que as grandes proezas atléticas são pagas a “peso de ouro”, a par dos ainda maiores proventos decorrentes de contratos publicitários – o desporto mundial encontra-se portanto numa encruzilhada, em que a suspeita se generaliza de forma acelerada, tal a abrangência de casos entre os maiores atletas a nível mundial.

Como combater este flagelo, que desvirtua a verdade desportiva, quase obrigando a que o doping seja prática de adopção comum para que os principais competidores se defrontem em condições equitativas?

Qual o caminho a seguir quando tantos dos grandes campeões – quais “heróis” populares -, parecem denotar ser afinal ídolos de “pés de barro”?

1 Setembro, 2006 at 6:12 pm Deixe um comentário

O FLAGELO DO DOPING (IX)

Também em Portugal se verificaram alguns casos mediáticos de doping.

O mais antigo remonta a 1969, quando Joaquim Agostinho foi desclassificado da Volta a Portugal em bicicleta, cuja vitória seria alcançada por Joaquim Andrade. Agostinho reincidiria no início da década de 70, já depois de ter conquistado três vitórias consecutivas na prova, entre 1970 e 1972.

Esse record de vitórias apenas seria batido por Marco Chagas, tetra-vencedor da prova, em 1982, 1983, 1985 e 1986… mas também Marco Chagas seria abalado pelo doping: em 1979, depois de ter alcançado o 1º lugar, seria desclassificado a favor de Joaquim Sousa Santos, já a prova tinha terminado; voltaria a ser penalizado em 1984 (vitória de Venceslau Fernandes) e em 1987 (vitória de Manuel Cunha) – ver, em “entrada estendida”, uma entrevista recente de Marco Chagas, a propósito destes casos.

No futebol, os casos mais mediáticos foram os de Veloso (impedido de participar no Mundial de 1986 – alegadamente vítima lapso na recolha da amostra num jogo do Benfica), Kennedy (impedido de participar no Mundial de 2002) e, mais recentemente, de Abel Xavier.

(Em continuação, uma entrevista recente de Marco Chagas).
(mais…)

1 Setembro, 2006 at 12:35 pm Deixe um comentário

O FLAGELO DO DOPING (VIII)

O primeiro controlo de dopagem em Portugal foi realizado em 1968, no decurso da Volta a Portugal em bicicleta; até à década de 70, os controlos incidiram preponderantemente sobre o ciclismo, segundo os regulamentos da União Ciclista Internacional – nas análises realizadas entre 1969 e 1984, cerca de 11 % dos resultados revelaram-se positivos, o que, não obstante traduzir uma percentagem relevante, era inferior ao verificado noutros países.

A primeira legislação nacional relativa ao Controlo Anti-Doping data de Setembro de 1979 (Decreto-Lei nº 374/79). A partir de 1982, passaram a ser controladas outras modalidades para além do ciclismo, com base na referida legislação; gradualmente, foram sujeitas a controlo: 10 modalidades em 1988; 20 em 1992, 30 em 1998; 40 em 2000; atingindo-se um total de 50 modalidades em 2004.

A legislação portuguesa seria actualizada, de acordo com orientações europeias, em 1990 (Decreto-Lei nº 105/90), tendo sido então criado o Conselho Nacional Antidopagem (CNAD), assumindo a definição da política de luta contra a dopagem em Portugal. Os controlos “preventivos”, fora de competição, apenas se iniciaram em 1994.

De acordo com dados do CNAD, a utilização de doping diminuiu nas 52 modalidades inscritas no plano nacional de antidopagem, no decurso de 2005, com 49 casos positivos (em mais de 3 300 amostras – de urina e sangue – recolhidas para controlo), face a 62 no ano de 2004. Os casos registados no futebol passaram de 11 para 12 (dos quais 3 na Primeira Liga).

1 Setembro, 2006 at 8:41 am Deixe um comentário

O FLAGELO DO DOPING (VII)

2003 – O antigo Director de controlo anti-doping do Comité Olímpico Americano (entre 1991 e 2000) revela que centenas de atletas estado-unidenses – entre eles 19 campeões olímpicos, nomeadamente Carl Lewis (com 3 testes positivos) – foram controlados positivamente entre 1988 e 2000, sem que tal tenha sido divulgado;

2004 – O “Caso Balco” (laboratório farmacêutico americano) conduz à suspensão de diversos dos principais atletas estado-unidenses, entre eles o recordista mundial dos 100 metros, Tim Montgomery, e a tripla campeã olímpica Marion Jones;

2004 – Tyler Hamilton torna-se no primeiro ciclista a acusar um controlo positivo por transfusão sanguínea, nos Jogos Olímpicos e na “Vuelta” a Espanha;

2006 – A polícia espanhola detém 5 pessoas, entre as quais o Director Desportivo da equipa Liberty Seguros pela sua participação numa alargada rede de doping (“Caso Puerto”); os principais candidatos à vitória no “Tour”, Ivan Basso e Jan Ullrich (2º e 3º classificados no ano anterior) são excluídos da prova na véspera da partida;

2006 – Quatro dias após o termo do “Tour de France”, o vencedor da prova, o estado-unidense Floyd Landis acusa positivo no controlo de testosterona;

2006 – Justin Gatlin, co-recordista mundial e campeão olímpico e mundial dos 100 metros, regista teste positivo, sendo suspenso por 8 anos, devido a prática reincidente (escapando à irradiação por “colaboração com os investigadores”).

31 Agosto, 2006 at 6:10 pm 1 comentário

O FLAGELO DO DOPING (VI)

1997 – Os tenistas Mats Wilander e Karel Novacek são suspensos por 3 meses por uso de cocaína;

1998 – O “Caso Festina” faz com que toda a equipa, incluindo Richard Virenque, várias vezes vencedor do Prémio da Montanha, seja excluída do “Tour de France”;

1998 – Os jogadores do Parma são suspeitos de se encontrarem dopados por EPO;

1998 – O tenista Petr Korda é suspenso por 1 ano por controlo positivo de nandrolona;

1999 – Lance Armstrong, que viria a ser hepta-vencedor do “Tour de France” ingeriu, aquando da sua 1ª vitória na prova, em 1999 – de acordo com descoberta do Laboratório de Chatenay-Malabry em 2005 – substâncias dopantes (EPO); o estado-unidense conservaria o título em função da impossibilidade de realização de “contra-análise”;

1999 – Linford Christie, campeão olímpico dos 100 metros em 1992 acusa nandrolona, sendo suspenso por 2 anos;

2002 – Dois dirigentes da Juventus são sujeitos a investigação, suspeitos de terem ministrado substâncias nocivas; vários jogadores do clube, entre eles Zinedine Zidane, reconhecem ter ingerido creatina; o inquérito provaria a utilização de EPO e o recurso a transfusões sanguíneas; o processo teria desfecho em 2005, sem sanções, devido ao facto de a lei italiana não punir a utilização dos referidos produtos à data da infracção.

31 Agosto, 2006 at 8:40 am 1 comentário

O FLAGELO DO DOPING (V)

Ao longo dos tempos, alguns dos maiores desportistas mundiais foram envolvidos em casos de doping, em particular nas modalidades de ciclismo, atletismo, futebol e ténis:

1967 – Jacques Anquetil recusa submeter-se a um controlo anti-doping na sequência do seu record da hora em ciclismo, que não seria homologado;

1975 – Eric de Vlaeminck, múltiplo campeão do mundo de ciclo-cross é internado no serviço de psiquiatria, vítima dos produtos dopantes consumidos no decurso da sua carreira;

1976 – Lasse Viren, campeão olímpico dos 10 000 metros (à frente de Carlos Lopes) não escapa à dúvida e à controvérsia sobre alegadas práticas de transfusões sanguíneas; em sua defesa, argumentaria que o único “suplemento vitamínico” que tomava era o leite de rena… a inexistência de controlos sanguíneos à época faria perdurar a dúvida;

1988 – Pedro Delgado, o espanhol que liderava o “Tour de France”, acusa uma substância “mascarante”, permitindo ocultar o consumo de esteróides anabolizantes; não obstante, manter-se-ia em prova, acabando por obter a vitória;

1988 – O atleta canadiano Ben Johnson acusa positivo no controlo de anabolizantes na sequência da sua vitória na final dos 100 metros dos Jogos Olímpicos de Seoul; seria eliminado da prova, não sendo homologado o record mundial que estabelecera, tendo sido suspenso por 4 anos; após algumas tentativas de regresso à competição, voltaria a acusar positivo, sendo novamente suspenso;

1991 – Diego Maradona, considerado o melhor jogador de futebol do mundo, acusa cocaína num controlo anti-doping; acusaria a mesma substância em 1997, já depois de, em 1994, ter sido controlado positivamente por efedrina;

1992 – Katrin Krabbe, atleta da ex-RDA acusa positivo; após trocas das amostras utilizadas no teste e na contra-análise, não viria a ser punida, não tendo o caso sido devidamente esclarecido.

30 Agosto, 2006 at 6:09 pm 1 comentário

O FLAGELO DO DOPING (IV)

Nas edições seguintes dos Jogos Olímpicos, foram identificados:

(i) 7 casos de doping em 1972 (Munique – principalmente efedrina, um estimulante);

(ii) 11 casos em 1976 (Montreal – essencialmente anabolizantes, em vários halterofilistas);

(iii) 1980 (Moscovo) – de forma algo questionável, nenhum caso de doping foi anunciado;

(iv) 12 casos em 1984 (Los Angeles – principalmente nandrolona, um esteróide anabolizante, ingerido por halterofilistas e alguns atletas, com destaque para a grega Anna Verouli e o finlandês Martti Vainio);

(v) 10 casos em 1988 (Seoul – essncialmente furosemida, um diurético que opera como agente “mascarante” de outras substâncias proibidas, atingindo novamente o halterofilismo e, o caso mais mediático, o de Ben Johnson, vencedor da prova dos 100 metros, que acusou estanazolol, um esteróide anabolizante);

(vi) 5 casos em 1992 (Barcelona), dos quais 4 no atletismo, por norefedrina (estimulante) e clembuterol (anabolizante);

(vii) 2 casos em 1996 (Atlanta): a atleta russa Natalya Shekhodanova (estanazolol) e a búlgara Iva Prandzheva (metandienona – esteróide anabolizante);

(viii) 9 casos em 2000 (Sidney), nomeadamente 4 no halterofilismo (furosemida e estanazolol) e 3 nas lutas amadoras (nandrolona e furosemida);

(ix) 25 casos em 2004 (Atenas): 11 no halterofilismo e 2 no basebol (esteróides anabolizantes); 2 no pugilismo; 1 no remo e 1 no ciclismo feminino; e 8 no atletismo (os velocistas gregos Kostas Kenteris e Ekaterini Thanou escaparam a um controlo surpresa nas vésperas do início da prova, alegando um acidente de moto; o húngaro Adrian Annus, lançador de martelo, recusou submeter-se a controlo; o também húngaro Robert Fazekas tentou manipular a amostra; os russos Irina Korzhanenko e Anton Galkin acusaram estanazolol; Olga Shchukina (Uzbequistão) e Aleksey Lesnichiy (Bielorrussia) acusaram clembuterol).

30 Agosto, 2006 at 8:37 am 2 comentários

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