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Mundial 2018 – 1/8 final
1/8 FINAL 1/4 FINAL 1/2 FINAIS FINAL
2-1
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4-3
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2-0
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3-2
1-1
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1-1
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1-1
Marcadores (1/8 Final) – Antoine Griezmann (França); Ángel Di María e Gabriel Mercado (Argentina); Benjamin Pavard e Kylian Mbappé – 2 (França); Sergio Agüero (Argentina); Edinson Cavani – 2 (Uruguai); Pepe (Portugal); Sergey Ignashevich (Rússia – p.b. – Espanha); Artem Dzyuba (Rússia); Mathias Jørgensen (Dinamarca); Mario Mandžukić (Croácia); Neymar e Firmino (Brasil); Genki Haraguchi e Takashi Inui (Japão); Jan Vertonghen, Marouane Fellaini e Nacer Chadli (Bélgica); Emil Forsberg (Suécia); Harry Kane (Inglaterra); Yerry Mina (Colômbia)
Melhores marcadores:
6 golos – Harry Kane (Inglaterra)
4 golos – Cristiano Ronaldo (Portugal) e Romelu Lukaku (Bélgica)
3 golos – Denis Cheryshev (Rússia), Diego Costa (Espanha), Kylian Mbappé (França), Edinson Cavani (Uruguai), Artem Dzyuba (Rússia) e Yerry Mina (Colômbia)
2 golos – Mile Jedinak (Austrália), Luka Modrić (Croácia), Philippe Coutinho (Brasil), Ahmed Musa (Nigéria), Eden Hazard (Bélgica), John Stones (Inglaterra), Luis Suárez (Uruguai), Mohamed Salah (Egipto), Andreas Granqvist (Suécia), Heung-Min Son (Coreia Sul), Wahbi Khazri (Tunísia), Antoine Griezmann (França), Sergio Agüero (Argentina), Neymar (Brasil) e Takashi Inui (Japão)
Mundial 2018 – 1/8 de final – Colômbia – Inglaterra
1-1 (3-4 g.p.)
David Ospina, Santiago Arias (116m – Cristian Zapata), Yerry Mina, Davinson Sánchez, Johan Mojica, Wilmar Barrios, Carlos Sánchez (79m – Mateus Uribe), Jefferson Lerma (61m – Carlos Bacca), Juan Cuadrado, Juan Quintero (88m – Luis Muriel) e Radamel Falcao
Jordan Pickford, Kyle Walker (113m – Marcus Rashford), John Stones, Harry Maguire, Kieran Trippier, Ashley Young (102m – Danny Rose), Jordan Henderson, Dele Alli (81m – Eric Dier), Jesse Lingard, Raheem Sterling (88m – Jamie Vardy) e Harry Kane
0-1 – Harry Kane (pen.) – 57m
1-1 – Yerry Mina – 90m
Desempate da marca de grande penalidade:
1-0 – Radamel Falcao
1-1 – Harry Kane
2-1 – Juan Cuadrado
2-2 – Marcus Rashford
3-2 – Luis Muriel
Jordan Henderson permitiu a defesa a David Ospina
Mateus Uribe rematou à trave
3-3 – Kieran Trippier
Carlos Bacca permitiu a defesa a Jordan Pickford
3-4 – Eric Dier
Cartões amarelos – Wilmar Barrios (41m), Santiago Arias (52m), Carlos Sánchez (54m), Radamel Falcao (63m), Carlos Bacca (64m) e Juan Cuadrado (118m); Jordan Henderson (56m) e Jesse Lingard (69m)
Árbitro – Mark Geiger (EUA)
Spartak Stadium – Moskva (19h00)
O último dos desafios dos 1/8 de final confirmou o equilíbrio que se antevia entre as duas equipas, pese embora a Inglaterra se tivesse colocado em vantagem, na conversão de uma grande penalidade (a terceira apontada por Harry Kane, que atinge já a marca de seis golos neste Mundial), apenas deixando escapar o triunfo já em período de compensação.
Efectivamente, a Colômbia apenas conseguiu criar lances de maior perigo já na fase derradeira da partida, acabando por ver a sua insistência recompensada, na sequência de um pontapé de canto, com o defesa Yerry Mina a notabilizar-se com a obtenção do seu terceiro tento – todos de cabeça – na competição, o único defesa a alcançar tal registo.
No desempate da marca de grande penalidade – sistema que, historicamente, tem penalizado a Inglaterra (seis eliminações em sete ocasiões anteriores, assim tendo sido afastada dos Mundiais de 1990, 1998 e 2006) -, os ingleses seriam, desta vez, mais eficazes, garantindo assim o apuramento para os 1/4 de final.
Mundial 2018 – 1/8 de final – Suécia – Suíça
1-0
Robin Olsen, Mikael Lustig (82m – Emil Krafth), Victor Lindelöf, Andreas Granqvist, Ludwig Augustinsson, Viktor Claesson, Gustav Svensson, Albin Ekdal, Emil Forsberg (82m – Martin Olsson), Marcus Berg (90m – Isaac Kiese Thelin) e Ola Toivonen
Yann Sommer, Michael Lang, Johan Djourou, Manuel Akanji, Ricardo Rodríguez, Valon Behrami, Granit Xhaka, Xherdan Shaqiri, Blerim Džemaili (73m – Haris Seferović), Steven Zuber (73m – Breel Embolo) e Josip Drmić
1-0 – Emil Forsberg – 66m
Cartões amarelos – Mikael Lustig (31m); Valon Behrami (61m) e Granit Xhaka (68m)
Cartão vermelho – Michael Lang (90m)
Árbitro – Damir Skomina (Eslovénia)
St. Petersburg Stadium – St. Petersburg (15h00)
O jogo que se antecipava como, possivelmente, o mais entediante destes 1/8 de final não fugiu às expectativas, com ambas as equipas muito “encaixadas”, sem grandes ocasiões de perigo.
Defrontando-se duas equipas muito compactas e sólidas em termos defensivos, o colectivo sueco acabaria por se impor, com o tangencial desequilíbrio no marcador a surgir mercê de um remate de longe, que contou ainda com um involuntário desvio de um defesa suíço, traindo o seu guarda-redes.
Depois de ter contribuído para afastar a Holanda (ainda na fase de qualificação), a Itália (no “play-off” de apuramento) e a Alemanha (na fase de grupos, a Suécia avança na competição, já para os 1/4 de final.
Mundial 2018 – 1/8 de final – Bélgica – Japão
3-2
Thibaut Courtois, Toby Alderweireld, Vincent Kompany, Jan Vertonghen, Thomas Meunier, Axel Witsel, Kevin De Bruyne, Yannick Ferreira-Carrasco (65m – Nacer Chadli), Dries Mertens (65m – Marouane Fellaini), Eden Hazard e Romelu Lukaku
Eiji Kawashima, Hiroki Sakai, Maya Yoshida, Gen Shoji, Yuto Nagatomo, Makoto Hasebe, Gaku Shibasaki (81m – Hotaru Yamaguchi), Genki Haraguchi (81m – Keisuke Honda), Shinji Kagawa, Takashi Inui e Yuya Osako
0-1 – Genki Haraguchi – 48m
0-2 – Takashi Inui – 52m
1-2 – Jan Vertonghen – 69m
2-2 – Marouane Fellaini – 74m
3-2 – Nacer Chadli – 90m
Cartões amarelos – Gaku Shibasaki (40m)
Árbitro – Malang Diedhiou (Senegal)
Rostov Arena – Rostov (19h00)
No jogo mais empolgante do Mundial, até agora, uma surpreendentemente dessasombrada equipa do Japão – em perfeito contraste com a lamentável atitude do último jogo da fase de Grupos, em que, a perder por 0-1 com a Polónia, simplesmente abdicou de correr quaisquer riscos em busca do golo do empate – desde cedo “pôs em sentido” a favorita selecção da Bélgica, com uma linha defensiva a denotar grandes dificuldades.
Depois de uma primeira parte bastante mais “taco a taco” que expectável, logo no arranque do segundo tempo os japoneses, em lances de contra-ataque, marcariam por duas vezes, no curto espaço de quatro minutos – no entretanto haveria ainda espaço para um remate ao poste da baliza de Kawashima -, deixando os belgas “à beira de um ataque de nervos”.
Porventura algo “inebriada”, a turma nipónica manteve a sua toada de jogo, com transições rápidas, não se remetendo, desta feita, à defesa, acabando por vir a ser severamente penalizada por isso.
Teria então alguma felicidade a Bélgica, no golo que lhe permitiu “reentrar” no jogo. De forma similar ao que sucedera antes com o Japão, em menos de cinco minutos, o grupo belga igualaria a contenda, forçando ainda o guardião japonês a um par de vistosas intervenções.
Já no final do período de compensação, o Japão beneficiou de um livre, apontado por Honda, que levou muito perigo à baliza contrária, com Courtois, com uma defesa atenta, a “salvar” a sua equipa, repelindo a bola pela linha de fundo. Na sequência do respectivo pontapé de canto, o guardião recuperou a bola e, vendo o espaço livre à sua frente, lançou, de imediato, um veloz contra-ataque, praticamente de “baliza a baliza”, que proporcionaria à Bélgica um justo mas muito sofrido triunfo, alcançado no derradeiro lance da partida!
Mundial 2018 – 1/8 de final – Brasil – México
2-0
Alisson, Fagner, Thiago Silva, Miranda, Filipe Luís, Willian (90m – Marquinhos), Paulinho (80m – Fernandinho), Philippe Coutinho (86m – Firmino), Casemiro, Neymar e Gabriel Jesus
Guillermo Ochoa, Edson Álvarez (55m – Jonathan dos Santos), Hugo Ayala, Carlos Salcedo, Jesus Gallardo, Hector Herrera, Rafael Marquez (45m – Miguel Layún), Andrés Guardado, Carlos Vela, Hirving Lozano e Javier Hernández (60m – Raúl Jiménez )
1-0 – Neymar – 51m
2-0 – Firmino – 88m
Cartões amarelos – Filipe Luís (43m) e Casemiro (59m); Edson Álvarez (38m), Hector Herrera (55m), Carlos Salcedo (77m) e Andrés Guardado (90m)
Árbitro – Gianluca Rocchi (Itália)
Samara Arena – Samara (15h00)
A equipa do México, procurando surpreender o Brasil – tal como fizer já, antes, na fase de Grupos, frente à Alemanha – teve uma boa entrada em jogo, com uns vinte minutos iniciais em que teve alguma preponderância.
Não obstante, a formação brasileira, tendo conseguido assentar o seu jogo – com Willian e Neymar a notabilizarem-se -, assumiria a iniciativa, que não mais perderia até final, vindo, já no segundo tempo, a chegar aos golos que lhe proporcionaram uma vitória segura.
Numa série absolutamente incrível, pela sétima vez consecutiva em Campeonatos do Mundo (desde a edição de 1994, nos EUA) o México é eliminado nos 1/8 de final da prova (sendo que, curiosamente, em todas as ocasiões anteriores, nunca a selecção vencedora atingiu a final do torneio)!
Mundial 2018 – 1/8 de final – Croácia – Dinamarca
1-1 (3-2 g.p.)
Danijel Subašić, Šime Vrsaljko, Dejan Lovren, Domagoj Vida, Ivan Strinić (81m – Josip Pivarić), Ante Rebić, Ivan Rakitić, Marcelo Brozović (71m – Mateo Kovačić), Ivan Perišić (97m – Andrej Kramarić), Luka Modrić e Mario Mandžukić (108m – Milan Badelj)
Kasper Schmeichel, Jonas Knudsen, Simon Kjær, Mathias Jørgensen, Henrik Dalsgaard, Andreas Christensen (45m – Lasse Schöne), Thomas Delaney (98m – Michael Krohn-Dehli), Christian Eriksen, Yussuf Poulsen, Andreas Cornelius (66m – Nicolai Jørgensen) e Martin Braithwaite (106m – Pione Sisto)
0-1 – Mathias Jørgensen – 1m
1-1 – Mario Mandžukić – 4m
Desempate da marca de grande penalidade:
Christian Eriksen permitiu a defesa a Danijel Subašić
Milan Badelj permitiu a defesa a Kasper Schmeichel
0-1 – Simon Kjær
1-1 – Andrej Kramarić
1-2 – Michael Krohn-Dehli
2-2 – Luka Modrić
Lasse Schöne permitiu a defesa a Danijel Subašić
Josip Pivarić permitiu a defesa a Kasper Schmeichel
Nicolai Jørgensen permitiu a defesa a Danijel Subašić
3-2 – Ivan Rakitić
Cartões amarelos – Mathias Jørgensen (115m)
Árbitro – Néstor Pitana (Argentina)
Nizhny Novgorod Stadium – Nizhny Novgorod (19h00)
Um jogo em que se marcam dois golos nos quatro minutos iniciais deixava a expectativa de se poder assistir a um belo espectáculo, até por envolver uma das mais promissoras selecções em presença neste Mundial, a da Croácia.
Porém, a Dinamarca – que não hesitara já em fazer “anti-jogo”, perdendo tempo, na última partida da fase de grupos, ante a França (sem qualquer ambição de, vencendo esse encontro, alcançar o 1.º lugar) – acabaria, pelo tempo fora, por demonstrar que não é apenas nos jogos de Portugal que se joga muitas vezes para o empate, à espera de prolongamentos e desempates da marca de grande penalidade.
Num desafio menos exuberante dos croatas, teriam ainda a oportunidade de vencer o jogo no prolongamento, tendo, todavia, Modrić possibilitado a Kasper Schmeichel a defesa de uma grande penalidade, quando restavam apenas cerca de cinco minutos para jogar.
Assim, o ponto alto deste desafio seria mesmo a exibição protagonizada por ambos os guardiões, com soberbas defesas (fruto de grande concentração e excelentes gestos técnicos), a impedir o golo; no total, cada um deles (Schmeichel e Subašić) defendeu três remates da marca de grande penalidade (seis em onze tentativas!), com a diferença de os três do croata terem sido no desempate final, o que proporcionou à Croácia – após Modrić se ter também conseguido “redimir” da falha anterior – uma justa qualificação para a fase seguinte da competição.
Mundial 2018 – 1/8 de final – Espanha – Rússia
1-1 (3-4 g.p.)
David de Gea, Nacho (70m – Dani Carvajal), Gerard Piqué, Sergio Ramos, Jordi Alba, Koke, Isco, Sergio Busquets, Marco Asensio (104m – Rodrigo), David Silva (67m – Andrés Iniesta) e Diego Costa (80m – Iago Aspas)
Igor Akinfeev, Mário Fernandes, Ilya Kutepov, Sergey Ignashevich, Fedor Kudriashov, Yury Zhirkov (45m – Vladimir Granat), Alexander Samedov (61m – Denis Cheryshev), Roman Zobnin, Daler Kuziaev (97m – Aleksandr Erokhin), Aleksandr Golovin e Artem Dzyuba (65m – Fedor Smolov)
1-0 – Sergey Ignashevich (p.b.) – 12m
1-1 – Artem Dzyuba (pen.) – 41m
Desempate da marca de grande penalidade:
1-0 – Andrés Iniesta
1-1 – Fedor Smolov
2-1 – Gerard Piqué
2-2 – Sergey Ignashevich
Koke permitiu a defesa a Igor Akinfeev
2-3 – Aleksandr Golovin
3-3 – Sergio Ramos
3-4 – Denis Cheryshev
Iago Aspas permitiu a defesa a Igor Akinfeev
Cartões amarelos – Gerard Piqué (40m); Ilya Kutepov (54m) e Roman Zobnin (71m)
Árbitro – Björn Kuipers (Holanda)
Luzhniki Stadium – Moskva (15h00)
Este encontro seria quase como que uma réplica do que sucedera na derradeira meia hora do Uruguai-Portugal, mas, neste caso, ao longo de 120 minutos, nos quais a notória diferença de potencial entre ambos os conjuntos fez com que a Espanha dominasse durante todo o tempo, perante uma equipa russa que se limitou a procurar defender, tendo obtido um golo “feliz”, numa grande penalidade bastante polémica (remate ao braço de Piqué, que, de costas para o lance, saltara com os braços no ar…).
Mas, a verdade é que, também neste caso, a prolixa troca de bola entre os espanhóis, acabaria por se revelar absolutamente improdutiva, ineficaz no que ao objectivo de procurar chegar ao golo respeita.
Tendo conseguido arrastar a definição da eliminatória para o desempate da marca de grande penalidade, a equipa da casa veria então um algo “mal-amado” Akinfeev a ser o “herói” da noite, com duas defesas, a garantir um completamente inesperado apuramento para os 1/4 de final, ao mesmo tempo que – ainda prematuramente – remetia para casa uma das principais favoritas ao título…
Mundial 2018 – 1/8 de final – Uruguai – Portugal
2-1
Fernando Muslera; Martín Cáceres, José María Giménez, Diego Godín (c.) e Diego Laxalt; Nahitan Nández (81m – Carlos Andrés Sánchez), Lucas Torreira, Matías Vecino e Rodrigo Bentancur (63m – Cristian Rodríguez); Luis Suárez e Edinson Cavani (74m – Cristhian Stuani)
Rui Patrício; Ricardo Pereira, Pepe, José Fonte e Raphaël Guerreiro; Wiliam Carvalho, Bernardo Silva, Adrien Silva (65m – Ricardo Quaresma), João Mário (84m – Manuel Fernandes) e Gonçalo Guedes (74m – André Silva); Cristiano Ronaldo (c.)
1-0 – Edinson Cavani – 7m
1-1 – Pepe – 55m
2-1 – Edinson Cavani – 62m
Cartões amarelos – Cristiano Ronaldo (90m)
Árbitro – César Ramos (México)
Fisht Olympic Stadium – Sochi (19h00)
Depois de se ter experimentado o doce sabor do triunfo num Campeonato da Europa, é bastante mais difícil “contentar-nos” com um desfecho menos “glorioso”.
As expectativas tinham, porventura (mesmo que apenas em termos de subconsciente), sido colocadas a um nível excessivamente elevado – embora, sem excepção, todos os elementos afectos à selecção tivessem procurado “baixar a fasquia”, enfatizando sempre que Portugal não era favorito (de facto, não era…) -, e, não tanto a nível de fase a atingir nesta competição, mas, principalmente, do nível exibicional que se “requeria”.
Em retrospectiva, o comportamento da equipa portuguesa na fase de Grupos deixara já patente que o conjunto luso se apresentava abaixo do padrão de forma que revelara há dois anos, no Europeu; sobretudo, denotando uma aflitiva incapacidade de “ter bola”, de controlar o jogo, assim como de explorar os espaços facultados pelos adversários (situação bem evidente na partida frente a Marrocos).
Na teoria, esta eliminatória era bem repartida, num daqueles casos em que o chavão dos “50/50” parecia encaixar na perfeição. Isto, sem prejuízo de se saber que o Uruguai tinha dois esteios na defesa (a dupla de centrais do At. Madrid, formada por Giménez e Godín), a par de duas “lanças” potencialmente letais apontadas na frente (Cavani e Suárez).
Esperava-se (desejava-se) que Portugal conseguisse estar ao seu melhor nível, especialmente que Cristiano Ronaldo sobressaísse e que o meio-campo alcançasse a solidez que ainda não evidenciara neste Mundial. E, já agora, que a defesa tivesse um rigoroso nível de concentração, que lhe permitisse antecipar as investidas contrárias.
A turma nacional até começou por ter uma aparente boa entrada em campo, com atitude positiva, procurando assumir a iniciativa. Porém, o golo sofrido logo à passagem do sétimo minuto, numa primeira falha defensiva – num lance fantástico de entendimento entre os dois homens mais ofensivos da formação sul-americana, com os portugueses “a ver jogar” -, viria condicionar todo o desenrolar do jogo.
Agora, após o termo do desafio, podemos já concluir que o Uruguai foi bem mais competente “a fazer de Portugal” que a nossa própria selecção: “sólido como uma rocha” na missão defensiva (com uma muralha que se foi gradualmente reforçando à medida que o tempo avançava); com eficácia quase absoluta nos (escassos) movimentos de ataque (para além dos golos, ficou apenas na retina um outro remate, bem defendido por Rui Patrício), não perdoando qualquer desatenção.
Ao invés, Portugal ficou aquém em quase todos os parâmetros, em relação ao que se ansiava. Depois do tento inaugural, e até final do primeiro tempo, o “onze” português – com notórios equívocos de posicionamento, jogando na largura do campo, mas sem profundidade, com Cristiano Ronaldo encostado à linha, a procurar “pegar no jogo”, mas sem ninguém na zona de finalização – embora procurasse, desta feita, assumir o controlo do jogo, não conseguiu nunca criar uma jogada com “cabeça, tronco e membros”, que se pudesse dizer que tivesse constituído uma efectiva oportunidade de golo.
A configuração do jogo alterar-se-ia na metade complementar da partida – necessariamente, para melhor – com a equipa portuguesa a conseguir, fruto da insistência que registara desde a fase inicial da segunda parte, igualar o marcador, na sequência de um canto curto, com Raphaël Guerreiro a cruzar atrasado, surgindo Pepe, no centro da área, a elevar-se mais alto que toda a defesa contrária, cabeceando inapelavelmente para a baliza.
Portugal estava, então, “por cima” e pensou-se que poderia seguir numa dinâmica de vitória. Porém, por ironia do destino – apenas sete minutos volvidos -, seria o mesmo Pepe a ter uma comprometedora perda de bola, potenciando um rápido contra-ataque uruguaio, com a bola a chegar ao flanco esquerdo, onde Cavani, ligeiramente descaído, liberto de marcação (Ricardo Pereira estava “demasiado longe”, numa zona mais interior), num gesto técnico de excelência, de primeira, rematou subtilmente, com a bola a desferir um arco e a ir anichar-se junto ao poste mais distante (quando Rui Patrício procurava cobrir o lado direito da sua baliza).
Na meia hora que restava para jogar, a selecção portuguesa teria então a sua “melhor” fase no torneio, intensificando a pressão ofensiva, com o Uruguai, deliberadamente, a remeter-se à defesa – no tal reforço de uma muralha que acabaria por se vir a revelar efectivamente intransponível. Foram cerca de trinta minutos em que os portugueses estiveram instalados no meio-campo contrário, mas com jogadas sempre inconsequentes, deixando transparecer uma sensação de impotência para contrariar o rumo dos acontecimentos, sempre a “correr atrás do prejuízo” e de um “relógio em marcha acelerada”.
No final, “reclamava-se” que o resultado era “injusto” em função do que ambas as formação tinham exibido dentro de campo, em especial atendendo à forma como Portugal porfiou no ataque, em contraponto ao comportamento de “equipa pequena” do Uruguai, que, durante largo tempo, “apenas” se preocupou em preservar a vantagem.
Mas, a “justiça” do marcador final pode ser interpretada de outra forma: os uruguaios executaram muito melhor as tarefas que lhe eram cometidas – em ambas as vertentes, quer no ataque (a tal eficácia quase total), como da defesa (praticamente impenetrável) – do que os portugueses (lentos a reagir na defesa, atabalhoados e sem profundidade na organização ofensiva, esbarrando sempre na barreira contrária).
Num balanço final, Portugal – eliminado nos 1/8 de final, tal como sucedera há oito anos, no Mundial da África do Sul, então frente à Espanha, equipa que se viria a sagrar Campeã Mundial – sai da competição na mesma fase que a Argentina (e, saber-se-ia pouco depois, que a própria Espanha), tendo, pela primeira vez na sua história, superado a Alemanha.
Um desempenho que, inevitavelmente, “sabe a pouco” (a fronteira entre um resultado sofrível e um “sucesso” ficaria um pouco mais adiante, pelo menos pelos 1/4 de final), e que terá de ter associada uma renovação da selecção portuguesa (são vários os jogadores que terão tido a sua última presença em Mundiais – nove dos seleccionados com 30 ou mais anos, como são os casos de Bruno Alves, Beto, Pepe, Quaresma, José Fonte, Manuel Fernandes e João Moutinho, para além do guardião Rui Patrício e da “incógnita” Cristiano Ronaldo, o qual, em 2022, se aproximará dos 37 anos e meio…).
Mas, fundamentalmente, uma nova “visão” de jogo, mais afirmativa e construtiva, baseada no talento de jovens que despontam – e que se deseja venham a confirmar o seu valor, em idade mais “madura” – como Rúben Dias, Gonçalo Guedes, André Silva, Gelson Martins, Bruno Fernandes ou, porventura o seu expoente maior, Bernardo Silva (para além dos já “consagrados” Raphaël Guerreiro, João Mário e Wiliam Carvalho, assim como de alguns outros nomes que não integraram o presente lote de convocados).
Mundial 2018 – 1/8 de final – França – Argentina
4-3
Hugo Lloris, Benjamin Pavard, Raphaël Varane, Samuel Umtiti, Lucas Hernández, Kylian Mbappé (89m – Florian Thauvin), N’Golo Kanté, Paul Pogba, Blaise Matuidi (75m – Corentin Tolisso), Antoine Griezmann (83m – Nabil Fekir) e Olivier Giroud
Franco Armani, Gabriel Mercado, Nicolás Otamendi, Marcos Rojo (45m – Federico Fazio), Nicolás Tagliafico, Enzo Pérez (66m – Sergio Agüero), Javier Mascherano, Éver Banega, Cristian Pavón (75m – Maximiliano Meza), Ángel Di María e Lionel Messi
1-0 – Antoine Griezmann (pen.) – 13m
1-1 – Ángel Di María – 41m
1-2 – Gabriel Mercado – 48m
2-2 – Benjamin Pavard – 57m
3-2 – Kylian Mbappé – 64m
4-2 – Kylian Mbappé – 68m
4-3 – Sergio Agüero – 90m
Cartões amarelos – Blaise Matuidi (72m), Benjamin Pavard (73m) e Olivier Giroud (90m); Marcos Rojo (11m), Nicolás Tagliafico (19m), Javier Mascherano (43m), Éver Banega (50m) e Nicolás Otamendi (90m)
Árbitro – Alireza Faghani (Irão)
Kazan Arena – Kazan (15h00)
Num jogo quase de “sentido único”, com a Argentina – confirmando as grandes dificuldades que evidenciara para alcançar o apuramento, obtido praticamente “in extremis”, no desafio frente à Nigéria – sempre a aparentar estar “perdida dentro de campo”, não surpreendeu que a França tivesse chegado cedo à vantagem. O que surpreenderia – e muito – foi a forma como os franceses se viram a perder, com um primeiro tento de Di María, a findar a primeira parte e um outro, de Mercado, logo a abrir o segundo tempo.
Mas, muito mais equipa, a selecção francesa não se “descompôs” e, num intervalo de apenas onze minutos, reverteu um marcador de 1-2 para uns categóricos 4-2, com Mbappé a exibir-se ao mais alto nível (construíra já o lance que originara a grande penalidade que resultou no tento inaugural, vindo ainda a marcar dois golos).
O terceiro golo da Argentina, apontado já em tempo de compensação, apenas viria a dar ao “placard” final uma ilusória sensação de equilíbrio.
Mundial 2018 – 1/8 final
1/8 FINAL 1/4 FINAL 1/2 FINAIS FINAL
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