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(AINDA O) DÉFICE ORÇAMENTAL
Para limitar o défice orçamental de 2003, o Ministério das Finanças projecta ceder ao Citigroup (maior banco norte-americano) cerca de 10 000 milhões de euros de dívidas dos contribuintes ao Fisco e 2 500 milhões de euros de dívidas à Segurança Social. De imediato, o Banco deverá .adiantar. até 20 % do valor das dívidas adquiridas.
A operação foi atribuída pelo Ministério das Finanças, por .ajuste directo., sem concurso público, à .Sociedade de Titularização de Créditos Sagres., detida a 100 % pelo Citigroup, a qual será a única entidade registada na CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) para realização de operações desta natureza.
Associada a esta operação . e sem entrar no campo de questionar a validade de .manobras. deste género como forma de obter receitas e reduzir o défice ., coloco-me algumas interrogações:
– Como irão ser cobradas essas dívidas?
– Qual o valor total de cedência desses créditos (corresponderá ao valor nominal)?
– Qual a taxa de juro que o Estado português suportará em relação aos valores a adiantar pela adquirente?
– Quem assume o risco da (não) cobrança?
– Qual o direito da adquirente a devolver os créditos não cobrados?
– Caso aplicável, em que prazo?
[523]
ORÇAMENTO DE ESTADO vs. CREDIBILIDADE (III)
Estes .desvios. (ver “entrada” nº 488) tornam difícil aos agentes económicos, quer sejam empresários, quer se trate das pessoas em geral, ter a necessária confiança para retomar os investimentos (seja em novas fábricas, criando novos empregos, seja em aquisição de bens de consumo duradouro, como automóveis), sem o que a crise económica não poderá ser ultrapassada.
A situação complica-se quando, no Orçamento para 2004, se prevê um decréscimo do investimento público (ou seja, menos dinheiro a afectar à construção das tais novas estradas, escolas e hospitais, .), a par de um importante aumento dos valores necessários ao pagamento de subsídios de desemprego (de 1 200 milhões de euros para 1 600 milhões de euros.) e, por outro lado, o recurso a receitas extraordinárias para minorar o défice (venda de património).
Estes são sinais que apontam em sentido contrário à tão ansiada retoma!
Uma vez mais, vamos esperar que a conjuntura internacional permita dar uma forte ajuda na resolução dos problemas que, na parte que nos toca, parecem ser um .nó górdio. para os sucessivos Governos?
[508]
ORÇAMENTO DE ESTADO vs. CREDIBILIDADE (II)
Mais uma vez, em linguagem comum, o que significa .esta coisa. do .Orçamento de Estado., possivelmente uma expressão .esotérica. para parte importante dos portugueses?
O Orçamento é um documento, em que, com base em previsões e estimativas das receitas que o Estado terá durante o próximo ano (essencialmente as receitas fiscais, provenientes dos impostos pagos pelas pessoas e pelas empresas), define quais as despesas a realizar, ou seja, onde vai ser gasto o dinheiro dos contribuintes: por exemplo, para pagar os salários dos funcionários públicos, para investir em novas estradas, escolas e hospitais, . É com base no Orçamento de Estado que cada Ministro fica a saber quanto dinheiro vai ter disponível para distribuir/afectar pelas várias tarefas e actividades que pretende desenvolver.
Ora, nos últimos dois anos, as previsões e estimativas feitas pelo Governo falharam .drasticamente. (em particular, na parte das receitas, que acabaram por ficar bastante abaixo das inicialmente previstas); o défice (o que se gasta a mais em cada ano, relativamente às entradas de dinheiro que se conseguiu obter) tem ultrapassado o .objectivo., imposto a nível europeu, de 3 % do valor do Produto Interno Bruto (PIB); na prática, o que o Estado está a gastar .a mais. (face ao dinheiro que recebe) ultrapassa 5 % da .riqueza. produzida no país em cada ano (em termos absolutos, em 2003, o Estado gastará mais cerca de 7 000 milhões de euros do que o valor de receitas que obterá!).
(Continua…)
[502]
ORÇAMENTO DE ESTADO vs. CREDIBILIDADE (I)
A imagem de credibilidade é um activo de grande valor nos mercados financeiros internacionais.
Portugal acaba de lançar uma emissão de obrigações do tesouro (ou seja, recorrer a um empréstimo), no valor de 2 500 milhões de euros, com uma taxa de juro superior à paga por obrigações análogas emitidas pela Alemanha, o que representa custos (juros) adicionais de 37,5 milhões de euros (ao longo dos 10 anos de .vida. dessas obrigações).
Partilhando ambos os países a mesma moeda (Euro), com a mesma taxa de juro de referência (Euribor), Portugal tem de suportar um .prémio de risco. superior, associado essencialmente à credibilidade de cada país nos mercados financeiros internacionais.
O .prémio de risco. é o diferencial que os emitentes estão dispostos a pagar para atrair financiadores; na óptica dos subscritores destes empréstimos obrigacionistas, é quanto .exigem. receber a mais para compensar o risco de opção entre um país com maior credibilidade (.capacidade de pagamento apercebida. por quem empresta o dinheiro) ou outro com credibilidade inferior.
Por outras palavras, se um Banco empresta dinheiro a uma empresa que pensa que terá maior probabilidade de não lhe pagar atempadamente, quererá, não só obter uma garantia adicional, como receber uma taxa de juro maior (que .compense. o risco que está a correr).
Esta questão da credibilidade cruza-se directamente com a apresentação do .Orçamento de Estado. para 2004, como veremos em próximo texto.
[494]
DÉFICE ORÇAMENTAL 2003 (II)
O que se passa é uma situação preocupante, comparável a um caso de uma pessoa .gastadora compulsiva.: imagine-se uma pessoa que recebe mensalmente o seu salário, que começa por gastar nas suas despesas essenciais (alimentação, vestuário, habitação); o que acontece . contrariamente ao que se verificou durante muitos anos ., é que, em lugar de “preferir” conservar algumas poupanças para imprevistos futuros, a .febre consumista. dos dias de hoje levou essa pessoa a gastar mais do que os rendimentos que aufere; ao longo dos tempos, tal levou a que tivesse de se endividar, originando compromissos adicionais com o pagamento de juros.
E assim se entrou num .ciclo vicioso.: para .honrar. os compromissos anteriores, foi necessário contrair novas dívidas, com juros adicionais.
Para complicar a situação, essa pessoa que, contava com uns rendimentos extra, acabou por ver que, efectivamente, esses rendimentos acabaram por não se concretizar.
Mas, como se tinha comprometido a procurar equilibrar a relação entre as suas receitas e as suas despesas, teve de .lançar mão. de dois expedientes: por um lado, começar a vender algumas propriedades que tinha herdado de um tio; por outro, dirigiu-se a outro Banco e conseguiu um novo empréstimo.
O problema é que esta .solução. não é sustentável no médio prazo; rapidamente ficará sem nenhuma propriedade e, se continuar a gastar sistematicamente mais do que o que recebe, acabará por não conseguir pagar os juros dos empréstimos, até se chegar a um ponto em que nenhum Banco lhe emprestará mais dinheiro, acabando numa situação de .falência….
Ou seja, concluindo, é imperioso travar esta tendência .compulsiva. de gastar o que não se tem; para tal, é decisivo conseguir aumentar o .rendimento mensal..
No caso de um país . considerando que será difícil conseguir uma redução significativa das despesas (parte significativa delas .rígidas., ou seja, .indispensáveis.) ., tal passa essencialmente pela capacidade de maximizar a receita fiscal, não por via do aumento dos impostos, mas através da minimização da fuga ao fisco.
Será esse, talvez, o maior desafio do governo de um país, implicando uma consciencialização de todos de que se trata de uma questão de justiça, equidade e solidariedade social. Mas, para que tal possa ser mais facilmente interiorizado e aceite, é fundamental que os portugueses saibam o que é feito com o dinheiro que pagam de impostos.
[488]
DÉFICE ORÇAMENTAL 2003 (I)
O défice real das contas públicas no ano de 2003 (excluindo receitas extraordinárias) deverá vir a situar-se entre 5,2 e 5,5 % do Produto Interno Bruto (PIB), representando uma .derrapagem. de 3 500 milhões de euros (ou seja, 2,6 % do PIB).
Para além da quebra das receitas fiscais (face ao orçamentado), que poderá ascender a cerca de 3 200 milhões de euros (principalmente nas receitas de IVA e IRS), também as despesas públicas tiveram uma evolução desfavorável, com mais 300 milhões de euros que o previsto (decorrendo nomeadamente do aumento dos salários da função pública).
A cobertura (parcial) do défice . para que seja .oficialmente. reduzido até aos 2,94 % que serão apresentados em Bruxelas à União Europeia . será conseguida nomeadamente à custa da emissão de títulos do tesouro (ou seja, através da contracção de empréstimos, aumentando a dívida pública); o remanescente resultará de receitas extraordinárias, principalmente cerca de 950 milhões de euros com origem no Fundo de Pensões dos CTT, para além da venda de créditos fiscais e da Segurança Social a instituições bancárias.
Por trás desta linguagem .tecnocrática., algo redutora e que não será facilmente inteligível por parte significativa da população portuguesa, o que se passa de facto?
Procurarei, num próximo texto, .traduzir para português. o que representa toda esta situação.
[482]
"MODELO ESTRATÉGICO DA ECONOMIA"
O professor universitário e ex-ministro das Finanças Ernâni Lopes considera o modelo estratégico da economia portuguesa “esgotado”, apontando o turismo, o ambiente, as cidades e os serviços como as apostas do futuro.
E o Governo, o que pensará desta reflexão?
[298]
MATEUS ROSÉ – LÍDER MUNDIAL
Com 60 anos de vida, regista um estrondoso sucesso, tendo conquistado milhões de apreciadores um pouco por todo o mundo.
O conceito da garrafa, inspirada no formato de um cantil militar, adaptada à estética do século XXI, contrasta com a sua imagem de paz e beleza, reproduzindo no rótulo o belo Palácio de Mateus.
O vinho mais famoso de Portugal (talvez não em Portugal…) é um campeão de vendas a nível mundial no seu segmento e, claro, um dos nossos maiores “embaixadores”.
Merecedor portanto desta referência especial… (é claro que não se trata de publicidade paga!).
[139]
HUMAN DEVELOPMENT INDEX (VII)
Por fim, no que respeita aos factores .Desempenho económico. / .Difusão tecnológica., destacam-se os seguintes indicadores, respectivamente, .PIB em biliões de USD.; .PIB per capita em USD.; .% Crescimento anual do PIB 1990-2001.; .Taxa de inflação média anual 1990-2001.; .Telefones por 1 000 habitantes.; .Telemóveis por 1 000 habitantes.; .Utilizadores de Internet por 1 000 habitantes.:
– Noruega: 166 / 36 815 / 2,9 / 2,2 / 732 / 815 / 464
– Islândia: 7,7 / 27 312 / 2,1 / 2,9 / 664 / 865 / 599
– Suécia: 210 / 23 591 / 1,7 / 1,8 / 739 / 790 / 516
– Austrália: 369 / 19 019 / 2,7 / 2,2 / 541 / 574 / 371
– Holanda: 380 / 23 701 / 2,3 / 2,4 / 621 / 767 / 491
– Bélgica: 230 / 22 323 / 1,9 / 1,9 / 498 / 747 / 310
– EUA: 10 065 / 35 277 / 2,1 / 2,7 / 667 / 451 / 502
– Canadá: 695 / 22 343 / 2,1 / 1,7 / 676 / 362 / 467
– Japão: 4 141 / 32 601 / 1,0 / 0,6 / 586 / 588 / 384
– Suíça: 247 / 34 171 / 0,3 / 1,5 / 732 / 728 / 307
.
– Portugal: 110 / 10 954 / 2,6 / 4,3 / 425 / 774 / 282
Relativamente aos aspectos económicos, Portugal terá ainda que recuperar de forma significativa, particularmente o valor de PIB per capita, assim como necessita conseguir a redução da taxa média de inflação.
Destaque para o número de telemóveis por 1 000 habitantes (uma particularidade portuguesa, que terá provocado inclusivamente a redução do número de telefones fixos), .competindo. ao nível dos maiores utilizadores mundiais (nomeadamente os países nórdicos: Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia; para além de Áustria, Itália, Israel e Hong Kong, também acima de 800, com o .recordista mundial. a ser o Luxemburgo, com 920).
Finalmente, a nível de utilizadores de Internet, haverá ainda um longo caminho a percorrer para uma aproximação aos países do topo mundial.
Termina hoje a apresentação dos principais indicadores integrantes do Relatório da ONU sobre o .Índice de Desenvolvimento Humano..
Em síntese, aqui foram destacados, nos últimos 7 dias, os países com melhor desempenho nos aspectos mais relevantes dessa classificação, assim como os correspondentes dados comparativos referentes a Portugal.
Muito mais haveria concerteza a dizer (nomeadamente sobre os países .menos ricos., para usar um eufemismo), mas tal seria uma tarefa árdua e que iria inevitavelmente tornar a leitura cansativa e fastidiosa. Farei portanto, tal como no primeiro dia, nova remissão para o relatório emitido pela ONU.
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HUMAN DEVELOPMENT INDEX (VI)
Relativamente a outro dos factores determinantes nesta classificação . .Gastos Públicos com Educação. / .Literacia.. destacam-se os seguintes indicadores, respectivamente, .Gastos Públicos com Educação (% do PIB); .Taxa de literacia de adultos.; .Taxa de literacia população entre 15 e 24 anos.; .Ratio de estudantes no ensino secundário.:
– Noruega: 6,8 / 100 / 100 / 95
– Islândia: n.d. / 100 / 100 / 83
– Suécia: 7,8 / 100 / 100 / 96
– Austrália: 4,7 / 100 / 100 / 90
– Holanda: 4,8 / 100 / 100 / 90
– Bélgica: 5,9 / 100 / 100 / n.d.
– EUA: 4,8 / 100 / 100 / 88
– Canadá: 5,5 / 100 / 100 / 98
– Japão: 3,5 / 100 / 100 / 100
– Suíça: 5,5 / 100 / 100 / 88
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– Portugal: 5,8 / 92,5 / 99,8 / 85
Realce positivo para a recuperação que Portugal tem conseguido ao nível da taxa de literacia, que se espera esteja a caminho dos 100 %. A percentagem de estudantes no ensino secundário (incidindo sobre a totalidade da população em idade de frequentar esse grau de escolaridade) será um dos aspectos ainda a melhorar.
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