Mundial 2026 – Portugal – Espanha
6 Julho, 2026 at 10:02 pm Deixe um comentário
0-1
Diogo Costa, João Cancelo (71m – Diogo Dalot), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes (56m – Nélson Semedo), João Neves, Vítor Ferreira “Vitinha” (83m – Bernardo Silva), Pedro Neto (83m – Francisco Conceição), Bruno Fernandes, João Félix (71m – Rafael Leão) e Cristiano Ronaldo
Unai Simón, Pedro Porro, Pau Cubarsí, Aymeric Laporte, Marc Cucurella, Rodrigo “Rodri” Hernández, Daniel “Dani” Olmo (85m – Mikel Merino), Pedro “Pedri” González (85m – Fabián Ruiz), Lamine Yamal, Alejandro “Álex” Baena (75m – Ferran Torres) e Mikel Oyarzabal (90m+7 – Borja Iglesias)
0-1 – Mikel Merino – 90m+1
Cartões amarelos – Bernardo Silva (89m) e Renato Veiga (90m+4); Ferran Torres (90m+8)
Árbitro – Anthony Taylor (Inglaterra)
AT&T Stadium, Arlington – Dallas (14h00 / 20h00)
O que mais poderá ter surpreendido neste (há bastante anunciado) desfecho da participação da selecção portuguesa no Mundial foi o golo ter chegado tão tarde, já depois do tempo regulamentar.
Isto, apesar de, em termos gerais, na primeira metade, se ter registado alguma toada de equilíbrio, com as duas equipas a mostrar respeito mútuo – não obstante a maior posse de bola da Espanha, mas falha de eficácia –, e pese embora tenha havido boas oportunidades de ambos os lados.
Logo aos sete minutos, anota-se uma tentativa de João Cancelo, com um remate de meia distância, por alto. Na resposta, a Espanha teria a primeira ocasião soberana para marcar, com um remate cruzado de Oyarzabal (que se conseguira isolar), sem hipótese para Diogo Costa, mas a sair ligeiramente ao lado.
Aos 16 minutos, Yamal, também a surgir solto, desta vez pelo flanco direito do ataque, a internar-se e a rematar sem oposição, com o guardião atento, a fazer uma primeira defesa de recurso, a soco, tendo a bola ressaltado para os pés de Baena, que rematou um arco, a solicitar nova sensacional estirada de Diogo Costa, a salvar o golo.
À passagem da meia hora, outra vez Diogo Costa em acção, desta feita a defender qual guarda-redes de andebol, com a perna esticada, tendo a recarga saído fraca e desenquadrada.
Seis minutos volvidos, Cristiano Ronaldo, com um remate algo acrobático, em posição muito difícil, a sair frouxo, possibilitando a recuperação de Unai Simón.
Até que, estavam completados 40 minutos, Portugal teve a sua melhor oportunidade de marcar, num excelente remate de Nuno Mendes, em cima da linha de grande área, quase no seu vértice direito (no sentido atacante), com a bola ainda a desviar num adversário, antes de embater com estrondo na trave, estando o guardião “batido”.
Ao intervalo, Diogo Costa parecia bastante moralizado pela forma como lhe correra a primeira parte; bem precisaríamos que o jogo lhe continuasse de feição.
Porém, a configuração do desafio mudaria substancialmente na etapa complementar, sobretudo a partir da saída de Nuno Mendes, por lesão, com 55 minutos jogados.
A partir daí, Portugal ver-se-ia forçado a recuar no terreno, perante a sucessão das investidas contrárias, em paralelo com a fadiga que os seus jogadores-chave iam denotando, em especial Bruno Fernandes – também em função das substituições operadas por Martínez, que provocariam que a equipa ficasse como que “partida”, sem conseguir interligar os seus sectores, primeiro com a entrada de Rafael Leão, e, já nos últimos dez minutos, de Francisco Conceição e Bernardo Silva.
Logo à hora de jogo, outra ocasião de perigo para a Espanha, mas com um remate desastrado de Pedri, muito por alto. E, aos 65 minutos, nova jogada de insistência, após uma série de “carambolas”, com a bola a morrer nas mãos de Diogo Costa.
A selecção portuguesa estava, notoriamente, necessitada da “pausa para hidratação”…
Aos 73 minutos, mais uma intervenção atenta do guardião português, a desviar para canto um remate de Yamal, na marcação de um livre, sensivelmente na mesma posição do remate de Nuno Mendes à barra.
Apenas mais três minutos decorridos, a única ocasião em que a selecção nacional como que “estrebucharia”, com o remate de Bruno Fernandes a poder dar a ilusão de golo, mas a bola embater nas malhas laterais.
Outros três minutos, Diogo Costa chamado a interceptar a bola, num cruzamento perigoso, na conversão de um canto, e, na continuação da jogada, a ter de intervir novamente. Ainda esse mesmo minuto 79, como que numa “terceira vaga”, outra vez a sensação de perigo na área portuguesa, com um corte de um defesa.
Quando parecia expectável o prolongamento, tudo se “desmoronou”, apenas oito segundos após se ter completado o minuto noventa: boa triangulação pela faixa central do terreno, à entrada da área, a isolar Merino (recém-entrado em campo, cinco minutos antes) entre os centrais portugueses, que, à saída de Diogo Costa, lhe desviou a bola do alcance, inapelavelmente para o fundo das redes.
O árbitro determinara que se jogassem seis minutos de tempo de compensação, e as notícias não eram boas para Portugal: por um lado, a Espanha ultrapassara já os 600 minutos consecutivos sem sofrer golos em encontros do “Mundial”; por outro, tendo sido, entretanto, esgotadas já as cinco substituições, o único “ponta-de-lança”, Gonçalo Ramos, ficara refém no banco de suplentes.
Ainda assim, já em desespero, só nos cinco derradeiros minutos Portugal tentaria “jogar à bola”, então forçado a atacar…
Aos 90m+6, um bom centro de Francisco Conceição, para a cabeça de Bernardo Silva, à entrada da pequena área, mas com a bola a sair mal direccionada, por cima. Para, já aos 90m+9, na marcação de um livre para a área, João Neves a surgir muito oportuno, antecipando-se à defesa contrária, e a cabecear, mas ao lado… mesmo no último suspiro do jogo (aos 98:39, tendo o árbitro apitado pela última vez aos 98:42!).
Numa partida em que a Espanha estivera praticamente sempre na “mó de cima”, não se pode dizer que o golo sofrido tivesse sido por “azar”, pelo que o resultado terá de se considerar justo.
Portugal queda-se pelos 1/8 de final, mesmo que eliminado pelo Campeão Europeu em título, com um desempenho aquém das expectativas, sobretudo em termos exibicionais.
Na conferência “pós-jogo”, de imediato Roberto Martínez anunciaria a sua saída, num fim de ciclo, em que, porventura, terá sido mais vítima da sua dificuldade de afirmação, nomeadamente perante o impacto mediático e financeiro de uma figura central e omnipresente como foi Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, necessariamente já distante das suas melhores épocas, incapaz de cumprir como titular de uma selecção com ambições; a verdade é que, terminado o desafio, havia 9 câmeras em torno de Cristiano, em pleno relvado…
Ao seleccionador agora demissionário fica, inevitavelmente, associada uma interrogação determinante: porque é que praticamente todos os jogadores estiveram aquém da bitola exibicional que, regularmente, apresentam nos seus clubes? Tal deveu-se a questões tácticas ou estratégicas? De organização e posicionamento dentro de campo? De sistema de jogo? De opções a nível do grupo de seleccionados? Ou do “onze” titular?
Parece, por outro lado, haver alguma tendência genérica de sobrevalorizar a excelência dos jogadores portugueses (mesmo que alguns militem nos principais clubes europeus, tendo-se, quatro deles, sagrado recentemente bicampeões europeus pelo Paris Saint-Germain) – mas, por exemplo (e para além do caso singular de Cristiano Ronaldo), também Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Cancelo não estão já no auge; Rafael Leão e João Félix (que não fez um mau torneio) pecam pela falta de consistência; Pedro Neto revela-se inconsequente, etc..
Mas, fundamentalmente, o mais determinante terá sido a falta de colectivo que pudesse potenciar a valia das individualidades.
Aliás, num balanço geral, tendo em consideração a forma como a selecção portuguesa quase acabou por se “auto-sabotar” nos últimos três anos, os resultados obtidos (1/4 de final no “EURO”, eliminada pela França no desempate por penalties; vitória na Liga das Nações; e, agora, os 1/8 de final no Mundial), acabam até por ser bastante positivos. Claro, almejávamos mais…
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