Mundial 2026 – Portugal – Uzbequistão
23 Junho, 2026 at 8:00 pm Deixe um comentário
5-0
Diogo Costa, João Cancelo (45m – Nélson Semedo), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes, João Neves (76m – Bernardo Silva), Vítor Ferreira “Vitinha” (83m – Rafael Leão), Pedro Neto (45m – Francisco Conceição), Bruno Fernandes, João Félix (63m – Francisco Trincão) e Cristiano Ronaldo
Abduvohid Nematov, Abdukodir Khusanov, Abdulla Abdullaev, Rustam Ashurmatov, Bekhruzdjon Karimov (90m – Ruslanbek Jiyanov), Odiljon Hamrobekov (45m – Akmal Mozgovoy), Otabek Shukurov (90m – Sherzod Esanov), Sherzod Nasrullayev (45m – Khojiakbar Alijonov), Abbosbek Fayzullaev (73m – Igor Sergeev), Azizjon Ganiev e Eldor Shomurodov
1-0 – Cristiano Ronaldo – 6m
2-0 – Nuno Mendes – 17m
3-0 – Cristiano Ronaldo – 39m
4-0 – Abduvohid Nematov (p.b.) – 60m
5-0 – Rafael Leão – 87m
Cartões amarelos – Renato Veiga (68m); Odiljon Hamrobekov (14m)
Árbitro – Jalal Jayed (Marrocos)
NRG Stadium, Houston (12h00 / 18h00)
Como não poderia deixar de ser, a selecção de Portugal reagiu de forma positiva, realizou um jogo sério, competente (peso embora tenha ainda pecado na finalização) e, desta vez, a mostrar “trabalho de casa”. E, naturalmente, o resultado é o reflexo de uma boa actuação, mas, também, necessariamente, de um opositor com notórias debilidades.
A atitude foi a melhor, desde início, com uma entrada a “todo o gás”, a empurrar a equipa do Uzbequistão para as imediações da sua área, e, tendo a selecção nacional, por coincidência, voltado a chegar ao golo logo aos seis minutos (tal como sucedera na partida inaugural), já antes disso criara um par de situações de perigo, primeiro numa excelente execução de Bruno Fernandes, mas com um defesa a oferecer o corpo à bola, salvando “in extremis”, e, de seguida, Cristiano Ronaldo a ficar a centímetros de conseguir desviar para o golo.
O mesmo Cristiano, num remate ao seu melhor estilo, “em raquete”, estreava-se a marcar – depois da sofrível exibição no primeiro desafio, em que, praticamente, “passara ao lado” do jogo – , o que o levaria, no final, a gritar, para as câmaras: “I’m back”. Mesmo que tal não corresponda à realidade, a verdade é que se tornou no primeiro jogador a marcar em 6 edições do Campeonato do Mundo (num período de [mais de] vinte anos ao mais alto nível, entre 2006 e 2026), uma proeza fantástica, porventura insuperável!
A turma portuguesa, imbuída de uma forte vontade de mostrar serviço, continuou a acelerar, criando um turbilhão de lances ofensivos – quase se esquecendo de defender, o que, neste caso em concreto, acabou por não se revelar necessário –, não surpreendendo que tenha ampliado a contagem pouco depois de completado o primeiro quarto de hora. Num livre, de que o árbitro demorou eternidades a autorizar a sua marcação, o guarda-redes Nematov foi surpreendido pela postura de Ronaldo, com todo um demorado ritual de preparação, acabando por, subitamente, ser Nuno Mendes a desferir um inapelável tiro, muito colocado, directo para o fundo da baliza.
A famigerada pausa para hidratação, adoptada nos jogos deste “Mundial” (na prática a fazer dividir os encontros em “quatro partes”, com evidente aproveitamento com intuitos comerciais) teve associada, nos minutos seguintes, alguma quebra de foco e de intensidade. Mas por pouco tempo, porque, ainda antes do intervalo, Cristiano Ronaldo, numa boa desmarcação, sobre o lado direito da grande área, bisava, chegando aos dez golos em “Mundiais”, superando a marca de nove tentos apontados por Eusébio (este, numa única edição, em 1966!…).
E poderia bem ter chegado ao “hat-trick” (ou mais!…), noutras oportunidades, uma delas em que houve uma “embrulhada” com a defesa contrária, no momento em que procurava visar as redes contrárias, com a bola ainda a ressaltar, tendo Khusanov salvado em cima da linha de golo; e, noutro livre, em que, de novo, ficou patente a preparação das “bolas paradas”, desta feita com Cristiano (sempre ele!) como que a desinteressar-se do lance, mas a correr rapidamente por entre a barreira, surpreendendo todos os adversários, e o livre a ser marcado com a bola “picada”, para Ronaldo ir captar mais à frente, isolado frente ao guardião, com o qual chocaria, acabando a bola por se perder.
Na segunda metade a toada do jogo não se alteraria, mesmo que a ritmo mais moderado, vindo Portugal a chegar ao 4-0 à passagem do quarto de hora, na sequência de um pontapé de canto, com a bola, depois de um toque subtil de Cristiano na pequena área, a tabelar num defesa e, ainda, no guarda-redes, acabando por anichar-se no fundo das redes.
Aos 74 minutos, Cristiano Ronaldo – desta feita muito em jogo –, teve mais uma notável acção, com dois toques dentro da área e um remate bem direccionado, a requerer apertada intervenção de Nematov, a evitar o que poderia ter sido mais um golo. Mais dez minutos volvidos seria também Bruno Fernandes a testar a atenção do guarda-redes, com um pontapé de meia distância.
O quinto golo acabaria mesmo por chegar, numa exímia intervenção de Rafael Leão, a rematar de baixo para cima, com a bola a sair muito colocada, sem hipóteses de defesa. E, a fechar, já em tempo de compensação, num remate cruzado de Francisco Trincão, a bola sairia muito ligeiramente ao lado do poste mais distante.
Em síntese, foram cinco, poderiam ter sido até dez. O corolário de uma boa exibição da equipa portuguesa, a querer demonstrar que sabe jogar bem mais do que tinha feito na abertura. Mas, terá de assinalar-se, perante uma oposição bastante frágil.
Em qualquer caso, o mais importante nesta fase – o apuramento para os 1/16 avos de final – deverá ter sido já assegurado, com os quatro pontos já averbados (dependendo das pontuações finais que os 3.º classificados dos vários grupos venham a obter, mas não sendo crível que – para mais com a boa margem de golos de que dispõe – possa haver oito dessas selecções com melhor registo).
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