Mundial 2026 – Portugal – R. D. Congo

17 Junho, 2026 at 8:00 pm Deixe um comentário

Portugal R. D. Congo 1-1

Portugal Diogo Costa, João Cancelo, Tomás Araújo, Renato Veiga, Nuno Mendes (72m – Nélson Semedo), João Neves, Vítor Ferreira “Vitinha” (83m – Gonçalo Ramos), Bernardo Silva (45m – Francisco Conceição), Bruno Fernandes, Pedro Neto (72m – Rafael Leão) e Cristiano Ronaldo

R. D. Congo Lionel Mpasi-Nzau, Aaron Wan-Bissaka (85m – Gédéon Kalulu), Chancel Mbemba, Axel Tuanzebe, Steve Kapuadi, Fuka-Arthur Masuaku (74m – Joris Kayembe), Samuel Moutoussamy, Ngal’ayel Mukau (57m – Noah Sadiki), Edouard “Edo” Kayembe (74m – Charles Pickel), Cédric Bakambu (85m – Simon Banza) e Yoane Wissa

1-0 – João Neves – 6m
1-1 – Yoane Wissa – 45m

Cartões amarelos – Bernardo Silva (13m), Nélson Semedo (88m) e Tomás Araújo (90m); Chancel Mbemba (32m)

Árbitro – Abdulrahman Al-Jassim (Qatar)

NRG Stadium, Houston (12h00 / 18h00)

Na estreia portuguesa no Mundial, o resultado foi mau. Poderia ter sido pior; poderia ter sido melhor. Mas, pior que o resultado foi a exibição, completamente desinspirada.

Como ponto prévio, de enquadramento, deverá atentar-se que, dos 16 jogadores que alinharam pela equipa da R. D. Congo, somente três são naturais do país (os defesas centrais Mbemba e Tuanzebe, e Kayembe); sendo nada menos de oito os nascidos em França, para além de três originários da Bélgica. Por seu lado, quinze deles militam em clubes europeus (a única excepção é Banza, ex-Braga, actualmente no Al Jazira, nos Emiratos Árabes Unidos): destacam-se os contingentes de Inglaterra (cinco, no Newcastle, Sunderland, West Ham, Burnley e Watford) e de França (quatro jogadores, dois no Lille, Lens e Havre).

Isto dito, não se trata de uma selecção “qualquer”, mas, que, obviamente, não justifica que a turma nacional não tivesse tido a competência para se impor em termos do desfecho da partida.

Até porque, completados apenas os cinco minutos iniciais, Portugal logo se colocou em vantagem, num oportuno desvio de cabeça de João Neves, mais rápido (e melhor posicionado) que os defesas contrários. Esse golo não alterou a toada de jogo da formação congolesa, que persistiu remetida à sua zona recuada, oferecendo a iniciativa – e a bola – ao conjunto português. Os dados estatísticos eram avassaladores, quase a aproximar-se de 80% de posse bola, mas uma posse absolutamente estéril, com escasso número de remates à baliza.

A equipa nacional ter-se-á (mesmo que subconscientemente) mentalizado que outro(s) golo(s) acabariam por surgir, em contraponto à falta de criatividade que, sobre o relvado, ia evidenciando, notoriamente falha de dinâmica e intensidade, e com elementos que pareciam como que alheados do jogo, em que nada lhes saía bem (com exemplos mais evidentes nos péssimos desempenhos de Bernardo Silva, Nuno Mendes e João Cancelo). Do lado do opositor, o seu guarda-redes, Mpasi-Nzau, tinha uma tarde “descansada”, como porventura não imaginaria.

Há, necessariamente, que abordar ainda o “elefante na sala”: o grande problema que, hoje em dia, Cristiano Ronaldo representa, sem participação a nível de futebol associativo, sem o fulgor (físico e de explosão) que o caracterizou, e, objectivamente, ineficaz.

Cristiano não soube “sair a tempo”, com a ânsia dos records, e até nisso (do maior número de golos marcados na carreira) é bem provável que acabe também por vir a ser ultrapassado (a “breve prazo”, por Messi).

Ronaldo foi, neste desafio, quase que “um jogador a menos”… ou, pior, ao interpor-se, com um remate falhado, num lance em que a bola iria sobrar para Bruno Fernandes, muito melhor posicionado para visar a baliza. Na minha perspectiva, uma opção inconcebível para alinhar como titular, numa selecção com aspirações a fazer (boa) figura na prova.

Voltando ao colectivo, perante a exibição efectuada, suscita-se igualmente a interrogação: o que farão nos treinos?… Uma vez que não foi visível qualquer “trabalho de casa”, tal a falta de ligação entre sectores, parecendo cada um por si. E, também aqui, há um inevitável “bode expiatório”, Roberto Martínez.

E, naturalmente, à medida que o tempo ia passando, o conjunto congolês ia adquirindo maior confiança, começando, aqui e ali, a despontar, e a conseguir levar algumas investidas até ao sector defensivo contrário.

Estávamos a entrar já no último dos cinco minutos de tempo de compensação concedido pelo árbitro, quando, na sequência de um pontapé de canto, mas com uma jogada trabalhada, de alguma envolvência, a R. D. Congo chegou ao golo do empate, num lance em que, pela passividade demonstrada, não saindo dos postes, Diogo Costa também não poderá passar incólume, a par, claro está, dos centrais, que permitiram que Wissa tivesse todo o espaço disponível para visar com êxito a baliza.

Na segunda parte, o jogo continuou a arrastar-se, agora já sem uma tendência de “domínio” tão definida, sendo que o grupo africano ia ameaçando, a espaços, em mais de um par de ocasiões, poder tentar chegar de novo ao golo. O futebol estereotipado da equipa portuguesa, com insistentes lateralizações (e algumas vãs tentativas de cruzamento para a área), não dava sinais de uma reacção positiva, e, na realidade, o lance de maior perigo terá sido o tal em que a bola acabou por não chegar a Bruno Fernandes…

Se Portugal foi “superior” em termos de controlo de jogo, sim, claro. Se essa “superioridade” seria de molde a justificar a vitória, será decerto mais discutível.

Os sinais transmitidos são preocupantes, tanto mais que não se vislumbra, em Roberto Martínez (tradicionalmente muito conservador), o necessário “golpe de asa”, que permita à equipa ter outro tipo de desempenho, muito mais assertivo e efectivo, perante adversários que, tendencialmente, privilegiam o risco mínimo e a protecção da sua baliza.

Em qualquer caso, não passará pela cabeça de ninguém repetir um desempenho tão fraco, e, sobretudo, não ganhar o próximo jogo, frente ao Uzbequistão…

Entry filed under: Mundial 2026. Tags: , .

O Pulsar do Campeonato – Supertaça Mundial 2026 – Resultados e Classificações – 1ª jornada

Deixe um comentário

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Autor – Contacto

Destaques


Literatura de Viagens e os Descobrimentos Tomar - História e Actualidade
União de Tomar - Recolha de dados históricosSporting de Tomar - Recolha de dados históricos

Calendário

Junho 2026
S T Q Q S S D
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Arquivos

Pulsar dos Diários Virtuais

O Pulsar dos Diários Virtuais em Portugal

O que é a memória?

Memória - TagCloud

Jogos Olímpicos

Categorias

Notas importantes

1. Este “blogue" tem por objectivo prioritário a divulgação do que de melhor vai acontecendo em Portugal e no mundo, compreendendo nomeadamente a apresentação de algumas imagens, textos, compilações / resumos com origem ou preparados com base em diversas fontes, em particular páginas na Internet e motores de busca, publicações literárias ou de órgãos de comunicação social, que nem sempre será viável citar ou referenciar.

Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no topo desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.

2. Os comentários expressos neste "blogue" vinculam exclusivamente os seus autores, não reflectindo necessariamente a opinião nem a concordância face aos mesmos do autor deste "blogue", pelo que publicamente aqui declino qualquer responsabilidade sobre o respectivo conteúdo.

Reservo-me também o direito de eliminar comentários que possa considerar difamatórios, ofensivos, caluniosos ou prejudiciais a terceiros; textos de carácter promocional poderão ser também excluídos.