O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Final
6 Junho, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

(“O Templário”, 04.06.2026)
Não houve surpresa no passado sábado, no Estádio Municipal Papa Francisco, em Fátima, com o novo Campeão Distrital a superiorizar-se, com naturalidade, a um adversário que milita no escalão secundário. Em sete finais da Taça do Ribatejo disputadas, a equipa do Fazendense conquistou o seu sexto troféu na prova (apenas fora batida – no desempate da marca de grande penalidade – na primeira presença no jogo decisivo, em 1989), ampliando a sua vantagem sobre a concorrência em termos de palmarés na competição, agora com o dobro dos títulos dos mais directos seguidores (Tramagal, At. Riachense, Amiense, Coruchense e Ferreira do Zêzere, cada um com três Taças).
Após os triunfos alcançados em 2006, 2012, 2014, 2016 e 2022, o Fazendense confirma a tendência de ganhar a prova em (vários) ciclos de dez anos – tendo “falhado” apenas na edição de 2024, época em que se quedou pelas meias-finais, então superado pelo Alcanenense (finalista).
Esta foi já a 14.ª vez que o Campeão se sagrou também vencedor da Taça, fazendo a “dobradinha”, repetindo os feitos de: Amiense (1977); Samora Correia (1983 e 1994); Águias de Alpiarça (1985); Benavente (1991); U. Rio Maior (2002); Abrantes FC (2003); Monsanto (2004); At. Riachense (2009 e 2010); Coruchense (2015); U. Santarém (2019); e Ferreira do Zêzere (2025).
Taça do Ribatejo – Num prélio entre dois emblemas com histórico (e palmarés) tão díspar na competição – com o Moçarriense a marcar presença na final da Taça pela primeira vez no historial do clube (o melhor registo que, até então, obtivera fora a presença nos quartos-de-final, por três vezes, nos anos de 2006, 2010 e 2016) – e que integraram, nesta época, diferentes escalões (pese embora a equipa da Moçarria se encontre activamente a disputar a promoção à I Divisão Distrital), projectava-se já um claro favoritismo do recentemente sagrado Campeão Distrital, Fazendense.
O conjunto das Fazendas, tendo disputado um total de cinco desafios, assegurou a invencibilidade na presente edição, mas registando apenas duas vitórias dentro de campo (5-0 ao At. Pernes, nos quartos-de-final, e 2-0 ao Moçarriense… na final); para além de três empates (em Coruche, na pré-eliminatória, assim como nas duas partidas das meias-finais, ante o Mação – tendo, de ambas as ocasiões, sido mais eficaz no desempate da marca de grande penalidade). Beneficiara ainda da falta de comparência do Cartaxo no encontro dos 1/8 de final.
Por seu lado, o Moçarriense chegava ao derradeiro embate também ainda invicto, tendo somado quatro triunfos e dois empates, tendo, por duas vezes, envergado a veste de “tomba-gigantes”: indo ganhar ao Amiense, no Campo da Azenha, por 2-0, nos 1/8 de final; e repetindo a proeza, nos 1/4 de final, superando o Torres Novas, mesmo que no desempate por “penalties”.
A estratégia que o grupo da Moçarria teria delineado para este confronto cedo ficou abalada, com o primeiro tento sofrido, apontado pelo Fazendense ao 13.º minuto, o que, desde logo, proporcionou maior tranquilidade à equipa que, à partida, dispunha já de superiores argumentos.
Tendo a diferença mínima no marcador subsistido até final do primeiro tempo, o desfecho desta final ficou praticamente sentenciado no recomeço do desafio, com o segundo golo da turma das Fazendas de Almeirim, decorria o segundo minuto da etapa complementar.
Dando forte réplica, o Moçarriense ia esboçando tentativas de contrariar a supremacia do adversário, deixando imagem bem positiva, não tendo o marcador voltado a funcionar, traduzindo o resultado de 2-0 certo equilíbrio a nível do desempenho dos dois contendores, mesmo que seja inquestionável a vitória do Fazendense, que foi controlando o desenrolar da partida.
II Divisão Distrital – A encerrar a primeira volta da fase final deste campeonato, ficou, necessariamente, adiado (agendado para esta quarta-feira, dia 3 de Junho) o que seria o “jogo-grande” da jornada, entre os então dois primeiros classificados, Moçarriense-Ouriquense.
Nas duas partidas disputadas no último domingo, os candidatos à subida confirmaram o favoritismo, mas tiveram de correr bem mais do que esperariam, obtendo árduos triunfos.
O Vasco da Gama, recebendo o “lanterna vermelha”, U. Atalaiense (que viria a somar o quinto desaire em outros tantos encontros realizados), experimentou grandes dificuldades para conseguir desbloquear o jogo, com o nulo a subsistir até ao intervalo, só já em fase adiantada vindo a chegar ao solitário golo que lhe conferiu os três pontos.
Em Salvaterra, a formação local, enfrentando o Pego (5.º e penúltimo classificado, que, até agora, apenas conseguiu vencer na Atalaia), arrancou uma vitória “in extremis”, quase ao “cair do pano”. Os pegachos marcaram primeiro, chegando ao descanso em vantagem. Com dois golos apontados em curto período de cinco minutos, a meio da segunda parte, poderia julgar-se que o mais difícil estaria feito, por parte do Salvaterrense. Mas não: a turma do Pego prontamente repôs a igualdade, que só viria a ser desfeita, com o 3-2 para os donos da casa, a três minutos do fim.
Em qualquer caso, os resultados da 5.ª ronda vêm confirmar que, de facto, há quatro candidatos assumidos às três vagas de promoção à I Divisão Distrital, agora separados por um único ponto – mesmo atendendo a que há dois concorrentes com um jogo a menos – Ouriquense e Vasco da Gama lideram, com dez pontos; seguindo-se de imediato Moçarriense e Salvaterrense, com nove!
Liga 3 – Não houve golos no Restelo, no jogo da 2.ª mão do “play-off”, entre Belenenses (3.º da Liga 3) e Farense (16.º classificado da II Liga), pelo que a turma algarvia – que se havia imposto, na 1.ª mão, por 1-0 – mantém a sua posição na segunda divisão do futebol profissional; ao invés, o Belenenses perde a eliminatória de acesso a esse escalão pelo segundo ano sucessivo (depois de, na temporada precedente, ter sido superado pelo Paços de Ferreira), subsistindo na Liga 3.
Campeonato de Portugal – Terminada a segunda fase, é de destacar o notável desempenho do V. Sernache, vencedor da Zona Sul, garantindo uma fantástica presença na final desta prova, a disputar no Estádio do Jamor, no próximo dia 10 de Junho, ante o Leça (vencedor da Zona Norte).
Na última jornada, a turma de Cernache do Bonjardim, recebendo o Louletano – dispondo até da faculdade de, no limite, perder por um golo de diferença –, obteve um empate a uma bola (golo do “tomarense” Mauro Santos, igualando o desafio, à entrada do último quarto de hora), confirmando o 1.º lugar na sua série, com doze pontos, mais três que a formação do Algarve. No outro jogo, Oliveira do Hospital (3.º) e At. Malveira (4.º) empataram também a um golo.
Garantiram a subida à Liga 3 os dois primeiros classificados de cada uma das séries: Leça e Vianense (Série A), tendo-se superiorizado face à concorrência de Bragança e Rebordosa; e V. Sernache e Louletano (Série B).
Antevisão – A culminar a época de 2025-26 do futebol distrital, teremos, já este sábado, o pronto reencontro entre Fazendense (Campeão Distrital e vencedor da Taça, almejando a conquista de um possível “triplete”) e Moçarriense (finalista da Taça do Ribatejo, que garantiu também já a presença na próxima edição da Taça de Portugal), para disputa da Supertaça Dr. Alves Vieira, desafio tradicionalmente realizado em Torres Novas, no Estádio com o mesmo nome.
Tal implicará novo adiamento (para dia 17 de Junho), do jogo da 6.ª ronda da fase final da II Divisão Distrital, de apuramento de Campeão e de promoção, entre Moçarriense e Vasco da Gama. Pelo que, para domingo, estão calendarizadas as seguintes duas partidas: Salvaterrense-Ouriquense, embate que se reveste de cariz determinante, na luta pela subida; e Pego-U. Atalaiense, com os dois clubes a procurar escapar à cauda da pauta classificativa
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 4 de Junho de 2026)
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