O Pulsar do Campeonato – 17.ª jornada

7 Fevereiro, 2016 at 11:00 am Deixe um comentário

Pulsar - 17jornada

(“O Templário”, 04.02.2016)

Com a disputa da 17.ª jornada, prestes a entrar-se no derradeiro terço da prova, assistimos ao quebrar de algumas séries que se encontravam em curso, aqui referidas na semana passada: o Fátima, sofrendo um golo em Riachos, viu interrompida a inviolabilidade das suas balizas, que perdurava há onze rondas (o guardião Nuno Ribeiro ultrapassou os 1.000 minutos sem sofrer golos!); por seu lado, Mação e União de Tomar, derrotados, respectivamente, na Moçarria e em Torres Novas, terminaram também as suas séries de invencibilidade, que perduravam há nove (no caso dos maçaenses) e há sete jogos (no que respeita aos unionistas).

Destaques – O principal destaque da jornada vai para o triunfo do líder Fátima em Riachos (2-1), no que terá constituído o ultrapassar de um dos mais difíceis obstáculos que se perfilavam no seu caminho para o título, pese embora o tal golo sofrido, e o facto de apenas já na parte derradeira do desafio ter conseguido o tento que lhe conferiu os três pontos; somando a 15.ª vitória em 17 jogos, faltando agora disputar nove encontros, os fatimenses continuam a dispor de “margem de erro” de dois jogos (em caso de derrota) ou, alternativamente, até três empates. Apesar da tenaz perseguição em que o Cartaxo vai persistindo, a confirmação do 1.º lugar parece ser, cada vez mais, uma questão de tempo… para uma equipa que segue já com sete vitórias (prestes a repetir o “record” de oito, registado, quer por Fátima, quer pelo Cartaxo).

Uma outra menção especial a mais uma vitória do Moçarriense, desta feita no seu terreno, recebendo e batendo o Mação por 2-1, tendo operado a reviravolta no marcador, frente a um adversário que, conforme acima indicado, não perdia para o campeonato desde a 7.ª jornada. Tal possibilitou ao grupo da Moçarria um excelente salto na tabela classificativa, até ao 8.º lugar.

Finalmente, também o Amiense lhe seguiu os passos, goleando os Empregados do Comércio, equipa em verdadeira “maré baixa” – somou o quinto desaire sucessivo, apenas tendo ganho um dos últimos 14 jogos que disputou no campeonato… –, o que permitiu ao grupo de Amiais de baixo pular enfim sobre a “linha de água”, integrando agora um trio que reparte o 9.º ao 11.º posto, a par do Fazendense e do seu adversário desta ronda, que, com trajectória inversa, se vê agora em posição deveras periclitante.

Surpresa – O desfecho mais surpreende da jornada foi, não obstante a irreconhecível campanha que o Fazendense vem apresentando, o empate cedido em casa (no que constitui o terceiro jogo sucessivo sem ganhar), ante o “lanterna vermelha”, U. Abrantina (1-1), que, por seu lado, vinha de quatro derrotas sucessivas… e que, porém, se mantém distante da perspectiva de “salvação”, a cinco pontos do Rio Maior (que caiu até ao 12.º lugar) e a seis do terceto antes referido.

Confirmações – Nas restantes três partidas, os resultados seriam de alguma forma expectáveis. Desde logo, a goleada do Cartaxo na recepção ao At. Ouriense (4-0), com os cartaxenses a darem prova de uma solidez competitiva que, indubitavelmente, lhes poderia conferir o título de Campeão Distrital… não fora a (algo acidental, visto o seu palmarés das últimas três décadas) presença do Fátima nesta edição da prova. De qualquer forma, a ver vamos…

Também o U. Almeirim confirmou o favoritismo, reforçado por actuar no seu reduto, ganhando ao Rio Maior por 2-1, outra equipa a atravessar uma séria crise de resultados (tal como os “Caixeiros”, perdeu os jogos da 13.ª à 17.ª jornadas), que fez com que tivesse sofrido queda progressiva, desde o 3.º lugar (que ocupava à 9.ª ronda) até ao 3.º a “contar do fim” (somando apenas dois pontos nos últimos 8 jogos, de longe o pior registo de todos os concorrentes).

No “clássico” do Distrito, o Torres Novas fez valer o factor casa, impondo-se, também por tangencial 2-1, frente ao União de Tomar, reduzindo assim, de sete, para quatro pontos o atraso em relação ao 3.º lugar, que continua a ser pertença dos tomarenses. Sofrendo dois tentos em curto espaço de tempo, os unionistas – que se apresentaram ainda mais rejuvenescidos que o habitual, com alguns elementos do plantel júnior, numa gestão do plantel perspectivando também o próximo jogo da Taça do Ribatejo – mais não conseguiriam que reduzir, não tendo tido a felicidade de converter em golo uma boa oportunidade, já mesmo a findar o encontro.

II Divisão Distrital – Dois resultados sobressaem nesta ronda: primeiro, a estrondosa goleada (11-0!) aplicada pelo Benavente, frente ao Barrosense, no “derby” municipal, desfecho que apenas terá sido possível pelo facto de o grupo da Barrosa – que, na primeira volta, até tinha ganho em Benavente… – atravessar fase de desestruturação da sua equipa, praticamente reduzido a um lote mínimo de jogadores disponíveis, sem alternativas; por outro lado, a excelente vitória do Ferreira do Zêzere no terreno do Pego (1-0), permitindo aos ferreirenses reduzir para um ponto a desvantagem face ao ainda líder. A clara vitória do Atalaiense sobre o U. Santarém (3-0) vem reabrir ainda, com quatro jornadas por disputar, a disputa do 3.º lugar, que envolve, para além destes dois conjuntos, também Alferrarede, Assentis e até o Caxarias.

Antevisão – No próximo fim-de-semana os campeonatos distritais voltam a entrar em ligeira pausa, para disputa dos 1/8 de final da Taça do Ribatejo, fase em que avultam os seguintes confrontos: à cabeça, o U. Tomar-Cartaxo (com o 3.º e 2.º classificados a antecederem o desafio que os colocará novamente frente a frente, para o campeonato, na semana imediata), uma eliminatória de elevado grau de dificuldade para os unionistas, que terão de potenciar todo o seu rendimento para superar este valoroso opositor; a seguir, o U. Abrantina-Fátima, com a curiosidade de saber como ripostará o último classificado ante o guia do campeonato; depois, ainda entre primodivisionários, o U. Almeirim-Riachense e o At. Ouriense-Fazendense. Entre equipas de escalão diferente, registam-se três acasalamentos: Samora Correia-Mação, Glória do Ribatejo-Moçarriense e Vale da Pedra-Amiense, com os secundários a pensar no estatuto de “tomba-gigantes”. Por fim, um único (re)encontro entre clubes da II Divisão: Atalaiense-Ferreira do Zêzere (que, curiosamente, já haviam disputado a mesma série da fase de grupos).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 4 de Fevereiro de 2016)

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