Archive for Setembro, 2003

“MENSAGEM” – FERNANDO PESSOA (III)

“As Quinas” começam com “O Eloquente” D. Duarte, prosseguindo com os Infantes D. Fernando, o “santo cavaleiro”:

Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma
,

D. Pedro e D. João; finaliza com a “personagem-símbolo”, o (“loucamente”) ambicioso D. Sebastião:

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a sorte a não dá
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria
?”
.

A “loucura pela grandeza” de D. Sebastião alia-se de seguida ao misticismo da espada de Nuno Álvares Pereira, o líder preparado para a batalha:

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida
Que o Rei Artur te deu
.

A I Parte conclui-se com: o Infante D. Henrique, o senhor do mar, com “O globo mundo em sua mão”; D. João II, uma das figuras de maior influência na História da humanidade, por via do decisivo impulso dos Descobrimentos:

Braços cruzados, fita além do mar.
Parece em promontório uma alta serra –
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra
;

e, por fim, o vice-rei da Índia D. Afonso de Albuquerque.

[245]

10 Setembro, 2003 at 2:11 pm

VALE TUDO (?)

É um princípio filosófico que todas as acções podem ser analisadas como meios para obtenção de um fim, meta ou objectivo.

Quando, no século XVI, Nicolau Maquiavel escreveu o livro .O Príncipe., um .manual de política. susceptível de diferentes interpretações, deu origem a um conjunto de princípios, que apelidamos de .maquiavélicos. e que associamos usualmente à ideia de práticas .astuciosas ou traiçoeiras..

Maquiavel nunca terá chegado a escrever a sua frase mais famosa: .Os fins justificam os meios.; mas ela será o melhor resumo da sua forma de pensar (.um príncipe não deve medir esforços nem hesitar, mesmo que diante da crueldade, se o que estiver em jogo for a integridade nacional e o bem do seu povo.).

Porém, com aquela máxima, Maquiavel não quereria significar que qualquer atitude será justificável em função do objectivo; mas antes, que os fins determinam os meios; em função de um objectivo, serão traçados planos / etapas para os atingir.

Nos dias de hoje, os estímulos ao consumo e à competição (numa sociedade que, teoricamente, se fundamenta na .meritocracia.) levam a uma busca desenfreada de dinheiro, fama, poder e posição social.

No desporto, como na (competição da) vida, numa interpretação extensiva da referida máxima, os fins parecem justificar (todos) os meios.

A .pureza. do fair-play do futebol criado pelos ingleses .já lá vai. há quase dois séculos, mas, ainda assim, será possível ter a mesma satisfação/realização com uma vitória com recurso a artifícios .ilegais. (um golo com o braço) . mesmo que se reconheça que terá resultado de um .impulso momentâneo., de uma grande .vontade. ou anseio de ganhar, da .pressão. do cronómetro a aproximar-se do final . que com a que decorreria de uma vitória .justa.? Não ficará sempre aquele .pequeno nó na garganta., aquela .espinha cravada.? E se fosse .ao contrário.? O que iríamos dizer?

A finalizar, ainda mais uma pergunta (não inocente): será apenas por .brincadeira. que alguns .blogues. incluem .entradas. do tipo .neste blogue, não se fala deste e daqueloutro assunto.. (sendo o .assunto. os temas .sensacionalistas. ou com palavras-chave mais apelativas às buscas .googlianas.), ou .neste blogue, não encontrará fotos de.. ?

[244]

10 Setembro, 2003 at 8:33 am 1 comentário

1930 – BURLA DO SÉCULO

“É seu protagonista Alves dos Reis, condenado a oito anos de prisão e 12 de degredo. Tudo começa em Angola, quando se faz passar por engenheiro e compra, com cheque sem cobertura, a maioria das acções da Companhia de Caminhos de Ferro Transafricanos. Já em Lisboa, forja contrato, em nome do Banco de Portugal, com a firma de Londres que imprime o papel-moeda, com vista à emissão de 200 mil notas de 500 escudos. Funda um banco e inunda o mercado financeiro com notas falsas. A fraude é descoberta em 1935, quando se detecta a duplicação de notas em circulação.”

[243]

10 Setembro, 2003 at 7:48 am

1930 – SUPERMERCADO

“Criada nos EUA a primeira grande superfície comercial, o supermercado, que se disseminará por todo o mundo.”

[242]

10 Setembro, 2003 at 7:47 am

"Entrada do dia" (Terça) – Companhia de Moçambique

“As políticas coloniais do Estado Novo – 2”

“Talvez pudéssemos começar por definir Estado Novo. A mais exaustiva caracterização económica, social e política do Estado Novo encontra-se no texto de Fernando Rosas (1986), “O Estado Novo nos anos 30”.

O período compreendido entre 1926 e 1959 corresponde à designada fase autocrática do Estado Novo. Por Estado Novo aqueles historiadores designam o período da história contemporânea portuguesa compreendido entre 1926 e 1974 e que corresponde “à modalidade nacional de superação autoritária da crise em que se debitam os sistemas liberais em geral, e o português em particular, desde os finais do século XIX.””

Vale a pena continuar a ler o texto completo no Companhia de Moçambique.

10 Setembro, 2003 at 7:47 am

“MENSAGEM” – FERNANDO PESSOA (II)

A I Parte – “Brasão” compreende: (i) “Os Campos” (“O dos Castelos” e “O das Quinas”); (ii) “Os Castelos”(“Ulisses”, “Viriato”, “O Conde D. Henrique”, “D. Tareja”, “D. Afonso Henriques”, “D. Dinis” e “D. João I e D. Filipa”); (iii) “As Quinas” (“D. Duarte, rei de Portugal”, “D. Fernando, infante de Portugal”, “D. Pedro, regente de Portugal”, “D. João, infante de Portugal” e “D. Sebastião, rei de Portugal”); (iv) “A Coroa”; (v) “O Timbre”.

Falando da Europa (“A Europa jaz, posta nos cotovelos”), o autor começa por sugerir a missão de Portugal (“De Oriente a Ocidente jaz, fitando”“Fita, com olhar ‘sfingico e fatal, / O Ocidente, futuro do passado”), tendo como um dos aspectos fundamentais a ligação do Oriente ao Ocidente, não apenas do ponto de vista geográfico, mas também a nível dos valores espirituais.

A glória tem um preço (“Compra-se a glória com desgraça”); só pode ser alcançada quando o ter não for colocado à frente do ser:

Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar
.

N’“Os Castelos”, surgem os nobres brasões como arquétipos: o guerreiro e lutador Ulisses (fundador da cidade de Lisboa – “Este que aqui aportou”); Viriato, o símbolo do heroísmo e do espírito da independência lusitana:

Nação porque reencarnaste
Povo porque ressuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste –
Assim se Portugal formou
;

o Conde D. Henrique:

A espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
Que farei eu com esta espada?
Ergueste-a, e fez-se
;

a “mãe-pátria” D. Tareja (“Ó mãe de reis e avó de impérios, / Vela por nós!”); o “pai” D. Afonso Henriques (“Dá-nos o exemplo inteiro / E a tua inteira força!”); “O plantador de naus” D. Dinis; D. João I (“Mestre, sem o saber, do Templo / Que Portugal foi feito ser”) e D. Filipa, a mãe da “Ínclita geração”:

Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Volve a nós teu rosto sério,
Princesa do Santo Gral,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal
.

[241]

9 Setembro, 2003 at 7:51 am

1929 – GRANDE DEPRESSÃO

““Crash” da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 24 de Outubro, Sexta-feira Negra. Provoca o colapso da economia americana, com reflexos em todo o mundo. Início do período denominado “Grande Depressão”.”

[240]

9 Setembro, 2003 at 7:42 am

No Janela para o rio

No Janela para o rio, desafia-nos o Nuno P. a comentar a sua “entrada” com o título “Reflexões”, em que questiona nomeadamente:

a) Porque não pode um comunista ser católico praticante? A igualdade entre todos é incompatível com a fé em Deus?

b) Como é que as estatísticas demonstram que mais de 75% da população é católica, mas pelo menos metade da população vota à esquerda? Quer isto dizer que a abstenção é quase toda crente?

c) E as outras religiões, alguém que é budista, judeu, muçulmano, protestante ou outra religião qualquer, também é tendencialmente de direita?”

Na minha opinião, em muitos casos, e um pouco à semelhança da “escolha” do clube a que pertencemos – e tal como diz o Nuno – a escolha religiosa é de facto, numa primeira análise, determinada pela opção familiar. Não concordarei porventura na totalidade com a sua asserção de que a escolha política seja uma decisão do foro racional.

Não obstante haver “n” exemplos que irão contrariar a minha ideia (por exemplo, os irmãos Portas – Miguel, Paulo e Catarina – que, salvo erro, eram, ou são, afectos a três partidos diferentes; embora, também neste caso, a maior convivência com o pai – “de esquerda” – ou com a mãe – “de direita” – não tenha, inevitavelmente, deixado de fazer sentir as “suas marcas”), penso igualmente que a escolha “primária” (muitas vezes na adolescência) de um partido / área política não será tão consciente quanto isso, dependendo também, em larga medida, da inserção social e, mais uma vez, da influência familiar.

Talvez seja mais “fácil”, isso sim (e temos também muitos exemplos disso, desde logo o primeiro-ministro Durão Barroso…) uma evolução nas orientações políticas, ao longo da vida, a qual não será possivelmente tão marcada (e portanto muitas vezes não acompanhada) a nível religioso.

Isto, claro, sem prejuízo, de logo à partida, qualquer “família” poder ser “de esquerda” e manter convicções católicas (por exemplo, António Guterres), uma vez que – concluindo – não me parece que seja necessária ou implícita tal correlação de “ideais”.

P.S. Podem ver este “manual” de como “fazer um bom weblog“.

[239]

8 Setembro, 2003 at 7:33 pm 4 comentários

LITERATURA NO LICEU

A propósito de literatura, dizia Pacheco Pereira há poucos dias: “Só para se perceber a diferença, e para não parecer que digo mal de tudo o que é francês, veja-se a lista de livros que um aluno de francês do equivalente ao 11o. ano português, tem como leituras obrigatórias este ano: de Shakespeare, Hamlet, Otelo, e Macbeth , a Metamorfose de Kafka, Andromaca de Racine, Escola das Mulheres de Moliére, Pierre e Jean de Maupassant, o Estrangeiro de Camus, Huis Clos e As Moscas de Sartre“.

Também é capaz de ser um “bocadinho demais” (!?) …

[238]

8 Setembro, 2003 at 6:21 pm

“MENSAGEM” – FERNANDO PESSOA (I)

A ideia da predestinação nacional é central nesta obra, cuja apresentação farei nos próximos dias (como “Livro do Mês“), com excertos dos poemas de Fernando Pessoa; não se tratando embora da apologia do povo português ao estilo camoniano, faz-se sentir o valor simbólico dos heróis do passado e o apelo à utopia, para a “glorificação” de Portugal.

“Mensagem” (livro de poemas, formando realmente um só poema) tem três grandes “andamentos”:

– na primeira parte, “Brasão”, o autor apresenta o Portugal profundo, o Portugal “rosto da Europa”, destacando os “construtores da pátria”, assim como algumas características indispensáveis à realização dos Descobrimentos;

– a segunda parte, “Mar Português, dá-nos uma fotografia, ao mesmo tempo épica e dramática, do que foi a grandiosa, mas dolorosa empreitada dos Descobrimentos (uma missão cumprida como missão divina, mas com um preço significativo, que leva à interrogação “Valeu a pena?”);

– na terceira e última parte, “O Encoberto”, defende-se a possibilidade da regeneração nacional pelo mito e pelos seus símbolos, mesmo se, em termos políticos, económicos, sociais e culturais, tudo pudesse parecer perdido…

Para o poeta, o mito sebastianista deve ser aproveitado, de forma a estabelecer a atmosfera espiritual necessária à realização do Quinto Império (“parte, antes, com a civilização em que vivemos, do Império espiritual da Grécia, origem do que espiritualmente somos. E, sendo esse o Primeiro Império, o Segundo é o de Roma, o Terceiro, o da Cristandade, e o Quarto o da Europa – isto é, da Europa laica de depois da Renascença”) – um Império não no sentido do guerreiro, territorial ou material, mas no sentido de um Império do Espírito e da Cultura.

A contínua actualidade da “Mensagem” faz pensar e renovar espiritualmente a “nação” portuguesa, constituíndo um incitamento ao reforço do seu papel no mundo.

[237]

8 Setembro, 2003 at 1:35 pm

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