Liga dos Campeões – 1/8 Final (1ª mão)
14.02.2012 - Olympique Lyonnais - APOEL 1-0 21.02.2012 - Napoli - Chelsea 3-1 15.02.2012 - AC Milan - Arsenal 4-0 22.02.2012 - Basel - Bayern München 1-0 14.02.2012 - Bayer Leverkusen - Barcelona 1-3 21.02.2012 - CSKA Moskva - Real Madrid 1-1 15.02.2012 - Zenit St. Petersburg - Benfica 3-2 22.02.2012 - Olympique Marseille - Inter 1-0
Nesta 1ª mão, destaque para a goleada do AC Milan, praticamente apurado para os 1/4 Final, tal como o Barcelona, com uma confortável vitória fora de casa. Em grandes dificuldades parece estar a equipa do Chelsea, com Bayern e Inter a terem também de enfrentar tarefas difíceis na 2ª mão. Real Madrid e Lyon reúnem favoritismo, enquanto o Benfica terá de vencer para alcançar a qualificação.
As partidas da segunda mão estão agendadas para 6, 7, 13 ou 14 de Março, recebendo o Benfica a equipa russa do Zenit, no Estádio da Luz, no próximo dia 6 de Março.
António Feijó: “A Faculdade de Letras não pode ter uma política de ortografia”
Enquanto director da faculdade, a minha posição é agnóstica em relação ao acordo. Entendo que a direcção de uma faculdade de Letras, onde há linguistas, alguns deles associados à implementação do acordo, não deve tomar posição sobre o acordo. Na FL não impomos nem impedimos que alguém exerça a grafia que entender. Mas também justamente por isso porque não temos uma política de ortografia, não alterámos o site da FL, que está na grafia pré-acordo, pois fazê–lo seria tomar uma posição política sobre o acordo, coisa que precisamente não queremos fazer. É a posição da direcção da FL nesta fase de transição. [...]
Pessoalmente, sou absolutamente contra o acordo. Mas esta posição é política, antes de discutir seja o que for em ortografia. Não vejo como é que o Estado se pode arrogar legislar sobre ortografia. Temos uma tradição política iliberal de o Estado se arrogar uma série de decisões que não lhe competem. O Estado abstém-se de entrar em certos domínios da economia porque entende que não tem vocação para o fazer. Então porque é que há-de entrar nas consoantes mudas? É um contra-senso. [...]
Já estamos em altura de fazer um balanço de custo/benefício relativo à implementação do acordo. Os custos são imensos: a alteração de compêndios, conversores ortográficos, coexistência de duas ortografias, etc. Gostaria muito de saber quais são os benefícios, pois são-me completamente imperceptíveis. Isto do ponto de vista económico. [...]
Há um lado cultural profundo – as pessoas são culturalizadas e socializadas por imersão, através da escolarização, através do contacto, pela leitura, com um certo tipo de ortografia. E essa imersão cultural cria uma relação quase visceral com a ortografia. Porque é que tenho de sofrer subitamente a violência de ver tudo isto alterado? [...]
Mas há dois estados signatários que não ratificaram o acordo. A entrada em vigor pressupõe a ratificação por todos os estados signatários. Ainda recentemente o “Jornal de Angola” dizia que o acordo é abusivo e que não o irá adoptar. Países onde a cultura política é mais iliberal que a nossa dizem estar contra o acordo. Se virmos outras experiências como, por exemplo, o inglês entre os EUA e a Inglaterra, que tolera grafias diferentes, seria impensável para eles que a ortografia fosse homogeneizada. Nem num país nem noutro ninguém presume que pudesse ser objecto de um acordo. Porque isso violaria uma série de afinidades locais, pessoais, etc., transformando numa questão política o que não é político. [...]
(António Feijó, Director da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – entrevista ao jornal i)
Desacordo ortográfico
Já não é só o Centro Cultural de Belém - instituição de direito privado, sem tutela pública. Ou Serralves. Ou a Casa da Música. Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram - Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Económico e Jornal de Negócios, além da revista Sábado.
Já não só os angolanos que se demarcam, ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros.
Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico. Todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto.
São os principais colunistas e opinadores da imprensa portuguesa. Pessoas como Baptista-Bastos, Eduardo Dâmaso, Helena Garrido, João Paulo Guerra, João Pereira Coutinho, Joel Neto, José Cutileiro, José Pacheco Pereira, Manuel António Pina, Manuel S. Fonseca, Maria Filomena Mónica, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Sousa Tavares, Pedro Lomba, Pedro Mexia, Pedro Santos Guerreiro, Ricardo Araújo Pereira e Vasco Pulido Valente. [...]
(Pedro Correia – pode ler o artigo completo, no Delito de Opinião)
Liga Europa – 1/16 Final (1ª mão)
16.02.2012 - FC Porto - Manchester City 1-2 16.02.2012 - Ajax - Manchester United 0-2 16.02.2012 - Lok. Moskva - Athletic Bilbao 2-1 16.02.2012 - Salzburg - Metalist Kharkiv 0-4 16.02.2012 - Stoke City - Valencia 0-1 14.02.2012 - Rubin Kazan - Olympiakos 0-1 16.02.2012 - AZ Alkmaar - Anderlecht 1-0 16.02.2012 - Lazio - At. Madrid 1-3 16.02.2012 - Steaua - Twente 0-1 16.02.2012 - Viktoria Plzen - Schalke 04 1-1 16.02.2012 - Wisla Krakow - Standard Liège 1-1 14.02.2012 - Sp. Braga - Besiktas 0-2 16.02.2012 - Udinese - PAOK 0-0 16.02.2012 - Trabzonspor - PSV Eindhoven 1-2 16.02.2012 - Hannover - Brugge 2-1 16.02.2012 - Legia Warsaw - Sporting 2-2
Nesta 1ª mão dos 1/16 Final da Liga Europa, destaque para as vitórias fora de casa de duas equipas espanholas (At. Madrid e Valencia) e de outras duas holandesas (PSV e Twente), assim como de duas inglesas (ambas de Manchester). A Holanda teve um terceiro vencedor (AZ Alkmaar), mas, também, uma derrota em casa (do Ajax). Também a Inglaterra teve uma derrota caseira, do Stoke City. Na eliminatória seguinte está já, praticamente, a equipa ucraniana do Metalist Kharkiv, obtendo a maior goleada da ronda, na Áustria. Das equipas portuguesas salvou-se, para já, o Sporting, a alcançar um empate positivo, com golos, na Polónia (cujas equipas concederam dois empates caseiros).
Como eu amava “auto-retrato” e me sinto esmagado pelo “autorretrato”!
Porque contraria este movimento natural da escrita, o AO é néscio e grosseiro.
Um último efeito, talvez o mais grave: o Acordo mutila o pensamento. A simplificação das palavras, a redução à pura fonética, o “acto” que se torna “ato”, tornam simplesmente a língua num veículo transparente de comunicação. Todo o mistério essencial da escrita que lhe vem da opacidade da ortografia, do seu esoterismo, desaparece agora. O fim das consoantes mudas, as mudanças nos hífenes, a eliminação dos acentos, etc, transformam o português numa língua prática, utilitária, manipulável como um utensílio. Como se expusesse todo o seu sentido à superfície da escrita. O AO afecta não só a forma da língua portuguesa, mas o nosso pensamento: com ele seremos levados, imperceptivelmente, a pensar de outro modo, mesmo se, aparentemente, a semântica permanece intacta. É que, além de ser afectiva, a ortografia marca um espaço virtual de pensamento. Com o AO teremos, desse espaço, limites e contornos mais visíveis que serão muros de uma prisão onde os movimentos possíveis da língua empobrecerão. Como numa suave lavagem de cérebro.»
(José Gil, Visão – ver artigo completo aqui)
O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?
(Maria Clara Assunção – A Biblioteca de Jacinto)
Liga dos Campeões – 1/8 Final (Zenit – Benfica)
Zenit S. Petersburgo – Yuri Zhevnov, Aleksandr Anyukov, Bruno Alves, Nicolas Lombaerts, Tomáš Hubočan, Igor Denisov, Roman Shirokov, Maksim Kanunnikov (66m – Vladimir Bystrov), Konstantin Zyryanov (45m – Sergey Semak), Viktor Fäyzullin (89m – Alessandro Rosina) e Aleksandr Kerzakhov
Benfica – Artur Moraes, Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay, Emerson, Nemanja Matić, Nico Gaitán (90m – Miguel Vítor), Axel Witsel, Bruno César (76m – Nolito), Rodrigo (30m – Pablo Aimar) e Óscar Cardozo
0-1 – Maxi Pereira – 20m
1-1 – Roman Shirokov - 27m
2-1 – Sergey Semak – 71m
2-2 – Óscar Cardozo – 87m
3-2 – Roman Shirokov - 88m
Cartões amarelos – Bruno Alves (17m) e Aleksandr Anyukov (63m); Luisão (13m), Bruno César (45m) e Pablo Aimar (75m)
Árbitro – Jonas Eriksson (Suécia)
Com uma temperatura gélida, de cerca de 10 graus negativos, a partida iniciou-se em toada morna, não obstante o Benfica procurasse, desde cedo, chamar a si o controlo do jogo.
Apenas com 20 minutos decorridos, na sequência de um livre directo apontado por Cardozo – a punir falta de Lombaerts sobre Gaitán à entrada da área -, com o guarda-redes Zhevnov a defender para a frente, surgiu, muito oportuno, Maxi Pereira, a fazer a recarga, inaugurando o marcador em São Petersburgo.
Isto numa altura em que o Benfica jogava com 10 elementos, dado que Rodrigo, atingido por Bruno Alves (numa entrada dura, lance que lhe valeu o cartão amarelo), se encontrava a receber assistência; viria mesmo a ser substituído alguns minutos depois, dando lugar a Pablo Aimar.
Por essa altura, o Zenit havia já empatado; o Benfica apenas disfrutara de um curto período de 7 minutos em vantagem no jogo. Logo aos 22 minutos, o Zenit criara perigo, com um remate de Kerzhakov, defendido por Artur com as pernas. Cinco minutos volvidos, num cruzamento da esquerda de Hubočan, para a área, surgiria Shirokov a rematar de primeira, sem hipóteses para o guardião benfiquista.
Até final do primeiro tempo, com a equipa russa – alertada pelo risco dos contra-ataques do Benfica – a procurar jogar pelo seguro, com sucessivas trocas de bola entre os seus jogadores, mas sem um claro pendor ofensivo, não haveria mais ocasiões flagrantes de golo. Os lances de maior frisson ocorreriam já no final desse período, primeiro numa jogada confusa na pequena área do Benfica, com várias tentativas de remate, mas sem acertar na baliza, e, depois, por intermédio de Witsel, num remate de fora da área.
Já na segunda parte, o primeiro lance de perigo surgiria aos 57 minutos, com Gaitán, em velocidade, a entrar na área adversária, pelo lado direito do ataque, a levar longe de mais a sua iniciativa individual, rematando de ângulo muito difícil, quando podia ter assistido Cardozo.
Aos 70 minutos, nova jogada de perigo, na sequência de um cruzamento de Emerson, com Cardozo, num remate enrolado, a meias com o defesa contrário, a não conseguir desviar para o golo, devido a uma defesa apertada de Zhevnov, com uma boa estirada.
Só que, no minuto imediato, culminando um fantástico lance, com dois toques de calcanhar, primeiro por Kerzakhov, a evitar que a bola se perdesse pela linha de fundo e, depois de uma pronta assistência de Bystrov, no remate para golo, de Semak possibilitaria ao Zenit consumar a reviravolta no marcador, passando a uma posição de vantagem.
A equipa do Benfica acusaria o tento sofrido e a posição de desvantagem, passando nos minutos seguintes por uma fase de algum descontrolo.
Até que, nos derradeiros minutos, duas falhas defensivas permitiriam mais dois golos: primeiro, o guarda-redes Zhevnov a defender para a frente um primeiro remate de Gaitán, com a bola a ficar à disposição de Cardozo, que não teve dificuldade em marcar, empatando o jogo a 2-2, o que constituiria um bom resultado para o Benfica; porém, no minuto seguinte, uma desconcentração de Maxi Pereira, a não conseguir controlar ou sequer aliviar a bola na sua zona defensiva, possibilitou que Shirokov recolocasse o Zenit em vantagem no jogo… e na eliminatória.
Nolito teria ainda tempo para mais um remate perigoso, obrigando Zhevnov a intervenção difícil, mas o resultado não se alteraria, obrigando assim o Benfica a vencer na segunda mão, no Estádio da Luz.
Redacção de um jornal em dia de eleições presidenciais nos EUA (1996)
Election Day Nov. 5, 1996 at The Miami Herald from Robertson Adams on Vimeo.
O chamado ‘novo acordo ortográfico’: um descaso político e jurídico
Acresce que do acto de autenticação (ou assinatura) de um tratado internacional decorrem certos efeitos jurídicos. De entre eles, o da inalterabilidade do texto (art. 10.º da CV) e o do dever geral de boa-fé (art. 18.º da CV), traduzindo-se este último num dever de abstenção de actos que atentem contra o objecto ou fim da convenção. Pois bem, se por um lado o II Protocolo Modificativo do AO, de Julho de 2004, ao arrepio daquele primeiro sentido normativo, alterou, em parte, a redacção originária do AO, fazendo, do mesmo passo, letra morta do n.º 4 do art. 24.º da CV, que considera obrigatórias, desde a adopção do texto, as cláusulas relativas às modalidades da entrada em vigor, por outro – o que se nos afigura bem mais grave – consubstanciou justamente um acto (concertado!) que malogrou, sem apelo nem agravo, o objecto e a finalidade do tratado. Com efeito, não se vê como o propósito assumido da criação de uma ortografia unificada para o português possa ser alcançado com o consentimento à vinculação a ser exprimido por apenas três dos oito Países de Língua Oficial Portuguesa. [...]
Mesmo a não se entender assim, sempre haverá de aceitar-se que, por força do art. 2.º do Tratado de 1990 – nos termos do qual os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração de um vocabulário ortográfico comum de língua portuguesa -, a entrada em vigor do AO deverá ser diferida para o momento em que, precisamente, a existência de um vocabulário comum, contendo as grafias consideradas adequadas para todos os povos da lusofonia, torne finalmente exequível o clausulado do Tratado. Talvez por isso Angola e Moçambique relutem, para já, em ratificá-lo.
(José de Faria Costa e Francisco Ferreira de Almeida – Diário de Notícias)
Acordo ortográfico serve os interesses do Brasil, afirma Bagão Félix que não se dá por vencido
Bagão Félix analisa a aplicação do acordo ortográfico considerando que houve uma insuficiente discussão e um escasso escrutínio público sobre uma matéria essencial que é a língua, e sublinha que se trata de um produto de uma coligação que beneficia os interesses do Brasil e um pequeno grupo de intelectuais. O comentador do Conselho Superior da Antena 1 não esconde que é um firme opositor ao acordo ortográfico e espera que todos aqueles que assim pensam não se dêem por vencidos.
(Antena 1 – programa “Conselho Superior” – clicar para ouvir)
«Por que razão os blogues têm cada vez menos importância?»
Esta é a questão colocada por Pacheco Pereira, em artigo publicado no jornal “Público”, de 4 de Fevereiro, também disponível no Abrupto, em que refere nomeadamente:
A mudança política de 2011 foi mortífera para os blogues, começando a notar-se os seus efeitos perversos cerca de dois anos antes do fim do “socratismo”, quando, muito à portuguesa, começou a debandada para a “zona de conforto” que a nova situação anunciava e mais tarde concretizou. Infelizmente para os blogues, bastou um ciclo de mudança política para mostrar como todos os defeitos da vida política portuguesa – o espírito de obediência, a falta de independência crítica, a absurda redução de tudo à dicotomia situação/oposição, e o puro oportunismo pessoal de um país em que a fome é muita e os empregos escassos -, para tornar os blogues meros acrescentos dos partidos políticos e das suas facções. O clubismo político instalou-se e com ele a desertificação ideológica, os silêncios e as falas de conveniência, a submissão ao novo unanimismo, o espírito de claque em guerra com os adversários, e de um modo geral a completa mediocridade daquilo que passa por ser o debate político em Portugal. Os blogues políticos parecem-se cada vez mais com secções das “jotas” partidárias.
Para concluir da seguinte forma:
Eu também tenho um blogue e deixo aos meus leitores o julgamento sobre em que medida se me aplicam as críticas que faço ao meio. E também convém enunciar que há excepções, quer pela qualidade de escrita e análise, quer pela independência e autonomia. Mas são excepções, não servem para caracterizar a coisa.
Um artigo que foi já objecto de interessantes referências no Jornalismo e Comunicação, por parte de Luís Santos e de Elsa Costa e Silva.
Isabel II – 60 anos de reinado
Quem haveria de dizer que o meu cão tinha antepassados “aristocráticos”?!
Graça Moura dá ordem aos serviços do CCB para não aplicarem o Acordo Ortográfico
O recém-empossado presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), Vasco Graça Moura, fez distribuir ontem à tarde uma circular interna, na qual dá instruções aos serviços do CCB para não aplicarem o Acordo Ortográfico (AO) e para que os conversores – ferramenta informática que adapta os textos ao AO – sejam desinstalados de todos os computadores da instituição.
Numa directiva datada de Setembro de 2011, o anterior conselho de administração do CCB adoptara o acordo em toda a documentação produzida pela instituição. Uma decisão que o novo presidente agora revogou com o apoio da nova administração. A questão que agora se coloca é a de saber se esta medida é legal, já que o Governo de José Sócrates ordenou, em Janeiro de 2011, que o AO fosse adoptado por todos os serviços do Estado e entidades tuteladas pelo Governo.
(Público)
«Troque os Maias, pela Meyer»?
«A cultura renova-se»?

Que disparate é este?
Ninguém pára um bocadinho para pensar que as ideias de um “criativo” podem ser absurdamente despropositadas?
Actualização – Afinal – numa reacção rápida – acabou por prevalecer algum sentido de sensatez: «Fnac retira cartaz após pressão das redes sociais».
Nomeações para os Óscares – 2012
São já conhecidas as nomeações para os Óscares, a atribuir em cerimónia a realizar no próximo dia 26 de Fevereiro.
Como candidatos ao prémio de melhor filme, foram nomeados:
- “O Artista” (The Artist)
- “Os Descendentes” (The Descendants)
- “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto” (Extremely Loud & Incredibly Close)
- “As Serviçais” (The Help)
- “A Invenção de Hugo” (Hugo)
- “Meia-Noite em Paris” (Midnight in Paris)
- “Moneyball – Jogada de Risco” (Moneyball)
- “A Árvore da Vida” (The Tree of Life)
- “Cavalo de Guerra” (War Horse)
Os nomeados para melhor realizador são: Michael Hazanavicius (The Artist), Alexander Payne (The Descendents), Martin Scorsese (Hugo), Woody Allen (Midnight in Paris) e Terrence Malick (The Tree of Life).
Para o óscar de melhor actor foram nomeados: Demian Bichir (A Better Life), George Clooney (The Descendants), Jean Dujardin (The Artist), Gary Oldman (“A Toupeira” – Tinker Tailor Soldier Spy) e Brad Pitt (Moneyball).
Em relação às nomeações para melhor actriz, foram seleccionadas: Glenn Close (Albert Nobbs), Viola Davis (The Help), Rooney Mara (“Millennium 1 – Os Homens que Odeiam as Mulheres” – The Girl with the Dragon Tattoo), Meryl Streep (“A Dama de Ferro” – The Iron Lady) e Michelle Williams (“A Minha Semana com Marilyn” – My Week with Marilyn).
Custo horário do trabalho na União Europeia
(Le Monde – Géo & Politique – via Tomar A Dianteira)
Um dos pilares do plano da “Troika” – expresso nomeadamente na desvalorização fiscal, por via da redução da Taxa Social Única (mas que, na interpretação do Governo, pode ter cambiantes diversas, de outra índole, como a famigerada meia-hora adicional de trabalho diário, ou a redução de dias de férias e de feriados) – pretende proporcionar um acréscimo da competitividade das exportações portuguesas, aproximando o custo horário do trabalho em Portugal ao dos países do Leste da Europa…
Como será fácil de perceber, não é com “meias-horas”, ou meia dúzia de dias de trabalho suplementar por ano, que tal desiderato será passível de ser alcançado.
Pese embora as loas ao acordo de concertação social, parece evidente que o acréscimo de competitividade não é alcançável - em particular, na extensão necessária – por esta via, da desvalorização salarial.
P. S. Bem a propósito: «Quebrar os monopólios em Portugal daria mais ao PIB já do que mexer na lei laboral».
Antiga ortografia
«Fulano escreve “de acordo com a antiga ortografia”, diz o aviso que acompanha estas crónicas. Eu agradeço que o “Expresso” me permita a objecção de consciência face ao chamado Acordo Ortográfico, e percebo que indique quem segue ou não as novas regras, para evitar confusões; mas suspeito que esta fórmula foi inventada por alguém que pretende colar aos dissidentes o vocábulo “antiga”, como se nós escrevêssemos em galaico-português. Como se a língua que a maioria dos portugueses ainda usa se tornasse por simples decreto “antiga”: antiquada, decrépita, morta.Eu não sou pela “antiga ortografia” por caturrice. Estou contra o “acordo” porque me parece uma decisão meramente política e económica, sem verdadeiro fundamento cultural. Os legisladores impuseram aos falantes uma “ortografia unificada”, que, dizem, garante a “expansão da língua” e o seu “prestígio internacional”. Mas a expansão da língua passa por uma política da língua, que Portugal, por exemplo, não tem tido, ocupados que estamos em fechar leitorados no estrangeiro, em aplicar uma abominável terminologia linguística nas escolas, em publicar um lamentável Dicionário da Academia, em expulsar Camilo dos currículos enquanto o substituímos por diálogos das novelas. Quanto ao prestígio internacional, lamento informar que foi o sucesso económico, e não a “língua de Camões”, que transformou o Brasil numa potência.
Não é este “acordo” que vai trazer expansão e prestígio ao português. Contenta uns “acadêmicos espertos e parlamentares obtusos”, como escreveu um colunista brasileiro, e alguns editores, que têm bom dinheiro a ganhar com esta negociata. Mas é difícil imaginar que alguém acredite que vem aí uma “unificação da língua” só porque se legislou uma “unificação da grafia”. Um brasileiro continuará a falar uma língua muitíssimo diferente do português de Portugal, diferente em termos de léxico, de sintaxe, de fonética. Um português, com um exemplar do Acordo debaixo do braço, bem pode perorar em Iraguaçu, que alguém lhe continuará a perguntar “oi?”, pois não percebeu metade. E isso não tem problema algum, a “lusofonia” não vale pela unidade mas pela diversidade, pelo facto de haver um português europeu, africano, americano e asiático. E ninguém é dono da língua: nem os brasileiros por serem mais, nem os portugueses por andarem cá há mais tempo, muito menos uns académicos pascácios que dicionarizaram “bué” e “guterrismo”.
É significativo que o próprio “acordo” reconheça o fracasso do projecto de “unificação a língua”. Dadas as flagrantes diferenças entre o português e o brasileiro, os sábios são obrigados a admitir a existência de duplas grafias, uma cá, outra lá [África, para estes iluministas, é paisagem]. Pior ainda, introduzem uma “grafia facultativa” que estabelece como termos lícitos tanto “electrónica” como “eletrónica”, “electrônica” ou “eletrónica”. O linguista António Emiliano deu-se ao trabalho de enumerar em livro os erros, contradições, imprecisões e dislates desta lei iníqua. Leiam-no. E não digam que ninguém avisou.
A minha recusa deste “acordo” não é casuísta nem temperamental. Não se trata apenas de não gostar de ver os espectadores transformados em bandarilheiros “espetadores”; de não perceber como é que os habitantes do “Egito” não são “egícios”; de ficar estupefacto com o “cor-de-rosa” com hífen e o “cor de laranja” sem hífen; de prever os imparáveis espalhanços de um “pára” do verbo “parar” que perde o acento e talvez o assento. É isso mas é mais que isso: eu discordo veementemente do critério fundamental do “acordo”: a primazia da fonética sobre a ortografia.
É verdade que todos falamos antes de sabermos ler e escrever, mas quando aprendemos essas competências sofisticadas interiorizamos uma língua diferente da falada, que nalguns casos nem tem exacta correspondência fonética mas que se liga a uma memória histórica e cultural. Quando aprendemos a ler, fixamos a forma gráfica das palavras, uma forma que memorizamos e que nos acompanha a vida toda, de modo que nunca mais lemos letra a letra, mas reconhecemos de imediato uma grafia aprendida há muito, “antiga”, sim, muito antiga. A ortografia não é uma transcrição fonética, nem podia ser, dadas as variantes do português falado. Ou nas pronúncias regionais. Como escreveu Emiliano, não vamos criar uma “ortografia do Alto Minho” só porque a pronúncia de Caminha é diferente da pronúncia de Cascais. Ou de Curitiba.
E não me digam que são pouquíssimas as palavras alteradas: procure quantas vezes neste jornal aparece ação, ator, atual, coleção, coletivo, diretor, fato, letivo, ótimo, e repare que são algumas das mais usadas. É por isso que o cavalo de Tróia das “consoantes mudas” deve ser denunciado. Em primeiro lugar porque não são mudas coisíssima nenhuma: abrem as vogais precedentes, e numa língua danada por fechar vogais. Depois, porque não são inúteis, ajudam a distinguir termos homógrafos e indicam a etimologia de palavras afins. Fazem sentido, ao contrário do “acordo”.
Dizem os acordistas que a nova ortografia “simplifica” e “facilita a aprendizagem”. Toda a gente sabe o que significa “facilitar a aprendizagem”, e os resultados que isso deu no ensino. E se a intenção é “simplificar”, que tal escrevermos todos em linguagem de telemóvel? Por mim, continuarei antigo.»
(Pedro Mexia – Expresso – Revista Atual, 07.01.2012 – via ILC contra o Acordo Ortográfico)













