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Liga dos Campeões – 7ª Jornada – Benfica – Barcelona
Benfica – Anatoliy Trubin, Tomás Araújo, António Silva, Nicolás Otamendi, Álvaro Carreras, Fredrik Aursnes, Florentino Luís (61m – Leandro Barreiro), Orkun Kökçü (80m – Benjamín Rollheiser), Kerem Aktürkoğlu (71m – Alexander Bah), Andreas Schjelderup (71m – Ángel Di María) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (80m – Zeki Amdouni)
Barcelona – Wojciech Szczęsny, Jules Koundé (74m – Eric García), Ronald Araújo, Pau Cubarsí, Alejandro Balde (74m – Ferran Torres), Pablo Gavira “Gavi” (62m – Fermín López), Marc Casadó (62m – Frenkie de Jong), Pedro “Pedri” González, Lamine Yamal (90m+2 – Gerard Martín), Raphael “Raphinha” Belloli e Robert Lewandowski
1-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 2m
1-1 – Robert Lewandowski (pen.) – 13m
2-1 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 22m
3-1 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis (pen.) – 30m
3-2 – Raphael “Raphinha” Belloli – 64m
4-2 – Ronald Araújo (p.b.) – 68m
4-3 – Robert Lewandowski (pen.) – 78m
4-4 – Eric García – 86m
4-5 – Raphael “Raphinha” Belloli – 90m+6
Cartões amarelos – Álvaro Carreras (76m); Pablo Gavira “Gavi” (36m), Jules Koundé (66m), Frenkie de Jong (90m+4) e Fermín López (90m+8)
Cartão vermelho – Arthur Cabral (90m+8 – no banco)
Árbitro – Danny Makkelie (Países Baixos)
O que prometia ser uma noite épica acabaria por transformar-se numa azia monumental.
Foi um jogo alucinante, caótico, vertiginoso, entusiasmante! Mesmo que as duas equipas não tenham realizado exibições de grande nível (sendo que a terceira esteve bastante pior).
Praticamente entrando em campo a ganhar, com o primeiro golo apontado antes de completado o segundo minuto de jogo – poderia, aliás, logo de seguida, ter ampliado a contagem –, e mesmo depois de, rapidamente, o Barcelona ter restabelecido a igualdade, a sensação que imperou foi a de que o Benfica iria marcar mais golos, tal a forma como conseguiu provocar e aproveitar o desacerto defensivo do adversário, com a equipa catalã a denotar algo inesperadas fragilidades.
Imediatamente após o segundo tento de Pavlídis – a aproveitar uma descoordenação entre o guardião e um defesa, que chocaram um com o outro, deixando a bola à mercê do avançado grego – , não foi uma previsão de grande risco a de que teria uma boa oportunidade para vir a alcançar o “hat-trick”; o que talvez não se pensasse era que esses três golos fossem obtidos em menos de meia hora!
O 3-1 surgiria na conversão de uma grande penalidade, por alegada falta (difícil de avaliar) de um desastrado Szczęsny sobre Aktürkoğlu. Ainda assim, mesmo antes do intervalo, o Barcelona dera já nota de que não iria baixar os braços…
Não obstante, a toada de jogo não se alteraria de modo significativo nos primeiros minutos do segundo tempo, com Aursnes a não conseguir ultrapassar o guarda-redes, ainda antes de completado o décimo minuto, no que constituiu uma soberana ocasião de o Benfica poder chegar ao 4-1.
E, como “quem não marca, sofre”, Trubin “retribuiu” a falha clamorosa que originara o segundo tento benfiquista, numa tentativa de saída de bola, que, contudo, tabelou em Raphinha, assim involuntário marcador do 3-2.
Duraria pouco a diferença mínima, tendo bastado apenas mais quatro minutos, para, em mais uma das muitas descidas do Benfica, pelo flanco, após cruzamento de Schjelderup – interceptado por Ronald Araújo, a “tirar o pão da boca” a Pavlídis (no que teria sido um incrível “poker”), mas desviando a bola para o fundo das suas redes –, a equipa portuguesa repor a vantagem de duas bolas.
O 4-2 subsistiria até aos 78 minutos, altura em que, porém, a configuração do jogo mudara já radicalmente: as saídas de Aktürkoğlu e de Schjelderup, supostamente para procurar refrescar o meio-campo, não resultaram de todo, tendo o Benfica perdido por completo o controlo do jogo, impotente para suster a intensidade que o Barcelona colocava então em campo, vendo-se cada vez mais impelido a acantonar-se nas imediações da sua área.
O dique acabaria por ceder na sequência de mais uma grande penalidade, também controversa, a proporcionar aos catalães, não só o reentrar no jogo, mas, como que num sistema de vasos comunicantes, e enquanto o Benfica se afundava, reforçar a confiança de que seria possível levar pontos da Luz.
Procurando fazer “das tripas coração” a formação benfiquista ainda aguentou o resultado até escassos quatro minutos do final do tempo regulamentar, quando o defesa Eric García se antecipou à defesa, para cabecear para o 4-4.
Com o jogo completamente partido, já sem táctica que resistisse, Di María, surgindo isolado frente ao guardião, teve ainda nos pés o que teria sido o 5-4, mas não logrou ludibriar Szczęsny. Tal como Aursnes, foram duas perdidas que acabariam por sair muito caras.
Numa fase inebriada do desafio, já em período de compensação, o Benfica beneficiou ainda de um livre próximo da área do Barcelona; na sequência, Leandro Barreiro isolava-se também, tendo sido tocado pelas costas por um defesa, desequilibrando-se; numa rapidíssima transição (enquanto os benfiquistas ficaram a reclamar a correspondente grande penalidade), um lançamento longo para Raphinha, completamente liberto, a correr todo o campo, pelo flanco direito, internando-se ligeiramente para o “cara-a-cara” com Trubin, ao qual não deu hipótese, culminaria com a bola a anichar-se na baliza.
No final, a verdade é que o Benfica apenas viria a perder por não ter conseguido resistir à vertigem de poder chegar ainda ao quinto golo, e acabar mesmo por ganhar um jogo que, antes, tivera “ganho”, por duas vezes, com o marcador em 3-1, e, sobretudo, 4-2, já dentro do derradeiro quarto de hora.
Este era um encontro em que o objectivo primário seria o de somar o ponto que faltava para garantir, desde logo, a continuidade na prova. Com um livre a seu favor, já com o tempo de compensação a esgotar-se, a equipa benfiquista poderia ter optado por preservar a bola, até ao apito final (que, decerto, não demoraria mais que breves segundos); mas será difícil censurar a (que se revelaria) fatal atracção por tentar o 5-4.
Numa partida com tantas falhas de parte a parte, invocar a arbitragem para justificar o insucesso poderá parecer “desculpa de mau pagador”, mas, na realidade, e no decurso de todo o jogo, Danny Makkelie esteve longe de se mostrar assertivo, aparentemente pouco convencido, ele próprio, das decisões que ia tomando, com notórias e sucessivas hesitações. Teve que ser corrigido pelo “VAR” em lances de grande penalidade (subsistindo a incerteza), sendo que, no instante derradeiro, que originaria o 5.º golo do Barcelona, ter-se-á optado por não desacreditar mais o árbitro, numa jogada susceptível de interpretação, quanto à famosa avaliação da “intensidade” do contacto.
Um árbitro que, no mínimo, tem patenteado alguma infelicidade em jogos com equipas portuguesas: para além de não ter igualmente sancionado com grande penalidade, na época anterior, no jogo do Benfica em Milão, com o Inter, um evidente contacto de Barella sobre David Neres, estivera também associado a um erro crasso, no Sérvia-Portugal, de apuramento para o Mundial de 2022, não tendo então validado um golo em que a bola notoriamente ultrapassara a linha de baliza (o que acabaria por custar à selecção nacional ter de disputar o respectivo play-off).
Foi pena.
Liga dos Campeões – 6ª Jornada – Benfica – Bologna
Benfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah, Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Álvaro Carreras, Fredrik Aursnes, Florentino Luís, Orkun Kökçü (80m – Arthur Cabral), Ángel Di María, Kerem Aktürkoğlu (72m – Jan-Niklas Beste) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (72m – Zeki Amdouni)
Bologna – Łukasz Skorupski, Stefan Posch (88m – Tommaso Corazza), Sam Beukema, Nicolò Casale (73m – Jhon Lucumi), Emil Holm, Lewis Ferguson, Nikola Moro (73m – Remo Freuler), Kacper Urbański (73m – Dan Ndoye), Giovanni Fabbian (73m – Tommaso Pobega), Samuel Iling-Junior e Thijs Dallinga
Cartões amarelos – Evangelos “Vangelis” Pavlídis (24m), Florentino Luís (48m), Alexander Bah (59m), Orkun Kökçü (63m) e Nicolás Otamendi (76m); Giovanni Fabbian (53m), Nicolò Casale (62m), Lewis Ferguson (71m), Remo Freuler (89m) e Sam Beukema (90m)
Árbitro – Radu Petrescu (Roménia)
Não tendo sido – por um padrão de exigência mediano – uma exibição muito bem conseguida, o Benfica fez, não obstante, o que teria sido necessário para, em condições “normais”, levar de vencida este adversário, e, consequentemente, garantir, desde já, a continuidade na prova.
O “golo” até surgiu bem cedo, ainda antes de completado o terceiro minuto de jogo… só que não valeu, dado que Pavlídis, que “picara” a bola por cima do guardião, partira de posição irregular.
Na primeira fase do desafio, a formação italiana conseguiria, porém, manter o adversário alerta, procurando potenciar a velocidade dos seus extremos, ao mesmo tempo que, colocando agressividade nas suas acções defensivas, em grande disputa pela posse de bola, impedia o fio de jogo do adversário.
E, com o tempo a passar, só próximo do intervalo o Benfica teria um lance de bom futebol colectivo, envolvendo Aursnes, Carreras e Di María, a rematar para uma intervenção atenta de Skorupski, depois de um bom cruzamento do lateral esquerdo benfiquista.
A segunda metade seria substancialmente melhor, com a equipa portuguesa a despertar, a assenhorear-se do controlo do jogo, instalando-se no meio terreno contrário, de forma muito mais pressionante. E as oportunidades começariam a surgir.
Pavlídis, falho de confiança, desperdiçou soberana ocasião de golo, quando, isolado frente ao guarda-redes, se deixou “antecipar”, permitindo a Skorupski fazer a mancha a uma recarga (depois de ter afastado a bola para a frente), a evitar a progressão do esférico para o fundo das redes.
As entradas de Beste e de Amdouni, já dentro dos derradeiros vinte minutos, proporcionaram maior dinâmica à equipa, frente a uma defesa do Bologna, então a denotar alguns sinais de fadiga, e que se concentrava cada vez mais nas imediações da sua grande área.
Pouco depois de entrar em campo, Amdouni rematou com muito perigo, outra vez com o guardião a negar o golo; isto, logo a seguir a uma boa iniciativa de Di María, bloqueada por um defesa, a oferecer o corpo à bola.
Bruno Lage faria ainda entrar, para os dez minutos finais, mais um avançado, Arthur Cabral, por troca com Kökçü, mas o Benfica só voltaria a criar perigo em cima do minuto noventa, outra vez por intermédio de Amdouni, com um remate de meia-distância, que, uma vez mais, não logrou ter êxito, perante a oposição do guarda-redes polaco.
Todavia, a falta de eficácia acabaria por se traduzir na manutenção do nulo no marcador, até final.
O Benfica apenas somou um ponto, magro pecúlio para as suas aspirações (e, também, face ao labor desenvolvido em campo), mantendo-se no limbo quanto ao apuramento para a fase seguinte da competição: os dez pontos averbados conferem-lhe, por ora, a 15.ª posição, podendo, no final, vir a revelar-se suficientes, mas, dispondo de margem de apenas três pontos, tal não lhe permite ainda relaxar.
Liga dos Campeões – 5ª Jornada – Monaco – Benfica
Monaco – Radosław Majecki, Vanderson Campos, Thilo Kehrer, Wilfried Singo, Caio Henrique (57m – Christian Mawissa), Lamine Camara (57m – Soungoutou Magassa), Denis Zakaria (90m – George Ilenikhena), Maghnes Akliouche, Alexandr Golovin, Eliesse Ben Seghir (63m – Mohammed Salisu) e Breel Embolo (63m – Folarin Balogun)
Benfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah, Nicolás Otamendi, Tomás Araújo, Álvaro Carreras, Florentino Luís (65m – Zeki Amdouni), Fredrik Aursnes (85m – Leandro Barreiro), Ángel Di María (90m – Benjamín Rollheiser), Orkun Kökçü, Kerem Aktürkoğlu e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (65m – Arthur Cabral)
1-0 – Eliesse Ben Seghir – 13m
1-1 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 48m
2-1 – Soungoutou Magassa – 67m
2-2 – Arthur Cabral – 84m
2-3 – Zeki Amdouni – 88m
Cartões amarelos – Denis Zakaria (41m), Thilo Kehrer (41m), Wilfried Singo (42m) e Christian Mawissa (79m); Florentino Luís (6m), Álvaro Carreras (29m) e Kerem Aktürkoğlu (42m)
Cartão vermelho – Wilfried Singo (58m)
Árbitro – Rade Obrenovič (Eslovénia)
Esta foi uma tão importante como atípica vitória do Benfica, a operar a reviravolta no marcador já nos derradeiros minutos da partida, tirando partido do facto de dispor de superioridade numérica face ao adversário, com Di María, numa das suas grandes noites, a “fabricar” os dois golos que permitiram tal sucesso.
As duas equipas estariam num período de “estudo mútuo”, com o Benfica talvez um pouco mais na expectativa, quando o Monaco se colocou em vantagem, ainda antes de decorrido o primeiro quarto de hora de jogo, no que, no imediato, constituía um rude golpe nas aspirações benfiquistas.
Logo numa das suas primeiras ofensivas, depois de uma defesa incompleta de Trubin, uma troca de bola entre dois jogadores da casa, perante a passividade contrária, resultava no abrir do activo.
A intensidade de jogo aumentaria, mas, até final do primeiro tempo, o Benfica não parecia capaz de superar a organização contrária, pese embora alguma maior toada de parada e resposta, por parte de ambas as formações.
No recomeço, Embolo provocou novo calafrio, com um remate ao poste da baliza de Trubin. Não obstante, de imediato, um “golo para os apanhados” beneficiaria, desta feita, o Benfica: um defesa monegasco tentava fazer um atraso de cabeça, num lance que resultou no isolar de Pavlídis, que, com muita serenidade, empatou a contenda.
Parecia, contudo, ser “sol de pouca dura”, porque, de imediato, a turma da casa voltava a marcar, valendo à equipa portuguesa a intervenção do VAR, a invalidar o golo, sancionando posição de fora-de-jogo.
Na resposta, Bah daria a melhor sequência a um cruzamento de Di María. De uma situação de 1-2, passava-se, num ápice, a 2-1, a favor do Benfica. Ou, pelo menos, assim parecia… Só que o VAR interveio de novo, recolocando tudo na mesma: mantinha-se o 1-1.
Foi então que sucedeu o momento crucial do desafio, pouco antes da hora de jogo: Wilfried Singo, que fora já admoestado com cartão amarelo (por reclamar do facto de o árbitro não ter exibido o que seria o segundo cartão amarelo a Carreras), veria, ele próprio, o cartão pela segunda vez, agora por ter cometido falta, sendo expulso.
De forma não muito usual ao nível europeu, o Benfica viria a beneficiar significativamente desta “dualidade” arbitral: o segundo amarelo poupado a Carreras resultou num primeiro amarelo a um adversário, que viria a estar na origem da inferioridade numérica da equipa do Monaco.
Os dois treinadores moveram então as peças, qual jogo de xadrez – “Adi” Hütter tinha, aliás, acabado de fazer duas substituições no minuto imediatamente anterior à expulsão, operando outras duas, cinco minutos volvidos, totalizando seis, dadas as trocas, no Benfica, de Pavlídis e Florentino, por Arthur Cabral e Amdouni.
Não estaria, então, nas previsões gerais, o que se seguiu: a suposta aposta ofensiva do Benfica teve resultados contraproducentes, com a perda de controlo a meio-campo, e seria inclusivamente o Monaco a recolocar-se em vantagem.
Em certos lances chegou a dar então a ilusão de que seria o Benfica a jogar com menos um, tal a impotência que denotava para conseguir travar a dinâmica do adversário, em rápidas transições, muito mais assertivo na recuperação de bola.
O Benfica parecia perdido, quando Di María tirou – por duas vezes – o “coelho da cartola”: primeiro, um cruzamento tenso, teleguiado, para o cabeceamento de Arthur Cabral, a dar “nova alma” à equipa, a acreditar que seria ainda possível chegar à vitória, enquanto, ao invés, o Monaco passava a duvidar de si próprio.
Já com Leandro Barreiro em campo, tendo saído Aursnes, mais três minutos passados, o argentino voltava a fazer das suas: outra vez a centrar, a solicitar a desmarcação do oportuno Amdouni, também de cabeça, a marcar o golo do (que chegou a parecer muito improvável) triunfo.
Um (feliz) desfecho que deixa o Benfica em muita boa situação para poder avançar na “Champions”, nesta época de estreia da “Liga única”.
Liga dos Campeões – 4ª Jornada – Bayern – Benfica
Bayern München – Manuel Neuer, Joshua Kimmich, Min-jae Kim, Dayotchanculle “Dayot” Upamecano, Alphonso Davies, João Palhinha, Konrad Laimer, Serge Gnabry (72m – Kingsley Coman), Jamal Musiala (90m – Thomas Müller), Michael Olise (56m – Leroy Sané) e Harry Kane
Benfica – Anatoliy Trubin, Issa Kaboré (45m – Jan-Niklas Beste), Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, António Silva, Álvaro Carreras, Renato Sanches (86m – Benjamín Rollheiser), Fredrik Aursnes, Orkun Kökçü (79m – Arthur Cabral), Zeki Amdouni (45m – Evangelos “Vangelis” Pavlídis) e Kerem Aktürkoğlu (56m – Ángel Di María)
1-0 – Jamal Musiala – 67m
Cartões amarelos – Jamal Musiala (73m); Issa Kaboré (26m), Orkun Kökçü (71m)
Árbitro – Davide Massa (Itália)
Não é difícil fazer a síntese deste jogo, em que o Benfica se remeteu completamente à defesa, desde início a fim, abdicando de jogar. Se não passou a vergonha de ser goleado, como tem sido regra em Munique, passou a vergonha de, de forma deliberada, se ter assumido como equipa pequena.
Foi, quase durante todo o tempo, uma espécie de “tiro ao boneco”, por parte do Bayern; tantos remates (total de 24) fez, tanto empurrou o Benfica para dentro do seu reduto defensivo, que seria virtualmente impossível que nenhuma dessas múltiplas tentativas não resultasse em golo.
Ao contrário, o Benfica sai do Allianz Arena com uma pior que medíocre estatística, a de ter ensaiado um único remate, em mais de noventa minutos (em termos de remates à baliza a contagem final ficou, aliás, em 10-0, exactamente como a nível do número de cantos)…
E, a dada altura, até terá sido possível ter a ilusão de se ter encontrado antídoto para os ataques bávaros: mesmo que a equipa portuguesa não conseguisse ter bola, e, portanto, sem conseguir esboçar qualquer tentativa de contra-ataque, na primeira meia hora de jogo o Bayern não dispôs de efectivas oportunidades. Só perto dos 40 minutos, Trubin foi seriamente colocado à prova.
Mas, “descoberto o caminho” para a baliza, nunca mais o conjunto benfiquista teve sossego, sempre posto em aflição.
Depois da espécie de “revolução” protagonizada por Bruno Lage a nível do “onze” inicial (fazendo alinhar três defesas centrais, numa linha defensiva de cinco elementos), as alterações efectuadas ao intervalo terão visado que fosse possível “ter bola”, por via de uma referência ofensiva, como, pretensamente, seria Pavlídis.
Mas o jogo manteve-se de “sentido único”, com a pressão a intensificar-se mesmo, e a torrente germânica acabaria (inevitavelmente) por romper o dique: já depois de outras duas intervenções do guardião ucraniano, o Bayern chegaria mesmo ao golo.
Faltavam jogar ainda cerca de 25 minutos, mas só para os dez minutos finais o técnico do Benfica arriscaria a entrada de outro avançado (Arthur Cabral).
Não obstante, a equipa portuguesa – então com menos um homem na zona de “construção de jogo” – continuaria a ser tão improfícua no ataque como fora até aí, sem conseguir, durante todo o tempo, criar qualquer lance de perigo para a baliza de Neuer.
Ao sétimo jogo do Benfica em Munique, passam a ser sete as derrotas sofridas, sendo, até, apenas a segunda vez que não foi goleado. A única coisa positiva desta noite – e aceitando a evidente superioridade do Bayern – poderá mesmo ter sido a diferença tangencial no resultado, não penalizando de forma relevante a diferença de golos geral, em termos de pauta classificativa final da “Champions League”.
Liga dos Campeões – 3ª Jornada – Benfica – Feyenoord
Benfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah (88m – Andreas Schjelderup), Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Álvaro Carreras, Fredrik Aursnes, Florentino Luís (65m – Zeki Amdouni), Orkun Kökçü (72m – Renato Sanches), Ángel Di María (65m – Jan-Niklas Beste), Kerem Aktürkoğlu e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (72m – Arthur Cabral)
Feyenoord – Timon Wellenreuther, Mvula Lotomba (75m – Anis Hadj Moussa), Gernot Trauner, Dávid Hancko, Hugo Bueno (88m – Gijs Smal), In-beom Hwang, Antoni-Djibu Milambo, Quinten Timber, Ibrahim Osman (59m – Thomas Beelen), Igor Paixão e Ayase Ueda (75m – Julián Carranza)
0-1 – Ayase Ueda – 12m
0-2 – Antoni-Djibu Milambo – 33m
1-2 – Kerem Aktürkoğlu – 66m
1-3 – Antoni-Djibu Milambo – 90m
Cartões amarelos – Zeki Amdouni (90m) e Renato Sanches (90m); Quinten Timber (39m)
Árbitro – Halil Umut Meler (Turquia)
Outra vez do “dia” para a “noite”. Ou como a exibição de “mão cheia” frente ao At. Madrid parece – apenas três semanas volvidas – já tão distante.
Acima de tudo, o Benfica – aparentemente impreparado para a forma de actuar do adversário – nunca conseguiu atinar com as marcações às velozes setas que o Feyenoord tinha do meio-campo para a frente, tendo chegado mesmo a perder por completo o “Norte” em determinado período, em que o adversário não só marcou dois golos, como chegou a ter outro lance de golo invalidado (o que, aliás, voltaria a suceder, mais tarde, já na segunda parte).
Igor Paixão, Hwang, Milambo e Timber pareciam “Diabos” à solta, em pleno relvado da Luz, quais motas em acelerações contínuas na direcção da baliza benfiquista, com um sector defensivo (nele se incluindo a zona intermediária) demasiado permeável, concedendo demasiados espaços entre linhas, sem bola, e a perder a maior parte dos duelos individuais.
Não surpreendeu, pois, o primeiro golo do Feyenoord, quando estavam jogados pouco mais de dez minutos. E, até ao segundo tento, o que se assistiu foi a um corropio junto da área do Benfica, com o seu meio-campo muito falho de intensidade.
Em 45 minutos o melhor que a equipa portuguesa conseguira foi um remate de Bah, a acertar no poste, a meio desse primeiro tempo.
Depois da “pausa técnica” do intervalo, a equipa pareceu surgir em campo com algum maior discernimento, dando um primeiro sinal de inconformismo quando Pavlidis rematou para defesa apertada, de recurso, com o pé, de Wellenreuther.
Com o jogo “partido”, arriscando poder sofrer um terceiro golo, o Benfica, porfiando no ataque, seria premiado com o tento de Aktürkoğlu – imediatamente após as entradas em campo de Beste e Amdouni –, na recarga, precisamente, a uma primeira tentativa do alemão.
Na melhor fase da equipa, Aktürkoğlu teve ocasião para marcar de novo, e Wellenreuther voltaria a ter intervenção de grande nível, a remate de Amdouni, rechaçando a bola para a trave da sua baliza.
O Feyenoord, tendo recuado no terreno, e perdido o controlo da partida, usava e abusava de acções faltosas e de anti-jogo, perdendo tempo, perante a complacência do árbitro.
Mas, nos derradeiros minutos, com o Benfica balanceado para o ataque, já algo atabalhoado, e bastante ansioso – e tendo, entretanto, o adversário conseguido “recompor-se” –, seriam os neerlandeses, já em tempo de compensação, a acabar por marcar uma vez mais, sentenciando o desfecho da partida.
Um jogo em que faltou equilíbrio à equipa benfiquista, em que, ao contrário da ronda anterior, o colectivo não funcionou, em contraponto com a máquina “bem oleada” de Roterdão, expondo cruamente as fragilidades do rival.
É verdade que o Benfica se pode queixar de alguma dose de infelicidade, perante as oportunidades de que dispôs para poder ter marcado mais do que um golo e, no caso, chegar ao empate… mas também o Feyenoord poderia ter ampliado a contagem a seu favor, pelo que, de todo, não se pode considerar a derrota injusta, perante um desempenho global tão inconstante e tão pouco conseguido.
Liga dos Campeões – 2ª Jornada – Benfica – At. Madrid
Benfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah (86m – António Silva), Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Álvaro Carreras, Florentino Luís, Ángel Di María (71m – Benjamín Rollheiser), Fredrik Aursnes, Orkun Kökçü (86m – Leandro Barreiro), Kerem Aktürkoğlu (71m – Jan-Niklas Beste) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (60m – Zeki Amdouni)
Atlético Madrid – Jan Oblak, José María Giménez, Axel Witsel, Reinildo Mandava, Marcos Llorente (33m – Nahuel Molina), Jorge Merodio “Koke” (45m – Conor Gallagher), Rodrigo De Paul (45m – Javier “Javi” Serrano), Samuel Lino, Antoine Griezmann (45m – Alexander Sørloth), Ángel Correa e Julián Alvarez (60m – Giuliano Simeone)
1-0 – Kerem Aktürkoğlu – 13m
2-0 – Ángel Di María (pen.) – 52m
3-0 – Alexander Bah – 75m
4-0 – Orkun Kökçü (pen.) – 84m
Cartões amarelos – Fredrik Aursnes (22m); Javi Serrano (70m), Reinildo Mandava (83m), José María Giménez (83m) e Ángel Correa (90m)
Árbitro – Serdar Gözübüyük (Países Baixos)
Foi uma noite quase perfeita do Benfica, com uma exibição desassombrada, a provocar o renegar do “ADN” da equipa de Simeone, que, a dado passo, acabou mesmo por “baixar os braços”, impotente para contrariar a superioridade manifestada pelo adversário.
Subitamente, o Benfica arranca uma das suas melhores exibições nas competições europeias, nos últimos anos. Uma equipa personalizada, cada elemento sabendo a sua missão, com o colectivo a funcionar praticamente em pleno.
Desde início, foi a equipa portuguesa a assumir a iniciativa, empurrando o adversário para o seu meio-campo, exercendo forte pressão em todo o terreno, não concedendo espaços ao At. Madrid.
À passagem dos cinco minutos já Pavlidis levara sinal de perigo junto à defensiva contrária por duas vezes, primeiro com um remate a ser desviado por Witsel, e, na sequência do pontapé de canto, proporcionando uma boa intervenção de Oblak, por curiosidade, dois antigos jogadores benfiquistas.
Mas o golo não tardaria; à terceira foi de vez: num lance iniciado numa recuperação de bola de Bah, a após triangulação envolvendo Pavlidis e Aursnes, este fez o passe para Aktürkoğlu desferir um remate sem hipótese de defesa.
Com Carreras a jogar bastante adiantado, sendo as suas subidas no terreno, por vezes, compensadas por Aktürkoğlu – enquanto, em paralelo, no outro flanco, Aursnes combinava com Bah –, e Di María a vaguear pelo terreno, dificultando a marcação, o Benfica parecia ter sempre superioridade numérica na zona nevrálgica do meio-campo.
Na primeira parte o Atlético de Madrid só criaria um lance de perigo, num centro-remate de Samuel Lino, a embater na trave. Já próximo do intervalo, Pavlidis esteve perto de aumentar a contagem, rematando cruzado, com Oblak batido, mas a bola acertaria no poste…
No recomeço da partida, Simeone contava já três substituições, procurando alterar o rumo do desafio. Mas, ao contrário, seria o Benfica a acentuar ainda o seu domínio.
E bastariam cerca de cinco minutos para, em lance na área, um dos suplentes recém-entrado em campo, Gallagher, pisar o pé de Pavlidis, lance sancionado com grande penalidade, após intervenção do “VAR”. Na conversão, Di María não deu possibilidades a Oblak; estava feito o 2-0.
A equipa espanhola “abanou”, e o Benfica poderia ter marcado de novo, mas, dessa feita, o guardião esloveno conseguiria contrariar os intentos do argentino.
Bruno Lage também mexeria no “onze”, fazendo entrar Amdouni, e, depois, Rollheiser e Beste, mantendo uma notável dinâmica do conjunto, sempre em alta rotação, com uma parte final ainda em crescendo, um “quebra-cabeças” para o At. Madrid.
Seria precisamente Beste a enviar, a partir da marca de pontapé de canto, a bola direccionada para a cabeça de Bah, que fez o desvio para o fundo da baliza, ampliando o “placard” para 3-0.
A vitória benfiquista estava consumada. A formação espanhola “entregava os pontos”.
Outra vez num lance com a intervenção de Beste, passando a Amdouni, este só seria travado em falta por Reinildo, o que dava origem à segunda grande penalidade da noite, agora convertida por Kökçü. Era a goleada!
Que só não chegou aos 5-0, porque, já em período de compensação, Oblak negou o golo, outra vez a remate de Beste, em particular evidência nos minutos em que esteve em campo; tendo havido ainda tempo para Amdouni rematar novamente ao poste…
As estatísticas finais são eloquentes: 10-0 em remates à baliza! Frente a um adversário que, três dias antes, empatara com o Real Madrid (para o campeonato espanhol), o Benfica demonstrou insuspeita superioridade em todos os capítulos do jogo, numa noite de “gala”.
Liga dos Campeões – 1ª Jornada – Crvena zvezda – Benfica
Crvena zvezda – Omri Glazer, Ognjen Mimović (26m – Euciodálcio “Dálcio” Gomes), Nasser Djiga, Uroš Spajić, Young-woo Seol, Rade Krunić (82m – Luka Ilić), Timi Elšnik, Silas Katompa, Mirko Ivanić, Bruno Duarte (71m – Cherif Ndiaye) e Peter Olayinka (71m – Felício Milson)
Benfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah (37m – Issa Kaboré), Nicolás Otamendi, António Silva, Álvaro Carreras, Florentino Luís, Ángel Di María (88m – Jan-Niklas Beste), Orkun Kökçü (88m – Leandro Barreiro), Benjamín Rollheiser (56m – Fredrik Aursnes), Kerem Aktürkoğlu e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (88m – Zeki Amdouni)
0-1 – Kerem Aktürkoğlu – 9m
0-2 – Orkun Kökçü – 29m
1-2 – Felício Milson – 86m
Cartões amarelos – Silas Katompa (25m) e Young-woo Seol (90m); Álvaro Carreras (52m), Issa Kaboré (64m) e Fredrik Aursnes (77m)
Árbitro – Michael Oliver (Inglaterra)
Não foi uma boa exibição a do Benfica esta tarde, mas foi um bom resultado, na estreia do novo formato da “Champions League”, com uma “Liga” única, agregando os 36 clubes.
A exibição não foi boa, sobretudo pela enorme disparidade de desempenho da equipa, entre a primeira e a segunda parte, de tal amplitude que nem sequer se pode falar de uma questão de consistência.
Num desafio que se afigurava crucial para as aspirações de apuramento para a fase seguinte, o Benfica não poderia desejar melhor entrada: aos nove minutos colocava-se em vantagem, por intermédio da sua nova “coqueluche”, Aktürkoğlu, que, ainda antes de inaugurar o marcador, rematara já, de longe, ligeiramente ao lado da baliza.
No lance do golo, o turco teve notável sentido posicional e de oportunidade, não vacilando perante a sobra de um corte/ressalto de bola de um defesa contrário, após cruzamento de Bah para a área.
Colocando intensidade no jogo, empurrando a turma sérvia para o seu reduto defensivo, o Benfica ia calando o “Maracanã de Belgrado”.
E, ainda antes da meia hora, a turma benfiquista ampliava a contagem, para 2-0, numa excelente execução técnica de outro turco, Kökçü, na conversão de um livre directo, sem hipótese de defesa para o guardião.
Esperava-se, para a segunda parte, um Benfica a gerir a vantagem, controlando o jogo, e espreitando a possibilidade de uma transição que pudesse sentenciar o desfecho da partida.
Pois, nada disso funcionou. Nem a gestão, nem o controlo, nem a possibilidade de um terceiro golo benfiquista. Com dificuldade de concentração e de acertar com as marcações e a dinâmica da turma da casa, a formação portuguesa viu-se sem bola, acossada e, ao invés do que começara por suceder, impelida para a sua defensiva.
A saída de Bah, por lesão, rendido pelo burquinense Kaboré, revelar-se-ia uma enorme “dor de cabeça” para o recém-regressado técnico Bruno Lage, dado que o novo defesa lateral nunca conseguiu encontrar-se em campo, cometendo sucessivas falhas.
Adivinhava-se o golo do Crvena zvezda, sendo o aspecto mais surpreendente o tempo que demorou a materializar-se, tendo os centrais benfiquistas sido chamados à acção em várias ocasiões, para evitar males maiores.
Seria o angolano Felício Milson a conseguir surgir isolado nas costas da defesa contrária, sem dificuldades para bater um desamparado Trubin.
Receou-se que o Benfica não conseguisse resistir à pressão sérvia para os derradeiros finais, tendo apostado forte no reforço do seu sector recuado. Mas, paradoxalmente, seria nessa fase que o Benfica teria a melhor ocasião para voltar a marcar, pelo suíço Amdouni, infeliz, a rematar ao poste.
No final, valeu a conquista de três preciosos pontos, que não apaga o irregular desempenho do Benfica, que terá de subir de rendimento para enfrentar adversários em que o nível de exigência será bem maior que o de hoje.
I Liga – 2023-24 – Classificação final
Equipa J V E D GM GS P 1.º Sporting 34 29 3 2 96 - 29 90 2.º Benfica 34 25 5 4 77 - 28 80 3.º FC Porto 34 22 6 6 63 - 27 72 4.º Sp. Braga 34 21 5 8 71 - 50 68 5.º V. Guimarães 34 19 6 9 52 - 38 63 6.º Moreirense 34 16 7 11 36 - 35 55 7.º Arouca 34 13 7 14 54 - 50 46 8.º Famalicão 34 10 12 12 37 - 41 42 9.º Casa Pia 34 10 8 16 38 - 50 38 10.º Farense 34 10 7 17 46 - 51 37 11.º Rio Ave 34 6 19 9 38 - 43 37 12.º Gil Vicente 34 9 9 16 42 - 52 36 13.º Estoril 34 9 6 19 49 - 58 33 14.º C. F. E. Amadora 34 7 12 15 33 - 53 33 15.º Boavista 34 7 11 16 39 - 62 32 16.º Portimonense 34 8 8 18 39 - 72 32 17.º Vizela 34 5 11 18 36 - 66 26 18.º Chaves 34 5 8 21 31 - 72 23
Campeão – Sporting – Entrada directa na Liga dos Campeões
2.º classificado – Benfica – 3.ª eliminatória de acesso à Liga dos Campeões
3.º classificado – FC Porto – Entrada directa na Liga Europa
4.º classificado – Sp. Braga – 2.ª eliminatória de acesso à Liga Europa
5.º classificado – V. Guimarães – 2.ª eliminatória de acesso à Liga Conferência
Despromovidos – Vizela e Chaves
Promovidos – Santa Clara e Nacional
Play-off – Portimonense – AVS/Marítimo
Melhores marcadores:
1. Viktor Gyökeres (Sporting) – 29
2. Simon Banza (Sp. Braga) – 21
3. Rafael “Rafa” Mújica (Arouca) – 20
Palmarés – Campeões:
Benfica (38) – 1935-36; 1936-37; 1937-38; 1941-42; 1942-43; 1944-45; 1949-50; 1954-55; 1956-57; 1959-60; 1960-61; 1962-63; 1963-64; 1964-65; 1966-67; 1967-68; 1968-69; 1970-71; 1971-72; 1972-73; 1974-75; 1975-76; 1976-77; 1980-81; 1982-83; 1983-84; 1986-87; 1988-89; 1990-91; 1993-94; 2004-05; 2009-10; 2013-14; 2014-15; 2015-16; 2016-17; 2018-19; 2022-23
FC Porto (30) – 1934-35; 1938-39; 1939-40; 1955-56; 1958-59; 1977-78; 1978-79; 1984-85; 1985-86; 1987-88; 1989-90; 1991-92; 1992-93; 1994-95; 1995-96; 1996-97; 1997-98; 1998-99; 2002-03; 2003-04; 2005-06; 2006-07; 2007-08; 2008-09; 2010-11; 2011-12; 2012-13; 2017-18; 2019-20; 2021-22
Sporting (20) – 1940-41; 1943-44; 1946-47; 1947-48; 1948-49; 1950-51; 1951-52; 1952-53; 1953-54; 1957-58; 1961-62; 1965-66; 1969-70; 1973-74; 1979-80; 1981-82; 1999-00; 2001-02; 2020-21; 2023-24
Belenenses (1) – 1945-46
Boavista (1) – 2000-01
Liga Europa – 1/4 de final – Olympique Marseille – Benfica
Olympique Marseille – Pau López, Chancel Mbemba (45m – Michael Murillo), Leonardo Balerdi, Samuel Gigot (100m – Raimane Daou), Emran Soglo (59m – Faris Moumbagna), Iliman Ndiaye (75m – Joaquín Correa), Geoffrey Kondogbia, Amine Harit (110m – Gaël Lafont), Azzedine Ounahi (59m – Luis Henrique Lima), Jordan Veretout e Pierre-Emerick Aubameyang
Benfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah, António Silva, Nicolás Otamendi, Fredrik Aursnes, Florentino Luís, João Neves, Ángel Di María, Rafael “Rafa” Silva (102m – Arthur Cabral), David Neres (61m – João Mário) e Casper Tengstedt (61m – Orkun Kökçü)
1-0 – Faris Moumbagna – 79m
Desempate da marca de grande penalidade
Ángel Di María rematou ao poste
1-0 – Joaquín Correa
1-1 – Orkun Kökçü
2-1 – Geoffrey Kondogbia
2-2 – Nicolás Otamendi
3-2 – Leonardo Balerdi
António Silva permitiu a defesa a Pau López
4-2 – Luis Henrique Lima
Cartões amarelos – Chancel Mbemba (45m), Amine Harit (89m) e Samuel Gigot (89m); António Silva (38m), Casper Tengstedt (60m), Orkun Kökçü (109m) e Florentino Luís (113m)
Árbitro – Felix Zwayer (Alemanha)
O Benfica pôs-se a jeito para um desastre anunciado. Sem ambição, parecendo temerosa, a equipa remeteu-se a uma atitude defensiva, porventura expectante que poderia aguentar o nulo até final – o que, obviamente, era meio caminho andado para que tal “estratégia” corresse mal, perante um notório encolhimento, que, claro, estimulava o adversário, sem nada a perder, a arriscar mais e mais, até acabar por ser premiado.
A culminar uma noite muito pobre em termos exibicionais, também na “lotaria dos penalties”, os jogadores benfiquistas confirmaram a pouca inspiração, desde logo com a infelicidade do remate ao poste por parte de Di María.
Não sei quem terá achado que procurar repetir a abordagem do jogo de Toulouse – apesar de tudo, frente a um adversário ainda de menor potencial –, onde o Benfica já tinha escapado com alguma boa dose de felicidade, poderia ser uma boa ideia…
O pior de tudo, que, uma vez mais, transparece desta partida, é a falta de um colectivo. E, quando as individualidades falham (casos de Di María e Rafa, “ausentes” do jogo – e, também, no sector defensivo, com Otamendi muito intranquilo), é difícil alcançar os objectivos.
Mas, quando o objectivo é falhado perante um adversário notoriamente inferior, fica bastante mais difícil de compreender e aceitar.
Tradicionalmente mexendo tarde na equipa, Schmidt mexeu também mal, neste desafio: Neres, que parecia procurar dar alguns sinais de inconformismo, tendo criado os dois lances mais promissores, no início da segunda parte, viria a ser um dos sacrificados, logo à passagem do quarto e hora (em paralelo, o treinador fez então sair também o único “ponta de lança”, substituindo-o por um médio – entregando a Rafa a responsabilidade de ser o elemento mais ofensivo da equipa).
Ou seja, a partir do banco, a mensagem que era transmitida era a de recuar no terreno, e procurar lançamentos em profundidade, a tentar explorar a velocidade de Rafa. A equipa francesa, claro, aproveitou para se estender ainda mais no ataque, intensificando a pressão, arriscando tudo, e criando ocasiões de perigo.
Tantas vezes o “cântaro vai à fonte”, que lá fica a asa: faltavam cerca de dez minutos para o final do tempo regulamentar, quando o Marseille conseguiu o golo que tanto almejava, empatando uma eliminatória que, a dada altura, chegara a parecer estar resolvida, ainda no Estádio da Luz.
Só no prolongamento Schmidt procuraria “emendar o tiro”, fazendo entrar Arthur Cabral… para a saída de Rafa. A equipa até deu alguns sinais de reacção positiva, mas era tarde demais. De facto, o Benfica fez muito pouco para justificar outro resultado.
O desfecho acabou por ser uma punição severa, mas que não se pode dizer que tenha sido totalmente injusta, perante a atitude demonstrada, em especial nesta 2.ª mão da eliminatória. Um triste adeus às provas europeias, numa temporada repleta de equívocos.
Liga Europa – 1/4 de final – Benfica – Olympique Marseille
Benfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah, António Silva, Nicolás Otamendi, Fredrik Aursnes, João Neves, Florentino Luís, Ángel Di María, Rafael “Rafa” Silva, David Neres (71m – João Mário) e Casper Tengstedt (71m – Marcos Leonardo)
Olympique Marseille – Pau López, Chancel Mbemba (67m – Emran Soglo), Leonardo Balerdi, Samuel Gigot, Quentin Merlin (45m – Iliman Ndiaye), Luis Henrique Lima, Jordan Veretout, Geoffrey Kondogbia, Amine Harit, Pierre-Emerick Aubameyang e Faris Moumbagna (54m – Azzedine Ounahi)
1-0 – Rafael “Rafa” Silva – 16m
2-0 – Ángel Di María – 52m
2-1 – Pierre-Emerick Aubameyang – 67m
Cartão amarelo – David Neres (18m)
Árbitro – Michael Oliver (Inglaterra)
Foi um bom jogo o que o Benfica fez esta noite. Bom… na verdade, até à hora de jogo, altura em que se aguardava o 3-0.
Entrou personalizado – mesmo que o Marseille até tenha, nos minutos iniciais, ensaiado alguns ataques –, marcou cedo, e exerceu claro domínio, alicerçado numa dupla formada por Florentino e João Neves, a controlar e a pautar o jogo. Podia, até, ter chegado ao segundo golo ainda na primeira metade, se Tengstedt ou Neres estivessem mais inspirados.
Foi com os adeptos satisfeitos e confiantes que, ao intervalo, o Estádio da Luz viveu um dos seus grandes momentos, com a bela homenagem proporcionada a Sven-Göran Eriksson (ele que era o treinador aquando da famosa meia-final da Taça dos Campeões Europeus de 1989-90, em que o Benfica afastou o Marseille, apurando-se para a Final de Viena), acompanhado por muitos dos seus jogadores de há 40 (e de há 32) anos (nomes como os de Humberto Coelho, Delgado, Veloso, Álvaro, Vítor Paneira, Shéu, Carlos Manuel, Valdo, Diamantino, César Brito, Rui Águas, Michael Manniche, Filipović, José Carlos, William ou Paulo Madeira, entre outros, acompanhados pelo “adjunto” Toni).
Embalada, a equipa portuguesa ampliaria mesmo a vantagem, logo nos minutos iniciais do segundo tempo, numa boa combinação entre Neres e Di María, parecendo ter “encostado às cordas” o adversário, que dava sinais de estar algo perdido em campo, sem saber como se organizar para suster as investidas benfiquistas, patenteando mesma alguma descrença.
Porém, bastaria uma falha defensiva, que Aubameyang não perdoou, para o Marseille reentrar na eliminatória, e, aliás, no próprio jogo.
Acusando muito o toque, vindo ao de cima a intranquilidade, e começando a denotar maior fadiga – dada a intensiva utilização de vários dos seus jogadores principais –, o Benfica decaiu abruptamente de produção, oferecendo à formação francesa a possibilidade de causar perigo junto da sua baliza.
Ao invés, perdia-se o sentido do colectivo, com Di María e Rafa a procurarem, por si sós, fazer o que a equipa não era já capaz. E o “prejuízo” poderia até ter sido maior, num jogo em que o Benfica ficou a dever a si próprio não viajar a França com a eliminatória praticamente garantida.
Roger Schmidt, perspectivado como principal responsável por uma época aquém das expectativas – depois da eliminação da Taça de Portugal e da derrota ante o Sporting, que deixa o campeonato bastante mais difícil –, não foi poupado, tendo ouvido um coro de assobios.
O Benfica vai ter de se unir e ser corajoso, para enfrentar a “fúria” do Vélodrome.



