O Pulsar do Campeonato – 24ª Jornada

(“O Templário”, 07.04.2022)
Parece ter-se iniciado, já há algumas semanas, uma contagem decrescente, a caminho do título de Campeão Distrital, por parte do Rio Maior: após o triunfo sobre o U. Tomar, na ronda 22, ficavam a faltar seis vitórias; depois, cinco; e, agora, apenas quatro, nas seis jornadas que restam disputar. Exibindo pujante grau de confiança, os riomaiorenses não só vão somando goleadas, como, mais importante, com entrada fulgurante, sentenciam os seus desafios logo no quarto de hora inicial!
Em contraponto, os tomarenses parecem ainda algo em “convalescença”, enfrentando a árdua missão, sobretudo a nível anímico, de continuar a acreditar, nada mais lhes restando, por agora, que cumprir a sua parte – voltaram a ganhar, tendo vencido os dois jogos seguintes a tal desaire –, na esperança de que o “rolo compressor” do rival acabe por vir, de algum modo, a bloquear.
Destaques – Tal como sucedera na semana anterior, em Torres Novas, ao quarto de hora o Rio Maior ganhava já por 2-0, ao Salvaterrense (tendo, aliás, os golos sido apontados aos dois e aos nove minutos), ampliando ainda a marca para um confortável 3-0 à passagem da meia hora (precisamente como na jornada precedente). Até final, mais dois tentos fixaram o “placard” em 5-0, num compromisso que o comandante soube, uma vez mais, converter em “facilidades”.
Em destaque esteve também o Samora Correia, que se impôs por convincente 4-2 ao Abrantes e Benfica, alcançando assim a 5.ª posição, culminando meritória ascensão na tabela. Os abrantinos – porventura já com a mente mais na Taça que no campeonato – equilibraram a contenda durante a primeira parte (inauguraram até o marcador; ripostando de pronto, empatando a duas bolas, após reviravolta operada pelos samorenses), mas, após o 3-2, sofrido mesmo em cima dos 45 minutos, não conseguiriam voltar a reagir, vindo a sofrer o quarto golo já próximo do termo da partida.
Noutro plano, o da luta pela “sobrevivência” no escalão principal, o At. Ouriense conseguiu, enfim, quebrar um ciclo muito negativo, de nove jornadas sem vencer (no qual somara apenas dois pontos, fruto de outros tantos empates), batendo o Torres Novas por tangencial 2-1 (sendo que o tento dos torrejanos foi obtido mesmo a findar o encontro), um desfecho determinante para que a formação de Ourém possa “respirar” melhor, agora com uma “almofada” de cinco/seis pontos face à “linha de água” (respectivamente, Ferreira do Zêzere, 14.º; ou U. Almeirim, 15.º).
Surpresas – Ao contrário da ronda anterior, registaram-se algumas surpresas, duas delas envolvendo os dois últimos classificados, que conseguiram pontuar – nesse aspecto, uma jornada negativa para os ferreirenses, únicos derrotados de entre o quarteto da cauda da classificação.
De facto, o U. Almeirim foi a Alcanena obter resultado positivo – pese embora aquém das suas necessidades actuais – empatando 1-1, beneficiando de um golo marcado longo no minuto inicial. O Alcanenense restabeleceria a igualdade ainda durante o primeiro tempo, mas não conseguiria completar a reviravolta no marcador, o que lhe custou, no imediato, a perda do 5.º lugar.
Também a equipa da Glória do Ribatejo procura ainda dar “prova de vida”, tendo averbado igual desfecho na recepção ao Benavente. Ainda assim, um resultado manifestamente insuficiente, dado que o “lanterna vermelha” continua a distar sete pontos do Ferreira do Zêzere, tendo-se mesmo alargado o “fosso” face ao At. Ouriense (agora de já praticamente insuperáveis doze pontos).
A outra surpresa chegou das Fazendas de Almeirim, onde o tranquilo Cartaxo – de modo algo imprevisto, com grande propensão para o golo – repetiu, ante o Fazendense, para o campeonato, o empate a três golos, que tinha registado também, a meio da semana, na recepção ao Abrantes e Benfica, na 1.ª mão das meias-finais da Taça do Ribatejo.
Em função desta perda de pontos (totalizando oito pontos desperdiçados em três dos últimos quatro embates), o Fazendense (que vencera por 1-0 em Amiais de Baixo, também em jogo a contar para a Taça, assumindo posição privilegiada) voltou a ver dilatar-se, para significativo número de onze pontos, o atraso face ao vice-líder.
Confirmações – Precisamente, o 2.º classificado, U. Tomar, tal como o novamente 3.º, Mação, confirmaram o favoritismo que lhes era creditado, ganhando as suas partidas.
Os maçaenses, por mais claro 3-1, em casa, ante o Amiense, voltando, assim, a igualar o Fazendense na classificação – numa disputa a dois, ambos agora afastados onze pontos do emblema nabantino, e com sete pontos de vantagem sobre o Samora Correia.
Quanto ao U. Tomar, voltou a sentir dificuldades, sobretudo a nível da finalização, tendo começado, uma vez mais, por ser surpreendido em contra-ataque, consentindo um tento ao Ferreira do Zêzere. Ripostando de pronto, empatando apenas três minutos volvidos (aos 21), seria necessária ainda uma longa espera para materializar em golo (2-1, alcançado a dez minutos do final) a superioridade evidenciada dentro de campo, com amplo, mas infrutífero, domínio.
II Divisão Distrital – Concluída a fase regular do campeonato, sagraram-se vencedores de série: Águias de Alpiarça (41 pontos); Fátima (45 pontos); e Moçarriense (48 pontos – completando uma sensacional campanha, 100% triunfal, nos 16 jogos disputados, mostrando-se “desfasado” deste escalão – o que, todavia, terá de confirmar na fase final, recomeçando a partir do “zero”).
Da ronda final, destaque para a “chave de ouro” com que o grupo da Moçarria encerrou a prova, indo golear por contundente 5-0 ao reduto do… 2.º classificado, Espinheirense. O Marinhais ganhou ao Forense por 2-1, acabando por quedar-se somente a um escasso ponto do apuramento!
A equipa “B” do U. Tomar, tendo somado apenas 16 pontos (7.º classificado entre os nove concorrentes) realizou prova discreta, numa época que se traduziu em processo de aprendizagem.
Liga 3 – O U. Santarém – que cedo se viu em inferioridade numérica, tendo jogado os últimos quinze minutos reduzido a nove elementos – não conseguiu evitar comprometedor desaire (0-2) ante o Cova da Piedade (partida disputada em “campo neutro”, na Malveira, em mais um caso de “divórcio”, entre o clube almadense e a respectiva “SAD”). Após a 2.ª jornada (do total de seis que compõem esta fase), os escalabitanos (na 4.ª e última posição, em lugar de despromoção) têm agora um atraso de quatro pontos face ao Caldas e cinco pontos em relação ao rival desta jornada.
Campeonato de Portugal – Depois do triunfo na estreia, o Coruchense foi derrotado, no seu terreno, pelo Marinhense, em função de solitário tento sofrido, já no quarto de hora final. A turma do Sorraia partilha o 2.º lugar com o V. Sernache (equipa ante a qual vencera na ronda inaugural), ambos a três pontos do conjunto da Marinha Grande, e, também, três pontos acima do Peniche.
Antevisão – No escalão principal as atenções estarão centradas no maior “clássico” do Distrito, Torres Novas-U. Tomar (os quais se defrontarão pela 96.ª vez em jogos de Campeonatos nacionais e distritais e Taça de Portugal e do Ribatejo), devendo o Rio Maior enfrentar tarefa teoricamente de menor grau de dificuldade, em deslocação ao reduto do (aflito) U. Almeirim.
No arranque da fase final da II Divisão, teremos triplo confronto entre clubes que disputaram a mesma série: Águias de Alpiarça-Forense; Entroncamento-Fátima; e Espinheirense-Moçarriense.
Na Liga 3 o U. Santarém recebe o Caldas, estando “obrigado” a ganhar; enquanto, no Campeonato de Portugal, o Coruchense visita Peniche, onde será também muito importante pontuar.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 7 de Abril de 2022)
Hóquei em Patins – Liga Europeia – 2021-22 – Fase de Grupos
Grupo A
23.10.2021 – La Vendéenne (Fra.) – Trissino (Itá.) – 2-5
23.10.2021 – Amatori Lodi (Itá.) – Sporting de Tomar (Por.) – 4-4
11.12.2021 – Trissino (Itá.) – Amatori Lodi (Itá.) – 2-1
11.12.2021 – Sporting de Tomar (Por.) – La Vendéenne (Fra.) – 2-0
29.01.2022 – Amatori Lodi (Itá.) – La Vendéenne (Fra.) – 4-1
29.01.2022 – Sporting de Tomar (Por.) – Trissino (Itá.) – 3-3
12.02.2022 – La Vendéenne (Fra.) – Amatori Lodi (Itá.) – 2-3
12.02.2022 – Trissino (Itá.) – Sporting de Tomar (Por.) – 4-4
26.03.2022 – Sporting de Tomar (Por.) – Amatori Lodi (Itá.) – 5-2
26.03.2022 – Trissino (Itá.) – La Vendéenne (Fra.) – 2-1
09.04.2022 – Amatori Lodi (Itá.) – Trissino (Itá.) – 2-3
09.04.2022 – La Vendéenne (Fra.) – Sporting de Tomar (Por.) – 2-4
Jg V E D G Pt 1º Trissino 6 4 2 - 19 - 13 14 2º Sporting de Tomar 6 3 3 - 22 - 15 12 3º Amatori Lodi 6 2 1 3 16 - 17 7 4º La Vendéenne 6 - - 6 8 - 20 -
Grupo B
23.10.2021 – Diessbach (Suí.) – Valongo (Por.) – 1-5
23.10.2021 – Coutras (Fra.) – Sarzana (Itá.) – 4-5
11.12.2021 – Valongo (Por.) – Coutras (Fra.) – 4-1
11.12.2021 – Sarzana (Itá.) – Diessbach (Suí.) – 7-4
29.01.2022 – Coutras (Fra.) – Diessbach (Suí.) – 4-6
29.01.2022 – Sarzana (Itá.) – Valongo (Por.) – 6-6
12.02.2022 – Diessbach (Suí.) – Coutras (Fra.) – 3-1
12.02.2022 – Valongo (Por.) – Sarzana (Itá.) – 4-0
26.03.2022 – Sarzana (Itá.) – Coutras (Fra.) – 5-3
26.03.2022 – Valongo (Por.) – Diessbach (Suí.) – 5-2
09.04.2022 – Coutras (Fra.) – Valongo (Por.) – 5-4
09.04.2022 – Diessbach (Suí.) – Sarzana (Itá.) – 4-7
Jg V E D G Pt 1º Valongo 6 4 1 1 28 - 15 13 2º Sarzana 6 4 1 1 30 - 25 13 3º Diessbach 6 2 - 4 20 - 29 6 4º Coutras 6 1 - 5 18 - 27 3
Garantiram a presença na “Final Four” da Liga Europeia – a disputar em Torres Novas, no “Palácio dos Desportos Helena Sentieiro” (a 14 e 15 de Maio) – as equipas do Trissino, Sporting de Tomar, Valongo e Sarzana.
É o seguinte o alinhamento das meias-finais:
- Trissino – Sarzana
- Sporting de Tomar – Valongo
Liga Conferência Europa – 1/4 de Final (1.ª mão)
Bodø/Glimt – Roma – 2-1
Feyenoord – Slavia Praha – 3-3
Olympique Marseille – PAOK – 2-1
Leicester City – PSV Eindhoven – 0-0
Liga Europa – 1/4 de Final (1.ª mão)
RB Leipzig – Atalanta – 1-1
E. Frankfurt – Barcelona – 1-1
West Ham – Olympique Lyon – 1-1
Sp. Braga – Rangers – 1-0
Liga dos Campeões – 1/4 de Final (1.ª mão)
Chelsea – Real Madrid – 1-3
Manchester City – At. Madrid – 1-0
Villarreal – Bayern – 1-0
Benfica – Liverpool – 1-3
Liga dos Campeões – 1/4 final (1.ª mão) – Benfica – Liverpool
Benfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Rafael “Rafa” Silva, Julian Weigl, Adel Taarabt (70m – Soualiho Meïté), Everton Soares (82m – Roman Yaremchuk), Gonçalo Ramos (86m – João Mário) e Darwin Núñez
Liverpool – Alisson Becker, Trent Alexander-Arnold (89m – Joseph “Joe” Gomez), Ibrahima Konaté, Virgil Van Dijk, Andrew “Andy” Robertson, Naby Keïta (89m – James Milner), Fábio Tavares “Fabinho”, Thiago Alcântara (61m – Jordan Henderson), Mohamed Salah (61m – Diogo José “Jota”), Luis Díaz e Sadio Mané (61m – Roberto Firmino)
0-1 – Ibrahima Konaté – 17m
0-2 – Sadio Mané – 34m
1-2 – Darwin Núñez – 49m
1-3 – Luis Díaz – 87m
Cartões amarelos – Adel Taarabt (63m); Thiago Alcântara (58m)
Árbitro – Jesús Gil Manzano (Espanha)
Foi “pena” o golo sofrido já à beira do fim… o 1-2 permitiria ainda levar a eliminatória “viva” para Liverpool. Mas, efectivamente, o resultado poderia ter sido bastante mais gravoso para o Benfica, e, logo, na metade inicial do jogo.
As equipas portuguesas têm vindo, sucessivamente, a demonstrar, perante este tipo de adversários do mais alto gabarito (veja-se os casos de jogos do FC Porto, Sporting e Benfica, frente a Liverpool, Manchester City e Bayern – hoje por hoje, as melhores equipas do Mundo), enorme dificuldade em delinear uma abordagem que possa ser consentânea / minimamente adaptada face às necessidades, atendendo à exigência a nível competitivo e de intensidade que tais rivais impõem: “jogar o jogo pelo jogo” seria assumir uma espécie de “hara-kiri”; acantonar-se à defesa, não tem proporcionado muito melhores resultados.
Ainda assim, uma coisa é jogar à defesa – como o Benfica fez em Amesterdão – frente a um opositor do nível do Ajax, com alguma probabilidade, como sucedeu, de “correr bem”; outra coisa, distinta, é defrontar um dos clubes antes referidos.
Pois, algo atemorizado perante o poderio do Liverpool, o Benfica insistiu na estratégia defensiva, “encolhendo-se” de tal maneira, que, objectivamente, abdicou de competir, durante larga fase do primeiro tempo.
Foi um “convite” – ao qual a equipa inglesa acedeu de bom grado – a que o oponente, com amplo espaço livre na zona intermediária do campo, viesse para cima da defesa benfiquista, necessariamente impotente para dar resposta a todas as investidas, múltiplos cruzamentos, diagonais, rupturas diversas, incapaz de controlar a profundidade do futebol ofensivo contrário.
Um golo aos 17 minutos; um segundo decorridos outros 17 minutos e Vlachodimos a impedir que o “placard” subisse até aos 4 ou 5 ainda na primeira metade, perante uma equipa do Benfica “à deriva” dentro de campo, incapaz de encontrar o posicionamento que lhe permitisse resistir ao turbilhão.
Ficou por compreender exactamente se a configuração do jogo na segunda metade terá decorrido mais de alguma “soberba” do Liverpool, confiado nas excessivas facilidades com que até aí deparara, pensando estar a eliminatória resolvida, tirando o “pé do acelerador”, se, ao invés, foi o Benfica a conseguir assumir e impor um outro tipo de abordagem.
A verdade é que, mal as equipas tinham regressado ao relvado, já o Benfica estava a reduzir o marcador para a diferença mínima, na sequência de um bom cruzamento, do flanco direito, de Rafa, com o central Konaté (que apontara o tento inicial da partida, na sequência de um pontapé de canto, cabeceando em plena liberdade no eixo da área benfiquista) desastradamente a falhar a intercepção, e Darwin, com uma calma notável, a dominar a bola e a desviá-la do alcance do guarda-redes.
O golo teve o condão de animar a Luz, com os adeptos – recordando-se do que sucedera no jogo da 1.ª mão, frente ao Ajax -, numa atmosfera de crescente e vibrante entusiasmo (num Estádio praticamente lotado) a levarem a “equipa ao colo”, dando força e energia para que o Benfica conseguisse superar-se, melhorando a sua produção de forma assinalável.
Durante um período de cerca de vinte minutos, o Benfica superiorizou-se (!) ao adversário, baralhando-o, com o Liverpool, inesperadamente, a ser permeável a sucessivos lances de ataque organizado e/ou de transição, que os benfiquistas iam conseguindo desenvolver.
O Benfica jogava bem – bastante melhor até do que tinha feito em Amesterdão. De tal forma que se passou a acreditar piamente que era possível chegar ao empate. Que Everton teve nos pés, quando, enquadrado com a baliza, liberto de marcação, fez um remate que saiu fraco, e à figura de Alisson. O próprio Darwin teria ocasião de bisar.
Em gestão de esforço – tendo em mente o que poderá ser o “desafio do título”, no Domingo, em Manchester, ante o City – Klopp procedeu, à passagem da hora de jogo, a “rotação”, fazendo entrar, simultaneamente, Diogo Jota, Firmino e Henderson, numa tripla substituição, para os lugares de Salah, Mané e Thiago Alcântara.
O fulgor benfiquista ia-se desvanecendo, à medida que a equipa começava a acusar alguma inevitável fadiga, perante a intensidade do desafio, com o Liverpool, gradualmente, a retomar o controlo.
Depois da bela reacção benfiquista, o tal terceiro golo soou a punição excessiva, mesmo que o desfecho final (margem da vitória inglesa) não esteja desfasado do desempenho das duas equipas dentro de campo, na globalidade do tempo de jogo.
Ficou a demonstração de que é possível competir, mesmo que seja muito difícil fazê-lo durante os noventa minutos, ao ritmo estabelecido por adversários deste quilate. O Benfica parece próximo de finalizar a sua campanha desta temporada na “Liga dos Campeões”, mas, pelo que fez esta noite, poderá sair de “cabeça erguida”… desde que consiga “estar à (sua) altura” na partida em Inglaterra.
O Pulsar do Campeonato – 23ª Jornada

(“O Templário”, 31.03.2022)
Não obstante se tenham registado cinco triunfos dos visitantes (apenas U. Tomar e Amiense venceram em casa) a 23.ª ronda do Distrital da I Divisão caracterizou-se, em termos gerais, pela lógica: foram derrotados todos os clubes que ocupam os sete últimos lugares, tendo-se registado uma igualdade, num confronto em que o anterior 5.º classificado recebeu o 4.º da tabela.
Os principais beneficiados da jornada foram o Rio Maior – superou, aparentemente com facilidade, o que se antecipava poder ser uma deslocação de alguma complexidade, a Torres Novas, encurtando assim a “distância” que o separa do presumível título – e o Fazendense, aproveitando o empate do Mação, para se isolar no 3.º lugar.
Destaques – A primeira nota de realce vai justamente para a presteza com que o Rio Maior se desembaraçou do seu adversário, em Torres Novas, onde, apenas com um quarto de hora, ganhava já por 2-0, tendo arrumado a contenda antes da meia hora de jogo, fixando o que seria o 0-3 final.
Precisamente o mesmo desfecho (0-3) averbado pelo Fazendense, num categórico triunfo obtido no “derby”, no terreno do U. Almeirim, agravando a situação delicada que o 1.º classificado do campeonato de há dois anos (então interrompido, devido ao surgimento da pandemia) atravessa, actualmente no penúltimo lugar, portanto em posição de despromoção (a consumar-se, no final, tal traduzir-se-ia na segunda descida de divisão sucessiva dos almeirinenses) – por agora, com sete desafios por disputar, dois pontos abaixo do Ferreira do Zêzere e a quatro do At. Ouriense.
Em destaque estiveram também as equipas do Alcanenense, Samora Correia e Benavente, pelas vitórias alcançadas extra-muros: 2-1 pela turma de Alcanena, no difícil reduto de Salvaterra de Magos (tendo, aliás, liderado por 2-0 quase até final da partida); 2-0 por parte do grupo de Samora Correia, no Cartaxo; e, igualmente por 2-1, pelo conjunto de Benavente, em Ferreira do Zêzere.
Em função destes resultados os vencedores firmam-se na disputa pelo 5.º lugar, actualmente pertença do Alcanenense (5.º), mas somente um ponto acima de Samora Correia e Benavente. Ao invés, os vencidos vêem-se mais distanciados da primeira metade do quadro, ocupando agora o 10.º (Salvaterrense), 12.º (Cartaxo) e 14.º lugar (Ferreira do Zêzere).
E, se no caso dos emblemas de Salvaterra e Magos e do Cartaxo, respectivamente com doze e dez pontos de vantagem sobre os ferreirenses, a sua situação é de grande tranquilidade quanto ao objectivo de permanência no escalão principal, já o emblema do Zêzere deu “um passo atrás” na recuperação que vem encetando (mesmo que, no imediato, sem repercussão a nível da ordenação dos clubes na tabela), sobretudo por se ter tratado de desaire caseiro.
Acresce que a equipa de Ferreira até começara por se colocar em vantagem, vindo a sofrer o tento do empate à passagem da hora de jogo, para acabar por ver consumar-se a reviravolta no marcador já em período de compensação, perdendo um ponto que poderá vir a ser relevante.
Quem parece encaminhar-se irremediavelmente para a divisão secundária é o Glória do Ribatejo, com o 6-0 sofrido em Amiais de Baixo a poder indiciar como que um “atirar de toalha ao chão”.
Confirmações – Numa jornada sem grandes surpresas – mesmo considerando os mencionados êxitos de Alcanenense e Samora Correia, em terreno alheio –, anota-se a repartição de pontos no Abrantes e Benfica-Mação (empate a duas bolas), o que, não tendo sido um desfecho de todo negativo para os abrantinos (face ao potencial do adversário), acabou por lhes ser duplamente penalizador: por um lado, deixaram escapar – num único minuto, entre o 62 e o 63 – a vantagem de dois golos que tinham alcançado logo nos dez minutos iniciais; por outro, baixaram à 8.ª posição, pouco condizente com as suas aspirações, ainda que o 5.º lugar esteja só a dois pontos.
O U. Tomar, recebendo o At. Ouriense, também envolvido na luta pela manutenção (é 13.º classificado, somente dois pontos acima da “linha de água”, num cenário de virem a ser três os clubes a despromover) debateu-se ainda com a “ressaca” do insucesso do fim-de-semana anterior.
Com a equipa a denotar dificuldade em “carburar” da forma habitual, só à beira do termo da primeira parte os nabantinos conseguiriam chegar ao golo – num lance assinalado por uma infelicidade, com o guardião contrário a atingir, inadvertidamente, um companheiro, que, caindo desamparado no terreno, foi submetido a assistência médica no local, com o jogo interrompido durante cerca de meia hora, tendo sido transportado para o hospital. Acima de tudo, os votos são, naturalmente, da sua boa recuperação e pronto restabelecimento.
Na segunda metade, a turma unionista continuou exposta aos perigosos contra-ataques da formação de Ourém, com o guarda-redes Ivo Cristo a ter papel fundamental na preservação da vantagem das suas cores. Mesmo depois de terem chegado a 2-0, os visitados, tendo consentido a redução para a diferença mínima, voltaram a oscilar. A tranquilidade só chegaria na fase final, com mais um golo apontado, a estabelecer o resultado de 3-1.
Será um desafio a requerer grande superação o que o União enfrenta até final: o de, sem vacilar, tentar vencer jogo após jogo, ansiando que o rival na luta pelo título possa vir a ter alguma quebra.
II Divisão Distrital – Mercê da difícil vitória, por tangencial 3-2, alcançada no terreno do Rebocho, o Forense garantiu, a uma ronda do final da primeira fase do campeonato, a última vaga de acesso à disputa do título de Campeão e de promoção à I Divisão (três primeiros da fase final).
Estão já matematicamente apurados: Águias de Alpiarça e Forense (Série A); Fátima e Entroncamento AC (Série B); e Moçarriense e Espinheirense (Série C). O Marinhais (tendo goleado por 5-0 em Benfica do Ribatejo) é quem ficou mais próximo, posicionando-se quatro pontos abaixo dos dois primeiros da série A – na série C o Tramagal está seis pontos atrás do 2.º.
Campeonato de Portugal – Em jogo de “acerto de calendário”, o Coruchense entrou com o “pé direito” neste “mini-campeonato” (apenas seis jornadas) para disputa da manutenção nos Nacionais, ganhando por 2-1 na recepção ao V. Sernache. Reparte, pois, o 1.º lugar com o Marinhense (que vencera, na estreia, na semana anterior, em Peniche), ambos com três pontos.
Antevisão – Na divisão principal os dois primeiros jogam em casa, com o Rio Maior a receber o Salvaterrense, enquanto o U. Tomar disputará um “clássico”, com o vizinho Ferreira do Zêzere, muito necessitado de pontos. De interesse será também o Samora Correia-Abrantes e Benfica.
Na derradeira ronda da II Divisão o Marinhais terá a visita do Forense, num embate no qual, porém, os visitados não conseguirão já superar a desvantagem, que os arredou da fase final. O Fátima recebe o Riachense, bastando-lhe pontuar para confirmar o 1.º lugar da série. Num “quase derby” o Moçarriense desloca-se ao Espinheiro, procurando completar o trajecto 100% vitorioso.
Na Liga 3 o U. Santarém terá um encontro crucial, na Cova da Piedade, clube que o precede na classificação, e que poderá ser o de mais plausível ultrapassagem, na busca pela manutenção; no Campeonato de Portugal o Coruchense recebe o Marinhense, em mais um difícil compromisso.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 31 de Março de 2022)
Sorteio – Mundial 2022
Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D Qatar Inglaterra Argentina França Países Baixos EUA México Dinamarca Senegal Irão Polónia Tunísia Equador Gales/Esc./Ucr. A. Saudita EAU/Aust./Peru Grupo E Grupo F Grupo G Grupo H Espanha Bélgica Brasil Portugal Alemanha Croácia Suíça Uruguai Japão Marrocos Sérvia Coreia Sul C.Rica/N.Zel. Canadá Camarões Ghana
Portugal estreia-se na Fase Final do Mundial 2022 a 24 de Novembro, frente ao Ghana; voltará a jogar a 28 de Novembro, com o Uruguai, finalizando a fase de grupos a 2 de Dezembro, ante a Coreia do Sul.
Mundial 2022 – Play-off (Zona Europeia) – “Finais”
País de Gales – Escócia / Ucrânia – (Adiado)
Polónia – Suécia – 2-0
Portugal – Macedónia do Norte – 2-0
Estão já apuradas 27 das selecções que marcarão presença na Fase Final do Campeonato do Mundo:
- Europa (12) – Alemanha, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Espanha, França, Inglaterra, Países Baixos, Polónia, Portugal, Sérvia e Suíça
- África (5) – Camarões, Ghana, Marrocos, Senegal e Tunísia
- Ásia (5) – Qatar, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Irão e Japão
- América do Sul (4) – Brasil, Argentina, Uruguai e Equador
- América do Norte (1) – Canadá
Falta determinar mais duas vagas de apuramento directo na América do Norte, uma na Europa (jogos do play-off que foram adiados – a decidir entre País de Gales – Escócia/Ucrânia) e definir os vencedores dos dois play-offs intercontinentais (a disputar apenas em Junho): (i) Emiratos Árabes Unidos/Austrália – Peru; e (ii) EUA/México/Costa Rica – N. Zelândia/Ilhas Salomão.
Actualização a 31.03.2022 – México e EUA garantiram as duas últimas vagas de apuramento directo (América do Norte). Os play-offs intercontinentais terão o seguinte alinhamento: Emiratos Árabes Unidos/Austrália – Peru; e Costa Rica – N. Zelândia.
Portugal – Macedónia do Norte (Mundial 2022 – Play-off – “Final”)
Estádio do Dragão, Porto
Portugal – Diogo Costa, João Cancelo, Danilo Pereira, Pepe, Nuno Mendes, Bruno Fernandes (87m – Matheus Nunes), João Moutinho (90m – Vítor Ferreira “Vitinha”), Otávio Monteiro (76m – William Carvalho), Diogo Jota (76m – Rafael Leão), Bernardo Silva (87m – João Félix) e Cristiano Ronaldo
Stole Dimitrievski, Stefan Ristovski, Visar Musliu, Darko Velkoski, Ezgjan Alioski, Eljif Elmas (87m – Boban Nikolov), Enis Bardi, Arijan Ademi, Aleksandar Trajkovski (59m – Darko Churlinov), Milan Ristovski (45m – Bojan Miovski) e Tihomir Kostadinov (75m – Stefan Ashkovski)
1-0 – Bruno Fernandes – 32m
2-0 – Bruno Fernandes – 65m
Cartões amarelos – João Cancelo (68m); Visar Musliu (68m) e Ezgjan Alioski (74m)
Árbitro – Anthony Taylor (Inglaterra)
Agora, findos os jogos do play-off, constata-se que Portugal conseguiu, com muito maior facilidade que o esperado, garantir o apuramento para a fase final do Mundial. Efectivamente – beneficiando, em larga medida, da grande surpresa protagonizada pela Macedónia do Norte em Itália –, a selecção portuguesa acabou por ver-se confrontada com duas equipas de nível manifestamente inferior ao seu.
Fazendo alinhar nesta “final” João Cancelo, Pepe e Nuno Mendes (por troca com Diogo Dalot, José Fonte e Raphaël Guerreiro), a formação nacional fez uma exibição segura, controlando durante praticamente todo o jogo, exercendo natural predomínio.
Isto apesar de a Macedónia do Norte ter começado por surpreender, entrando em campo de forma muito aguerrida, com linhas subidas, a disputar os lances a meio-campo, visando bloquear, logo aí, as iniciativas contrárias, beneficiando também, nessa fase, de um estilo de arbitragem que ia enervando os portugueses, permitindo excessiva agressividade aos adversários.
Ainda assim, nesse período, os lances de maior perigo surgiriam, primeiro, num remate cruzado de Cristiano Ronaldo, no flanco esquerdo, a sair a rasar o poste da baliza de Dimitrievski; e, logo depois, num cabeceamento “defeituoso” de Diogo Jota, muito direccionado para o solo, a desperdiçar soberana ocasião de marcar.
Por curiosidade, Portugal chegaria ao golo de forma talvez menos expectável, num lance de transição, aproveitando um mau passe (de grande risco) de Stefan Ristovski, na zona intermediária, paralelo à linha de meio campo, mas ligeiramente atrasado, o qual seria interceptado por Bruno Fernandes, que, após pronta combinação com Cristiano Ronaldo, surgiu desmarcado, a rematar colocado, para o fundo da baliza.
Não obstante a Macedónia como que tivesse “desaparecido” do jogo, o tento da confirmação só chegaria passada outra meia hora de jogo (já após o intervalo), outra vez com início numa recuperação de bola, com Diogo Jota a fazer excelente assistência, de “longa distância”, para notável remate, na passada, do mesmo Bruno Fernandes, particularmente inspirado nesta noite, igualmente sem hipóteses para o guardião macedónio.
Até final, Portugal ainda podia ter ampliado a contagem, não fosse um defesa ter “tirado o pão da boca” a Cristiano Ronaldo, num corte “in extremis”, quando este se preparava para “fazer o gosto ao pé”.
A selecção nacional, sem necessidade de se aplicar a fundo, ou de “brilhar”, não deixou de colocar em evidência o seu superior potencial, face a uma inofensiva equipa contrária, que não conseguiu qualquer remate enquadrado à baliza portuguesa, obtendo um triunfo tão claro como lógico.
Desde a ausência da fase final do Mundial de 1998, em França, nunca mais Portugal voltou a falhar uma grande competição internacional, somando, consecutivamente, 12 participações: seis no Europeu (2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020/21) e, agora, outras tantas em Campeonatos do Mundo (2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022) – a que junta os até então raros apuramentos (1966 e 1986 no Mundial; 1984 e 1996 em Europeus).
Para ilustrar esta proeza lusa, anote-se que apenas três países (Alemanha, Espanha e França) acompanharam Portugal em todas estas 12 fases finais, superando o registo português: os germânicos não falham uma fase final desde o Europeu de 1968 (somando 13 Europeus e 14 Mundiais sucessivos); os espanhóis registam 15 presenças consecutivas (desde 1994, com 8 Mundiais e 7 Europeus); enquanto os gauleses alcançaram uma série de 14 participações (desde 1996, com 7 Mundiais e 7 Europeus) – devendo, por outro lado, considerar-se ainda os casos do Brasil (nunca falhou o Mundial, que irá disputar pela 22.ª vez) e Argentina (13 presenças sucessivas, desde 1974).




