Projecção de Deputados a eleger por círculo eleitoral

                  PSD      PS     CDS     CDU     BE     TOTAL
 Aveiro             8     4,5     2,5       -       1      16
 Beja               1       1       -       1       -       3
 Braga            8,5     6,5       2       1       1      19
 Bragança           2       1       -       -       -       3
 C. Branco          2       2       -       -       -       4
 Coimbra            4     3,5       1       -     0,5       9
 Évora              1       1       -       1       -       3
 Faro               4     3,5       1       -     0,5       9
 Guarda             2       2       -       -       -       4
 Leiria             6       3       1       -       -      10
 Lisboa          16,5      16     6,5       5       3      47
 Portalegre         1       1       -       -       -       2
 Porto             16      15       4       2       2      39
 Santarém           4     3,5       1       1     0,5      10
 Setúbal            4     5,5       2       4     1,5      17
 V. Castelo         3       2       1       -       -       6
 Vila Real        3,5     1,5       -       -       -       5
 Viseu            5,5     2,5       1       -       -       9
 Açores             3       2       -       -       -       5
 Madeira            4       1       1       -       -       6
 Europa             1       1       -       -       -       2
 Fora Europa        2       -       -       -       -       2
    Total         102      79      24      15      10     230

Não obstante todas as sondagens apontarem tendências bastante consistentes, prever resultados eleitorais é inevitavelmente um exercício com importante propensão ao erro: é imprevisível o efeito que o nível de abstenção poderá ter sobre as votações dos partidos com eleitorado “menos militante” (no caso específico actual, o do PS); o grau de “voto útil” no PSD em detrimento do CDS; até que ponto o Bloco de Esquerda conseguirá ainda “segurar” eleitorado; são diversas as variáveis de difícil estimativa.

Aceitando correr o risco do erro, as projecções de repartição de deputados por círculo eleitoral que acima indico baseiam-se nas tendências apresentadas por variadas sondagens, com uma ponderação sobre a minha perspectiva nomeadamente de como decorreu a campanha eleitoral, com base nas seguintes percentagens estimadas: PSD, 37 %; PS, 30 %; CDS, 12 %; CDU, 8 %; BE, 6 %.

Há círculos eleitorais em que se afigura manifestamente impossível apontar com razoável certeza a distribuição dos deputados por cada força política; nesses casos, optei por indicar valores intermédios.

O somatório global de deputados de cada partido é, portanto, apenas um valor indicativo; a sua extrapolação não deixa naturalmente de apontar para uma conclusão praticamente inequívoca: PSD e CDS terão maioria absoluta no novo Parlamento.

Assim, se o número médio indicativo de deputados a eleger pelo PSD poderá ser de 102, deverá situar-se, com maior probabilidade, num intervalo entre 100 e 104 deputados.

De forma similar, para um número médio indicativo de 79 eleitos pelo PS, estimo um intervalo entre 75 e 83 deputados.

Analogamente, o CDS-PP, com um número médio indicativo de 24 deputados, poderá oscilar entre 23 e 25 eleitos.

No que respeita à CDU, a estimativa surge mais fixa, estabelecendo-se em 15 eleitos, não parecendo haver margem para grandes alterações.

Por fim, o BE, com um valor médio de 10 eleitos, poderá situar-se entre 8 e 12 deputados.

3 Junho, 2011 at 1:23 pm 3 comentários

O debate surreal

O que está a acontecer neste preciso momento será decerto inédito a nível mundial, espelhando bem o clima surreal que se vive em Portugal: Rui Marques, Presidente do MEP – Movimento Esperança Portugal está, em simultâneo, nos 4 canais generalistas de televisão (RTP1, RTP2, SIC e TVI), participando em 4 debates diferentes (previamente gravados, como é óbvio), com quatro outros líderes partidários!

E, pasme-se, a sessão quádrupla de debates do MEP, repete-se amanhã, com outros quatro representantes de partidos antagonistas!…

Na sequência de deliberação judicial, do Tribunal de Oeiras, foi deferida a providência cautelar interposta pelo MEP (tal como acontecera também ao PCTP-MRPP, que contudo acabou por não concretizar os debates, por discordar do modelo proposto, com apenas 20 minutos de duração), determinando assim que os diferentes canais de televisão deveriam transmitir debates entre os partidos que estivessem disponíveis para debater com o MEP.

Tendo sido 8 os partidos – Movimento Partido da Terra (MPT), Partido dos Animais (PAN), Partido Democrático do Atlântico (PDA), Partido Humanista (PH), Partido Operário de Unidade Socialista (POUS), Partido Popular Monárquico (PPM), Partido Pró-Vida (PPV) e Partido Trabalhista (PTP) – que aceitaram a proposta, a concretizar nos dois últimos dias de campanha eleitoral (hoje e amanhã), daí a dupla dose de 4 debates simultâneos.

Naturalmente não está em causa a posição adoptada pelo MEP, requerendo tratamento análogo ao que foi proporcionado aos partidos com representação parlamentar – não obstante a mesma se afigurar obviamente inviável, uma vez que, a ser aplicada de modo uniforme às 17 forças políticas concorrentes às eleições de Domingo, resultaria em 136 “frente-a-frente”, numa espécie de esquizofrenia mediático-política – mas sim a forma como o processo decorreu, e, sobretudo, o seu calendário (tendo inclusivamente em consideração o facto de os 10 debates entre os líderes de PS, PSD, CDS, BE e CDU terem sido realizados antes do início da campanha eleitoral).

Mais uma originalidade – neste caso, mesmo excentricidade – na política portuguesa…

2 Junho, 2011 at 9:05 pm 1 comentário

Carlos Tavares – Director-Geral de Operações na Renault

O português Carlos Tavares, de 52 anos, Engenheiro, colaborador do Grupo Renault há cerca de 30 anos, com passagens pelo Japão (na Administração da Nissan) e pelos EUA, acaba de ascender à segunda posição na hierarquia deste grupo automóvel francês a nível mundial, reportando directamente ao Presidente, de origem brasileira, Carlos Ghosn.

A ler, a entrevista de Carlos Tavares, hoje publicada no prestigiado jornal económico francês, Les Echos, de que transcrevo abaixo alguns excertos:

«Vous retrouvez aujourd’hui Renault, que vous aviez quitté en 2004. Comment comptez-vous faire pour y restaurer la confiance ?

Ce que je perçois de Renault aujourd’hui, c’est que c’est une entreprise qui a un plan stratégique et qui est impatiente de le mettre en oeuvre. Ma principale préoccupation sera de libérer tout le potentiel de l’entreprise pour que ce plan « Renault 2016-Drive the Change » soit un succès. La passion des employés dans une entreprise comme la nôtre est un facteur déterminant du succès. Autre différence claire par rapport au Renault que j’avais connu : la reconnaissance que le monde bouge, qu’il y a des opportunités à saisir à l’international. […]

Dans la gouvernance de Renault, que faut-il à présent changer ?

Tous les salariés de l’entreprise doivent pouvoir travailler en confiance, en toute liberté. Une des priorités de l’encadrement est de créer un contexte de sérénité, de concentration pour pouvoir faire des voitures innovantes et de grande qualité. Il faut parler, expliquer et surtout écouter. Ce sera mon premier travail dans les prochains mois.

A qui aurez-vous des comptes à rendre ? A Carlos Ghosn uniquement, ou parfois au gouvernement ?

Je le vois de façon plutôt simple : cela fait sept ans que je travaille avec Carlos Ghosn, on se comprend très bien. Je m’attends à un travail en équipe. Je m’efforcerai de faire en sorte que l’entreprise, opérationnellement, atteigne ses objectifs, sinon plus. Quant au dialogue avec les actionnaires, c’est par nature une responsabilité du PDG, ça me paraît limpide. […]»

1 Junho, 2011 at 11:29 pm Deixe um comentário

Berna, Estádio Wankdorf, 31.05.1961 – Benfica Campeão Europeu


31 Maio, 2011 at 8:45 am Deixe um comentário

St. Gall Monestary Plan

St. Gall Monestary Plan, dedicado a «earliest preserved and most extraordinary visualization of a building complex produced in the Middle Ages»-

28 Maio, 2011 at 11:24 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – Final – Barcelona – Manchester United

Barcelona – Victor Valdés, Daniel Alves (88m – Carles Puyol), Javier Mascherano, Gerard Piqué, Éric Abidal, Sergio Busquets, Xavi Hernández, Andrés Iniesta, David Villa (86m – Seydou Keita), Lionel Messi e Pedro Rodríguez (90m – Ibrahim Affelay)

Manchester United – Edwin van der Sar, Fábio (69m – Nani), Rio Ferdinand, Nemanja Vidic, Patrice Evra, Antonio Valencia, Michael Carrick (77m – Paul Scholes), Ryan Giggs, Park Ji-Sung, Wayne Rooney e Javier Hernández Chicharito

1-0 – Pedro Rodríguez – 27m
1-1 – Wayne Rooney – 34m
2-1 – Lionel Messi – 54m
3-1 – David Villa – 69m

Cartões amarelos – Daniel Alves (60m) e Victor Valdés (85m); Michael Carrick (61m) e Antonio Valencia (79m)

Árbitro – Viktor Kassai (Hungria)

Numa inequívoca afirmação do seu poderio enquanto colectivo, a equipa do Barcelona sagrou-se hoje Campeã da Europa, na Final disputada em Londres, no Estádio de Wembley, troféu que conquista pela quarta vez no seu historial (depois dos triunfos obtidos em 1991-92, 2005-06 e 2008-09), em 7 Finais disputadas, assim igualando Bayern e Ajax no número de títulos.

Depois de uma fase inicial, no primeiro quarto de hora, em que o Manchester United pareceu querer impedir o domínio do Barcelona, a partir daí a equipa da Catalunha assegurou o controlo do jogo, empurrando os ingleses para as imediações da sua área, no seu característico futebol enleante, quase asfixiando os adversários, não surpreendendo o golo inaugural, obtido por Pedro Rodríguez.

Porém, poucos minutos decorridos, na sequência de excelente jogada de combinação, Wayne Rooney empatou a partida, dando novas esperanças à equipa inglesa.

Na segunda parte, gradualmente, o Barcelona voltaria a tomar conta do jogo, acabando por surgir com alguma naturalidade os golos de Messi e David Villa, conferindo-lhe uma justa vitória nesta Final.

A lista de vencedores passou a ser assim ordenada: Real Madrid (9); AC Milan (7); Liverpool (5); Bayern Munique, Ajax e Barcelona (4); Inter e Manchester United (3); Juventus, Benfica, FC Porto e Nottingham Forest (2); Celtic, Hamburgo, Marseille, Steaua Bucareste, Crvena Zvezda, Borussia Dortmund, PSV Eindhoven, Feyeenoord e Aston Villa (1).

28 Maio, 2011 at 9:34 pm Deixe um comentário

190 moments that made The Guardian

Comemorando os seus 190 anos, o jornal britânico The Guardian recupera, em formato blogue, a memória dos seus arquivos, por via da selecção de 190 momentos importantes da História.

26 Maio, 2011 at 5:08 pm Deixe um comentário

Taça Latina

A propósito da Taça Latina e da celeuma recentemente suscitada, no que respeita ao número de títulos conquistados por Benfica e FC Porto, alguns excertos (com sublinhados meus) da obra «História do Futebol Português» , da autoria de Ricardo Serrado, com Pedro Serra:

«O crescimento das colectividades e a busca de novas fontes de rendimentos, juntamente com o desenvolvimento dos transportes, abrem caminho à criação de competições internacionais para lá dos tradicionais jogos amigáveis. Além da Taça Mitropa (que regressará em 1955), existe no continente europeu a Taça Latina (1949-1957), uma prova disputada pelos vencedores dos campeonatos de França, Itália, Espanha e Portugal. Em cada ano (excepto em 1954, quando a competição não se realiza), um destes países acolhe os jogos de um torneio quadrangular (os vencedores da primeira ronda encontram-se na final, disputando os vencidos o terceiro lugar). AC Milan, Barcelona e Real Madrid conquistaram o troféu duas vezes cada, com Benfica e Stade de Reims a triunfarem respectivamente em 1950 e 1953.

Em Junho de 1954, é fundada em Basileia a União Europeia de Football Association (UEFA), uma confederação semelhante às existentes noutros continentes […]»

_____

«O Sporting vence o Lille e o Atlético de Madrid, além de estar presente na primeira final da Taça Latina, perdida para o Barcelona em 1949. No ano seguinte, os jogos da competição são disputados em Lisboa, com o Benfica como representante português. Após a primeira ronda, as “águias” disputam o troféu com os Girondinos de Bordéus, mas o resultado no final do prolongamento assinala um empate (3-3), obrigando a uma finalíssima na qual Arsénio consegue evitar em cima do último minuto o triunfo francês, ao marcar o golo que leva a um novo empate. A expectativa dos adeptos continuaria durante um prolongamento de meia hora e depois, devido à permanência da igualdade, por novos períodos suplementares de dez minutos. É só no minuto 143 da partida que, na sequência de um pontapé de canto, Julinho estabelece o resultado final de 2-1, tornando o Benfica o primeiro clube português a ganhar uma prova oficial internacional

_____

«Uma prova que colocasse frente a frente alguns dos melhores clubes da Europa era um velho sonho de alguns países desde o final dos anos 20. Para o efeito criou-se em 1927 a Taça da Europa Central, que consistia numa prova que colocava em disputa entre si os campeões de algumas nações da Europa Central e de Leste.

Nos países mais ocidentais existia, também, um sonho antigo de colocar frente a frente os campeões dos países dessa zona da Europa. Idealizada, entre outros, por Ribeiro dos Reis e pelo espanhol Armando Calero (mas também por Alberto Fernandez desde 1925) e pensada ainda antes da II Guerra Mundial, a Taça Latina conhece a sua primeira edição em 1949, colocando em competição os campeões de Portugal, Espanha, Itália e França.»

_____

«O triunfo do Benfica constituiu a primeira vitória de um grupo português numa competição internacional, demonstrando que, tal como dera a entender o Sporting no ano transacto, o futebol português estava, na viragem dos anos 40 parra os anos 50,a  conhecer um certo desenvolvimento que há muito tempo não vivia, após duas décadas de maus resultados e de muito pouco progresso.»

_____

«A Taça Latina disputar-se-á até 1957, quando a Taça dos Campeões Europeus estava na segunda edição e se tornava a mais importante competição da Europa de clubes.»

_____

«Na época de 1955/56, ainda com a Taça Latina a decorrer durante mais dois anos para se fechar o segundo ciclo, inicia-se aquela que será a mais importante prova de clubes da Europa, a Taça dos Clubes Campeões Europeus, hoje Liga dos Campeões. O sucesso desta fará com que a Taça Latina acabe pouco depois, em 1957.»

Serrado, Ricardo, com Pedro Serra. História do Futebol Português – Das origens ao 25 de Abril (volume I). Lisboa, Maio de 2010 – pp. 312, 322, 357, 361, 362, 364

25 Maio, 2011 at 11:36 pm 2 comentários

O Admirável Mundo das Notícias

«O livro “O Admirável Mundo das Notícias” pretende ser uma manual onde se encontre uma abordagem medianamente aprofundada da literatura disponível sobre Estudos Jornalísticos. Apesar da sua intenção primeira de auxiliar alunos e investigadores não abdica de assumir as perplexidades de um tempo de mudança que afecta o campo jornalístico, descrito como em crise mas também como rico em oportunidades transformadoras. Assim, além dos temas que normalmente são esperados num Manual deste género (os métodos de análise do discurso noticioso, a produção das notícias, as fontes, as rotinas, o profissionalismo jornalístico, a objectividade e os efeitos das notícias), introduzem-se problemas novos que resultam das modificações que se fazem sentir no espaço de visibilidade mediático: os desafios tecnológicos, as mutações sociais e a emergência de correntes que desafiam os modelos tradicionais e canónicos de jornalismo.»

Trata-se de mais uma edição do LabCom (Universidade da Beira Interior), disponível para descarga gratuita aqui.

24 Maio, 2011 at 10:43 pm 1 comentário

Manual de Narrativas Multimédia

A proliferação de publicações online conduziu à emergência de um novo género de jornalismo, o jornalismo digital ou ciberjornalismo, distinguível do jornalismo tradicional por características essenciais como a multimedialidade, a hipertextualidade, a interactividade, integração e envolvência. As qualidades distintas desta nova forma de jornalismo incluem uma actualização noticiosa contínua, acesso global à informação, reportagem instantânea, personalização de conteúdos e uma participação activa dos utilizadores que passam a poder ser parte integrante da informação.

A vertente da narrativa hipermédia, pelas características do meio, representa uma das rupturas mais significativas, aos níveis conceptual e prático, entre velhos e novos modelos de comunicação.

Um manual da autoria de Alexandre Gamela, Renato Silva e Sara Freitas, grátis, aqui.

23 Maio, 2011 at 10:21 am Deixe um comentário

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