Arquivo histórico da Royal Society

A Royal Society acaba de disponibilizar online, de forma gratuita, o seu arquivo histórico, compreendendo mais de 60 000 documentos de cariz científico.
Perdão de 50% da dívida da Grécia
A União Europeia, por via do Conselho Europeu e da “Cimeira da Zona Euro“, ontem reunidos em Bruxelas, decretou que os Bancos irão proceder, voluntariamente (!), ao perdão de 50% do valor nominal da dívida pública da Grécia que detêm em carteira (tendo associada a inevitável necessidade de recapitalização bancária, a realizar por via de… fundos públicos), uma medida com um impacto estimado em cerca de 100 mil milhões de euros.
Representando pouco mais de 1/4 do montante global da dívida pública grega, não consegui ainda perceber o que irá esta iniciativa – que, em minha opinião, me parece um péssimo sinal, o qual, de alguma forma, pode ser apercebido como um “incentivo” à desresponsabilização – resolver da crise da Grécia e, em termos mais latos, do euro.
Suscita-se-me uma singela questão: a partir do momento em que se reconhece, explicitamente, que um Estado-membro da União Europeia não é garantia de isenção de risco de crédito – e tendo em consideração que o país continuará a necessitar de refinanciar quase 300 mil milhões de euros da sua dívida -, quem, de forma racional, voltará a ter confiança para emprestar fundos à Grécia?
Ainda uma outra: tendo sido este (para já…) o desfecho da situação grega, quem pode garantir que o mesmo não virá a ser mimetizado (o famigerado risco de contágio) em relação a outros países, como, por exemplo – agora colocado na primeira linha de desconfiança -, Portugal?
E, por fim, uma interrogação de leigo: não seria mais profícua uma reestruturação que passasse, não por um perdão de dívida, mas sim por uma moratória no prazo, alargando-o para 20 ou 30 anos, com taxas de juro comportáveis?
«Fim de linha»
«Tudo na mesma. A mesma falta de vontade, a mesma incompetência, a mesma impotência.
No Jornal de Negócios: «Redução da despesa no próximo ano resulta de cortes nos gastos com pessoal, nas prestações sociais e no investimento.
As despesas com consumos intermédios e subsídios da Administração Central (ministérios e seus serviços, institutos públicos e Serviço Nacional de Saúde), as duas rubricas mais vezes associadas ao funcionamento do Estado, vão aumentar em 2012. Segundo o Relatório do OE, praticamente toda a poupança nos gastos da Administração Central é feita através de cortes que não tocam na “máquina”. A redução da factura salarial é de 15%, as transferências sociais caem 11% e as despesas de capital (que incluem investimento e transferências para autarquias, regiões e empresas) “mingam” em 15%. Já o consumo intermédio sobe 1% e os subsídios à actividade económica “saltam” 15% face ao anterior.»»
(Gabriel Silva, no Blasfémias)
Mundial de Râguebi – Final – N. Zelândia – França
Numa Final que se podia antever desequilibrada e com um vencedor anunciado, a Nova Zelândia, a jogar em casa, parecendo sofrer de uma qualquer espécie de bloqueio psicológico relativamente a jogos “a eliminar” contra a França (depois da vitória neo-zelandesa na Final da 1ª edição do Mundial, em 1987, a França afastara os “all blacks” nas 1/2 Finais do Mundial de 1999, e, novamente, nos 1/4 Final, em 2007), sentiu enormes dificuldades para explanar em campo o seu jogo.
As coisas até começaram bem, com um ensaio logo aos 15 minutos, por Tony Woodcock, colocando-se em vantagem por 5-0, o que poderia reforçar os níveis de confiança dos neo-zelandeses. Contudo, à medida que o tempo ia decorrendo, sem que o marcador se alterasse, os “all blacks” começaram a ficar desconfiados. E assim se chegaria ao termo do primeiro tempo, sem que nenhuma das equipas pontuasse de novo.
No recomeço, logo aos 6 minutos, a Nova Zelândia, com um bom pontapé aos postes, por Stephen Donald, ampliava o resultado para 8-0. Só que a selecção da França praticamente não deixaria os neo-zelandeses respirar esse brisa de tranquilidade que se parecia começar a anunciar. De imediato, no minuto seguinte, os franceses conseguiam alcançar um ensaio, por Thierry Dusautoir, transformado por François Trinh-Duc, reduzindo para a diferença mínima de 7-8.
Colocando uma fortíssima pressão, sem margem para erro, sobre os “all blacks”, o jogo estava completamente em aberto. E assim, nesta absoluta incerteza sobre o desfecho desta Final, se passariam mais 33 longos minutos, sem que qualquer das equipas conseguisse voltar a pontuar, até que os neo-zelandeses, culminando um jogo de intenso sofrimento – e de superação francesa, sempre mantendo “em sentido” a equipa da casa, tendo mesmo mantido maior tempo de domínio de posse de bola, e com Thierry Dusautoir a ser eleito “Man of the match” -, finalmente pudessem soltar um enorme suspiro de alívio, e fazer a grande festa, conquistando a ambicionada Taça William Webb Ellis.
Concluída a 7ª edição do Mundial de Râguebi, a Nova Zelândia sagra-se pela segunda vez Campeã do Mundo (1987 e 2011), assim igualando as proezas da Austrália (1991 e 1999) e África do Sul (1995 e 2007), num quase absoluto predomínio das selecções do hemisfério Sul, apenas uma vez contrariado pela Inglaterra, em 2003.
«Agur, ETA»
(«Adeus, ETA» – clicar na imagem para ampliar – ver artigos aqui, aqui e aqui)
«Uma geração traída»
O meu pai nasceu no dia 11 de Outubro de 1941. Teria acabado de fazer 70 anos…
É também dele um pedacinho do texto de Pedro Lomba, a quem aqui agradeço por estas memórias.
(clicar na imagem para ampliar)
Liga Europa – 3ª Jornada – Resultados e Classificações
No termo da primeira volta desta Fase de Grupos da Liga Europa, três equipas se destacam, contando por vitórias os jogos disputados: Sporting, PSV Eindhoven e Anderlecht, com a formação portuguesa a ser, de momento, a única já com o apuramento garantido para os 1/16 Final da prova.
Grupo D
Sporting – Vaslui – 2-0
Zurich – Lazio – 1-1
1º Sporting, 9; 2º Vaslui, Lazio e Zurich, 2
Grupo H
Maribor – Braga – 1-1
Brugge – Birmingham – 1-2
1º Brugge e Birmingham, 6; 3º Braga, 4; 4º Maribor, 1
«Modos de vida»
«Num Estado de Direito, não é legítimo cortarem-se salários, subsídios de trabalho ou reduzir-se o valor de qualquer uma dessas prestações remuneratórias, a não ser que isso decorra do que for livremente contratado e convencionado pelas partes. Num verdadeiro Estado de Direito, daqueles em que o comportamento do governo é previsível e fundado na lei constitucional, estes cortes são ainda mais ilegítimos, se forem impostos unilateralmente pelo estado apenas com a finalidade de tapar os buracos financeiros da sua gestão desregrada e irresponsável. Isto é e será sempre um ataque à propriedade privada e à liberdade, um roubo, em suma, por mais “legal” que seja, isto é, ainda que suportado pela lei do orçamento ou por outra lei qualquer. No caso português, também não vale a pena argumentar que os portugueses viveram “uma vida desregrada e desafogada” durante décadas e estão agora a pagar a factura. Isso não é verdade. Quem viveu muito acima das suas possibilidades foi o estado, a generalidade da classe política, a alta burocracia, os gestores públicos, os amigos dos governantes que se encostaram ao orçamento do estado, os falsos gestores e empresários saídos dos cargos governamentais e políticos para a gestão de influências e cumplicidades. O português comum tem vivido muito abaixo do nível médio do europeu ou do norte-americano, e foi tolerando estes abusos por ignorância e desconhecimento, sempre convencido que quem lhe prometia mais e melhor era capaz de lho dar. O que, então, tem agora que terminar não é o modo de vida dos portugueses comuns, de resto, muito fraco nos últimos anos, mas o modo de vida do estado e de quem o dirige.»
(Rui A., no Blasfémias)






