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O Pulsar do Campeonato – 16ª Jornada

(“O Templário”, 29.01.2026)

Já com a segunda volta em andamento, os emblemas do pódio (Fazendense, Mação e Torres Novas) concentram-se agora num diferencial pontual equivalente a um único triunfo; e, até o 4.º classificado, o sensacional e invicto Porto Alto, dista somente escassos cinco pontos do comandante. Isto, porque, na cimeira de líderes, o Fazendense levou a melhor sobre o Mação, “devolvendo” o 2-1 com que tinha sido desfeiteado na abertura da prova – assim reassumindo a posição cimeira –, enquanto os dois rivais mais próximos venciam também as respectivas partidas.

De assinalar em paralelo, nesta ronda inicial da segunda metade da prova, o facto, até agora inédito nesta temporada, de quatro dos seis últimos classificados terem vencido (ou até – se não considerarmos, para este efeito, o caso do “lanterna vermelha”, Tramagal – quatro triunfos em cinco, só o Cartaxo tendo sido também desfeiteado); o que, conjugado com as derrotas de quatro dos clubes do meio da tabela (Alcanenense, U.  Tomar, Pontével e Coruchense), resultou igualmente num reagrupamento, com o 8.º classificado (U. Tomar) e o 14.º (Amiense, primeira equipa em zona de despromoção) agora separados apenas por curta margem de cinco pontos.

Destaques – No “jogo grande” da jornada, nas Fazendas de Almeirim, o Fazendense recebia o Mação, num confronto entre os dois primeiros classificados, que, em função do desfecho da partida, trocaram de posição entre si pela terceira vez, na disputa pelo topo da tabela.

Foi um desafio algo atípico, em que, paradoxalmente, a melhor fase de cada formação em cada uma das partes se traduziu em superioridade do adversário no marcador: pese embora a iniciativa dos donos da casa, foram os maçaenses a abrir o activo, à passagem dos vinte minutos. Na etapa complementar, os anfitriões lograram restabelecer a igualdade logo de entrada, por via da conversão de uma grande penalidade; a partir daí seria o Mação a mostrar-se mais afoito em busca da vitória, que, todavia, acabaria por vir a sorrir ao Fazendense, noutro lance de bola parada, com infelicidade dos visitantes, sofrendo um auto-golo que ditou o resultado deste embate.

Começam a faltar palavras para qualificar o campeonato que o Porto Alto (“AREPA”) – clube que, sublinhe-se, participa no escalão principal apenas pela segunda vez (depois de um 10.º lugar entre onze concorrentes, na edição de 2011-12, tendo, então, averbado somente três triunfos) – vem realizando, passando a somar já nove vitórias, além de sete empates, subsistindo invencível, a dois pontos do 3.º classificado, Torres Novas. Na visita a Coruche, os forasteiros, com actuação personalizada, obtiveram mais um sucesso, derrotando o Coruchense por 2-0, com os dois tentos apontados na fase inicial do segundo tempo, não concedendo veleidades à turma do Sorraia.

De realçar ainda o triunfo (segundo seguido) do At. Riachense: depois de se ter superiorizado ao Pontével, o grupo dos Riachos bateu agora o Alcanenense por tangencial 1-0 (tento apontado logo ao sexto minuto), desfecho tanto mais de valorizar quanto o conjunto de Alcanena seguia numa série de cinco vitórias consecutivas. Saltando, num ápice, de cinco para onze pontos, o Riachense reduziu também para cinco o atraso pontual face aos últimos rivais posicionados acima da “linha de água” virtual (Entroncamento AC e Cartaxo), voltando, pois, a entrar na luta pela manutenção.

A nota final de destaque vai para a vitória do Amiense no Cartaxo, por 2-0, tendo os forasteiros marcado a meio da segunda parte, vindo a confirmar o desfecho em cima do minuto noventa. Com o terceiro triunfo obtido nas cinco últimas jornadas (mais um empate), a turma dos Amiais parece cada vez mais próxima de poder libertar-se da zona de descida, em contraponto com a situação dos cartaxeiros, em notória perda (terceiro desaire sucessivo), e só um ponto acima.

Confirmações – Os resultados dos quatro encontros restantes poderão enquadrar-se dentro da lógica. Ainda assim, o Torres Novas teve de se aplicar para levar de vencida o Águias de Alpiarça, por sofrido 2-1, depois de ter começado por ver-se em desvantagem ainda nos dez minutos iniciais, vindo a empatar mercê de um tento na própria baliza, estabelecendo o “placard” final no início da segunda parte da contenda. Um resultado relevante para os torrejanos, deixando os alpiarcenses mais isolados, no 5.º posto (a seis pontos do Porto Alto e já a oito do Torres Novas).

Os outros três prélios tiveram resultado coincidente (3-2): a favor dos visitados – Abrantes e Benfica e Entroncamento AC –, respectivamente na recepção ao U. Tomar e ao Pontével; em benefício dos forasteiros, no caso do At. Ouriense, no Tramagal, tendo a agremiação de Ourém sido a que maior partido tirou a nível da pauta classificativa, ascendendo do 10.º ao 7.º lugar.

Quer a formação da cidade ferroviária, quer a oureense, dispuseram de vantagem de dois golos (3-1), vindo, nas duas partidas, a consentir o segundo tento adversário já em período de compensação – anotando-se que, em ambos os casos, se chegou a registar situação de empate a uma bola, isto após Entroncamento AC e At. Ouriense terem começado por inaugurar o marcador (tendo-se atingido o intervalo com o resultado em 1-0, no Entroncamento; e de 1-2, no Tramagal).

Tal como sucedera na semana passada em Coruche, também em Abrantes o U. Tomar marcou primeiro (logo aos doze minutos), tendo, inclusivamente, ampliado a contagem para 2-0, ainda antes da meia hora; porém, à semelhança da ronda anterior, os nabantinos voltariam a ser derrotados, desta vez com contornos algo mais traumáticos, atendendo à vantagem de que haviam chegado a dispor e que esbanjaram ainda antes do intervalo, possibilitando à equipa do Abrantes e Benfica repor a igualdade (2-2), antes de, no recomeço, os abrantinos fixarem o 3-2 final.

A ganhar por 2-0, e com ascendente em termos exibicionais e motivacionais, o grupo unionista sentiu em demasia o primeiro tento adversário, vindo a ceder animicamente, perdendo o controlo. Após o terceiro golo sofrido, o União ainda esboçou resposta, empurrando o oponente para o seu sector recuado, tendo mesmo desperdiçado soberana ocasião para chegar ao 3-3, com um remate aos ferros da baliza, numa jogada em que o avançado surgia isolado; para além de outros lances já mais com o coração do que com a cabeça, sem a necessária eficácia. Uma derrota muito penalizadora, perante um rival que vinha de cinco desaires sucessivos, amplificando a inquietação suscitada pelo facto de o União apenas ter obtido quatro pontos nas sete últimas jornadas.

II Divisão Distrital – Os quatro primeiros da Série A ganharam, mantendo-se as posições relativas, tendo saído mais prejudicado o QT-SC Rio Maior (5.º), batido (2-1) pelo líder, Ouriquense, com os riomaiorenses agora a quatro pontos do duo que reparte a 3.ª posição (Forense e Salvaterrense). Na Série B, o Vasco da Gama mantém o pleno de (12) triunfos, tendo vencido o anterior vice-líder, U. Atalaiense, por categórico 3-0, tendo já dez pontos mais que o novo 2.º classificado (Pego), com o conjunto da Atalaia a ver aumentar o seu atraso para doze pontos!

Liga 3 – O U. Santarém culminou uma campanha de grande brilhantismo, com outra notável vitória (2-1) face ao vencedor da série, Belenenses (bisando o triunfo obtido no Restelo), garantindo assim a 4.ª posição e consequente qualificação para a fase de apuramento de Campeão e promoção à II Liga, a par de Belenenses, Mafra e Académica. Um excelente desempenho dos escalabitanos, a superar as expectativas, integrando-se entre os “grandes” desta competição!

Campeonato de Portugal – Ao invés, foi bastante aziaga a jornada para Fátima e Samora Correia, ambos derrotados: os fatimenses, por tangencial 2-1, na Marinha Grande, ante o Marinhense; os samorenses, goleados por 4-0 em Oliveira do Hospital. A dez rondas do final, o Fátima é agora 9.º (último em zona de manutenção), e só com um ponto mais que os mais directos perseguidores; o Samora Correia continua em último, a nove pontos do outro emblema do Distrito.

Antevisão – Na I Divisão Distrital o destaque maior vai para o encontro U. Tomar-Fazendense, tendo os unionistas a espinhosa missão de enfrentar o comandante; o Mação recebe o Cartaxo, sendo natural favorito, enquanto o Torres Novas se desloca a Pontével. No escalão secundário, realce para os jogos: Forense-Ouriquense, Rio Maior-Salvaterrense e At. Pernes-Vasco da Gama.

No Campeonato de Portugal, cabe ao Fátima ser visitado pelo Oliveira do Hospital (3.º classificado, a um ponto da Naval 1893), ao passo que o Samora Correia recebe o Peniche (8.º).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 29 de Janeiro de 2026)

1 Fevereiro, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 15ª Jornada

(“O Templário”, 22.01.2026)

A jornada com que se concluiu a primeira metade do Distrital da I Divisão voltou a ter um encontro adiado (entre Alcanenense e Cartaxo – sendo que os cartaxeiros passam a ter dois jogos em atraso no campeonato, não tendo também comparecido nas Fazendas de Almeirim, no desafio da Taça do Ribatejo). Com os triunfos dos dois primeiros classificados, Mação e Fazendense viram para a segunda parte da competição separados somente por um ponto, tendo agendado um “choque de titãs” já para este domingo. Para além da estreia do Riachense a ganhar, regista-se o deslize do Torres Novas, parecendo começar a afastar-se (agora a sete pontos) do topo da tabela (podendo beneficiar, ainda assim, do facto de ter um jogo a menos, agendado para o Cartaxo).

Destaques – A primeira nota de realce da 15.ª ronda vai para a vitória (2-0) do Mação em Abrantes, tendo os maçaenses confirmado a sua posição de comando, em contraponto ao agravamento da crise de resultados dos abrantinos, numa série muito negativa, de cinco derrotas consecutivas, que os fez cair do 6.º ao 11.º lugar. Bastaram pouco mais de cinco minutos, no início da segunda parte (dois tentos apontados, aos 51 e 57 minutos), para que o Mação arrumasse a contenda a seu favor, somando terceiro triunfo seguido na prova.

Em evidência continua o Porto Alto, que não só completa esta metade da prova ainda invicto (registando oito vitórias e sete empates), como, inclusivamente, ascendeu ao pódio, tendo vencido no Tramagal por categórico 3-0, e beneficiando do desfecho da partida do Torres Novas. Tendo chegado ao intervalo já em vantagem, os forasteiros selaram o desfecho do encontro com mais dois tentos, entre os 70 e os 85 minutos – beneficiando também do facto de o Tramagal ter ficado, entretanto, reduzido a dez elementos –, afirmando-se como segunda equipa mais goleadora.

Foi preciso esperar pela última jornada da primeira volta para que o Riachense alcançasse, enfim, a sua primeira vitória, por 3-2, frente ao Pontével. Após ter “ameaçado” em Torres Novas, na semana anterior, a formação dos Riachos, apostando numa recuperação que lhe possa proporcionar a manutenção no principal escalão, chegou, nesta partida, a dispor de vantagem de três golos (apontados aos 15 e 25 minutos, e, depois, logo no recomeço), não tendo os visitantes conseguido melhor do que reduzir até à diferença mínima. Com os quatro pontos averbados nos três últimos desafios, reduziu-se a cinco pontos o atraso do Riachense face à “linha de água”.

Confirmações – Numa ronda sem grandes surpresas – se assim não considerarmos o antes referido triunfo do At. Riachense –, as equipas do Fazendense, Coruchense e Águias de Alpiarça, actuando nos respectivos redutos, impuseram-se aos seus oponentes, pese embora pela diferença mínima, pelo que, mesmo que tal indicie naturais dificuldades, não deixaram de se sair a contento.

Nas Fazendas, ainda em “convalescença” do desaire sofrido em Alcanena (e da consequente perda da liderança), o Fazendense terá tido tarefa mais exigente do que se poderia esperar, perante um Amiense motivado pelos bons resultados recentes. Ainda assim, chegou relativamente cedo ao 2-0 (à passagem da meia hora de jogo), vindo a consentir o ponto de honra do adversário a meio do segundo tempo, a fazer prolongar a incerteza no desfecho (2-1) até ao termo da partida.

Em Coruche, o U. Tomar, com exibição personalizada, marcou primeiro, precisamente a meio da parte inicial, tendo preservado a vantagem até ao descanso. Porém, emulando o Mação, o Coruchense marcaria por duas vezes em escasso intervalo de tempo (entre os 50 e os 60 minutos), consumando a reviravolta no “placard”. Apesar das tentativas unionistas, o 2-1 a favor do conjunto do Sorraia não se alteraria, gorando-se a possibilidade de os tomarenses pontuarem.

Num prélio disputado em Alpiarça, por inversão da ordem dos jogos, portanto, com o Águias a actuar no seu terreno pela terceira ronda sucessiva, os alpiarcenses foram, desta feita, mais felizes: depois da derrota ante o Porto Alto, e do empate cedido frente ao Entroncamento AC, bateram o At. Ouriense, mercê de um solitário golo, apontado apenas na etapa complementar, reforçando, por ora, a 5.ª posição, nesta altura cinco pontos acima do Alcanenense (este com um jogo a menos), e com oito pontos de avanço face ao trio formado por U. Tomar, Coruchense e Pontével.

Por fim, no Entroncamento, a formação local somou o quarto empate sucessivo, ante o Torres Novas, a uma bola, desfecho que, atendendo ao factor casa, num confronto de tradicional rivalidade, não deixará de se revestir de alguma lógica. Não obstante os torrejanos se tenham adiantado no marcador a cerca de vinte minutos do final, os anfitriões tiveram ainda a capacidade de reagir em tempo útil, restabelecendo a igualdade menos de dez minutos volvidos, assim voltando a emergir acima da “linha de água”, em detrimento do Amiense.

II Divisão Distrital – O Vasco da Gama (3-1 na recepção à Ortiga) completou a primeira volta 100% vitorioso, numa magnífica série triunfal, já de onze jogos! U. Atalaiense (3-0 em Minde) e Pego (6-1 ao Abrantes e Benfica “B”) são os rivais melhor posicionados na série B, pese embora já a distantes nove e dez pontos do comandante, respectivamente. Anota-se, nesta série, o empate a quatro bolas, entre Lagartos do Sardoal e Ferreira do Zêzere, com o clube actual Campeão em título do Distrital bastante afastado (oito pontos) da zona de apuramento para a fase final.

Na série A, foi renhido o Moçarriense-Forense (2-1, a favor dos donos da casa), tendo o Ouriquense ido ganhar a Santarém, por tangencial 1-0. Com a vitória (2-1) averbada pelo Salvaterrense no “derby” ante o Glória do Ribatejo, temos agora Forense e Salvaterrense igualados na 3.ª posição, mas já a oito pontos do Moçarriense, e a dez do Ouriquense. Esta série mantém ainda tudo em aberto na luta pelo 3.º lugar, numa disputa muito repartida, envolvendo seis equipas, incluindo também: QT-SC Rio Maior, Marinhais, Glória do Ribatejo e Benavente

Liga 3 – O U. Santarém obteve um resultado positivo, atendendo às circunstâncias, dado ter empatado a zero em Mafra, ante o vice-líder, mantendo-se as posições, dado que o Atlético registou resultado idêntico na viagem à Serra da Estrela, para defrontar o Sp. Covilhã. As equipas do Belenenses, Mafra e Académica garantiram já o apuramento para a fase final, sendo a quarta e última vaga decidida apenas na derradeira jornada, entre U. Santarém e Atlético (com 22 pontos cada, mas com vantagem dos escalabitanos no critério de desempate) e Lusitano de Évora (21).

Campeonato de Portugal – A 15.ª ronda desta prova teve tendência mista, com um importante triunfo do Fátima, na recepção ao Lusitânia, por 2-0, proporcionando aos fatimenses subir ao 7.º posto, todavia apenas dois pontos acima da “linha de água”; já o Samora Correia foi desfeiteado no seu reduto, pelo Marinhense, também por 2-0, um desaire comprometedor ante um concorrente directo na luta pela manutenção, voltando a atrasar-se, agora a sete pontos da zona de “salvação”.

Antevisão – A ronda de abertura da segunda volta do Distrital integra, desde logo, um escaldante embate entre os dois primeiros, com o Fazendense a receber o Mação; ficando a faltar ainda 14 jornadas, nada ficará decidido, mas tal não retira importância ao desfecho deste desafio. De interesse serão também as partidas Coruchense-Porto Alto e Abrantes e Benfica-U. Tomar.

Na II Divisão, realce para os encontros: Vasco da Gama-U. Atalaiense, colocando frente-a-frente os dois melhores classificados da série B; Ouriquense-QT-SC Rio Maior; Salvaterrense-Benavente; para além, claro, de mais um “derby”: Marinhais-Glória do Ribatejo.

Não se antevê tarefa fácil para o U. Santarém, que encerra a sua participação na fase regular da Liga 3 recebendo o já vencedor da série, Belenenses; mas deverá recordar-se que os escalabitanos surpreenderam, tendo ido ganhar ao Estádio do Restelo, por 2-0, a fechar a primeira volta. O Atlético recebe o Mafra, deslocando-se o Lusitano a Sintra, para jogar com o 1.º Dezembro.

No Campeonato de Portugal, Fátima e Samora Correia actuam, ambos, em terreno alheio, cabendo aos fatimenses visitar a Marinha Grande, para defrontar o Marinhense (11.º), que vem de um triunfo em Samora; por seu turno, os samorenses deslocam-se ao terreno do Oliveira do Hospital, actual 4.º classificado, em mais um desafio que se antecipa de elevado grau de complexidade.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 22 de Janeiro de 2026)

25 Janeiro, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 14ª Jornada

(“O Templário”, 15.01.2026)

A primeira jornada de 2026, penúltima da primeira volta do Distrital, estava recheada de desafios aliciantes, incluindo dois “derbies”, o reeditar de um clássico, entre dois dos clubes com maior palmarés – que não se cruzavam no principal escalão há quase duas décadas –, e um embate entre duas das formações que mais terão apostado na presente temporada. Ainda assim, a nota de maior relevância veio de Alcanena, onde o Fazendense, vendo interrompida uma magnífica série de dez triunfos consecutivos, acabando mesmo por ser derrotado, perdeu a liderança a favor do Mação.

Destaques – Num confronto entre 6.º e 1.º classificado, mesmo que disputado no terreno da equipa menos bem posicionada, o comandante dispunha, em teoria, de maior dose de favoritismo. Porém, subsistindo o nulo ao intervalo, seria o Alcanenense a chegar ao golo, colocando-se em vantagem, a qual viria a confirmar já em tempo de compensação, estabelecendo o 2-0 final. À (agora quebrada) longa sequência triunfal do Fazendense, acabou por impor-se o ciclo em curso da turma de Alcanena, que somou quinta vitória sucessiva, a segunda melhor série nesta época.

Em contraponto, o Mação não vacilou: recebendo o Coruchense, grupo de grandes pergaminhos e, à partida, com aspirações a realizar boa campanha, ditou a lei do mais forte, goleando por inapelável 5-1, depois de ter chegado ao descanso com vantagem tangencial, de 2-1, com os últimos dois tentos apontados já nos derradeiros minutos. Com um total de 45 golos marcados (média superior a 3,2 golos/jogo), o novo guia parece surgir, de novo, muito assertivo, como que a querer embalar para a segunda volta, mesmo que, por ora, o diferencial seja mínimo (34 pontos dos maçaenses, face a 33 do concorrente das Fazendas).

Em evidência esteve também, noutro plano, o Amiense – que, com sete pontos averbados nas três últimas rondas, logrou, ao fim de várias semanas, emergir acima da “linha de água”, pese embora em igualdade pontual com o Entroncamento AC. Visitado pela formação do Abrantes e Benfica a atravessar uma algo inquietante crise de resultados, o conjunto dos Amiais contribuiu para agravar ainda tal estado, vencendo por categórico 3-0, impondo aos abrantinos quarto desaire seguido; não obstante o nulo se tenha prolongado por mais de uma hora, o Amiense viria a marcar três golos quase de rajada (aos 68, 75 e 78 minutos), não possibilitando ao adversário esboçar reacção.

Num dos “derbies” do passado domingo, entre Pontével e Cartaxo – em que, contrariando o que poderiam ser as expectativas, os pontevelenses se apresentavam já melhor classificados que o rival –, pois, potenciando as características do seu reduto, levaram a melhor, com dois golos a abrir a segunda parte, ampliando para quatro pontos a diferença face aos cartaxeiros (mesmo que estes tenham um jogo em atraso), instalando-se em notável posição na parte superior da tabela, repartindo o 7.º lugar com o U. Tomar, com margem de oito pontos em relação à zona de descida.

Surpresa – O desfecho mais surpreendente da ronda terá sido o empate caseiro cedido pelo ainda 5.º classificado, Águias de Alpiarça, ante o Entroncamento AC, que, ainda assim, não evitou cair abaixo da “linha de água”, descendo ao 14.º (antepenúltimo) posto. Os alpiarcenses inauguraram o marcador estavam cumpridos apenas os cinco minutos iniciais, mas seriam surpreendidos com a reviravolta operada pelos forasteiros, empatando a meio do primeiro tempo, e chegando ao 2-1 também na metade da etapa complementar. Num esforço final, o Águias de pronto restabeleceria a igualdade, mas, até final, o 2-2 já não se alteraria.

Confirmações – Também renhido foi o outro “derby” do fim-de-semana, entre Torres Novas e Riachense. Pese embora ocupem lugares díspares na pauta classificativa (os torrejanos, no pódio, agora a cinco pontos do líder; sendo os riachenses penúltimos classificados), os visitantes começaram por surpreender, marcando primeiro, e chegando ao intervalo em vantagem. Só um bis de Miguel Miguel, entre os 60 e os 75 minutos, proporcionaria ao Torres Novas somar os três pontos em disputa, alargando ainda mais (para abissais 24 pontos) o fosso entre ambos os clubes.

O Porto Alto soma e segue: prestes a completar-se a primeira metade do campeonato, mantém-se invicto, totalizando agora sete vitórias e sete empates, que lhe conferem muito meritória 4.ª posição, somente a um ponto do pódio. Recebendo o At. Ouriense, que vinha de uma sequência positiva de resultados (dois triunfos e um empate, no reduto do comandante), a formação da AREPA não concedeu veleidades, ganhando por inequívoco 3-0.

U. Tomar e Tramagal, dois emblemas históricos do Distrito, voltaram a cruzar-se na divisão principal 19 anos depois do último embate, tendo os nabantinos voltado a triunfar, desta vez com goleada, por 5-2. Frente a um oponente que joga o jogo pelo jogo, pela positiva, e que demonstrou ter bons executantes, os unionistas, com uma entrada acutilante, chegaram ao termo dos 45 minutos iniciais a ganhar já por 4-0: tendo aberto o activo ao quinto minuto, marcariam outros três tentos, num curto espaço, entre os 25 e os 35 minutos.

Na segunda parte, com a contenda decidida, o ritmo decaiu, tendo os tramagalenses reduzido. O União ainda chegou ao 5-1, mas, já em cima da hora, um notável “chapéu de aba larga” resultou no 5-2 final. Um desfecho que proporcionará aos tomarenses maior tranquilidade para a segunda volta, ao mesmo tempo que, virtualmente, terá sentenciado o destino do Tramagal, que obteve, até à data, um único ponto, distando já longínquos onze pontos dos lugares de “salvação”.

II Divisão Distrital – Demonstrando que o escalão secundário proporciona também momentos vibrantes, tivemos um “jogo grande”, entre os dois primeiros classificados da Série A, tendo Ouriquense e Moçarriense repartido os pontos em disputa, empatando a duas bolas, num duelo empolgante, com massa adepta a condizer, tendo a turma da Moçarria sido a primeira a deter a marcha triunfal do grupo de Vila Chã de Ourique, mantendo-se separados por dois pontos.

Pelo que, nesta altura, cumpridas que estão dez jornadas (faltando uma para concluir a primeira volta), o Vasco da Gama (Série B) passou a ser o único clube 100% vitorioso, o que celebrou em “grande estilo”, com uma retumbante goleada de 7-0 no Sardoal, dispondo já de dez pontos de vantagem sobre o 3.º classificado (Pego, que empatou a zero em Alferrarede), e treze em relação a At. Pernes e Ortiga, pelo que terá virtualmente assegurado o apuramento para a fase final.

Liga 3 – Depois de, no início do ano, o U. Santarém ter batido o 1.º Dezembro por 1-0, o que lhe proporcionou igualar o Atlético no 4.º posto, os escalabitanos, tendo recebido precisamente os alcantarenses no último domingo, não foram além do empate (1-1), mantendo-se a hierarquia, quando restam disputar duas rondas, a três pontos da Académica (3.º, com um jogo a menos), e com três pontos de vantagem face aos perseguidores: Lusitano de Évora, Amora e Caldas.

Campeonato de Portugal – Foi positiva a primeira jornada do ano (também primeira da segunda volta), tendo o Fátima ido empatar a zero a Santa Catarina da Serra, frente ao União da Serra, enquanto o Samora Correia fez ainda melhor, indo vencer a Angra do Heroísmo, face ao Lusitânia, por 2-1, um triunfo precioso para alimentar a esperança na possibilidade de permanência. Os fatimenses partilham o 8.º posto com a Juv. Lajense, últimas equipas acima da “linha de água”, com mais dois pontos que o Marialvas (10.º), ao passo que os samorenses, pese embora se mantenham em último, reduziram para seis pontos o atraso em relação à zona de manutenção.

Antevisão – A fechar a primeira volta no Distrital, o novo guia, Mação, desloca-se a Abrantes, para defrontar um adversário que tem vindo em perda, cabendo ao Fazendense receber o Amiense. Por seu lado, o Torres Novas actua também em terreno alheio, no Entroncamento. O U. Tomar visita Coruche. Na divisão secundária destacam-se as partidas: Moçarriense-Forense, Salvaterrense-Glória do Ribatejo e Vasco da Gama-Ortiga.

Na penúltima ronda da fase regular da Liga 3, o U. Santarém tem uma difícil saída, a Mafra, para defrontar o vice-líder. No Campeonato de Portugal, Fátima e Samora Correia, jogando em casa, perante adversários da cauda da tabela, respectivamente Lusitânia (12.º) e Marinhense (13.º), terão boas oportunidades de somar pontos, porém, em desafios de acrescida responsabilidade.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 15 de Janeiro de 2026)

17 Janeiro, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 13ª Jornada

(“O Templário”, 25.12.2025)

Numa ronda (13.ª) que ficou incompleta – tendo sido adiado o desafio entre Cartaxo e Torres Novas, devido às más condições do terreno – os dois primeiros golearam, em mais uma afirmação de força, enquanto, no confronto entre duas das “equipas-sensação” do campeonato, o Porto Alto levou a melhor em Alpiarça, trocando de posição com o Águias, ascendendo assim ao 4.º lugar. O Alcanenense, com quarto triunfo sucessivo, esteve também em evidência.

Destaques – A primeira nota de realce vai para mais uma imponente goleada aplicada pelo Mação, desta feita, em reduto alheio: depois dos 7-0 ao Águias de Alpiarça, em partida da Taça do Ribatejo, os maçaenses repetiram a “chapa 7”, agora no Tramagal, ante o “lanterna vermelha”. Os tramagalenses ainda conseguiram “equilibrar” a contenda até ao intervalo, altura em que a desvantagem era tangencial (0-1); porém, na segunda metade, e depois do segundo tento logo a abrir, o Mação marcaria mais dois golos aos 71 e 73 minutos, a que acresceriam ainda outros três, já nos cinco derradeiros minutos. Águias e Tramagal “pagaram a factura” dos resultados menos conseguidos pelo vice-líder, no Porto Alto, e, em casa, com o At. Ouriense.

O guia, Fazendense, não deixou também os seus créditos por mãos alheias, batendo o Pontével por inapelável 4-0: tendo chegado ao final do primeiro tempo a ganhar igualmente por um solitário golo, arrumaria a questão em apenas um quarto de hora, com mais três tentos, apontados entre os 60 e os 75 minutos. O “score” obtido é tão mais significativo se atendermos a que os pontevelenses vinham de triunfo, precisamente pelo mesmo “placard”, ante o Abrantes e Benfica. Esta foi já a décima vitória consecutiva do grupo das Fazendas no campeonato, numa impressionante série triunfal, tendo alargado também, para seis, o número de jogos seguidos sem sofrer golos.

Em “maré alta” está também o Alcanenense, que, depois de ter superado uma fase negativa, de três desaires, ganhou pela quarta jornada sucessiva, em absoluto contraponto com o ciclo que o Abrantes e Benfica vem atravessando, outra vez desfeiteado (depois de ter sofrido pesadas goleadas nas duas rondas anteriores). Mesmo actuando no seu reduto, e, não obstante terem marcado primeiro, à passagem do quarto de hora inicial, os abrantinos voltaram a ser impotentes para evitar nova derrota, com dois golos sofridos nos últimos dez minutos da primeira parte.

Em Alpiarça encontravam-se duas das formações que mais têm surpreendido pela positiva, em disputa directa pelo 4.º posto – sendo que o Águias (que tinha em curso uma série de três vitórias no campeonato) se posicionava só a dois pontos do pódio, antes de entrar em campo no passado domingo. Mais eficaz, a turma do Porto Alto, com um tento apontado na parte final de cada uma das duas metades do encontro, venceu por 2-0, ultrapassando o rival na tabela, continuando, em paralelo, a prolongar a sua invencibilidade – somando agora seis triunfos e sete empates.

Surpresa – O Coruchense volta, pela segunda semana, a ter um resultado aquém do que poderiam ser as expectativas: após um ciclo bastante favorável, de quatro vitórias, à derrota em Alcanena sucedeu-se agora o empate caseiro cedido ante o Amiense, a uma bola, com o conjunto dos Amiais a procurar recuperar o atraso na pauta classificativa, tendo angariado quatro pontos nos dois últimos jogos, mas sem ter conseguido ainda transpor a “linha de água”, dois pontos abaixo do actual 13.º classificado, Entroncamento AC. Sendo que não deverá afastar-se, desde já, o risco de poderem vir a ser quatro os clubes a despromover à II Divisão Distrital, num cenário em que Fátima e Samora Correia não viessem a alcançar a manutenção no Campeonato de Portugal.

Confirmações – Confirmou-se, infelizmente para os tomarenses, o favoritismo que seria concedido ao At. Ouriense – beneficiando do factor casa, e motivado com o empate arrancado em Mação – na recepção ao U. Tomar. Pois, a turma de Ourém aproveitaria da melhor forma, para as suas cores, duas falhas da defesa contrária, para chegar a confortável vantagem (2-0) ainda em fase relativamente inicial do prélio, marcando aos dez e aos 24 minutos.

Os unionistas ainda ripostaram, reduzindo, antes do intervalo, para tangencial 2-1, o que lhes daria alento para, na segunda metade, procurar chegar a novo golo, que lhes pudesse proporcionar pontuar nesta difícil deslocação. Só que, logo no primeiro minuto após o recomeço, poderiam ter deitado tudo a perder, com uma falta sancionada com uma grande penalidade, a qual, contudo, seria desperdiçada, com um remate demasiado por alto.

Os lances de ataque que o União ia procurando criar revelaram-se ineficazes, tendo, aliás, o At. Ouriense tido também ocasião de poder ampliar a vantagem. As pretensões dos tomarenses ficariam ainda mais dificultadas quando, nos minutos finais, ficaram reduzidos a dez elementos, e o resultado desfavorável acabaria por não se alterar. Este foi já o quinto jogo (incluindo o da Taça) sem vitória para o U. Tomar, que baixou à 8.ª posição, liderando um quarteto, que integra também o Coruchense, o Pontével e o Abrantes e Benfica.

Nos Riachos o empate entre o At. Riachense e o Entroncamento AC enquadra-se também dentro da lógica expectável. Os anfitriões marcaram primeiro, mas consentiriam o restabelecimento da igualdade à beira do descanso – conseguiram, ainda assim, travar uma série de cinco derrotas consecutivas, mas, somando apenas cinco pontos, fruto de outros tantos empates, continuam a distar seis pontos do adversário de domingo, por agora a última equipa acima da zona de descida.

II Divisão Distrital – Com a primeira volta já aproximar-se do seu termo (disputadas nove das onze rondas), Ouriquense e Vasco da Gama mantêm o pleno de vitórias, totalizando 27 pontos. A formação de Vila Chã de Ourique foi a Samora Correia, golear a equipa “B” local por 4-0, precisamente o mesmo desfecho averbado pelo seu mais directo rival, Moçarriense, também fora de portas, em Santarém, tendo igualmente por oponente a respectiva equipa “B”. Com o triunfo (3-1) do Marinhais sobre o Forense, dilatou-se já para sete pontos a distância do 3.º classificado face ao grupo da Moçarria. As formações do Forense (18 pontos), QT-SC Rio Maior (16), Salvaterrense (15), Benavente (14), Glória do Ribatejo (13) e do próprio Marinhais (12) estão ainda dentro da luta pela última vaga de apuramento para a fase final.

Mais a Norte, o Pego, batendo o At. Pernes por 3-2, ascendeu à vice-liderança, já a oito pontos do comandante (Vasco da Gama, vencedor em Minde, por 2-1), tendo a U. Atalaiense perdido também pontos, ao empatar (1-1) nas Caxarias, o mesmo desfecho registado pelo Espinheirense, que recebeu a Ortiga. U. Atalaiense (18 pontos), At. Pernes (17), Espinheirense (15) e Ortiga (14) são os concorrentes actualmente com mais possibilidades de poder alcançar um lugar no pódio.

Liga 3 – O U. Santarém deslocou-se às Caldas da Rainha, onde obteve importante vitória, por 2-0, partilhando o 6.º posto com o Amora, a três pontos do Atlético, último emblema em posição (4.º lugar) de apuramento para a fase final, quando restam disputar quatro jornadas. O Belenenses, goleando na Covilhã por 4-0, tem praticamente garantida tal qualificação.

Campeonato de Portugal – O Fátima perdeu em Castelo Branco, por tangencial 1-0, sendo agora o 9.º e último classificado acima da “linha de água”, só um ponto acima do Marialvas. Quanto ao Samora Correia, obteve um positivo empate a um golo no terreno do União da Serra, mantendo, porém, a última posição, oito pontos abaixo dos fatimenses, concluída que está a primeira volta.

Antevisão – Todas as provas têm, agora, um interregno de Natal e Ano Novo. O Distrital regressa apenas a 11 de Janeiro, com vários embates de especial aliciante, na I Divisão: Alcanenense-Fazendense, Mação-Coruchense, colocando os dois primeiros classificados à prova; assim como os “derbies” Torres Novas-Riachense e Pontével-Cartaxo; para além do reeditar de um velho clássico entre U. Tomar e Tramagal. No escalão secundário, realce para os jogos: Glória do Ribatejo-Benavente e, sobretudo, o Ouriquense-Moçarriense, entre os clubes do topo da série A.

Na Liga 3, o U. Santarém recebe o 1.º Dezembro, o seu mais imediato perseguidor, a dois pontos. No Campeonato de Portugal, o Fátima visita o União da Serra (5.º), viajando o Samora Correia até aos Açores, para defrontar o Lusitânia (12.º classificado), em Angra do Heroísmo.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 25 de Dezembro de 2025)

28 Dezembro, 2025 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 12ª Jornada

(“O Templário”, 18.12.2025)

Numa altura em que se encontram já disputados 40% dos jogos do Distrital da I Divisão da presente época, o campeonato tem vindo a revelar-se bem mais interessante e equilibrado do que, à partida, se poderia antever, desde logo com sucessivas alternâncias na liderança (U. Tomar, na 1.ª jornada; At. Ouriense e Mação, na 2.ª; Mação, na 3.ª e 4.ª; Torres Novas, na 5.ª e 6.ª; de novo o Mação, da 7.ª à 11.ª; para, na 12.ª ronda, ascender ao comando o Fazendense), mas, também, com surpresas muito positivas, como são os casos dos desempenhos do Torres Novas, bem como do Águias de Alpiarça e do ainda invicto Porto Alto, anotando-se igualmente a concentração pontual de sete dos 16 concorrentes (com o 6.º e o 12.º classificados separados só por um ponto!).

Destaques – O maior destaque vai para a partida que colocava frente-a-frente os então 3.º e 2.º classificados, com o Torres Novas a receber o Fazendense. Ora, se é verdade que os torrejanos continuam a apresentar a defesa menos batida (apenas cinco golos sofridos), a turma das Fazendas (mantendo a baliza inviolada há cinco jogos) regista, agora, somente mais um tento consentido.

Num embate emotivo, a formação anfitriã sofreu o significativo contratempo de ter ficado em desvantagem numérica, a partir dos trinta minutos, ou seja, ainda com mais (de) uma hora por jogar. O nulo perduraria, apenas vindo a ser desfeito, num daqueles lances que podem ser determinantes nas contas finais, já cinco minutos para lá dos noventa, proporcionando assim ao Fazendense alargar para nove a sua extraordinária sequência de vitórias consecutivas.

Após duas derrotas tangenciais (ambas por 1-2) nas três rondas iniciais (em Mação, logo a abrir, e no Porto Alto), o grupo das Fazendas de Almeirim só sabe ganhar, contando já dez triunfos, tendo-se alcandorado à liderança, beneficiando de outro desfecho favorável no passado domingo.

Em evidência pela positiva continua a equipa do Águias de Alpiarça, que rectificou de pronto a má imagem que tinha deixado na semana anterior, em Mação, no jogo da Taça, indo vencer por 3-1 aos Riachos – cujo clube estreava novo responsável técnico, figura notável do futebol português, Daniel Kenedy. A equipa local praticamente entrou a ganhar, inaugurando o marcador logo ao segundo minuto, mas os alpiarcenses não se descompuseram, restabelecendo a igualdade ainda antes de completado o primeiro quarto de hora, consumando a reviravolta próximo da hora de jogo, vindo a fixar o resultado à entrada dos dez minutos finais, isolando-se no 4.º posto, apenas dois pontos abaixo do Torres Novas (e a quatro do agora vice-líder, Mação).

É de destacar também a goleada aplicada pelo Pontével na recepção ao Abrantes e Benfica, com quatro golos marcados quase “de rajada” – aos quatro, nove, 23 e 25 minutos –, que terão deixado como que “atordoados” os abrantinos (que, para mais, vinham de outra goleada sofrida, no seu próprio reduto, ante o Torres Novas, por 1-6). Até final o resultado (4-0) já não se alteraria, passando, deste modo, as duas equipas a estar igualadas em pontos, integrando, a par de Alcanenense e U. Tomar, um algo imprevisto quarteto, posicionado entre o 6.º e o 9.º lugar.

Realça-se, por fim, uma outra goleada, esta ainda por números mais expressivos (5-0, já com 3-0 ao intervalo), no desafio entre Amiense e Tramagal, tendo o conjunto dos Amiais logrado, enfim, colocar termo a uma longa série de oito jornadas sem ganhar (nas quais, aliás, averbara um único ponto), parecendo confirmar as grandes dificuldades que o Tramagal vem experimentando para competir a este nível (tratou-se da quinta derrota sucessiva dos visitantes, que acumulam já onze desaires em doze encontros, não tendo ainda conseguido estrear-se a vencer).

Surpresas – A ronda do passado fim-de-semana ficou marcada, sobretudo, por um inesperado desfecho, registado na partida entre Mação e At. Ouriense, que se saldaria por uma igualdade a três bolas. Os maçaenses começaram por ser surpreendidos logo de início, com o primeiro tento dos forasteiros; tendo retorquido pouco depois com o golo do empate e colocando-se mesmo em vantagem à passagem da meia hora. Porém, de imediato, o At. Ouriense faria o 2-2 com que se atingiu o intervalo. No recomeço, o Mação voltou a liderar o “placard” (3-2), vindo, todavia, o At. Ouriense a marcar de novo, estabelecendo o resultado final, com os maçaenses a cederem dois pontos (cinco pontos perdidos em duas rondas), deslize que lhes custou a perda da liderança.

Também algo imprevisto terá sido o resultado do Alcanenense-Coruchense, com a formação da casa a ganhar por 3-1, somando terceiro triunfo sucessivo, interrompendo um ciclo de quatro êxitos do conjunto do Sorraia. Tendo chegado ao descanso em vantagem (1-0), o grupo de Alcanena permitiu ainda o empate aos forasteiros, antes de arrancar para a vitória.

Confirmações – Os restantes dois desafios resultaram noutros tantos empates, de alguma forma dentro da lógica. No Entroncamento, com o conjunto local a ter a visita do Cartaxo, não foi desfeito o nulo no marcador, em função do que os visitantes passaram a integrar, conjuntamente com o Coruchense e o At. Ouriense, um trio, um ponto apenas atrás do quarteto anteriormente referido. Já a equipa da cidade ferroviária (13.ª classificada), mesmo tendo quebrado uma sequência negativa, de três derrotas, passou a registar um atraso já de seis pontos face a tal terceto.

Em Tomar, o União recebia o Porto Alto, que prolongou a sua invencibilidade, contando agora um total de cinco vitórias e sete empates nas doze partidas disputadas no campeonato. Os unionistas marcaram primeiro, à passagem da meia hora, mas a vantagem foi de curta duração, dado que, apenas seis minutos volvidos, os visitantes igualaram a contenda.

Na segunda metade, mesmo que o Porto Alto tivesse beneficiado de maior tempo de posse de bola, as duas formações tiveram oportunidades para marcar, a última delas, mesmo a findar o encontro, numa ocasião soberana para os tomarenses, mas o resultado (1-1) não se alteraria.

II Divisão Distrital – O destaque maior continua a ir para o Ouriquense (3-0, ao Marinhais) e Vasco da Gama (2-0, ao Espinheirense) que somam por vitórias todas as oito partidas até à data disputadas no campeonato da divisão secundária, liderando as respectivas séries.

No “derby”, o Forense bateu o Salvaterrense por tangencial 1-0, anotando-se também o difícil triunfo (2-1) do Moçarriense, na recepção ao QT-SC Rio Maior, permitindo à formação da Moçarria manter apenas dois pontos de atraso face ao Ouriquense. Mais a Norte, os empates caseiros cedidos por At. Pernes (1-1, ante o Ferreira do Zêzere) e U. Atalaiense (1-1, frente ao Pego) originaram que estas duas equipas passassem a distar cinco pontos do guia, Vasco da Gama.

Liga 3 – O U. Santarém não foi além do 0-0 na recepção ao Amora, baixando ao penúltimo (9.º) lugar, dois pontos acima do Sp. Covilhã, pese embora a quatro pontos do 4.º classificado, Caldas. Num clássico do futebol nacional, Belenenses (1.º) e Académica (3.º) empataram a um golo.

Campeonato de Portugal – Também o Fátima empatou a zero na recepção ao Eléctrico de Ponte de Sôr, enquanto o Samora Correia foi desfeiteado (0-1), no seu terreno, pelo Benfica e Castelo Branco, tendo consentido o golo numa fase em que o adversário estava reduzido a dez unidades. Os fatimenses partilham a 8.ª posição com a Juv. Lajense, dois pontos acima da “linha de água”; “afundando-se” os samorenses no último lugar (14.º), já a distantes nove pontos daquele par.

Antevisão – Na última ronda do ano de 2025, o Fazendense (recebendo o Pontével) e o Mação (de visita ao Tramagal) são favoritos. Maiores dificuldades se projectam na deslocação do Torres Novas ao Cartaxo, cabendo ao U. Tomar uma difícil saída a Ourém. Na II Divisão, destacam-se os seguintes prélios: Pego-At. Pernes; e QT-SC Rio Maior-Glória do Ribatejo.

Na Liga 3, o U. Santarém viaja até às Caldas, defrontando um rival que vem de quatro desaires. No Campeonato de Portugal, o Fátima vai a Castelo Branco, e o Samora a Santa Catarina da Serra.

A propósito da comemoração, no passado sábado, dos 100 anos da instituição do jornal “O Templário”, aqui reitero os meus Parabéns à Directora, Isabel Miliciano, aproveitando ainda para expressar também o orgulho de poder manter, já desde o ano de 2012, este singelo contributo.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 18 de Dezembro de 2025)

21 Dezembro, 2025 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/8 de final

Numa ronda que ficou incompleta – apenas tendo sido disputados seis dos oito jogos que compõem a eliminatória correspondente aos 1/8 de final da Taça do Ribatejo – são quatro os emblemas do escalão secundário qualificados para a fase seguinte, no que serão acompanhados por outras quatro equipas da divisão principal (das quais restam por apurar duas): para além de At. Pernes, Pego e Vasco da Gama, que afastaram adversários do mesmo patamar, o Moçarriense fez ainda melhor, tendo ido ganhar aos Amiais, eliminando assim um rival do nível acima.

Na única partida disputada entre primodivisionários, o Mação, vindo de inesperado desaire no Porto Alto, passou a “factura” ao Águias de Alpiarça, impondo retumbante goleada. Também já apurado, entre os clubes da I Divisão, está o Pontével, que, todavia, se viu e desejou para suplantar o actual detentor do troféu (que, aliás, conquistou nas duas últimas edições da prova), Ferreira do Zêzere, só “fora de horas” tendo evitado a surpresa de ser batido por oponente do escalão inferior.

Há 29 anos (desde a época de 1996-97) que o At. Pernes não atingia os quartos-de-final da competição (fase que somente alcançara noutra ocasião, em 1982-83). Já o Vasco da Gama superou os 1/8 de final (em que, em edições recentes, se quedara por três vezes sucessivas, entre 2022 e 2024) pela primeira vez desde há 31 anos (1994-95) – o que, anteriormente, só conseguira em 1988 e 1989. O Pego regressa àquele estágio da prova (que lhe proporcionará disputar pela sétima vez o acesso às meias-finais) após dele ter estado arredado desde o ano de 2020.

Por seu lado, quer Moçarriense, quer Pontével estarão em tal ronda pela quarta vez (depois de 2006, 2010 e 2016, no caso do grupo da Moçarria – afastado por seis vezes nos 1/8 de final neste interim; e de 2006, 2007 e 2019, no caso do conjunto do município do Cartaxo). Por estranho que possa parecer, desde 2017-18 (em que fora finalista) que o Mação não chegava tão longe na Taça, quebrando, enfim, o enguiço de seis eliminações consecutivas na ronda que agora logrou superar.

Foram adiados os desafios, envolvendo quatro clubes da I Divisão, entre: (i) At. Ouriense e Torres Novas; e (ii) Cartaxo e Fazendense – respectivamente para 28 de Dezembro e 4 de Janeiro.

Destaques – O principal destaque vai para o “derby” realizado nos Amiais de Baixo, que colocou frente-a-frente Amiense e Moçarriense, com a turma do segundo escalão a superiorizar-se ao conjunto local, que, assim, vê agudizar-se ainda mais a sua crise de resultados. Este foi um embate com algumas peripécias, tendo os visitados começado por ficar em inferioridade numérica logo desde os 35 minutos, vindo a ver-se reduzidos a nove elementos à passagem da hora de jogo.

O nulo no marcador subsistiu praticamente até ao fim, apenas tido sido apontado o primeiro tento da formação da Moçarria, na conversão de uma grande penalidade, a cinco minutos do termo do tempo regulamentar; o 0-2 final surgiria já em período de compensação, a confirmar a surpresa.

Em Mação, o líder do campeonato recebia o Águias de Alpiarça, que, de forma sensacional, partilha o 4.º posto com o Porto Alto (precisamente a equipa que, na semana anterior, batera os maçaenses de forma inapelável). Dando cabal resposta ao deslize sofrido, os maçaenses, com uma tarde de grande aplicação, não deram hipótese ao adversário, chegando ao intervalo já em vantagem por dois golos. Na segunda metade, o resultado foi-se avolumando, com alguma naturalidade, perante o desacerto e conformismo alpiarcense, só parando nos 7-0!

O At. Pernes foi ganhar ao também tradicionalmente difícil reduto do Marinhais (militando igualmente na II Divisão, mas disputando estes dois clubes séries diferentes), por 2-1: os anfitriões até começaram por, bem cedo, apenas com oito minutos decorridos, inaugurar o marcador, mantendo-se em vantagem até à recta final da partida. A equipa do município de Santarém – confirmando o campeonato positivo que vem realizando – viria, contudo, a operar a reviravolta nos últimos dez minutos, com o golo decisivo apontado já para lá dos noventa.

Não houve surpresa – para além do desfecho do embate entre Amiense e Moçarriense –, mas esteve prestes a acontecer, em Pontével, onde o grupo local, a disputar o campeonato principal, recebia o Ferreira do Zêzere, agora relegado para o escalão secundário, mas que, briosamente, defendia o estatuto de titular da prova, tendo conquistado a Taça nas duas últimas épocas.

Pois, os ferreirenses, motivados com tal condição, marcaram logo ao quinto minuto, e ampliariam ainda a inesperada vantagem para dois golos, meia hora volvida. Os pontevelenses retorquiram de imediato, reduzindo para 1-2 dois minutos depois, “placard” que, teimosamente, se mantinha à entrada para os derradeiros cinco minutos. O tento que permitiu restabelecer a igualdade seria determinante para o “baixar da guarda” dos ferreirenses, que viriam a sofrer ainda mais dois tentos, já em cima da hora, e em tempo “extra”, acabando o Pontével por ganhar por ilusório 4-2.

Não se tendo consumado a iminente surpresa, gorou-se a possibilidade de um curioso (re)encontro, nos quartos-de-final, entre Ferreira do Zêzere e Mação (grupo que acolheu a equipa técnica e vários dos jogadores que, na época precedente, haviam vencido o campeonato e a taça).

Confirmações – Os restantes dois prélios envolviam quatro dos cinco primeiros classificados da Série B da II Divisão (sendo o outro o At. Pernes, já antes referido), tendo os visitados confirmado o favoritismo que, nomeadamente em função do factor casa, lhes poderia ser atribuído.

O Pego (4.º) levou a melhor na recepção à U. Atalaiense (3.º), mercê de um golo apontado em cada uma das partes, triunfando por 2-0. Mais equilibrada se revelou a contenda em Boleiros, entre o guia, Vasco da Gama, e o 5.º classificado, Espinheirense, não tendo o nulo sido desfeito, acabando os donos da casa por ser mais eficazes no desempate da marca de grande penalidade.

Em função dos desfechos apurados, é o seguinte o alinhamento, previamente sorteado, dos embates dos quartos-de-final (agendados para 15 de Fevereiro de 2026): Mação-Pontével; Vasco da Gama-Pego; Moçarriense – At. Ouriense/Torres Novas; e Cartaxo/Fazendense – At. Pernes. Estando, portanto, já garantida a participação de um clube da divisão secundária nas meias-finais (Vasco da Gama ou Pego), poderia inclusivamente vir a ocorrer inusitada presença de um emblema de tal escalão na Final, caso o Moçarriense viesse também a qualificar-se para tal fase.

Liga 3 – O U. Santarém viajou até à Serra da Estrela, para defrontar o Sp. Covilhã, tendo averbado um resultado positivo, empatando a uma bola, pese embora tenha deixado escapar um possível triunfo já no quarto de hora final. Com treze pontos somados, baixou, após a 12.ª jornada, da 7.ª à 8.ª posição, um ponto acima face aos covilhanenses e ao 1.º Dezembro; em paralelo, também a um único ponto do 6.º classificado (Lusitano), mas, agora, já a quatro pontos do 4.º (Académica).

O Belenenses, único vitorioso entre os seis primeiros, cimentou a sua liderança, cinco pontos à maior face ao Mafra, e já com nove pontos de margem em relação ao 5.º classificado (Amora).

Campeonato de Portugal – O Fátima teve bom desempenho na visita ao comandante, V. Sernache, empatando a zero, mantendo o 7.º posto, tendo ampliado de um para dois pontos a vantagem face à “linha de água”. Já o Samora Correia sofreu algo traumatizante derrota em Ponte de Sôr: em vantagem até aos 94 minutos, depois de ter marcado a fechar o primeiro tempo, viria a sofrer dois golos de rajada, já a concluir o período de “descontos”; subsiste, pois, na indesejada condição de “lanterna vermelha”, agora já a sete pontos da zona de manutenção.

Antevisão – Na 12.ª ronda da I Divisão Distrital as atenções estarão focadas, em especial, no Torres Novas-Fazendense, opondo o 3.º ao 2.º classificado, anotando-se, por outro lado, os desafios: Mação-At. Ouriense; U. Tomar-Porto Alto; e Alcanenense-Coruchense. No segundo escalão realce para o “derby” Forense-Salvaterrense; assim como para a curiosidade do imediato reencontro, após os jogos da Taça, entre: Vasco da Gama e Espinheirense; e U. Atalaiense e Pego.

Na Liga 3 o U. Santarém recebe o Amora; no Campeonato de Portugal, Fátima e Samora Correia são anfitriões, respectivamente, de Eléctrico de Ponte Sôr (11.º) e Benfica e Castelo Branco (3.º).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 11 de Dezembro de 2025)

14 Dezembro, 2025 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 11ª Jornada

(“O Templário”, 04.12.2025)

Uma algo imprevista “débâcle” do guia foi aproveitada pelos mais próximos perseguidores para um reagrupamento no topo da pauta classificativa, agora com a liderança partilhada entre Mação e Fazendense, e apenas um ponto a separá-los do 3.º classificado, Torres Novas. Ao mesmo tempo, os desaires de Abrantes e Benfica e de U. Tomar originaram também o compactar de posições a meio da tabela – tendo todos os quatro clubes classificados imediatamente a seguir (Coruchense, Cartaxo, At. Ouriense e Alcanenense) vencido as suas partidas –, encurtando-se a diferença entre o 6.º (Abrantes e Benfica) e o 12.º classificado (Pontével) para escassos três pontos.

Por seu turno, Porto Alto e Águias de Alpiarça (também vitoriosos) – que repartem o 4.º posto –, continuando a distar cinco pontos do pódio, ampliaram para quatro pontos a vantagem face aos abrantinos. Enquanto, em contra-ciclo – tendo as quatro equipas da rectaguarda sido, todas elas, derrotadas na 11.ª jornada –, são já cinco os pontos de diferença entre o 12.º e o 13.º lugar; cavando-se, em paralelo, significativo fosso, de nove pontos, entre o Pontével e a “linha de água” (encontrando-se, nesta altura, em zona de despromoção o Amiense, At. Riachense e Tramagal).

Destaques – O principal sublinhado da ronda vai, necessariamente, para o categórico triunfo do Porto Alto ante o comandante, Mação, derrotado por impressivo 3-0. A formação da AREPA, que sofrera um “tropeção” em Ourém, no jogo da Taça, reagiu de forma bem afirmativa, mesmo actuando em casa “à porta fechada” (sanção decorrente de situação ocorrida ainda na época passada), não dando hipóteses de resposta ao conjunto maçaense, alargando assim para onze jogos o seu excelente ciclo de invencibilidade neste campeonato! Tendo inaugurado o marcador pouco depois da meia hora de jogo, o Porto Alto como que sentenciaria o desfecho com o segundo tento, logo nos minutos iniciais do segundo tempo, fixando o “placard” final a 25 minutos do final.

Impressionante foi também a goleada aplicada pelo Torres Novas em Abrantes, por números fora de qualquer conjectura: 6-1! Tendo os forasteiros aberto o activo ainda antes de completados dez minutos, e ampliado a contagem por volta dos 25 minutos, poderá ter chegado a pensar-se que o 1-2, apontado pelos abrantinos logo no recomeço, poderia reabrir a contenda. Mas os torrejanos não estiveram pelos ajustes, voltando a marcar aos 57 e 66 minutos, vindo a culminar um dia de descalabro do Abrantes e Benfica com mais outros dois tentos, já em cima do minuto noventa.

De assinalar ainda a vitória (2-1) do Alcanenense no terreno do Tramagal, que parece falho de argumentos para contrariar a tendência muito negativa que tem registado neste regresso ao principal escalão do futebol distrital, de que estivera arredado durante largos anos, tendo acumulado a sua décima derrota, mantendo-se com um único ponto averbado, na indesejada condição de “lanterna vermelha”. Tendo o nulo subsistido até ao intervalo, o conjunto de Alcanena obteria dois golos em cerca de um quarto de hora, não tendo os tramagalenses conseguido melhor do que, já em período de compensação, marcar o “ponto de honra”.

A última nota de realce, de cariz negativo, vai para a partida entre Águias de Alpiarça e U. Tomar, em que, pelas inusitadas circunstâncias, não pode deixar de lamentar-se que os unionistas tenham acabado por desperdiçar o que se afigurava poder ser uma boa oportunidade de somar mais três pontos, vindo a ser desfeiteados por 3-1, no que constitui a sua terceira derrota sucessiva.

E, todavia, as coisas até começaram bastante bem, com os tomarenses a colocar-se em vantagem logo aos oito minutos, e, denotando superioridade face ao adversário, tendo beneficiado de ocasiões em que poderiam ter ampliado o marcador a seu favor. Até que, de modo absolutamente insólito, se viram reduzidos a dez unidades: desacatos entre espectadores afectos a ambos os emblemas, envolvendo familiar do guardião unionista, levaram a que este, abandonando o seu lugar entre os postes, dentro de campo, se dirigisse à bancada, envolvendo-se em tais distúrbios, acabando por ver o cartão vermelho, como, inclusivamente, ser identificado pelas autoridades.

Entretanto, o árbitro interrompera o desafio durante quase meia-hora, justamente aguardando que as forças policiais chegassem ao recinto. E, quando foi reatado o jogo, mesmo em cima do intervalo, o Águias, apanhando ainda o guarda-redes suplente “a frio”, aproveitou para, de imediato, restabelecer o empate. Na segunda parte, o União aguentou o resultado até cerca de vinte minutos do fim, na expectativa de poder, até, surpreender em transição, mas não resistiria, vindo a sofrer o segundo e terceiro golos aos 68 e 84 minutos. De deplorar a situação ocorrida, não tolerável nos palcos do futebol, o qual deveria constituir-se, acima de tudo, numa festa.

Confirmações – Nos restantes quatro encontros os anfitriões confirmaram o favoritismo que lhes era atribuído, destacando-se a goleada (5-2) imposta pelo Coruchense ao Pontével, na quarta vitória consecutiva do grupo do Sorraia na prova, tendo ascendido do 14.º ao 8.º lugar, aliás, em igualdade pontual com o 7.º classificado, U. Tomar. Tendo marcado primeiro, a turma de Coruche ainda permitiu o empate (1-1), antes de, à beira do intervalo, se recolocar em vantagem, que dilataria até aos 5-1, vindo os visitantes a reduzir já para além do tempo regulamentar.

Mais comedidos foram os triunfos do Cartaxo sobre o At. Riachense (2-0), e, especialmente, do At. Ouriense face ao Amiense – a agudizar a delicada situação das derrotadas formações dos Riachos e dos Amiais –, assim como do Fazendense, na recepção ao Entroncamento AC, em ambos os casos mercê de um solitário tento, não deixando de suscitar alguma estranheza a magreza do desfecho alcançado pelo agora novo co-líder, tendo, em qualquer caso, a turma das Fazendas estendido já para oito a sua sensacional série de vitórias consecutivas no campeonato.

II Divisão Distrital – Ouriquense e Vasco da Gama mantêm o pleno de vitórias após a disputa da 7.ª jornada. A formação de Vila Chã de Ourique obteve concludente goleada, por 4-0, em Salvaterra de Magos, mantendo os dois pontos de vantagem face ao Moçarriense (que foi a Samora Correia golear por números ainda mais expressivos, de 6-0, ante a equipa “B” local).

Por seu lado, o Vasco da Gama arrancou difícil triunfo no reduto do Caxarias, por tangencial 3-2, beneficiando do inesperado desaire caseiro do Pego (1-3, ante a Ortiga) para ampliar para cinco pontos o diferencial face aos mais directos perseguidores, agora At. Pernes (ganhando, por 6-1, em Abrantes, também à equipa “B”) e U. Atalaiense (vitória, por 3-1, em Ferreira do Zêzere).

Liga 3 – O U. Santarém, recebendo a Académica, esteve a ganhar, mas apenas durante cinco minutos (entre os 70 e os 75), não evitando o empate a uma bola. Numa série muito equilibrada, os escalabitanos, com doze pontos em onze jogos, ocupam o 7.º lugar, somente um ponto acima do trio da cauda (Atlético, Sp. Covilhã e 1.º Dezembro), mas, por outro lado, apenas a quatro pontos do 4.º classificado, precisamente o seu rival do passado sábado.

Campeonato de Portugal – O Fátima obteve resultado positivo, voltando às vitórias (2-0), na recepção ao Marialvas, o que lhe proporcionou retomar a posição acima da zona de despromoção (também 7.º classificado), pese embora com diminuta margem, de um único ponto. Já o Samora Correia, recebendo o comandante, V. Sernache, não logrou impedir novo desaire, devido a golo consentido já nos minutos derradeiros, começando a fazer perigar uma possível manutenção no Nacional: regista seis pontos à décima ronda (ainda assim, do total de 26 em disputa), já a sete dos clubes imediatamente acima da “linha de água”, tendo caído para o último lugar (14.º).

Antevisão – Os campeonatos distritais voltam a estar em pausa, para nova eliminatória da Taça do Ribatejo (1/8 de final), em que se destacam os seguintes embates: Mação-Águias de Alpiarça; Cartaxo-Fazendense; At. Ouriense-Torres Novas; e o “derby” Amiense-Moçarriense.

Na Liga 3, o U. Santarém viaja até à Serra da Estrela, para defrontar o Sp. Covilhã, actual penúltimo classificado; no Campeonato de Portugal, Fátima e Samora Correia terão também deslocações, respectivamente a Cernache do Bonjardim (face ao líder) e a Ponte de Sôr, para defrontar o Eléctrico, também penúltimo, mas motivado pelo triunfo averbado em Peniche (3-0).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 4 de Dezembro de 2025)

7 Dezembro, 2025 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Pré-eliminatória

Num registo pouco usual, os 1/8 de final da Taça do Ribatejo serão disputados por oito clubes do segundo escalão e outros tantos da I Divisão Distrital. O que significa que ficaram pelo caminho, logo na pré-eliminatória, nada menos de metade dos concorrentes ao campeonato da divisão principal; para além das cinco equipas que defrontaram adversários desse mesmo patamar, salientam-se três casos de “tomba-gigantes”: U. Atalaiense, Pego e Vasco da Gama superaram oponentes de escalão superior, respectivamente, Entroncamento AC, At. Riachense e Tramagal.

Entre as formações apuradas destacam-se os casos de Mação (que disputará os 1/8 de final pela sétima época consecutiva), Cartaxo (sexta temporada sucessiva) e Moçarriense (quinta participação nos últimos seis anos). O At. Pernes está de regresso a essa fase da prova 29 anos depois da última presença (em 1996-97)! Por seu turno, Pego e Pontével voltam aos 1/8 de final da Taça após cinco anos de ausência, enquanto o Espinheirense se apurou ao fim de quatro anos.

No reverso da moeda, o Abrantes e Benfica falhou os 1/8 de final depois de sete presenças consecutivas – sendo que, nas últimas quatro edições, chegara (pelo menos) às meias-finais. O Alcanenense não atinge aquela fase pela primeira vez nos últimos sete anos. O Coruchense quedou-se pela primeira ronda pelo terceiro ano seguido, tendo, em todas estas ocasiões, caído no desempate da marca de grande penalidade (as duas últimas “aos pés” do Fazendense)!

Quanto ao U. Tomar, volta a falhar a presença nos 1/8 de final, apenas pela segunda vez nas últimas quinze temporadas (tal como sucedera em 2022-23; não tendo participado na edição de 2023-24) – sendo que, nas outras seis participações mais recentes, conquistara o troféu em 2017-18, tendo atingido as meias-finais noutras três épocas, e os quartos-de-final por duas vezes.

Destaques – A primeira nota de realce em relação aos desafios da pré-eliminatória da Taça do Ribatejo vai para o embate entre Coruchense e Fazendense, em que, tal como sucedera no ano passado, então nas Fazendas, as duas equipas não conseguiram desfazer o nulo, tendo a “sorte” dos “penáltis” voltado a sorrir ao Fazendense, que – sendo o detentor do maior palmarés da competição, já com cinco títulos conquistados – marcará presença nos 1/8 de final pela 16.ª vez nas últimas 17 épocas (falhou o apuramento uma única vez, em 2022-23)!

O grupo do Sorraia jogos os últimos vinte minutos em inferioridade numérica, mas, ainda assim, travou o ciclo triunfal (sete vitórias consecutivas no campeonato) do rival; não tendo, porém, evitado a eliminação, vindo a perder por 5-6 no desempate da marca de “penalty”.

Também o Porto Alto viu quebrada a sua magnífica série, neste caso de dez jogos de invencibilidade, tendo sido derrotado na deslocação a Ourém, por 2-1 (resultado que se registava já ao intervalo), com o At. Ouriense, em contraponto, a colocar termo a um longo jejum, já de sete partidas sem vencer.

Em grande destaque esteve ainda a equipa do Águias de Alpiarça, que, imediatamente após ter ido ganhar ao Cartaxo, para o campeonato, voltou a triunfar em reduto alheio, frente ao Abrantes e Benfica, com dois golos, apontados à passagem da meia hora e já em período de compensação.

Num encontro entre duas equipas a militar na divisão secundária, o Marinhais levou, desta feita, a melhor no “derby”, na Glória do Ribatejo, impondo-se por 3-1, ante um rival com tradição na Taça (já vencedor do troféu, em 2021, e com presenças nas meias-finais em 2014 e 2015).

Surpresas – Os desfechos dos três prélios entre equipas de diferente escalão traduziram-se em outras tantas surpresas, ainda que mitigadas, se atendermos a que esses clubes primodivisionários eliminados ocupam três dos quatro últimos postos do campeonato, enquanto, ao invés, os grupos qualificados se posicionam nos lugares do pódio da Série B da II Divisão Distrital, numa afirmação da capacidade das equipas do escalão secundário.

Acresce, por outro lado, que, em dois dos casos – no encontro de vizinhos, entre U. Atalaiense e Entroncamento AC, assim como no Tramagal-Vasco da Gama – se registaram igualdades a duas bolas no final dos noventa minutos; tendo as formações da Atalaia (que, aliás, chegara a dispor de vantagem de dois golos à passagem da hora de jogo) e do Vasco da Gama (neste caso, após ter recuperado de “placard” de 0-2) sido mais eficazes nos pontapés da marca de grande penalidade.

Já o Pego resolveu a contenda a seu favor dentro do tempo regulamentar, tendo batido o At. Riachense por 2-1, depois de ter também liderado o marcador por 2-0, consentindo o ponto de honra da turma dos Riachos a dez minutos do final.

Surpresa, quanto ao clube apurado, ocorreu ainda em Vila Chã de Ourique, dado que o Ouriquense – tendo, até à data, vencido todos os seis jogos já realizados no campeonato – não conseguiu melhor do que empatar (1-1) na recepção ao Espinheirense, tendo a turma do Espinheiro acabado por ser mais bem-sucedida na fórmula de desempate aplicada nesta competição.

Confirmações – O líder do campeonato, Mação, tal como o Torres Novas (agora 3.º classificado) confirmaram o favoritismo de que eram creditados, mas em desafios de contornos diferenciados.

Em Tomar, o Mação repetiu o triunfo da semana anterior, desta feita, por números mais categóricos (3-0). Não obstante o jogo ter começado com toada repartida, os maçaenses inauguraram o marcador aos 25 minutos. Os unionistas procuraram ainda replicar, mas o segundo tento sofrido, à passagem da hora de jogo, sentenciou o desfecho da eliminatória. Os visitantes fechariam a contagem quinze minutos depois, fixando o resultado mais desnivelado desta ronda.

Perante os superiores argumentos do conjunto contrário, os tomarenses não puderam oferecer maior resistência, necessitando agora voltar a focar-se no campeonato, de forma a poder retomar a senda de resultados positivos registados antes deste duplo duelo com o comandante.

Por seu lado, o Torres Novas, recebendo o Alcanenense, experimentou maiores dificuldades, com o nulo a subsistir até aos 70 minutos. Tendo o conjunto de Alcanena ficado reduzido a dez elementos na última meia hora, os torrejanos só chegariam aos tentos da vitória (2-0) aos 71 e 78 minutos, assegurando a presença nos 1/8 de final pela quinta época sucessiva.

Por sorteio, tendo ficado isentos, haviam já automaticamente garantido a qualificação para a eliminatória seguinte outras seis equipas: Amiense, Cartaxo e Pontével (da I Divisão); assim como, militando no escalão secundário, At. Pernes, Moçarriense e Ferreira do Zêzere (o actual detentor do troféu, que conquistou nas duas últimas edições).

Antevisão – Na retoma dos campeonatos, começa por destacar-se, na I Divisão Distrital, o confronto entre Porto Alto (único emblema ainda invicto nessa prova, ao fim de dez jornadas, actual 4.º classificado) e o guia, Mação, com uma deslocação que constitui mais um teste ao seu domínio nesta época. Realce ainda para o Abrantes e Benfica-Torres Novas (que ocupam, respectivamente, o 6.º e 3.º lugares); bem como para o Águias de Alpiarça-U. Tomar (5.º e 7.º).

Na II Divisão as atenções estarão focadas, principalmente, no Salvaterrense-Ouriquense e no Benavente-Forense; e, a Norte, no Caxarias-Vasco da Gama e Ferreira do Zêzere-U. Atalaiense.

Na Liga 3, o U. Santarém (actualmente no 8.º posto) recebe a Académica (4.º classificado), quatro pontos mais acima. No Campeonato de Portugal, o Fátima (10.º) actua igualmente no seu terreno, recebendo o Marialvas (6.º, com mais três pontos); sendo também o Samora Correia (13.º) visitado, pelo sensacional líder, V. Sernache (que, até agora, soma sete vitórias, um empate e uma derrota).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 27 de Novembro de 2025)

30 Novembro, 2025 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 10ª Jornada

(“O Templário”, 20.11.2025)

À 10.ª jornada foi quebrado o “feitiço” da baliza do Torres Novas, tendo jogadores adversários logrado, enfim, marcar golo(s) – o que, em simultâneo, custou aos torrejanos a perda da invencibilidade, pelo que o Porto Alto (Campeão Distrital da II Divisão na época finda) é, agora, o único clube a manter-se invicto, contando quatro triunfos e seis empates. Por curiosidade, At. Riachense e Tramagal não conseguiram ainda estrear-se a vencer; Mação, Fazendense e Águias de Alpiarça não registaram, até à data, qualquer empate neste campeonato.

O Fazendense, somando sétima vitória consecutiva, numa impressionante série triunfal, e beneficiando do desaire do Torres Novas, ascendeu à vice-liderança, a três pontos do guia, Mação, que, porventura, experimentou mais dificuldades do que expectável para superar o U. Tomar.

Destaques – O desfecho de maior sensação – mesmo que, atendendo aos dois clubes em compita, tal não possa ser classificado como grande surpresa – aconteceu em Torres Novas, onde o Coruchense foi impor a primeira derrota aos torrejanos, por 2-0, praticamente entrando a ganhar, no que constitui o terceiro triunfo sucessivo da turma do Sorraia, tendo, entretanto, subido desde o 14.º ao 9.º posto (a cinco pontos da 4.ª posição); após nove jogos em que consentira um único (auto-)golo, o guardião local foi, pela primeira vez, batido por adversários!

Em evidência esteve também o Águias de Alpiarça, que parecia ir perdendo algum “gás”, com três desaires nas quatro rondas precedentes, mas, que, no passado domingo, se impôs no Cartaxo, por 2-1, por duas vezes se tendo adiantado no marcador. Este foi já o terceiro triunfo dos alpiarcenses em terreno alheio (após vencerem em Coruche e Tramagal), igualando o Porto Alto no 4.º lugar, constituindo, em ambos os casos, notável desempenho neste primeiro terço da prova.

A subir na tabela está igualmente o Abrantes e Benfica, agora 6.º classificado, só um ponto abaixo daquele par, tendo ido ganhar ao Entroncamento, operando reviravolta no marcador, após ter começado por ficar em desvantagem à passagem do quarto de hora; na segunda metade, bastaram cinco minutos (entre os 67 e 72) para arrancar a vitória; os abrantinos somaram o quinto triunfo nos sete últimos jogos, apenas tendo sido desfeiteados pelo Fazendense, e empatado no Cartaxo.

A última nota de realce vai para o Porto Alto, sublinhando a manutenção do seu singular estatuto de invencibilidade, registando um nulo (sexta igualdade, quatro das quais nas cinco últimas semanas) na deslocação a Amiais de Baixo, onde defrontava um oponente em crise de resultados, que provocara a saída do anterior treinador; ainda assim, o Amiense, a necessitar de pontos como de “pão para a boca”, conseguiu estancar um ciclo muito negativo, de seis derrotas consecutivas.

Confirmações – Não tendo havido – à margem do Torres Novas-Coruchense – outros desfechos surpreendentes, imperou a lógica nas restantes quatro partidas, com os favoritos a confirmarem a sua condição, advindo de superiores recursos, a par, noutros casos, da condição de visitados.

Começando pelo comandante, Mação, recebeu o U. Tomar, que se revelou um “osso duro de roer”. Pese embora a maior iniciativa e controlo do jogo por parte dos donos da casa, os nabantinos, bastante solidários, mantiveram o nulo durante uma hora de jogo, vindo então a sofrer o primeiro golo após a marcação de um canto, por via de um colocado remate de José Charles, de meia-distância. Não desistindo, o grupo unionista empataria aos 78 minutos, na conversão de uma grande penalidade, com Wemerson Silva a atingir os 95 golos ao serviço do União.

Só já dentro dos dez minutos finais os maçaenses voltariam a colocar-se em vantagem, noutro golo de um antigo jogador do emblema tomarense: depois de José Charles, também “Zé” Maria, com potente remate, visou a baliza com êxito. O 3-1 final, conferindo ao marcador uma expressão talvez algo excessiva, surgiria já em tempo de compensação, num lance de transição rápida.

Defrontando o penúltimo classificado, Riachense, que mais não conseguiu até agora que quatro empates, o Fazendense não terá tido dificuldades significativas em ampliar para sete a sua notável série de vitórias sucessivas, tendo fixado o resultado (2-0) por volta da meia hora, depois de ter aberto o activo ainda dentro dos dez minutos iniciais.

Também o Pontével, recebendo o “lanterna vermelha”, Tramagal, chegou a vantagem de 2-0, num curto período de dez minutos (entre os 65 e os 74), tendo os tramagalenses apontado o seu “ponto de honra” a cerca de cinco minutos do termo do desafio, insuficiente, porém, para evitar a nona derrota em dez encontros disputados.

Dois a zero foi também o desfecho (que se registava já ao intervalo) do Alcanenense-At. Ouriense, com a turma da casa a superar fase negativa, de três desaires, contribuindo, em paralelo, para agravar o ciclo desfavorável que a formação de Ourém vem atravessando, sem ganhar há sete jornadas, tendo baixado ao 11.º lugar, imediatamente acima do rival do passado fim-de-semana.

II Divisão Distrital – À sexta ronda passámos a ter líderes isolados, em ambas as séries, únicos concorrentes a alcançar o pleno de seis vitórias: Ouriquense e Vasco da Gama.

Na Série A, a regressada agremiação de Vila Chã de Ourique mantém excelente desempenho, tendo averbado tangencial triunfo, por 3-2, na recepção ao Benavente, isto depois de ter chegado a dispor de vantagem de três tentos. O vice-líder, Moçarriense, foi ganhar a Marinhais, mercê de um solitário golo. Em mais um “derby”, o Forense bateu a equipa da Glória do Ribatejo, por 2-1. Realce ainda para a goleada (5-2) obtida pelo QT-SC Rio Maior em Samora Correia.

Na Série B, no embate entre as duas formações que partilhavam o comando, o Vasco da Gama registou categórico triunfo, goleando o Pego por 4-0! O mesmo “placard” se verificou no At. Pernes-Alferrarede. Mais retumbante (9-2) foi a goleada aplicada pelo Espinheirense aos Lagartos do Sardoal. Anota-se ainda o início de prova algo oscilante do Ferreira do Zêzere, derrotado na Ortiga, por 2-0, ocupando discreto 8.º lugar (entre doze concorrentes), já a onze pontos do guia.

Campeonato de Portugal – Em jogo de acerto de calendário, que se encontrava em atraso, da 2.ª jornada, o Fátima não foi feliz na deslocação aos Açores, tendo sido batido pelo Lusitânia, por 2-1, não obstante os fatimenses terem começado por inaugurar o marcador, logo aos seis minutos, vindo, porém, a consentir dois golos, quando beneficiavam até de superioridade numérica. Este foi o terceiro desaire seguido do Fátima, o que se repercutiu na queda abaixo da “linha de água” (10.ª), ainda que em igualdade pontual, precisamente com o emblema de Angra do Heroísmo.

Antevisão – Os campeonatos distritais sofrem o primeiro interregno, para disputa da pré-eliminatória da Taça do Ribatejo, em que se destacam os seguintes confrontos: a imediata reedição, agora em Tomar, do prélio entre U. Tomar e Mação; Coruchense-Fazendense, entre dois clubes com o maior palmarés na competição, um dos quais, necessariamente, ficará já afastado; Torres Novas-Alcanenense, replicando, ainda em fase tão prematura da prova, a Final de há três épocas; Abrantes e Benfica-Águias de Alpiarça; e entre clubes da divisão secundária, outro “derby”, entre Glória do Ribatejo e Marinhais.

Quer a Liga 3, que o Campeonato de Portugal – agora já com os respectivos calendários em dia – voltam a estar em pausa, devido à disputa da eliminatória correspondente aos 1/16 avos de final da Taça de Portugal, sem qualquer representante do Distrito. Anota-se a recuperação de um antigo clássico lisboeta, entre Atlético e Benfica, assim como a curiosidade de um embate entre Sp. Covilhã e Lusitano de Évora, dois históricos, também com larga tradição no principal escalão do futebol nacional, militando ambos, presentemente, na Liga 3.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 20 de Novembro de 2025)

23 Novembro, 2025 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 9ª Jornada

(“O Templário”, 13.11.2025)

Mantendo o pleno de triunfos desde a chegada de Eduardo Fortes ao comando técnico do clube, o U. Tomar progrediu mais um degrau na pauta classificativa, ascendendo ao 5.º posto, já dentro do objectivo declarado para esta temporada – numa ronda em que os agora cinco primeiros saíram vencedores (enquanto os actuais cinco últimos perderam), constituindo o Águias de Alpiarça (a descer) e o Coruchense (a subir) os registos “contra-a-corrente”, tendo os alpiarcenses sido desfeiteados, em casa, pelo guia, ao passo que o grupo do Sorraia bateu o Entroncamento AC.

Destaques – Começando pela partida que agrupava o par melhor posicionado, com o então 4.º classificado, Águias, a receber o líder, a turma de Mação obteve, num desafio que se antecipava exigente, importante e (aparentemente) tranquila vitória, em Alpiarça, por 2-0, com golos no último quarto de hora do primeiro tempo e à passagem da hora de jogo, repetindo o ciclo de quatro triunfos seguidos com que abrira o campeonato (intercalados pelo único jogo em que não ganhou); ao invés, os alpiarcenses baixaram duas posições, ultrapassados por Porto Alto e U. Tomar.

Num confronto entre dois emblemas de grande tradição, no Tramagal, o Torres Novas venceu, também por 2-0, não obstante o nulo ter subsistido até ao intervalo, mas com os torrejanos, prosseguindo sensacional campanha, a sentenciar o desfecho com tentos a abrir a e a fechar a segunda metade, mantendo, assim, a pressão sobre o comandante, apenas a um ponto.

Atendendo ao desempenho que as duas formações vêm realizando – com os tramagalenses, neste regresso ao escalão principal, ainda sem conseguir ganhar, contando somente um ponto –, o triunfo do Torres Novas seria expectável, mas não se revelou fácil. Os visitantes beneficiaram, uma vez mais, de a sua baliza (à guarda do conceituado “Chico” Sousa) parecer estar enfeitiçada: nem de “penalty” se concretizou o que teria sido o primeiro golo marcado por jogadores adversários, subsistindo o fenomenal registo de um único (auto-)golo consentido, em nove jogos!

Em evidência esteve também o Pontével, que, tal como Mação e Torres Novas, foi vencer a reduto alheio, frente ao At. Ouriense, igualmente por 2-0, neste caso com um tento na primeira metade de cada uma das partes do prélio. Este desfecho seria de classificar como surpresa da jornada, não fora o caso de os anfitriões terem somado o sexto embate consecutivo sem ganhar (após terem arrancado o campeonato com três triunfos), obtendo apenas três pontos neste período, o que provocou uma queda na classificação, desde o 2.º até ao 9.º lugar. Em contraponto, os forasteiros, tendo ultrapassado o Entroncamento AC e o Alcanenense, ocupam agora a 10.ª posição.

Confirmações – Em todos os outros cinco desafios da 9.ª jornada, os visitados confirmaram, com maior ou menor dificuldade, o favoritismo que lhes seria creditado – em bom rigor, porventura com mais dificuldades que o que se poderia antever, tendo quatro deles terminado com resultados tangenciais, e, em dois dos casos, com as vitórias a serem arrancada mesmo “in extremis”.

Despachando já o caso do Fazendense, goleou o Cartaxo por categórico 4-0 (com três golos no segundo tempo), ampliando para seis a série (“record” nesta edição da prova) de triunfos sucessivos, afirmando o seu estatuto de perseguidor ao líder, do qual continua separado por três pontos. Por seu lado, os cartaxeiros voltam a denotar permeabilidade defensiva, totalizando já vinte bolas nas suas redes (apenas o At. Riachense apresenta pior registo, com 29 tentos sofridos).

O grupo do Porto Alto, recebendo e batendo o Alcanenense por 1-0 (tendo marcado à passagem da hora de jogo), alarga o seu fantástico ciclo de invencibilidade (que partilha com o Torres Novas), registando agora quatro vitórias e cinco empates, o que lhe confere notável 4.º lugar. Ao contrário, o conjunto de Alcanena, a passar por “dores de crescimento”, perdeu pela terceira semana sucessiva (quatro desaires nas últimas cinco rondas), caindo até intranquilo 13.º lugar.

Em Tomar, numa partida com algumas similitudes com as duas anteriores, o União, mesmo não tendo conseguido manter a consistência exibicional durante os noventa minutos, soube, primeiro, reagir à adversidade, e, depois, de novo, preservar a preciosa vantagem alcançada, ampliando para três este ciclo muito positivo de triunfos. Os tomarenses tiveram boa entrada, assumindo a iniciativa e controlo de jogo, mas sem eficácia; todavia, ainda cedo, o Amiense – equipa de bem maior valia do que denota a ingrata classificação que regista –, equilibrou a contenda. E, num lance infeliz (auto-golo), a turma unionista ver-se-ia mesmo em desvantagem no marcador.

Apesar de ter sentido o toque, com inevitável impacto anímico, o grupo nabantino não se desuniu, reorganizou-se e reequilibrou-se em termos emocionais, e chegaria ao empate em momento muito oportuno, a findar o primeiro tempo. Se, antes, houvera alguma falta de fortuna, o contexto alterar-se-ia por completo, tendo o União completado a reviravolta, estabelecendo o 2-1 a seu favor, não estavam ainda decorridos cinco minutos da etapa complementar. Controlando a pressão contrária, tirando também partido da larga experiência do seu técnico, o resultado não se alteraria até final.

O Abrantes e Benfica (anterior 9.º classificado, agora na 7.ª posição, tendo superado a pontuação de Cartaxo e At. Ouriense) viu-se e desejou-se para levar de vencida o penúltimo, At. Riachense, por sofrido 3-2. Os forasteiros – que ainda não se estrearam a vencer – foram até os primeiros a marcar, aos 60 minutos, tendo os abrantinos operado a reviravolta no “placard” em pouco mais de um quarto de hora; mas a turma dos Riachos surpreenderia, restabelecendo a igualdade (a duas bolas) a escassos três minutos do fim. Os donos da casa chegariam à vitória ao minuto 96…

Por fim, o Coruchense, ainda como que em fase de “convalescença”, voltou a somar três pontos, após o triunfo averbado na semana anterior, nos Riachos. Tendo a visita do Entroncamento AC, a equipa do Sorraia só em período de compensação logrou desbloquear o nulo, interrompendo um ciclo de quatro jogos sem perder dos visitantes. Em função deste desfecho, cavou-se um “fosso” de quatro pontos (oito vs. quatro) entre o Alcanenense e o Amiense e At. Riachense, estando estes dois últimos (tal como o Tramagal) abaixo da “linha de água” virtual.

II Divisão Distrital – A principal ênfase vai para a primeira perda de pontos do Moçarriense, que não foi além do empate (2-2) na deslocação a Salvaterra de Magos, o que possibilitou ao regressado à competição, Ouriquense – a realizar excelente início de campeonato, com o pleno de vitórias –, tendo ido ganhar à Glória do Ribatejo por 2-1, isolar-se na liderança da Série A. Na Série B mantém-se um par no comando, tendo o Vasco da Gama (1-0 em Ferreira do Zêzere) e o Pego (1-0, ante o Mindense) vencido todas as cinco rondas até agora disputadas.

Liga 3 – O U. Santarém deixou escapar, em tempo de compensação, um ponto, na viagem a Évora, derrotado pelo Lusitano por tangencial 1-0, tendo sofrido o golo nos derradeiros instantes. Numa série muito equilibrada – cinco pontos separam o 4.º (Académica) do 10.º e último classificado (1.º Dezembro) – os escalabitanos partilham agora o 7.º posto com o Atlético, a quatro pontos dos “estudantes” de Coimbra. No topo, no embate entre Belenenses e Mafra, os “azuis do Restelo” ganharam 2-1, arrebatando o comando, relegando os mafrenses para a posição imediata.

Campeonato de Portugal – Foi negativa para os clubes do Distrito a 9.ª jornada, tendo o Fátima sido derrotado por pesado 3-0 na Figueira da Foz, pela Naval 1893, enquanto o Samora Correia perdeu por tangencial 2-1 em Cantanhede, frente ao Marialvas. Os fatimenses, agora no 9.º lugar, são os últimos acima da “linha de água”, com muito curta margem, de apenas um ponto, mantendo-se os samorenses (quatro pontos abaixo do Fátima) na antepenúltima posição.

Antevisão – Na próxima jornada da I Divisão Distrital destacam-se os seguintes encontros, envolvendo o trio da dianteira da tabela: Mação-U. Tomar; Torres Novas-Coruchense; e At. Riachense-Fazendense. No escalão secundário, realce para o “derby” Forense-Glória do Ribatejo assim como para uma “cimeira de líderes”, com o Vasco da Gama a ter a visita do Pego.

A sequência regular da Liga 3 e do Campeonato de Portugal sofre um interregno, cabendo ao Fátima recuperar, neste domingo, o jogo que se encontrava em atraso, a disputar nos Açores (Angra do Heroísmo), com o Lusitânia, presentemente no 12.º (antepenúltimo) lugar.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 13 de Novembro de 2025)

16 Novembro, 2025 at 11:00 am Deixe um comentário

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