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Visita às instituições da União Europeia

Encontro-me – desde segunda-feira – em Bruxelas, em visita às instituições da União Europeia, integrando um grupo de cerca de 20 bloggers, a convite do Grupo Parlamentar do PPE (Partido Popular Europeu), numa iniciativa do eurodeputado Carlos Coelho.
Num contexto em que impera o sentimento de alguma forma generalizado de que a Europa “está longe” (mesmo na sociedade da informação, à distância de um clique, Bruxelas parece demasiado afastada), e num enquadramento em que legitimamente se reclama para os portugueses o estatuto de cidadãos europeus (com os mesmos direitos de todos os outros), mas em que apenas um em cada três portugueses exercem o seu direito de voto nas Eleições Europeias (claramente abaixo da média), entendeu o referido Grupo oportuno e pertinente organizar este programa, visando permitir um contacto directo com os protagonistas das principais instituições comunitárias e o fornecimento de informação sobre alguns dos temas mais importantes da actualidade.
O intenso programa – incluindo reuniões e encontros com deputados portugueses no Parlamento Europeu, eurodeputados de outros países e de outras famílias políticas, responsáveis da Comissão Europeia e altos funcionários de instituições europeias, para além da visita a uma “mini-cidade” onde trabalham cerca de 5 000 pessoas (no edifício do Parlamento Europeu, em Bruxelas, com uma complexa logística decorrente de deslocações mensais para reuniões plenárias em Estrasburgo) – teve início no final do dia, com um jantar promovido por Carlos Coelho (muito bem assistido nesta organização por Duarte Marques).
O eurodeputado português sublinhou como “mensagem-chave” constituir o fantasma da abstenção (no caso concreto, dos eleitores portugueses) o principal adversário nas próximas Eleições Europeias.
Reforçaria que, enquanto cidadãos europeus, os portugueses devem – à semelhança dos cidadãos de outros Estados-membros – exercer o seu direito / dever cívico de votar, não contribuindo dessa forma para o crescente alheamento, no que denota, por outro lado, uma “demissão” das nossas responsabilidades individuais.
De seguida (nos próximos dias), aqui apresentarei resumos das interessantes reuniões com representantes de vários Grupos (diferentes famílias políticas) no Parlamento Europeu e outros representantes oficiais nas instituições europeias, com base nas notas que, em simultâneo, me foi possível ir recolhendo.
Os mercúrios
Evocando o mensageiro dos deuses, a designação de mercúrio foi adoptada por publicações de vários países europeus, como Holanda, Alemanha, França, onde se tornou um nome comum. As características dos mercúrios apresentam-se cada vez mais distintas das das gazetas, podendo dizer-se que aqueles estavam para estas como as revistas estão para os jornais, na actualidade. Por exemplo, o primeiro volume, anual, do Mercure français, de 1611, constitui uma sequência dos resumos cronológicos de Palma Cayet, relatando os principais acontecimentos ocorridos após 1605 em França e no estrangeiro.
No nosso país, o mais importante é o Mercúrio Português, que aparece em Janeiro de 1663 (Lisboa, Ofic. Henrique Valente de Oliveira: mensal, preço variando entre 10 e 5 réis). Foi redigido até Dezembro de 1666 pelo notável escritor e diplomata António de Sousa Macedo, geralmente considerado «o primeiro jornalista português» (1). Embora, cronologicamente, não tivesse sido Sousa Macedo o primeiro jornalista português, foi na verdade ele o primeiro quem, pela versatilidade da sua cultura e pelo seu estilo directo e conciso, apresentou uma verdadeira constituição de jornalista, ainda não visível em Manuel de Galhegos. A pureza do estilo jornalístico de Sousa Macedo está bem patente na sua própria declaração no número de Dezembro de 1666:
«Simples e corrente foi o estilo de Mercúrio, ajustando-se sempre com a maior certeza que pôde alcançar, sem afectar locuções altas que desdissessem a sinceridade de uma pura narração.»
[…]
Inseria também muitas outras informações, tanto do País como do estrangeiro; mas a sua feição era sensivelmente diferente da da Gazeta, pois, embora não perdesse o carácter predominantemente noticioso, tinha já acentuada intenção política.
Outros mercúrios aparecem então no nosso país, mas esses com características mais próximas das que tomaram os seus homónimos estrangeiros.
(1) Além dos 50 números que se publicaram nestes quatro anos (afora dois suplementos), saíram ainda 7 no ano imediato de 1667, redigidos por autor anónimo. Vinha a público no fim de cada mês e constava de 8 a 32 páginas de impressão, sempre no formato de 4º.
“História da Imprensa Periódica Portuguesa”, José Tengarrinha, 2º edição, 1989, pp. 39 e 41
Acordo Ortográfico: comissão parlamentar aconselha que se debata petição
O relatório da Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura, hoje divulgado, recomenda que o plenário deve “apreciar” a petição contra o Acordo Ortográfico e que algumas das preocupações e sugestões ali referidas devem ser tomadas em conta.
(Público)
(Des)Acordo ortográfico
Precisamente um ano decorrido, esta minha “declaração anti-Acordo ortográfico” regista um total de 187 comentários (não tendo sido, por outro lado, publicados alguns outros comentários, em que considerei terem sido claramente excedidos os limites da urbanidade e da salutar dialéctica de opiniões).
Pode consultar aqui mais artigos sobre esta temática.
O primeiro jornal
De uma maneira geral, pode dizer-se que o jornalismo nasceu, em Portugal como em qualquer outro país, da confluência de três factores distintos: o progresso da tipografia, a melhoria das comunicações e o interesse do público pela notícia.
Durante algum tempo manteve-se a ideia de que a imprensa periódica começara em Portugal com as referidas relações de Severim de Faria. Examinando cuidadosamente, porém, as duas únicas que vieram a público, conclui-se facilmente que não podem assinalar o início do periodismo no nosso país por lhe faltar duas condições essenciais: a periodicidade e a continuidade ou encadeamento.
Estas características, aliadas à do objectivo eminentemente informativo, só se reúnem pela primeira vez nas chamadas Gazetas da Restauração, a primeira das quais tem o título, longo como todos os desse tempo, de Gazeta em Que Se Relatam as Novas Todas Que Houve Nesta Corte e Que Vieram de Várias Partes no Mês de Novembro de 1641 (Lisboa, na Ofic. De Lourenço de Anvers, com privilégio real concedido a Manuel de Galhegos por Alvará de 14 de Novembro de 1641).
[…]
É nessa efervescência política, acompanhada de intensa agitação de ideias, que se inscreve o aparecimento entre nós do jornalismo. O mais importante significado que apresenta é, pois, o de tornar periódica uma informação que até aí fora irregular, ao sabor da gravidade dos acontecimentos ou da vontade dos impressores. A sua periodicidade, anunciada no primeiro número, é mensal. A folha passa a ser esperada em determinadas datas, criando-se assim os hábitos característicos dos leitores da imprensa periódica.
As Gazetas da Restauração tinham circulação muito restrita, devido não só ao seu elevado preço (6 réis, em média – o que para a época era considerável –, variando o custo segundo o número de páginas), como ao baixíssimo nível de instrução. Poderemos visionar os seus leitores entre os comerciantes, homens de negócios e outros elementos instruídos da burguesia e a aristocracia ilustrada e mais directamente interessada nas notícias da guerra com Castela.
Embora as condições fossem mais favoráveis após a Restauração, a primeira gazeta portuguesa estava ainda submetida às regras da censura prévia estabelecidas na carta de Filipe II (tít. CII do liv. V das Ordenações Filipinas) e confirmadas por D. João IV pela Lei de 29 de Janeiro de 1643, de acordo com as quais, «não se imprimiam livros sem licença d’El-Rei».
[…]
Tendo cessado a publicação da Gazeta em Setembro de 1647, foram postas em circulação, até 1663, algumas folhas volantes com as notícias da guerra da independência.
“História da Imprensa Periódica Portuguesa”, José Tengarrinha, 2º edição, 1989, pp. 35, 38 e 39
Exposição “Conteúdo e vestimenta: imagens de arquivos”

É inaugurada amanhã, dia 7, na Biblioteca Municipal de Albufeira, a exposição “Conteúdo e vestimenta: imagens de arquivos“, da autoria de Marta Nogueira (licenciada em História e arquivista), compreendendo a mostra de 35 fotografias sobre arquivos, integrando um projecto enquadrado na difusão do património documental, o qual visa, através da fotografia, sublinhar o potencial visual e estético dos arquivos enquanto conjuntos documentais.
A Imprensa periódica portuguesa na época da Restauração
O surgimento da Imprensa na Europa, no século XV, permitiu, como é por demais conhecido, uma rápida expansão dos conhecimentos e da cultura. Os seus efeitos foram profundos e duradouros, permitindo a difusão de obras de todo o tipo, que anteriormente teriam de ser copiadas á mão, e logo com um grau de difusão muito menor. Uma das consequências da invenção de Guttenberg foi o aparecimento por toda a Europa dos primeiros jornais. Considera-se como jornal uma edição impressa composta com o objectivo de difundir informações ou notícias, com uma certa periodicidade e continuidade, ou seja, algo que informa ou pretende informar regularmente, e não apenas um folheto ou manifesto isolado.
Em Portugal, o surgimento da imprensa periódica, ou seja, do primeiro jornal, está ligado á nossa história política. De facto, o primeiro jornal português surgiu num período muito particular da nossa História, a época das Guerras da Restauração, servindo a causa de D. João IV. É deste tema e da sua importância no contexto geral da retomada e fortalecimento da independência de Portugal neste período que iremos falar hoje.
O golpe executado em Lisboa a 1 de Dezembro de 1640, que abriu caminho á subida ao trono do Duque de Bragança, como D. João IV, foi apenas o primeiro passo do longo processo da Restauração, que só terminaria mais de 20 anos mais tarde com a assinatura da paz e o reconhecimento da independência de Portugal por parte de Espanha. Durante este tempo, foi empreendido um enorme esforço nacional, quer militar, político e económico, mas também no plano diplomático e cultural. Neste último caso, havia que legitimar a nova dinastia e o novo reino, no que se distinguiram diversos autores, como o Pe. António Vieira. Por outro lado, num estado de guerra, havia que informar o país dos sucessos militares que se alcançavam contra os espanhóis, manter esperanças e animar a população nos anos difíceis que se viviam.
Já anteriormente haviam surgido alguns simulacros de jornal. Durante o período filipino, tratou-se sobretudo de folhetos e manifestos contra o domínio castelhano, pelo que logo na década de 1620 a censura prévia aos folhetos impressos passou a ser cuidadosamente efectuada. Também por esta altura Manuel Severim de Faria imprime, numa proximidade evidente ao que chamamos hoje jornalismo, uma Relação Universal do que Sucedeu em Portugal e mais Províncias do Ocidente e Oriente, de que saíram dois números.
No entanto, o que mais propriamente chamamos o primeiro jornal português apenas surgiu na nova conjuntura da Restauração, destinado a relatar ao público a aclamação de D. João IV e a informar regularmente o público sobre os sucessos militares e outros acontecimentos, quer nacionais, quer estrangeiros. Era, assim, um instrumento de propaganda ao serviço da Restauração, e o primeiro número foi impresso em Lisboa logo em Novembro de 1641. Tinha como título completo Gazeta em que se Relatam as Novas Todas que Houve Nesta Corte e que Vieram de Várias Partes. Dava conta de várias notícias de carácter diverso, era mensal e resultou de alvará atribuído pelo rei a Manuel de Galhegos. As informações militares ocupavam lugar de destaque, como se pode comprovar neste exemplo:
“Pelejou a armada de Holanda com uma armada da Esquadra Real de Castela, em que vinham muitas fragatas de Dunquerque; durou a pendência mais de 24 horas. Foi-se a pique um galeão dos Castelhanos e ficaram alguns destroçados e todos com muita gente morta. O Holandês com algum dano se retirou a este porto, onde está aguardando que El Rei Nosso Senhor lhe dê socorro para sair outra vez a atemorizar os portos da Andaluzia”.
Porém, outras notícias vinham incluídas na Gazeta, meras referências de casos ocorridos e relatados nas ruas de Lisboa, alguns pequenos apontamentos mundanos, como este caso:
“O Conde da Castanheira, que estava preso numa torre de Setúbal, pediu a El Rei Nosso Senhor que lhe mudasse a prisão, porquanto estava indisposto; e El Rei Nosso Senhor, usando de sua natural benignidade o mandou trazer para o Castelo de Lisboa.”
Este foi, assim, o primeiro jornal português, ainda muito semelhante ás notícias dispersas que se imprimiam com grande intensidade por todo o país, dando informações sobre as Guerras em curso. Não era barato: cada número custava 6 réis, pelo que não conseguiu uma grande difusão. No entanto, a brevidade da vida da Gazeta não se ficou a dever a falta de leitores. Pelo contrário, foi o próprio poder político que, nesta época de grandes dificuldades, temia a divulgação de notícias que pudessem dar informações ao inimigo, pelo que passou a vigiar atentamente que o jornal quer outros folhetos informativos que circulavam no país. A Gazeta foi suspensa durante alguns meses, e acabou por publicar apenas notícias do estrangeiro. Em 1647 deixou definitivamente de se publicar.
Seria necessário esperar alguns anos para assistir ao surgimento do segundo jornal, já em 1663. Trata-se do Mercúrio Português, tomando o nome do que era, para os romanos, o deus mensageiro. Seguia, aliás, o exemplo de outros Mercúrios que se imprimiam por toda a Europa. O seu fundador foi António de Sousa Macedo, escritor e diplomata. Embora variando um pouco, quer em forma quer em conteúdo, da anterior Gazeta, o Mercúrio pretendia também informar o público acerca de diversos temas, destacando-se uma vez mais a Guerra da Restauração que ainda prosseguia. Podemos afirmar que era mais politizado do que a Gazeta, pois destinava-se principalmente a contrariar o enorme esforço de propaganda que os espanhóis promoviam na altura, denegrindo a imagem de Portugal na Europa e difundindo informações falsas sobre o conflito com os portugueses. Porém, este Mercúrio não durou mais do que alguns anos. Passado o período das Guerras da Restauração, não se registam sinais de interesse pelo reactivar da imprensa periódica. Assim, durante o resto do século XVII não se publicou mais nenhum jornal. Só em 1705 é que surgiu um novo, chamado também Gazeta. A partir de 1715 toma a designação de Gazeta de Lisboa, que existiu por muitos anos, tornando-se um jornal oficial.
Paulo Jorge de Sousa Pinto – texto de apoio a programas de rádio sob a designação ”Era uma vez… Portugal”, emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal
Era uma vez… Portugal
Em mais uma gentil oferta do historiador Paulo Jorge de Sousa Pinto, tenho o prazer de iniciar – a partir de hoje, no Carreira da Índia – a divulgação de uma série de textos que serviram de base a um conjunto de programas de rádio, emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, numa rubrica intitulada “Era uma vez… Portugal“.
Visando preservar a fidelidade face aos textos originais, optei pela sua publicação tal como me foram disponibilizados pelo autor, mantendo marcas de oralidade e não obstante se encontrarem em alguns casos “datados” (nomeadamente na referência a efemérides históricas).
Nesta oportunidade, os artigos seleccionados para publicação são os que, versando temáticas dos descobrimentos e expansão ultramarina, se enquadram no âmbito daquele blogue.
Paulo Jorge de Sousa Pinto é actualmente Doutorando na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, sendo também Mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. A sua área de actividade científica e domínio de especialização é a História da Expansão Portuguesa, História da Ásia do Sueste.
Aqui reitero publicamente o meu agradecimento ao autor pela disponibilidade e cortesia manifestadas, ao facultar a publicação no Carreira da Índia dos referidos textos.
Eleições 2009 – Blogue
Numa iniciativa do jornal Público e de um grupo de bloggers (a partir de uma ideia de Carlos Santos, José Gomes André e Nuno Gouveia), foi criado o blogue colectivo “Eleições 2009“, agregando mais de 40 participantes, com uma pluralidade de perspectivas políticas, visando acompanhar os 3 actos eleitorais a realizar no ano de 2009 em Portugal.
Esta cobertura das eleições é pioneira em Portugal. Associa num projecto de informação integrado, pela primeira vez, o trabalho de bloggers ao produto jornalístico para formar um todo coerente e fornecer aos leitores uma visão mais completa das eleições, assegurando a qualidade da informação e a diversidade de pontos de vista.
Reino Unido: Alunos da primária terão de ser fluentes em blogues, Twitter e podcasts
Os alunos das escolas primárias britânicas deverão dominar ferramentas baseadas na Web como blogues, podcasts, Twitter e Wikipedia, segundo planos de alterações ao programa hoje divulgados pelo jornal britânico “The Guardian”.
(via Público)
Mais aqui (BBC News). Também aqui (Público.es).



