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Exposição “Conteúdo e vestimenta: imagens de arquivos”

É inaugurada amanhã, dia 7, na Biblioteca Municipal de Albufeira, a exposição “Conteúdo e vestimenta: imagens de arquivos“, da autoria de Marta Nogueira (licenciada em História e arquivista), compreendendo a mostra de 35 fotografias sobre arquivos, integrando um projecto enquadrado na difusão do património documental, o qual visa, através da fotografia, sublinhar o potencial visual e estético dos arquivos enquanto conjuntos documentais.
A Imprensa periódica portuguesa na época da Restauração
O surgimento da Imprensa na Europa, no século XV, permitiu, como é por demais conhecido, uma rápida expansão dos conhecimentos e da cultura. Os seus efeitos foram profundos e duradouros, permitindo a difusão de obras de todo o tipo, que anteriormente teriam de ser copiadas á mão, e logo com um grau de difusão muito menor. Uma das consequências da invenção de Guttenberg foi o aparecimento por toda a Europa dos primeiros jornais. Considera-se como jornal uma edição impressa composta com o objectivo de difundir informações ou notícias, com uma certa periodicidade e continuidade, ou seja, algo que informa ou pretende informar regularmente, e não apenas um folheto ou manifesto isolado.
Em Portugal, o surgimento da imprensa periódica, ou seja, do primeiro jornal, está ligado á nossa história política. De facto, o primeiro jornal português surgiu num período muito particular da nossa História, a época das Guerras da Restauração, servindo a causa de D. João IV. É deste tema e da sua importância no contexto geral da retomada e fortalecimento da independência de Portugal neste período que iremos falar hoje.
O golpe executado em Lisboa a 1 de Dezembro de 1640, que abriu caminho á subida ao trono do Duque de Bragança, como D. João IV, foi apenas o primeiro passo do longo processo da Restauração, que só terminaria mais de 20 anos mais tarde com a assinatura da paz e o reconhecimento da independência de Portugal por parte de Espanha. Durante este tempo, foi empreendido um enorme esforço nacional, quer militar, político e económico, mas também no plano diplomático e cultural. Neste último caso, havia que legitimar a nova dinastia e o novo reino, no que se distinguiram diversos autores, como o Pe. António Vieira. Por outro lado, num estado de guerra, havia que informar o país dos sucessos militares que se alcançavam contra os espanhóis, manter esperanças e animar a população nos anos difíceis que se viviam.
Já anteriormente haviam surgido alguns simulacros de jornal. Durante o período filipino, tratou-se sobretudo de folhetos e manifestos contra o domínio castelhano, pelo que logo na década de 1620 a censura prévia aos folhetos impressos passou a ser cuidadosamente efectuada. Também por esta altura Manuel Severim de Faria imprime, numa proximidade evidente ao que chamamos hoje jornalismo, uma Relação Universal do que Sucedeu em Portugal e mais Províncias do Ocidente e Oriente, de que saíram dois números.
No entanto, o que mais propriamente chamamos o primeiro jornal português apenas surgiu na nova conjuntura da Restauração, destinado a relatar ao público a aclamação de D. João IV e a informar regularmente o público sobre os sucessos militares e outros acontecimentos, quer nacionais, quer estrangeiros. Era, assim, um instrumento de propaganda ao serviço da Restauração, e o primeiro número foi impresso em Lisboa logo em Novembro de 1641. Tinha como título completo Gazeta em que se Relatam as Novas Todas que Houve Nesta Corte e que Vieram de Várias Partes. Dava conta de várias notícias de carácter diverso, era mensal e resultou de alvará atribuído pelo rei a Manuel de Galhegos. As informações militares ocupavam lugar de destaque, como se pode comprovar neste exemplo:
“Pelejou a armada de Holanda com uma armada da Esquadra Real de Castela, em que vinham muitas fragatas de Dunquerque; durou a pendência mais de 24 horas. Foi-se a pique um galeão dos Castelhanos e ficaram alguns destroçados e todos com muita gente morta. O Holandês com algum dano se retirou a este porto, onde está aguardando que El Rei Nosso Senhor lhe dê socorro para sair outra vez a atemorizar os portos da Andaluzia”.
Porém, outras notícias vinham incluídas na Gazeta, meras referências de casos ocorridos e relatados nas ruas de Lisboa, alguns pequenos apontamentos mundanos, como este caso:
“O Conde da Castanheira, que estava preso numa torre de Setúbal, pediu a El Rei Nosso Senhor que lhe mudasse a prisão, porquanto estava indisposto; e El Rei Nosso Senhor, usando de sua natural benignidade o mandou trazer para o Castelo de Lisboa.”
Este foi, assim, o primeiro jornal português, ainda muito semelhante ás notícias dispersas que se imprimiam com grande intensidade por todo o país, dando informações sobre as Guerras em curso. Não era barato: cada número custava 6 réis, pelo que não conseguiu uma grande difusão. No entanto, a brevidade da vida da Gazeta não se ficou a dever a falta de leitores. Pelo contrário, foi o próprio poder político que, nesta época de grandes dificuldades, temia a divulgação de notícias que pudessem dar informações ao inimigo, pelo que passou a vigiar atentamente que o jornal quer outros folhetos informativos que circulavam no país. A Gazeta foi suspensa durante alguns meses, e acabou por publicar apenas notícias do estrangeiro. Em 1647 deixou definitivamente de se publicar.
Seria necessário esperar alguns anos para assistir ao surgimento do segundo jornal, já em 1663. Trata-se do Mercúrio Português, tomando o nome do que era, para os romanos, o deus mensageiro. Seguia, aliás, o exemplo de outros Mercúrios que se imprimiam por toda a Europa. O seu fundador foi António de Sousa Macedo, escritor e diplomata. Embora variando um pouco, quer em forma quer em conteúdo, da anterior Gazeta, o Mercúrio pretendia também informar o público acerca de diversos temas, destacando-se uma vez mais a Guerra da Restauração que ainda prosseguia. Podemos afirmar que era mais politizado do que a Gazeta, pois destinava-se principalmente a contrariar o enorme esforço de propaganda que os espanhóis promoviam na altura, denegrindo a imagem de Portugal na Europa e difundindo informações falsas sobre o conflito com os portugueses. Porém, este Mercúrio não durou mais do que alguns anos. Passado o período das Guerras da Restauração, não se registam sinais de interesse pelo reactivar da imprensa periódica. Assim, durante o resto do século XVII não se publicou mais nenhum jornal. Só em 1705 é que surgiu um novo, chamado também Gazeta. A partir de 1715 toma a designação de Gazeta de Lisboa, que existiu por muitos anos, tornando-se um jornal oficial.
Paulo Jorge de Sousa Pinto – texto de apoio a programas de rádio sob a designação ”Era uma vez… Portugal”, emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal
Era uma vez… Portugal
Em mais uma gentil oferta do historiador Paulo Jorge de Sousa Pinto, tenho o prazer de iniciar – a partir de hoje, no Carreira da Índia – a divulgação de uma série de textos que serviram de base a um conjunto de programas de rádio, emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, numa rubrica intitulada “Era uma vez… Portugal“.
Visando preservar a fidelidade face aos textos originais, optei pela sua publicação tal como me foram disponibilizados pelo autor, mantendo marcas de oralidade e não obstante se encontrarem em alguns casos “datados” (nomeadamente na referência a efemérides históricas).
Nesta oportunidade, os artigos seleccionados para publicação são os que, versando temáticas dos descobrimentos e expansão ultramarina, se enquadram no âmbito daquele blogue.
Paulo Jorge de Sousa Pinto é actualmente Doutorando na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, sendo também Mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. A sua área de actividade científica e domínio de especialização é a História da Expansão Portuguesa, História da Ásia do Sueste.
Aqui reitero publicamente o meu agradecimento ao autor pela disponibilidade e cortesia manifestadas, ao facultar a publicação no Carreira da Índia dos referidos textos.
Eleições 2009 – Blogue
Numa iniciativa do jornal Público e de um grupo de bloggers (a partir de uma ideia de Carlos Santos, José Gomes André e Nuno Gouveia), foi criado o blogue colectivo “Eleições 2009“, agregando mais de 40 participantes, com uma pluralidade de perspectivas políticas, visando acompanhar os 3 actos eleitorais a realizar no ano de 2009 em Portugal.
Esta cobertura das eleições é pioneira em Portugal. Associa num projecto de informação integrado, pela primeira vez, o trabalho de bloggers ao produto jornalístico para formar um todo coerente e fornecer aos leitores uma visão mais completa das eleições, assegurando a qualidade da informação e a diversidade de pontos de vista.
Reino Unido: Alunos da primária terão de ser fluentes em blogues, Twitter e podcasts
Os alunos das escolas primárias britânicas deverão dominar ferramentas baseadas na Web como blogues, podcasts, Twitter e Wikipedia, segundo planos de alterações ao programa hoje divulgados pelo jornal britânico “The Guardian”.
(via Público)
Mais aqui (BBC News). Também aqui (Público.es).
O que acontece aos arquivos dos jornais que acabam?
Os arquivos dos jornais que vão encerrando podem ser adquiridos por publicações concorrentes ou por bibliotecas, museus ou investidores independentes.
Alguns destes arquivos poderão ser também disponibilizados em formato digital, online: a Google lançou recentemente o programa News Archive Program, um plano para digitalizar e indexar o máximo de jornais históricos que for possível.
(com base em artigo da Slate, via JOUR M02 Writing and Reporting for the Media)
Semana Cultural do Irão

Numa organização do Instituto de Estudos Orientais (IEO) da Universidade Católica Portuguesa e da Embaixada do Irão tem hoje início a “Semana Cultural do Irão”, contando nomeadamente com os seguintes eventos:
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Palestra do embaixador do Irão, sob o lema “Iran 30 years after the Revolution”
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Exposição de Arte e Cultura persas
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Seminário com a participação de Halima Naimova (“Intermezzo Persa”), João Teles e Cunha (“A Pérsia Safávida aos olhos dos portugueses”) e Luís Filipe Thomaz (“Os Persas na Índia quinhentista”) – dia 21 de Março, pelas 15 horas
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Ciclo de cinema iraniano (a decorrer às segundas-feiras, com início a 16 de Março, prolongando-se até 25 de Maio)
Todas as sessões, a decorrer nas instalações da Universidade Católica, em Lisboa, são abertas ao público em geral.
Museu Virtual da RTP
Foi lançado hoje o “Museu Virtual” da Rádio e Televisão de Portugal, propondo uma visita virtual do seu espólio, mostrando objectos, sons e imagens que fizeram a história de rádio e televisão em Portugal. Um fantástico manancial de memórias, a descobrir!
20 anos de World Wide Web
http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/BJA3kHOCzGfPPYawZteb/mov/1
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O início da “web” e a diferença entre “web” e Internet, explicada pelo seu criador, Tim Berners-Lee






