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800 anos do mais antigo documento régio escrito em português
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A propósito dos 800 anos do mais antigo documento régio escrito em português (testamento de D. Afonso II), que hoje se comemoram, recupero um artigo aqui publicado em Junho de 2008:
É um costume reconhecido que, para que as coisas e os feitos se não percam no esquecimento, sejam confiados à fé das escrituras, porque tudo o que piedosamente for feito pelos bons, a não ser que seja passado a escrito, poderá vir a ser destruído pelos vindouros, quando não a cupidez os faça rebeldes às obras de caridade dos padres precedentes *



Memória do Português escrito
A escrita em português tem os seus antecedentes em textos latino-portugueses, prévios inclusivamente à própria fundação da nacionalidade, provenientes do mosteiro de São Cristóvão de Rio Tinto, datados de 1101 e 1125.
As manifestações iniciais do português escrito serão observáveis apenas a partir da segunda metade do século XII, constituindo-se porventura como textos mais antigos: a “Notícia de Fiadores de Paio Soares Romeu” (datado de 1175); e a “anotação de despesas de Pedro Parada” e o “Pacto entre Gomes Pais e Ramiro Pais” – estes não datados, mas presumivelmente escritos também em data aproximada.
Porém, esta classificação não está isenta de discórdia, em particular quanto ao atributo de “escritos em português” de certos textos, havendo quem advogue que o texto mais antigo que poderá merecer tal qualificativo dataria apenas de 1214 (“Notícia de Torto”) – opinião, ainda assim, não consensual, dado poder também considerar-se um documento “híbrido latino-português”.
Por outro lado, também o mais antigo documento régio escrito em português data de 1214, correspondendo ao testamento de D. Afonso II.
No período de 80 anos que decorre entre 1175 e 1255 (data dos mais antigos documentos em português produzidos na chancelaria do rei D. Afonso III), foram identificados cerca de 30 textos escritos em português – “produção primitiva”, constituída por documentos particulares, de carácter notarial –, levantando-se, também neste caso, alguma controvérsia, por um lado quanto ao qualificativo sobre a língua de escrita, por outro lado, quanto à (não) datação de alguns desses documentos.
Esses documentos correspondiam essencialmente a “notícias” (respeitando efectivamente a listas ou inventários), género diplomático que tinha por finalidade o registo de determinados factos, em ordem à preservação da sua memória.
Apenas o rei D. Dinis, a partir de 1279, determinaria o uso generalizado do português na chancelaria régia, de que decorreria um acréscimo relevante da produção documental em português no último decénio do século XIII, que só na centúria seguinte viria a assumir primazia face ao latim.
Não obstante, pode afirmar-se com elevado grau de certeza que, ainda antes do termo do século XII, o português escrito não era exclusivo da produção notarial, sendo já utilizado também a nível literário (arte poética dos trovadores, em folhas soltas, depois reunidas em cancioneiros), a qual se alargaria à prosa a partir de meados do século XIII, surgindo D. Afonso III como introdutor em Portugal do romance de cavalaria.
Numa época em que o digital ganha terreno ao texto impresso em papel, ainda uma pequena curiosidade a propósito do mais antigo texto conhecido escrito em papel em Portugal, datado de 1268, conforme documento em arquivo na Torre do Tombo, em Lisboa.
(Para saber mais, pode consultar o texto de base bibliográfica a este artigo: “O primeiro século do português escrito“, Ana Maria Martins)
* Soeiro, presbítero, Alcobaça, 1190 – Instituto dos Arquivos Nacionais – Torre do Tombo – Mosteiro de Alcobaça, 1ª incorp., Documentos Particulares, M.º 2, Doc. 12 – citado por Saul António Gomes, “Entre memória e história: os primeiros tempos da Abadia de Santa Maria de Alcobaça (1152-1215)”
Eleições para o Parlamento Europeu – Resultados provisórios
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Resultados faltando apurar as votações de 7 (dos 71) consulados de Portugal no estrangeiro
Os 4 mandatos que subsistiam por atribuir definitivamente serão para PS, PPD/PSD-CDS-PP, PCP-PEV e MPT (um cada).
Deputados eleitos para o Parlamento Europeu
Tendo por base os resultados já apurados, deverão ser os seguintes os deputados portugueses eleitos ao Parlamento Europeu:
Partido Socialista (8)
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Francisco José Pereira de Assis Miranda
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Maria João Fernandes Rodrigues
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José Carlos das Dores Zorrinho
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Elisa Maria da Costa Guimarães Ferreira
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Ricardo da Piedade Abreu Serrão Santos
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Ana Maria Rosa Martins Gomes
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Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira
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Liliana Maria Gonçalves Rodrigues de Góis
Aliança Portugal (7)
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Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel
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Fernando de Carvalho Ruas
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Sofia Heleno Santos Roque Ribeiro
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João Nuno Lacerda Teixeira de Melo
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Carlos Miguel Maximiano de Almeida Coelho
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Cláudia Sofia Gomes Monteiro de Aguiar
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José Manuel Ferreira Fernandes
Coligação Democrática Unitária (3)
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João Manuel Peixoto Ferreira
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Inês Cristina Quintas Zuber
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Miguel Lopes Batista Viegas
Partido da Terra (2)
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António de Sousa Marinho e Pinto
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José Inácio da Silva Ramos Antunes de Faria
Bloco de Esquerda (1)
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Marisa Isabel dos Santos Matias
Vasco Graça Moura (1942-2014)

Partiu hoje o poeta, o tradutor, o ensaísta, o cronista, um dos idealizadores (com Mega Ferreira) da “EXPO 98”, o político – que, há cinco anos, tive oportunidade de conhecer pessoalmente -, o intelectual que, lutando pelas suas convicções, defendeu, até ao fim, a língua portuguesa. A minha admiração por isso.
Maria Manuel Mota – “Prémio Pessoa” 2013
Maria Manuel Mota, cientista de 42 anos, investigadora do Instituto de Medicina Molecular, foi hoje distinguida com o “Prémio Pessoa”, no valor de 60 mil euros, nomeadamente pela sua investigação e estudo da malária.
Nas edições anteriores do “Prémio Pessoa”, foram premiados:
2012 – Richard Zenith (investigador, escritor e tradutor)
2011 – Eduardo Lourenço (ensaísta e filósofo)
2010 – Maria do Carmo Fonseca (cientista)
2009 – D. Manuel Clemente (bispo)
2008 – Carrilho da Graça (arquitecto)
2007 – Irene Pimentel (historiadora e investigadora)
2006 – António Câmara (professor catedrático, empresário e investigador)
2005 – Luís Miguel Cintra (actor e encenador)
2004 – Mário Cláudio (escritor)
2003 – José Gomes Canotilho (constitucionalista)
2002 – Manuel Sobrinho Simões (investigador)
2001 – João Bénard da Costa (crítico e historiador de cinema)
2000 – Emmanuel Nunes (compositor)
1999 – Manuel Alegre (poeta) e José Manuel Rodrigues (fotógrafo)
1998 – Eduardo Souto de Moura (arquitecto)
1997 – José Cardoso Pires (escritor)
1996 – João Lobo Antunes (neurocirurgião)
1995 – Vasco Graça Moura (ensaísta)
1994 – Herberto Hélder (poeta)
1993 – Fernando Gil (filósofo)
1992 – Hannah e António Damásio (neurocientistas)
1991 – Cláudio Torres (arqueólogo)
1990 – Menez (pintora)
1989 – Maria João Pires (pianista)
1988 – António Ramos Rosa (poeta)
1987 – José Mattoso (historiador)




























