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Prémio Nobel da Literatura – 2014
O prémio Nobel da Literatura 2014 foi hoje atribuído ao escritor francês Patrick Modiano, pela «arte da memória que utilizou para evocar os destinos humanos mais inalcançáveis e para revelar o universo da ocupação».
Modiano, nascido em 1945, é filho de um italiano judeu, sendo a ocupação nazi o tema do seu primeiro livro: La Place de l’Étoile, publicado em 1968.
Encontram-se publicadas em Portugal as seguintes obras de Modiano:
– A Rua das Lojas Escuras (1978) – Relógio d’Água (1987)
– Domingos de Agosto (1986) – Dom Quixote (1988)
– Um Circo que Passa (1992) – Dom Quixote (1994)
– Dora Bruder (1997) – Edições ASA (1998)
– No Café da Juventude Perdida (2007) – Edições ASA (2009)
– O Horizonte (2010) – Porto Editora (2011).
Prémio Nobel da Química – 2014
O prémio Nobel da Química 2014 foi hoje atribuído aos investigadores Eric Betzig (EUA), Stefan W. Hell (Alemanha) e William E. Moerner (EUA), pelo «desenvolvimento da microscopia de super-resolução por fluorescência».
Prémio Nobel da Física – 2014
O prémio Nobel da Física 2014 foi hoje atribuído aos investigadores japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura, pela invenção de lâmpadas LED (blue light-emitting diodes) eficientes, possibilitando uma fonte de luz com economia de energia.
Prémio Nobel da Medicina – 2014
O prémio Nobel da Medicina 2014 foi hoje atribuído aos investigadores John O’Keefe (EUA) e a May-Britt Moser e Edvard I. Moser (Noruega), pela sua investigação de «células que constituem um sistema de posicionamento no cérebro».
«Comunicado do Banco de Portugal sobre a aplicação de medida de resolução ao Banco Espírito Santo, S.A.»
Comunicado do Banco de Portugal sobre a aplicação de medida de resolução ao Banco Espírito Santo, S.A.
O Conselho de Administração do Banco de Portugal deliberou aplicar ao Banco Espírito Santo, S.A. uma medida de resolução. A generalidade da atividade e do património do Banco Espírito Santo, S.A. é transferida, de forma imediata e definitiva, para o Novo Banco, devidamente capitalizado e expurgado de ativos problemáticos. Os depósitos são plenamente preservados, bem como todas as obrigações não subordinadas.
Nada muda para os clientes. Os clientes podem realizar todas as operações como habitualmente e sem perturbações. O conteúdo das relações contratuais com os clientes permanece inalterado. Os balcões do Novo Banco, que manterão para já a marca e o logotipo do BES, e os serviços de banca telefónica e de homebanking continuarão a funcionar regularmente. Todos os colaboradores do BES passam a ser colaboradores do Novo Banco, com salvaguarda dos seus direitos.
Em consonância com o normativo comunitário, a capitalização do Novo Banco é assegurada pelo Fundo de Resolução, suportado pelo setor financeiro e as perdas relacionadas com os ativos problemáticos serão suportadas pelos acionistas e credores subordinados do Banco Espírito Santo, S.A.. Tal significa que esta operação não envolve custos para o erário público.
Esta medida garante a continuidade da atividade da instituição e é a que melhor protege os depositantes e demais clientes da instituição e a estabilidade financeira.
800 anos do mais antigo documento régio escrito em português
(via)
A propósito dos 800 anos do mais antigo documento régio escrito em português (testamento de D. Afonso II), que hoje se comemoram, recupero um artigo aqui publicado em Junho de 2008:
É um costume reconhecido que, para que as coisas e os feitos se não percam no esquecimento, sejam confiados à fé das escrituras, porque tudo o que piedosamente for feito pelos bons, a não ser que seja passado a escrito, poderá vir a ser destruído pelos vindouros, quando não a cupidez os faça rebeldes às obras de caridade dos padres precedentes *



Memória do Português escrito
A escrita em português tem os seus antecedentes em textos latino-portugueses, prévios inclusivamente à própria fundação da nacionalidade, provenientes do mosteiro de São Cristóvão de Rio Tinto, datados de 1101 e 1125.
As manifestações iniciais do português escrito serão observáveis apenas a partir da segunda metade do século XII, constituindo-se porventura como textos mais antigos: a “Notícia de Fiadores de Paio Soares Romeu” (datado de 1175); e a “anotação de despesas de Pedro Parada” e o “Pacto entre Gomes Pais e Ramiro Pais” – estes não datados, mas presumivelmente escritos também em data aproximada.
Porém, esta classificação não está isenta de discórdia, em particular quanto ao atributo de “escritos em português” de certos textos, havendo quem advogue que o texto mais antigo que poderá merecer tal qualificativo dataria apenas de 1214 (“Notícia de Torto”) – opinião, ainda assim, não consensual, dado poder também considerar-se um documento “híbrido latino-português”.
Por outro lado, também o mais antigo documento régio escrito em português data de 1214, correspondendo ao testamento de D. Afonso II.
No período de 80 anos que decorre entre 1175 e 1255 (data dos mais antigos documentos em português produzidos na chancelaria do rei D. Afonso III), foram identificados cerca de 30 textos escritos em português – “produção primitiva”, constituída por documentos particulares, de carácter notarial –, levantando-se, também neste caso, alguma controvérsia, por um lado quanto ao qualificativo sobre a língua de escrita, por outro lado, quanto à (não) datação de alguns desses documentos.
Esses documentos correspondiam essencialmente a “notícias” (respeitando efectivamente a listas ou inventários), género diplomático que tinha por finalidade o registo de determinados factos, em ordem à preservação da sua memória.
Apenas o rei D. Dinis, a partir de 1279, determinaria o uso generalizado do português na chancelaria régia, de que decorreria um acréscimo relevante da produção documental em português no último decénio do século XIII, que só na centúria seguinte viria a assumir primazia face ao latim.
Não obstante, pode afirmar-se com elevado grau de certeza que, ainda antes do termo do século XII, o português escrito não era exclusivo da produção notarial, sendo já utilizado também a nível literário (arte poética dos trovadores, em folhas soltas, depois reunidas em cancioneiros), a qual se alargaria à prosa a partir de meados do século XIII, surgindo D. Afonso III como introdutor em Portugal do romance de cavalaria.
Numa época em que o digital ganha terreno ao texto impresso em papel, ainda uma pequena curiosidade a propósito do mais antigo texto conhecido escrito em papel em Portugal, datado de 1268, conforme documento em arquivo na Torre do Tombo, em Lisboa.
(Para saber mais, pode consultar o texto de base bibliográfica a este artigo: “O primeiro século do português escrito“, Ana Maria Martins)
* Soeiro, presbítero, Alcobaça, 1190 – Instituto dos Arquivos Nacionais – Torre do Tombo – Mosteiro de Alcobaça, 1ª incorp., Documentos Particulares, M.º 2, Doc. 12 – citado por Saul António Gomes, “Entre memória e história: os primeiros tempos da Abadia de Santa Maria de Alcobaça (1152-1215)”








