Posts filed under ‘Sociedade’
DESENVOLVIMENTO HUMANO (V)
A construção de uma sociedade mais justa exige a compreensão da importância das liberdades em geral, incluindo a liberdade cultural. É fundamental derrubar as barreiras da discriminação baseada na identidade cultural (étnica, religiosa ou linguística), reconhecendo as diferenças culturais, promovendo a participação harmoniosa dos diversos grupos culturais no processo de desenvolvimento.
Mas, a ideia fundamental é a de que nada mudará apenas com palavras… São necessárias acções concretas!
Os países ricos têm de apoiar os mais pobres; têm a palavra: George W. Bush (EUA), Tony Blair (Reino Unido), Jacques Chirac (França), Gerhard Schroder (Alemanha), Vladimir Putin (Rússia), Silvio Berlusconi (Itália), Junichiro Koizumi (Japão) e Paul Martin (Canadá).
O perdão da dívida internacional desses Estados é um primeiro passo.
Porém, o passo decisivo tem de partir dos próprios países que necessitam de apoio; é imperioso que adoptem novas práticas de governação, em que a corrupção não poderá ter lugar.
O TERROR VOLTA A ATACAR
Hoje, em Londres, no Metro – falando-se de 6 explosões -, ainda com um número indeterminado de vítimas.
Há quem pretenda desviar as prioridades para além da luta contra a pobreza no mundo e das questões ambientais…
P. S. Actualizando a informação: estão confirmados 4 atentados, três no Metro e um num autocarro, estimando-se cerca de 50 vítimas mortais de mais uma barbárie.
[2440]
DESENVOLVIMENTO HUMANO (IV)
Um pouco na linha da teoria de Max Weber de 1930 (sobre o papel decisivo da ética protestante no desenvolvimento com sucesso de um sistema capitalista industrial), escreveu Samuel Huntington no livro que publicou com Lawrence Harrison, “Culture Matters”, que, no início da década de 60 do século XX, os dados económicos do Ghana e da Coreia do Sul apresentavam uma similitude espantosa; menos de 30 anos depois, a Coreia do Sul tinha-se tornado num “gigante industrial”, com uma economia entre as 15 mais poderosas do mundo, empresas multinacionais, exportação de automóveis e equipamento electrónico.
Por seu lado, o Ghana passara a ter um PIB per capita correspondente a apenas 1/15 do dos sul-coreanos.
Como pode ser explicada esta extraordinária diferença de desenvolvimento?
Entre muitos factores, a cultura assume possivelmente um papel relevante, particularmente a forma como os coreanos valorizam o investimento, empenho no trabalho, educação, organização e disciplina.
DESENVOLVIMENTO HUMANO (III)
De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2004 das Nações Unidas, os países sofrendo de piores condições em termos de desenvolvimento humano são da:
– África Sub-Sahariana (21 países – Serra Leoa, Níger, Burkina Faso, Mali, Burundi, Guiné-Bissau, Moçambique, Etiópia, República Centro Africana, R. D. Congo, Chade, Angola, Malawi, Zâmbia, Costa do Marfim, Tanzânia, Benin, Guiné-Conacry, Ruanda, Senegal e Eritreia);
– a par de 3 Estados Árabes (Djibouti, Iémen e Sudão);
– 1 da Ásia Oriental e Pacífico (Timor-Leste);
– 1 do Sul da Ásia (Paquistão); e
– 1 da América Latina (Haiti);
integrando portanto 4 países de expressão oficial portuguesa.
Para além da situação destes 27 países – que deverá constituir uma prioridade mundial absoluta – há outros 27 em situação bastante precária: mais 17 da África Sub-Sahariana, 3 da Europa de Leste e ex-URSS (Tajiquistão, Moldávia e Quirguizistão), 3 Estados Árabes (Marrocos, Egipto e Argélia), 2 da Ásia Oriental e Pacífico (Laos e Papua-Nova Guiné), 1 do Sul da Ásia (Nepal) e 1 da América Latina (Guatemala).
Estes países necessitam urgentemente na nossa (também da sua!…) atenção.
DESENVOLVIMENTO HUMANO (II)
Todos temos (ou devemos ter) consciência dos problemas – por mais que possam parecer mitigados por afectarem sobretudo locais mais ou menos “remotos” ou, numa perspectiva mais egoísta, apesar de estarmos muito “concentrados” nos nossos próprios problemas.
A luta pela eliminação ou (pelo menos) minoração da pobreza no mundo é um processo de longa duração, que envolve centenas de milhões de pessoas.
Os líderes mundiais, reunidos na Organização das Nações Unidas, na “Cimeira do Milénio”, em Setembro de 2000, assumiram o compromisso de desenvolver os seus melhores esforços, estabelecendo como meta para o século XXI a erradicação da pobreza, a promoção da dignidade humana, alcançar a sustentabilidade na paz, democracia e questões ambientais, com objectivos concretos e calendarizados, no que respeita particularmente a:
(i) erradicação da pobreza extrema e subnutrição (redução a metade até 2015 e erradicação completa – “pobreza zero” – até 2025; infelizmente, para já, o ritmo de cumprimento destes objectivos está aquém das metas traçadas);
(ii) garantir instrução básica universal;
(iii) promoção da igualdade sexual a nível de educação e emprego;
(iv) minimizar a taxa de mortalidade infantil;
(v) melhorar a saúde das mulheres em situação pré-natal;
(vi) combate da SIDA, malária e outras doenças epidémicas;
(vii) assegurar sustentabilidade ambiental;
(viii) desenvolver parcerias globais para o desenvolvimento.
DESENVOLVIMENTO HUMANO (I)
As pessoas são a verdadeira riqueza das nações; o objectivo essencial do desenvolvimento é o alargar das “liberdades humanas”, consubstanciado no conceito de “bem-estar”. Por outro lado, numa sociedade justa, o progresso deveria beneficiar todos os indivíduos de forma equitativa.
A nível mundial, o progresso em termos de desenvolvimento humano atingiu um grau sem precedente; entre 1960 e 2000, a esperança média de vida nos países em desenvolvimento passou de 46 para 63 anos; em 1975, cerca de metade dos adultos não sabia ler; em 2000, a taxa de iliteracia reduziu-se a metade; o rendimento per capita mais que duplicou em termos reais (de 2 000 para 4 200 dólares/ano).
Não obstante, subsistem massivas privações humanas: mais de 800 milhões de pessoas subnutridas; cerca de 100 milhões de crianças não frequentam a escola; mais de 1 bilião de pessoas (1/6 do total) sobrevive com menos de 1 dólar por dia!
Existem ainda cerca de 1,8 biliões de pessoas vivendo em países em que os regimes políticos não garantem as liberdades democrática, política e civil. Cerca de 900 milhões de pessoas integram grupos que sofrem ainda de discriminação étnica, religiosa, racial ou linguística.
[2430]
PATRIMÓNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE (V)
– Vinhas do Alto-Douro (2001) – O Alto Douro produz vinho desde há cerca de 2 000 anos e a sua principal produção, o vinho do Porto, é célebre em todo o mundo desde o século XVIII. Esta longa tradição produziu uma paisagem cultural de beleza excepcional, reflectindo simultaneamente a sua evolução técnica, social e económica. Esta impressionante paisagem cultural continua a ser bem sucedidamente explorada por proprietários respeitadores da tradição.
– Centro histórico de Angra do Heroísmo (1983) – Esta cidade, situada numa das ilhas do arquipélago dos Açores foi um porto de escala obrigatória desde o século XV até ao surgimento dos barcos a vapor, no século XIX. As suas imponentes fortificações de S. Sebastião e S. João Baptista, erigidas há cerca de 400 anos, constituem um exemplo único de arquitectura militar.
– Região vinícola da Ilha do Pico (2004) – Localizada na ilha vulcânica do Pico, segunda do arquipélago dos Açores em dimensão, consiste numa notável rede de longos muros de pedra largamente espaçados, correndo paralelamente à costa e subindo para o interior da ilha. Estes muros foram erigidos para proteger do vento e da água do mar os milhares de pequenos campos rectangulares, entrelaçados uns nos outros. A presença desta vinicultura, cujas origens remontam ao século XV manifesta-se neste extraordinário conjunto de pequenos campos, com as casas e residências do início do século XIX, tal como as caves, as igrejas e os portos. Esta paisagem modelada pelo homem, de uma beleza extraordinária, é o melhor testemunho que subsiste de uma prática outrora mais alargada.
– Floresta laurissilva da Madeira (1999) – A floresta laurissilva da Madeira é um vestígio excepcional de um tipo de floresta outrora bastante difundida. É a maior floresta de loureiros que subsiste. Primária a 90 %, compreende um conjunto único de plantas e de animais, entre os quais diversas espécies endémicas, tal como o pombo trocaz da Madeira.
P. S. Parabéns ao Evaristo, por 2 anos de Abrangente.
PATRIMÓNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE (IV)
– Centro histórico de Évora (1986) – Esta cidade-museu que remonta à época romana atingiu a sua época de ouro no século XV, quando se tornou a residência dos Reis de Portugal. O seu carácter singular provém das casas caiadas de branco e decoradas de azulejos e varandas de ferro forjado, datadas dos séculos XVI a XVIII. Estes monumentos teriam uma influência decisiva na arquitectura portuguesa no Brasil.
– Centro histórico do Porto (1996) – Na embocadura do Douro, a cidade do Porto, espraiando-se sobre as colinas que dominam o rio, forma uma paisagem urbana excepcional, testemunha de uma história milenar. O seu crescimento contínuo, ligado à actividade marítima, repousa na profusão de monumentos que se acotovelam, da Catedral de coro romano à Bolsa neoclássica, passando pela Igreja de Santa Clara, de estilo manuelino, típico de Portugal.
– Centro histórico de Guimarães (2001) – A cidade histórica de Guimarães está associada à formação da identidade nacional portuguesa no século XII. Exemplo extremamente bem preservado e genuíno da transformação de uma cidade medieval em cidade moderna, conservou uma rica tipologia de edifícios que testemunha a evolução específica portuguesa, do século XV ao século XIX, continuando a empregar materiais e técnicas de construção tradicionais.
PATRIMÓNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE (III)
– Mosteiro de Alcobaça (1989) – A abadia de Santa Maria de Alcobaça foi fundada no século XII pelo rei D. Afonso Henriques. Pela magnitude das suas dimensões, a claridade arquitectural, a beleza do material e o cuidado na sua execução, é uma obra-prima da arte gótica cisterciense. No interior destaca-se a grandiosidade da nave central, os túmulos de D. Pedro e D. Inês, o Claustro de D. Dinis, a casa do Capítulo, a Cozinha dos Monges e o Dormitório.
– Paisagem cultural de Sintra (1995) – Sintra tornou-se, no século XIX, o principal local de arquitectura romântica europeia. D. Fernando II (marido da Rainha D. Maria II) transformou as ruínas de um mosteiro num castelo em que a nova sensibilidade se expressou pela utilização de elementos góticos, egípcios, mouros e da Renascença, a par da criação de um parque mesclando aromas locais e exóticos. Outras residências de prestígio foram construídas no mesmo modelo na Serra~, fazendo deste local um conjunto único de parques e jardins que influenciou diversas paisagens da Europa. Destacam-se o Parque e Palácio de Monserrate e o Parque e Castelo da Pena.
– Gravuras de arte rupestre pré-histórica do Vale do Côa (1998) – Uma excepcional concentração de gravuras rupestres do Paleolítico superior (de 22 000 a 10 000 A.C.), única no mundo a tal escala, constitui um dos mais notáveis exemplos das primeiras manifestações de criação artística da humanidade.
PATRIMÓNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE (II)
Conforme ontem referi, são 13 os pontos classificados pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade em Portugal, os quais “visitarei” até final da semana (indicando o ano em que foi atribuída essa distinção):
– Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, Lisboa (1983) – À entrada do porto de Lisboa, o Mosteiro dos Jerónimos, cuja construção se iniciou em 1502, testemunha a arte portuguesa no seu apogeu. Bem próxima, a elegante Torre de Belém, construída para comemorar a expedição de Vasco da Gama, recorda as grandes descobertas marítimas que lançaram os fundamentos do mundo moderno.
– Mosteiro da Batalha (1983) – Edificado para comemorar a vitória dos portugueses sobre os castelhanos na batalha de Aljubarrota em 1385, o mosteiro dominicano da Batalha foi, durante dois séculos, a grande obra da monarquia portuguesa, onde se desenvolveu um original estilo gótico nacional, profundamente influenciado pela arte manuelina, como revela o claustro real, verdadeira obra-prima.
– Convento de Cristo, em Tomar (1983) – Concebido na origem para celebrar a Reconquista, o Convento dos Templários de Tomar, tornado em 1334 na sede da Ordem dos Cavaleiros de Cristo, transformou-se na época manuelina no símbolo inverso, o da abertura de Portugal a outras civilizações. A sua “Janela do Capítulo” é mundialmente conhecida.



