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Novo ciclo
Para que serve um blogue se “não podemos” nele escrever o que pretenderíamos?
Serve para dizer que se encerra hoje um ciclo, e, já amanhã, se abre um novo ciclo. Mas, o mais importante, sempre de “mão dada” contigo…
O meu avô
O meu avô foi a pessoa mais tenaz, mais persistente, mais dedicada à causa do trabalho (trabalho árduo, duro, de “sol a sol”, no campo) que conheci na vida.
Quando penso quanto nos queixamos das dificuldades no trabalho, da pressão, do stress (e de até que ponto isso nos pode fazer mal), não posso deixar de recordar as agruras da sua vida (as maiores das quais decerto não conheci!), o quão pouco aproveitou da vida, cuja maior realização e orgulho foram as filhas e os netos (eu, o mais velho, era o preferido, mas, pelo menos, conseguiu satisfazer a “ambição” de rever o neto que, vivendo “tão longe”, em França, há mais tempo não via); infelizmente, não conseguiu resistir o tempo necessário para conhecer a bisneta, nascida pouco mais de um mês depois de ter partido.
Uma força de vontade imensa, um espírito de antes quebrar que torcer, não medindo nunca esforços nem sacrifícios, continuando activo, trabalhando nas suas terras, por orgulho próprio, até para além dos 90 anos!…
Nasceu, faz hoje 100 anos.
O pulsar do campeonato – 10ª jornada

(“O Templário”, 15.11.2012)
Uma outra forma de expressão do equilíbrio patente entre as várias equipas que, na presente temporada, disputam o principal campeonato da Associação de Futebol de Santarém é a incerteza sobre a tendência do desfecho do resultado até aos derradeiros minutos, ou, mesmo, até já em período de compensação.
Tal ficou bem evidenciado na jornada do passado fim-de-semana, a 10.ª, penúltima da primeira volta, em que – em quatro das seis partidas – houve alteração dessa tendência mesmo no termo dos encontros, tendo sido obtidos golos determinantes para a fixação do resultado.
O que sucedeu com a máxima extensão no caso do U. Tomar – Riachense, tendo sido necessário “esperar” – até ao 8.º (!) dos 6 minutos de tempo de compensação que haviam sido determinados pelo árbitro – pelo que viria a ser o tento do triunfo da turma de Riachos, assim desfazendo a igualdade a um golo até então registada, depois de o União ter começado por inaugurar o marcador, também a findar o primeiro tempo.
Mas, igualmente, no Benavente – Mação (com a equipa da casa a conseguir o ponto da igualdade, próximo do final, por via de grande penalidade); o mesmo acontecendo no Amiense – Pontével (neste caso, com o grupo de Amiais de Baixo a obter o solitário golo que lhe conferiu a vitória, também na conversão de grande penalidade, a concluir o jogo); e, ainda, no Coruchense – Glória do Ribatejo (em que a formação da Glória viu escapar o triunfo também já na fase derradeira do encontro).
A acrescer a estas situações de incerteza no marcador praticamente até ao expirar do tempo de jogo, noutra partida, entre U. Abrantina e At. Ouriense, o equilíbrio foi tal que o marcador foi continuamente sendo alterado, com sucessivas cambiantes de tendência: marcou primeiro o conjunto abrantino; responderam com dois golos, invertendo o marcador a seu favor, os oureenses; voltou a empatar a equipa da casa; para, finalmente, os forasteiros virem a confirmar a vitória, por 3-2.
Como qualquer “regra” tem sempre, necessariamente, a sua excepção, ela veio, nesta jornada, de Fazendas de Almeirim, onde o Fazendense goleou, por 5-0, o Moçarriense (que tantas dificuldades provocara ao líder, em Mação, na ronda anterior…).
Isto dito, o que traduz a tabela classificativa?
Assiste-se a um dilatar do fosso do grupo dos quatro primeiros (ainda muito iguais entre si, formando dois pares: Riachense e Mação, partilhando agora o comando; At. Ouriense e Amiense a apenas um ponto) face aos restantes, sendo agora já de 5 pontos a margem pontual entre o 4.º e o 5.º classificado (U. Abrantina).
Na “zona de fronteira” que delimitará os 6 primeiros, a equipa abrantina (confirmando uma tendência de queda) surge agora já praticamente equiparada com o Benavente (que, não obstante o resultado positivo, face ao anterior líder isolado, aumenta a sua série de jogos sem vitória para cinco, à semelhança aliás da formação de Abrantes) e com o Fazendense, este em franca ascensão.
Na segunda metade da tabela, o trio formado por Coruchense, U. Tomar e Pontével viu aumentar a distância para o 6.º lugar, que começa a parecer ir ficando cada vez mais “inacessível”, distando agora já 5 pontos. Glória do Ribatejo e Moçarriense, ainda mais abaixo, continuam a ocupar as últimas posições.
À medida que a prova vai avançando – e não obstante faltar ainda muito campeonato (não esquecer que haverá uma 2.ª fase!) – algumas posições parecem ir-se consolidando: a disputa do 1.º lugar surge agora reduzida a quatro concorrentes; Fazendense e Benavente perfilam-se como favoritos a ocupar as duas restantes vagas na primeira metade da classificação; a U. Abrantina, em quebra, depois do excelente arranque de campeonato, será potencialmente uma das seis equipas que deverá ter de vir a jogar para procurar evitar a despromoção.
A próxima jornada, última da primeira volta, poderá (ou não?) confirmar estas tendências, com as equipas teoricamente mais poderosas a defrontarem as de mais limitados recursos, surgindo portanto com algum favoritismo o Benavente (com deslocação difícil, à Moçarria), Mação (recebendo os vizinhos de Abrantes), At. Ouriense (adversário do U. Tomar), Riachense (visitado pelo Coruchense) e Amiense (que se desloca à Glória do Ribatejo). Mas, sabemos todos, quantas vezes o futebol ignora a lógica?
A concluir, sobre as aspirações que o União de Tomar terá de continuar a manter, teria sido muito importante a nível anímico – porventura até mais do que em termos “aritméticos” – não ter perdido o jogo com o Riachense. O desempenho atingido ao longo da partida e a forma e circunstância como tal desfecho acabou por ocorrer não deixarão de constituir um incentivo para que a equipa continue a lutar até ao fim, mesmo sabendo que, no imediato, terá mais dois encontros de alto grau de dificuldade, em Ourém e em Mação. Mas, quaisquer ponto(s) que possa(m) ser somado(s) serão sempre positivo(s).
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 15 de Novembro de 2012)
Análise sobre a evolução do Campeonato Distrital – Divisão Principal

(“O Templário”, 08.11.2012 – clicar na imagem para ampliar)
A extrema dificuldade que o 1.º classificado (Mação) teve em levar de vencida o último (Moçarriense – que, na ronda anterior, derrotara o At. Ouriense, outra das equipas do topo da tabela classificativa), vencendo pela renhida margem de 4-3, atesta a competitividade e grande equilíbrio de forças entre praticamente todos os participantes nesta Divisão Principal do Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Santarém, que, curiosamente, o actual desnível pontual entre as várias equipas concorrentes não ilustra.
No que respeita ao União de Tomar, dois triunfos consecutivos, 8 golos marcados em duas partidas, podem traduzir o reencontrar do caminho da serenidade – colocando fim a uma série de cinco resultados desfavoráveis –, dando novo e reforçado ânimo para uma boa continuidade da prova, ainda nesta sua 1ª fase.
Outro desfecho talvez não totalmente esperado foi o do desaire do Amiense – que tinha em curso uma série de três vitórias consecutivas –, em Fazendas de Almeirim (2-1, para a equipa da casa, que vai “fazendo o seu caminho”, recuperando de uma má fase inicial), com a formação de Amiais de Baixo, para já, a atrasar-se ligeiramente em relação ao líder.
Uma boa operação fez o Pontével, que depois do 0-4 em Tomar, obteve, numa única semana, as suas duas primeiras vitórias na prova, primeiro, no feriado de dia 1, recebendo, em jogo em atraso da 1.ª jornada, o Glória do Ribatejo, e, no domingo, vencendo, também em casa, o Coruchense (1-0), equipa que averbou a terceira derrota consecutiva.
Depois de um excelente arranque, em quebra parece estar também a formação da U. Abrantina, sem vencer há quatro partidas, não obstante tivesse defrontado nesta ronda um adversário de respeito, porventura o mais sério candidato ao título, a formação do Riachense, vencedora por clara margem, de 3-0.
Também o Benavente, derrotado por 1-3 em Ourém, ante o At. Ouriense, somou igualmente o quarto jogo consecutivo sem vencer.
Na classificação geral, não obstante o desnível pontual, começa a verificar-se uma aproximação a nível da linha de fronteira entre os seis primeiros e os restantes. O Mação continua isolado no comando, mas sob a cerrada mira do Riachense, logo seguidos por Amiense e At. Ouriense, subsistindo ainda alguma indefinição sobre as reais aspirações destas equipas, e, em particular, sobre quais delas virão efectivamente a disputar até final o título e consequente promoção ao novo Campeonato Nacional da Federação Portuguesa de Futebol, da próxima temporada.
Daí para baixo, ninguém estará ainda seguro de obter o desejado lugar na primeira metade da tabela classificativa. De facto, dada a fórmula de disputa da competição, esta 1.ª fase tem essencialmente dois objectivos paralelos: o de procurar alcançar um lugar nos 6 primeiros – assim garantindo, automaticamente, a manutenção –, ao mesmo tempo que se busca somar o máximo de pontos para a 2.ª fase, sabendo-se que os pontos agora angariados apenas contarão em metade para essa etapa complementar da prova).
Assim sendo, na parte nevrálgica da classificação, na tal zona onde poderá vir a definir-se essa fronteira, a U. Abrantina garantiu já, até ao momento, 8 pontos para a 2.ª fase, face a 7 do Benavente, 6 do Fazendense, e 5 do União de Tomar e do Pontével. Portanto, apesar de nos aproximarmos do final da primeira volta, tudo está ainda por jogar…
Numa comparação face à época anterior, também à nona jornada, o Mação mantém a posição de melhor classificado (embora, na temporada passada, então atrás das equipas que viriam a ser promovidas à III Divisão Nacional, Alcanenense e Torres Novas), somando agora mais dois pontos; o Amiense apresenta melhoria relevante (mais 6 pontos); o At. Ouriense, numa demonstração de regularidade e consistência, tem exactamente o mesmo número de pontos e ocupa igualmente o mesmo lugar na tabela (4.º); o Benavente tem agora mais um ponto, mas recuou uma posição (de 5.º para 6.º); também o Fazendense soma mais um ponto este ano; ao invés, o União de Tomar regista menos um ponto, baixando de 7.º para 8.º lugar; assim como, por fim, o Moçarriense, que caiu de penúltimo para último classificado, somando igualmente menos um ponto que na prova transacta.
Nas próximas jornadas, o União volta a enfrentar um ciclo de grande dificuldade, com uma sucessão de três jogos, precisamente com três das equipas da frente da classificação (recepção ao Riachense, deslocação a Ourém no fecho da primeira volta, e nova saída, até Mação, no início da segunda volta), nos quais – fundamentalmente em termos anímicos – será importante ir pontuando, para, logo de seguida, enfrentar período decisivo, frente a adversários mais do “seu campeonato”. Apesar das dificuldades que espreitam no caminho, a esperança continua bem viva na recuperação, tendo em mira algumas equipas actualmente posicionadas mais acima na tabela classificativa, mas que, possivelmente, por falta de alternativas válidas a nível de plantel, poderão vir a quebrar de rendimento em fase mais adiantada da competição.
Isto num ano em que é antecipável que possam vir a ser cinco as equipas a ser despromovidas à Divisão Secundária, uma vez que, nesta fase – não obstante ainda inicial – do Campeonato Nacional da III Divisão, Torres Novas e Cartaxo não parecem denotar capacidade para evitar o regresso ao Distrital na próxima temporada, e a campanha do Alcanenense (severamente desfeiteado em casa nesta ronda, perdendo 1-4) parece, por agora, longe de deixar antever a possibilidade de confirmação de aspirações a uma eventual promoção ao futuro novo Campeonato Nacional da Federação Portuguesa de Futebol da próxima época, reservada apenas aos 3 primeiros classificados desta época (caso em que apenas seriam despromovidos quatro clubes do Distrital no final do campeonato em curso).
(Crónica publicada no jornal “O Templário”, de 8 de Novembro de 2012, a cujos responsáveis agradeço a oportunidade que me foi possibilitada de ter esta experiência de escrita publicada e impressa num dos jornais de referência da cidade de Tomar)
Compte-rendu
Bastante trabalho, a consequente escassez de tempo e a canalização dessa pouca disponibilidade para um projecto entusiasmante (agora a começar a ganhar efectivo corpo…), que me vem ocupando nos últimos tempos (e continuará, pelo menos durante mais cerca de dois anos!…), levam a que este blogue tenha ficado algo ao abandono. Espero que possa voltar a dar “prova de vida” em breve…





















