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"SIM" vs. "NÃO"
No essencial, o que parece ressaltar da campanha e de todos os inúmeros debates (aparentemente com posições tão “extremadamente inconciliáveis”) é que todos (ou quase) estamos de acordo em relação às vertentes fundamentais da questão:
1. Condenação – ou, pelo menos – desaprovação da prática do aborto.
2. Não condenação – pelo menos, em termos de aplicação de pena de prisão – das mulheres que recorrem a essa prática.
Porquê então este referendo?
A CAIXA QUE MUDOU O MUNDO – 50 ANOS EM PORTUGAL (VIII)
Os anos 60 ficam ainda assinalados, a nível televisivo, pela apresentação de grandes estrelas internacionais, actuando no Casino Estoril ou nos próprios estúdios da RTP, de que foram exemplo, entre outros, Josephine Baker, Gilbért Bécaud, Gigliola Cinquetti, Sammy Davis Jr., Françoise Hardy, Marisol, Sarah Vaughan, ou Tom Jones.
E, também, das principais “estrelas lusas”, como o duo “Ouro Negro”, os “Sheiks”, Simone de Oliveira, António Calvário, ou Francisco José.
Em termos de programas, referência particular para o “TV7”, magazine de actualidades, passando em retrospectiva os principais acontecimentos da semana, apresentado nomeadamente por Pedro Moutinho e por Fernando Pessa.
Nesta década chegariam aos telespectadores portugueses conceituadas séries internacionais, que perdurariam na nossa memória, como “Os Vingadores“, “Missão: Impossível“, “Bonanza” (ver vídeo), “Perry Mason“, “O Santo“, “Ivanhoe“, “Lassie“, “Mr. Ed“, ou “Pipi das Meias Altas“.
A partir de 25 de Maio de 1970, o 1º canal dava início a um novo período de emissão, à hora de almoço, entre as 12h45 e as 15 horas; a televisão em Portugal deixava finalmente de ter apenas emissões nocturnas.
Surgem então “novas caras da televisão”, nomeadamente Alice Cruz e Ana Zanatti.
A 27 de Julho de 1970, morre Salazar; a RTP faria uma alargada cobertura das cerimónias fúnebres.
A CAIXA QUE MUDOU O MUNDO – 50 ANOS EM PORTUGAL (VII)
De Maio a Dezembro de 1968, decorrem as emissões experimentais do 2º programa (futuro “Canal 2”, depois RTP 2, actual 2:). As emissões regulares teriam início no dia de Natal de 1968.
Desde 1932 como titular da Presidência do Conselho, em Setembro de 1968 – na sequência de uma queda na sua casa no Estoril, e subsequente recaída física e mental – António de Oliveira Salazar é demitido do cargo pelo Presidente da República, Américo Thomaz, sendo substituído por Marcello Caetano.
Marcello Caetano que, a partir de 8 de Janeiro de 1969, inaugurava uma nova forma de comunicação do Poder com os portugueses, com as suas “Conversas em Família”.
Nesse mesmo ano de 1969, pela primeira vez, o Telejornal admite locutoras, terminando o “monopólio” masculino.
Ao mesmo tempo que Simone de Oliveira, aproveitando a “distracção” da censura, cantava (na “Desfolhada”) “Quem faz um filho fá-lo por gosto“.
Em Maio de 1969 surge o “revolucionário” Zip-Zip, com Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia, realizado por Luís Andrade, um dos programas mais influentes da história da televisão em Portugal, que se transformaria num verdadeiro fenómeno de audiências.
Em 20 e 21 de Julho, a televisão transmite a histórica chegada do homem à lua.
Iniciava-se, também em 1969, o “Se Bem Me Lembro”, um programa que ficaria na história da televisão portuguesa, em que Vitorino Nemésio conversava com os espectadores.
VÍDEOS
Recupero hoje a relação completa dos vídeos que por aqui foram passando (via You Tube):
– Luar na Lubre – Tu Gitana
– Elvis Costello – She
– Carla Bruni – Quelqu’un m’a dit
– U2 – New Year’s Day
– Damien Rice – Blower’s Daughter
– Israel Kamakawiwo’ole – Somewhere Over The Rainbow
– Coldplay – The Hardest Part
– Pink Floyd – Wish You Were Here
– Al Gore – An Inconvenient Truth
– Madonna – Jump
– Casablanca
– Rui Veloso – Porto Sentido
– Queen – Bohemian Rhapsody
– Travis – Side
– U2 – Sometimes You Can’t Make It On Your Own
SUGESTÕES DE FIM-DE-SEMANA
Duas sugestões de fim-de-semana, em “viagens virtuais”:
– Obscena – Número de estreia de uma revista com periodicidade mensal, disponível para download em “PDF”, um projecto editorial independente dedicado às “artes performativas”, editado por Tiago Bartolomeu Costa, com a colaboração de Jorge Louraço Figueira, Miguel-Pedro Quadrio e Mónica Guerreiro.
– Lisboa 24 – Um projecto baseado em trabalhos multimédia de alunos de Atelier de Jornalismo de António Granado (Universidade Nova de Lisboa), tendo por objectivo: “contar 24 estórias de 24 personagens de Lisboa ao longo das 24 horas de um dia”. (via Ponto Media).
A CAIXA QUE MUDOU O MUNDO – 50 ANOS EM PORTUGAL (VI)
Já em fase experimental desde 1963 e com emissões regulares desde Janeiro de 1964, a “Tele-Escola” (ou Televisão Escolar e Educativa), que levaria a escola a alguns dos mais recônditos lugares de Portugal, iniciava-se oficialmente em 23 de Outubro de 1965.
1966 é o ano dos “Magriços”, com a selecção nacional a surpreender o mundo do futebol, com o 3º lugar no Campeonato do Mundo. Inevitavelmente, seria então batido o record de televisores vendidos em Portugal.
A 6 de Agosto do mesmo ano, a televisão portuguesa recorre à maior mobilização de recursos jamais vista, para a grandiosa transmissão em directo da inauguração da Ponte sobre o Tejo, à época Ponte Salazar, hoje Ponte 25 de Abril.
O teatro continuava a ter espaço televisivo, com destaque para “As Árvores Morrem de Pé”, interpretada por Palmira Bastos, na sua última aparição nos ecrãs.
Em 1967, o Papa Paulo VI visita Fátima, por ocasião das cerimónias do 13 de Maio; a televisão realiza então a mais importante cobertura em directo da sua (então ainda curta) história de uma década.
E, poucos dias depois, a RTP voltava a ter uma transmissão internacional a partir de Portugal (por via da rede da Eurovisão), a propósito da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, disputada em 22 de Maio no Estádio Nacional, com os escoceses do Celtic de Glasgow a vencer os italianos do Inter de Milão.
A CAIXA QUE MUDOU O MUNDO – 50 ANOS EM PORTUGAL (V)
A partir de 1 de Novembro de 1962, inicia-se a apresentação do “Tempo”, com os técnicos Anthímio de Azevedo e Costa Alves a marcarem uma era no “Boletim Meteorológico”.
O ano de 1963 é assinalado pelo desabar da cobertura da Estação do Cais do Sodré, vitimando dezenas de pessoas. Morre também o Papa João XXIII, sendo Paulo VI o seu sucessor; a fechar o ano, em Novembro, John Fitzgerald Kennedy é assassinado em Dallas, notícia que seria transmitida em Portugal, submetida ao controlo da censura.
A 8 de Maio de 1963 realizava-se a primeira transmissão directa para a rede da Eurovisão (via Espanha), com a transmissão da partida das ½ Finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus entre o Benfica e o Feyenoord, com vitória da equipa portuguesa – bi-Campeã Europeia em 1961 e 1962 – por 5-3. Alves dos Santos (“o comentador que o país inteiro consagrou”) e Artur Agostinho destacavam-se como repórteres / comentadores desportivos.
Em Junho, é inaugurada a Ponte da Arrábida, no Porto, com o Telejornal a ser emitido, pela primeira vez, a partir dos estúdios do Monte da Virgem.
A 2 de Fevereiro de 1964, estreava-se o “Grande Prémio TV da Canção Portuguesa“, com António Calvário a ser o vencedor, adquirindo o direito a representar Portugal no “Concurso Eurovisão da Canção”, em Copenhaga.
Em Outubro desse ano, a RTP passava a dispor de equipamentos de videotape, marcando o princípio do fim da era do directo.
O ano de 1964 fecharia com a reportagem do (já então) centenário Teatro Nacional de D. Maria II a ser consumido pelas chamas, em 2 de Dezembro.
A CAIXA QUE MUDOU O MUNDO – 50 ANOS EM PORTUGAL (IV)
Com a década de 60, inicia-se (em Março de 1960) outra tradição televisiva: a missa dominical, emitida a partir de uma capela especialmente construída nos estúdios do Lumiar.
A 15 de Maio foi possível assistir à primeira transmissão directa a partir do estrangeiro, com Portugal a sagrar-se (uma vez mais) Campeão do Mundo de Hóquei em Patins, ao vencer, em Madrid, a Espanha, por 3-1.
Em Setembro de 1960, surgia o programa “Melodias de Sempre”, apresentado por outro grande nome da televisão em Portugal, Jorge Alves, que perduraria ao longo de toda a década.
Ainda no mesmo ano, nasce o “TV Rural“, programa que conferiria a Sousa Veloso – também produtor e realizador – o estatuto de apresentador de maior “durabilidade”, num convívio semanalmente retomado, desde 6 de Dezembro de 1960 até 15 de Setembro de 1990.
Em Janeiro de 1961, dá-se o assalto ao paquete Santa Maria, nas Caraíbas, com a RTP a enviar repórteres para o Brasil, para obtenção de imagens do acontecimento, numa iniciativa de cariz político, apresentada como obra de “uma quadrilha”. As imagens acabariam por ser captadas de forma imprevista: a partir de um avião, sobrevoando o navio em alto mar. A censura entraria então em acção.
A 12 de Abril de 1961, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin era o primeiro homem enviado para o espaço.
No dia seguinte, uma expressão de Salazar entrava também para a história: “Para Angola, rapidamente e em força”, como forma de resposta aos conflitos que se iniciavam em África, com o assalto à prisão de Luanda por rebeldes nacionalistas. Para Angola partiriam também os primeiros repórteres de televisão, que viriam a acompanhar arriscadas operações militares.
Mas o ano de 1961 seria também conturbado na “Índia portuguesa”, com a ocupação de Goa por forças militares da União Indiana, em Dezembro, com os repórteres televisivos a ser mesmo aprisionados durante mais de dois meses.
A CAIXA QUE MUDOU O MUNDO – 50 ANOS EM PORTUGAL (III)
No mês seguinte, em Abril de 1957, Artur Agostinho apresentava o primeiro concurso televisivo em Portugal: “Quem Sabe, Sabe”, cujo prémio mais cobiçado era… um televisor.
Em Outubro desse ano, a natureza proporcionava um dos primeiros momentos memoráveis da televisão, com a entrada em actividade do vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial, nos Açores, proporcionando imagens simultaneamente dramáticas e de estranha beleza, numa “grande reportagem” de Carlos Tudela, Alexandre Gonçalves e Vasco Hogan Teves.
No mesmo mês dava-se início ao que viria a transformar-se numa “tradição”: Eurico da Fonseca acompanhava o lançamento espacial do Sputnik 1.
Noutra área, nascia uma nova estrela: Maria de Lurdes Modesto e os seus programas de culinária vincariam uma marca na história da televisão em Portugal.
Com o novo ano, de 1958, era introduzida a taxa de televisão, na época calculada em 360 escudos /ano.
A 9 de Fevereiro de 1958, assistia-se à primeira transmissão directa com base numa unidade móvel, a propósito do jogo de futebol entre o Sporting e o Áustria de Viena, que a equipa portuguesa venceria por 4-0, com relato de Domingos Lança Moreira.
Este foi também o ano das eleições presidenciais em que Humberto Delgado ousou enfrentar o regime estabelecido, também acompanhadas pela televisão.
Em 18 de Outubro de 1958 surgia o programa mais antigo da televisão portuguesa: o “Telejornal” (sucedendo ao anterior “Noticiário”), apresentado por grandes figuras da televisão como Gomes Ferreira, Fialho Gouveia, ou Henrique Mendes, entre outros.
A fechar esse ano, a RTP dava início a outra tradição: a transmissão em directo do “Natal dos Hospitais”.
No final de Outubro de 1959, principiavam as emissões regulares a partir dos estúdios do Porto, na mesma altura em que a RTP se tornava membro da UER – União Europeia de Radiodifusão (Eurovisão).
João Villaret apresentava então um programa com espaço para a poesia (declamada), conversa e música, que marcaria também uma época.
"FREELANCE" (PARTE II)
Há cerca de uma semana, aqui fiz referência ao Freelance, indicando que “irá dar que falar nos próximos dias“, a propósito da “notícia” de um alegado rapto de uma jornalista portuguesa.
Possivelmente, nem o autor esperaria que este blogue – uma nova “experiência” na blogosfera em Portugal – viesse a ter o impacto que teve, com reacções tão adversas (também aqui e aqui).
Hoje – que a questão da veracidade não constitui já o ponto fulcral deste episódio – Olavo Aragão continua a construir a sua história. O debate sobre a blogosfera, seu papel e forma de relacionamento com o “mundo real”, deverá continuar também.



