Posts filed under ‘Media e Comunicação’
«TVI: menos conjecturas e mais factos»
A tempestade levantada a propósito da suspensão do Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes tem produzido muito ruído e não tem tido muita substância. Não faria mal algum esforço de reflexão (se é que isso interessa a alguém).
[…]
Dito isto, ocorrem-me perguntas sobre as quais gostaria de ver mais análise e, sobretudo, mais factos:
- A quem interessa uma decisão como aquela que foi tomada, no momento em que foi tomada? Ao PS? Ao PSD? À TVI? A outros partidos? A outros canais? Aos cidadãos, em geral?
- A avaliar pelos elementos disponíveis, que objectivos procurou atingir, para além do óbvio de liquidar o programa semanal?
- Como se explica que se continue a insistir com a colagem da PRISA ao governo socialista espanhol e, por essa via, ao português, quando é conhecido, há largos meses, que a situação se alterou profundamente e que se criou um fosso entre as duas partes?
- Existem sinais de que os jornalistas da TVI sejam constrangidos para não continuarem a fazer o seu trabalho, de acordo com o profissionalismo que lhes é exigido, nos vários jornais de que dispõem diariamente?
- Quais são os actos que podem ser invocados para comprovar a imputada pressão governamental para calar aquele Jornal Nacional? […]
(Manuel Pinto, no Jornalismo & Comunicação)
Jornal com maior tiragem no mundo
Dainik Jagran – Actualmente o jornal com maior tiragem no mundo (17 milhões de exemplares) – via Webmanario
If Man Walked on the Moon Today
Uma versão ficcionada pela Slate do que poderia ser a cobertura mediática da chegada do homem à Lua, se ela tivesse ocorrido, pela primeira vez, agora…
(via Certamente!)
British Library faculta arquivos de jornais desde o Século XIX

A British Library faculta a consulta online de arquivos de jornais desde o século XIX, abrangendo mais de dois milhões de páginas, de cerca de meia centena de periódicos ingleses de índole nacional e regional. A pesquisa é gratuita; contudo, para aceder aos artigos é necessário fazer pagamentos a partir de cerca de 7 libras/dia (possibilitando a consulta de 100 artigos).
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Em contra-ciclo, de saudar o nascimento, hoje, de um novo jornal diário em Portugal, com uma curiosa denominação: i.
200 anos de jornais diários em Portugal – Diário Lisbonense
A 1 de Maio de 1809, surgia o Diário Lisbonense, primeiro jornal diário em Portugal, fundado por Estevão Brocard, impresso na Impressão Régia em Lisboa. A sua publicação perduraria até 31 de Maio de 1813.
Os primeiros diários
[…] Mas o acontecimento mais notável, que constitui um marco na história do nosso jornalismo, é o aparecimento dos primeiros quotidianos.
O primeiro periódico português publicado diariamente foi o Diário Lisbonense, fundado por Estêvão Brocard, cujo primeiro número apareceu a uma segunda-feira, 1 de Maio de 1809 (o último número foi em 31 de Maio de 1813), impresso em Lisboa, na Impressão Régia, «com licença»; no final do primeiro número publicava o seguinte «Aviso»: «Continua a sair todos os dias uma folha igual, à excepção dos domingos e dias santos de guarda: vende-se na loja da Gazeta, e seu preço 20 réis.» Depois, a Gazeta de Lisboa, de trissemanal (saía às terças, sextas e sábados), passou a diária (a partir do dia 14 de Junho do mesmo ano de 1809). Poucos meses mais tarde, em Setembro, precisamente no dia 1, foram fundados nada menos que três jornais diários: O Mensageiro, Novo Diário de Lisboa e Journal de Lisboa (sic), todos saídos da Impressão Régia.
Apesar de alguns destes jornais terem vida relativamente efémera (como excepção, além da Gazeta de Lisboa, apenas o Diário Lisbonense, que durou cerca de 4 anos), não deixa de parecer significativo o facto de, no curto espaço de 4 meses, se fundarem no reino 5 quotidianos.
[…]
Em 18 de Abril de 1835 foi fundado O Açoriano Oriental, que ainda hoje existe, sendo assim o mais antigo jornal português e também o segundo mais antigo da Europa, depois do Daily Mail.
[…] Esta foi também a intenção de Eduardo Coelho ao fundar, em 1 de Janeiro de 1865, o Diário de Notícias, jornal popular, de preço (10 réis) e estilo ao alcance de todos, moldado no jornal de 5 cêntimos parisiense, essencialmente noticioso e sem filiação partidária.
[…]
Desta maneira, vemos desenvolver-se no nosso país, em 1865, a Imprensa preponderantemente noticiosa, que se opõe à Imprensa preponderantemente de opinião. Estava lançada a trave mestra do jornalismo contemporâneo: a informação, como sua principal preocupação e objectivo.
“História da Imprensa Periódica Portuguesa”, José Tengarrinha, 2º edição, 1989, pp. 57 e 59 e 145 e 215
Com esta série de 5 textos, aqui se completa a evocação dos primórdios do jornalismo e dos jornais em Portugal, comemorando os 200 anos – que se completam amanhã – da publicação do primeiro jornal diário português, o “Diário Lisbonense”.
A imprensa oficial
Em Julho de 1667 termina o Mercúrio Português e durante o século XVII não existe qualquer outra publicação periódica em Portugal. O primeiro jornal setecentista conhecido é a Gazeta, de que apenas se sabe existirem dois números, referentes aos meses de Agosto e Outubro de 1704 (Lisboa, Impr. Valentim da Costa Deslandes). Não há notícia de outro até 1715, data em que aparece a Gazeta de Lisboa (10 de Agosto), com o fim de dar notícias nacionais e estrangeiras e das nomeações do governo português. Tornou-se, assim, a folha oficial, a exemplo do que acontecera, a partir de meados do século XVII, em diversos países da Europa onde surgiram periódicos oficiais ou oficiosos. Era redigida, a princípio, por José Freire de Monterroio Mascarenhas, que exerceu esse cargo por mais de quarenta anos. Segundo a carta de privilégio que obtivera em 3 de Julho de 1752, oito anos antes de morrer, para publicar a Gazeta enquanto fosse vivo, o periódico havia de aparecer uma vez por semana, às quintas-feiras, devendo cada número conter «quatro quartos de papel».
[…]
Com os 5 números de Janeiro de 1760 findou a chamada colecção das gazetas de Monterroio.
[…]
Recomeçou, pois, em 22 de Julho de 1760, agora redigida pelo célebre poeta Pedro António Correia Garção, até 8 de Julho de 1762, data em que foi mandada suspender por ordem do governo pombalino (a última Gazeta dessa época tem o nº 23 e a data de 15 de Junho de 1762). Embora possa dizer-se nunca ter exercido, ao longo da sua extensa vida, influência considerável nem atingido elevado nível, a Gazeta de Lisboa, longínquo antepassado do actual Diário da República, tem uma existência acidentada e interessante.
“História da Imprensa Periódica Portuguesa”, José Tengarrinha, 2º edição, 1989, pp. 43 e 44






