Posts filed under ‘Livro do mês’

DIÁRIO – XII – MIGUEL TORGA (V)

“Coimbra, 12 de Maio de 1974 – Um Domingo triste a ler papéis velhos, a ver se arranjava coragem para os rasgar. A ganga que um poeta deixa pelo caminho! Por cada expressão feliz, quanta ingenuidade, quanta burrice, quanta gaguez! A obra publicada também tem disso tudo, mas é beneficiada pela luz das montras. Adquire não sei que estatuto só pelo facto de se mostrar.

Coimbra, 19 de Julho de 1974 – Tem sido de caixão à cova. Pobre país! E o que estará ainda para vir! Mas não posso, nem quero, perder o pé na pátria. Terei de enfrentar o absurdo desta hora infeliz mesmo com ganas de voltar costas a tanto e tanto desconcerto. O pacto que assinei não foi com o azar das circunstâncias. Foi com a terra portuguesa e a língua portuguesa. E continuo a sentir a terra firme debaixo dos pés, e a poesia continua a cantar dentro de mim. O meu espaço de liberdade é o mapa de Portugal subentendido na folha de papel onde escrevo.

Coimbra, 27 de Julho de 1974 – Vamos finalmente dar independência aos povos colonizados. Uma independência que sem dúvida lhes irá custar cara, mas não há nenhuma que seja barata. Depois desse acto necessário e imperioso, Portugal ficará reduzido à tal nesga de terra debruada de mar. É a História que o exige, e oxalá que o destino também. Oxalá que ele, depois de tantos séculos de dispersão e perdição, nos queira reduzidos ao núcleo matricial para que, assim recuperados, possamos iniciar nova aventura. Nómadas no mundo, teremos de ser agora sedentários conviventes nesta Europa onde sempre coubemos mal e nunca nos soubemos realizar. Partir era a nossa carta de alforria. Hoje os caminhos não serão já os da demanda de espaços abertos a uma afirmação tolhida no berço, mas os de um achamento interior protelado séculos a fio.”

[374]

10 Outubro, 2003 at 8:38 pm

DIÁRIO – XII – MIGUEL TORGA (IV)

“Coimbra – 25 de Abril de 1974 – Golpe militar. Assim eu acreditasse nos militares. Foram eles que, durante os últimos macerados cinquenta anos pátrios, nos prenderam, nos censuraram, nos apreenderam e asseguraram com as baionetas o poder à tirania. Quem poderá esquecê-lo? Mas pronto: de qualquer maneira, é um passo. Oxalá não seja duradoiramente de parada…

Coimbra, 27 de Abril de 1974 – Ocupação das instalações da Pide. Enquanto, juntamente com outros veteranos da oposição ao fascismo, presenciava a fúria de alguns exaltados que reclamavam a chacina dos agentes, acossados lá dentro, e lhes destruíam as viaturas, ia pensando no facto curioso de as vinganças raras vezes serem exercidas pelas efectivas vítimas da repressão. Há nelas um pudor que as não deixa macular o sofrimento. São os outros, os que não sofreram, que se excedem, como se estivessem de má consciência e quisessem alardear um desespero que jamais sentiram.

Coimbra, 1 de Maio de 1974 – Colossal cortejo pelas ruas da cidade. Uma explosão gregária de alegria indutiva a desfilar diante das forças da repressão remetidas aos quartéis.

Segui o caudal humano, calado, a ouvir vivas e morras, travado por não sei que incerteza, sem poder vibrar com o entusiasmo que me rodeava, na recôndita e vã esperança de ser contagiado. Há horas que são de todos. Porque não havia aquela de ser também minha? Mas não. Dentro de mim ressoava apenas uma pergunta: em que oceano de bom senso iria desaguar aquele delírio? Que oculta e avisada abnegação estaria pronta para guiar no caminho da história a cegueira daquela confiança?

A velhice é isto: ou se chora sem motivo, ou os olhos ficam secos de lucidez.”

[369]

9 Outubro, 2003 at 7:55 pm

DIÁRIO – XII – MIGUEL TORGA (III)

“Nova Lisboa, 30 de Maio de 1973 – O pé escreve as unidades; o automóvel adita as parcelas; o avião mostra a soma. Das três maneiras me tenho servido para levar desta terra uma imagem condigna. Da terra, repito. A dos homens não requereu tanto esforço. Igual por toda a parte, ao primeiro relance fica entendida. Dois lados de uma medalha: no verso, a fisionomia ávida e leviana do branco, que não conseguiu traduzir cinco séculos de presença numa missão histórica; no reverso, a do negro, humilhado na sua inocência tribal ou degradado na sua destribalização. Os muceques de Luanda são os bairros de lata de Lisboa. Em ambos se processa a mesma dissolução humana.

Luanda, 31 de Maio de 1973 – É pena. Falhámos por um triz. Bastava que tudo quanto aqui fizemos fosse por outra intenção. Que cada um dos que vieram mar fora trouxesse a convicção de que ser angolano, moçambicano, guinéu ou timorense eram maneiras heterónimas de ser português. Mas nenhuma escola da pátria lho ensinou a sério, nem algumas exemplaridades paradigmáticas foram suficientes para lho incutir.

A voar para Moçambique, 1 de Junho de 1973 – Tenho de me render à evidência: o homem que voa dimensiona o mundo de outra maneira. Que perspectiva poderia eu levar da imensidão africana, a calcorreá-la a passo de caranguejo? A vida inteira não chegaria para traçar nela meia dúzia de coordenadas. Assim, de um só relance, abranjo a infinita grandeza deste corpo febril e sonolento, ao mesmo tempo despido e inviolado. Corpo onde altas serras e cordilheiras infindáveis são rugas insignificantes, e rios intermináveis e caudalosos parecem veias exangues.”

[361]

8 Outubro, 2003 at 7:12 am

DIÁRIO – XII – MIGUEL TORGA (II)

“… Em mangas de camisa, fui há pouco visitar a cidade. E o largo passeio pela urbe apressada, enfática, leviana, apertada num cinturão de muceques, agoirento anel de Saturno, não me desanuviou a alma. Pelo contrário. Quando regressei a casa, trazia duas metrópoles nos olhos doridos: uma, arrogante, retórica, de papelão, a negar o preto; outra, calada, tentacular, eczematosa, a negar o branco. Uma que parece um delírio febril de sitiados; outra um acampamento sorna de sitiantes.

Luanda, 20 de Maio de 1973 – A alma do negro será realmente um enigma, como me garantiu hoje um padre comilão num almoço de baptizado, ou será romba a compreensão do branco?

Santo António do Zaire, 22 de Maio de 1973 – Petróleo! Escrevo a palavra, creio que pela primeira vez, e quase que me admiro de a não ver alastrar no papel numa grande nódoa negra e gordurosa. Há conotações assim.

Sei que, onde ele aflora, nasce o oiro. Mas nem assim o amo. Ao ver do céu, há pouco, o primeiro poço a arder, perguntei a mim mesmo dentro do avião, apesar de o saber alimentado a gasolina, se aquela chama seria um lume de esperança ou um sinal de maldição.

Santo António do Zaire, 23 de Maio de 1973 – A obstinação de visitar o sítio que o meu comprovinciano Diogo Cão pisou pela primeira vez ia-me custando a vida. A raiva do Zaire parecia querer vingar-se em mim da violação de quinhentos.

O vento soprou, as ondas ergueram-se, a alma fluvial bramiu, e daí a nada a casca de noz em que eu navegava, a dançar na crista da fúria, transformou-se na morada do próprio terror. Milhas e milhas assim, em que o precário motor do caíque era o único deus a que a fé se apegava. Mas, felizmente, tudo acabou em bem, apenas no desconforto de uma molha da cabeça aos pés e na emoção gatafunhada de um poema.”

P. S. Mais agradecimentos: ao MatamourosaDeusSantacita (um “blogue quase conterrâneo”), novamente ao Drops da Fal e à Cláudia Bia / 100sal, pela atenção e simpático comentário.

[358]

7 Outubro, 2003 at 8:24 am

DIÁRIO – XII – MIGUEL TORGA (I)

De Miguel Torga, escreveu José Saramago: “Algumas vezes, nestes últimos tempos, os nossos nomes apareceram juntos, e sempre que tal sucedia não podia evitar o pensamento de que o meu lugar não era ali… Achava que havia em Torga algo que eu gostaria de ter, e não tinha, o direito ganho por uma obra com uma dimensão em todos os sentidos fora do comum (…)”.

Durante esta semana, como “Livro do Mês”, apresentarei extractos da obra de Miguel Torga, “Diário – XII”, que me pareceu bastante indicada para apresentação neste suporte dos “blogues”, em que a componente “diarística” é tão característica.

“Luanda, 18 de Maio de 1973 – Revolvo-me insofrido na cama escaldante, a registar, ainda atordoado, as primeiras impressões de um cometimento a que eu próprio não consigo encontrar clara motivação.

O sentimento obscuro de que não podia ser protelado por mais tempo um encontro há largos anos apetecido e a crepuscular premonição de um adeus eterno talvez não sejam descabidos na crónica desta aventura que de tão longe me trouxe e tantas resistências me obrigou a vencer. Fisiológicas até. Mas venci-as, e aqui estou ao cabo de oito horas de pavor e deslumbramento que tiveram fim numa espécie de baque da alma. Angola!

Não foi certamente a mesma emoção que sentiu um mareante de quinhentos ao pisar estas paragens, mas quase. Dentro de mim ressoavam mil alvoroços, a par de cavos sussurros menos solares. Apenas o avião descolou, uma bisarma que parecia um comboio aéreo, depois de dar voltas na cadeira como os cães na palha do ninho fresco, tentei ler, ouvir música, ver cinema e, finalmente, imitar os restantes passageiros e dormir. Qual o quê!

Não se distrai facilmente o espírito empenhado numa descoberta tão medularmente necessitada, e muito menos o instinto de conservação vigilante.

Quando o monstro mecânico, numa leveza de pena, tocou o rectângulo negro que traços de luz balizavam, até me envergonhei do romantismo pretérito do meu terror. Saí então daquele espaço reservado e condicionado, onde nem o medo natural era legítimo, e respirei o ar livre das contingências. Um ar quente, húmido, pesado, pegajoso, que se me colou instantaneamente ao corpo como um grude invisível e me trouxe à pele a lembrança esquecida do Brasil. O bafo escaldante de uma terra onde sei que estou, de que já vi sinais concretos, e que só através desta respiração morna e pastosa me parece real.”

[354]

6 Outubro, 2003 at 8:41 am

“MENSAGEM” – FERNANDO PESSOA (VI)

A III Parte – “Encoberto” integra: (i) “Os Símbolos” (“D. Sebastião”, “O Quinto Império”, “O Desejado”, “As Ilhas Afortunadas” e “O Encoberto”; (ii) “Os Avisos” (“O Bandarra”, “António Vieira” e “Terceiro”); (iii) “Os Tempos” (“Noite”, “Tormenta”, “Calma”, “Antemanhã” e “Nevoeiro”).

Começa por mostrar-se a convicção no regresso do “Desejado” – o mito central do sebastianismo – (“É Esse que regressarei”), não correspondendo porém, necessariamente, a um ente individual, devendo, em alternativa, consubstanciar-se no conjunto do povo português, agindo sob a vontade de Deus.

O “Encoberto” surge como uma alusão à misteriosa Ordem dos Rosa-Cruz, em cujos princípios se deverá basear o Quinto Império (“Grécia, Roma, Cristandade, / Europa – os quatro se vão”):

Quando virás, ó Encoberto,
Sonho das eras português,
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez?

Também o Padre António Vieira foi um dos profetas do Quinto Império, manifestando na sua “História do Futuro” o seu místico sebastianismo. No decurso das suas missões no Brasil, escreveu um tratado designado “Esperanças de Portugal, Quinto Império do Mundo”.

Em “Os Tempos”, os irmãos “Poder” e “Renome” representam, respectivamente, o Império português e a fama que universalizou Portugal.

E, depois da “Tormenta”, vem a “Calma”… O “Antemanhã” representa aquilo por que é necessário passar antes do despertar.

O “Nevoeiro” antecede a chegada da luz (segundo o mito, D. Sebastião voltaria numa manhã de nevoeiro); na confusão do nevoeiro:

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem”.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a Hora!

Valete, Fratres”.

E, com este “Adeus irmãos”, termino aqui esta brevíssima apresentação da “Mensagem”.

Para amanhã – e a fechar esta semana de Pessoa -, fica a promessa de um dos mais belos poemas: “Tabacaria”.

[257]

13 Setembro, 2003 at 2:10 pm

“MENSAGEM” – FERNANDO PESSOA (V)

Vasco da Gama realizou a extraordinária façanha, o grande objectivo dos Descobrimentos: a conquista da Índia por via marítima (“Os Deuses da tormenta e os gigantes da terra / Suspendem de repente o ódio da sua guerra / E pasmam”).

Este empreendimento teria naturalmente custos significativos, causando grandes sofrimentos, com muitas vidas perdidas:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
;

mas valeu a pena?:

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu
.”

O desastre de Alcácer Quibir, o mistério que envolve o desaparecimento de D. Sebastião deverá ser o impulso para o renascimento de Portugal:

Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império
.”
.

Seguiu-se a perda da independência (“Senhor, a noite veio e a alma é vil”), mas é preciso acreditar que é possível renascer:

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda
.”

[254]

12 Setembro, 2003 at 2:54 pm

“MENSAGEM” – FERNANDO PESSOA (IV)

A II Parte – “Mar Português” inclui: “O Infante”; “Horizonte”; “Padrão”; “O Monstrengo”; “Epitáfio de Bartolomeu Dias”; “Os Colombos”; “Ocidente”; “Fernão de Magalhães”; “Ascensão de Vasco da Gama”; “Mar Português”; “A Última Nau” e “ Prece”.

A posse do mar, permite a ligação do mundo (relembrando o Infante D. Henrique):

Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse
.”
,

mas a missão de Portugal não está ainda concluída:

Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
;

não basta o “mar com fim”:

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português
.”
,

é necessário o “mar sem fim”, através do qual se alcançará um ponto divino:

E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na terra calma
O porto sempre por achar
.”

Tal como o Adamastor em “Os Lusíadas”, o “Monstrengo” representa o temor de vencer sentido pelos marinheiros, mas, ao mesmo tempo, os obstáculos a vencer:

E disse: “Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?”
E o homem do leme disse, tremendo:
“El-Rei D. João Segundo
!””

Colombo, que tentara durante anos o apoio do Rei de Portugal, acabaria por descobrir o Novo Mundo sob a égide dos reis católicos de Espanha; significa aqui as oportunidades perdidas (“Outros haverão de ter / O que houvermos de perder”), mas também que a missão de Portugal vai mais além da dos “Colombos” (“Mas o que a eles não toca / É a Magia que evoca / O longe e faz dele história.”).

“Ocidente” porque Portugal, sendo a “cabeça da Europa”, tem de cumprir a missão do Ocidente.

[251]

11 Setembro, 2003 at 6:34 pm

“MENSAGEM” – FERNANDO PESSOA (III)

“As Quinas” começam com “O Eloquente” D. Duarte, prosseguindo com os Infantes D. Fernando, o “santo cavaleiro”:

Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma
,

D. Pedro e D. João; finaliza com a “personagem-símbolo”, o (“loucamente”) ambicioso D. Sebastião:

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a sorte a não dá
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria
?”
.

A “loucura pela grandeza” de D. Sebastião alia-se de seguida ao misticismo da espada de Nuno Álvares Pereira, o líder preparado para a batalha:

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida
Que o Rei Artur te deu
.

A I Parte conclui-se com: o Infante D. Henrique, o senhor do mar, com “O globo mundo em sua mão”; D. João II, uma das figuras de maior influência na História da humanidade, por via do decisivo impulso dos Descobrimentos:

Braços cruzados, fita além do mar.
Parece em promontório uma alta serra –
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra
;

e, por fim, o vice-rei da Índia D. Afonso de Albuquerque.

[245]

10 Setembro, 2003 at 2:11 pm

“MENSAGEM” – FERNANDO PESSOA (II)

A I Parte – “Brasão” compreende: (i) “Os Campos” (“O dos Castelos” e “O das Quinas”); (ii) “Os Castelos”(“Ulisses”, “Viriato”, “O Conde D. Henrique”, “D. Tareja”, “D. Afonso Henriques”, “D. Dinis” e “D. João I e D. Filipa”); (iii) “As Quinas” (“D. Duarte, rei de Portugal”, “D. Fernando, infante de Portugal”, “D. Pedro, regente de Portugal”, “D. João, infante de Portugal” e “D. Sebastião, rei de Portugal”); (iv) “A Coroa”; (v) “O Timbre”.

Falando da Europa (“A Europa jaz, posta nos cotovelos”), o autor começa por sugerir a missão de Portugal (“De Oriente a Ocidente jaz, fitando”“Fita, com olhar ‘sfingico e fatal, / O Ocidente, futuro do passado”), tendo como um dos aspectos fundamentais a ligação do Oriente ao Ocidente, não apenas do ponto de vista geográfico, mas também a nível dos valores espirituais.

A glória tem um preço (“Compra-se a glória com desgraça”); só pode ser alcançada quando o ter não for colocado à frente do ser:

Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar
.

N’“Os Castelos”, surgem os nobres brasões como arquétipos: o guerreiro e lutador Ulisses (fundador da cidade de Lisboa – “Este que aqui aportou”); Viriato, o símbolo do heroísmo e do espírito da independência lusitana:

Nação porque reencarnaste
Povo porque ressuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste –
Assim se Portugal formou
;

o Conde D. Henrique:

A espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
Que farei eu com esta espada?
Ergueste-a, e fez-se
;

a “mãe-pátria” D. Tareja (“Ó mãe de reis e avó de impérios, / Vela por nós!”); o “pai” D. Afonso Henriques (“Dá-nos o exemplo inteiro / E a tua inteira força!”); “O plantador de naus” D. Dinis; D. João I (“Mestre, sem o saber, do Templo / Que Portugal foi feito ser”) e D. Filipa, a mãe da “Ínclita geração”:

Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Volve a nós teu rosto sério,
Princesa do Santo Gral,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal
.

[241]

9 Setembro, 2003 at 7:51 am

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