Posts filed under ‘Cultura, Artes e Letras’

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (X)

“- O primeiro a escolher as árvores, será você.

Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos. Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.

– Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.

Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.

– Não adianta, Papai. Não adianta.

E olhando o seu rosto que também se encontrava cheio de lágrimas murmurei como um morto:

– Já cortaram, Papai, faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima.”

P. S. Termina hoje a apresentação desta selecção de extractos de .O Meu Pé de Laranja Lima.. De forma deliberada, omiti o episódio culminante da narrativa, de forma a não quebrar o .suspense. a quem, não conhecendo a história, pretenda ler o livro. Espero que estes breves trechos tenham despertado a vontade de conhecer esta bela obra da literatura mundial, hoje já um clássico.

[104]

29 Julho, 2003 at 1:58 pm 4 comentários

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (IX)

“Quando Dona Cecília Paim perguntou se alguém queria ir ao quadro-negro escrever uma frase, mas uma frase que fosse invenção do aluno, ninguém se atreveu. Mas eu pensei uma coisa e levantei o dedo.

– Quer vir, Zezé?

Saí da carteira e me dirigi para o quadro-negro enquanto ouvia orgulhoso o seu comentário.

– Vocês viram? Logo o menorzinho da turma.

Eu não alcançava nem na metade do quadro. Peguei o giz e caprichei na letra.

.Faltam poucos dias para as férias..

.

.Depois apareceram outros decididos para escrever uma frase. Mas o herói tinha sido eu..”

[101]

28 Julho, 2003 at 7:48 pm

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (VIII)

“- Gostas assim de passear em .nosso. carro?

– Ele também é meu?

– Tudo que é meu é teu. Como dois grandes amigos.

Fiquei delirante. Ah se eu pudesse contar a todo mundo que era meio dono do carro mais bonito do mundo.”

[98]

27 Julho, 2003 at 6:23 pm

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (VII)

“No começo o segredo existiu só porque eu tinha vergonha de ser visto no carro do homem que me dera umas palmadas. Depois persistiu porque sempre era bom existir um segredo. E o Português fazia todas as minhas vontades nesse aspecto. Tínhamos jurado, de morte, que ninguém deveria saber da nossa amizade.”

[95]

26 Julho, 2003 at 6:51 pm

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (VI)

“De repente a coisa aconteceu. Eu vinha devagar, como sempre, pela estrada Rio – São Paulo quando o carrão do Português passou bem devagarinho por mim. A buzina soou três vezes e vi que o monstro me olhava sorrindo. Aquilo me fez renascer a raiva e o desejo de matá-lo de novo quando ficasse grande. Fechei a cara no meu orgulho todo e fingi ignorá-lo.”

[90]

25 Julho, 2003 at 6:53 pm

ACONTECE(U)

Ouço dizer que o “Acontece” acabou (!?).

Quero crer: é porque será substituído por um outro programa, com a mesma temática, mas renovado.

Estarei a ser naïf?

[88]

25 Julho, 2003 at 5:58 pm

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (V)

“A primeira coisa e muito útil que a gente aprendera na Escola, eram os dias da semana. E dono dos dias da semana, eu sabia que “ele” vinha na terça-feira. Depois descobri também que ele uma terça-feira ia para as ruas do outro lado da Estação e na outra, vinha para o nosso lado.

Foi por isso que nessa terça-feira eu gazeteei a aula.”

[84]

24 Julho, 2003 at 7:35 pm

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (IV)

« . Quando eu crescer vou comprar um carro bonito como o de seu Manuel Valadares. Aquele do Português, você se lembra? Aquele que passou pela gente uma vez na Estação quando a gente estava dando adeus para o Mangaratiba. Pois bem vou comprar um carrão lindo daqueles cheio de presente e só para você.»

[78]

23 Julho, 2003 at 8:11 pm

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (III)

“- Mas que lindo pezinho de Laranja Lima! Veja que não tem nem um espinho. Ele tem tanta personalidade que a gente de longe já sabe que é Laranja Lima. Se eu fosse do seu tamanho, não queria outra coisa.

– Mas eu queria um pé de árvore grandão.

– Pense bem, Zezé. Ele é novinho ainda. Vai ficar um baita pé de laranja. Assim ele vai crescer junto com você. Vocês dois vão se entender como se fossem dois irmãos.”

[72]

22 Julho, 2003 at 7:46 pm 2 comentários

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (II)

“Tínhamos chegado na beira da Estrada Rio-São Paulo.

Passava tudo nela. Caminhão, automóvel, carroça e bicicleta.

– Olhe, Zezé, isso é importante. A gente primeiro olha bem. Olha para um lado e para outro. Agora.

Atravessamos correndo a estrada.

– Teve medo?

Bem que tive mas fiz não com a cabeça.

– Nós vamos atravessar de novo juntos. Depois quero ver se você aprendeu.

Voltamos.

– Agora você sozinho. Nada de medo que você está ficando um homenzinho.

Meu coração acelerou.

– Agora. Vai.”

[68]

21 Julho, 2003 at 7:49 pm

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