O Pulsar do Campeonato – 7ª Jornada
1 Novembro, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

(“O Templário”, 29.10.2026)
“Estava escrito” que a jornada do passado fim-de-semana – que ficara já marcada pela singularidade de se defrontarem, em confronto directo, os três pares que partilhavam, respectivamente, o 1.º/2.º, 3.º/4.º e 5.º/6.º lugares – seria invulgar, e assim acabou por ser: há mais de vinte anos que os clubes visitados não ganhavam, todos eles, na mesma ronda!
Desde que o campeonato é disputado na presente fórmula (oito jogos por jornada), é, aliás, apenas a quinta vez que ocorre tal particularidade, do pleno de vitórias dos anfitriões: na 9.ª jornada de 1986-87; na 17.ª de 1990-91; na 30.ª de 2004-05; na 12.ª de 2005-06; e, agora, à 7.ª de 2026-27.
O domínio dos donos da casa foi de tal magnitude, que, em paralelo, se traduziu num “score” agregado de 28-3 em golos marcados e sofridos, registo que também só por quatro vezes foi superado: agregado de 34-4 na 7.ª ronda de 1986-87; 30-4 na 10.ª de 1999-00; 32-6 na 29.ª de 2000-01; e 28-2 na 30.ª jornada de 2004-05.
Isto dito, os grandes vencedores foram, claro, o Samora Correia, que, ao derrotar o até então co-líder, Torres Novas, se isolou no comando; o Mação, goleando o Abrantes e Benfica; e o Porto Alto, também a golear o U. Tomar – como que a projectar que a luta pelo topo da tabela poderá, de ora em diante, ser a quatro: os samorenses têm três pontos de vantagem face aos torrejanos, seguindo-se os maçaenses dois pontos mais abaixo e os “porto-altenses”, outro ponto atrás.
Mas há, ainda, outro dado a sublinhar, nunca antes verificado no centenário historial do principal campeonato da Associação de Futebol de Santarém: o Alcanenense marcou, nos últimos dois jogos, um total de 17 golos! Em jornadas consecutivas, a marca mais aproximada havia sido a de 16 tentos apontados pelo Cartaxo em 1983-84 (duplo 8-1, frente ao Abitureiras e Esparteiros).
Por seu turno, em dois jogos seguidos em casa, o Benavente somara 16 tentos em 2002-03 (8-0 ao Alcanenense e 8-1 ao Tramagal, na 28.ª e 30.ª ronda); o Matrena obtivera 17 em 1965-66 (9-2 ao U. Almeirim e 8-0 ao Coruchense, na 8.ª e 10.ª); sendo o “record” do Ouriquense, com um total de 19 golos em 1995-96 (8-0 à U. Atalaiense e 11-0 ao At. Ouriense, também na 28.ª e 30.ª).
Destaques – O embate entre os então dois guias não deixou a desejar, com “suspense” até ao último segundo. O Samora Correia entrou praticamente a vencer, tendo marcado logo no primeiro minuto, ampliando a vantagem para aparentemente tranquilo 2-0 à passagem da hora de jogo. Mas o Torres Novas não desarmou, criando grandes dificuldades aos donos da casa, que tiveram de enfrentar como que um “teste de resistência” no derradeiro quarto de hora, em inferioridade numérica, reduzidos, primeiro a dez, e, nos instantes finais, a nove elementos. Os torrejanos chegariam ao ponto de honra, já em período de compensação, mas não evitaram perder por 2-1.
Teve menos história a partida entre Mação e Abrantes e Benfica, que os visitados dominaram, vencendo por categórico 4-0. Depois de terem inaugurado o marcador à beira do intervalo, dilataram a contagem também próximo dos sessenta minutos; os dois últimos tentos foram apontados já na recta final, aos 83 e 86 minutos.
De forma distinta, a contenda entre Porto Alto e U. Tomar propiciou várias cambiantes e peripécias. Tal como em Samora, também os anfitriões, com entrada forte, aproveitando a passividade contrária, marcaram muito cedo, logo ao segundo minuto, bisando cinco minutos volvidos. O jogo parecia controlado, mas poderia ter tomado rumo bem diferente, na sequência de expulsão, constrangendo os homens da casa a jogar mais de uma hora com dez unidades.
Na sequência do livre, a sancionar a falta que resultara em tal sanção disciplinar, o União marcou, passando a estar “na mó de cima”, antecipando-se a possibilidade de reposição da igualdade. Com os tomarenses em busca do segundo golo, o cariz do jogo sofreria nova guinada, aos dez minutos da segunda metade, quando, em lance de transição, com alguma dose de (in)felicidade, o “placard” se alterou para 3-1. Até final, forçados a arriscar, e já falhos de discernimento, os unionistas foram penalizados com mais dois golos, fixando o “placard” num excessivo 5-1.
Sobre a expressiva goleada do Alcanenense, por 8-0, na recepção ao Vasco da Gama – conforme assinalado, segunda consecutiva, após os 9-1 aplicados em Pontével (por curiosidade, imediatamente após um desaire caseiro, por 2-5, ante o Abrantes e Benfica) –, pouco mais há a dizer, para além de voltar a realçar a avassaladora eficácia ofensiva, que não deu qualquer hipótese de reacção aos visitantes, incapazes de suster o “rolo compressor” contrário: 3-0 ao intervalo; e mais cinco tentos na segunda parte, praticamente a cada cinco minutos, entre os 53 e 80.
Confirmações – Não houve surpresa nos restantes desafios, anotando-se que – a par com a derrota do Vasco da Gama – todos os cinco últimos (incluindo, pois, também o Ouriquense, Águias de Alpiarça, At. Ouriense e Pontével) perderam, mesmo que em jogos com contornos diferenciados.
Triunfos seguros, por margem inequívoca (3-0, em ambos os casos depois de se ter chegado ao termo da metade inicial com resultados tangenciais) do Amiense, na recepção ao Pontével, igualando assim o Abrantes e Benfica na 5.ª posição, um ponto acima do U. Tomar; e do Coruchense, visitado pelo At. Ouriense (apenas o segundo êxito do conjunto do Sorraia).
Uma vitória “arrancada a ferros” do Moçarriense, ante o Águias de Alpiarça, por 1-0, golo alcançado na conversão de uma grande penalidade, já nove minutos para lá dos noventa – segundo triunfo seguido da turma da Moçarria, a proporcionar importante pulo a nível pontual.
E, por fim, uma reviravolta no marcador no Entroncamento AC-Ouriquense: tendo-se chegado ao descanso com o resultado de 0-1, a turma da cidade ferroviária restabeleceu a igualdade já em fase adiantada da etapa complementar, vindo a chegar ao 2-1 prestes a findar o encontro. Com um bom pecúlio angariado, já com onze pontos, começa a construir importante margem de segurança em relação à parte perigosa da pauta classificativa (oito pontos face ao antepenúltimo).
II Divisão Distrital – Disputadas três rondas só dois clubes somaram terceiro triunfo: Espinheirense (3-0, no Rebocho) e U. Almeirim (também 3-0, recebendo o Samora Correia “B”).
Na outra série, o Tramagal lidera à condição, com sete pontos, não tendo sido desfeito o nulo na visita a Ferreira do Zêzere. A U. Atalaiense, com um jogo a menos (dado ter folgado na ronda anterior) averbou segundo triunfo nos dois jogos já realizados, ao bater o Mindense por 3-1. Realce ainda para as goleadas do Forense ante o Benfica do Ribatejo (6-1); da Ortiga, em Abrantes, perante a equipa “B” local (5-0); para além do animado At. Riachense-Vilarense (5-3).
Liga 3 – O U. Santarém reverteu, num intervalo de dois minutos, a desvantagem inicial perante o V. Sernache, ganhando por 2-1, o que lhe permitiu ascender ao 3.º posto, a par da Oliveirense.
Campeonato de Portugal – O Fátima resgatou um ponto na Sertã mesmo ao cair do pano, empatando a duas bolas (recuperando de desvantagem de dois golos); ao invés, o Fazendense, recebendo o Marialvas, marcou primeiro, mas não evitou ser derrotado por 1-2. Ambas as equipas se encontram em posição precária (11.º e 14.º classificados), em zona de eventual despromoção.
Antevisão – Os campeonatos distritais têm um breve interregno, para dar lugar à realização da pré-eliminatória da Taça do Ribatejo, assinalando-se três confrontos entre primodivisionários: Amiense-Mação; Ouriquense-Entroncamento AC; e Águias de Alpiarça-At. Ouriense. De interesse serão também as partidas entre emblemas de escalão diferente, com algumas rivalidades entre vizinhos: Alcanenense-U. Almeirim; Tramagal-Abrantes e Benfica; Coruchense-Benavente; Salvaterrense-Moçarriense; Pontével-Vilarense; e Bairrense-Vasco da Gama.
Por sorteio ficaram isentos desta eliminatória preliminar, portanto já directamente apurados para os 1/8 de final: Glória do Ribatejo, Pego, Porto Alto, Samora Correia, Torres Novas e U. Tomar.
Na Liga 3 o U. Santarém viaja até Lisboa, para defrontar o actual vice-líder, Atlético, do qual dista quatro pontos. No Campeonato de Portugal o cartaz reserva um duelo Fátima-Fazendense.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 29 de Outubro de 2026)
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