O Pulsar do Campeonato – 4ª Jornada

16 Outubro, 2022 at 11:00 am Deixe um comentário

(“O Templário”, 13.10.2022)

O U. Tomar somou quinta derrota sucessiva em Samora Correia, nas cinco últimas temporadas, não tendo o Fazendense conseguido melhor que a repartição de pontos no Cartaxo, o que – conjugado com os triunfos de Amiense, Águias de Alpiarça, At. Ouriense e Ferreira do Zêzere – resultou numa concentração dos oito primeiros classificados num intervalo de apenas três pontos, com os emblemas das Fazendas de Almeirim e Amiais de Baixo a repartirem agora a liderança.

Destaques – É, bastas vezes, quase irresistível a tentação – até por um inato instinto de auto-preservação – de procurar justificar os insucessos com supostas falhas de arbitragem, como que transferindo para outrem, pelo menos, uma quota-parte de responsabilidades próprias.

O U. Tomar saiu de Samora Correia, uma vez mais, a queixar-se fortemente da arbitragem, sobretudo devido ao “caso do jogo”, uma situação inaudita, de que não haverá memória: na conversão de uma grande penalidade o jogador unionista fez a chamada “paradinha”, tendo o árbitro sancionado a alegada infração, não só invalidando o golo, como transformando o “penalty” num livre indirecto a favor dos samorenses, assim se gorando uma ocasião suprema de marcar.

Ao tomar uma decisão deste rigor e grau de severidade (perante uma situação a que se assiste repetidamente) crê-se que o árbitro o tenha feito em consciência, e de acordo com as regras, uma vez que estava “em cima do lance”. Mas, para além disso, a verdade é que não conseguiu ter pulso para impedir que o Samora Correia, praticamente abdicando de jogar, em especial na meia-hora final, sistematicamente “queimasse tempo”, com ostensivas interrupções e quebras de ritmo, visando impedir que o União pudesse ter qualquer “fio de jogo”, com princípio, meio e fim.

Os seis minutos de tempo de compensação concedidos foram manifestamente exíguos face a mais de uma dúzia de minutos (estimativa a pecar por defeito) de paragens de jogo, na segunda parte.

Terá ainda, por outro lado, de anotar-se a coincidência de esta ter sido já a terceira vez, nos últimos cinco anos, que este mesmo árbitro dirigiu o Samora-União, sendo que, em ocasiões anteriores (em 2019 e 2020), tinham também ocorrido “casos de jogo”, pelo que mais esta nomeação teria sido – até para preservação do próprio árbitro – porventura desaconselhável, por pouco prudente, numa óptica de salvaguardar qualquer tipo de eventual (natural e humano) condicionamento.

Sobre o jogo propriamente dito (e resta, agora, pouco espaço disponível), foi repartido durante o primeiro tempo, sem grandes ocasiões de perigo (ambos os guardiões pouco mais foram que espectadores atentos), sendo que a melhor oportunidade de golo terá sido a desperdiçada pelo União, à passagem do quarto de hora. Cerca de dez minutos volvidos surgiria o único tento do desafio, a favor do Samora Correia, igualmente por via de uma grande penalidade, culminando um lance algo fortuito, com a bola – numa sequência muito rápida, com o jogador tomarense já em queda, em plena área – a embater no peito e, de imediato, com contacto com os braços.

Na segunda metade, os nabantinos esbanjariam outra soberana ocasião de golo, na marcação de um livre, com a bola a acabar por embater no poste (terá sido ainda desviada pelo guarda-redes). A partir do momento culminante da partida (estavam decorridos 72 minutos) pouco mais foi possível efectivamente jogar, com a equipa unionista a não conseguir evitar deixar-se arrastar na onda de desestabilização gerada pelas incidências do desafio, faltando então discernimento para finalizar com êxito, pelo menos, mais outro par de lances de grande perigo, na área adversária.

Num balanço final subsiste necessariamente um sentimento de forte injustiça pelo resultado negativo, como reconhecido pelo próprio treinador samorense, considerando mais justo o empate.

Outros destaques da 4.ª ronda vão para as importantes vitórias em terreno alheio, averbadas por Ferreira do Zêzere (em Mação, impondo aos maçaenses o quarto desaire consecutivo, num começo de temporada que não estaria, de todo, nas suas cogitações) e Amiense (em Alcanena), ambas pela mesma marca (3-2) – sendo que o Alcanenense apenas no derradeiro minuto sofreu o tento decisivo. Realce ainda para a goleada (4-0) aplicada pelo Fátima em Benavente, beneficiando ainda do facto de os locais se terem visto em inferioridade numérica.

Surpresas – Uma, pelo menos, “meia-surpresa” registou-se no Cartaxo (equipa que, já na semana anterior, em Tomar, oferecera forte réplica), com o grupo visitado a impor uma igualdade (2-2) ao líder, Fazendense (a sofrer, assim, os primeiros golos na presente edição da prova).

Pelo historial dos dois clubes será também de considerar-se algo surpreendente o desaire caseiro do Torres Novas ante o At. Ouriense, por 1-2, com os torrejanos, com quatro derrotas (acumulando já um preocupante total de 15 golos sofridos), a repartir o último lugar com o Mação.

Confirmações – Abrantes e Benfica (1-0, na recepção ao Salvaterrense) e Águias de Alpiarça (3-1, ante o Entroncamento AC) confirmaram o favoritismo que lhes era creditado, com os alpiarcenses a reforçar o notável início de campeonato, partilhando o 3.º lugar com o U. Tomar.

II Divisão Distrital – No arranque da competição começam por destacar-se as goleadas impostas pelo Porto Alto (5-1 ao Benfica do Ribatejo) e Vilarense (4-0 à Ortiga), assim como o categórico triunfo (3-0) do Pego em Alferrarede. Por seu lado, alguns dos candidatos aos lugares cimeiros não foram além do empate: 0-0, no Marinhais-Moçarriense e no Caxarias-Vasco da Gama; e 2-2, no U. Almeirim-Espinheirense e, de forma mais surpreendente, no Glória do Ribatejo-Rebocho.

Campeonato de Portugal – Não foi positiva para os clubes do Distrito a 3.ª ronda da prova, com Rio Maior SC e Coruchense ambos a saírem derrotados – os riomaiorenses, em casa, ante o Pêro Pinheiro, por 0-1; e a turma do Sorraia, perdendo por 2-1 em Castelo Branco, face ao Benfica local –, não tendo o U. Santarém ido além do empate (1-1) frente ao Sintrense.

O campeonato está ainda na sua fase inicial, com o escalonamento dos concorrentes com escassas diferenças pontuais, mas Coruchense (10.º) e Rio Maior SC (12.º) começam já a posicionar-se abaixo da “linha de água” (serão despromovidos directamente os seis últimos de cada série).

Antevisão – A 5.ª jornada da divisão principal apresenta, em especial, quatro desafios de maior interesse: em primeiro lugar, o Fazendense-Samora Correia (com a curiosidade de ver qual a resposta que os samorenses conseguirão oferecer, depois do triunfo da passada semana), mas, também o U. Tomar-Águias de Alpiarça (colocando frente-a-frente os actuais 3.º classificados), o Ferreira do Zêzere-Fátima (entre dois bons conjuntos) e o Mação-Abrantes e Benfica (com os maçaenses a começar a “desesperar” pelos primeiros pontos). O co-líder, Amiense, terá, em teoria, tarefa de grau de dificuldade menor, recebendo o antepenúltimo classificado, Benavente.

No escalão secundário, na sua 2.ª ronda, avultam, a Sul, os embates Moçarriense-Glória do Ribatejo, Forense-Marinhais e Espinheirense-Porto Alto; a Norte, realce para o Vasco da Gama-Vilarense, assim como para um confronto entre dois clubes históricos: Tramagal-Alferrarede.

O Campeonato de Portugal volta a estar em pausa, para disputa da eliminatória relativa aos 1/32 de final da Taça de Portugal – estreando-se os clubes da I Liga –, já sem representação do Distrito.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 13 de Outubro de 2022)

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