Europeu 2024 – Qualificação – Classificações finais

(clicar na imagem para ampliar)
Garantiram o apuramento para a fase final do “EURO 2024” as seguintes selecções (duas primeiras classificadas de cada Grupo): Espanha, França, Inglaterra, Turquia, Albânia, Bélgica, Hungria, Dinamarca, Roménia e Portugal; Escócia, Países Baixos, Itália, Croácia, R. Checa, Áustria, Sérvia, Eslovénia, Suíça e Eslováquia – que se juntam à selecção do país organizador, Alemanha.
As restantes três vagas serão disputadas pelas equipas que, não tendo sido apuradas, haviam tido melhor desempenho nas várias divisões da “Liga das Nações”, repartidas em três vias:
Play-off A – Polónia-Estónia; e País de Gales-Finlândia/Ucrânia/Islândia
Play-off B – Israel-Ucrânia/Islândia; e Bósnia-Herzegovina-Finlândia/Ucrânia
Play-off C – Geórgia-Luxemburgo; e Grécia-Cazaquistão
Portugal – Islândia (Europeu 2024 – Qualif.)
Portugal – Diogo Costa, João Mário Lopes (62m – Raphaël Guerreiro), Rúben Dias, Gonçalo Inácio, João Cancelo (87m – João Neves), Otávio (75m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Palhinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva (62m – Ricardo Horta), Cristiano Ronaldo e João Félix (87m – Armindo Na Bangna “Bruma”)
Hákon Rafn Valdimarsson, Hjörtur Hermannsson, Sverrir Ingason, Guðlaugur Victor Pálsson, Guðmundur Þórarinsson, Arnór Sigurðsson, Ísak Bergmann Jóhannesson (62m – Arnór Ingvi Traustason), Willum Þór Willumsson (62m – Mikael Egill Ellertsson), Jón Dagur Þorsteinsson (62m – Andri Lucas Guðjohnsen), Jóhann Guðmundsson e Alfreð Finnbogason (45m – Orri Steinn Óskarsson)
1-0 – Bruno Fernandes – 37m
2-0 – Ricardo Horta – 66m
Cartões amarelos – João Félix (84m) e João Palhinha (54m); Ísak Bergmann Jóhannesson (28m), Jón Dagur Þorsteinsson (32m), Willum Þór Willumsson (46m) e Jóhann Guðmundsson (54m)
Árbitro – Anastasios Papapetrou (Grécia)
Consumou-se o fantástico registo de dez vitórias em dez jogos desta fase de apuramento para o “EURO 2024”, com Portugal a ser, para além da única selecção que conseguiu o pleno de triunfos (um registo que o seu seleccionador, Roberto Martínez, bisa, depois de o ter alcançado já, na edição anterior, então ao serviço da Bélgica), também a equipa que mais golos marcou (total de 36, à excelente média de 3,6 golos/jogo – também um “record” nacional em fases de qualificação), e, igualmente a menos batida (apenas dois golos sofridos, ambos frente à Eslováquia)!
Quanto ao jogo, o desfecho foi precisamente igual (2-0) ao obtido no Liechstentein, mas esta foi uma partida de contornos distintos, frente a um opositor que, pese embora tenha terminado num modesto 4.º lugar, surpreendentemente relegada pelo Luxemburgo, tem alguma valia, mostrando-se organizado dentro de campo.
Num jogo disputado em ambiente de festa, com um Estádio de Alvalade predisposto a aplaudir o fantástico desempenho da selecção nacional, a equipa portuguesa realizou boa exibição, com momentos em que chegou a atingir algum brilho, com Bruno Fernandes, sempre pendular ao longo de toda esta fase de qualificação, em destaque, a pautar o jogo, bem acompanhado por Bernardo Silva e João Félix.
Ainda cedo na partida, de que, desde início, Portugal assumira o controlo, Otávio começaria por rematar à trave. De alguma forma inesperadamente, a Islândia apresentava-se algo atrevida, não se limitando a remeter-se a uma defensiva porfiada.
Mas a turma portuguesa não permitiria grandes veleidades, desbobinando o seu futebol, surgindo inúmeras vezes no último terço do terreno, criando lances de perigo.
Seria o próprio Bruno Fernandes a desbloquear o jogo, com um golo de notável execução técnica, a dar a melhor sequência a um passe “açucarado” de Bernardo Silva.
Após esse tento, colocando Portugal em vantagem, a toada do encontro não se alteraria de forma relevante, sendo o 2-0 o corolário para o domínio exercido, colocando um ponto final na missão, cumprida com imponência, da nossa selecção.
A Islândia, que, a espaços, procurara quebrar o ritmo de jogo, então já sem nada a perder, arriscaria, procurando avançar no terreno, aproximando-se da área de Diogo Costa, mas, efectivamente, sem criar qualquer soberana ocasião para marcar.
Portugal, que garantira o objectivo primordial, do apuramento, já há vários jogos – quando restavam ainda três jornadas por disputar – confirmava também outro importante objectivo, o de uma qualificação “perfeita” em termos pontuais, como nunca antes alcançara!
Com uma selecção recheada de opções de alto nível para qualquer das posições do “onze”, os dados estão lançados para uma promissora fase final.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 10 10 - - 36 - 2 30 2º Eslováquia 10 7 1 2 17 - 8 22 3º Luxemburgo 10 5 2 3 13 -19 17 4º Islândia 10 3 1 6 17 -16 10 5º Bósnia-Herzegovina 10 3 - 7 9 -20 9 6º Liechtenstein 10 - - 10 1 -28 -
10ª jornada
19.11.2023 – Bósnia-Herzegovina – Eslováquia – 1-2
19.11.2023 – Liechtenstein – Luxemburgo – 0-1
19.11.2023 – Portugal – Islândia – 2-0
O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 10ª Jornada

(“O Templário”, 16.11.2023)
Tal como sucede no ciclismo, quando é imprimido maior ritmo à corrida, o “pelotão” da Série C do Campeonato de Portugal começa a “esticar”, agora – atingida que foi a 10.ª jornada da prova – já com dez pontos a separar o líder do último classificado. Em paralelo, tal traduz-se, no caso do U. Tomar, que veio descaindo para a cauda de tal “pelotão”, num diferencial de sete pontos, não possibilitando, nesta altura, num raio de acção de três pontos, ir além do 8.º posto; do mal, o menos, a “linha de água” continua traçada dois escassos pontos acima… mas urge voltar a somar.
Numa ronda sem especiais surpresas a assinalar, a equipa “B” do Alverca voltou a assumir a liderança, beneficiando do desaire sofrido pelo União 1919 em Peniche. Por seu lado, emblemas como os do U. Santarém, Benfica e Castelo Branco e Marinhense vão-se chegando à frente, em mais um Domingo muito negativo para o trio açoriano, que averbou três derrotas. Aliás, nesta altura, de forma imprevista, Lusitânia e Fontinhas posicionam-se mesmo em zona de descida.
Destaques – Começa por salientar-se, pois, o triunfo do Peniche ante o União 1919, por tangencial 2-1: os visitados entraram praticamente a ganhar, marcando logo ao segundo minuto, tendo ainda os conimbricenses empatado um quarto de hora volvido; não obstante, ainda antes do intervalo, os penichenses marcaram novo tento, quebrando assim o ciclo vitorioso (4 jogos) do adversário.
No “quase derby” entre B. C. Branco e V. Sernache, os albicastrenses impuseram-se de forma categórica, ganhando por 3-0, mercê de um “hat-trick” de Ronaldo Coelho, ascendendo já à 3.ª posição, somente a dois pontos do comandante.
Contrariando as expectativas, atendendo à exibição muito afirmativa que realizara em Tomar, o Lusitânia, que soma já quatro jogos sem vencer, foi batido na Marinha Grande, pelo Marinhense, por 2-0, tendo os donos da casa confirmado o triunfo apenas no derradeiro minuto, o que lhes valeu subir até ao 6.º lugar, um único ponto abaixo de B. C. Branco, U. Santarém e Sertanense.
Anota-se, ainda, o triunfo do Sertanense na viagem à Serra da Estrela, perante o “lanterna vermelha”, Gouveia, fruto de um solitário tento, apontado à passagem dos dez minutos do segundo tempo, agravando a situação de crise dos anfitriões, sem ganhar há cinco jornadas.
Confirmações – Defrontando-se o, de novo, guia da prova, e o actual penúltimo classificado, seria lógico, à partida, que o Alverca “B” fosse favorito a somar os três pontos, frente ao U. Tomar.
Esse favoritismo acentuou-se drasticamente quando, apenas com sete minutos decorridos, os unionistas ficaram reduzidos a dez elementos, na sequência de um lance, porventura imprudente, mas que, pela zona do terreno em que ocorreu (em cima da linha divisória de meio-campo e praticamente junto à linha lateral) poderia ter sido alvo de punição menos severa.
Os tomarenses, bem organizados dentro de campo, conseguiriam suster a ofensiva contrária durante quase meia hora, acabando por sofrer o primeiro tento próximo dos 35 minutos. Porém, uma grande penalidade (a sancionar contacto com o braço), pouco depois, “mataria” qualquer resistência que pudesse ser ainda equacionada. Num muito curto período, entre os 41 e os 45 minutos, passando por fase de desnorte, o “placard” subiria, num ápice, até aos 4-0.
Fora já, até então, um desafio a obrigar a grande desgaste em termos físicos; seria, a partir daí, também de significativo desgaste em termos anímicos. Receou-se que as coisas pudessem ainda piorar, mas, com os nabantinos, de alguma forma, a recompor-se, e os visitados sentindo que já não haveria necessidade de forçar, a segunda parte não teria grande história: o Alverca só voltaria a marcar uma única vez, aos 57 minutos, para, na imediata reposição de bola ao centro, Tiago Vieira, atento ao adiantado posicionamento do guardião, fazer um remate directo para a baliza, apontando um tento (de honra) de belo efeito, fixando o marcador no 5-1 que subsistiria até final.
O grupo de Tomar, forçado neste desafio a fazer um esforço muito desproporcionado, que, cedo se perspectivou, não resultaria em qualquer “recompensa” em termos práticos, manteve a dignidade, tendo desperdiçado ainda uma soberana oportunidade para reduzir para 2-5, já mesmo ao cair do pano. Naturalmente, o Alverca tinha tido também mais algumas ocasiões, negadas por boas intervenções do guardião, Ivo Cristo, realçando-se, por outro lado, o terceiro “hat-trick” de Rodrigo Freitas, em dez jornadas, depois dos antes apontados frente ao Gouveia e ao Peniche.
O U. Santarém, recebendo o Rabo de Peixe, voltou aos triunfos, ganhando por 2-1; depois de ter chegado a vantagem de dois golos, consentiria ainda a redução para a diferença tangencial, a cerca de um quarto de hora do fim. Os açorianos, que tinham começado a prova em grande plano, caíram já até à 9.ª posição, última acima da “linha de água”.
Abaixo dessa baliza delimitadora está, como referido, o Fontinhas, derrotado em Mortágua, que somou segundo triunfo sucessivo, depois de ter levado os três pontos de Tomar, tendo, desta feita, chegado à vitória quando faltavam parcos dois minutos para o fim da partida.
I Divisão Distrital – Pese embora pela diferença mínima (1-0), o Fátima prossegue a senda triunfal, agora já de oito jogos consecutivos, tendo batido uma irreconhecível equipa do Amiense (vice-campeã na época passada), actual penúltima classificada, sem ganhar há nove jornadas!
Também por margem tangencial (2-1) ganharam os seus dois mais imediatos perseguidores, Abrantes e Benfica e Ferreira do Zêzere, enfrentando, respectivamente, o último da tabela, Vasco da Gama (com uma série negativa em curso, de cinco derrotas), e o Salvaterrense.
Mais folgado (4-2) foi o triunfo do Fazendense face ao Mação. Foi a terceira ronda seguida de êxitos para os abrantinos e os homens das Fazendas; ao invés, os maçaenses somaram terceiro desaire em sucessão, estando já muito afastados dos lugares da frente (14 pontos face ao líder).
Registaram-se dois empates: um nulo, no Alcanenense-Coruchense; e 2-2, no Cartaxo-Torres Novas: Miguel Miguel começou por bisar, logo no quarto de hora inicial, mas os cartaxeiros viriam a conseguir restabelecer a igualdade, perto do derradeiro minuto, e numa fase em que estavam já em inferioridade numérica. O grupo torrejano, tal como o conjunto do Sorraia, ocupando o 6.º e o 7.º posto, começam também a atrasar-se, já a sete e a nove pontos do guia.
O Forense somou três importantes pontos, recebendo e batendo o Moçarriense. A grande surpresa da 10.ª jornada sucedeu em Samora Correia, onde a turma local – que se projecta possa ter dominado a partida – acabou por ver-se aturdida, perdendo por 0-1 com o At. Ouriense, que chegou à vitória ao minuto 90+8. Os samorenses baixaram ao 5.º posto, a cinco pontos do Fátima.
II Divisão Distrital – Começam por destacar-se as goleadas aplicadas pelo Pontével (4-0, face ao Rebocho) e Marinhais (5-0, ante o Benfica do Ribatejo). U. Atalaiense e Espinheirense (0-0) e Entroncamento AC e Águias de Alpiarça (1-1) neutralizaram-se, tal como Vilarense e Ortiga (2-2). O Tramagal é o líder mais destacado (quatro pontos de vantagem), dispondo a U. Atalaiense de avanço de três pontos; na outra série, Pontével e Glória do Ribatejo partilham o comando.
Antevisão – O Campeonato de Portugal sofre interregno de duas semanas, apenas sendo retomado já em Dezembro. Deverão, entretanto, realizar-se os jogos em atraso, de rondas anteriores.
No Distrital o realce vai para os embates: Mação-Ferreira do Zêzere, Salvaterrense-Fazendense, e Moçarriense-Samora Correia, para além do “clássico” Torres Novas-Alcanenense.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 16 de Novembro de 2023)
Liechtenstein – Portugal (Europeu 2024 – Qualif.)
Liechtenstein – Benjamin Büchel, Andreas Malin, Sandro Wieser, Lars Traber, Niklas Beck (63m – Liam Kranz), Simon Lüchinger (45m – Livio Meier), Marcel Büchel, Aron Sele (77m – Jens Hofer), Maximilian “Max” Göppel, Julien Hasler (63m – Philipp Ospelt) e Dennis Salanović (90m – Martin Marxer)
Portugal – José Sá, João Cancelo (87m – João Mário Lopes), António Silva, Tote “Toti” Gomes, Bernardo Silva (60m – Ricardo Horta), Bruno Fernandes (67m – Vítor Ferreira “Vitinha”), Rúben Neves, Diogo Jota, Cristiano Ronaldo (67m – Armindo Na Bangna “Bruma”), João Félix (87m – João Neves) e Gonçalo Ramos
0-1 – Cristiano Ronaldo – 46m
0-2 – João Cancelo – 57m
Cartões amarelos – Simon Lüchinger (24m); Diogo Jota (90m)
Árbitro – Mohammed Al-Hakim (Suécia)
Defrontando uma das mais débeis selecções da Europa, Roberto Martínez permitiu-se aproveitar este jogo para ensaiar várias experiências, as quais, em bom rigor, não só não deram mostras de funcionar – perante um lote de jogadores inevitavelmente sem as necessárias rotinas de jogo, entre si –, como se tem dificuldade em vislumbrar contra que tipo de adversários poderiam ter utilidade, no contexto da próxima fase final desta competição.
Foi, pois, uma equipa em serviços mínimos, que possibilitou ao Liechtenstein (com uma média superior a três golos sofridos por jogo, à entrada para este encontro) a “proeza” de chegar ao intervalo ainda com a sua baliza inviolada…
Claro, Portugal dominara por completo, no primeiro tempo, e até fizera uma quantidade apreciável de remates, nenhum deles materializado em golo, tendo tido, aliás, apenas duas oportunidades efectivas, por Rúben Neves e Gonçalo Ramos. A prova provada que alinhar com vários “avançados” (juntando, no mesmo “onze”, Diogo Jota, Cristiano Ronaldo, João Félix e Gonçalo Ramos) nem sempre será a melhor receita para chegar ao golo.
Necessariamente alertada ao intervalo, a equipa nacional surgiria, para a segunda metade, mais focada e objectiva, tendo Cristiano Ronaldo começado por rematar aos ferros da baliza contrária, ainda antes de, logo no minuto inicial, inaugurar o marcador. Estava, enfim, quebrada a resistência dos visitados, e, claro, bem encaminhada a 9.ª vitória consecutiva para Portugal.
Até porque não demoraria a chegar o “golo da confirmação”, apenas cerca de dez minutos volvidos, com João Cancelo em evidência, a criar e a finalizar este lance.
“Surpresa das surpresas”: o Liechtenstein – que, até agora, marcou um único golo nesta fase de apuramento, na Bósnia – esteve à beira de reduzir a desvantagem, não fora o guardião José Sá (a par de Toti Gomes e de João Mário, estreantes na selecção principal), salvaguardando a sua baliza, ter negado tal possibilidade a Salanović, que lhe surgia isolado.
Até final, pouco mais haveria para assinalar, tendo começado já a contagem decrescente para o derradeiro jogo, em busca de um inédito pleno de vitórias.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 9 9 - - 34 - 2 27 2º Eslováquia 9 6 1 2 15 - 7 19 3º Luxemburgo 9 4 2 3 12 -19 14 4º Islândia 9 3 1 5 17 -14 10 5º Bósnia-Herzegovina 9 3 - 6 8 -18 9 6º Liechtenstein 9 - - 9 1 -27 -
Ainda com uma ronda por disputar, Portugal e Eslováquia garantiram já o apuramento para a fase final do EURO 2024.
9ª jornada
16.11.2023 – Eslováquia – Islândia – 4-2
16.11.2023 – Liechtenstein – Portugal – 0-2
16.11.2023 – Luxemburgo – Bósnia-Herzegovina – 4-1
O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 9ª Jornada

(“O Templário”, 09.11.2023)
Numa competição em que os prognósticos saem, frequentemente, gorados, recebendo um dos “lanternas-vermelhas”, o União não foi capaz de dar sequência à boa exibição da semana anterior, sofrendo segundo desaire caseiro, podendo começar a ver desnivelar-se a contagem entre vitórias (três) e derrotas (cinco), pressuposto fundamental para o seu objectivo. Mas, já com nove jornadas disputadas – e, ainda, 17 por disputar –, as diferenças continuam a ser mínimas: a um ponto da “linha de água” (9.º classificado); dois em relação ao 4.º; e, apenas três pontos face ao 3.º lugar.
Prosseguindo na senda do grande equilíbrio por que se tem pautado esta Série C do Campeonato de Portugal, temos, de entre o total de 14 clubes concorrentes, nada menos de 11 (!) que contam três vitórias averbadas na prova, até à data. A “destoar”, só um absolutamente inesperado líder, União 1919, já com cinco triunfos (quatro dos quais, consecutivamente, nas últimas rondas), para além, por outro lado, dos dois últimos classificados: Mortágua, que somou os três pontos apenas pela segunda vez; e o Gouveia, que conta uma única vitória, por curiosidade, frente ao U. Tomar…
Noutra perspectiva, os nabantinos ganharam os jogos realizados ante os emblemas que ocupam, nesta altura, o 3.º e 5.º posto (respectivamente, V. Sernache e B. C. Branco), assim como ao agora 9.º classificado (Marinhense). Mas, como se vai entendendo, as posições na pauta classificativa pouco significam, para já, sendo muito mais importante a pontuação que se vai somando.
Destaques – Tendo sido realizados seis jogos nesta 9.ª ronda (dado o adiamento do Lusitânia-Peniche), registaram-se três igualdades, enquanto os outros três desafios foram decididos pela margem mínima. Ainda assim, o destaque vai, de novo, para o União 1919, que se impôs por 2-1 ante o Benfica e Castelo Branco, com o tento decisivo a ser apontado a dois minutos do termo do tempo regulamentar. Desde a 4.ª jornada que não tínhamos um guia com dois pontos de vantagem.
Outra nota de realce vai para o Mortágua, que, mostrando muito mais do que a classificação que ocupa poderia fazer supor, dominou, praticamente desde início, o encontro em Tomar. Tal como sucedera na partida com o Marinhense, os unionistas tiveram uma má entrada, sem conseguir “pegar no jogo”, perante a iniciativa contrária, com a formação forasteira sempre mais dinâmica. Marcando cedo, ainda antes dos dez minutos, o que viria a ser o único tento, os visitantes estiveram mais perto de poder ampliar a vantagem do que o União de chegar ao empate.
Deverá, ainda, atentar-se que, antes da (invulgar) “débacle” sofrida nos derradeiros minutos, o Mortágua tinha chegado já ao final do tempo regulamentar a ganhar por 3-1 na Sertã, tendo, no feriado de 1 de Novembro, imposto um nulo ao então líder, Alverca “B”.
Num confronto entre os dois clubes que, em anos recentes, militaram em escalão superior (“Liga 3”), uma equipa do Fontinhas, com um desempenho algo irregular neste primeiro terço do campeonato, derrotou um dos candidatos à subida de divisão, U. Santarém (que sofreu segundo desaire sucessivo), por 3-2. Numa partida renhida, os açorianos estiveram sempre em vantagem, pese embora os escalabitanos ainda tenham conseguido restabelecer a igualdade por duas vezes.
Surpresa – Para além da imprevista derrota dos tomarenses, foi também, de alguma forma, surpreendente o desfecho do embate entre o V. Sernache (3.º classificado) e o Gouveia (último), que saldou numa igualdade a uma bola, com a particularidade de os dois golos terem sido apontados nos dez minutos iniciais: a equipa da Serra marcou ao segundo minuto; os donos da casa empataram logo de seguida.
Confirmações – Nas restantes duas partidas partidas, envolvendo formações com aspirações a lugares na parte superior da tabela, registaram-se outros tantos expectáveis empates: 1-1 no Rabo de Peixe-Marinhense (terceira igualdade consecutiva do conjunto açoriano), também com a singularidade de os dois golos terem sido obtidos num curto espaço de quatro minutos, entre os 27 e os 31; e 0-0 no Sertanense-Alverca “B”, na quarta vez (em cinco jogos dos ribatejanos em terreno alheio) em que o nulo subsistiu até final.
I Divisão Distrital – Numa jornada (também a 9.ª) em que os emblemas teoricamente favoritos se impuseram, portanto, sem especiais surpresas a assinalar, a principal nota de destaque vai para a série, já de sete vitórias consecutivas, que o líder, Fátima, leva em curso, tendo ido ganhar, a um reduto bastante difícil, ao Torres Novas, por tangencial 1-0, com um tento de um dos líderes da tabela de melhores marcadores da prova, Cristiano Aniceto.
O Ferreira do Zêzere reagiu da melhor forma ao desaire sofrido, no feriado, nas Fazendas de Almeirim, indo vencer a Amiais de Baixo por 3-1, confirmando que o Amiense está, esta época, muito distante do nível que atingiu no campeonato anterior, para já em modesta 13.ª posição.
O Samora Correia obteve também um notável triunfo, em Salvaterra de Magos, por 2-1, com o golo decisivo a ser apontado, na conversão de uma grande penalidade, já em período de compensação, numa tarde em que os samorenses terminaram o desafio reduzidos a oito elementos (tendo chegado ao tento da vitória quando jogavam já com dois homens a menos)!
O Abrantes e Benfica, vencedor em Mação, por 1-0, completa (a par dos ferreirenses e da turma de Samora) o trio de perseguidores do comandante, todos apenas a dois pontos, num campeonato que parece apresentar-se bastante desnivelado, especialmente entre as seis / oito equipas da frente e as cinco da cauda da tabela.
Depois de ter perdido em Fátima por claro 3-0, o Coruchense aplicou a mesma marca frente ao Cartaxo; enquanto o Alcanenense obteve também importante vitória (2-1) na Moçarria, marcando igualmente o golo determinante em tempo de compensação. O Fazendense não teve dificuldades para bater, em terreno alheio, o Vasco da Gama, por 3-1.
Assinala-se, por fim, o inusitado “placard” (4-4) verificado no At. Ouriense-Forense, depois de os visitantes terem chegado a dispor de vantagem de 3-0, e de 4-1, a vinte minutos do termo.
II Divisão Distrital – U. Atalaiense (mesmo não tendo ido além do empate a um golo nos Riachos) e Tramagal (ganhando 2-0 na Ortiga, sendo o único clube só com vitórias) são, para já, as duas equipas a salientar, liderando as respectivas séries.
O Entroncamento AC, depois de um arranque deveras afirmativo (com duas goleadas por “chapa” 9), foi derrotado por categórico 3-0 pelo Espinheirense, com quem reparte a 2.ª posição, a três pontos da U. Atalaiense. Muito surpreendente foi a goleada (6-1) do At. Pernes ao U. Almeirim.
Na série mais a Sul tudo está ainda muito embrulhado, após as três rondas iniciais: Pontével e Glória do Ribatejo somam seis pontos; Marinhais (vencendo por 3-0 no “derby” com o Porto Alto) e Benavente, ambos com cinco; e Porto Alto e Paço dos Negros, com quatro pontos.
Antevisão – Na 10.ª jornada do Campeonato de Portugal as atenções estarão focadas, principalmente, no U. Santarém-Rabo de Peixe, B. C. Branco-V. Sernache e Marinhense-Lusitânia, enquanto o U. Tomar terá uma difícil deslocação a Alverca.
Na I Divisão Distrital, realce para os seguintes encontros: Fátima-Amiense, Fazendense-Mação e Alcanenense-Coruchense. No escalão secundário, destaque para o Glória do Ribatejo-Benavente, U. Atalaiense-Espinheirense, Entroncamento AC-Águias Alpiarça e Tramagal-Pego.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 9 de Novembro de 2023)
Liga Conferência Europa – 4ª Jornada – Resultados e Classificações
Grupo A
Slovan Bratislava – Lille – 1-1
Olimpija Ljubljana – KÍ Klaksvík – 2-0
1º Lille, 8; 2º Slovan Bratislava, 7; 3º KÍ Klaksvík, 4; 4º Olimpija Ljubljana, 3
Grupo B
Breiðablik – Gent – 2-3
Zorya Luhansk – Maccabi Tel-Aviv – 1-3
1º Gent, 10; 2º Maccabi Tel-Aviv, 9; 3º Zorya Luhansk, 4; 4º Breiðablik, 0
Grupo C
Astana – Ballkani – 0-0
Viktoria Plzeň – Dinamo Zagreb – 1-0
1º Viktoria Plzeň, 12; 2º Ballkani e Astana, 4; 4º Dinamo Zagreb, 3
Grupo D
Club Brugge – Lugano – 2-0
Beşiktaş – Bodø/Glimt – 1-2
1º Club Brugge, 10; 2º Bodø/Glimt, 7; 3º Lugano, 4; 4º Beşiktaş, 1
Grupo E
Aston Villa – AZ Alkmaar – 2-1
Legia Warszawa – Zrinjski Mostar – 2-0
1º Aston Villa e Legia Warszawa, 9; 3º Zrinjski Mostar e AZ Alkmaar, 3
Grupo F
Ferencvárosi – Genk – 1-1
Čukarički – Fiorentina – 0-1
1º Fiorentina, 8; 2º Ferencvárosi e Genk, 6; 4º Čukarički, 0
Grupo G
HJK Helsinki – Eintracht Frankfurt – 0-1
PAOK – Aberdeen – 2-2
1º PAOK, 10; 2º Eintracht Frankfurt, 9; 3º Aberdeen, 2; 4º HJK Helsinki, 1
Grupo H
Ludogorets – Fenerbahçe – 2-0
Nordsjælland – Spartak Trnava – 1-1
1º Fenerbahçe, 9; 2º Nordsjælland, 7; 3º Ludogorets, 6; 4º Spartak Trnava, 1
O Viktoria Plzeň foi a primeira equipa a garantir, ainda com duas rondas por disputar, o apuramento para os 1/8 de final.
Liga Europa – 4ª Jornada – Resultados e Classificações
Grupo A
West Ham – Olympiacos – 1-0
Freiburg – Bačka Topola – 5-0
1º Freiburg e West Ham, 9; 3º Olympiacos, 4; 4º Bačka Topola, 1
Grupo B
AEK – O. Marseille – 0-2
Ajax – Brighton – 0-2
1º O. Marseille, 8; 2º Brighton, 7; 3º AEK, 4; 4º Ajax, 2
Grupo C
Rangers – Sparta Praha – 2-1
Betis – Aris Limassol – 4-1
1º Betis, 9; 2º Rangers, 7; 3º Sparta Praha, 4; 4º Aris Limassol, 3
Grupo D
Atalanta – Sturm Graz – 1-0
Sporting – Raków Czestochowa – 2-1
1º Atalanta, 10; 2º Sporting, 7; 3º Sturm Graz, 4; 4º Raków Czestochowa, 1
Grupo E
LASK – Union Saint-Gilloise – 3-0
Toulouse – Liverpool – 3-2
1º Liverpool, 9; 2º Toulouse, 7; 3º Union Saint-Gilloise, 4; 4º LASK, 3
Grupo F
Maccabi Haifa – Villarreal – 1-2
Stade Rennais – Panathinaikos – 3-1
1º Stade Rennais, 9; 2º Villarreal, 7; 3º Panathinaikos, 4; 4º Maccabi Haifa, 2
Grupo G
Slavia Praha – Roma – 2-0
Servette – Sheriff Tiraspol – 2-1
1º Slavia Praha e Roma, 9; 3º Servette, 4; 4º Sheriff Tiraspol, 1
Grupo H
BK Häcken – Molde – 1-3
Qarabağ – Bayer Leverkusen – 0-1
1º Bayer Leverkusen, 12; 2º Molde e Qarabağ, 6; 4º BK Häcken, 0
O Bayer Leverkusen foi a primeira equipa a garantir, ainda com duas rondas por disputar, o apuramento para os 1/8 de final.
Liga dos Campeões – 4ª Jornada – Resultados e Classificações
Grupo A
Bayern München – Galatasaray – 2-1
København – Manchester United – 4-3
1º Bayern München, 12; 2º København e Galatasaray, 4; 4º Manchester United, 3
Grupo B
Arsenal – Sevilla – 2-0
PSV Eindhoven – Lens – 1-0
1º Arsenal, 9; 2º Lens e PSV Eindhoven, 5; 4º Sevilla, 2
Grupo C
Real Madrid – Sp. Braga – 3-0
Napoli – Union Berlin – 1-1
1º Real Madrid, 12; 2º Napoli, 7; 3º Sp. Braga, 3; 4º Union Berlin, 1
Grupo D
FC Salzburg – Inter – 0-1
Real Sociedad – Benfica – 3-1
1º Real Sociedad e Inter, 10; 3º FC Salzburg, 3; 4º Benfica, 0
Grupo E
Lazio – Feyenoord – 1-0
At. Madrid – Celtic – 6-0
1º At. Madrid, 8; 2º Lazio, 7; 3º Feyenoord, 6; 4º Celtic, 1
Grupo F
AC Milan – Paris Saint-Germain – 2-1
Borussia Dortmund – Newcastle – 2-0
1º Borussia Dortmund, 7; 2º Paris Saint-Germain, 6; 3º AC Milan, 5; 4º Newcastle, 4
Grupo G
Crvena zvezda – RB Leipzig – 1-2
Manchester City – Young Boys – 3-0
1º Manchester City, 12; 2º RB Leipzig, 9; 3º Crvena zvezda e Young Boys, 1
Grupo H
Shakhtar Donetsk – Barcelona – 1-0
FC Porto – Royal Antwerp – 2-0
1º FC Porto e Barcelona, 9; 3º Shakhtar Donetsk, 6; 4º Royal Antwerp, 0
Bayern München, Real Madrid, Real Sociedad, Inter, Manchester City e RB Leipzig garantiram já – ainda com duas jornadas por disputar – o apuramento para os 1/8 de final.
Liga dos Campeões – 4ª Jornada – Real Sociedad – Benfica
Real Sociedad – Alejandro “Álex” Remiro, Aritz Elustondo (86m – Álvaro Odriozola), Igor Zubeldia, Robin Le Normand, Aihen Muñoz, Brais Méndez (70m – Beñat Turrientes), Martín Zubimendi, Mikel Merino, Takefusa Kubo (70m – Carlos Fernández), Ander Barrenetxea (78m – Arsen Zakharyan) e Mikel Oyarzabal
Benfica – Anatoliy Trubin, António Silva, Nicolás Otamendi, Felipe Silva “Morato”, João Neves, Florentino Luís (31m – David Jurásek), João Mário (85m – Francisco “Chiquinho” Machado), Fredrik Aursnes, Ángel Di María (85m – Casper Tengstedt), Rafael “Rafa” Silva (85m – Gonçalo Guedes) e Arthur Cabral (64m – Petar Musa)
1-0 – Mikel Merino – 6m
2-0 – Mikel Oyarzabal – 11m
3-0 – Ander Barrenetxea – 21m
3-1 – Rafael “Rafa” Silva – 49m
Cartões amarelos – Ander Barrenetxea (63m) e Carlos Fernández (86m); Florentino Luís (20m)
Árbitro – Anthony Taylor (Inglaterra)
A exibição do Benfica esta tarde/noite em San Sebastián foi, pelo menos durante a meia hora inicial, um verdadeiro descalabro, com a equipa completamente perdida dentro de campo, à mercê de um adversário que, ainda assim, foi perdulário.
O problema é que esta situação não é nova nesta temporada: já assim sucedera no jogo de estreia, frente ao Salzburg, e, também em Milão, frente ao Inter. Sendo que, desta feita, ficou bem mais evidente que soluções improvisadas, não rotinadas, nem trabalhadas, ou porventura, nem sequer devidamente testadas, são meio caminho andado para o desastre.
Com Morato adaptado a lateral esquerdo, numa rara defesa a três, e João Neves, numa posição híbrida, entre lateral direito e ala, o Benfica ensaiava ainda o posicionamento das suas peças em campo, quando, logo ao sexto minuto, a Real Sociedad inaugurava o marcador.
Com um grupo que faz do colectivo a sua maior força, em flagrante contraponto com o mostrado pelo Benfica nesta partida, com os seus jogadores a saberem perfeitamente o que fazer dentro de campo, com uma fluidez como se “jogassem de olhos fechados”, aproveitando o desnorte contrário, os visitados rapidamente ampliariam a contagem.
Se é que subsistiam ainda, antes do desafio começar, algumas aspirações da parte da formação portuguesa, a verdade é que o assunto “Champions” ficava arrumado para o Benfica, em pouco mais de dez minutos…
Pouco depois (ao minuto 15), outra vez a bola introduzida na baliza de Trubin, desta vez num lance invalidado pelo “VAR”. Mas seria apenas o adiar do 3-0, que surgiria mesmo, num lance de bela execução técnica de Barrenetxea, apenas com 21 minutos jogados!
Para se aquilatar do “terror” que o Benfica viveu durante essa meia hora, a equipa da casa desperdiçaria ainda uma grande penalidade (aos 29 minutos), por Brais Méndez… tendo tido, entretanto, um outro “golo” invalidado.
Roger Schmidt, a ver a devastação que os seus comandados iam sentindo, foi forçado a rectificar, em ordem a procurar minimizar os danos, fazendo sair, estavam decorridos apenas 31 minutos, Florentino, de forma a colocar em campo um defesa lateral, Jurásek.
O jogo de alguma forma “estabilizaria”, com a Real Sociedad também a perceber que não havia necessidade de manter tão alta rotação.
Na segunda parte o Benfica teve uma boa entrada, com um golo (que seria o de “honra”) logo ao quarto minuto, a dar algum ânimo. Mas, na realidade, nunca deu a sensação de que pudesse ter capacidade para, sequer, colocar o resultado em dúvida, podendo, aliás, os donos da casa ter ainda chegado ao golo de novo.
Com a turma basca praticamente a limitar-se a gerir a vantagem e o tempo durante a segunda metade, o Benfica acabou por escapar ao que, a certa altura, se temeu pudesse ser uma das maiores goleadas sofridas na sua história, tendo acabado por atenuar o impacto da derrota, com um resultado deveras lisonjeiro.
Ainda com duas jornadas por disputar, acumulando quatro desaires em outros tantos jogos disputados, tendo-se, enfim, estreado a marcar na presente edição da prova, o Benfica está já virtualmente afastado da “Liga dos Campeões”, mais não podendo, nesta altura, que sonhar com o 3.º lugar do grupo, ainda assim, um objectivo que, por ora, parece longínquo (na medida em que implicará, necessariamente, ganhar em Salzburgo; e, excepto se conseguisse, na próxima ronda, reduzir o diferencial de três pontos, ganhar por mais de dois golos!).
O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 7ª Jornada

(“O Templário”, 02.11.2023)
Ao nono jogo da temporada (incluindo a partida da Taça de Portugal), enfrentando, em desafio da 7.ª jornada, um adversário (Marinhense) com fortes aspirações neste campeonato, o U. Tomar, realizando a sua melhor exibição até à data, alcançou um meritório triunfo, o qual, aliás, poderia ter sido averbado por margem mais dilatada que o solitário golo registado no marcador final.
Considerando também os encontros já disputados (de forma antecipada) da 8.ª ronda, o grupo unionista – tendo somado dez pontos – reparte, nesta altura, o 9.º posto, precisamente com tal oponente, distando apenas três pontos do agora novo líder, de forma absolutamente inesperada, o União 1919; e somente dois pontos face ao quarteto que partilha a vice-liderança, constituído por Alverca “B”, Lusitânia (estes dois com um jogo a menos), U. Santarém e V. Sernache.
Destaques – A primeira nota de realce vai para o extremo equilíbrio que vai subsistindo na tabela classificativa, com os dez primeiros concentrados num curto intervalo de três pontos, quanto nos aproximamos já da conclusão do primeiro terço da prova. Numa competição em que “todos podem ganhar a todos”, o União 1919 foi o único dos seis primeiros classificados à entrada para esta jornada a conseguir vencer – tendo os dois anteriores guias, U. Santarém e V. Sernache, sido derrotados, tal como o Marinhense; enquanto Lusitânia e Rabo de Peixe não foram além de nulos.
Começa, pois, por destacar-se o desempenho do recém-promovido União 1919 (primeiro adversário do U. Tomar nesta época), o qual, depois de três desaires sucessivos, encarrilou também uma série de três triunfos – sendo que, por curiosidade, nenhum outro clube teve ainda, na presente edição da prova, uma série tão negativa ou tão positiva. Depois de ganhar ao Sertanense e de ter goleado em Gouveia, os conimbricenses voltaram a impor-se, no seu reduto, pela marca de 2-0, frente a um dos anteriores guias, V. Sernache, arrebatando o comando.
Em evidência continua a estar a jovem equipa “B” do Alverca, tendo derrotado o U. Santarém – que parecia ir em ganho de embalagem, tendo, nas quatro partidas precedentes, cedido um único empate – por 3-1. Depois de, ainda cedo, se ter visto em desvantagem, a turma de Alverca repôs a igualdade logo a abrir a segunda metade, importante tónico para consumar a reviravolta, que viria a confirmar já em período de compensação, num jogo algo “acidentado”, com uma expulsão para cada lado na primeira parte, tendo os vencedores terminado reduzidos a nove elementos.
Em Tomar, o União não entrou bem no jogo, vendo o Marinhense assumir a iniciativa, e remetendo o conjunto da casa para o seu meio-campo. Não tendo tal domínio tido tradução em flagrantes ocasiões de golo, os unionistas começaram a “soltar-se” e, arrancando para uma notável exibição, até final da primeira parte, tiveram uma “mão cheia” de oportunidades para marcar, em especial com duas bolas nos ferros da baliza e três boas defesas do guardião da Marinha.
O golo que proporcionaria a terceira vitória dos nabantinos, em quatro partidas realizadas em Tomar, viria a surgir apenas decorridos os dez minutos iniciais do segundo tempo, na sequência de um canto, numa “combinação” entre os dois defesas centrais, com Nuno Rodrigues, de cabeça, a assistir Henrique Matos, para o remate vitorioso. Perante um adversário surpreendentemente incapaz de ripostar, seriam ainda os tomarenses, perdulários, a desperdiçar, pelo menos, outras três ocasiões, em que, em rápidas transições, levaram muito perigo junto à baliza contrária.
Surpresas – Numa tarde de pouco acerto para os três emblemas açorianos, não tendo, nenhum deles, conseguido marcar, mesmo actuando todos em casa, o Fontinhas foi surpreendido por um irreverente Peniche, tendo bastado um tento para regressar ao continente com os três pontos.
Tão ou mais inesperado terá sido o nulo cedido pelo Lusitânia – que tanto impressionara em Tomar (e que boa conta dera ante o Benfica) –, na recepção ao “lanterna vermelha”, Gouveia, que vinha de uma goleada (1-5), sofrida em casa, ante o União 1919 (e que subsiste em penúltimo).
Confirmações – Num confronto entre duas equipas com aspirações (pese embora a posição, nos lugares da cauda da pauta classificativa, dos albicastrenses), Rabo de Peixe e Benfica e Castelo Branco neutralizaram-se, não tendo sido desfeito o nulo no marcador.
A outra “confirmação” esteve mesmo à beira de ser uma “surpresa”: ao minuto 89, o Mortágua (último classificado) ganhava na Sertã por 3-1… até que, no período de compensação (que se estendeu ao longo de cerca de dez minutos), o Sertanense operou uma “épica” reviravolta, começando por, apenas num reduzido intervalo de dois minutos (aos 89 e 91), repor a igualdade, para aos 90+9 chegar mesmo ao golo da vitória, por 4-3!
I Divisão Distrital – No duelo de líderes o Ferreira do Zêzere foi mais forte, tendo batido o Abrantes e Benfica (que, nas seis jornadas iniciais, consentira um único tento, nos Amiais de Baixo) por 2-0: um golo a fechar a primeira parte, e outro ainda antes do quarto de hora da etapa complementar sentenciaram o desafio, passando os ferreirenses a ser a única equipa invicta!
“Pé ante pé”, o Fátima, que tivera um “arranque em falso”, com um empate (pese embora no difícil reduto das Fazendas de Almeirim) e, pior, uma derrota caseira ante o Ferreira do Zêzere, somou quinta vitória consecutiva, ascendendo ao 2.º lugar, colado como uma “sombra” ao guia, somente a um ponto. Em doze minutos (entre os 43 e os 55) resolveu a contenda na Moçarria, vindo a triunfar por 4-1, também num campo tradicionalmente difícil.
O Torres Novas esteve também em especial evidência, quebrando a invencibilidade do Coruchense, ganhando, em terreno alheio, por 1-0, mercê de um tento apontado ainda antes dos 20 minutos, que lhe permite alcandorar-se a um lugar no pódio, que partilha com Samora Correia e Abrantes e Benfica, todos apenas a três pontos do comandante.
Os samorenses voltaram a expor as fragilidades do Vasco da Gama, goleando, fora de casa, por 6-2. Por seu lado, o Mação, desforrou-se da goleada sofrida há uma semana, batendo o Forense por 3-0, com duas das equipas recém-promovidas, a denotar, por ora, dificuldades a este nível.
Não seria expectável o diferencial de 3-0 (com os três golos nos últimos dez minutos) registado no At. Ouriense-Cartaxo, no que constitui, aliás, a primeira vitória do grupo de Ourém na prova. O Salvaterrense interrompeu um ciclo de três desaires, ganhando ao Alcanenense, por 2-1.
Num embate que colocava frente-a-frente, o 2.º e 3.º classificados da última época, que disputaram o título de Campeão com o U. Tomar até à última jornada, Amiense e Fazendense empataram também sem golos, com os visitados num modesto 12.º lugar, e os forasteiros no 7.º.
II Divisão Distrital – Jogou-se apenas na série B, com o Entroncamento AC a ceder um imprevisto empate (1-1) na recepção ao Riachense, do que aproveitou o U. Atalaiense (somando terceiro triunfo em três jogos, face ao At. Pernes, por 1-0) para se isolar na liderança da prova.
Antevisão – O Campeonato de Portugal tinha agendados, para o feriado de 1 de Novembro, dois dos três jogos que subsistiam por realizar da 8.ª ronda, prosseguindo, no fim-de-semana, com a 9.ª jornada, com destaque para os encontros: União 1919-B. C. Branco, Fontinhas-U. Santarém e Rabo de Peixe-Marinhense. O U. Tomar enfrenta jogo muito importante, recebendo o Mortágua.
A I Divisão Distrital teve também a 8.ª ronda no feriado (com duelos empolgantes: Fazendense-Ferreira Zêzere e Fátima-Coruchense; para além do “derby” Forense-Salvaterrense), estando a 9.ª agendada para Domingo, com realce para o Amiense-Ferreira Zêzere e o Torres Novas-Fátima.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 2 de Novembro de 2023)



