O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/4 de final

(“O Templário”, 30.01.2025)
No que constitui o seu melhor momento na presente temporada, o U. Tomar surpreendeu o “Rei da Taça”, Fazendense, garantindo o apuramento para as meias-finais da “prova rainha”, o que alcança pela quinta vez no seu historial (em 26 participações na Taça do Ribatejo), após ter atingido, pelo menos, essa fase, também nas épocas de 2002-03, 2017-18, 2019-20 e 2020-21.
De resto, os dois primeiros do campeonato (Ferreira do Zêzere e Samora Correia) confirmaram, com naturalidade, também na Taça, o bom desempenho que vêm exibindo, completando o Abrantes e Benfica o leque de semi-finalistas. As meias-finais, a disputar a duas mãos, têm, pois, o seguinte alinhamento: U.Tomar-Samora Correia; e Abrantes e Benfica-Ferreira do Zêzere.
Destaques – A grande nota de realce dos quartos-de-final vai, indubitavelmente, para a proeza averbada pelo U. Tomar, afastando da prova o “recordista” de troféus na competição, Fazendense (cinco Taças do Ribatejo conquistadas, nos anos de 2006, 2012, 2014, 2016 e 2022).
Contando com alguns reforços, e dando seguimento às boas indicações que deixara já em Samora Correia, ante o vice-líder, o União – após ter defrontado o 1.º e 2.º classificados do campeonato – teve excelente entrada em jogo na recepção ao 3.º da tabela, Fazendense, inaugurando o marcador ainda dentro dos dez primeiros minutos, a traduzir a maior iniciativa até então assumida.
Tendo registado ainda outras boas acções ofensivas, os tomarenses viriam, contudo, a sofrer o tento do empate, próximo da meia hora de jogo. Não se descompondo, a turma unionista, bastante personalizada, recolocar-se-ia em vantagem (2-1) apenas dez minutos volvidos, resultado que se verificava ao intervalo.
No recomeço, o Fazendense voltaria a restabelecer a igualdade, tal como no primeiro golo do desafio, a favor do União, na sequência de um livre. A turma nabantina ia começando a denotar algumas dificuldades físicas, para suster o ritmo contrário, mas conseguiria ainda, a meio do segundo tempo, colocar-se, pela terceira vez, na frente do marcador!
Até final, o grupo das Fazendas intensificaria a pressão, vindo a fixar o 3-3 a escassos dois minutos dos noventa. Em tempo de compensação, Torres Gomez, melhor goleador do campeonato, podia ter ainda marcado, mas não foi evitado o recurso às grandes penalidades como fórmula de desempate, onde os tomarenses tiveram 100% de eficácia, face a uma única falha do adversário, com o guarda-redes unionista, Daniel Sebastião, a defender o terceiro remate.
Confirmações – A avaliar pelos números, os dois emblemas da frente da tabela da I Divisão Distrital, com expressivas vitórias, averbadas em terreno alheio, não experimentaram particulares dificuldades para superar esta ronda, e garantir a progressão para a fase seguinte da prova.
O guia do campeonato, Ferreira do Zêzere, deslocou-se ao Entroncamento, para defrontar o antepenúltimo (14.º) classificado, Entroncamento AC, tendo goleado por categórico 5-1. Por seu lado, o vice-líder, Samora Correia, em visita a Alpiarça, derrotou o Águias (13.º) por 3-0.
Os ferreirenses, actuais detentores do troféu, atingem as meias-finais da Taça pela sexta vez (depois das temporadas de 1989-90, 1998-99, 1999-00, 2000-01 e 2023-24). Por seu lado, os samorenses marcam presença no lote dos últimos quatro apurados da competição já pela oitava vez (após as épocas de 1981-82, 1982-83, 1993-94, 1996-97, 2007-08, 2019-20 e 2020-21).
A equipa do Abrantes e Benfica materializou a vantagem (teórica) de jogar no seu reduto, tendo afastado o Alcanenense (finalista da prova nas duas edições precedentes), ganhando por 3-1. Os abrantinos inauguraram o marcador ainda no quarto de hora inicial, tendo consentido o golo do empate nos minutos iniciais da segunda metade. Mas, de forma assertiva, marcariam mais dois tentos, fixando o “placard” a um quarto de hora do termo do desafio.
Esta é também a quinta participação do “renovado” (pese embora centenário) clube de Abrantes nas meias-finais da Taça do Ribatejo – a quarta consecutiva, depois de uma primeira presença em 2018-19; sendo que, ao contrário dos restantes apurados, busca ainda o seu primeiro troféu.
Liga 3 – Concluiu-se, com a disputa da 18.ª jornada, a primeira fase da “Liga 3”, não tendo havido alterações na classificação, no que respeita aos lugares cimeiros: com os empates registados no Restelo (0-0, num decisivo Belenenses-Académica) e nos Açores (2-2, no Lusitânia-Sporting “B”), as equipas do Belenenses (3.º) e Sporting “B” (4.º) confirmaram o apuramento para a fase de promoção, juntamente com os dois primeiros desta série B (Atlético e 1.º Dezembro).
Estes quatro clubes disputarão, com os quatro primeiros da série A (Lusitânia de Lourosa, Varzim, Fafe e Amarante) os dois lugares de subida directa à II Liga, sendo que o 3.º classificado deste torneio (em 14 rondas) terá de jogar um “play-off” com o 16.º classificado de tal escalão.
Quanto ao U. Santarém, que necessitava ganhar, acabou por ver-se derrotado na Covilhã, por 3-1, terminando na 6.ª posição, logo após a Académica, pelo que se vê relegado para a fase de manutenção, integrando uma série constituída por seis equipas (prova a disputar em dez jornadas), de que os dois últimos classificados serão despromovidos ao Campeonato de Portugal.
Em moldes inovadores nesta época, no que respeita ao regime de pontuação, as equipas partirão para essa segunda fase com um total de pontos decorrente de bonificações calculadas em função (i) da posição que obtiveram na primeira fase; e, cumulativamente, (ii) dos pontos averbados em tal fase: o U. Santarém, enquanto 6.º classificado, com 24 pontos, iniciará a fase de manutenção considerando as bonificações, respectivamente, de 5 + 2 pontos (total de 7 pontos). Os seus competidores partirão com as seguintes pontuações: Académica (6 + 3 = 9); Caldas (4 + 2 = 6); Sp. Covilhã (3 + 2 = 5); Oliveira do Hospital (2 + 1 = 3); e Lusitânia (1 + 0 = 1).
Campeonato de Portugal – O Fátima prossegue a sua muito boa campanha nesta prova, tendo somado terceiro triunfo sucessivo, ao receber e bater o Benfica e Castelo Branco por 1-0.
Os fatimenses (16 pontos) mantêm o 4.º posto, que partilham com o Marinhense, a quatro pontos do 2.º classificado (Peniche), tendo ampliado para confortáveis oito pontos a vantagem em relação à zona de despromoção, quanto restam disputar dez jornadas.
Antevisão – No arranque da segunda volta da I Divisão Distrital, a primeira nota vai para o “clássico dos clássicos” do futebol distrital, com o Torres Novas, também a comemorar o centenário da instituição do primitivo Torres Novas F.C., a receber o U. Tomar. Após 100 jogos oficiais entre os dois emblemas, os tomarenses levam ligeira vantagem ( 42 vitórias, face a 38, tendo-se registado 20 empates). Naturalmente, esta estatística altera-se contando apenas os encontros realizados em Torres Novas, com 29 triunfos dos torrejanos, contra 11 dos nabantinos.
De especial interesse será também o desafio que coloca frente-a-frente o 2.º e 3.º classificados, com o Samora Correia a receber o Fazendense, numa espécie de última cartada dos visitantes, “proibidos” de perder, perante um rival que segue com uma fantástica série de 14 vitórias!
Já o guia, Ferreira do Zêzere, é claramente favorito na recepção ao Águias de Alpiarça, podendo, cumprindo o seu papel, tirar partido do desfecho do embate de Samora.
No escalão secundário, destacam-se os seguintes encontros: Marinhais-Moçarriense, Caxarias-Tramagal e Vasco da Gama-Espinheirense. O comandante da série Sul, Porto Alto, recebe uma das equipas na posição de “lanterna vermelha”, Paço dos Negros.
Por seu turno, no Campeonato de Portugal, o Fátima desloca-se precisamente ao terreno do vice-líder da sua série, Peniche, podendo inclusivamente, em caso de vitória, entrar, de forma sensacional, na luta por um eventual apuramento para a fase final, de disputa da promoção.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 30 de Janeiro de 2025)
Liga Europa – Sorteio do “Play-off” intercalar
Ferencvárosi – Viktoria Plzeň
FC Porto – AS Roma
AZ Alkmaar – Galatasaray
Midtjylland – Real Sociedad
Union Saint-Gilloise – Ajax
P.A.O.K. – FCSB
Twente – Bodø/Glimt
Fenerbahçe – Anderlecht
Os jogos da primeira mão serão disputados a 13 de Fevereiro de 2025, estando a segunda mão agendada para dia 20 de Fevereiro.
Por seu lado, em função das classificações da “Fase de Liga”, o alinhamento dos 1/8 de final será o seguinte:
Ferencvárosi/Viktoria Plzeň – Lazio ou Athletic Bilbao
FC Porto/AS Roma – Lazio ou Athletic Bilbao
AZ Alkmaar/Galatasaray – Manchester United ou Tottenham
Midtjylland/Real Sociedad – Manchester United ou Tottenham
Union Saint-Gilloise/Ajax – Eintracht Frankfurt ou Ol. Lyonnais
P.A.O.K./FCSB – Eintracht Frankfurt ou Ol. Lyonnais
Twente/Bodø/Glimt – Olympiacos ou Rangers
Fenerbahçe/Anderlecht – Olympiacos ou Rangers
Liga dos Campeões – Sorteio do “Play-off” intercalar
Stade Brestois – Paris Saint-Germain
AS Monaco – Benfica
Juventus – PSV Eindhoven
Feyenoord – AC Milan
Manchester City – Real Madrid
Celtic – Bayern München
Club Brugge – Atalanta
Sporting – Borussia Dortmund
Os jogos da primeira mão serão disputados a 11 e 12 de Fevereiro de 2025, estando a segunda mão agendada para dias 18 e 19 de Fevereiro.
Por seu lado, em função das classificações da “Fase de Liga”, o alinhamento dos 1/8 de final será o seguinte:
Stade Brestois/Paris Saint-Germain – Liverpool ou Barcelona
AS Monaco/Benfica – Liverpool ou Barcelona
Juventus /PSV Eindhoven – Arsenal ou Inter
Feyenoord/AC Milan – Arsenal ou Inter
Manchester City/Real Madrid – At. Madrid ou Bayer Leverkusen
Celtic/Bayern München – At. Madrid ou Bayer Leverkusen
Club Brugge/Atalanta – Lille ou Aston Villa
Sporting/Borussia Dortmund – Lille ou Aston Villa
Liga Europa – 2024-25 – 8ª Jornada – Resultados e Classificação
30.01.2025 - Ajax - Galatasaray 2-1 30.01.2025 - AS Roma - Eintracht Frankfurt 2-0 30.01.2025 - Athletic Bilbao - Viktoria Plzeň 3-1 30.01.2025 - Dynamo Kyiv - RFS Riga 1-0 30.01.2025 - Midtjylland - Fenerbahçe 2-2 30.01.2025 - Twente - Beşiktaş 1-0 30.01.2025 - Ferencvárosi - AZ Alkmaar 4-3 30.01.2025 - FCSB - Manchester United 0-2 30.01.2025 - Maccabi Tel-Aviv - FC Porto 0-1 30.01.2025 - Nice - Bodø/Glimt 1-1 30.01.2025 - Olympiacos - Qarabağ 3-0 30.01.2025 - Ol. Lyonnais - Ludogorets 1-1 30.01.2025 - Rangers - Union Saint-Gilloise 2-1 30.01.2025 - Real Sociedad - P.A.O.K. 2-0 30.01.2025 - Anderlecht - Hoffenheim 3-4 30.01.2025 - Sp. Braga - Lazio 1-0 30.01.2025 - Slavia Praha - Malmö 2-2 30.01.2025 - Tottenham - Elfsborg 3-0
Liga dos Campeões – 2024-25 – 8ª Jornada – Resultados e Classificação
29.01.2025 - Aston Villa - Celtic 4-2 29.01.2025 - Bayer Leverkusen - Sparta Praha 2-0 29.01.2025 - Borussia Dortmund - Shakhtar Donetsk 3-1 29.01.2025 - Young Boys - Crvena zvezda 0-1 29.01.2025 - FC Barcelona - Atalanta 2-2 29.01.2025 - Bayern München - Slovan Bratislava 3-1 29.01.2025 - Internazionale - AS Monaco 3-0 29.01.2025 - FC Salzburg - Atlético de Madrid 1-4 29.01.2025 - Girona - Arsenal 1-2 29.01.2025 - Dinamo Zagreb - AC Milan 2-1 29.01.2025 - Juventus - Benfica 0-2 29.01.2025 - Lille - Feyenoord 6-1 29.01.2025 - Manchester City - Club Brugge 3-1 29.01.2025 - PSV Eindhoven - Liverpool 3-2 29.01.2025 - Sturm Graz - RB Leipzig 1-0 29.01.2025 - Sporting - Bologna 1-1 29.01.2025 - Stade Brestois - Real Madrid 0-3 29.01.2025 - VfB Stuttgart - Paris Saint-Germain 1-4
Liga dos Campeões – 8ª Jornada – Juventus – Benfica
Juventus – Mattia Perin, Timothy Weah, Pierre Kalulu (16m – Manuel Locatelli), Federico Gatti, Weston McKennie, Khéphren Thuram-Ulien (61m – Teun Koopmeiners), Douglas Luiz, Francisco Conceição, Samuel-Germain Mbangula (61m – Nicolás González), Kenan Yıldız e Dušan Vlahović
Benfica – Anatoliy Trubin, Tomás Araújo (90m – João Rego), António Silva, Nicolás Otamendi, Alexander Bah, Florentino Luís, Fredrik Aursnes, Orkun Kökçü (90m – Benjamín Rollheiser), Ángel Di María (72m – Kerem Aktürkoğlu), Evangelos “Vangelis” Pavlídis (84m – Zeki Amdouni) e Andreas Schjelderup (72m – Leandro Barreiro)
0-1 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 16m
0-2 – Orkun Kökçü – 80m
Cartões amarelos – Dušan Vlahović (55m); Nicolás Otamendi (63m) e Alexander Bah (78m)
Árbitro – István Kovács (Roménia)
O (frenético) arranque deste jogo parecia ser a continuação do final do Benfica-Barcelona, com as duas equipas desenfreadamente lançadas no ataque: ainda não estavam completados os dois primeiros minutos, e já tinha havido três ocasiões de perigo, nas imediações das duas balizas! Pavlídis e Schjelderup podiam ter marcado; enquanto Trubin negava também o golo a McKennie.
E, logo aos sete minutos, nova oportunidade, com Pavlídis a lançar Schjelderup, que rematou cruzado, para defesa atenta de Perin.
Apesar de algumas falhas, de parte a parte, tal terá constituído um bom tónico motivacional para a turma benfiquista, a mostrar-se, à medida que o tempo avançava, progressivamente confiante.
É claro que o facto de ter marcado logo à passagem do quarto de hora – tirando também benefício de uma substituição forçada no eixo da defesa contrária – proporcionou uma tranquilidade acrescida, a uma equipa que, ao longo de toda a noite, sempre esteve em posição de apuramento para o “play-off”.
Tal tento surgiu na sequência de uma recuperação de Aursnes, este fez boa abertura para Bah – em novidade nesta partida, a jogar no flanco esquerdo (por impedimento de Carreras), tendo-se saído a contento –, o qual desviou para Pavlídis rematar para o golo. E, ainda antes do intervalo, o Benfica podia ter ampliado a contagem, quando o avançado grego interceptou um passe defeituoso de um defesa contrário.
Até então praticamente inoperante – com sucessivas tentativas de cruzamento de Francisco Conceição, sem resultado prático –, a Juventus procurou ter uma entrada mais afirmativa na segunda metade, mas enfrentaria um colectivo que se mostrou bastante solidário, com muito boa organização defensiva.
Em toda a segunda parte a Juventus assustaria apenas em duas ocasiões, mas com os remates a sair ao lado (um deles, de maior perigo, às malhas laterais da baliza de Trubin).
Já dentro dos derradeiros vinte minutos Bruno Lage procurou colocar “trancas à porta”, com as entradas de Aktürkoğlu (por troca com Di María) e, sobretudo, de Leandro Barreiro.
O golo da confirmação surgiria a dez minutos do final – depois de Barreiro ter falhado o remate pouco antes –, em jogada em que imperou o sentido colectivo (com mais de um minuto de sucessivas trocas de bola), envolvendo, na sua fase final, Aursnes, a libertar, de calcanhar, para Leandro Barreiro, Pavlídis e Aktürkoğlu, que, com uma simulação de corpo, deixou a bola perfeitamente enquadrada para o tiro de Kökçü, sem hipótese de defesa para o guardião.
Até final, a equipa portuguesa levaria ainda perigo à baliza da Juventus, num remate de meia-distância de Aktürkoğlu, com a bola a rasar o poste.
Perante um opositor falho de ideias, com o Benfica a mostrar concentração e competência, o desfecho ajusta-se na perfeição à exibição das duas equipas, em mais uma grande noite europeia.
Numa estatística fantástica entre dois adversários desta cotação, o emblema benfiquista, não só repetiu o triunfo alcançado em Turim há pouco mais de dois anos, como somou a 7.ª vitória em nove jogos frente à Juventus, em contraponto a um único triunfo dos transalpinos, para além de um empate!
Na estreia da fase de Liga da “Champions League” o Benfica termina posicionado no 16.º lugar, portanto, com estatuto de “cabeça-de-série” para os “play-off” (mesmo que, em paralelo, tal signifique, depois, em caso de apuramento, a disputa dos 1/8 de final ante o 1.º ou 2.º classificados, respectivamente, Liverpool e Barcelona).
O Pulsar do Campeonato – 15ª Jornada

(“O Templário”, 23.01.2025)
Diz-nos a experiência que, apenas com metade do campeonato disputado, será prematuro estar a “afastar” liminarmente da luta pelo 1.º lugar uma equipa que dista sete pontos do comando.
Porém, sendo realista – e mesmo que se admita como provável que Ferreira do Zêzere e Samora Correia venham a perder, na segunda volta, mais pontos do que os que até agora cederam (três e cinco, respectivamente) – o Fazendense, registando atraso face a estes competidores, de cinco e sete pontos, tendo acabado de ser categoricamente batido pelo guia, apresenta-se em situação de notória desvantagem, pelo que só o conjugar de uma forte superação com a baixa de rendimento de ambos os rivais lhe permitiria continuar a acalentar o sonho de poder vir a chegar ao título.
Destaques – O destaque maior da 15.ª jornada foi, necessariamente, a forma como o líder, Ferreira do Zêzere, se impôs ao 3.º classificado, Fazendense, derrotado por autoritária marca de 3-0. Tendo-se colocado em vantagem ainda antes dos dez minutos, mercê de um auto-golo, os ferreirenses ficaram, desde muito cedo, em posição confortável no jogo, cujo desfecho ficaria praticamente sentenciado com o segundo tento, alcançado à passagem dos doze minutos da etapa complementar. O 3-0, apontado já em período de compensação, foi a “cereja no topo do bolo”.
Com uma primeira volta quase exemplar, em que somou 14 triunfos em 15 encontros, acumulando a condição de ataque mais concretizador (49 golos marcados) com a de defesa menos batida (somente nove tentos sofridos), é caso para dizer que, não fora o deslize caseiro ante o Samora Correia, e o campeonato poderia estar “entregue”. Assim, mantém-se, para já, a luta a dois.
Deve, por outro lado – e pese embora o resultado final –, realçar-se a forte réplica que o agora novo “lanterna vermelha”, Glória do Ribatejo ofereceu, na recepção ao Coruchense, num “quase derby”, em que os anfitriões (que contam um único triunfo, logo na 4.ª ronda, ante o Salvaterrense) se colocaram em vantagem no marcador à beira do intervalo. Porém, a formação do Sorraia empataria por volta dos dez minutos da segunda metade, vindo a arrancar, “in extremis”, a vitória aos 90+5 minutos, no que, de facto, se traduz na 11.ª derrota consecutiva dos visitados.
Surpresa – Se acabou por não chegar a haver surpresa na Glória, ela aconteceu, e foi bem grande, no Cartaxo, onde o Entroncamento AC (que, nos cinco encontros anteriores, averbara um único ponto) obteve um muito imprevisto triunfo, por 3-2, prolongando assim a série extremamente negativa de resultados dos cartaxeiros, que somaram oitavo desaire nas últimas dez jornadas!
Tal proporcionou ao Entroncamento AC (passando a somar nove pontos), “colar-se” ao Águias de Alpiarça (dez pontos), e, principalmente, afastar-se dos dois últimos classificados, Salvaterrense e Glória do Ribatejo, ambos com cinco pontos – factor da maior relevância, atendendo a que o (bom) desempenho que o Fátima vem registando no Campeonato de Portugal oferece a perspectiva de virem a ser só dois os clubes a despromover à II Divisão Distrital.
Confirmações – Os desfechos dos restantes cinco desafios poderão enquadrar-se no que constituiria a expectativa, começando, desde logo, pelos três empates registados: 0-0 no Salvaterrense-Amiense; 1-1 no Abrantes e Benfica-Alcanenense; e 2-2 no Torres Novas-At. Ouriense, sendo de notar que, por duas vezes, o grupo de Ourém esteve em situação de vantagem, tendo os torrejanos resgatado um ponto, fruto de uma grande penalidade em tempo de descontos.
O Mação ganhou, na recepção ao Águias de Alpiarça, por 3-1, todavia com maiores dificuldades do que o resultado pode deixar aparentar.
Por fim, o Samora Correia confirmou o favoritismo que lhe era atribuído, ganhando por igual marca ao U. Tomar. Os nabantinos, depois dos “scores” muito adversos das duas semanas precedentes tiveram comportamento bastante diferente, para melhor.
Apesar de terem sofrido o primeiro golo ainda antes de decorridos os cinco minutos iniciais, reagiram de forma positiva, vindo a restabelecer a igualdade, poucos minutos volvidos, tendo o 1-1 subsistido até à hora de jogo, altura em que os samorenses fizeram vincar o seu potencial, recolocando-se na frente do “placard”. O 3-1 final chegaria já próximo do termo da partida, não deslustrando a imagem que os unionistas deixaram, frente a um oponente que, constituindo-se no maior desafiante ao líder, obteve o seu 12.º triunfo consecutivo na prova!
II Divisão Distrital – O Porto Alto, alcançando um importante triunfo (2-0) na Moçarria, beneficiou do desaire do Marinhais (goleado por 5-1 em Pontével) para se afastar ainda mais dos perseguidores, dispondo agora de avanço de seis pontos face ao Forense (1-0 ao Benavente, no terceiro jogo sucessivo em casa) e Pontével, e já oito pontos em relação ao Marinhais.
O Tramagal teve boa reacção à derrota sofrida nos Riachos, voltando aos triunfos (nono, em dez encontros disputados), batendo por tangencial 2-1 o até então vice-líder, Vasco da Gama, distanciando, agora, em cinco pontos este rival. Por seu lado, o Vilarense, ganhando por igual desfecho ao Caxarias, retomou a 2.ª posição, somente dois pontos abaixo dos tramagalenses.
Anota-se ainda o imprevisto desaire do Riachense, batido pela margem mínima (1-0) pelo Espinheirense, tendo o conjunto dos Riachos visto quebrada a sua invencibilidade neste campeonato, após ter registado cinco vitórias e quatro empates, atrasando-se face ao topo da tabela, agora já a oito pontos do líder, e a seis do Vilarense.
Liga 3 – À entrada para a derradeira jornada da primeira fase, este campeonato está “ao rubro” no que respeita à contenda pelas quatro vagas de acesso à fase final, de disputa da promoção. O U. Santarém arrancou, a ferros, uma tão preciosa quão sofrida vitória (1-0) na recepção ao Lusitânia, ocupando o 6.º posto, um ponto abaixo do Sporting “B” (4.º) e da Académica (5.º).
Atlético (1.º, com 30 pontos) e 1.º Dezembro (2.º, com 28) garantiram já o apuramento. O Belenenses (3.º, com 26) – derrotado pelo Sporting “B” – depende só de si, bastando-lhe o empate na última ronda, na qual, contudo, terá a visita da Académica, num prélio de “tudo ou nada”; sendo que, por seu lado, a equipa “B” do Sporting viaja até aos Açores, para defrontar o Lusitânia.
Campeonato de Portugal – O Fátima prossegue a sua caminhada bastante segura, tendo ido vencer a Alcains, por 2-1, um triunfo muito importante, na óptica de distanciar ainda mais um dos concorrentes em zona de descida. Com seis vitórias e seis empates (nos quinze encontros realizados), os fatimenses posicionam-se num bom 4.º lugar, agora já com uma margem de sete pontos face à “linha de água” (Sp. Pombal, 10.º classificado), quando restam jogar onze rondas.
Antevisão – Os campeonatos distritais dão passagem à Taça do Ribatejo, para disputa dos quartos-de-final, com o seguinte alinhamento: U. Tomar-Fazendense (logo após terem defrontado o 1.º e o 2.º classificados, os unionistas enfrentam agora o 3.º do campeonato); Entroncamento AC-Ferreira do Zêzere e Águias de Alpiarça-Samora Correia, dispondo os dois clubes do topo da tabela de claro favoritismo, mas actuando em reduto alheio, em desafios de cariz muito específico, a eliminar; e Abrantes e Benfica-Alcanenense, numa “sequela” do embate do passado Domingo.
Na derradeira jornada da primeira fase da Liga 3, o U. Santarém vai de longada até à Covilhã, onde – pese embora sem garantias – só a vitória lhe permitirá ainda poder ambicionar a um lugar nos quatro primeiros e consequente qualificação. No Campeonato de Portugal, o Fátima recebe o Benfica e Castelo Branco, actual 6.º classificado, três pontos atrás dos fatimenses.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 23 de Janeiro de 2025)
Liga Europa – 2024-25 – 7ª Jornada – Resultados e Classificação
21.01.2025 - Galatasaray - Dynamo Kyiv 3-3 22.01.2025 - Beşiktaş - Athletic Bilbao 4-1 23.01.2025 - AZ Alkmaar - AS Roma 1-0 23.01.2025 - FC Porto - Olympiacos 0-1 23.01.2025 - Viktoria Plzeň - Anderlecht 2-0 23.01.2025 - Fenerbahçe - Ol. Lyonnais 0-0 23.01.2025 - Bodø/Glimt - Maccabi Tel-Aviv 3-1 23.01.2025 - Malmö - Twente 2-3 23.01.2025 - Qarabağ - FCSB 2-3 23.01.2025 - Hoffenheim - Tottenham 2-3 23.01.2025 - Eintracht Frankfurt - Ferencvárosi 2-0 23.01.2025 - RFS Riga - Ajax 1-0 23.01.2025 - Elfsborg - Nice 1-0 23.01.2025 - Manchester United - Rangers 2-1 23.01.2025 - P.A.O.K. - Slavia Praha 2-0 23.01.2025 - Ludogorets - Midtjylland 0-2 23.01.2025 - Union Saint-Gilloise - Sp. Braga 2-1 23.01.2025 - Lazio - Real Sociedad 3-1
Liga dos Campeões – 2024-25 – 7ª Jornada – Resultados e Classificação
21.01.2025 - AS Monaco - Aston Villa 1-0 21.01.2025 - Atalanta - Sturm Graz 5-0 21.01.2025 - Atlético de Madrid - Bayer Leverkusen 2-1 21.01.2025 - Bologna - Borussia Dortmund 2-1 21.01.2025 - Club Brugge - Juventus 0-0 21.01.2025 - Crvena zvezda - PSV Eindhoven 2-3 21.01.2025 - Liverpool - Lille 2-1 21.01.2025 - Slovan Bratislava - VfB Stuttgart 1-3 21.01.2025 - Benfica - FC Barcelona 4-5 22.01.2025 - Shakhtar Donetsk - Stade Brestois 2-0 22.01.2025 - RB Leipzig - Sporting 2-1 22.01.2025 - AC Milan - Girona 1-0 22.01.2025 - Sparta Praha - Internazionale 0-1 22.01.2025 - Arsenal - Dinamo Zagreb 3-0 22.01.2025 - Celtic - Young Boys 1-0 22.01.2025 - Feyenoord - Bayern München 3-0 22.01.2025 - Paris Saint-Germain - Manchester City 4-2 22.01.2025 - Real Madrid - FC Salzburg 5-1
Liga dos Campeões – 7ª Jornada – Benfica – Barcelona
Benfica – Anatoliy Trubin, Tomás Araújo, António Silva, Nicolás Otamendi, Álvaro Carreras, Fredrik Aursnes, Florentino Luís (61m – Leandro Barreiro), Orkun Kökçü (80m – Benjamín Rollheiser), Kerem Aktürkoğlu (71m – Alexander Bah), Andreas Schjelderup (71m – Ángel Di María) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (80m – Zeki Amdouni)
Barcelona – Wojciech Szczęsny, Jules Koundé (74m – Eric García), Ronald Araújo, Pau Cubarsí, Alejandro Balde (74m – Ferran Torres), Pablo Gavira “Gavi” (62m – Fermín López), Marc Casadó (62m – Frenkie de Jong), Pedro “Pedri” González, Lamine Yamal (90m+2 – Gerard Martín), Raphael “Raphinha” Belloli e Robert Lewandowski
1-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 2m
1-1 – Robert Lewandowski (pen.) – 13m
2-1 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 22m
3-1 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis (pen.) – 30m
3-2 – Raphael “Raphinha” Belloli – 64m
4-2 – Ronald Araújo (p.b.) – 68m
4-3 – Robert Lewandowski (pen.) – 78m
4-4 – Eric García – 86m
4-5 – Raphael “Raphinha” Belloli – 90m+6
Cartões amarelos – Álvaro Carreras (76m); Pablo Gavira “Gavi” (36m), Jules Koundé (66m), Frenkie de Jong (90m+4) e Fermín López (90m+8)
Cartão vermelho – Arthur Cabral (90m+8 – no banco)
Árbitro – Danny Makkelie (Países Baixos)
O que prometia ser uma noite épica acabaria por transformar-se numa azia monumental.
Foi um jogo alucinante, caótico, vertiginoso, entusiasmante! Mesmo que as duas equipas não tenham realizado exibições de grande nível (sendo que a terceira esteve bastante pior).
Praticamente entrando em campo a ganhar, com o primeiro golo apontado antes de completado o segundo minuto de jogo – poderia, aliás, logo de seguida, ter ampliado a contagem –, e mesmo depois de, rapidamente, o Barcelona ter restabelecido a igualdade, a sensação que imperou foi a de que o Benfica iria marcar mais golos, tal a forma como conseguiu provocar e aproveitar o desacerto defensivo do adversário, com a equipa catalã a denotar algo inesperadas fragilidades.
Imediatamente após o segundo tento de Pavlídis – a aproveitar uma descoordenação entre o guardião e um defesa, que chocaram um com o outro, deixando a bola à mercê do avançado grego – , não foi uma previsão de grande risco a de que teria uma boa oportunidade para vir a alcançar o “hat-trick”; o que talvez não se pensasse era que esses três golos fossem obtidos em menos de meia hora!
O 3-1 surgiria na conversão de uma grande penalidade, por alegada falta (difícil de avaliar) de um desastrado Szczęsny sobre Aktürkoğlu. Ainda assim, mesmo antes do intervalo, o Barcelona dera já nota de que não iria baixar os braços…
Não obstante, a toada de jogo não se alteraria de modo significativo nos primeiros minutos do segundo tempo, com Aursnes a não conseguir ultrapassar o guarda-redes, ainda antes de completado o décimo minuto, no que constituiu uma soberana ocasião de o Benfica poder chegar ao 4-1.
E, como “quem não marca, sofre”, Trubin “retribuiu” a falha clamorosa que originara o segundo tento benfiquista, numa tentativa de saída de bola, que, contudo, tabelou em Raphinha, assim involuntário marcador do 3-2.
Duraria pouco a diferença mínima, tendo bastado apenas mais quatro minutos, para, em mais uma das muitas descidas do Benfica, pelo flanco, após cruzamento de Schjelderup – interceptado por Ronald Araújo, a “tirar o pão da boca” a Pavlídis (no que teria sido um incrível “poker”), mas desviando a bola para o fundo das suas redes –, a equipa portuguesa repor a vantagem de duas bolas.
O 4-2 subsistiria até aos 78 minutos, altura em que, porém, a configuração do jogo mudara já radicalmente: as saídas de Aktürkoğlu e de Schjelderup, supostamente para procurar refrescar o meio-campo, não resultaram de todo, tendo o Benfica perdido por completo o controlo do jogo, impotente para suster a intensidade que o Barcelona colocava então em campo, vendo-se cada vez mais impelido a acantonar-se nas imediações da sua área.
O dique acabaria por ceder na sequência de mais uma grande penalidade, também controversa, a proporcionar aos catalães, não só o reentrar no jogo, mas, como que num sistema de vasos comunicantes, e enquanto o Benfica se afundava, reforçar a confiança de que seria possível levar pontos da Luz.
Procurando fazer “das tripas coração” a formação benfiquista ainda aguentou o resultado até escassos quatro minutos do final do tempo regulamentar, quando o defesa Eric García se antecipou à defesa, para cabecear para o 4-4.
Com o jogo completamente partido, já sem táctica que resistisse, Di María, surgindo isolado frente ao guardião, teve ainda nos pés o que teria sido o 5-4, mas não logrou ludibriar Szczęsny. Tal como Aursnes, foram duas perdidas que acabariam por sair muito caras.
Numa fase inebriada do desafio, já em período de compensação, o Benfica beneficiou ainda de um livre próximo da área do Barcelona; na sequência, Leandro Barreiro isolava-se também, tendo sido tocado pelas costas por um defesa, desequilibrando-se; numa rapidíssima transição (enquanto os benfiquistas ficaram a reclamar a correspondente grande penalidade), um lançamento longo para Raphinha, completamente liberto, a correr todo o campo, pelo flanco direito, internando-se ligeiramente para o “cara-a-cara” com Trubin, ao qual não deu hipótese, culminaria com a bola a anichar-se na baliza.
No final, a verdade é que o Benfica apenas viria a perder por não ter conseguido resistir à vertigem de poder chegar ainda ao quinto golo, e acabar mesmo por ganhar um jogo que, antes, tivera “ganho”, por duas vezes, com o marcador em 3-1, e, sobretudo, 4-2, já dentro do derradeiro quarto de hora.
Este era um encontro em que o objectivo primário seria o de somar o ponto que faltava para garantir, desde logo, a continuidade na prova. Com um livre a seu favor, já com o tempo de compensação a esgotar-se, a equipa benfiquista poderia ter optado por preservar a bola, até ao apito final (que, decerto, não demoraria mais que breves segundos); mas será difícil censurar a (que se revelaria) fatal atracção por tentar o 5-4.
Numa partida com tantas falhas de parte a parte, invocar a arbitragem para justificar o insucesso poderá parecer “desculpa de mau pagador”, mas, na realidade, e no decurso de todo o jogo, Danny Makkelie esteve longe de se mostrar assertivo, aparentemente pouco convencido, ele próprio, das decisões que ia tomando, com notórias e sucessivas hesitações. Teve que ser corrigido pelo “VAR” em lances de grande penalidade (subsistindo a incerteza), sendo que, no instante derradeiro, que originaria o 5.º golo do Barcelona, ter-se-á optado por não desacreditar mais o árbitro, numa jogada susceptível de interpretação, quanto à famosa avaliação da “intensidade” do contacto.
Um árbitro que, no mínimo, tem patenteado alguma infelicidade em jogos com equipas portuguesas: para além de não ter igualmente sancionado com grande penalidade, na época anterior, no jogo do Benfica em Milão, com o Inter, um evidente contacto de Barella sobre David Neres, estivera também associado a um erro crasso, no Sérvia-Portugal, de apuramento para o Mundial de 2022, não tendo então validado um golo em que a bola notoriamente ultrapassara a linha de baliza (o que acabaria por custar à selecção nacional ter de disputar o respectivo play-off).
Foi pena.







