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A Campanha em “Discurso Directo”
As citações “falam por si”, relativamente à elevação e esclarecimento proporcionado pelo debate.
Uma campanha completamente desfocada da realidade, provocando mais do que um inevitável alheamento dos portugueses: afugentando-os mesmo da ida às assembleias de voto – no Domingo à noite lá teremos o tradicional carpir de mágoas pelo elevadíssimo nível de abstenção, e seus efeitos nefastos para a solidez da nossa democracia. Ficou por fazer o balanço de 5 anos de Presidência de Cavaco Silva…
10.01.2011
- Defensor de Moura pede «a demissão do Presidente da República»;
- Manuel Alegre solicita a Cavaco Silva que interrompa a campanha, para «explicar que a subida dos juros da dívida é artificial, que é uma injustiça» junto da Europa;
- Cavaco Silva declara não responder aos adversários «por mais loucos que eles sejam».
11.01.2011
- O mandatário distrital de Cavaco Silva em Portalegre, José Roquete, pede uma maior intervenção do Presidente num segundo mandato, para «mudar o rumo do país»; «Use os seus poderes sem medo e na altura necessária»;
- Cavaco Silva, a propósito da proposta de Manuel Alegre, refere que a mesma «revela uma tal ignorância da política externa que eu nem devo comentar»;
- Manuel Alegre acusa Cavaco Silva de não dar garantias de «estabilidade política e social», e de ter voltado «ao seu estilo antigo, da arrogância, do homem que nunca se engana, que tem sempre razão».
12.01.2011
- Francisco Lopes acusa Cavaco Silva de pretender «desresponsabilizar-se das políticas» do Governo, com que afirma estar «profundamente envolvido», permitindo «uma solução que sirva os especuladores»;
- Manuel Alegre anuncia que a reeleição de Cavaco «pode abrir caminho não apenas para uma mudança de Governo ou da maioria, mas também para uma mudança da democracia», e que, consequentemente, «a democracia deixará de ser a mesma»;
- José Manuel Coelho considera-se como o «José Mourinho da política portuguesa», na sua condição de «outsider».
13.01.2011
- José Manuel Coelho critica a direita portuguesa, integrando como acção de campanha a tentativa de «oferecer um submarino de brincar a Paulo Portas»;
- Fernando Nobre acusa Cavaco Silva de «estimular o medo», ao falar na hipótese de ocorrer a prazo uma crise política;
- Manuel Alegre volta a apontar um cenário catastrofista, acusando a direita de querer a Presidência, o Governo, e a maioria, concluindo: «A democracia será mutilada».
14.01.2011
- Manuel Alegre acusa Cavaco Silva de «violar a laicidade e a separação da igreja do Estado», por ter pedido a um pároco que apelasse aos cidadãos a votarem;
- Em comício em Arcos de Valdevez, Cavaco Silva apresenta-se como o «candidato do povo»;
- José Manuel Coelho acusa Cavaco Silva de «despesismo», afirmando que o gasto anual de 16 milhões de euros não é coerente com o discurso de «poupança e racionalização».
15.01.2011
- Manuel Alegre critica Cavaco Silva por este lamentar que a sua mulher «tenha uma reforma de 800 euros mensais»;
- Fernando Nobre protesta pela falta de cobertura da sua campanha no semanário “Expresso”, considerando que «querem silenciar a sua candidatura presidencial»;
- Francisco Lopes qualifica como «hipócritas» as declarações de Cavaco Silva sobre «alguma injustiça nos cortes salariais».
16.01.2011
- Cavaco Silva afirma que está «montada contra si uma campanha de calúnias, mentiras e insinuações»;
- Manuel Alegre aponta a Cavaco Silva estar a demonstrar «algum nervosismo e alguma perturbação», recordando que foi o recandidato a trazer para a campanha palavras como «louco» e «medíocres»;
- Fernando Nobre declara confiar que o «povo anónimo» lhe vai dar um bom resultado nas eleições, independentemente das intenções de voto que lhe atribuam as sondagens.
17.01.2011
- Defensor Moura acusa Cavaco Silva de ser «inculto politicamente»;
- Manuel Alegre reage às críticas de Cavaco Silva, objectando que é «impróprio um candidato a chefe de Estado nada esclarecer numa campanha»;
- José Manuel Coelho afirma que «Os políticos, tal como as fraldas, têm de ser mudados de vez em quando. Porque senão cheiram mal».
18.01.2011
- Manuel Alegre volta a dramatizar: «Esta é uma luta de vida ou de morte para a democracia nacional»;
- Fernando Nobre acusa Cavaco Silva de «ter destruído o sector produtivo português»;
- Defensor Moura reclama «política com nobreza».
19.01.2011
- Fernando Nobre aproveita «para falar olhos nos olhos a Manuel Alegre e perguntar-lhe se ele na segunda volta desiste a meu favor, porque quem vai à segunda volta com Cavaco Silva sou eu e quem vai vencer o professor Cavaco Silva sou eu»;
- Manuel Alegre critica Cavaco Silva por ter pedido uma eleição à primeira volta «para poupar dinheiro ao país», considerando que o candidato está a ser «populista»;
- Em resposta aos rumores sobre a aquisição da sua casa de férias, Cavaco Silva limita-se a responder «Já chega. De desonestidade já chega».
20.01.2011
- Fernando Nobre considera que o povo vê em Cavaco um «passado que não quer mais», ao mesmo tempo que refere «só desistir se me dessem um tiro na cabeça»;
- Manuel Alegre, a propósito de sondagens desfavoráveis, menciona ter tido «o mesmo sentimento de quando foi anunciada a pseudo-derrota do General Humberto Delgado»;
- José Manuel Coelho critica as «sondagens falsas encomendadas pelos corruptos do país», indicando que os portugueses têm domingo uma «oportunidade para correr com a canalha que prejudica o país».
Mandato de J. F. Kennedy via Twitter
Comemorando o 50º aniversário da tomada de posse de John Fitzgerald Kennedy como Presidente dos EUA, que se cumpre no próximo dia 20 de Janeiro, numa iniciativa da “John F. Kennedy – Presidential Library and Museum“, foi criada uma conta no Twitter, sob a designação @Kennedy1961, na qual têm vindo a ser publicadas mensagens com citações de Kennedy ao longo da campanha eleitoral de 1960 e que, a partir do referido dia do cinquentenário, passará a recordar outras frases do célebre Presidente, ao longo dos seus cerca de 1000 dias de mandato.
Maria do Carmo Fonseca – “Prémio Pessoa” – 2010
A cientista Maria do Carmo Fonseca, de 51 anos, professora catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e directora do Instituto de Medicina Molecular (IMM), foi hoje distinguida com o “Prémio Pessoa”, no valor de 60 mil euros, pelo seu trabalho de investigação.
A sua contribuição original, que inclui cinco publicações durante o ano de 2010 em revistas de grande prestígio internacional, consiste na identificação dos mecanismos de transmissão de mensagens no interior da célula e tem como objectivo final a melhor compreensão de doenças causadas por erros da natureza que afectam esse processo. De um modo simples, pode descrever-se a sua investigação como o estudo do genoma em acção, pela visualização de fenómenos biológicos, por meio de técnicas muito sofisticadas de microscopia. Fora também já galardoada com vários prémios científicos internacionais, como o Dupont de Ciência, o Sala-Trepat e o Pfizer.
Nas edições anteriores do “Prémio Pessoa”, foram premiados:
2009 – D. Manuel Clemente (bispo)
2008 – Carrilho da Graça (arquitecto)
2007 – Irene Pimentel (historiadora e investigadora)
2006 – António Câmara (professor catedrático, empresário e investigador)
2005 – Luís Miguel Cintra (actor e encenador)
2004 – Mário Cláudio (escritor)
2003 – José Gomes Canotilho (constitucionalista)
2002 – Manuel Sobrinho Simões (investigador)
2001 – João Bénard da Costa (crítico e historiador de cinema)
2000 – Emmanuel Nunes (compositor)
1999 – Manuel Alegre (poeta) e José Manuel Rodrigues (fotógrafo)
1998 – Eduardo Souto de Moura (arquitecto)
1997 – José Cardoso Pires (escritor)
1996 – João Lobo Antunes (neurocirurgião)
1995 – Vasco Graça Moura (ensaísta)
1994 – Herberto Hélder (poeta)
1993 – Fernando Gil (filósofo)
1992 – Hannah e António Damásio (neurocientistas)
1991 – Cláudio Torres (arqueólogo)
1990 – Menez (pintora)
1989 – Maria João Pires (pianista)
1988 – António Ramos Rosa (poeta)
1987 – José Mattoso (historiador)
Mapping America: Every City, Every Block (NYT)

Mais uma extraordinária infografia, no The New York Times)
Carlos Pinto Coelho (1944-2010)

Partiu o homem e o grande profissional. Ficamos, todos, um pouco mais pobres.






