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FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – ESLOVÁQUIA (IV)
A República da Eslováquia, pequeno país, situado no “coração da Europa”, no cruzamento de estradas entre o Leste e o Oeste europeu – conforme a letra de uma canção de folclore, “entre as montanhas Tatra e o Rio Danúbio” –, é habitada por menos de 5 milhões e meio de pessoas (86 % de eslovacos; 11 % de húngaros; 2 % de ciganos).
É um país interior, sendo portanto todas as suas fronteiras terrestres, sendo o país rodeado por: República Checa, Áustria, Hungria, Ucrânia e Polónia.
As principais cidades são: Bratislava (450 000 habitantes), Kosice (240 000), Presov (95 000), Nitra (88 000), Zilina (87 000) e Banska Bystrica (85 000).
A maior parte do país é acidentado e montanhoso; as montanhas Tatra (cujo pico mais elevado é o Gerlachovsky), no Norte, reúnem algumas das estações de esqui mais visitadas no país, sendo intercaladas por típicos lagos e vales.
Os montes Cárpatos ocupam a maior parte do território da Eslováquia, formando uma barreira natural entre as planícies da Polónia (ao Norte) e da Hungria (ao Sul).
No sudoeste – região em que se localiza a capital, Bratislava –, as montanhas dão lugar às planícies do vale do Rio Danúbio, que liga a Eslováquia à Áustria e ao Mar Negro, sendo ainda a região atravessada pelos rios Movara e Vah.
A Eslováquia tem mais de 2000 cavernas e inúmeros castelos, para além de cerca de 40 estâncias termais.
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FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – ESLOVÁQUIA (III)
No dia 1 de Janeiro de 1993, foi então criada a República da Eslováquia, independente pela primeira vez em treze séculos. A República Checa e a Eslováquia assinaram acordos que estabelecem uma união aduaneira, bem como uma total liberdade de circulação de capitais e bens.
Em 1995, a Eslováquia e Hungria assinaram um tratado que reconhece fronteiras e dá garantias às minorias étnicas nas duas nações. Não obstante, em Novembro, 600 mil húngaros residentes na Eslováquia protestam contra uma lei que institui o eslovaco como única língua oficial, exigindo maior autonomia cultural.
Na Cimeira da Organização de Segurança e Cooperação Europeia, realizada em Lisboa em 1996, o presidente Michal Kovac apresenta um relatório sobre as deficientes estruturas democráticas do país, criticando severamente o Governo (de Vladimir Meciar) e afirmando ser a situação na Eslováquia ainda provisória, reforçando a ideia da adesão à NATO e à União Europeia.
Em 1998 e 1999, foram eleitos novos primeiro-ministro e Presidente; em 2000, foi iniciado o processo de negociações com a Comissão Europeia, tendente à adesão do país à União Europeia.
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FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – ESLOVÁQUIA (II)
Com a derrota nazi na II Guerra Mundial, em 1945, o exército soviético, incluindo contingentes checoslovacos, ocupa o País; os eslovacos concordam então em recriar a Checoslováquia com base na absoluta igualdade entre os dois povos.
Em 1948, com os comunistas no poder, a Eslováquia volta a ser submetida a um Estado centralizado sob a hegemonia checa e, a partir daí, torna-se um estado-satélite de Moscovo.
Em 1955, a Checoslováquia torna-se membro do Pacto de Varsóvia. O regime comunista silencia as reivindicações de autonomia, que só voltam a despertar em 1967 com as reformas liberalizantes do secretário-geral do Partido Comunista, Alexandre Dubcek, um eslovaco. Contudo, em 1968, a ocupação soviética põe termo à denominada “Primavera de Praga”.
Em 1989, checos e eslovacos participam na chamada “Revolução de Veludo”, assim designada dada a forma “suave” como decorreram o derrube do regime e o restabelecimento da democracia.
No ano de 1990, os principais líderes da Eslováquia começam a reivindicar maior autonomia. A Assembleia Federal altera o nome do país para República Federal Checa e Eslovaca e Vaclav Havel é eleito para um segundo mandado de dois anos.
Com a vitória nas eleições, em 1992, de Vladimir Meciar, um partidário da separação, tal é interpretado como um voto pelo fim da Checoslováquia.
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FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – ESLOVÁQUIA (I)
Tal como prometido, retomo as “viagens” pelos futuros estados membros da União Europeia; depois do Chipre, inicia-se hoje a “Semana da Eslováquia”.
Os eslovacos chegaram à região do seu actual território no Século VII, tendo expulsado os antigos habitantes Celtas.
No Século IX, a Eslováquia passa a integrar a “Grande Morávia”, incluindo áreas que pertencem actualmente à Polónia, Hungria e República Checa. O Império Morávio” desfez-se no século X, tendo os eslovacos sido subjugados pelos húngaros.
Em 1536, são integrados no Império Romano-Germânico, governado pelos Habsburgos, que se transformaria posteriormente (século XIX) no Império Austro-Húngaro.
A derrota do Império Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial (1914/18) possibilitou a declaração de independência dos eslovacos e checos (que ocupavam a Boémia e a Morávia), que se unem em 1918 para formar a Checoslováquia. A Constituição do novo Estado não contemplava, no entanto, a proposta dos eslovacos de um Estado Federal que lhes salvaguardasse a autonomia.
Em Outubro de 1938, quando o acordo de Munique cede à Alemanha as áreas da Checoslováquia de população germânica (os Sudetas), os nacionalistas eslovacos proclamam um Governo autónomo, com sede em Bratislava.
Em Março de 1939, a Alemanha invade também as regiões checas. A Eslováquia forma então um país separado, sob a tutela alemã e com um regime pró-nazi, chefiado pelo bispo católico Josef Tiso.
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FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – CHIPRE (V)
Os museus da ilha albergam numerosas exposições de cerâmica, escultura e jóias, demonstrativas da importância da arte nas sucessivas épocas culturais. Os mosaicos evidenciam a passagem da influência pagã à cristã, como a substituição de motivos florais e animais por desenhos geométricos. Em Chipre abundam as igrejas, pintadas com murais e ícones que abarcam estilos dos séculos X a XVII.
Desde o cimo do Monte Olimpos até às costas e suaves planícies, Chipre é uma ilha para desfrutar a natureza, sendo um lugar privilegiado para a observação de aves e um “paraíso” para os arqueólogos.
Chipre beneficia de uma paisagem altamente contrastante, desde férteis planícies na parte central, até terras áridas cobertas de vinhedos e quilómetros de praias arenosas; cerca de 1/5 da ilha está coberta por bosques.
Alguns dos principais produtos agrícolas resultam do cultivo de oliveiras, citrinos e vinhedos. Não obstante, como resultado do rápido desenvolvimento económico global, surgiu uma economia fundamentada nos serviços, em lugar dos modelos tradicionais de exploração agrícola e mineira.
Uma das especialidades gastronómicas da ilha é o “Halloumi”, queijo de textura elástica, elaborado com queijo de cabra ou de ovelha.
A fechar esta breve “viagem” por Chipre, alguns dados estatísticos de carácter sócio-económico: PIB “per capita”, 20 615 euros; Taxa de inflação, 2,8 %; Taxa de desemprego, 3,3 %; número de automóveis por 100 habitantes, 34; número de telemóveis por 100 habitantes, 41; número de utilizadores de Internet por 100 habitantes, 20.
Actualmente, Chipre está económica e politicamente orientado para a Europa, especificamente para a União Europeia, tendo solicitado a sua adesão em 1990, constituindo uma esperança para a resolução das históricas divergências entre as comunidades grega e turca.
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FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – CHIPRE (IV)
Chipre é a terceira maior ilha do Mediterrâneo, em termos de dimensão. Com uma superfície de 9 251 km2, tem como medidas máximas, 240 km de Este a Oeste e 100 km de Norte a Sul. Localizado no extremo nordeste do Mediterrâneo oriental, Chipre encontra-se a uma distância de 380 km ao Norte do Egipto, 105 km a Oeste da Síria e apenas a 75 km ao Sul da Turquia.
Apesar das suas reduzidas dimensões, detém um rico património cultural, reflectido em numerosos monumentos, castelos e fortalezas, repartidos por toda a ilha.
As principais cidades são: Nicosia, Limassol, Larnaca, Paphos e Agia Napa.
Nicosia (“Lefkosia”), com cerca de 195 000 habitantes, é a única cidade europeia que permanece dividida e separada em duas zonas, pela chamada “Linha Verde” (após 30 anos de absoluta divisão, foi finalmente possível aos “cipriotas do norte” transpor as fronteiras para o sul e vice-versa – vidé post nº 4, de 29 de Junho).
O clima da ilha é de tipo mediterrânico, com suaves chuvas no Inverno e verões secos e muito quentes.
A população cipriota registada em 1999 ascendia a cerca de 755 000 habitantes, excluindo os 155 000 “colonos” turcos residentes na parte norte da ilha. Cerca de 85 % (643 000) são greco-cipriotas; 12 % (88 000) são turco-cipriotas; sendo os restantes 3 % (24 000) estrangeiros.
Os idiomas “oficiais” são o grego e o turco.
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FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – CHIPRE (III)
Em 1950, cerca de 95 % da população votara a favor da união com a Grécia.
No final de 1951, foi fundada uma organização anti-grega no sector turco, que viria a dar origem à “TMT” (Organização de Resistência Turca), na qual participava o líder dos turcos de Chipre, Rauf Denktash.
Em 1958, a Grã-Bretanha chamou a Turquia à mesa das negociações, tendo-se estabelecido a possibilidade de divisão da ilha num sector para a Grécia e outro para a Turquia (no “pós-independência”).
Na sequência desta evolução, a Grécia abandonou os seus planos de anexação e aceitou, em 1959, a independência da ilha (assinada também pela Grã-Bretanha e Turquia).
Em Julho de 1974, um golpe de estado organizado pela Junta Militar que governava a Grécia derrubou o presidente Makarios, com intenção de anexar a ilha; consequentemente, a Turquia lançou também uma invasão, ocupando cerca de 1/3 da ilha, com o pretexto de protecção à minoria turca, tendo provocado milhares de baixas, muitas delas de civis.
Em Fevereiro de 1975, a Turquia declarou o norte de Chipre como estado federado turco; por fim, em 1983, a comunidade turca proclamou, unilateralmente, a sua independência, adoptando a designação de República Turca do Norte de Chipre, não reconhecida pela ONU (estado apenas reconhecido pela Turquia).
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FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – CHIPRE (II)
No período romano (ocupação de 58 A.C. até 1182), a ilha converteu-se ao cristianismo; de 330 a 1191 (na sequência da divisão do Império Romano), passa a formar parte do Império Bizantino (com capital em Constantinopla).
Ricardo Coração de Leão (de Inglaterra) conquistou-a em 1191, tendo-a cedido à Ordem dos Templários, tendo sido de seguida governada pelos sucessores de Guido de Lusignan (ex-rei de Jerusalém) até 1489, altura em que foi cedida a Veneza.
Seguiu-se, em 1571, uma invasão turca, que a colocou sob domínio otomano (“quebrando-se” assim as suas relações com a Europa).
Durante um breve período foi dominada pelo Egipto, até que foi retomada pelos turcos em 1840.
Em 1848, os ingleses ocuparam-na, embora colocando a administração sob a soberania do sultão da Turquia.
Em Novembro de 1914 (como represália da participação da Turquia ao lado da Alemanha na I Guerra Mundial) foi anexada à Grã-Bretanha; foi colónia inglesa até 16 de Agosto de 1960, altura em que alcançou a independência, tendo sido então eleito presidente o arcebispo ortodoxo Makarios.
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FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – CHIPRE (I)
No próximo dia 1 de Maio de 2004, a União Europeia viverá o maior alargamento da sua história, passando de 15 a 25 membros; serão admitidos como novos países-membros: Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e R. Checa.
A União Europeia abre-se ao leste e ganha novas fronteiras, do Báltico ao Mediterrâneo.
A partir de hoje, e ao longo dos próximos 10 meses, proponho-me apresentar (em 10 séries “semanais” de “artigos”, a editar mensalmente) breves notas sobre cada um dos novos países a integrar a União, compreendendo aspectos de natureza histórica, geográfica, económica e cultural.
Começamos portanto, hoje, a “Semana do CHIPRE”.
Chipre é uma ilha, localizada no Mediterrâneo oriental, habitada desde o neolítico (cerca de 7 000 A.C.). No quarto e terceiro milénio A.C. desenvolveu-se uma cultura neolítica e outra do bronze.
Durante a época do bronze (2 600 – 1 000 A.C.), Chipre beneficiou de grande reputação pela sua produção de cobre, derivando precisamente o seu nome (“Kipros / Kibris”) de uma denominação arcaica deste metal.
Recebeu também influência micénica (cujo centro se localizou na cidade-reino de Salamina).
Nos séculos seguintes, foi sucessivamente dominada por egípcios, fenícios e persas. Conquistada por Alexandre “O Grande” no século IV A.C. (que a libertou do domínio persa), converteu-se de seguida em parte do estado egípcio, sob governantes gregos, descendentes de Ptolomeo.
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