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«The emergence of the Frankfurt Group has turned back the democratic clock»
«Here’s how things work. The real decisions in Europe are now taken by the Frankfurt Group, an unelected cabal made of up eight people: Lagarde; Merkel; Sarkozy; Mario Draghi, the new president of the ECB; José Manuel Barroso, the president of the European Commission; Jean-Claude Juncker, chairman of the Eurogroup; Herman van Rompuy, the president of the European Council; and Olli Rehn, Europe’s economic and monetary affairs commissioner.
This group, which is accountable to no one, calls the shots in Europe. The cabal decides whether Greece should be allowed to hold a referendum and if and when Athens should get the next tranche of its bailout cash. What matters to this group is what the financial markets think not what voters might want. To the extent that governments had any power, it has been removed and placed in the hands of the European Commission, the European Central Bank and the IMF. It is as if the democratic clock has been turned back to the days when France was ruled by the Bourbons.
In the circumstances, it is hardly surprising that electorates have resorted to general strikes and street protests to have their say. Governments come and go but the policies remain the same, creating a glaring democratic deficit. This would be deeply troubling even if it could be shown that the Frankfurt Group’s economic remedies were working, which they are not. Instead, the insistence on ever more austerity is pushing Europe’s weaker countries into an economic death spiral while their voters are being bypassed. That is a dangerous mixture.
«Road to nowhere»
«Estamos numa estrada para lugar nenhum. Que termina já ali, depois daquela curva. Olhar para a Grécia é ver Portugal dentro de seis meses. Como olhar para Itália é ver França já a seguir. O contágio não pára porque não só não estamos, enquanto zona euro e União Europeia, preparados para lidar com uma crise de confiança, como andámos este último ano e meio a fazer de conta que o problema era o comportamento irresponsável dos países do Sul e dos seus governos.
A austeridade – como disciplinadora moral dos preguiçosos do Sul – nunca foi uma solução. O facto de isto já não ser uma questão de opinião (basta olhar para a evolução recente de toda a economia europeia), deverá fazer pouco para demover quem tem uma visão do mundo baseada no preconceito. Os cortes radicais na despesa provocam uma recessão que implica ainda menor capacidade de pagar a dívida? É cortar mais. Sem castigo, não há redenção.
Uma efectiva reformulação dos tratados europeus, aprofundando a integração económica e concedendo ao BCE um papel efectivo de banco central, seria sempre algo difícil de fazer. Num contexto de crise, cuja natureza sistémica é negada por alguns dos principais países, a tarefa aproxima-se do impossível. Acresce que, enquanto não começamos a trabalhar no que importa, vamos assistindo a sucessivos ataques às instituições democraticamente eleitas nestes países como se fosse normal. Sensato, até. Itália pode bem vir a ser o acelerador de uma reacção em cadeia que leve ao desaparecimento da União Europeia. Quando quisermos inverter o rumo, e vamos querer, é esperar que não seja tarde de mais.
(Diogo Serras, no Jugular)
Rettet die Würde der Demokratie («Resgatar a dignidade da democracia»)
«O desastre grego é uma advertência clara da via pós-democrática que Merkel e Sarkozy tomaram. Uma concentração de poder numa comissão intergovernamental de chefes de governo, que impõem os seus acordos aos parlamentos nacionais, é o caminho errado. Uma Europa democrática, que não tem de modo algum de assumir a forma de um estado federal europeu, deve ser diferente disto.»
«O Pânico Grego»
«A minha declaração inicial de intenções (coisa na moda) é sobre referendos: fui contra todos! Sou contra todos! O referendo é um instrumento que colhe um momento, em vez de um processo; impede a consensualização, dando todo o poder ao vencedor; e encerra todas as perversidades da demagogia e do irracionalismo, o contrário do que pretende na democracia representativa. […]
Posto isto, que já não é pouco, acho absolutamente indecoroso e inacreditável o modo como o diretório da Europa lidou com Papandreu. Aqueles que por tudo e por nada defenderam e fizeram referendos (lembram-se de Sakozy e do “não” francês à Constituição Europeia?, ou da importância que Merkel dá às eleições nos estados alemães?), reagiram indignados à hipótese de ouvir os gregos.
A posição de Papandreu era desesperada. Como analisava no “FT” o professor de Yale Stathis Kalyvas, ou tinha uma morte lenta com as sucessivas greves e mini-insurreições, ou se suicidava com eleições, ou tentava reanimar-se ganhando apoio num referendo. Escolhera esta via, com a mesma legitimidade com que outros governantes europeus – a sua maioria – a escolheriam. E a Europa responde-lhe: quer queiras ou não, tens de aplicar a receita, mesmo sem o apoio de um único grego! E se não fores tu, é outro! Ele, claro, cedeu, mas a Europa mostrou o seu lado mais negro. […]
Os líderes europeus poderiam, ao menos, fingir que pensam. Infelizmente, não chegam a esse patamar: perante qualquer dificuldade, entram em pânico – e esta torna-se a principal causa do pânico nos mercados. […]»
(Henrique Monteiro, Expresso, 05.11.2011)
«Europeizando a Europa»
«A não ser que o poder político europeu seja europeizado, com a confederação actual a evoluir para uma federação, a zona euro – e a UE como um todo – desintegrar-se-á. Os custos políticos, económicos e financeiros da renacionalização seriam enormes; um colapso da UE é temido em todo o mundo por boas razões.
Pelo contrário, se o défice político da união monetária for enfrentado agora, primeiro estabelecendo uma união fiscal (um orçamento comum e responsabilidades comuns), será possível uma verdadeira federação política. E sejamos claros: qualquer coisa menos que uns Estados Unidos da Europa não será suficientemente poderosa para prevenir o desastre iminente.»
(Joschka Fischer, antigo Ministro das Relações Exteriores da Alemanha e vice-chanceler, de 1998 a 2005, citado pelo Público)
Grécia anuncia referendo sobre acordo europeu
O Primeiro-Ministro da Grécia, Georges Papandreou, anunciou hoje a realização de um referendo às medidas decorrentes do Conselho Europeu e da “Cimeira do Euro” da passada semana (e inerentes condicionantes fiscais e de austeridade associadas), assim como a apresentação de uma moção de confiança ao Governo, a ser votada no Parlamento.
Com uma frágil maioria parlamentar (153 deputados, num total de 300), e com as sondagens a revelarem uma forte maioria de opiniões contrárias às decisões tomadas na referida “Cimeira”, não só a Grécia pode ver o seu Governo socialista cair, como – em caso de vitória do “Não” no referendo – podemos regredir à “estaca zero”, não sendo talvez grande especulação antever que o país poderá acabar por abandonar o Euro.
E, nesse cenário, a interrogação resulta imediata: Poderá o Euro resistir ainda? Ou terá os seus “dias contados”?
«Perdão da dívida “não é solução”»
“Uma reestruturação reduz muito as possibilidades de financiamento do Estado e do sistema bancário no futuro. A reestruturação significa um perdão da dívida, um incumprimento, o BCE [Banco Central Europeu] terá mais dificuldade em emprestar aos bancos no futuro, e é muito mais difícil os mercados voltarem a confiar quer no Estado quer nas instituições do país. Como vamos precisar de financiamento externo durante muitos anos, creio que é muito perigoso avançar por uma pseudo solução dessas”, disse o economista.
“Vamos ver o que acontece à Grécia. Julgo que vai ser um desastre.”
Para o economista, “só há uma solução” para a crise das dívida que afeta Portugal: alcançar um excedente na balança de pagamentos.
Ora, o melhor “instrumento” para o fazer seria a “desvalorização cambial”, que Portugal não pode utilizar por estar integrado na moeda única. Assim, Ferreira do Amaral defende que Portugal devia “sair do euro”.
“A moeda única deixou de ser um projecto político viável. Havia uma condição para se manter viável: que nenhum país entrasse em incumprimento. A Grécia mata o euro como projecto político para a Europa”, disse Ferreira do Amaral.
Arquivo histórico da Royal Society

A Royal Society acaba de disponibilizar online, de forma gratuita, o seu arquivo histórico, compreendendo mais de 60 000 documentos de cariz científico.
Perdão de 50% da dívida da Grécia
A União Europeia, por via do Conselho Europeu e da “Cimeira da Zona Euro“, ontem reunidos em Bruxelas, decretou que os Bancos irão proceder, voluntariamente (!), ao perdão de 50% do valor nominal da dívida pública da Grécia que detêm em carteira (tendo associada a inevitável necessidade de recapitalização bancária, a realizar por via de… fundos públicos), uma medida com um impacto estimado em cerca de 100 mil milhões de euros.
Representando pouco mais de 1/4 do montante global da dívida pública grega, não consegui ainda perceber o que irá esta iniciativa – que, em minha opinião, me parece um péssimo sinal, o qual, de alguma forma, pode ser apercebido como um “incentivo” à desresponsabilização – resolver da crise da Grécia e, em termos mais latos, do euro.
Suscita-se-me uma singela questão: a partir do momento em que se reconhece, explicitamente, que um Estado-membro da União Europeia não é garantia de isenção de risco de crédito – e tendo em consideração que o país continuará a necessitar de refinanciar quase 300 mil milhões de euros da sua dívida -, quem, de forma racional, voltará a ter confiança para emprestar fundos à Grécia?
Ainda uma outra: tendo sido este (para já…) o desfecho da situação grega, quem pode garantir que o mesmo não virá a ser mimetizado (o famigerado risco de contágio) em relação a outros países, como, por exemplo – agora colocado na primeira linha de desconfiança -, Portugal?
E, por fim, uma interrogação de leigo: não seria mais profícua uma reestruturação que passasse, não por um perdão de dívida, mas sim por uma moratória no prazo, alargando-o para 20 ou 30 anos, com taxas de juro comportáveis?




