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XANANA GUSMÃO
Assinala Paulo Gorjão no Bloguitica Nacional a entrevista exclusiva de Xanana Gusmão à “blogosfera”, no Timor Leste (01.10.03 – “entrada” 224).
Diz o Presidente de Timor-Leste, nomeadamente o seguinte:
“First year of independence was not enough to make a proper judgment about national development. Overall I can say that the environment of peace and harmony . except 4 December 2002 incident . allowed us to feel that things improved since 2000 and 2001; the return of more then 200 000 (two hundred thousand) Timorese from Indonesia was a great achievement. Initiatives to settle border issues another positive development. We may still need to focus on developing an action plan for the Nation. We need to respond to the expectations of the people. Nevertheless, we can be proud of our people for their patience, perseverance and humility which enabled us to cross the emergency period to the reconstruction periods without major problems. We should see this trait of our people as a national asset. There are difficulties in reconciliation area but this will be dealt with in the years ahead.”
P. S. Mais um agradecimento, ao Quarta Vaga.
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“REPÚBLICA MOLDAVA DO DNIESTRE”?
Numa estreita faixa de terra, encravada entre a Ucrânia e a Moldávia, com uma superfície de 4 000 km2, subsiste uma improvável e auto-proclamada República, com 800 000 habitantes, nascida em 1990, na sequência do caótico desaparecimento da ex-URSS, apesar de não reconhecida por nenhum outro país.
Tiraspol, a “capital” surge como uma cidade soviética petrificada, com paradas militares junto da gigantesca estátua de Lenine.
Na “Transnitria” (região “para além do Dniestre”), a prática da língua romena é considerada um crime político. A sua adopção, em 1989, como língua oficial na Moldávia, tornou-se o rastilho da tendência secessionista da região maioritariamente de expressão russa.
Nos últimos 10 anos, beneficiando da fraqueza dos corruptos governos moldavos e da cumplicidade das máfias russas e ucranianas, a “Transnitria” tornou-se um “paraíso do crime organizado”. Os tráficos ilícitos (de armas, tabaco, droga, álcool, petróleo, prostituição ou branqueamento de capitais) – essencialmente um negócio de família – tornaram-se na base de sustentação da “economia” do território.
Com a prevista (para 2007) adesão à União Europeia da Bulgária e da Roménia, o conflito que opõe a região da “Transnitria” à Moldávia ficará às “portas” da nova Europa alargada; é neste âmbito que os responsáveis europeus equacionam a possibilidade de envio de uma força de manutenção de paz.
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90 % DE POPULARIDADE
Não se trata da Albânia, nem do Iraque, mas sim da Finlândia, país em que a popularidade da Presidente Tarja Halonen ultrapassa os 90%! Uma Presidente .demasiado. popular?
São os próprios analistas finlandeses que referem não conseguir recordar-se de nenhum exemplo de Estado democrático com um dirigente com um nível de popularidade semelhante.
Tratando-se de uma personalidade sem opção religiosa assumida (contrariamente a 85 % da população finlandesa), feminista e defensora das minorias sexuais (o que não é partilhado pela maior parte da população) e étnicas, o índice de popularidade torna-se ainda mais .espantoso..
As justificações possíveis passam pela competência e pela proximidade do povo por parte da jurista social-democrata. Há quem refira também que a Presidente será o .único denominador comum. dos finlandeses.
Poderá este .fenómeno. considerar-se .são.? Poderá este género de popularidade .extrema. ser .perigosa. para o regime democrático?
P. S. Mais agradecimentos, ao Socioblogue, também com uma “nova casa” e ao Substrato.
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GUINÉ-BISSAU – 30 ANOS DE "INDEPENDÊNCIA"
A Guiné-Bissau comemora hoje os 30 anos da “declaração de Independência”, num ambiente algo conturbado, de contestação ao recém-nomeado primeiro-ministro interino, Artur Sanhá, secretário-geral do PRS, partido criado pelo deposto presidente Kumba Ialá, entretanto substituído por Henrique Rosa.
Num período de transição, visando a preparação das próximas eleições, a nomeação de Artur Sanhá está a ser percebida como uma tentativa de “evolução na continuidade”, de que a Guiné necessita de se libertar.
Perfilam-se como principais partidos concorrentes, o “histórico” PAIGC (provavelmente com menos possibilidades de vencer), o PUSD (do antigo primeiro-ministro Francisco Fadul) e a RGB (Resistência da Guiné-Bissau, partido constituído nomeadamente por quadros formados em Portugal).
Nas anteriores eleições, o PRS conquistara 38 dos 102 lugares na Assembleia Nacional, contra 28 da RGB e 24 do PAIGC.
Este é uma oportunidade de provar que a Guiné-Bissau é um país de futuro – a qual não poderá ser desperdiçada – o que implica que os políticos assumam como principal motivação (“única”) servir a Guiné e o povo guineense.
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GUINÉ-BISSAU – PAÍS DE FUTURO (II)
A chegada a Bissau – para quem contactava pela primeira vez com a realidade africana – foi um “choque”, começando pelo clima tropical (um “bafo” extremamente quente, à saída do avião, no início de Janeiro, com o “ar pesado” devido ao elevado nível de humidade), pelas sumárias “infra-estruturas” do aeroporto; a primeira visita à cidade de Bissau não deixou de ser uma experiência “enriquecedora”: a singeleza da cidade, os seus edifícios degradados, em contraste com a “agressiva” dinâmica do trânsito automóvel (talvez com cerca de 60 % de “táxis”) e com a imensidão de gente que se acumulava à beira da estrada (entre o aeroporto e a cidade) e no “Mercado do Bandim” (se bem me lembro do nome), vendendo de tudo um pouco (principalmente produção agrícola básica, nomeadamente frutas tropicais).
Mas, ao mesmo tempo, a simpatia calorosa do povo guineense, a sua “reverência” para com os portugueses e o instinto de “portugalidade” que transportavam ainda (durante a semana, era fácil ouvir em espaços públicos a RDP Internacional; ao fim-de-semana, toda a gente vibrava com os relatos de futebol; na segunda-feira, discutiam-se as exibições do Benfica, Porto e Sporting como em qualquer localidade portuguesa…).
Um povo que aparentava contentar-se com pouco; não dispondo de uma infinidade de recursos materiais que temos normalmente no nosso dia a dia, mas, não obstante, um povo “feliz”. A esplanada da “Baiana”, numa das principais praças (“Che Guevara”, mesmo ao lado da EAGB) era o ponto de encontro da comunidade portuguesa, assim como o restaurante “Asa Branca” (se bem me recordo dos nomes, a esta distância temporal). Havia até uma discoteca “Kapital”!
A Guiné era um país absolutamente tranquilo, onde era possível, sem qualquer tipo de receio, andar sozinho na rua à noite (por exemplo, na estrada que ligava o aeroporto à cidade, tendo o Hotel a “meio do caminho”), sem qualquer iluminação pública, ou seja, completamente às escuras.
Nada indicava que, cerca de um mês depois, fosse desencadeada uma guerra, nunca completamente esclarecida, mas que terá sido despoletada tendo por motivação a defesa de interesses de um conjunto de militares. Foi um processo doloroso, em que a Guiné terá sofrido grande destruição.
Procurou-se depois instaurar um regime democrático, mas o processo tem sido muito complexo, desde logo com as divergências entre o primeiro-ministro do governo de transição e o Presidente da República (Kumba Ialá) e, mais tarde, com a morte do líder dos revoltosos de 1998 (Ansumane Mané).
Passaram cinco anos. Em que o país esteve “parado”. Um compasso de espera demasiado longo para quem tem tanto (quase tudo) por fazer.
Ontem, novo “golpe de Estado”, como sempre partindo dos militares; que interesses estarão na sua base? Quais os seus objectivos e consequências? Haverá condições para a realização de eleições minimamente livres? Poderemos esperar alguma evolução na democracia guineense no curto prazo?
Para que a Guiné-Bissau possa vir a singrar no contexto dos países da África Ocidental, para que seja um “país de futuro”, é absolutamente imprescindível (passe o pleonasmo e a evidência que se segue) que possa ser “bem governada”; não dispondo de particulares recursos naturais, é essencial que a cooperação internacional seja utilizada em proveito de todos os guineenses e do real desenvolvimento do país. É fundamental que haja estabilidade política que permita criar as condições para atrair o investimento estrangeiro. Não será uma tarefa fácil, mas depende principalmente dos guineenses!
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GUINÉ-BISSAU – PAÍS DE FUTURO (I)
Estive na Guiné-Bissau no ano de 1998, por duas vezes, nos meses de Janeiro e Abril (regressei cerca de um mês antes do “golpe de Estado” de Ansumane Mané), prestando colaboração profissional na EAGB – Electricidade e Águas da Guiné-Bissau, em missão ao serviço do Banco Mundial.
O Banco Mundial concedera financiamento ao Estado da Guiné-Bissau, a afectar especificamente ao investimento em infra-estruturas de distribuição de água e energia eléctrica. A missão seria recorrente, caso não se tivesse seguido uma época conturbada na história do país, com a paralização quase integral da economia, que terá levado a que o Banco Mundial tivesse de vir a perdoar a dívida.
No segundo semestre de 1998, e também na primeira parte de 1999, as instituições bancárias na Guiné-Bissau estiveram inoperacionais; na época, foi Cardoso e Cunha (antigo Comissário Europeu e depois responsável de primeira linha na EXPO98) que investia numa fábrica de cervejas, a qual viria a funcionar como “banco”, pela intermediação que proporcionava, a nível da disponibilização de fundos.
A EAGB reflectia um pouco a realidade do país: fora dirigida nos anos anteriores por responsáveis franceses (da EDF – Electricité de France), que haviam contribuído para que a empresa se organizasse e equipasse, nomeadamente, em termos administrativos, a nível informático, mas com elevados custos decorrentes das “comissões de gestão” impostas. Encontrava-se em processo de reestruturação, com avultados investimentos em grupos geradores eléctricos (operando a fuel/gasóleo, uma fonte de produção de energia extremamente dispendiosa, uma vez que, na ausência de barragens, o país não dispunha de produção hidro-eléctrica) e em infra-estruturas de distribuição de água.
A gestão francesa acabara de partir (a meio de 1997) e deixara os guineenses um pouco “entregues à sua sorte”. Previa-se a abertura de um processo de privatização da empresa, ao qual se supunha viessem a concorrer, pelo menos, a EDP (portuguesa) e a EDF (francesa); projectos que ficaram adiados.
Os franceses tinham uma presença importante, inclusivamente a nível cultural, mas os resultados da sua intervenção não eram efectivamente visíveis. Podia talvez sublinhar-se como intervenção mais “desinteressada” a cooperação prestada pela Suécia.
As infra-estruturas do país, não obstante os então recentes investimentos em curso, transitavam ainda, em larga medida, da época colonial; o país parecia ter parado nos últimos 25 anos, com traços visíveis de degradação, nomeadamente nos próprios edifícios mais importantes de Bissau.
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11.09.01
Passaram 2 anos.
Desde esse dia, ficámos a saber que não existem .regras de ética. que obstem ao massacre de inocentes.
P.S. O 11 de Setembro de 2001 “live” no “blogue” de Andrew Sullivan.
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O ISLÃO E A DEMOCRACIA
Um estudo desenvolvido a nível mundial . Views of a Changing World, pelo Centro de Pesquisa Pew (grupo independente que estuda as atitudes face à política e aos .media., actualmente dirigido por Madeleine Allbright) . conclui que a maioria dos muçulmanos gostaria de beneficiar da democracia, paralelamente a um reforço da componente religiosa nos respectivos governos.
O .anseio. de um regime democrático parece mesmo ser maior nos países islâmicos que em África, Europa de Leste e América Latina.
Curiosamente (ou talvez não.), para os muçulmanos, a possibilidade de criticar o governo é o aspecto mais apelativo das democracias ocidentais, seguindo-se a possibilidade de realização de eleições pluripartidárias.
Por outro lado, uma percentagem importante da população dos países muçulmanos considera existir uma falta de direitos políticos e liberdades cívicas (apesar de o mesmo sentimento ser compartilhado noutras latitudes, por exemplo, na Argentina).
Em conclusão, pensam que a democracia não será incompatível com os valores do Islão.
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OS DESAFIOS DE ANGOLA
Ainda a propósito de Angola, aqui ficam alguns extractos de artigo de Boaventura de Sousa Santos, na .Visão. de 21.08.03:
.. Identifico quatro desafios principais.
O primeiro é o da desigualdade social. Angola é um país riquíssimo e a esmagadora maioria do seu povo vive na miséria. A guerra serviu até agora para encobrir que nas desigualdades reside uma das mais persistentes continuidades entre a Angola colonial e pós-colonial.
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O segundo desafio é o da construção de um Estado democrático, eficiente e íntegro. Também aqui é pesada a herança do Estado colonial mas ela está longe de explicar tudo.
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O terceiro desafio é o da construção de um modelo político social e cultural genuinamente angolano, um modelo que assuma o legado cultural do país (muito dele preexistente ao colonialismo) e o faça de maneira não tradicionalista, ou seja, em nome de uma racionalidade mais ampla que a ocidental e de uma modernidade menos imperial e mais multicultural do que a imposta pelo colonialismo e pela globalização neoliberal.
Finalmente, o quarto desafio é o da reconciliação nacional, cujas tarefas são particularmente exigentes em Angola porque não respeitam só à reconciliação entre os inimigos da guerra civil, mas também ao fraccionismo que quase desde a sua fundação caracterizou o MPLA…
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CARLOS FINO NO IRAQUE
Carlos Fino não precisará de .advogado., nem eu seria a pessoa indicada para desempenhar tal papel.
Vejo, na .blogosfera., algumas referências e comentários ao seu estilo, forma de abordagem e mesmo à sua suposta .falta de objectividade. (em particular, no Abrupto).
Acho que talvez valha a pena recordar o seguinte: Carlos Fino é um profissional de vasta experiência, com provas dadas, correspondente durante muitos anos na ex-URSS, depois nos EUA, também na Europa e, nos últimos tempos, sempre disponível para estas .missões de risco. (na sequência das suas reportagens durante a guerra do Iraque, foi até objecto de reconhecimento internacional, em especial no Brasil, que lhe prestou homenagem pelo seu trabalho).
E é aqui (nas .missões de risco.) que .bate o ponto.: é verdade que Carlos Fino, presente no .teatro das operações., tem a responsabilidade de ser os .nossos olhos. e de narrar o mais fielmente possível os acontecimentos. Mas é também importante sublinhar isto mesmo: é talvez fácil, e seguramente mais cómodo, para nós, confortavelmente instalados nas nossas casas, frente à televisão, criticar a abordagem, as .tendências., os .excessos. do repórter; mas, a quem .vive. os acontecimentos .por dentro., no preciso instante em que eles ocorrem (.no calor do momento.), não será talvez exigir demasiado que o repórter seja absolutamente isento, .frio., racional e .sem emoções.?
Quanto à falta de objectividade, esta será uma matéria que, porventura, será apreciada também em função da perspectiva em que se coloca o espectador; ser objectivo será talvez . no contexto em causa . algo próximo de uma abstracção; o que se pede (.exige.) é que o repórter seja .verdadeiro..
P.S. – Já agora, uma outra “visão” do Iraque, por Mario Vargas Llosa, através de um conjunto de artigos publicados no “El Pais” e “Le Monde”: “La liberté sauvage“; “Les croyants“; “Des pillards et des livres“; “Les haricots blancs“; “Othello à l’envers“; e “Chez les Kurdes“.
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