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“Le cinquième suicide européen”
[…] Aujourd’hui, c’est à nouveau au tour de l’Allemagne de tenir dans sa main l’arme du suicide collectif du continent le plus avancé du monde. Si elle refuse d’accepter la voie étroite qui passe par le rachat par la BCE des obligations arrivées à maturité, suivi de l’émission d’une dette souveraine européenne, remboursée par deux points de TVA européenne, et d’une réforme des traités permettant de mieux contrôler les laxismes des uns et les égoïsmes des autres, la catastrophe aura lieu.
Pour que Berlin ne soit pas, une fois de plus, responsable d’un suicide européen, l’Allemagne doit sortir de quatre illusions.
1. Elle n’est pas le bon élève de l’Union, qui refuse de payer pour les erreurs des autres. Sa dette publique est de 82 % du PIB, pratiquement équivalente à la dette française ; 10 de ses banques, toutes publiques, qui fournissent 20 % des crédits au secteur non financier allemand, sont en très mauvaise situation. Sa consommation d’énergie dépendra de plus en plus du gaz russe, qui représente 37 % de ses importations. Sa démographie est catastrophique, au point que, en 2060, il y aura moins d’Allemands que de Français et que 44 % d’entre eux auront plus de 65 ans, contre seulement 35 % de nos compatriotes, ce qui rendra particulièrement difficile le remboursement de la dette publique outre-Rhin. Enfin, l’avenir de son industrie n’est pas aussi prometteur que le croit l’Allemagne : selon une récente étude anglaise, sur les 100 entreprises les plus innovantes du monde, 11 sont françaises et seulement 4, allemandes.
2. Elle est le premier bénéficiaire de l’Union européenne, qui a financé en partie sa réunification et lui a permis de gagner près de 15 points de part de marché à l’intérieur de la zone euro, et de devenir le premier pays exportateur de produits agroalimen-taires en recrutant des salariés d’Europe de l’Est au tarif de leur pays d’origine, ce que la France ne veut et ne peut faire.
3. Elle a tout à perdre à sortir de la zone euro, car cela ruinerait son système bancaire et lui coûterait, selon une étude suisse, de 20 à 25 % de son PIB la première année, et la moitié du reste chacune des années suivantes.
4. Elle croit, à tort, qu’un soutien provisoire de la BCE à la liquidité des banques et des Etats européens entraînerait une inflation massive, qui ruinerait ses vieux, majoritaires, alors qu’il ne peut y avoir d’inflation massive quand le chômage est aussi élevé et quand la financiarisation de l’économie freine la transmission de la monnaie vers l’économie réelle.
“A austeridade é uma receita para o suicídio”
O prémio Nobel da Economia alerta que as políticas de austeridade são uma receita para “menos crescimento e mais desemprego”.
Stiglitz, que também foi vice-presidente do Banco Mundial, afirmou na quinta-feira que a adopção dessas políticas “correspondem a um suicídio” económico.
“É preciso perceber-se que a austeridade por si só não vai resolver os problemas porque não vai estimular o crescimento”, afirmou Stiglitz, num encontro com jornalistas na Corunha, em Espanha, onde proferiu a conferência “Pode o capitalismo salvar-se de si mesmo?”, noticia a Efe.
O economista sugeriu ao novo governo espanhol que vá “além da austeridade” e que proceda a uma reestruturação das despesas e da fiscalidade como medida básica para criar emprego.
Recomendou em particular uma fiscalidade progressiva e um apoio ao investimento das empresas.
“Temo que se centrem na austeridade, que é uma receita para um crescimento menor, para uma recessão e para mais desemprego. A austeridade é uma receita para o suicídio”, afirmou.
Para o Nobel da Economia de 2001, “a menos que Espanha não cometa nenhum erro, acerte a cem por cento e aplique as medidas para suavizar a política de austeridade, vai levar anos e anos” a sair da crise. […]
Acrescento apenas uma interrogação: sendo o “Plano da Troika” composto por “duas pernas”, apresentando-se uma delas notoriamente manca, como esperar que tal plano possa vir a resultar?
Este plano assenta em duas vertentes: uma, a contracção do défice orçamental; outra, o crescimento da economia, que viesse a possibilitar que esse défice se transformasse – a médio / longo prazo – em superavit, de forma a que Portugal conseguisse reduzir o seu endividamento externo.
A perna do crescimento da economia, por seu lado, seria assente, em particular, no acréscimo da competitividade das exportações.
Nesse sentido foi incentivada uma medida considerada estruturante, que seria a da redução – substancial – da Taxa Social Única. Sendo, naturalmente, na conjuntura actual, tal medida impraticável, pela quebra de receitas fiscais que provocaria, sem possibilidade de compensação, surgiria então – como forma de substituição – a proposta peregrina do Governo, de alargamento do horário de trabalho em meia-hora diária, de efeitos mais que questionáveis.
Já em desespero, aquando da recente última visita dos membros da Troika, fariam um apelo lancinante, à redução dos salários do sector privado.
Regresso ao início: aparentemente sem saída para a tal vertente fundamental do crescimento da economia (e imprescindível redução do desemprego!), como se espera sair deste, cada vez mais espartilhado, “colete de forças” da austeridade?
«This Is The Way The Euro Ends»
«This is the way the euro ends.
Not with a bang but with bunga-bunga.
Seriously, with Italian 10-years now well above 7 percent, we’re now in territory where all the vicious circles get into gear — and European leaders seem like deer caught in the headlights. And as Martin Wolf says today, the unthinkable — a euro breakup — has become all too thinkable:
A eurozone built on one-sided deflationary adjustment will fail. That seems certain. If the leaders of the eurozone insist on that policy, they will have to accept the result.
Every even halfway plausible route to euro salvation now depends on a radical change in policy by the European Central Bank. Yet as John Quiggin says in today’s Times, the ECB has instead been part of the problem.
I believe that the ECB rate hike earlier this year will go down in history as a classic example of policy idiocy. We would probably still be in this mess even if the ECB hadn’t raised rates, but the sheer stupidity of obsessing over inflation when the euro was obviously at risk boggles the mind.
I still find it hard to believe that the euro will fail; but it seems equally hard to believe that Europe will do what’s needed to avoid that failure. Irresistible force, meet immovable object — and watch the explosion.
«The emergence of the Frankfurt Group has turned back the democratic clock»
«Here’s how things work. The real decisions in Europe are now taken by the Frankfurt Group, an unelected cabal made of up eight people: Lagarde; Merkel; Sarkozy; Mario Draghi, the new president of the ECB; José Manuel Barroso, the president of the European Commission; Jean-Claude Juncker, chairman of the Eurogroup; Herman van Rompuy, the president of the European Council; and Olli Rehn, Europe’s economic and monetary affairs commissioner.
This group, which is accountable to no one, calls the shots in Europe. The cabal decides whether Greece should be allowed to hold a referendum and if and when Athens should get the next tranche of its bailout cash. What matters to this group is what the financial markets think not what voters might want. To the extent that governments had any power, it has been removed and placed in the hands of the European Commission, the European Central Bank and the IMF. It is as if the democratic clock has been turned back to the days when France was ruled by the Bourbons.
In the circumstances, it is hardly surprising that electorates have resorted to general strikes and street protests to have their say. Governments come and go but the policies remain the same, creating a glaring democratic deficit. This would be deeply troubling even if it could be shown that the Frankfurt Group’s economic remedies were working, which they are not. Instead, the insistence on ever more austerity is pushing Europe’s weaker countries into an economic death spiral while their voters are being bypassed. That is a dangerous mixture.
«Road to nowhere»
«Estamos numa estrada para lugar nenhum. Que termina já ali, depois daquela curva. Olhar para a Grécia é ver Portugal dentro de seis meses. Como olhar para Itália é ver França já a seguir. O contágio não pára porque não só não estamos, enquanto zona euro e União Europeia, preparados para lidar com uma crise de confiança, como andámos este último ano e meio a fazer de conta que o problema era o comportamento irresponsável dos países do Sul e dos seus governos.
A austeridade – como disciplinadora moral dos preguiçosos do Sul – nunca foi uma solução. O facto de isto já não ser uma questão de opinião (basta olhar para a evolução recente de toda a economia europeia), deverá fazer pouco para demover quem tem uma visão do mundo baseada no preconceito. Os cortes radicais na despesa provocam uma recessão que implica ainda menor capacidade de pagar a dívida? É cortar mais. Sem castigo, não há redenção.
Uma efectiva reformulação dos tratados europeus, aprofundando a integração económica e concedendo ao BCE um papel efectivo de banco central, seria sempre algo difícil de fazer. Num contexto de crise, cuja natureza sistémica é negada por alguns dos principais países, a tarefa aproxima-se do impossível. Acresce que, enquanto não começamos a trabalhar no que importa, vamos assistindo a sucessivos ataques às instituições democraticamente eleitas nestes países como se fosse normal. Sensato, até. Itália pode bem vir a ser o acelerador de uma reacção em cadeia que leve ao desaparecimento da União Europeia. Quando quisermos inverter o rumo, e vamos querer, é esperar que não seja tarde de mais.
(Diogo Serras, no Jugular)
Rettet die Würde der Demokratie («Resgatar a dignidade da democracia»)
«O desastre grego é uma advertência clara da via pós-democrática que Merkel e Sarkozy tomaram. Uma concentração de poder numa comissão intergovernamental de chefes de governo, que impõem os seus acordos aos parlamentos nacionais, é o caminho errado. Uma Europa democrática, que não tem de modo algum de assumir a forma de um estado federal europeu, deve ser diferente disto.»
«O Pânico Grego»
«A minha declaração inicial de intenções (coisa na moda) é sobre referendos: fui contra todos! Sou contra todos! O referendo é um instrumento que colhe um momento, em vez de um processo; impede a consensualização, dando todo o poder ao vencedor; e encerra todas as perversidades da demagogia e do irracionalismo, o contrário do que pretende na democracia representativa. […]
Posto isto, que já não é pouco, acho absolutamente indecoroso e inacreditável o modo como o diretório da Europa lidou com Papandreu. Aqueles que por tudo e por nada defenderam e fizeram referendos (lembram-se de Sakozy e do “não” francês à Constituição Europeia?, ou da importância que Merkel dá às eleições nos estados alemães?), reagiram indignados à hipótese de ouvir os gregos.
A posição de Papandreu era desesperada. Como analisava no “FT” o professor de Yale Stathis Kalyvas, ou tinha uma morte lenta com as sucessivas greves e mini-insurreições, ou se suicidava com eleições, ou tentava reanimar-se ganhando apoio num referendo. Escolhera esta via, com a mesma legitimidade com que outros governantes europeus – a sua maioria – a escolheriam. E a Europa responde-lhe: quer queiras ou não, tens de aplicar a receita, mesmo sem o apoio de um único grego! E se não fores tu, é outro! Ele, claro, cedeu, mas a Europa mostrou o seu lado mais negro. […]
Os líderes europeus poderiam, ao menos, fingir que pensam. Infelizmente, não chegam a esse patamar: perante qualquer dificuldade, entram em pânico – e esta torna-se a principal causa do pânico nos mercados. […]»
(Henrique Monteiro, Expresso, 05.11.2011)
«Europeizando a Europa»
«A não ser que o poder político europeu seja europeizado, com a confederação actual a evoluir para uma federação, a zona euro – e a UE como um todo – desintegrar-se-á. Os custos políticos, económicos e financeiros da renacionalização seriam enormes; um colapso da UE é temido em todo o mundo por boas razões.
Pelo contrário, se o défice político da união monetária for enfrentado agora, primeiro estabelecendo uma união fiscal (um orçamento comum e responsabilidades comuns), será possível uma verdadeira federação política. E sejamos claros: qualquer coisa menos que uns Estados Unidos da Europa não será suficientemente poderosa para prevenir o desastre iminente.»
(Joschka Fischer, antigo Ministro das Relações Exteriores da Alemanha e vice-chanceler, de 1998 a 2005, citado pelo Público)



