Uma última etapa, que não foi possível evitar, foi a do contágio, por via da transmissão da crise financeira à chamada “economia real”.
Com a contracção na concessão de crédito por parte dos Bancos, os agentes económicos sentem enormes dificuldades para financiar as suas actividades, atravessando séries crises de tesouraria.
Os investimentos em produtos “tóxicos” provocaram significativas desvalorizações em cadeia, com as principais Bolsas mundiais a sofrer as piores perdas em muitas décadas.
Esta quebra generalizada de confiança, implicando uma retracção no consumo e no investimento, provoca um inevitável “arrefecimento” da economia, com consequências gravosas ao nível do desemprego, num espiral ciclo vicioso.
Num ápice se passaria à terceira etapa da crise: a perda de confiança!
Sentindo-se de alguma forma “ludibriados” (vítimas do clássico “gato por lebre”), e uma vez que o risco decorrente do “subprime” não se encontrava ainda claramente reflectido nas demonstrações financeiras dos Bancos, estes começaram – “portas roubadas… trancas à porta” – a “desconfiar” uns dos outros, limitando a concessão de financiamentos inter-bancários (até porque, em primeira análise, necessitam também de se “auto-financiar”), com a inevitável crise de liquidez…
O que obrigaria os governos, um pouco por todo o mundo, a ter de intervir, definindo planos de acção que se converteriam em verdadeiros “planos de salvação”: significativo acréscimo dos empréstimos dos Bancos Centrais; cauções / avales do Estado, para garantir a obtenção de financiamentos externos; aquisição de activos “tóxicos”; aquisição de participações de capital nos Bancos / “nacionalizações”; culminando no estabelecimento de “níveis mínimos” de concessão de empréstimos pelos Bancos às Pequenas e Médias Empresas.
A segunda etapa desta crise consubstanciou-se na “degradação”. A exposição aos empréstimos “subprime” foi disseminada por inúmeros produtos estruturados, de elevada complexidade – oferecidos pelos Bancos, com a promessa de altos rendimentos associados… a par de exposição limitada ao risco (um verdadeiro “melhor de dois mundos”!) –, que acabariam por se revelar produtos financeiros “tóxicos”.
Uma consequência da manipulação de instrumentos financeiros, por numerosos actores, que, efectivamente, não os dominavam no que respeita às suas verdadeiras propriedades e características intrínsecas, nomeadamente quanto à natureza da sua composição e sensibilidade ao risco.
Só com o apogeu da crise do “subprime” é que todos os intervenientes se deram conta – súbita e algo inesperadamente… – do verdadeiro grau de risco a que se tinham exposto.
A primeira etapa da presente crise global teve origem na crise do “subprime”: algumas instituições financeiras estado-unidenses concederam empréstimos hipotecários à habitação a particulares, que enfrentavam elevados níveis de endividamento, tendo associadas taxas de juro mais elevadas que a média do mercado.
Estes empréstimos foram contratados tendo por base o valor de mercado do imobiliário nos EUA, o qual se encontrava então numa fase de crescimento constante; uma verdadeira “bolha”: quanto mais o mercado imobiliário crescia, maior era o nível de empréstimos concedidos.
Assistiu-se consequentemente a uma escalada das taxas de juro, que provocaria que esses devedores não tivessem capacidade para continuar a pagar as prestações dos empréstimos contraídos. Os Bancos tiveram então de executar as hipotecas; dado o volume destas incidências, o número de habitações colocadas à venda no mercado aumentou exponencialmente… necessariamente, a lei do mercado “impôs” uma queda dos preços.
Paralelamente, as instituições financeiras haviam recorrido em massa a práticas de titularização, para transferência do risco de crédito, num processo com um efeito multiplicador, que acabou por se traduzir – no fim do ciclo -, na “perda do rasto” de quem suportava efectivamente o risco associado a esses créditos. Quando um investidor adquiria unidades de participação de fundos, expunha-se indirectamente ao risco decorrente dessas múltiplas titularizações.
1. Este “blogue" tem por objectivo prioritário a divulgação do que de melhor vai acontecendo em Portugal e no mundo, compreendendo nomeadamente a apresentação de algumas imagens, textos, compilações / resumos com origem ou preparados com base em diversas fontes, em particular páginas na Internet e motores de busca, publicações literárias ou de órgãos de comunicação social, que nem sempre será viável citar ou referenciar.
Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no topo desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.
2. Os comentários expressos neste "blogue" vinculam exclusivamente os seus autores, não reflectindo necessariamente a opinião nem a concordância face aos mesmos do autor deste "blogue", pelo que publicamente aqui declino qualquer responsabilidade sobre o respectivo conteúdo.
Reservo-me também o direito de eliminar comentários que possa considerar difamatórios, ofensivos, caluniosos ou prejudiciais a terceiros; textos de carácter promocional poderão ser também excluídos.