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Liga dos Campeões – 1/8 Final (2ª mão)
2ª mão 1ª mão Total 08.03.2011 - Shakhtar Donetsk – Roma 3-0 3-2 6-2 09.03.2011 - Tottenham – AC Milan 0-0 1-0 1-0 09.03.2011 - Schalke 04 – Valencia 3-1 1-1 4-2 15.03.2011 - Bayern München – Inter 2-3 1-0 3-3 16.03.2011 - Real Madrid – Ol. Lyonnais 3-0 1-1 4-1 08.03.2011 - Barcelona – Arsenal 3-1 1-2 4-3 15.03.2011 - M. United – Ol. Marseille 2-1 0-0 2-1 16.03.2011 - Chelsea – København 0-0 2-0 2-0
Avançam para os 1/4 Final da prova três equipas inglesas, duas espanholas e uma da Alemanha, Itália e Ucrânia. Sete anos depois o Real Madrid conseguiu quebrar o “enguiço”, superando a eliminatória dos 1/8 Final (depois de – por seis vezes consecutivas – se ter quedado nesta fase da prova, sucessivamente eliminado por Juventus, Arsenal, Bayern, Roma, Liverpool e Lyon).
Liga Europa – 1/8 Final (1ª mão) – Benfica – Paris St.-Germain
Benfica – Roberto, Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, Fábio Coentrão, Javi García, Eduardo Salvio (66m – Franco Jara), Nico Gaitán (71m – Pablo Aimar), Carlos Martins (85m – César Peixoto), Javier Saviola e Óscar Cardozo
Paris St.-Germain – Apoula Edel, Ceará, Sammy Traoré, Sylvain Armand, Tripy Makonda (75m – Florian Makhedjouf), Zoumana Camara, Clément Chantôme, Péguy Luyindula (44m – Jean-Eudes Maurice), Nenê, Mevlüt Erdinç e Mathieu Bodmer (70m – Neeskens Kebano)
0-1 – Péguy Luyindula – 14m
1-1 – Maxi Pereira – 42m
2-1 – Franco Jara – 81m
Cartões amarelos – Eduardo Salvio (26m); Sylvain Armand (30m), Ceará (39m), Nenê (83m) e Zoumana Camara (90m)
Árbitro – Pavel Kralovec (R. Checa)
Numa partida em que o Benfica denotou algum nervosismo e ansiedade, a par de falta de concentração na defesa, não acertando com as marcações, repetiu-se o sucedido nos últimos 4 encontros disputados no Estádio da Luz: começar a perder, conseguir a reviravolta no marcador, e acabar por vencer por 2-1 (assim sucedeu nos jogos com o Stuttgart, Marítimo e Sporting).
Frente a uma equipa que se caracteriza pelo seu perigoso contra-ataque, que, por regra, consegue marcar golos nos jogos fora de casa – e depois de, logo a abrir o jogo, a equipa benfiquista ter obrigado o guardião do conjunto francês a excelente intervenção (o que, aliás, viria a repetir, aos 25 minutos, com Edel a dar a melhor resposta a um potente remate de Cardozo, na conversão de um livre) -, o Paris St.-Germain, para além de ter inaugurado o marcador, ainda antes dos 15 minutos, teria pelo menos mais duas flagrantes oportunidades de golo, com o Benfica a revelar dificuldades em controlar o jogo.
A equipa portuguesa acabaria por ter a felicidade de, nessa fase menos boa, conseguir, ainda antes do intervalo, o golo da igualdade, que, naturalmente, contribuiria para encarar a segunda parte com outra tranquilidade e confiança.
E, efectivamente, nessa metade complementar, o rumo do encontro viria a alterar-se substancialmente, em virtude do ritmo e velocidade impostos pela equipa do Benfica.
O curso do jogo ficaria então ainda marcado por um lance que o árbitro não sancionou com grande penalidade, aos 72 minutos, por claro derrube a um benfiquista em plena área.
Tal não impediu – ou terá porventura contribuído ainda mais – para um decisivo acelerar da equipa portuguesa, à entrada para o quarto de hora final, com o Benfica a carregar bastante, exercendo tal pressão que ameaçava fazer vacilar os parisienses, empurrando-os para as imediações da sua baliza, fazendo lembrar a fase final do recente jogo com o Sporting para as 1/2 Finais da Taça da Liga.
À semelhança do sucedido nesse jogo, adivinhava-se claramente o golo do Benfica, que acabaria por surgir com naturalidade.
Curiosamente – talvez recordando-se da similitude da evolução do jogo e do marcador da eliminatória anterior, frente ao Stuttgart -, a equipa benfiquista acabaria, nos minutos derradeiros, por procurar sobretudo conservar a vantagem, que, sendo mínima, poderá ser decisiva para o jogo da próxima semana em Paris, em que, se antecipa, irá “jogar em casa”, com o apoio de uma grande mole de emigrantes portugueses.
Liga Europa – 1/8 Final (1ª mão)
Benfica - Paris Saint-Germain 2-1 Dynamo Kyiv - Manchester City 2-0 Twente - Zenit 3-0 CSKA Moskva - FC Porto 0-1 PSV Eindhoven - Glasgow Rangers 0-0 Bayer Leverkusen - Villarreal 2-3 Ajax - Spartak Moskva 0-1 Braga - Liverpool 1-0
Três jogos, três vitórias, o excelente balanço das equipas portuguesas nesta 1ª mão dos 1/8 Final da Liga Europa, a conseguir fazer o pleno, com destaque particular para os triunfos do FC Porto em Moscovo e do Braga frente ao Liverpool. Meio caminho está percorrido; falta confirmar nas partidas da 2ª mão, a vantagem adquirida, para garantir o que seria um magnífico triplo apuramento para os 1/4 Final.
Uma jornada em que, dos outros países com maior representação, apenas a Holanda não teve saldo negativo, com as suas 3 equipas a repartirem os resultados pelos 3 desfechos possíveis (uma vitória, um empate, e uma derrota), enquanto os clubes da Rússia registam uma vitória e duas derrotas, com os dois conjuntos ingleses a serem também derrotados.
Francis Obikwelu Campeão da Europa nos 60m
Portugal conquistou duas medalhas (uma de ouro, e outra de prata) no Campeonato da Europa de Atletismo de pista coberta, realizado em Paris, por intermédio de Francis Obikwelu, vencedor da prova dos 60 metros, e de Naide Gomes, vice-campeã no salto em comprimento.
Com a marca de 6.53 segundos, o atleta português conseguiu ser vitorioso perante adversários de grande craveira internacional, como o britânico Dwain Chambers (medalha de prata, com o tempo de 6.54), e o francês Christophe Lemaitre (terceiro classificado, com 6.58 segundos).
Já Naide Gomes, depois de ontem ter garantido o apuramento para a final pela margem mínima de 1 cm, quedou-se hoje pela medalha de prata… a 1 cm do ouro. Com um salto de 6,79 metros (que lhe permitiu chegar a liderar o concurso), acabaria por ficar posicionada entre as duas atletas russas: a vencedora Darya Klishina (6,80 metros) e Yulya Pidluzhnaya (6,75 metros).
Liga Europa – 1/16 Final (2ª mão) – Stuttgart – Benfica
Stuttgart – Marc Ziegler (52m – Sven Ulreich), Khalid Boulahrouz (61m – Timo Gebhart), Georg Niedermeier, Matthieu Delpierre, Cristian Molinaro, Christian Trasch, Zdravko Kuzmanovic, Martin Harnik, Tamás Hajnal (78m – Élson), Shinji Okazaki e Sven Schipplock
Benfica – Roberto, Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, Fábio Coentrão, Airton, Eduardo Salvio, Nico Gaitán, Pablo Aimar (73m – Carlos Martins), Franco Jara (90m – Alan Kardec) e Óscar Cardozo (88m – Felipe Menezes)
0-1 – Eduardo Salvio – 31m
0-2 – Óscar Cardozo – 78m
Cartões amarelos – Matthieu Delpierre (46m), Shinji Okazaki (77m), Timo Gebhart (81m) e Cristian Molinaro (90m); Sidnei (44m) e Carlos Martins (81m)
Cartão vermelho – Zdravko Kuzmanovic (90m)
Árbitro – Mike Dean (Inglaterra)
Com uma vantagem mínima arrancada na primeira mão, o Benfica assumiu – tal como prometera Jorge Jesus – que necessitava de marcar na Alemanha para alcançar o apuramento. E entrou com boa disposição neste jogo, com Gaitán a ameaçar, logo aos 6 minutos, com um remate em jeito de “folha seca”, pleno de intencionalidade, a obrigar o guardião contrário a uma estirada para afastar a bola por sobre a barra.
E, novamente aos 18 minutos, com uma desmarcação na cara do guarda-redes, a fazer a mancha e a levar a melhor sobre Fábio Coentrão, que se conseguira isolar, não tendo contudo conseguido evitar o último obstáculo para o golo.
Golo que acabaria por surgir aos 31 minutos, culminando da melhor forma um pontapé de canto, com Salvio, a “encher o pé”, à entrada da área, a rematar forte e colocado, sem hipótese de defesa.
O Stuttgart obrigara também Roberto a intervir em dois ou três lances ofensivos, mas a nota dominante do primeiro tempo fora do Benfica.
No reinício, logo aos 2 minutos e, de imediato, no minuto seguinte, o guarda-redes alemão, com duas intervenções arrojadas, negaria novo golo ao Benfica, na segunda delas, sendo atingido de forma arrepiante, de forma involuntária, fruto da dinâmica do movimento corporal, primeiro por Gaitán (uma joelhada na cabeça) e, de imediato, por Delpierre, que caiu também sobre a cabeça do desamparado colega, que acabaria por ter de sair do estádio, para receber assistência hospitalar.
Aos 60 minutos, Luisão, na cara do guarda-redes, na zona da pequena área, desperdiçaria inacreditavelmente o golo, não obstante ter recebido a bola um pouco alta, rematando bastante por cima da baliza.
Cardozo replicaria o falhanço, aos 71 minutos, antes de Okazaki, por duas vezes, ter ameaçado seriamente a baliza benfiquista, primeiro com um remate a rasar a trave e, logo de seguida, obrigando Roberto a uma magnífica intervenção para conseguir defender a bola.
A eliminatória ficaria definitivamente sentenciada quando Cardozo, aos 78 minutos, na sequência de mais uma boa iniciativa de Franco Jara, rematou forte, com a bola ainda a embater no poste antes de se anichar no fundo das redes, sem hipóteses para o guarda-redes adversário.
Até final – jogar-se-ia até ao minuto 97 – não haveria muito mais a ser digno de nota especial, com o Benfica a gerir a vantagem no jogo e na eliminatória.
Alcançando, pela primeira vez no seu longo historial europeu, a vitória na Alemanha, o que conseguiu de forma muito segura – ampliando para 16 a sua fantástica série de vitórias consecutivas -, o Benfica avança na Liga Europa, prosseguindo para os 1/8 Final, em que reencontrará (depois de se terem defrontado já na época 2006-07) a equipa francesa do Paris Saint-Germain.
Liga Europa – 1/16 Final (2ª mão)
2ª mão 1ª mão Total Villarreal - Napoli 2-1 0-0 2-1 Sporting - Glasgow Rangers 2-2 1-1 3-3 Liverpool - Sparta Praha 1-0 0-0 1-0 Ajax - Anderlecht 2-0 3-0 5-0 Braga - Lech Poznań 2-0 0-1 2-1 Dynamo Kyiv - Beşiktaş 4-0 4-1 8-1 Spartak Moskva - Basel 1-1 3-2 4-3 Zenit - Young Boys 3-1 1-2 4-3 Manchester City - Aris Thessaloniki 3-0 0-0 3-0 CSKA Moskva - PAOK 1-1 1-0 2-1 FC Porto - Sevilla 0-1 2-1 2-2 Twente - Rubin Kazan 2-2 2-0 4-2 PSV Eindhoven - Lille 3-1 2-2 5-3 Stuttgart - Benfica 0-2 1-2 1-4 Paris Saint-Germain - BATE Borisov 0-0 2-2 2-2 Bayer Leverkusen - Metalist Kharkiv 2-0 4-0 6-0
Os 1/8 Final, a disputar já nos próximos dias 10 e 17 de Março, têm o seguinte alinhamento:
Benfica – Paris Saint-Germain
Dynamo Kyiv – Manchester City
Twente – Zenit
CSKA Moskva – FC Porto
PSV Eindhoven – Glasgow Rangers
Bayer Leverkusen – Villarreal
Ajax – Spartak Moskva
Liverpool – Braga
O Sporting perdeu – ao sofrer o golo do empate já no 2º minuto do período de compensação – a possibilidade de, qualificando-se, garantir o pleno para as equipas portuguesas; com o FC Porto a passar com mais dificuldades que esperado (devido ao facto de ter sido demasiado perdulário no jogo de ontem, não conseguindo concretizar nenhuma das várias ocasiões de golo de que dispôs), o Benfica a ter uma vitória autoritária na Alemanha, e o Braga a acabar por ser feliz, conseguindo resistir à desesperada ofensiva dos polacos nos últimos minutos, que desperdiçaram igualmente duas soberanas oportunidades para marcar, a última delas com um estrondoso remate à trave, também já em tempo de descontos.
Portugal prossegue na prova com um contingente de 3 representantes, no que é igualado apenas pela Rússia e Holanda, com a Inglaterra a manter duas equipas na competição, enquanto Espanha, Alemanha, França, Ucrânia e Escócia resistem apenas com um clube.
Liga dos Campeões – 1/8 Final (1ª mão)
16.02.2011 - Roma – Shakhtar Donetsk 2-3 15.02.2011 - AC Milan – Tottenham 0-1 15.02.2011 - Valencia – Schalke 04 1-1 23.02.2011 - Inter – Bayern München 0-1 22.02.2011 - Olympique Lyonnais – Real Madrid 1-1 16.02.2011 - Arsenal – Barcelona 2-1 23.02.2011 - Olympique Marseille – Manchester United 0-0 22.02.2011 - København – Chelsea 0-2
Uma tripla derrota caseira das equipas italianas, a par da tripla vitória de clubes ingleses (apenas o Manchester não conseguiu vencer), com as três equipas espanholas também sem qualquer triunfo, e ambos os conjuntos franceses a empatar em casa, são aspectos a merecer menção de destaque nesta 1ª mão dos 1/8 Final da Liga dos Campeões.
Liga Europa – 1/16 Final (1ª mão) – Benfica – Stuttgart
Benfica – Roberto, Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, Fábio Coentrão, Javi García, Eduardo Salvio (75m – Alan Kardec), Nico Gaitán, Pablo Aimar (75m – Carlos Martins), Franco Jara (87m – Felipe Menezes) e Óscar Cardozo
Stuttgart – Sven Ulreich, Khalid Boulahrouz, Serdar Tasci, Matthieu Delpierre, Cristian Molinaro, Christian Trasch, Zdravko Kuzmanovic (76m – Georg Niedermeier), Martin Harnik, Tamás Hajnal (63m – Élson),Shinji Okazaki e Cacau
0-1 – Martin Harnik – 21m
1-1 – Óscar Cardozo – 70m
2-1 – Franco Jara – 81m
Cartões amarelos – Fábio Coentrão (42m), Javi García (88m) e Maxi Pereira (90m); Tasci (14m), Harnik (26m) e Delpierre (59m)
Árbitro – Eric Braamhaar (Holanda)
Com a confiança proporcionada por 13 vitórias consecutivas (desde a partida com o Schalke, a 7 de Dezembro) – 16 triunfos, se considerarmos apenas os jogos a nível interno (desde a derrota com o FC Porto, a 7 de Novembro) -, reforçada pela magnífica exibição do último jogo, frente ao Guimarães, o Benfica ver-se-ia de alguma forma surpreendido pelo atrevimento do Stuttgart (que, ao invés, luta desesperadamente por sair dos lugares de despromoção da bundesliga), que não mostrou temor, procurando jogar de igual para igual.
E, quando à passagem dos 20 minutos, a equipa alemã, com um chapéu de belo efeito sobre Roberto, se colocou em vantagem, a dúvida instalou-se na equipa benfiquista; até final da primeira parte, faltaria a tranquilidade necessária para uma reacção apropriada à tendência do jogo e do marcador.
No segundo tempo o Benfica surgiria transfigurado, para muito melhor. Talvez pela mentalização recebida ao intervalo, a equipa readquiriu a confiança, partindo deliberadamente para o ataque, em busca do golo.
Seria porém necessário porfiar bastante, até, por fim, conseguir, primeiro o empate – num excelente remate de meia-distância de Cardozo -, pouco depois a reviravolta no marcador, num magnífico balão de Franco Jara, de longa distância, a embater ainda na barra antes de cair sobre (para além d)a linha de golo, onde Cardozo surgiu a confirmar o golo.
Não faltava já muito tempo para o final do encontro, mas o Benfica criaria ainda diversas ocasiões de perigo, em particular nos minutos derradeiros, inclusivamente já em período de compensação, culminando mais uma boa exibição, e aumentando para 14 o número desta sua extraordinária série de triunfos (com um score global de 40 golos marcados e 7 sofridos).
Do “mal o menos”, a equipa portuguesa parte em vantagem para a segunda mão, onde a chave da eliminatória poderá estar numa atitude que não seja centrada na mera defesa da escassa margem hoje alcançada.
Liga Europa – 1/16 Final (1ª mão)
Napoli - Villarreal 0-0 Glasgow Rangers – Sporting 1-1 Sparta Praha – Liverpool 0-0 Anderlecht – Ajax 0-3 Lech Poznań – Braga 1-0 Beşiktaş – Dynamo Kyiv 1-4 Basel – Spartak Moskva 2-3 Young Boys – Zenit 2-1 Aris Thessaloniki – Manchester City 0-0 PAOK – CSKA Moskva 0-1 Sevilla – FC Porto 1-2 Rubin Kazan – Twente 0-2 Lille – PSV Eindhoven 2-2 Benfica – Stuttgart 2-1 BATE Borisov – Paris Saint-Germain 2-2 Metalist Kharkiv – Bayer Leverkusen 0-4
Beco sem saída?
O luxemburguês Andy Schleck – 2º classificado nas duas últimas edições do “Tour de France”, imediatamente após o espanhol Alberto Contador, e, consequentemente, o mais imediato beneficiário da eventual penalização do vencedor da prova de 2010 – declarou ontem esperar que Contador possa confirmar a sua alegada inocência no caso de doping, referindo ainda que não teria grande prazer em ser proclamado vencedor da maior competição velocipédica mundial, em caso da desclassificação do rival, uma vez que entende que é «na estrada que se ganham as corridas».
Repetindo-me, já há três anos e meio, aqui havia escrito que a questão do doping no ciclismo é profunda e transversal; não se limita apenas a alguns casos pontuais de “grandes figuras”.
Numa modalidade que tem a particularidade de requerer rápidas recuperações de esforço (os ciclistas deparam-se, dia após dia, ao longo de 3 semanas, com longas e exigentes etapas), todo o pelotão recorre – hoje, como ao longo dos tempos – a suplementos vitamínicos, que foram sendo alvo de gradual processo de sofisticação, visando escapar ao controlo, num contexto em que o ténue limiar entre a legalidade e a ilegalidade é constantemente testado.
As principais agremiações/marcas rodearam-se de experimentadas equipas médicas, investigando e desenvolvendo substâncias sintéticas, doseadamente administradas, procurando a maximização do rendimento competitivo dos seus atletas, a par de uma complexa gestão dos limites: em geral, as substâncias proibidas tornam-se efectivamente ilícitas em termos das regras desportivas quando excedem determinados níveis fixados em regulamento.
Assiste-se portanto a uma competição paralela – extra-estrada ou extra-pista – entre a investigação desenvolvida pelas equipas médicas e as técnicas, cada vez mais sofisticadas, de controlo anti-doping.
As sucessivas derrotas das equipas médicas, com o avolumar de controlos positivos de grande mediatismo, atingindo as principais figuras do pelotão mundial, têm conduzido o ciclismo para o que se perfila ser cada vez mais um beco sem saída.
Com significativos interesses económicos envolvidos, dados os fortes investimentos realizados pelos patrocinadores, a modalidade não parece ter “dois caminhos”; caso não seja invertido o rumo (da competitividade baseada em sofisticadas equipas médicas e práticas ilícitas de dopagem), acabará por – consequência da ruína da credibilidade desportiva – sofrer o afastamento desses mesmos financiadores, com reflexos calamitosos a todos os níveis, num verdadeiro “efeito-dominó”, qual ciclo vicioso de que dificilmente se poderá sair: desinvestimento publicitário / redução drástica nas remunerações dos ciclistas / quebra de nível competitivo / afastamento do público / alheamento das televisões e dos media em geral.



