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TOMAR, 5 e 6/7 – FESTA DO ESPíRITO SANTO
Obviamente, numa página cujo tema é a divulgação do que “de bom vai acontecendo”, não poderia deixar esquecida esta grandiosa manifestação popular de carácter religioso/etno-cultural.
Conhecida como a “Festa dos Tabuleiros”, tem como origens o culto do Espírito Santo, devoção criada pela Rainha Santa Isabel.
A Festa dos Tabuleiros traduz-se principalmente num cortejo de oferendas, em concreto, e no essencial, de pão. Os tabuleiros que as mulheres transportam à cabeça eram, originariamente, oferendas ao Espírito Santo. Em média, pesam 22 Kg e são sempre da altura das mulheres que os transportam.
A Festa realiza-se geralmente de 4 em 4 anos, tendo o seu início no Domingo de Páscoa, com a saída das coroas durante todos os domingos até Julho, culminando com o “Grande Cortejo” no próximo domingo, 6 de Julho, em Tomar (pelas 16h). A não perder!
Tomar nasceu com a ocupação romana, tendo como antecessora o povoado de Sellium. Com as invasões bárbaras e a expulsão romana da Península, a comunidade local cristianizou-se. Na sequência da reconquista cristã, foi encarregue a Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, a tarefa de erguer um castelo, a partir do qual a cidade deveria desenvolver-se.
Após a expulsão dos Templários pelo Rei de França (Filipe o Belo), os cavaleiros instalaram-se em Tomar, com a concordância de D. Dinis, que, após a extinção desta Ordem pelo Papa Clemente V, conseguiu a sua “(re)conversão” em Ordem de Cristo, que viria a constituir-se numa das bases do desenvolvimento da filosofia em que assenta o mundo em que vivemos hoje.
Sob a orientação do Infante D. Henrique, a Ordem de Cristo iria transformar a vila num centro de decisões de âmbito universal (estando na origem dos Descobrimentos), “dando novos mundos ao mundo” e, posteriormente, já com D. Manuel, adquirir um dos mais belos símbolos arquitectónicos do universo (Convento de Cristo).
Após a Restauração e o Liberalismo, já com a vila transformada em cidade, a Ordem de Cristo foi extinta, tendo, não obstante, sido mantido enraizado o culto do Espírito Santo que este fim-de-semana se celebra mais uma vez.
Imperioso visitar em Tomar: o Convento de Cristo (com a sua janela Manuelina) . património mundial; o Castelo dos Templários (com a “Charola”, templo dentro do castelo, com a sua forma octogonal); a Igreja de Santa Maria do Olival (ou da Nossa Senhora das Oliveiras); a Igreja de S. João Baptista, a Sinagoga, mas também o Parque do Mouchão, …
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"O SEU PRIMEIRO ROMANCE" – EQUADOR, by Miguel Sousa Tavares
Então cá vai (depois de umas “voltinhas” pela net – estamos a falar de um principiante…), agora sim, o primeiro “post” a sério (porque é que estas coisas têm de ser todas em inglês?): o livro do mês (para mim, é o livro do milénio, pelo menos no que toca ao nosso “rectângulo à beira-mar plantado” – eu não disse que Portugal tem coisas muito boas?).
Tudo é magnífico, começando pela capa que é belíssima; o próprio título (“EQUADOR”) é um achado; depois o conteúdo é brilhante, uma história que prende o leitor da primeira à 527ª página (com um desfecho inesperado), com uma escrita clara, límpida, transparente, sem pretensões de obra-prima da intelectualidade.
Se há “altos e baixos” ao longo do livro (e há…) é porque os “altos” são passagens de uma grande intensidade e de um nível que seria impossível manter ao longo de uma obra com esta dimensão (obrigado Dr. Miguel Sousa Tavares por nos proporcionar mais de 500 páginas de deslumbramento).
A vontade de “ver” (sim, porque conhecer, já o conhecemos pela descrição feita pelo autor) S. Tomé (e Príncipe!) do início do século passado é imensa.
O herói da história faz-nos lembrar um daqueles heróis de “capa e espada”, em que a honra está acima de tudo. Tudo é tão belo que até conseguimos nutrir alguma simpatia por esse famoso Rei D. Carlos (mais conhecido pela sua bonacheirice e pelo regicídio).
O enquadramento / inserção do casal britânico na história (a parte da história passada na Índia) é de uma qualidade notável.
A própria promoção do livro me parece extraordinariamente bem feita (mesmo “o seu primeiro romance” parece ser uma mensagem subliminar que nos deixa na dúvida: primeiro romance do autor ou primeiro romance do leitor?!).
Parabéns Dr. Miguel Sousa Tavares. Por favor, continue a proporcionar-nos momentos de “puro prazer” com a leitura dos seus futuros romances.
P. S. – Presenciei já várias pessoas (em livrarias, nos hipermercados, na própria Feira do Livro) que tiveram o livro na mão e, por fim, não o compraram (o preço pode ser considerado – para quem não conhece o livro – um pouco “puxado”, para as nossas bolsas, claro). Um alerta à navegação: comprem o livro! poucas vezes poderão ter adquirido um bem com tal relação qualidade/preço.
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